Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
21
Fev 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Ou seja, uns dias depois do "Rewarding Disobedience", e tendo nas mãos mais um álbum dedicado a Monserrate - que nos lembra os vários álbuns que foram feitos no meio-fim do século XX (enquanto lá em Sintra o edifício se ia desfazendo...). Por aqui vamos vendo, cada vez melhor, o que os desenhos e as imagens sempre ensinam*:

 

"Drawings that were (& still are) a reward"

E decidimos brincar com elas. Que é como quem diz, vê-las ainda melhor, estabelecendo métricas e marcas (o traço verde) para ajudar na comparação dos desenhos.

owen 002-blog.jpg

Acima imagem vinda da versão francesa do trabalho de Owen Jones - arquitecto e decorador inglês (na actualidade seria o verdadeiro designer) que reuniu ornamentos dos principais monumentos da Europas Ocidental, mais especificamente, daqueles que eram visitados no Grand Tour. Imagem (vinda da versão francesa La Grammaire de l'Ornement, ed. L'Aventurine, com os textos da tradução de 1865) que parece estar na origem do desenho que foi aplicado em grandes áreas do Palácio de Sintra.

Abaixo a imagem das paredes de Monserrate (fotografada em 1987 e passada agora a desenho) deixando para os leitores a curiosidade de procurarem as diferenças e as semelhanças**.Padrões-estuquesMonserrate-blog.jpg

Por fim, e apesar de se saber que Owen Jones fez este trabalho aproveitando os conhecimentos que vinha a adquirir, entusiasmado com as possibilidades da cromolitografia (que então estava a nascer). Na verdade, e apesar desse seu interesse - mais técnico - por um processo de reprodução que permitia imprimir a cores, é forçoso destacar que este trabalho de Owen Jones é também de uma enorme qualidade literária (histórica e informativa***):

Assim, na Grammar of Ornament encontram-se óptimas informações que completam outras - em geral mais conhecidas, ou mais acessíveis, vindas de autores mais recentes, e da bibliografia contemporânea (mas não tão rigorosa). Como são exemplo as dos Dicionários de Símbolos, ou de trabalhos valiosíssimos, como é o caso do Dictionnaire Critique D'Iconographie Occidentale 

owen 003-C.jpg

Por isso a escolha do excerto acima (de Owen Jones), relativo às imagens que designa "Mauresques". Como se pode ler é incrivelmente preciso e informativo, fazendo lembrar o que vemos (e lemos) em sinais tão diferentes, mas que são igualmente, muito falantes. Ou seja, nos sinais nascidos no contexto da Arte Cristã, e que se destinavam a exprimir ideias do cristianismo.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Isto é, há (ou devia haver, e praticar-se) um carácter muito mais experimental adequado para a investigação em artes visuais. Já que, sempre que se põe a mão num qualquer desenho, pode receber-se em troca «um dilúvio de informação»!

**Não me esquecendo nunca da  Visita Guiada a Monserrate, da RTP, e da grande lata da Maria João Neto a dizer que tinha sido facílimo encontrar nos desenhos de Owen Jones os padrões do Alhambra que foram transpostos para os estuques de Monserrate. Percebe-se! Ela lá sabe (aliás melhor que todos!), como plagiar é mesmo facílimo...

***Porque, lá atrás (no tempo), mais perto dos acontecimentos, há autores que transmitem informações muitíssimo mais completas. Bem diferente daquilo que hoje os nossos contemporâneos, andam tão longe de (as) perceber, quanto mais consegui-las nas investigações que fazem. Passa-lhes ao lado...


09
Fev 18
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

... sobre como se estuda em Portugal, e não se deixa inovar. Aliás típico da FLUL*

 

Como as instituições e os seus caminhos são inconsistentes, aleatórios ou à vontade de cada novo freguês - arrivista -, ou acabado de chegar. Sempre indiferentes aos passos já dados, às novas explorações e às novas hipóteses colocadas.

Diz a OCDE

E por aqui seguimo-los, aos relatores, não deixando que nos silenciem!

 

~~~~~~~~~~~~

*Não aceitando que se retirem todas as conclusões, sobretudo as melhores e os avanços feitos nas áreas científicas em que eles próprios impingiram temas e ideias que obrigaram os alunos a investigar. Mas em que no fim, esclarecidos os enigmas, à boca cheia, os próprios responsáveis repetem: "Esconda, esconda, esconda, ponha para trás!"


04
Fev 18
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Estamos de acordo, ainda bem que há quem coloque a questão - cientificamente muito útil - que é a da desobediência.

Outros chamam-lhe pensar «fora da caixa». Ver os links 1 e 2 (também no fim deste post)

 

Não me esqueço, e já aqui escrevi várias vezes, sobre a escolinha da FLUL onde aos 50 fui fazer um mestrado para progredir na CD (i.e. na carreira docente - algo que tem estatuto legal*).

Até à publicação do livro (sobre Monserrate) fui vendo, predominantemente, e quase só os aspectos positivos; mas nunca deixaram de estar, e de existirem ao mesmo tempo, vários aspectos negativos.

Com o tempo a progressão passou a estagnação, e a regressão. E hoje até já falamos que afinal vim de lá, dos estudos do Mestrado na FLUL, roubada, e com um imenso atraso de vida! Qual progressão? A da Maria João Baptista Neto?

Mas o foco deste post é a desobediência. O que pode ser uma alegria (?), e ter até aspectos muito positivos. Gratificantes!

Não me esqueço de uma colega, mais nova, que também ela tinha ambições profissionais, normais, mas cuja família, apesar dela ser solteira, ainda pesou mais (do que a minha), limitando-a na sua situação, e nas decisões pessoais que os cursos e outras vertentes das nossas vidas profissionais sempre implicam,  É que mesmo que não haja leis escritas, há todo um peso que funciona como lei, e regras inerentes aos hábitos de vida de família tradicional, a que é preciso desobedecer...

Então, ficou já aqui registada uma 1ª desobediência (a protagonizar).

Depois, e em estudos de mestrado (iniciados em 2001, ainda não «de Bolonha») que não correspondem apenas a uma aprendizagem de nível científico, daquilo que já é sabido, e onde é preciso aplicar o Saber que é conhecido a casos ainda não estudados. Então, nesses estudos pode acontecer que na recolha de elementos, normalmente considerada investigação, surjam novos dados que vêm acrescentar Saber, àquilo que até então era conhecido.

É nessa fase que os novos dados são submetidos às regras e às leis da Ciência existente. Já que a imaginação de quem está a compilar dados, a estudar situações semelhantes, e a conhecer as regras a que normalmente cada caso obedece... É nessa fase que o estudioso começa a desobedecer, quando na sua cabeça, ao admitir (outras hipóteses), começa, curiosíssimo, a questionar e a imaginar que sejam outras as leis de funcionamento, ou as que regem, por exemplo a Vida, o Universo.

Ou até as questões muito mais pequenas, como actualmente sucede - e se estudam nos mini-mestrados e mini-doutoramentos, de Bolonha - para enfim o país apresentar melhores rankings a nível internacional. Acrescentado em 9.02.2018

Ora voltando às ditas desobediências, vê-se que vão funcionando, talvez não de repente (?), mas etapa a etapa. Sendo a segunda desobediência - a de uma mulher da sociedade tradicional portuguesa (pior ainda se tiver emprego, e chefes muito mais novos, mas com imensa ambição, e pressa a mais...) - o facto de ter começado a Imaginar**. 

Depois, se entender que está certa nas hipóteses que vai colocando, tenderá a formular e a propor novas regras: Começando a inventá-las, por vezes cada uma das novas ideias, depois as excepções à regra, também as palavras em que se exprimem, etc., etc. E desta maneira, prodigiosamente, ou de prodígio em prodígio e de sorte em sorte, novas desobediências, do, ou aqui da dita estudiosa, não vão parar de crescer.

Connosco passou-se, na dita escolinha (dos meus 50 - na FLUL), estando um dia toda a gente da aula a pensar nas «Ogivas das Origens do Gótico»; as mesmas que então tanto ocupavam e preocupavam a Maria João Baptista Neto - imagine-se só o que me saiu boca fora, nesse dia, a dado momento: "Mas afinal digam lá o que é uma ogiva, onde começa e onde acaba?"

Foi o disparate completo, momentâneo, um silêncio total. E logo me apeteceu ter um buraco para me enfiar! Vendo o que podia parecer asneira, e muito ilógico, acrescentei: "Mas a ogiva começa no chão, na base da coluna, ou no capitel?"

Para quem não percebe nada de cargas das estruturas - cujos pesos têm que chegar ao solo, e que este deve responder resistindo (e não deixando que o edifício vá descendo, e se vá enterrando) - a nova pergunta que se acrescentou, foi técnica, e foi pertinente. De quem considerando que ao tratar-se de uma peça estrutural, queria saber da correspondência entre essa peça e a designação que lhe é dada. A que elementos visíveis corresponde a palavra Ogiva? O objecto que naquele momento pairava na mente de todos, e que, tão aflitivamente, estava a alimentar uma discussão que parecia imparável***.

Assim, também «meio-aflita», no fim saí da aula a pedir desculpa pelo atrevimento: ou seja, pela desobediência mental. O que tinha sido o ultrapassar de uma linha (a do senso comum, quiçá, para todos os outros já perto da loucura?), como acabara de fazer.

Mas a sra. profª. (a dita e redita Maria João Baptista Neto) respondeu nessa altura com verdadeira sageza: "Não peça desculpa. Porque a sua pergunta, quando a faz, vem mais informada, é feita com mais conhecimento..." 

Então lá fui à vida, mas o assunto durante uns bons anos continuou muito vivo na minha cabeça.

Hoje sei que tudo isto nasce de um imenso disparate, em parte ancorado nas ideias de Viollet-Le-Duc, mas também nas dos historiadores que viram semelhanças a mais (exageradamente), por exemplo com a Biologia e os organismos vivos. E se a Arte, neste caso particular a Arquitectura das Igrejas e das Catedrais, foi vista como um ser (quase vivo) e constituído, organicamente, por partes, no entanto há um ponto em que as analogias terminam.

Claro que as analogias são óptimas para ajudar a pensar e para compreender. Todos os profs. as fazem ao ensinar. Mas o âmago, ou a essência, de alguns objectos é essa: São objectos e não são seres vivos! Porque uma igreja ou catedral, tal como uma cadeira ou o ambão de onde se fazem as leituras da liturgia, são objectos. E como tal, essas enormes edificações, estruturalmente precisaram, como uma cadeira também precisa (sempre), de peças onde se concentram as linhas de força: isto é, peças onde o peso próprio (da cadeira), mais o peso de quem se senta, e a resposta resistente (vinda do pavimento), se vão «localizar».  

Portanto quando perguntei o que é uma Ogiva, estava a reviver, plenamente, e a pensar de acordo com a lógica errada que tinha aprendido, e que todos temos usado; sem ninguém desobedecer ou denunciar, com voz forte, este erro imenso que todos fazemos. Eu estava a querer saber, como se fosse no corpo humano, por exemplo do fémur: "Digam lá desse osso da perna, onde é que começa e onde é que acaba"?

Prova-se aliás como são várias as lógicas que temos que passar a colocar, exactamente ao contrário. Porque a Ogiva ganhou o nome na palavra Auge, vinda do latim, em que o verbo augere significa ir mais alto, ou subir. Chamou-se Augive.  E a ideia de chegar ao Auge está bem explicitada em desenhos (muito) esquemáticos dos tratados De archa de Hugo de S. Victor que já colocámos em Iconoteologia.

Como está a seguir ampliado, em que a Ogiva foi desenhada como se fosse uma escada. Vendo-se que as pequenas figuras humanas estão a subir degraus; mesmo que muito altos e a custo. Numa ascensão feita vista de baixo, com o olhar, que era contemplativa, ou mística (designada augere).

E em que a cada degrau, ou pedra - na «faixa da ogiva» no desenho (ver abaixo) - surge também indicada a correspondência com um livro da Bíblia: concretamente do Antigo Testamento 

fotos.sapo.pt-ogivasHSV-1.02.2018.jpg

(Pelo link acima ampliem, rodem o écrã e leiam: está lá muito. Vindo de um tratado que tem sido considerado apenas de Teologia )

Notem por fim, que Ogivas e Arcos Quebrados (ou Arco Ogival, como erroneamente tem sido designado), são diferentes. Mesmo que nos tenham ensinado de outro modo, ou que as imagens de uns e outros se aproximem (mas é raro serem semelhantes). Portanto insistimos, porque esta é, já há muito tempo, uma regra a que muitos têm desobedecido: notem, definitivamente, que Ogivas e Arcos Quebrados  são realidades, ou objectos, bastante diferentes!

As designadas Ogivas (e repete-se, não estamos a referir os arcos quebrados) foram o equivalente a Ornamentos, tendo uma forma em geral próxima da que é chamada Cruz em Aspa. Têm uma extensão considerável, parecendo nervuras (de pedra) sob a face inferior (dos tramos) das abóbadas...

E muito mais diremos algum dia, próximo, em Iconoteologia.

Lembrando que sobre esta questão - em que há uma imensa avidez de conhecimentos e de informação, como aconteceu na tal «aulinha da FLUL» (algures entre Outubro de 2001 e o fim de 2002?) - já escrevemos várias vezes. Só que o assunto é imenso: dir-se-ía de uma grandeza que é proporcional, ao desinteresse que é também geral. 

Assim, se estiverem interessados, para já ver os links: 3 , 45. e neste último, ler nas notas uma ideia de S. Paulo que influenciou, como nos parece, a História da Arquitectura (antiga). Porque o edificado - como G. Hersey referiu -, "...foi esgotado da sua capacidade significante, em prol da Filologia". 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Enquanto que se saiba, apesar de até agora as mulheres serem comummente «empurradas» por todos, nas mais variadas situações (a começar na família), e postas em segundo ou terceiro lugar. Porque está «sempre à perna», um qualquer homem cuja vontade tem que passar à frente.  E isto se tem estatuto legal (?) é ao contrário. Porque a tradição privilegia o masculino, mas o «estatuto da igualdade de género», legal ou formalmente, estipula isso mesmo: A Igualdade.

**Não é por acaso que um romance (alusivo à imaginação) de uma autora madrilena - de uma cidade e país onde as semelhanças com a sociedade portuguesa não são pequenas - se intitula A Louca da Casa   Apesar de não o termos lido, o título e as sinopses são elucidativas.

***Claro que hoje considero impressionante, é mesmo aflitivo, ver as pessoas a quererem ultrapassar barreiras, que não têm lógica nenhuma (ou são absolutamente ilógicas), mas que estão lá. Continuam, postas há anos ou há séculos, nas mentes de todos, e são como verdadeiros bloqueadores dos raciocínios...

1. https://www.media.mit.edu/posts/disobedience-award/

 2. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/isabel-stilwell/detalhe/premio-da-desobediencia

3. http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/vindo-de-primaluce-43991

4. http://primaluce.blogs.sapo.pt/coragem-portugueses-so-vos-faltam-364467

5. http://primaluce.blogs.sapo.pt/muitos-factos-recentes-229704


publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Estamos de acordo, ainda bem que há quem coloque a questão - cientificamente muito útil - que é a da desobediência.

Outros chamam-lhe pensar «fora da caixa». Ver os links 1 e 2 (também no fim deste post)

 

Não me esqueço, e já aqui escrevi várias vezes, sobre a escolinha da FLUL onde aos 50 fui fazer um mestrado para progredir na CD (i.e. na carreira docente - algo que tem estatuto legal*).

Até à publicação do livro (sobre Monserrate) fui vendo, predominantemente, e quase só os aspectos positivos; mas nunca deixaram de estar, e de existirem ao mesmo tempo, vários aspectos negativos.

Com o tempo a progressão passou a estagnação, e a regressão. E hoje até já falamos que afinal vim de lá, dos estudos do Mestrado na FLUL, roubada, e com um imenso atraso de vida! Qual progressão? A da Maria João Baptista Neto?

Mas o foco deste post é a desobediência. O que pode ser uma alegria (?), e ter até aspectos muito positivos. Gratificantes!

Não me esqueço de uma colega, mais nova, que também ela tinha ambições profissionais, normais, mas cuja família, apesar dela ser solteira, ainda pesou mais (do que a minha), limitando-a na sua situação, e nas decisões pessoais que os cursos e outras vertentes das nossas vidas profissionais sempre implicam,  É que mesmo que não haja leis escritas, há todo um peso que funciona como lei, e regras inerentes aos hábitos de vida de família tradicional, a que é preciso desobedecer...

Então, ficou já aqui registada uma 1ª desobediência (a protagonizar).

Depois, e em estudos de mestrado (iniciados em 2001, ainda não «de Bolonha») que não correspondem apenas a uma aprendizagem de nível científico, daquilo que já é sabido, e onde é preciso aplicar o Saber que é conhecido a casos ainda não estudados. Então, nesses estudos pode acontecer que na recolha de elementos, normalmente considerada investigação, surjam novos dados que vêm acrescentar Saber, àquilo que até então era conhecido.

É nessa fase que os novos dados são submetidos às regras e às leis da Ciência existente. Já que a imaginação de quem está a compilar dados, a estudar situações semelhantes, e a conhecer as regras a que normalmente cada caso obedece... É nessa fase que o estudioso começa a desobedecer, quando na sua cabeça, ao admitir (outras hipóteses), começa, curiosíssimo, a questionar e a imaginar que sejam outras as leis de funcionamento, ou as que regem, por exemplo a Vida, o Universo.

Ou até as questões muito mais pequenas, como actualmente sucede - e se estudam nos mini-mestrados e mini-doutoramentos, de Bolonha - para enfim o país apresentar melhores rankings a nível internacional. Acrescentado em 9.02.2018

Ora voltando às ditas desobediências, vê-se que vão funcionando, talvez não de repente (?), mas etapa a etapa. Sendo a segunda desobediência - a de uma mulher da sociedade tradicional portuguesa (pior ainda se tiver emprego, e chefes muito mais novos, mas com imensa ambição, e pressa a mais...) - o facto de ter começado a Imaginar**. 

Depois, se entender que está certa nas hipóteses que vai colocando, tenderá a formular e a propor novas regras: Começando a inventá-las, por vezes cada uma das novas ideias, depois as excepções à regra, também as palavras em que se exprimem, etc., etc. E desta maneira, prodigiosamente, ou de prodígio em prodígio e de sorte em sorte, novas desobediências, do, ou aqui da dita estudiosa, não vão parar de crescer.

Connosco passou-se, na dita escolinha (dos meus 50 - na FLUL), estando um dia toda a gente da aula a pensar nas «Ogivas das Origens do Gótico»; as mesmas que então tanto ocupavam e preocupavam a Maria João Baptista Neto - imagine-se só o que me saiu boca fora, nesse dia, a dado momento: "Mas afinal digam lá o que é uma ogiva, onde começa e onde acaba?"

Foi o disparate completo, momentâneo, um silêncio total. E logo me apeteceu ter um buraco para me enfiar! Vendo o que podia parecer asneira, e muito ilógico, acrescentei: "Mas a ogiva começa no chão, na base da coluna, ou no capitel?"

Para quem não percebe nada de cargas das estruturas - cujos pesos têm que chegar ao solo, e que este deve responder resistindo (e não deixando que o edifício vá descendo, e se vá enterrando) - a nova pergunta que se acrescentou, foi técnica, e foi pertinente. De quem considerando que ao tratar-se de uma peça estrutural, queria saber da correspondência entre essa peça e a designação que lhe é dada. A que elementos visíveis corresponde a palavra Ogiva? O objecto que naquele momento pairava na mente de todos, e que, tão aflitivamente, estava a alimentar uma discussão que parecia imparável***.

Assim, também «meio-aflita», no fim saí da aula a pedir desculpa pelo atrevimento: ou seja, pela desobediência mental. O que tinha sido o ultrapassar de uma linha (a do senso comum, quiçá, para todos os outros já perto da loucura?), como acabara de fazer.

Mas a sra. profª. (a dita e redita Maria João Baptista Neto) respondeu nessa altura com verdadeira sageza: "Não peça desculpa. Porque a sua pergunta, quando a faz, vem mais informada, é feita com mais conhecimento..." 

Então lá fui à vida, mas o assunto durante uns bons anos continuou muito vivo na minha cabeça.

Hoje sei que tudo isto nasce de um imenso disparate, em parte ancorado nas ideias de Viollet-Le-Duc, mas também nas dos historiadores que viram semelhanças a mais (exageradamente), por exemplo com a Biologia e os organismos vivos. E se a Arte, neste caso particular a Arquitectura das Igrejas e das Catedrais, foi vista como um ser (quase vivo) e constituído, organicamente, por partes, no entanto há um ponto em que as analogias terminam.

Claro que as analogias são óptimas para ajudar a pensar e para compreender. Todos os profs. as fazem ao ensinar. Mas o âmago, ou a essência, de alguns objectos é essa: São objectos e não são seres vivos! Porque uma igreja ou catedral, tal como uma cadeira ou o ambão de onde se fazem as leituras da liturgia, são objectos. E como tal, essas enormes edificações, estruturalmente precisaram, como uma cadeira também precisa (sempre), de peças onde se concentram as linhas de força: isto é, peças onde o peso próprio (da cadeira), mais o peso de quem se senta, e a resposta resistente (vinda do pavimento), se vão «localizar».  

Portanto quando perguntei o que é uma Ogiva, estava a reviver, plenamente, e a pensar de acordo com a lógica errada que tinha aprendido, e que todos temos usado; sem ninguém desobedecer ou denunciar, com voz forte, este erro imenso que todos fazemos. Eu estava a querer saber, como se fosse no corpo humano, por exemplo do fémur: "Digam lá desse osso da perna, onde é que começa e onde é que acaba"?

Prova-se aliás como são várias as lógicas que temos que passar a colocar, exactamente ao contrário. Porque a Ogiva ganhou o nome na palavra Auge, vinda do latim, em que o verbo augere significa ir mais alto, ou subir. Chamou-se Augive.  E a ideia de chegar ao Auge está bem explicitada em desenhos (muito) esquemáticos dos tratados De archa de Hugo de S. Victor que já colocámos em Iconoteologia.

Como está a seguir ampliado, em que a Ogiva foi desenhada como se fosse uma escada. Vendo-se que as pequenas figuras humanas estão a subir degraus; mesmo que muito altos e a custo. Numa ascensão feita vista de baixo, com o olhar, que era contemplativa, ou mística (designada augere).

E em que a cada degrau, ou pedra - na «faixa da ogiva» no desenho (ver abaixo) - surge também indicada a correspondência com um livro da Bíblia: concretamente do Antigo Testamento 

fotos.sapo.pt-ogivasHSV-1.02.2018.jpg

(Pelo link acima ampliem, rodem o écrã e leiam: está lá muito. Vindo de um tratado que tem sido considerado apenas de Teologia )

Notem por fim, que Ogivas e Arcos Quebrados (ou Arco Ogival, como erroneamente tem sido designado), são diferentes. Mesmo que nos tenham ensinado de outro modo, ou que as imagens de uns e outros se aproximem (mas é raro serem semelhantes). Portanto insistimos, porque esta é, já há muito tempo, uma regra a que muitos têm desobedecido: notem, definitivamente, que Ogivas e Arcos Quebrados  são realidades, ou objectos, bastante diferentes!

As designadas Ogivas (e repete-se, não estamos a referir os arcos quebrados) foram o equivalente a Ornamentos, tendo uma forma em geral próxima da que é chamada Cruz em Aspa. Têm uma extensão considerável, parecendo nervuras (de pedra) sob a face inferior (dos tramos) das abóbadas...

E muito mais diremos algum dia, próximo, em Iconoteologia.

Lembrando que sobre esta questão - em que há uma imensa avidez de conhecimentos e de informação, como aconteceu na tal «aulinha da FLUL» (algures entre Outubro de 2001 e o fim de 2002?) - já escrevemos várias vezes. Só que o assunto é imenso: dir-se-ía de uma grandeza que é proporcional, ao desinteresse que é também geral. 

Assim, se estiverem interessados, para já ver os links: 3 , 45. e neste último, ler nas notas uma ideia de S. Paulo que influenciou, como nos parece, a História da Arquitectura (antiga). Porque o edificado - como G. Hersey referiu -, "...foi esgotado da sua capacidade significante, em prol da Filologia". 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Enquanto que se saiba, apesar de até agora as mulheres serem comummente «empurradas» por todos, nas mais variadas situações (a começar na família), e postas em segundo ou terceiro lugar. Porque está «sempre à perna», um qualquer homem cuja vontade tem que passar à frente.  E isto se tem estatuto legal (?) é ao contrário. Porque a tradição privilegia o masculino, mas o «estatuto da igualdade de género», legal ou formalmente, estipula isso mesmo: A Igualdade.

**Não é por acaso que um romance (alusivo à imaginação) de uma autora madrilena - de uma cidade e país onde as semelhanças com a sociedade portuguesa não são pequenas - se intitula A Louca da Casa   Apesar de não o termos lido, o título e as sinopses são elucidativas.

***Claro que hoje considero impressionante, é mesmo aflitivo, ver as pessoas a quererem ultrapassar barreiras, que não têm lógica nenhuma (ou são absolutamente ilógicas), mas que estão lá. Continuam, postas há anos ou há séculos, nas mentes de todos, e são como verdadeiros bloqueadores dos raciocínios...

1. https://www.media.mit.edu/posts/disobedience-award/

 2. http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/isabel-stilwell/detalhe/premio-da-desobediencia

3. http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/vindo-de-primaluce-43991

4. http://primaluce.blogs.sapo.pt/coragem-portugueses-so-vos-faltam-364467

5. http://primaluce.blogs.sapo.pt/muitos-factos-recentes-229704


31
Jan 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Temos que nos divertir com "as sínteses" que reúne; por exemplo as que estão no Catálogo.

Pois apesar das muitas gralhas - entre acordo ortográfico e incríveis erros de ortografia... -, sim, há por lá algumas sínteses (postas) entre aspas*, .

Image0488a.jpg

Claro que é um must - o emprego dessa palavra para falar do Estilo de Arquitectura presente na Casa de Monserrate: O facto de a mesma ser o sintagma (semiológico), perfeito, como Maria João Baptista Neto terá compreendido. É verdade mesmo, sem ironia (nenhuma!)

Pela nossa parte, depois de Maria João B. Neto nos ter orientado - o que ela nos vários escritos dedicados a Monserrate esconde, sem se perceber porquê? Ou seja, se será de uma imensa vergonha: vinda de quem ao mesmo tempo calça os nossos sapatinhos (?), e replica ideias, palavra-a-palavra, como um dia as pronunciámos. Mas sem que, espantosamente, se perceba que se conseguiu libertar dessas mesmas (as nossas então ditas) palavras? Ao mesmo tempo, será receio? Medo de errar, não se atrevendo por isso a pronunciar de modo diferente? Não usando as (suas) próprias palavras, como é normal fazer-se. O que se vê até nos alunos, quando estão a evoluir e a aprender; quando se soltam, e por fim largando o palavreado dos seus mestres, constroem os próprios discursos: Insistimos! Será que as nossas palavras viraram conceitos? E «conceitos congelados», imutáveis, de que usa e abusa, sem dizer de onde vêm?

Onde estão os discursos que, e em Arte cada um tem os seus, a referida sra. passou a formular? É que não esquecemos que o fascínio perante as obras que (um dia) se compreendem, esses discursos são semelhantes ou equivalentes a exegeses. Por isso muito típicas de quem já assimilou, compreendeu e depois cheio de entusiasmo passa então a reportar...

Em resumo (visto metaforicamente): ela bebeu tudo, desde o início da formulação das ideias, e agora devolve exactamente o mesmo: em golfadas (como fazem os lactentes), mas não dizendo de que fonte bebeu! Só que, a água que engoliu tem vindo a melhorar (imenso), está cada vez mais depurada e mais cristalina. Sendo tristíssimo perceber (mas é sobretudo para mim, porque as palavras foram-me roubadas ainda na boca), que se está a congelar para o futuro «a primeira água chegada à bica». Não a que foi mais limpa e mais trabalhada com o tempo!

Mas avançamos, porque depois da orientação que nos deu, i. e., desde Setembro 2004 (nós) continuámos a investigar e a progredir imenso em várias frentes. Tal era (e é) a riqueza dos assuntos com que ficámos.

Claro que, isso teria sido aliás o mais natural, que tivéssemos ficado na FLUL. Mas agora percebe-se porque não pôde acontecer! Sim no IHA da FLUL para fazer o doutoramento**, como chegámos a pensar. Ampliando desse modo, a favor da Cultura (do país e do Estado) o imenso material científico, incrivelmente inovador, que tínhamos começado a produzir.

Acontece que a Associação Amigos de Monserrate, para a qual muitos pagámos quotas (e assim se vê a importância que a designada "sociedade civil" pode ter ao existir), não se limitou a limpar os Jardins e outras grandes áreas da Quinta de Sintra. Muitos - dos que não foram para a praia, ou não foram sociabilizar nos lounges, esplanadas e cafés...  - esses tinham compreendido, desde o início, a importância de valorizar Monserrate, culturalmente***. Não estiveram à espera do Estado para agir, foram os próprios que pagaram para fazer bem feito.

E a bibliografia de um post anterior:

biblio-monserrate001.jpg

veio deste Ciclo de Conferências que a AAM concretizou.

Monserrate-Capa-Conferências.jpg

Num futuro próximo tentaremos mostrar alguns desses artigos. Em especial o excelente contributo  da Professora Maria Laura Bettencourt Pires - William Beckford e Portugal, o qual (terá sido por óbvio esquecimento), não ficou incluído na lista.  

Quem ouviu, leu e sabe, não esquece que foram as deambulações deste inglês (não apenas em Portugal), que o tornaram célebre; sobretudo num artista original que "um outro romantismo" - o de Francis Cook, quis deixar, ainda, plasmado em Monserrate (apesar do jardineiro Oates ter escrito o contrário). Vários sinais que, alguns dentro da Casa, no torreão sobre a Entrada, os Cook (ou os Knowles através do seu «empreiteiro inglês»?) tinham valorizado, e consequentemente preservado.

Mas que (lamentavelmente) a PSML terá achado desinteressantes...

~~~~~~~~~~~~~~~~ 

*Uma redacção que sublinha bem (como a própria faz, e assim mostra...), algo que conseguimos ensinar a Maria João Baptista Neto. Porque de História e pesquisas em documentos antigos, pour cause, a dita («redita» e que sempre será aqui re-visitada) "ela sabe a potes". Mas de sínteses, normalíssimas - como um qualquer arquitecto desde pequenino tem que estar habituado a fazer - aí é uma simples principiante. Por isso refere-as entre aspas: para que se saiba que já aprendeu que uma obra de arte é uma síntese (esquecendo-se de Hegel...quiçá?)

É pena (mas enfim, mais vale tarde do que nunca) porque num Instituto de História da Arte (IHA da Universidade de Lisboa) o que se espera é alguma, para não dizer muita, ou toda, a interdisciplinaridade. Espera-se que os Profs saibam dominar em simultâneo a História e a Arte. Não deixando para um dia, muito mais tarde, e já depois de doutorados, a compreensão da síntese que a Arte é. E neste ponto - revisitando mentalmente a escolinha da FLUL que frequentei depois dos 50 - lembro-me tão bem de ter estado «a pregar a alguns peixes» sobre isso: a Arte como síntese... E em termos de SEMIOLOGIA claro que é essencial um Prof Doutor (de História da Arte) saber o que é um sintagma. Mas vamos aos poucos, devagar-devagarinho, que eles ainda, nem de Geometria têm, alguma - mesmo que pouca - informação...  

**Acontece que há pessoas muito grandes, muito volumosas (é mesmo o sentido de opulento?), que ocupam imenso espaço. Um espaço onde os outros não podem caber! Terá sido a nossa sorte - o facto dos espaços por si só não terem elasticidade, nem crescerem! Já que passámos ao nosso, único e próprio. Com toda a liberdade e sem concessões!

E já agora, tentamos, sem erros: Pois não deve ser conceções  como a palavra consta algumas vezes no referido Catálogo. Empregue indiferentemente, com 2 sentidos:

1. para substituir concepções do verbo conceber;

2. para traduzir concessões do verbo conceder.

***Bem antes do que hoje, por fim (e sem «capelinhas»!), a sociedade passou a compreender

Nada de mal, é quase um Carnaval


12
Jan 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

POIS! Porque não recordar, e deixar escrito, o ambiente que vivi nos primeiros meses na FL-UL, quando aí cheguei em 2001, para fazer um Mestrado que, para os profs. seus criadores era/iria ser «um total furor»!

 

Pois comigo foi o que se viu, já que - então com mais de 50 anos** -, «adorei aquela escolinha»!

O pior foi mais perto do fim, quando depois de ter aprendido bastante, comecei a pensar e - ao digerir tanta informação com outros atouts, que os tinha há 25-30 anos (assim como não tinha barreiras mentais) -, passei a ver tudo doutra maneira (e também a ensinar, coisa que o «pessoal» não gostou!):

 

"...É mesmo isso: Em 2001 assisti na FL-UL ao disparate de ver chamarem Arquitectos e Engenheiros assim: "Venham todos para este ensino que é o melhor do mundo! Venham fazer mestrados em Arte, Património e Restauro, porque o Património é essencial, multidisciplinar e sabe-se lá mais o quê? Venham ser Gestores de Património; descubram as 'Origens do Gótico'; Engenheiros expliquem-nos estas estruturas que na Idade Média se faziam... E quando eu (com mais de 25 anos de vida profissional!) começo a dar respostas e a perceber que tudo aquilo era TEOLOGIA, posta em imagens escultóricas 3D, ou em detalhes construtivos; assim como a mostrar a lógica de toda essa imagética medieval, então a Maria João B. Neto ainda está do meu lado e ajudou-me imenso. Até que o Vítor Serrão obrigou-a a pôr uma pedra sobre o assunto... E a dita prof., com medo de perder o emprego (?) calou-se. Toda a razão (Cara Amiga, o meu exemplo mostra-o) é proibido saber pensar..."

Escrito em 11.01.2018, a ver aqui

capa-monserrate 001.jpg

bilhete-beckford 001.jpg

Na imagem acima uma mandorla - moldura que foi significante e proliferou na arquitectura oitocentista (de influência inglesa, como se vê muito na cidade do Porto). Por vezes, e mais tarde, substituída pelo losango, que sendo a rectificação da mandorla era também mais fácil de executar, principalmente nos trabalhos de carpintaria de portas e janelas.

Imagem que, insisto, prolifera ainda em muitas Portas. Vejam por exemplo em moradias na Linha do Estoril, Costa do Sol, edificadas entre os anos 40-60. E «sabendo ver» é fascinante:

Coisa que os cursos de História da Arte, normalmente não ensinam (a ver). Já que apelam à memória, com os profs. a obrigarem os alunos a fornularem ideias e a exprimirem leituras que tantas vezes não se podem fazer a partir das obras (ou como eles impingem, nas suas visões tão retrógradas quanto imobilistas).

Claro que as ditas moradias dos Estoris, do Porto, da Granja..., feitas assim porque, alguns sugerem-no (?), elas obedeceriam a regras de uma «arquitectura de veraneio»!? Porém, com outro olhar, todas essas obras são fascinantes. Ajudando a compreender a força da tradição e do hábito, para aquilo que normalmente é chamado o Gosto

Um GOSTO que se deveria aprender muito mais com exemplos práticos, e menos com os excessos de «erudição filosófica» que, normalmente se ligam à Estética***

~~~~~~~~~~~~~~

*Designação de um Programa da Rádio Renascença que trata de livros, mostrando como dentro do volume de um livro tudo se aproveita: Na capa (acima) um desenho do Palácio de Monserrate (Arquibet - ano 2000?), com cor e retoques nossos. A planta de cobertura é (nossa) de 1987. Na contracapa outro desenho: informa ter sido um bilhete para o leilão da casa de William Beckford (em Inglaterra, séc. XIX).

Em 2008, quando o estudo é publicado pela Livros Horizonte (graças à visão de Rogério Mendes de Moura) já estava inscrita no doutoramento. Já havia muito mais informações, e algumas dessas novidades passaram a estar registadas na contracapa do livro. E porque as pesquisas não terminaram (deviam aliás estar a ser trabalhadas nalgum estabelecimento de Ensino Superior que se prezasse, e com equipas de investigação com objectivos sérios!) hoje é imenso o material que extravasa o nosso volume policopiado inicial. Por isso, uma das apresentações do doutoramento, feitas no Instituto Francisco de Holanda (da FBAUL), o referido Power Point começava assim:

depois-MONSERRATE.jpg

(a tentar traduzir como Monserrate, e a arquitectura victorian, pode ser geradora de imensa informação).

**Percebe-se hoje que a transição do Ens. Sup. para o modelo de Bolonha foi feito com graves prejuízos para muitos (e para toda a Ciência que é normal produzir-se nas Universidades). Percebe-se também que o nosso estudo deveria ter sido (logo) um doutoramento, ou, posteriormente equiparado...

***E esta foi a lição mais preciosa aprendida na aventura em que me meti já depois dos 50.  Eu que sempre tentei explicar, a clientes e a alunos, tudo, de modo acessível e fácil de compreender. Claro que também vieram ao de cima as aldrabices e desonestidades que não calo. Nem calarei! Quanto mais não seja pelos mais novos (da minha, e todas as famílias). Para quem não posso desejar aquilo que aconteceu:

Já que nesta (nossa) luta há de tudo, incluindo o tratamento desigual feminino-masculino (o tal eufemismo ainda se chama «de género»)...


11
Jan 18
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Não nos calamos


10
Jan 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Se o título de hoje lembra a obra de Ruben A. que é O mundo à minha procura, desculpem, mas o assunto é outro. Ainda...

 

Porque mais uma vez está a vir ter connosco, e a dizer:

"Sim, é contigo! Tens que lembrar, ensinar, pois talvez não tenham a formação dos diplomatas e a dos hábeis (habilidosos, artistas) que aprenderam a dominar os contrários e a apaziguá-los! A fazê-los inter-conviver,  como numa grande parede - por exemplo no painel "Começar" de Almada Negreiros, que está no Átrio da Gulbenkian...! Tens que ensinar o que é, e para que serve a Arte..."*

Porque as Artes que ficaram para História como Belas-Artes, e são o oposto das Malas-Artes (de um Pedro Malazartes, que sem habilidade nenhuma era aselha!). Essas Artes vêm da raiz latina - Ars. Enquanto pelo lado grego, a mesma palavra é/era Technê, e originou a actual palavra Técnica ...

Por isso todos se baralham, constantemente, entre Técnica e Arte

E o MURO DE BERLIM - que a população da vila da Batalha está a ver, e cheios de razão, eles vêem o seu mal: Falta de habilidade, muita aselhice: Sem qualquer Arte!

Por ser um muro de betão demasiado técnico, que se ergue despudoradamente, sem qualquer cuidado (ou ARTE?), em frente de um Monumento Nacional (MN), que por acaso também consta na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Claro que só estou ver daqui, a história que a rádio, e a televisão, estão a mostrar, ficando a sorrir, e a pensar.

Porque é imensa a ironia, tanta estupidez, sobretudo quando vinda dos que se consideram, sobejamente sábios!

A lembrar-me de todas as mnemónicas (ou os links?) que a vida nos últimos anos me pôs na cabeça, ou à frente dos olhos: tudo isso à minha disposição, para vir a ser útil em projectos... Porém escondido! Às ordens da FL-UL, do IHA-UL, da FBA-UL... Tudo "well", mas revelador de tão pouco!

Por isso a lembrar-me também da senhora professora que muito me ensinou, mas depois, furiosa, atirou "com a Ciência toda para baixo do tapete". Fazendo-se Comissária de Monserrate. Será lá que se sente bem...?

E o Mosteiro da Batalha que 200-300 anos depois de construído influiu na arquitectura inglesa de 1700 e 1800, não pode influir agora no muro que lhe vão pôr mesmo à frente?

Não digam que não, que é só técnica, pois vão fazer-nos recordar as habilidades de Centeno e de Costa! E claro, as Malazartes da nossa ex-orientadora!

Nesta dialéctica passado futuro, prova-se que um muro barreira acústica pode ser grelhagem de cortiça, de ferro, e um green project! Ou será mais green wall, jardim vertical?

A resposta é que claramente deve ser obra de Arquitectos e obra bem pensada! E se há espaço para fundações de paredes contínuas, maciças e pesadas, melhor ainda para se colocarem grelhagens semi-abertas...**

capa_JamesMurphy 001.jpg

Alguns dirão (?) que ideia tão perversa a da Arquitecta AC! Que interesse tem para os arquitectos (ou engenheiros), saberem usar em obras actuais, e em estruturas leves, a iconografia antiga? Para depois um dia, esses arquitectos poderem «tirar da manga», ou de um dicionário visual, toda uma panóplia de formas iconográficas (antigas) capazes de ajudar a resolver diversos problemas.

E a resolver muitíssimo bem, dizemos nós, porque sabemos e o demonstram as grelhagens absorventes acústicas.

Ou dirão ainda mais: O problema existente na estrada que passa em frente do Mosteiro da Batalha, nada tem a ver com o passado! Que ideia tão parva, poderem os arquitectos vir a saber o que Pier Luigi Nervi sabia!? E o que lhe permitiu ser autor de obras tão interessantes e tão bonitas?

Que ideia tão parva, poder fazer uso da iconografia que em Inglaterra é tão frequente - talvez por ser um país monárquico, e essas formas/imagens continuarem, consciente, ou inconscientemente associadas à realeza? Iconografia que é vocabulário visual antigo, fornecedor de módulos e de métricas que por cá se desconhecem, propositadamente, embora pudessem ser da máxima utilidade para obras contemporâneas... Não fora estarem às ordens de quem pode, e logo manda, não contribuindo para ligar as obras antigas às soluções de hoje!?

Às ordens de quem tem vistas curtas, ou desconhece (e esconde?) como a profissão da Arquitectura se fez sobre a Arqueologia e a História...   

Daqui lembramos - a arquitectos e a historiadores - que se julgam que há uma primazia ou um ascendente da História da Arte sobre a Arquitectura (?) estão bem enganados. Sobretudo da História da Arquitectura.

A complementaridade é essencial, pois alguns métodos de investigação necessitam dos métodos da História; mas quando se toca na que é a mais importante disciplina da arquitectura - que é a Geometria -, aí são os arquitectos que têm que demonstrar aos historiadores como a Geometria é (foi no passado) o equivalente a uma gramática das formas.

Como mostram várias obras contemporâneas  pode fazer sentido dar dignidade às edificações (e não apenas imagens, ou fachadas bonitinhas) com recurso ao vocabulário formal antigo. Não é fazer pastiches, é pôr recursos da História da Arte empenhados em ligar o passado e o presente. Lembrando aqui o "Less is bore" de Robert Venturi

Por isso a pergunta: será tarefa exclusiva dos arquitectos terem investigação nos seus gabinetes, para proverem o vocabulário mais adequado às obras que devem dialogar com os monumentos mais antigos e valiosos? Ficamos todos nas mãos dos Gabinetes de Arquitectura mais ricos?

Ou, uma das maiores utilidades da investigação em História da Arte é dar à sociedade, à Cultura contemporânea, informações e recursos vindos do passado, para serem úteis hoje, já que se projecta para o futuro?

E da biblioteca de Birmingham vem mais:

http://www.libraryofbirmingham.com/article/librarymembership/catalogue

Já que, dos nossos arquivos, poderia vir muitíssimo mais - um imenso Glossário Visual -, se o nosso trabalho tivesse sido devidamente referenciado (e não escondido como tem sido feito): Esconde-se em prol de um passeio de vaidades, que se recusa a devolver ao país o que o país produziu (e portanto lhe pertence).

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Até porque as hipóteses de ensinar, e as de explicar aos que hão-de vir, estão cada vez mais reduzidas...

**Estamos a dar ideias, como felizmente, demos tantas para Monserrate


08
Jan 18
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

Porque a Investigação em História (da Arte, ou outros «ramos») é para ser útil no futuro, não sendo para o passado, menos ainda para um passeio, «de vaidades»...

Está lá escrito:

“...Ou a Sra. Profª Maria João B. Neto nada sabe de Economia? Que Portugal importa muitos mais livros científicos do que aqueles que exporta? Não sabe que no mundo de hoje, tal como os EUA vendem diversão, tempos livres (Cinema), também a CULTURA (Amazon, Google) tem um lugar de enorme relevo na ECONOMIA dos países? Não sabe que uma exposição de interesse internacional em Monserrate, não deve ser só relembrar o lado do diletantismo de Francis Cook, mas devolver uma boa parte da Cultura que por aqui ele «cultivou» e deixou? Obra que, como o Turismo hoje demonstra, pode dar muitíssimos mais frutos...?

Que é essa a maior riqueza e o privilégio que os Cook deixaram em Monserrate, a Sintra, e a um Portugal que seja conhecedor dos seus valores?

Sendo esta a questão relevante - a que verdadeiramente importa -, e agora surge, tão notória, por sorte ou azar, mesmo em frente do Mosteiro da Batalha!

capa_JamesMurphy 001.jpg

 

 

Caso em  que Maria João B Neto deveria, quiçá (?), ter algo a sugerir. Dadas as informações que detém sobre o assunto, recursos do antigo e para a Arquitectura Contemporânea. Mas isto só se..., se..., e se..., não os estivesse a esconder!

 

 

 

E, se honestamente a investigação (mesmo a que se faz em História) fosse mais para a sociedade e para o mundo contemporâneo, do que para um «passeio de vaidades»?

 


07
Jan 18
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

... que é bem mais do que uma mera ocupação:

 

Por isso respondemos desta forma (em 7 de Janeiro 2018), a um comentário feito ao nosso post anterior:

"Há sempre uma esperança... O que é curioso - demais! - é que a agora «comissária», ela própria que me fez ver a degradação do ensino e do conhecimento que (actualmente) está instalado nas universidades. Comparado com o que ainda existia em 1920, para estas áreas científicas e para estes conhecimentos; que ela tenha decidido calar o assunto, apesar das suas responsabilidades! É que está na Universidade de Lisboa, capital de um país que por acaso poderia ser menos irrelevante, caso os responsáveis que ocupam lugares de relevo na Ciência e na Cultura (a UL não se trata de uma Universidade privada!) se portassem à altura das suas responsabilidades**. Até os ingleses que se chamaram a si mesmos 'dilletanti', foram bastante mais responsáveis. O mundo é global, há fronteiras que se devem esbater, há/houve xenofobias que se devem anular, mas há conhecimento subjacente que não se deve desprezar. E sou a arquitecta a dizê-lo, não a professora da Universidade estatal de Lisboa..."

Porque se tem a noção que a Ciência é/deve ser como o dinheiro: para usar quando é preciso!

Tal como um arquitecto recorre à Física ou à Química para que as suas construções tenham Estabilidade, ou perdurem no tempo, quando por exemplo na edificação devem ser empregues materiais para resistirem a ambientes quimicamente agressivos...

 

Assim, na actualidade, e para que haja avanços: A transdisciplinaridade tem que ser a Ciência e o Saber da(s) Universidade(s) contemporânea(s)

.

E o que se passou ao longo da História, que por vezes a Arquitectura informa - muito melhor do que alguns pergaminhos, ou outros documentos escritos, e descritos, com recurso ao alfabeto (e não aos ideogramas) -, esses são dados que os Historiadores não podem ignorar.

Principalmente os que estão nas Universidades do Estado, de um país Europeu, com os valores culturais e civilizacionais que se sabe estão consignados em acordos (internacionais).

E os referidos Historiadores, se o são (de uma maneira séria???, e também professores), têm a obrigação de não descurar, menos ainda de calar, ou esconder, depois desses valores e conhecimentos terem vindo ao de cima, e se terem tornado claros. Ao terem sido descobertos nas investigações que os ditos historiadores (eles próprios) impulsionaram/acompanharam/orientaram.

Qual é a coerência científica de alguém que estudou e sabe da importância, por exemplo, dos Movimentos Ecclesiologistas ocorridos na Inglaterra do século XIX? Assunto que percorreu com razoável detalhe, e abordou pelo prisma da respectiva influência, que exerceram, quer sobre a Arquitectura civil quer sobre a Arte em geral (na Europa, e num período que foi o da emergência de vários nacionalismos)?

Como é possível esse (mesmo) alguém continuar a estar a esconder, e a silenciar, as investigações que ela própria desencadeou? Sobretudo tendo havido resultados surpreendentes? Extraordinariamente úteis...?

Ou não conhece o exemplo de Jacques Le Goff, e como a História pode/deve ser consultada, e útil, para a toma de decisões (políticas, essenciais) dos Governos?

Será que não conhece alguns dos propósitos que estiveram na origem do Musée des Arts Premiers, para o qual trabalhou a filósofa/escritora Catherine Clément?

Maria João B. Neto esqueceu os temas do seu doutoramento? Re: Sim? Então estamos a lembrá-lo aqui, já que foi publicado:

capa-Memória-propaganda e Poder 001.jpg

E esqueceu o título que tanto a preocupou? Para ser abrangente e aludir às questões, mais ou menos distantes, que não foram (lá atrás, há séculos) completamente alheias entre si? E nunca estiveram desligadas, como a Arquitectura, a Memorialização, o Património e o Poder? Então, já a seguir, recorda-se o que nos fez ler; as ideias que nos fez absorver e agora está/continua a querer esconder:

capa-Memória-propaganda e Poder 002.jpg

Para já pergunta-se: Porque será que as pessoas depois de fazerem coisas bem feitas, se deslumbram e perdem o leme? O que antes parecia ter sido a origem de um rumo coerente e lógico?

Será que lhe ocorreu, que a questão das Origens do Gótico - que teve que ser o mote do meu trabalho, como Maria João Baptista Neto me impôs, agora que passou a estar descoberta, deixou de (lhe) interessar? Então cheira muito mal, a despeito (ou a raríssimas?).

Como ficou no nosso post anterior, a arquitectura victorian é um repositório extraordinário que não se deve desconhecer. Tanto mais que «ao mudar-se para Monserrate», é toda essa problemática (a dos registos que não se perderam) que vem ao de cima!?

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Sim uma preocupação com o país... Já que nos movem razões e possibilidades muito reais e úteis, e não apenas fantasias para darem algum «gozo pessoal». A História é, ou pode ser, uma disciplina da maior utilidade: ferramenta, com a Filosofia, para ajudar a entender o mundo.

E também o formulário visual de génese antiga (como vários países tão bem mostram), a solução para problemas contemporâneos da arquitectura e da engenharia.

**Ou a Sra. Profª Maria João B. Neto nada sabe de Economia? Que Portugal importa muitos mais livros científicos do que aqueles que exporta? Não sabe que no mundo de hoje, tal como os EUA vendem diversão, tempos livres (Cinema), também a CULTURA (Amazon, Google) tem um lugar de enorme relevo na ECONOMIA dos países? Não sabe que uma exposição de interesse internacional em Monserrate, não deve ser só relembrar o lado do diletantismo de Francis Cook, mas devolver uma boa parte da Cultura que por aqui ele «cultivou» e deixou? Obra que, como o Turismo hoje demonstra, pode dar muitíssimos mais frutos...?

Que é essa a maior riqueza e o privilégio que os Cook deixaram em Monserrate, a Sintra, e a um Portugal que seja conhecedor dos seus valores?

Sendo esta a questão mais relevante - a que verdadeiramente nos importa -, e que agora surge, tão notória, por «sorte», mesmo em frente do Mosteiro da Batalha!

capa_JamesMurphy 001.jpg

 

Caso em  que Maria João B Neto deveria, quiçá (?), ter algo a sugerir. Dadas as informações que detém sobre o assunto, recursos do antigo e para a Arquitectura Contemporânea. Mas isto só se..., se..., e se..., não os estivesse a esconder!

Se, honestamente, a investigação (mesmo a que se faz em História) fosse mais para a sociedade e para o mundo contemporâneo, do que para um passeio de vaidades?


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