Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
19
Set 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... assuntos mudados, enigmas desvendados"

 

Podia ser um novo provérbio, vindo ao encontro da necessidade de renovação que vai na Historiografia da Arte.

Não sei se em todo o Portugal?, mas enfim, em certas escolas: das Belas-Artes à Fac. de Letras, tudo isto da Universidade de Lisboa.

Porque, tal como o país, as faculdades da capital funcionam em slow motion. Embora, com "Os Donos de Tudo Isso" muito convencidos de que são moderninhos. Pelo contrário:

E na verdade, como são mesmo donos, só por lá passa quem eles querem, e como eles querem: tão antiquado quanto possível!

Porque o arreigamento, e a vontade que têm (de não mudar nada - lá está a contradição), levam a que pensem que isso é o futuro; do que acham que é só deles, esquecendo-se, propositadamente, de que é do país...

E assim prolongando a mentalidade que tinham, para aí desde 1971, já que essa é a regra!

No entanto, como registámos - há uma ou duas horas, no facebook -, estão aí bem fortes, claríssimas, ideias que têm estado pouco divulgadas (e agora descobriram).

extractFB-19.9.2019.jpg

páginadegloriaazevedocoutinho

E por isso já lá estão, alguns dos acabados de chegar, postos na primeira fila, armados em papistas, a proclamar a mudança*.  Basta vê-los, para se constatar como tudo isto é anedótico... O que mudam de repente...

E essa mudança será o futuro? Uma tradição antiquíssima (facto que ainda escondem - , nem sequer o dominam...), mas agora, e porque dá dinheiro, faz-se novidade total?

Ficam as perguntas, dirigidas à superficialidade vigente, e aos "just arrived", porque a nossa velocidade é a de cruzeiro; a de quem faz o caminho com os seus próprios sapatos, que a cabeça escolhe/escolheu, para o conforto da passada.

E, continuando, vá-se lá saber porquê (esta questão anda connosco há décadas?**), então vamos lá atrás, aos bois e a um postal minhoto dos anos 1990, que o comprámos e escrevemos, pela graça do cenário:

Minho-JugoBois.jpg

Um cenário onde pouco ou nada sabíamos dos detalhes, mas que agora não nos surpreendem:

No detalhe, um jugo de bois - como já JOAQUIM DE VASCONCELOS tinha evidenciado -, com Iconografia Medieval. Isto é, com as mesmas argolinhas de Paço de Sousa e de Coimbra; iguais às do Túmulo de Egas Moniz e às que se vêem na Sé Velha, logo à entrada***.

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda, se repararem com muita atenção, verão que essa ICONOGRAFIA do jugo dos bois é igual à desta janela, que é francesa, como se mostra a seguir em detalhe (com as argolas rodadas), para se verem na mesma posição.

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*E se ontem escondiam e não aceitavam, hoje já se armam em mandantes da mudança!

**Damos um prémio a quem explicar a razão...

***Insiste-se, damos um prémio a quem explicar o motivo de estas imagens nos perseguirem.


12
Set 19
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

... desde meados de 1987-88, que começámos a trabalhar sobre Monserrate

 

Primeiro na Associação Amigos de Monserrate, depois na Faculdade de Letras (a partir de Out.-Nov. de 2001)

Só que aí começou uma verdadeira saga. Porque investigações feitas a sério, podem trazer resultados inesperados.

E assim foi, embora também a sério, posta fora da FLUL, impedida de aí fazer o doutoramento, e desprezada (por ser de um género menor...) na FBAUL por FABP!*

Enfim, materiais não nos faltam, desde (1) o que descobrimos, a (2) o que outros nos foram mostrando de eles próprios: como personalidade, (falta de) carácter, e as inúmeras razões para a (imensa) mediocridade de um país...

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*Alguém de cujo profissionalismo vamos sempre ter muito para relatar, incluindo as pirosadas que lhe ocorriam, para nos demover dos estudos em que estávamos absolutamente dirigidos. Prova disso o Entrecho que logo produzimos na entrada em Belas-Artes (em Maio de 2006).

 


09
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ou como foi ocupando a nossa vida, desde 1987  [que é como quem diz, já quase vai em metade! (*1)]

 

Se forem ao nosso post do dia 7, e depois sempre a recuar, há muito que se pode e se há-de encontrar, desde Monserrate quando não era mais do que imagens incompreensíveis; até que muito mudou, passando a ser compreensível, e altamente falante.

Começa-se pela fotografia que regista círculos, apostos sobre a fachada do Palácio sintrense:

Os quais, para Maria João Baptista Neto (nossa orientadora de uns estudos feitos num tempo em que devêramos ter juízo, e não ir atrás de «criadoras de balelas»...*2), esses círculos teriam sido falantes; constando daquilo que eram para si (para a dita «sra. prof.», suposta orientadora) "As Origens do Gótico".

Mas enfim, as ditas "balelas", tornaram-se em sucessivas fontes e poços, repletos de informações.

Hoje interessantes e úteis, potencialmente, para todas as áreas da Cultura (e para muitas áreas científicas). Dizemos nós...

E assim podemos continuar - muito à base de imagens - a contar esta história que está cada vez mais longa, e antiga.

Em 2001, naturalmente, e sendo a curiosidade um motor poderoso, decidimos ir ver o que tinham tido, de tão especial, os Godos (Ostrogodos e Visigodos) para isso os ter levado a criar um Estilo.

[Só que primeiro foi um Símbolo, embora não visual, como todos julgam ser o único sinónimo de sinal...].

Foi então (2001-2), que quase sem dar por isso, começámos a ler sobre TEOLOGIA, e também a escrevinhar nas margens dos papéis, e em muitas folhas de apontamentos, dos nossos estudos. Nessa altura valeu-nos a New Advent Catholic Encyclopedia, e a sua explicação do FILIOQUE (sobretudo ao alertar para o nível de abstracção que sempre esteve em causa...)

Já tínhamos feito imensos gatafunhos/garatujos ou doodles - o que lhes queiram chamar. O certo é que, alertada pela New Advent Encyclopedia olhámos para eles. Eram semelhantes aos da imagem seguinte.

Mas nesta, o 1º esquema não é nosso (ver aqui - num post muito recente que dedicámos ao assunto);  acontecendo que o Professor norte-americano que o fez - esse e vários outros esquemas -, de certeza que ignora o modo como estas imagens esquemáticas estiveram na origem das formas dos estilos de arquitectura antiga, e tradicional, europeia, de raiz religiosa.

depoisConcílioNiceia-325.jpg

Porque, e isto parece-nos óbvio, caso não o ignorasse (isto é, se ele o soubesse), então para melhor expor as suas ideias, claro que teria ido buscar as referidas formas da Arquitectura; assim como as que estão em todas as outras áreas artísticas. Para depois, com esse apoio visual, explicar aos seus alunos, as (hiper) subtis diferenças teológicas que existem entre os também diferentes Credos, ou Símbolos da Fé.

Acima as imagens 2, 3, e 4 são nossas, sendo que 2 é uma adaptação de 1.

A nº 3, encontrámo-la em casa, num documento antigo, e quase em simultâneo na edição de 2000, Oxford University Press, do  dicionário de Arquitectura de James Stevens Curl.

Depois a imagem (ou o esquema) nº 4 é um «8» deitado, que a partir de muito cedo - vê-se numa patena francesa do início do século VI - passou a representar Deus, o Infinito.

Mas essa mesma representação do Infinito, como está acima no esquema nº 3, chegou - mais do que certo (e talvez ainda com o seu significado conhecido?) - ao século XX.

É que ao estar no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, no painel Começar, de Almada Negreiros (ver aqui), é inacreditável, nós não acreditamos!,  que Almada desconhecesse o seu significado ancestral.

painel-começar.jpg

Tal como há dias escrevemos, num post a propósito de Sarah Affonso e de uma pintura sua - que podendo parecer muito menos do que é - pois na verdade é anagógica (a elevar, ou como que a puxar para cima); já que era o céu e o infinito que ambos (aqui o casal Sarah e Almada) várias vezes pretenderiam evocar...

Fizeram-no através de registos, tão específicos quanto concretos (ou significantes), que ambos deixaram nas suas obras. Fizeram-no - como muitos outros do seu tempo -, ainda, e neste caso, com o mesmo sentido que tinha sido dado às Ogivas. A designação que é sobretudo associada a uma forma (dita ogival), e não ao verbo latino "augere". Que significa elevar-se, ascender na direcção do auge.

Para isso usaram sinais que alguns designam como sendogeométricos, mas que para outros são designados abstractos. Por fim, e não tardará a acontecer (dizemos nós), para a totalidade das pessoas eles serão, supostamente, insignificantes.

Um dia serão vistos como umas «verdadeiras tralhas» que se punham nas obras, sem que com elas, pouco ou nada se estivesse a acrescentar! (*3

infinito-2.jpg

painel-começar-detalhe.jpg

No futuro, só se entenderá a referência ao FILIOQUE que é feita por Almada Negreiros, na igreja de Fátima, em Lisboa, nos vitrais que são completamente icónicos... Nunca nos Arcos Quebrados - que aliás são o mote estrutural da obra - porque a sua imensa economia visual, de tão resumida se tornou definitivamente abstracta; e portanto incompreensível 

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(*1) Antes, entre muitas outras coisas (é o que hoje se depreende) estivemos a preparar o que se iria fazer depois, anos mais tarde. I. e., a preparar o que exige multidisciplinaridade, prática de visão e compreensão da composição... 

(*2) Mas fomos. Sendo que logo que pôde, «a dita» teve o desplante de nos mostrar o engodo que criou. Pois afinal, depois de encontradas as suas tão almejadas "Origens do Gótico", nunca mais a questão lhe interessou... Até que, numa primeira fase impingiu assunto Monserrate aos mais próximos, chegando à exposição que foi inaugurada em 2017. A qual lhe teria dado muito mais se tivesse treino de visão (mas cada um é como é!). Agora, tão original, e nada premeditada, segue na minha peugada, fazendo-se passar por «conhecedora» da Arte Cristã... E se temos que nos habituar, enfim que espalhe aquilo que tinha na cabeça em 2001, e me pôs a procurar. Sim, mas começando por espalhar a lição que recebeu (em Janeiro-Fevereiro de 2002) sobre a forma de trabalhar de um arquitecto: como as ideias se tornam esquemas e ideogramas. Pois é a chave de toda esta questão

Depois, e para resumir, pergunta-se:

Porque esteve Maria João B. Neto tanto tempo calada (desde 2002)?

As guerras religiosas (que vão pelo mundo) são guerras culturais. Como aliás o percebeu, muitíssimo bem, pela minha tese! Ou a investigação faz-se, os Governos pagam-na, para, havendo resultados, os principais responsáveis ficarem todos calados?

Para, ainda no caso de Monserrate, uns anos depois, ir uma Ministra da Cultura visitar um país do Próximo Oriente, e aí pedir «apoios mecenáticos» para recuperar uma casa que - Maria João Neto sabe-o melhor do que ninguém! - é o resultado das pesquisas dos "antiquários ingleses", dos seus Grand Tours, e dos membros da Diletanti Society.

Mansão que por acaso foi construída em Portugal, por quem era então um dos homens mais ricos da Inglaterra vitoriana.

Sim senhora Professora Maria João Neto, no século XVIII, quando as mentalidades se começaram a aproximar daquilo que são hoje, nesse tempo a curiosidade era diletante; hoje é Ciência. E os países, bem, gastam milhões para se reforçarem cientificamente. Porque a Ciência é útil e necessária. E tal como hoje ninguém despreza a Psicologia, do mesmo modo o que se encontrou ao estudar Monserrate, orientada por si (e bem), deve igualmente ser muito mais útil do que os "Dez reis de mel coado" que vai receber por cursinhos de A Arte Moderna e a Arte da Igreja, na Capela do Rato.

É que, embora toda esta problemática não seja um Assunto de Estado, no entanto é da maior importância!

(*3) No futuro serão vistos como acidentes superficiais, ocorridos nas obras; ou, como verdadeiros "crimes" ! Portanto podemos dizer à maneira (minimalista) de Adolf  Loos : "...que muito se poderia ter poupado no trabalho de ornamentação!"

E se temos que nos habituar (à peugada):               "...Ainsi soit-il!

                                                          Et quand la nuit est nuageuse

                                                 Il y a toujours une lumière qui m'éclaire

                                                         Éclaire-moi jusqu'à demain

                                                         Ainsi soit-il"

 

A um assunto que vai tendo barbas, mas por aqui não se esquece!


08
Set 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... QUE É COMO QUEM DIZ, ALGUÉM ANDAR NO MEU LUGAR

Não gosto!

 

E por isso já escrevemos vários posts:

Em 31 de Janeiro de 2018 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/a-proposito-de-monserrate-revisitado-405435

Em 28 de Janeiro de 2019 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/sobre-aquelas-duvidas-que-ainda-457447

Em 15 de Novembro de 2015 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/e-sera-que-os-historiadores-de-arte-ja-293012

Devendo destacar-se a pergunta: Será que os Historiadores de Arte já calçaram «os sapatinhos de Geómetras»?

Por que esperam? Quando vão finalmente perceber que têm que largar as suas «tamanquinhas», tacanhas, e aprender Geometria? (*). 

A DISCIPLINA que foi, como escreveu Hugo de S. Victor : 

"... la source des sensations et l'origine des expressions"

~~~~~~~~~~~~

*Como acha Maria João Neto que pode perceber, por exemplo, a obra de Almada Negreiros?

Por fim, quem julga que a História da Arte Cristã está repleta de segredos que só a Maçonaria conhece - por serem esses os Geómetras -, engana-se, a si e a quem o rodeia.

A solução dos supostos «enigmas» está no Pensamento Visual, ideogramático e cujas regras vêm da Geometria.


26
Ago 19
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

E assim por imagens - que depois estiveram na génese de formas arquitectónicas -, este é um resumo visual do que a seguir se desenvolve:

 

Post-1.jpg

As imagens vêm deste site https://taylormarshall.com/2017/09/the-filioque-as-nicene-theology-for-arian-goths-and-the-creed-of-ulfilas.html de um Professor de Teologia que usa o desenho (como aliás sempre aconteceu desde os primórdios do Cristianismo, e como estou a explicar desde que compreendi esta questão a partir de 2002, ao estudar o Palácio de Monserrate, em Sintra) para apresentar as diferentes ideias teológicas.

Em suma, com desenhos, mas sendo as regras as da Geometria (ou o equivalente a uma Gramática como acontece nos textos escritos), estes foram usados para explicar variações, extremamente sensíveis, na redacção (e expressão) do Símbolo da Fé dos Cristãos.
Vamos então de novo a esse artigo, percorrendo-o, e buscando os esquemas explicativos e correspondentes às diferentes concepções teológicas.

Post-2.jpg

Este 1º esquema corresponde à fé de Arius (e de Úlfilas chefe dos Visigodos), e à noção que tinha de Deus.
Ao ser divulgada, prontamente foi posta em causa. Quer por autores do Oriente quer do Ocidente, tendo sido o motivo para a reunião do primeiro Concílio Ecuménico, que aconteceu em Niceia (na actual Turquia), convocado pelo imperador Constantino em 325.
Nessa altura houve uma reacção (musculada) já que o imperador pretendia que houvesse unidade, e a religião não fosse pretexto para divisões internas (num Império que entretanto se tornou extensíssimo, e com uma religião que passou a ser oficial/obtigatória).
O Concílio redige então o que é designado por Símbolo Niceno (que foi o primeiro Credo ou Símbolo da Fé, posterior ao Símbolo dos Apóstolos).

As «correcções» feitas estão expressas (esquematicamente) no 2º esquema (abaixo), que resume as novas especificações teológicas.
E se o primeiro (acima) foi considerado «mais dinâmico» este é aparentemente/visualmente «mais estático» *.

Post-3.jpg

Se nos interessasse apenas a questão da génese do Arco Ultrapassado e do Arco Quebrado ficaríamos por aqui.
Mas interessa-nos também a concepção trinitária (ideias que foram registando a evolução do conhecimento de Deus - ver a seguir o 3º esquema)**.

Post-4.jpg

Mas - e agora usamos uma expressão, quase irónica, que encontrámos em Umberto Eco – “as subtilezas dos teólogos medievais” eram especialmente exigentes... O Deus Cristão, ou melhor dizendo, a Trindade Cristã tinha especificidades!
Nesse caso, o 4º esquema traduz a «concepção nicena», mas de um modo tal que (e o arranjo visual traduz essa ideia), a evolução do Credo de Arius e de Úlfilas, para o Credo latino (que o Ocidente adoptou, definitivamente, com o Imperador Carlos Magno), não corresponde a um grande «salto conceptual»***.

Post-5.jpg

Assim, e em resumo, voltamos agora no fim à imagem inicial, por ser a que melhor sintetiza o que se foi discutindo em sucessivos Concílios , e quando, de certo modo - dizemos nós -, no fim do Concílio de Trento, na sua última sessão, se percebeu que não iriam chegar os delegados dos Países Reformados. Então a questão do Filioque ficou por fim encerrada. Mas só em linhas gerais, pois até João Paulo II abordou o assunto.

[Digamos que foi o fim das maiores querelas e discussões teológicas, embora permaneçam ressentimentos e incompreensões mútuas, que são também de origem linguística, como alguns explicam].

Post-1.jpg

Deste modo também se compreendem muito melhor os designados Revivalismos do Gótico: Por que razão os Países Reformados – diferentemente dos países da Contra-Reforma – tinham na questão do Filioque um tema essencial, de que não prescindiam. Sendo que a sua aceitação como Símbolo da Fé (e como aceitação teológica) os levou a adoptarem, de novo, e depois do Concílio de Trento, a Arquitectura Gótica.
É ainda agora designada Neogótica.
Um estilo de Arquitectura que muitos vêem como uma mera e simples questão de moda; ou como resposta a uma necessidade de renovação estilística, porque estivessem «cansados» dos estilos anteriores…! 
Não lhe tendo sido conferido o direito de uma maior divulgação, até agora (e foi nesse contexto, embora sempre a levantar questões, que ainda escrevemos o nosso trabalho dedicado a Monserrate!). Ou ainda, sem ter sido reconhecida a capacidade deste estilo para responder, e da sua melhor/óptima adequação, i. e., a "conveniência estilística" para traduzir ideias muito concretas de uma religião.
Conveniência, é a palavra a que Vitrúvio chamava Décor. A qual sempre existiu como uma adequação, e uma correspondência essencial, necessária aos objectos, mas também à Arquitectura, própria da liturgia cristã.
Por fim, e neste post bem difícil de escrever (por razões que são óbvias), queremos acrescentar:

Se no título mencionámos as divisões heréticas, que existiram (e foram inúmeras), em boa verdade conseguimos não entrar nelas. Restando-nos insistir que a respectiva tradução por imagens se fez sempre, enfaticamente, com repetições retóricas, e muito decorativas. Isto é, nunca a seco, ou só com a base esquemática das imagens... 
Se aludíssemos a essa base esquemática e essencial, do estilo Gótico, teríamos de dizer que quase só aconteceu com S. Bernardo e os cistercienses: na versão, ou fase estilística do Gótico, que é a considerada mais «iconoclasta».

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* «Mais dinâmico» e «mais estático» são qualificações que encontrei na enciclopédia da Verbo (VELBC) quando em 2002 este assunto me surgiu. Tendo ficado mais do que surpreendida, verdadeiramente atónita! Incluindo nesse nosso espanto esta adjectivação da Trindade, considerada como sendo “mais dinâmica” ou “mais estática”. Só que, mais tarde, ao encontrar a designação Pericorese então, essa «dança trinitária» já não foi uma grande surpresa…
**No entanto note-se que existe – corresponde ao chamado Credo de Atanásio – um outro esquema interessantíssimo, sobre o qual já escrevemos, e que também esteve na origem de formas arquitectónicas.
***Os povos Germânicos considerados invasores do Império Romano viram sempre em Carlos Magno (o primeiro imperador descente dos bárbaros, e fundador do Sacro-Império) um factor e símbolo de união, que não têm traído...


13
Ago 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Foi motivo para o nosso orientador do doutoramento nos ir dizendo (e empatando) mas cheio de razão:

 

"Glória não vai fazer uma História da Arte!" Para logo a seguir repetir e insistir - só lhe faltando mesmo a música (já que o mote e a toada tinham passado a existir): "Glória não vai fazer uma História da Arte..."

E assim dizia, e repetia, com toda a razão (e eu sem perceber!).

Mas a dita da razão - tanta que teve, e tem - agora aparece-nos por aí, às vezes, a surpreender, em obras que são extremamente bonitas:

Embora não o sejam apenas pelo seu visual/superficial - i. e., por uma sensação imediata vinda da composição e das cores (desde logo altamente amáveis). Mas que o são pela percepção, que é como quem diz, pelo trabalho de compreensão que a mente faz, mais elaborado e devagarinho, a descobrir.

  O que passa por diferentes camadas de (outras hipóteses de) leitura.

Cat.SarahAffonso1.JPG

Cat.SarahAffonso2.JPG

É ainda sobre a exposição dedicada a Sarah Affonso, em que estamos a pensar e a escrever.

É sobre alguns dos quadros - como o Papagaio que é uma estrela (e está na contracapa do catálogo, imagens acima) - onde alguns detalhes, que fazem toda a diferença, nos lembram «certos truques» (ou as verdadeiras piscadelas de olho ao leitor/espectador da obra), tão típicos de Almada Negreiros.   


28
Jul 19
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

No nosso estudo dedicado a Monserrate, várias vezes nos apercebemos da importância da Heráldica, e escrevemos sobre isso*.


Por nos parecer verdadeiramente necessário introduzir este tema, ou «cruzar» com ele vários elementos visuais, para se poderem entender muitas das formas (ditas abstractas - mas que afinal eram convenções e portanto eram formas legíveis, que falavam...).
Em suma, para se compreenderem as formas (ou o vocabulário formal) integrantes do que vemos como arquitectura antiga e tradicional.
Assim, e repescando (de 2001) o mote da orientadora dos estudos que dedicámos a Monserrate, quando nos disse:
Não poderá perceber Monserrate se não perceber os círculos entrecruzados que estiveram nas origens do Gótico…”. Agora, e abrindo ainda mais toda esta questão, somos nós a ter de dizer (e a corrigir) aos historiadores:
Não poderão perceber a arquitectura antiga e tradicional, se não compreenderem a interligação que existiu numa série de conhecimentos que hoje estão cada vez mais disseminados!” **

Mais: o livro que agora nos chegou às mãos de Miguel Metelo de Seixas (edição da FFMS, ver capa abaixo), e sobretudo a Visita Guiada da RTP2 ao Palácio da Vila de Sintra, têm a enorme vantagem de nos darem razão: Descrevendo e explicando algumas das Salas, consideradas as mais bonitas desse Palácio, como o resultado de um Programa. Mas não exactamente de um  Programa Estético (como aprendemos com Vítor Serrão na FLUL) e sim de um Programa Heráldico ***.

Reparem como, se estes espaços hoje nos deslumbram - e não sabemos da “tradução” (como refere Paula M. Pinheiro na Visita Guiada ao Palácio de Sintra) de muitas das ideias, ou dos conceitos que estiveram na sua génese. Se hoje todos nós, e vendo apenas superficialmente, ou «pela rama» …, nos deslumbramos: o que não seria no passado? O que não deveriam estes espaços representar, para os mais entendidos? Quando ainda não se tinham perdido os elos significantes, e as correspondências, que, sabemos, que existiram entre todos estes elementos?
[E já agora este parêntesis, sabemos porque os lemos, tendo já escrito sobre eles como aqui podem confirmar].

Porém, de este novo sobressalto (muito bom!) – que é para nós o livro e a linguagem empregue por Miguel Metelo de Seixas – falando por exemplo em sinais visuais e não em símbolos; deste seu contributo que agora recebemos (pois um livro é sempre isso), chega-nos também a certeza de que estamos num caminho completamente certo, para dever prosseguir na divulgação daquilo a que já chegámos.

Por isso, continuo a escrevê-lo, e a explicar as razões para tanto entusiasmo:
É que apesar de William Morris ter escrito que muitas das “…formas (ditas decorativas) tiveram significados sérios: vindos do culto e de crenças,…”, o ensino que posteriormente é feito, influenciado por aquilo que foi em Inglaterra a figura do Architect Amateur, no século XX, quando estudámos e nos licenciámos, já nada disto era perceptível.

E é toda esta «distorção», de um caminho que se iniciou, como supomos, com ARQUI a significar principal, e TECTURA a significar construção, que nos fascina. O como chega ao hoje:

Não apenas alterado no sentido, mas super-variado e incrivelmente enriquecido... por sucessivos esquecimentos e ainda mais incompreensões!

quinas-e-castelos.jpg

* Por exemplo, sobre o Pátio da Casa que foi de Gérard De Visme em Benfica, lá está a referência que se fez à Heráldica:

O Pátio de Entrada revestido com uma calçada tradicional portuguesa – de vidraço preto e branco - apresenta um desenho muito interessante, e original. Depois do que estudámos sobre a época medieval, passou a ter para nós enorme valor. Porque o que se julga, tratar-se aparentemente de um “arranjo floral”, é muito mais do que isso; tem elementos que foram segundo pensamos, relevantes em Heráldica, transformados em folhas (ou flores). Estas são mandorlas, brancas com círculos pretos no interior; o que é provavelmente, uma elaboração, com base nas Armas Antigas de Portugal. Dentro das mandorlas, os círculos pequenos, seriam besantes, a moeda com que Afonso Henriques “pagou” o reconhecimento do título real ao Papado. Se os jardins que Devisme mandou fazer foram precursores, este pátio é revelador do seu gosto e cultura. São aspectos de relevo na personalidade de um encomendante, mas que nos levam também a questionar quem pode ter sido o autor, deste magnífico desenho de pavimento…”. Ver pp. 177-178.

**I. e., - e descrevendo o que se passa na realidade das universidades – conhecimentos separados em designadas (eufemisticamente) por Áreas Científicas. Áreas que também são delimitadas por verdadeiras barreiras, «de arame farpado», a mando da cultura de Ciência e Investigação que a Agência A3ES estipulou, e assim - como barreiras intransponíveis -, as mantém milimetricamente, separadas. Em vez de se reconhecer que sem Geometria, Teologia, Filosofia, Neurociências, Heráldica… nem sequer vale a pena andar a investigar.
***Achamos que é precisa uma designação, e acabámos de usar esta - Programa Heráldico. Será a mais certa? Mas sem nos esquecermos que em tantas outras ocasiões temos empregue, e continuaremos a empregar, a designação ICONOTEOLOGIA. Como refere Miguel Metelo de Seixas (e neste caso estamos a pensar  no livro recém-publicado), são vários os elementos cristológicos, adoptados e presentes na Heráldica
Enfim, o Ensino Superior, os Centros de Investigação, servem para os investigadores não estarem sós (ou entregues às redes sociais...); encontrando nesses centros os parceiros que, compreendendo as investigações de uns e de outros, vão trabalhando colegialmente para resultados úteis à Ciência, e por isso também a cada país que a produz. 

Por cá, vê-se o que acontece!


26
Jul 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Hoje em dia, sou, tornei-me (super) adepta de S. Tomás

 

Mais, tenho aqui ao meu lado o São Tomás de Aquino, livro de G.K. Chesterton, do qual, só por acaso, talvez ainda não tenha escrito. E mesmo assim não tenho bem a certeza, de ainda não o ter feito?

Mas enfim, agora isso interessa menos, porque é de um outro livro que quero escrever. Já que, é nesse livro - O Significado Perdido da Arquitectura Clássica (ver a capa abaixo) que neste momento estou a pensar.

Só que, ao mesmo tempo penso também naqueles profs catedráticos (imagine-se..., e ao ponto a que eles chegaram!*1), de quem se esperava muito mais AMOR à CIÊNCIA, e à CULTURA em geral.

Isto é, penso em profs que concretizam - tal e qual como se diz no ditado popular sobre São Tomás - a disparidade que vai entre o que apregoam e aquilo que verdadeiramente praticam.

É triste, mas existe...

Por aqui, leituras, estudo e mais estudo, tem sido aquilo a que nos temos dedicado desde 2001-2002.  Por puro fascínio!

E exactamente por percebermos como no rectângulo luso, impera uma «satisfaçãozinha», «pequenininha»..., que conduz ao nada (e de certeza que a Economia não cresce!).

Melhor, uma satisfaçãozinha, que leva depois à definição de um nível, baixíssimo, para qualquer acção (futura) a empreender.

E tão baixo, tão baixo, e tão comezinho, que dá pelo nome de MEDIOCRITAS. Ou Mediocracia, onde o sufixo 'CRACIA' - como em autocracia, burocracia - significa o poder. Aqui é o dos medíocres (*2), porque o têm de facto. Sim, sempre prontinhos a serem os «sonsos bonitinhos», que têm a nobre tarefa de esconder o trabalho e o mérito alheio!

Claro que os visados sabem quem são, até vêem aqui ler, e por isso lhes dedicamos este post: é todo para eles.

Porque se hoje começássemos do princípio, com método (e note-se que esse princípio não foi como as descobertas nos foram acontecendo - o que fez também com que o nosso orientador de doutoramento nos «azucrinasse q.b.»)! 

Se agora começássemos a querer relatar aquilo que nos aconteceu desde 2002, mas o fizéssemos, principalmente, obcecados com a preocupação de ordenar cronologicamente o tempo histórico, e os acontecimentos ou as práticas (artísticas) que eram postas nas edificações. Práticas que vinham detrás e vão depois entrar na Arte Cristã – fazendo da arquitectura uma verdadeira língua (*3) plasmada nas construções. Insisto, se optássemos por essa metodologia (absolutamente radical), por exemplo, e por analogia, no fazer de um projecto, nunca ninguém chegaria a fazer qualquer obra (*4).

Hoje, aos que tudo fazem para manter a sua historiazinha pequenininha, e como a aprenderam, daqui dizemos-lhes que se abram!

Que tenham capacidade de se maravilharem, com aquilo que ainda cá não chegou, porque eles mesmos, são adeptos (e defensores) da mesquinhez, do pequenino e do minúsculo, tal e qual como a concha hermética onde decidiram viver.

Uma Nova História da Arte, como se começou a escrever a propósito de Monserrate, e como Jacques Le Goff defendeu, está ai à porta:

PERCAM O MEDO E ABRAM-NA!   

E se começarem por este trabalho de Georges Hersey, depois há outros – deste e de outros autores -, onde bebemos e nos informamos, para logo a seguir se poder acrescentar muitíssimo mais:

Por exemplo, para depois transitar para a Arquitectura Clássica, mas já cristã, do tempo de Constantino I , chamada Paleocristã e desta para os designados Estilos Históricos... como aprendemos na FLUL

Image0047-b.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~

(*1) Sim, imagine-se, e por isso nós também, pela necessidade óbvia de se denunciarem todos aqueles que pelas suas acções entendem prejudicar a referida Ciência e a Cultura (nacional). Por isso, «referida» é como quem diz - nas Universidades Públicas e com Bolsas da FCT, que é o Ministério da Ciência e do Ensino Superior – a Ciência e a Cultura do país...

(*2) Obviamente é o oposto do que se designa como MERITOCRACIA

(*3) Aliás é, etimologicamente, o que se pode deduzir da palavra arquitectura. Ou seja ARQUI (= principal) + TECTURA/TECTÓNICA (= construção): ora isto significa que algo, alguma coisa, um qualificativo qualquer (?) seria posto nas principais construções... Deduz-se então que esses adjectivos e qualificativos, funcionassem como uma língua.

(*4) Usar de uma visão rígida e absolutamente restritiva face à Ciência - e às descobertas que ainda estão (ou querem ver como tal), em estado embrionário - por se tratarem de materiais frágeis, é o mesmo que dizer: "Não vamos, não queremos evoluir! Porque somos os donos destas visões curtas."

E para quem quiser ler o São Tomas em inglês (gratuito), aqui fica a história do santo que, como G. K. Chesterton escreveu, «cristianizou» Aristóteles.

O Santo que, como defendemos, ao tirar a carga mais platónica da Arquitectura Românica e Gótica, também contribuiu para um certo naturalismo da Arquitectura Renascentista


19
Abr 19
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Há cerca de um mês, em casa que não era a minha*, pude comparar versões diferentes de tradução da Bíblia:

 

Era o Novo Testamento, o Evangelho de João, sendo curiosíssimo que onde na tradução dos Capuchinhos consta a palavra Alegoria, para essa palavra Frederico Lourenço tenha explicado (e assim usado) que no original consta a palavra grega é paroimía que significa "Pensar-para-além-de".

Ou seja, uma Alegoria, tal como um Símbolo - visual ou outro - é uma substituição metafórica, ou uma correspondência (que pode ter sido pré-estabelecida, convencionada, e ser até conhecida de todos) , em que uma das realidades é mais do que aquilo - o tal "pensar-para além-de" - que se refere no discurso que tenha sido feito. Ou, do que aquilo que simplesmente aparenta ser, no caso de ser um texto ou uma imagem que se vê.

Até à Páscoa achei que ia desligar: portanto adeus blogs e facebook, porque há muito mais!

E há, só que também esse tempo gera reflexões, que então podem vir para aqui, porque afinal depois do incêndio de Paris, Notre-Dame aparece-nos como o verdadeiro "Pensar-para-além-de":

Ou seja, por um lado, quase directamente, está a ser usada como alegoria e metáfora. Mas é ainda, por outro lado, muitíssimo mais do que isso. É algo que, explicitamente, poderia não aparecer, mas que, ao lembrarmo-nos do sucedido - de maneira recorrente (como é típico de tudo o que entristece) -, e por se tratar de uma das mais importantes referências da Cultura Cristã e do Ocidente; ao pensar em Notre-Dame, pensa-se para além dela. Já que a esse propósito alguns vão reagindo, e a pouco e pouco, uns e outros vão-se lembrando (e portanto nós somos lembrados por eles) do muito mais que sempre esteve interligado. Thanks God!  

Do Expresso de hoje alguns excertos da crónica de Henrique Raposo. E apesar de não estarmos de acordo com tudo o que escreveu, a tónica que põe ao alertar para o valor da arquitectura, dos monumentos e do cristianismo - como "uma abóbada (celeste - dizemos nós) por cima dos vinte e sete solos...", na verdade este é exactamente o mesmo assunto que nos move desde 2004**, quando estudámos Monserrate, e nos apercebemos de uma «historiografia de pernas para o ar»!

doEXPRESSO-19.04.2019.jpg

E porque desde então se tenta divulgar o que essa historiografia mainstream - na sua acção deturpadora da Cultura (geral ou particular a que temos todos direito) - continua, activamente, a preferir esconder. Pelo que se pergunta, não haveria uma outra maneira, mais positiva, de actuarem?

Ajudando a que saiba bastante mais e melhor, em vez de quererem esconder, debaixo do tapete? 

Só que, pelos vistos, é o que há! Fazendo com que uma crónica num jornal semanal (nos) possa aparecer, e ao grande público também, com um texto inovador. Como se nas universidades (e noutros locais próprios para a divulgação do Conhecimento) isto não passasse***:

"(...)

As invasões que destruíram o império romano re­presentaram mesmo a destruição apocalíptica da civilização. Quem é que levantou o Ocidente das cin­zas? Ou seja, quem é que inventou a "Europa"? O clero gótico da igreja representada pela Notre-Dame. Esta realidade histórica transformou-se num tabu, porque os séculos XIX e XX foram dominados por duas correntes intelectuais que (ainda) fazem gala do seu anticatolicismo vulgar: o racionalismo ateu e francês à Voltaire, o protestantismo anglo­-saxónico à Milton. Mas, lamento informar as almas mais sensíveis, as bases da civilização ocidental foram mesmo lançadas pela igreja medieval: as universidades, a tensão cria­dora entre direito natural e direito positivo, a divisão de poderes entre o espiritual e o político, a caridade enquanto princípio social e político. Dante representa o pináculo desta civilização que reconstruiu o nosso mundo, que seria novamente ameaçado pelos bárbaros modernos dos séculos XIX e XX.

Conscientes desta realidade, escritores "modernos" como T. S. Eliot, Chesterton ou Tolkien defenderam um regresso da Europa à cristandade. Mais do que nunca, urge ouvir esse apelo. A Europa de, hoje é de uma beleza arquitectónica notável. No entanto, à semelhança de tantos edifícios belos, a UE é oca no campo espiritual e narrativo. A sua beleza é só racional, falta o resto, falta o essencial: o sentimento de pertença histórico e metafísico. E esse sentimento só pode ser dado pelo cristianismo. Sem o chão comum de São Paulo, a Europa cairá no pesadelo pagão, secular e relativista (...)

Olhando para cima, para a transcendência, a cristandade é a única metafísica capaz de criar uma abóbada por cima dos vinte e sete solos.

(...) Em 2019, a lamentação já não chega. Ser europeu não pode ser só a negação de um mal absoluto praticado pelos nossos bisavós. A identidade europeia precisa de uma substância concreta, de uma meta, de um ethos. Como tem dito a nova e jovem direita francesa (emparedada: entre o pragmatismo libertário e secularista de Macron e o nacionalismo igualmente secularista de Le Pen), esse ethos é o cristianismo.

(...)

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Temos livros a mais, mas a tradução de Frederico Lourenço, pelo espaço e pelo custo, ainda não consta... Vai ficar para o Dia Mundial do Livro.

**Depois de estudar Monserrate e de ter percebido como o cristianismo (todo) ficou plasmado na arquitectura antiga e tradicional do mundo dito ocidental. O que aconteceu por várias razões, quer as religiosas quer porque os políticos (reis, príncipes ou até os doges das repúblicas de Itália) quiseram mostrar onde residia a fonte do seu poder (de origem divina).

Um dos pontos em que discordo de Henrique Raposo é exactamente a primeira frase, pois são várias as obras, e os ideogramas nelas empregues (ou os ornamentos plasmados nessas mesmas edificações) que demonstram a vontade de adesão ao cristianismo dos designados bárbaros invasores: Que chegaram, por que quiseram, a um vasto território onde iriam permanecer, adoptando muitos dos valores aí existentes. Por isso existem - embora pouco divulgadas - algumas designações (supostas meramente artísticas/decorativas) como são as bandas lombardas, as arcadas normando-góticas, etc., etc. Ou seja, esses ornamentos foram sinais de povos que quiseram ficar nos territórios do antigo império romano, mas que, em simultâneo também quiseram marcar, distinguir de algum modo, a identidade das obras feitas.

***Sim passa, mas há quem esconda. Porque escondem? Seria a pergunta. Mas a resposta eles não a dão, obrigando-nos a interpretar o que os motiva. Será porque os mais poderosos, os chefes, os catedráticos... têm que ter lugares cimeiros, mesmo que não os mereçam? 

A tal da cultura de mérito que por cá, ainda, não é moda...


15
Abr 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

E penso , e penso, muitas vezes no mesmo.


Obsessão?

RE: Sem problema… Thanks God!
Hoje penso em padrões decorativos que usamos nos nossos trabalhos (manuais, artesanato, design) mas que nasceram de Ideias que os Filósofos e os Teólogos - por um sistema de correspondências directas de que tanto tenho escrito (e querido ensinar…, mas há quem não deixe!*).
Portanto penso, e repenso, felizmente, em obras de arquitectura contemporânea que usam, como vemos, alguns dos padrões que temos estudado, e nalguns casos têm milhares de anos.

Este é um desses exemplos, o caso da fachada da Biblioteca de Birmingham de onde retirámos as imagens seguintes, via wikipedia:

fachadaBirmingham.jpg

fachadaBirmingham-2.jpg

Um padrão que a que chamamos Quadrifolios ou também Culots. Embora se deva dizer, que o fazemos sem uma regra (totalmente) rigorosa. A depender, em geral, da forma como se lê: Isto é, se predomina a visão da forma, ou se é mais marcante a visão do fundo em que existe

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Não deixe ou não queira, porque, quem sabe (?), tal revelação, a saber-se, o há-de apoucar, diminuir, reduzir, menorizar...?

Um post nosso do facebook, de ontem, e que aqui foi ampliado, mas que é um assunto que tem «imenso pano para mangas», pois já várias vezes desenhei quadrifolios e culots - um ideograma que os cistercienses tanto usaram (para uma tradução visual, muito específica, da estrutura divina). E que podem ver também num folio de Villard De Honnecourt, a que já nos referimos


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