Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Porque desta vez pensei - há que ler, nem que seja de relance, a newsletter da Fundação António Quadros*

E foi o que aconteceu, há horas, logo de manhã:

 

Um texto a contar como habitualmente decorriam as tertúlias começadas na Mimosa (seria na Rua das Flores?), e continuadas no que foram os Salões de festa e de baile, dos Quintela-Farrobo. Os mesmos em que, e por muito estranho que possa parecer (ou perturbantes que esses espaços fossem?), durante várias décadas do século XX, decorreram as aulas do IADE: os espaços onde leccionávamos.

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Assim, aqui está - como citação - um copy/paste feito a partir da Newsletter Nº 140 / 14 de Outubro de 2018 chegada hoje:

01 António Quadros – Grupo da Filosofia Portuguesa – Memórias Vivas,
por Pedro Manuel Machado de Sousa Furtado Correia.


"A tertúlia começava ao jantar, na Mimosa do Chiado, às quintas-feiras. Chegávamos, íamo-nos acercando das mesas já dispostas para nós, e de cumprimentos calorosos eram recebidos os que iam surgindo, mas pouco esperávamos. Quem não pudera vir previamente fazia saber de sua ausência. As novidades editoriais, especialmente as que diziam respeito à cultura portuguesa e à lusofonia, eram geralmente a peça de abertura. A leitura de quem já se havia aproximado de sua análise era logo partilhada. Outras novidades, futuros eventos ou participações dos membros do grupo, notícias do foro político relativas à cultura, também eram de permanente interesse, assunto este em que António Quadros mostrava particular interesse. E conversava-se variamente, evocando memórias de que a geração mais nova, da década de 60, absorvia e indagava. Por vezes liam-se ou davam-se a ler poemas inéditos, ou alguns rememorados, que haviam resultado especialmente interessantes para a vida circunstancial de alguém entre os participantes. O Elísio e o João liam singularmente bem, mas também me deliciei com Barrilaro Ruas, apesar dele muito dar a ler. Depois, inevitavelmente, vinham as experiências de vida partilhadas com esses e outros autores, que haviam sido do conhecimento ou da amizade dos convivas mais idosos. Era um privilégio ouvir essas experiências de vida não registadas por escrito. Quanta riqueza de vida foi deste modo partilhada além de uma geração e aquém das obras escritas!

Foi através de um colega estudante de Filosofia na UCP, o Elísio Gala, que encontrei esta tertúlia, que nascera no Porto, com Leonardo Coimbra, em 1926. Assim, convivi com um grupo muito diversificado de pessoas com interesse filosófico. Encontrei aí um passado, uma história, referências, pessoas com obra que desde o início do século XX realizaram contribuições culturais relevantes, na sua obra teórica, ensaística e política, mas também na didáctica, na poética e no romance. Todavia, deste plural conjunto de pessoas emergia constantemente a memória da Pátria, nos filósofos, cientistas, historiadores, artistas, literatos, vozes teóricas que amassavam passado, presente e futuro; vozes que proporcionavam uma perspectiva histórica alargada, os princípios e as lutas em seus cenários epocais, as constantes humanas e as singularidades pessoais, dispondo-se em obras para nossa reinterpretação.
Se é sempre função das gerações mais adiantadas um nexo de unidade, a equação do passado ao presente para o futuro, ao modo como era praticada, era por si mesma constituída de valor, na funda experiência de pessoa a pessoa, na sensibilidade ao outro, na inteligência com profundidades e abordagens diferenciadas, na sua dedicação objectivada em obra. Estas competências, que se estimulam e são próprias numa Academia, formavam uma Escola no seu sentido mais amplo, espaço para a dedicação reflexiva e interactiva, mais do que esteio ou projecção para alguma específica e pessoal ambição, política ou de cariz filosófico, em parte devido à variedade de personagens, percursos e incidências que a compunham, em parte devido a serem estas reuniões um estímulo para a obra a desenvolver, pessoal e literária, e não um fim. A diversidade pessoal era coisa sagrada, mas também o era a partilha e a exigência de fundamentação, perante uma pluralidade de ideias e abordagens, na polidez do tratamento, na elevação das nossas responsabilidades como agentes culturais e, também, no amor a Portugal.
O gosto e filosofia desse Grupo incidia especialmente na cultura portuguesa, do passado e do presente, no sentido de ela ser, mais do que um importante recurso para a erudição, elemento imprescindível ao auto-conhecimento e motivo de reinterpretação da realidade social, económica e política; pois não há outro portal para aceder ao presente, pela sua diferença ou semelhança, senão a memória, nos arquivos, nos livros, na experiência de vida das gerações passadas.
Contudo, não ficávamos pela tertúlia. Depois de jantar passávamos ao IADE para o colóquio aprazado. António Quadros, também presente na tertúlia do Grupo da Filosofia Portuguesa, acolhia-nos numa sala ampla. Um convidado, ou um dos que estivera na tertúlia, iria desenvolver uma interpretação filosófica. Por vezes, além de um público frequente e quase permanente, chegavam a estes colóquios várias pessoas, também eles dedicados à cultura portuguesa e à filosofia que se haviam deslocado, por exemplo, de Estremoz e do Porto
O orador ia para o estrado, sem mesa, e de pé dissertava, ou melhor, como nessa tradição se manteve, orava. Mas quando começava o diálogo logo a sala se ia tornando elítica, activada a conversação entre uns e outros e com o orador. Não eram esses colóquios fáceis, com um público meramente expectante, mas sempre se constituía em estímulo, para que o intérprete e orador fizessem o seu caminho, tendo por início e não como ponto de chegada a sua mesma exposição, pois a relação com a actividade interrogativa, reflexiva e crítica dos participantes era intensa, viva e muito participada, vigorosa a questionação, mas não necessariamente severa.
Era este espaço de acolhimento, também um espaço de construção e de afirmação num pensamento exigente, na questionação à terminologia aplicada, quanto ao limite de sentido proposto na interpretação de um autor ou de uma obra em análise, quanto à pertinência das referências aduzidas em justaposição ou contiguidade com outros autores e quanto ao esclarecimento de pressupostos teóricos.
A sociedade portuguesa vivenciava uma intensa mudança cultural nessa época, com as diligências políticas de conformação normativa com a então CEE. Uma mudança que pode também representar-se pela construção de um discurso económico renovado, pela independência dos meios de comunicação social, que se tornaram mais apelativos, pela crescente oferta e participação do público em eventos culturais. A oportunidade de intervir politicamente, do ponto de vista de um jovem nos anos oitenta, estava na adesão a um partido político, na participação em associações de carácter solidário ou na participação em várias instituições culturais, onde inseri algumas contribuições, nas associações académicas, numa revista elaborada com o Elísio Gala, os “Cadernos de Filosofia”, para difusão na Universidade, e na participação activa em colóquios e conferências públicas.
Numa dessas conferências, algures na baixa de Lisboa, o tema era a política cultural portuguesa. Um dos palestrantes fora Secretário de Estado para a Cultura, de quem positivamente não me recordo o nome, e António Quadros. O primeiro advogava como meio de apoio às actividades culturais criar-se uma expectativa melhorada às receitas do Orçamento de Estado, por sua vez, mais incisivo no assunto e menos optimista perante aquela tese, António Quadros dissertou acerca da quase ausência dos autores portugueses nos compêndios escolares, fossem eles de História ou de Ciências, um problema político e de interdisciplinaridade. Importa salientar que esta sua intenção viria a objectivar-se, se bem que ainda ficasse muito longe do que poderia ser. Intervim após as conferências, durante o debate, na perspectiva de António Quadros, especificando no que dizia respeito à disciplina de Filosofia.
Salientando o facto de que os manuais escolares de filosofia eram escassos ou omissos em relação aos autores portugueses, quer anteriormente à Europa humanista, na Europa humanista e daí em diante. Entendia como ainda entendo, expondo agora com maior clareza, que com cientistas, literatos e artistas dar-se-ia a pensar filosofia em melhor modo do que ao género a que nos temos habituado, malogradamente. Pois em toda a nossa literatura portuguesa e lusófona se encontram peças de extraordinário interesse filosófico, do passado e do presente, como estímulo à reflexão e à acção cívica, para uma reflexão situada e universalizante, para o pensamento aplicado na questionação ética, estética, social, económica e política. Não se tratava apenas de substituir a aridez dos esquemas cronológicos, das doutrinas e textos apenas para iniciados, que usualmente expunham os manuais, mas de amplificar as virtudes pedagógicas do registo literário das fontes, científicas, políticas, jurídicas, poéticas. Estou lembrado de um manual de filosofia que, logo na sua primeira frase, longa e recurva, continha termos rigorosamente inultrapassáveis para o aluno, supostamente o seu mais directo leitor. Quanto não ganharia a cultura lusófona se, com os seus autores, os aplicássemos à iniciação de pensamento filosófico. Assim iniciaríamos os jovens ao discurso filosófico reconhecendo-o na elaboração vívida da língua, e não com textos quase herméticos ao estudante, obras sumariadas e doutrinas esquematizadas. Não querendo com isto dizer que nos desviemos completamente do paradigma entretanto praticado, isto é, da pedagógica predominância da escrita sobre a oralidade para efeitos de avaliação, da cronologia e da historiografia, do questionamento das temáticas antropológicas e epistemológico-hermenêuticas. Mas incluindo sobretudo os métodos colaborativos de aprendizagem, integrando com intensidade a produção cultural em língua portuguesa, e com ecletismo, na iniciação à filosofia e às ciências. Quem leu as palavras claríssimas de um Delfim Santos acerca da filosofia prefere-a naturalmente a outras versões, igualmente interessantes, mas, em traduções. A introdução ao estudo da história, e ao facto científico, proporcionada na introdução de Fernão Lopes na Crónica de D. João I, é ímpar. A poesia, como cenário de um contexto histórico e expressão acerca da condição humana, pode ser pedagogicamente mais estimulante e grave do que algumas dissertações que mais parecem saídas de uma máquina de propaganda ocidental do que de um laboratório pedagógico, interdisciplinar e ecléctico.
Ao terminar esse debate, à saída, tenho o gratíssimo prazer de António Quadros se me dirigir, com total surpresa minha, e convidar-me para os colóquios no IADE. É verdade que já para eles havia entrado na semana anterior pela mão do Elísio Gala, mas foi esse um episódio que nunca esquecerei, pois por ele dou a conhecer alguém que do púlpito dos conferencistas vem convidar uma pessoa que participara, para lhe proporcionar o estímulo, a continuidade e o aprofundamento dessa participação. Porém, estou reconhecido a António Quadros por outros e vários motivos, não apenas pelo seu acolhimento, mas também pela sua promoção da cultura portuguesa e lusófona, pelo seu trato e pela sua presença."

Mas entretanto nós - os profs. do IADE - a maioria, quer pela nossa idade, quer pelos temas que naturalmente interessavam «às nossas vidas», em geral não estávamos nestas andanças.  

No entanto ouvíamos as historietas, muitas delas sobrantes (por alguma graça ou notoriedade maior) dessas tertúlias e desses encontros. Acontecia até, que nas reuniões de professores que eram frequentíssimas (bastante diferente do que veio a acontecer mais tarde), era o próprio Dr. A. Quadros que as trazia, e as contava.

E delas, pelos relatos, poderíamos retirar algumas «panorâmicas», retratos, alguns talvez mais amplos (ou até por vezes muito especificos?) relativamente às temáticas que na sua vida o iam fascinando.  

Era um outro mundo, imenso, mas imenso mesmo! Como aliás prova a sua bibliografia (de que temos apenas um ou dois títulos...); mas que, nessa data - desde 1976 ao início dos anos 90, era ainda literatura que não nos interessava, particularmente.

Também porque estava ali ao lado, sabíamo-lo. Era um mundo que ia girando, paralelamente ao nosso, tendo nós a noção desse facto, que não fugia. Ou, continuando com a metáfora, tendo nós a noção dessa «rotação» (?), mesmo que, tantas vezes, a estranhássemos muito!

Mas, porque algumas vezes esses dois mundos se encontravam, e nem sempre esses «encontros», ou, digamos, eram mais intersecções (por vezes até tipo choque); digamos pois que nem sempre as ditas intersecções nos deixavam marcas de nota... Pelo menos que o saibamos, ou que nos lembremos?

Apesar de ser sabido que aquilo que cada um de nós passa, ou passou ao seu inconsciente, nem sempre foi o que decidiu pôr «na gaveta de baixo» (da memória); mas sim aquilo que, para lá, involuntariamente, terá caído...?

Isto é, e tentando ser mais clara, estamos a pensar em assuntos e temas que viveram ao nosso lado durante anos, e anos, e anos, mas que, e porque então pouco nos interessavam, eles devem ter caído (sem se dar por isso) para outros níveis da consciência; ou seja passado para o subconsciente e para o inconsciente?

Por isto, a questão do Filioque, que nos apercebemos ter estado na origem da representação do Espírito Santo - e que, como, veementemente defendemos, passou, dando forma ao que o caracteriza,ao Estilo Gótico; esta questão quando surge deixa-nos muitas vezes num estranho estado de questionamento interior: ou seja, meio-perdida, e à procura de episódios que possam ter acontecido, ou ainda à procura de memórias muito vagas.

Sobretudo porque ainda dentro do grupo de que António Quadros, também fazia parte, como está descrito acima, grupo dedicado à cultura e à Filosofia Portuguesa (sendo aliás autor de uma obra com o título A Patrologia Lusitana), nesse grupo esteve também João Pinharanda Gomes - a quem A. Quadros, nas ditas reuniões de profs., várias vezes (porque disso eu lembro-me) ele fazia referência**.

Seja como for - e se este é um dos assuntos que pode vir a acompanhar-me sempre: ou seja, o tentar perceber aquilo que (eu) já poderia ter conhecido da problemática do Filioque, antes de 2001 (?), e dos meus estudos dedicados a Monserrate, quando Maria João Baptista Neto me pôs à procura das (suas, dela!) Origens do Gótico?

Depois, também é verdade, pelo que se lê, que foi Pinharanda Gomes que fez referência a esta questão teológica - articulada com o Priscilianismo (uma heresia surgida aqui na Iberia) -, e a associou, i. e., o surgir desta problemática teológica, ao I Concílio de Toledo, realizado no ano 400.

Na verdade, e repetindo-me, há que dizer que mais tarde li imenso sobre esta questão, mas foi em Pinharanda Gomes (e talvez também em A. Quadros?), como provam as imagens seguintes***, que fiz as primeiras leituras sobre o assunto.

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Por fim, e porque um doutoramento são estudos complexos que não dependem de um padrinho - que numa única data leva alguém (o seu próprio «afilhadito» - um incapaz de pensar pela sua cabeça e de ter vontade própria) à Universidade e vem de lá doutor. Não é assim, como infelizmente tivemos que conhecer vários casos de doutores (que também decidiram aliás interferir com, e mandar na nossa vida, sem que pudéssemos, até agora ter outra alternativa...). Mas - continuando depois deste parêntesis mais do que inevitável - e porque um PhD tem um Ph que vem de Filosofia, queremos ainda destacar que nas tertúlias de António Quadros também estava Elísio Gala (como se diz no texto).

É alguém (um autor) a quem devemos algumas leituras «fornecedoras» de informações fantásticas.

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Vindas das notas sobre a sua tradução da República - que era a POLITEIA dos gregos.

Sobretudo a passagem que está na imagem seguinte, a qual - em nossa opinião - qualquer doutorado, preocupado em ensinar Arte e Design  deveria conhecer.

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Por isso, Elísio Gala é um outro nome que não estranhei na Newsletter de hoje, com a descrição das tertúlias que começavam com o jantar na Mimosa. Sobretudo pelos seus textos que nos permitiram compreender as imagens da Arte, ao explicar que em grego o verbo "IDEAR" se refere a imagem essencial, ou à essência das coisas visíveis.

Assim, caros leitores fica hoje este post enorme, que é também o testemunho de quem em pleno século XXI está proibido de contactar os alunos:

Ou seja, de quem está posta na prateleira (dourada ou indigna? - escolham a cor e o décor...) e sem serviço docente atribuído por - Thanks God - ter memórias a mais!

Ou, porque talvez, e como António Quadros - cujos textos tantas vezes nos pareceram incríveis fantasias... -, talvez porque como ele nós também vimos interligações entre temas muito diferentes, e estabelecemos relações entre eles! 

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*Pois se ando a dizer que «descobri» o que ele e alguns dos seus amigos tanto questionaram, enfim pode haver algo que me interesse, por isso hoje - manhã de 14 de Outubro - li. São também memórias da escola em que fui prof. até 2008, já que depois disso, e exactamente depois desse dia, tudo mudou. No entanto, ao lançar o meu estudo sobre Monserrate no Palácio Quintela, em 2 de Junho 2008, também ficou registada uma ligação (mais real, concreta - pelo preâmbulo de Fernando António Baptista Pereira - à obra de António Quadros). Uma ligação de que me apercebera, mais claramente, em 2002. Quando comecei a encontrar aquilo que a minha orientadora dos estudos na FLUL - Maria João Baptista Neto - queria fosse a base teórica (ou o briefing que então ela inventou!), para ser o fio condutor da pesquisa.   

**Referências feitas por A. Quadros, que - o sobre, e o por que eram? -, claro que não sei...

Mas lembro do nome, por ser um apelido invulgar, razão para mais tarde não ser estranho, por ter ficado na memória.

***Porém, hoje não sei dizer se li para o mestrado (e portanto antes de 2004), ou se foi só depois de 2006 para os estudos do Doutoramento (que nessa data iniciei)? Sei que cheguei depois a uma vastíssima (é mesmo sem fim...ver abaixo) bibliografia sobre este tema (o Filioque). Tema que, do ponto de vista das imagens - a iconografia (ou uma ICONOTEOLOGIA) que passou para a Arquitectura - é abordado por André Grabar e mais tarde por Oleg Grabar. O pai (André) ocupado com as imagens da Iconografia Cristã, e o filho (Oleg) que se tornou especialista na Arte Islâmica. Mais uma vez, e agora aqui, também outros «dois mundos culturais» que estiveram presentes (ou muito próximos) em Toledo, a partir do ano 711: quando a Pens. Ibérica foi invadida pelos Árabes vindos do Norte de África. 

Sobre este assunto, regista-se para os leitores muito curiosos que o melhor que lemos foi em Aldama. E procurando encontram-no: assim ver por exemplo na Internet uma versão (só) com 27 pp. que pode interessar-vos. Tem como título:  “The Insertion of the Filioque Into the Nicene Creed and a Letter of Isidore of Sevil” 

Ir por aqui.


02
Out 18
publicado por primaluce, às 09:00link do post | comentar

Em 1964 - por razões que agora não interessa - mas, lá por casa apareceram mais de uma dezena de livros sobre Cascais, numa idade em que devorávamos de tudo: claro, foram tempos de outros consumos

(e sobretudo de «outras obesidades»...!!!**)

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Terá sido por isto que fui parar ao IADE, convidada por António Quadros?

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*Ou, sem o saber andava já à procura de um "theoretical and historical material..." capaz de justificar as formas da arquitectura?

**Mas não engordavam, pois atafulhar-se de leituras não dá mais volume - não é como batatas fritas -, já que:

"o Saber não ocupa lugar"


30
Set 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Império dos Altares - Açores

Império dos Altares-Açores.jpg

 
Imagem (acima) vinda de 'Em Louvor do Divino Espírito Santo', por Francisco Ernesto Oliveira Martins. INCM Lisboa 1983.
Quando nos apercebemos que muitas obras da Arquitectura Religiosa, mas sobretudo alguns Solares, vários edifícios Públicos, como os Tribunais e locais de Administração da Justiça (Prisões). E as Sedes dos Municípios (edifício da Câmara Municipal), e os fontanários; ou também outras obras edificadas para o serviço público (ainda jazigos familiares e as capelas cemiteriais públicas), todos tinham formas semelhantes às do Palácio de Monserrate...
Então foi toda uma «outra estória» que pudemos perceber!
Ou seja, os «Revivalismos» - dos séculos XVIII e XIX - como ainda agora são explicados pelos Historiadores de Arte, caíram por terra.
Mais, como José Manuel Carneiro explicou, sobre o Palácio da Pena (durante a defesa da sua Tese de Mestrado na FLUL - a que assistimos), para si, nesse antigo Convento que D. Fernando II remodelou para Palácio/Casa de Vilegiatura Real, aí foram incluídas soluções e fórmulas que o levaram a falar de Teosofia.
Mais uma vez o assunto é imenso e complexo, mas, em nossa opinião, não houve apenas o espírito romântico. Nem a ser esta postura/ideologia a única capaz de explicar muitas das soluções arquitectónicas que, são afinal uma adopção, nítida, das «fórmulas mais tradicionais» da arquitectura cristã (em especial as medievais).

E se isto é menos visível em Lisboa - marcada pela reconstrução pombalina (onde mesmo assim se encontram alguns exemplos tipicamente do formulário cristão); já no Porto é muitíssimo mais marcado, e notório, em especial na zona que a UNESCO incluiu na Lista do Património Mundial.

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Neste último caso, a imagem é a capa de um livro de António Quadros, rodada, para que se leia/veja bem a atenção que dedicou aos chamados Impérios do Espírito Santo.

Um culto - ao Espírito Santo - que perdurou em Portugal, em especial na Ilha Terceira, dos Açores. E cuja designação (a da Ilha açoriana), pretendeu desde o inicio ser referência à Terceira Pessoa trinitária.

Talvez muitos lamentem que tenhamos encontrado aquilo que em toda a sua vida A. Quadros procurou, porém, as nossas desculpas: pois nunca andámos atrás de arquétipos, muito menos do oculto ou de «secretismos»...

Foi um grande azar nosso, ter tido uma orientadora ( Maria João Baptista Neto) «tão curiosa» que, não largou, até (2002) a sua questão das "Origens do Gótico".

Apenas desistiu do assunto quando lhe demos a solução para aquilo que era "a sua demanda"!

Enfim, pode-se dizer, demanda que era afinal a mesma de António Quadros, só que, começou a caminhada e o questionamento por um ponto de partida diferente. Ele pelos «arquétipos e mistérios», ela por essa coisa hiper-longínqua que foram as Origens do Gótico*

O mesmo ponto (ou o questionamento) que depois nos impôs, e que, por conhecermos um pouco da obra e das ideias de António Quadros - e através dele de algumas questões da Filosofia Portuguesa colocadas por Pinharanda Gomes, concretamente a questão do Filioque -, logo em 2002 lhe transmitimos uma série de informações.

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*Um Património (cultural/religioso) dos Godos, que foram cristianizados, nas fronteiras do Império Romano, por Ário - como está explicado desde desde 2004 no nosso trabalho (publicado) dedicado a Monserrate.


09
Jun 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...mas também se pensa, como está o mundo - cheio de Trumps, Brunos, Carlões e outros aldrabões, como Marias Joões - pessoas que censuram e impedem os trabalhos dos outros, só porque os ditos, quando acabados e validados lhes retirariam o tapete*.

Screenshot-2018-6-14 Gloria Azevedo Coutinho.png

E assim pensando também se deduz que não foi mau (tanto como desejavam), o caminho, que por isso se passou a fazer, contornando.

Cascais-de-longe.jpg

Legenda1

Cascais-de-longe-transformed.jpg

Legenda2

DAPRAIAdaRAINHA-CASCAIS.jpg

Legenda3

E contornar é também preparar as próximas fases, pois a vida é feita de transformações e novas adaptações que precisam de tempo antecedente (de preparação). Ter ido à FL-UL, arranjar temas e espaço para 10 (ou 20?) anos depois é um privilégio das longas vidas que hoje se podem viver...

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*Fazendo (lhes) cair as fantasias e as irrealidades a que as suas mentes se agarraram: sem oportunidade de as aferirem e corrigirem!


22
Mai 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... como sabemos alguns Historiadores «adoraram», verdadeiramente, esta expressão.

 

É mesmo, e por tudo e por nada lá vinham eles com as "Viagens das Formas".

Não sabiam onde as formas tinham nascido, nem como, nem porquê? E se, nem de onde vinham nem para onde foram, algum dia - ou já agora há que lhes perguntar se se terão interrogado sobre esta questão? É que o certo, é que lá vinham eles, sempre, repetindo essa expressão que veio, pensamos nós, dos autores franceses?

Terá sido de Focillon...?

Não sabemos, mas achamos divertido ver como as coisas vão «funcionando», e continuam. Só que, actualmente, a poder pôr a dita expressão num motor de busca, e é mesmo muito engraçado ver os resultados que aparecem.

Pois lá estão os títulos de alguns livros, já que por aqui, em Portugal, tudo se absorve muito (acriticamente) e assim se repete, e repete, e repete, até à náusea...

Sobretudo se vier de fora! Sem um questionamento, sem uma pergunta, sem nada! Porque a realidade é imutável (pensam eles!)..., e repetem, e repetem, e repetem...

Como se, atavicamente agarrados ao seu próprio inconsciente (muito próprio e muito individual mas que se torna colectivo), eles se dissessem: "...deram-nos assim, é a Ogiva! Porque havemos de contestar, questionar ou perguntar alguma coisa, se assim está tão benzinho?..."

focillon-o GÓTICO.jpg(índice de H. Focillon, A Arte do Ocidente)

 

Mais, completando a ideia, é sabido que aqui, em Portugal, é proibido inovar!

Sobretudo se for numa escola de design...

Sobretudo se for um arquitecto a explicar como se combinaram e compuseram imagens que depois foram ideogramas;

Sobretudo se for uma professora a leccionar há mais de 40 anos nessa mesma escola...!

 

Sabemo-lo bem, já que os nossos esforços para difundir e interessar outros por uma questão que é interessantíssima - e precisa de ser estudada com mais recursos e mais pessoas (investigadores) -, têm tido zero frutos.

E se começou nos estudos de um mestrado, continuou na Faculdade de Belas-Artes, com Fernando António Baptista Pereira a considerar que todos os seus assuntos eram sempre mais importantes do que os temas dos nossos estudos, ou do que o apoio que era suposto ele como orientador dar a uma orientanda... (porém, gabando-se que tinha dezenas de orientandos...)

Dizem-nos: "que é da Inveja..." - talvez? (é o que temos que responder)

Só que agora o Casamento Real trouxe para as redes sociais, de novo, algumas Tiaras. Sendo que há uma que a Rainha de Inglaterra tem usado em várias ocasiões, e que tem a mesma iconografia que se pode ver na Arquitectura e na Tumulária*:

Imagem de génese Iconoteológica, que foi sinal de união ao divino; ou, dito por outras palavras: a tradução em imagens (e numa época) do direito divino do poder real**.

Imagem que se transformou em padrão a partir do fim do século XI e início do século XII, tendo depois dado origem ao arco quebrado como bem explicou Juan Caramuel de Lobkowitz.

Imagem que nos foi essencial para perceber a origem da Mandorla, e como esta surgiu para traduzir o conceito cristão do Filioque.  Conceito que por exemplo a separação, ou o Cisma Luterano, não fez mais do que reforçar, na senda de uma defesa que já Carlos Magno fizera, impondo o Filioque à própria Igreja, ele que foi «mais papista que o papa»***. 

A peça que é conhecida como The Grand Duchess Vladimir Tiara  terá sido comprada pela Queen Mary em 1921. Isabel II herdou-a.Rainha Inglaterra- Andy Wharol-FS-II_334.jpg

Tem exactamente a mesma iconografia que o túmulo de Egas Moniz, a qual seguindo Owen Jones e a sua Grammar of Ornament, essa Iconografia é de origem bizantina. Será?

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(desenho do túmulo de Egas Moniz, in António Feliciano de Castilho, Quadros Históricos de Portugal, Lisboa 1838)

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*Desde a casa de Marques da Silva no Porto, a várias antigas "mansões" da Av. da Liberdade, e recuando até ao Túmulo de Egas Moniz onde vimos a imagem pela primeira vez.

**É uma questão antropológica claríssima...

***Se Carlos Magno se impôs ao Império como Protector da Igreja (principal instituição do Império), ele próprio foi, como repetidamente é lembrado, descendente dos antigos invasores. Mas também por isso, criador de uma nova realidade, em que o eixo de Poder, na Europa, se deslocou para Norte; uma «nova geografia» que a divisão luterana veio mais tarde reforçar e dar-lhe continuidade. Enfim, depois do Concílio de Trento vê-se a Europa dividida, o que teve a maior expressão na Arte. Concretamente na arquitectura e no chamado revivalismo do Estilo Gótico.  O estilo que se fez renascer para marcar, o máximo possível, as diferenças entre os apoiantes (e os não-apoiantes) da Reforma. Com os Protestantes a reclamarem serem os verdadeiros cristãos (dada a sua postura de exigência, como fez Lutero, e por exemplo o Pe  Carreira das Neves evidenciou...). Contra os apoiantes da Contra-Reforma de Roma, a quererem evidenciar que continuavam a usar o Estilo dos primeiros Imperadores cristãos (os que levaram à oficialização do cristianismo): i. e., o estilo que é por isso chamado Paleocristão.


01
Mar 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

De tudo um pouco, nós percorremos...

 

Quem visita o edifício principal da Quinta de Sintra apercebe-se que tem aí de tudo um pouco. Desde a base Georgian (ao Victorian que veio a constituir), foi muito o que se somou à edificação pré-existente. Melhor ou pior, ou seja com mais ou menos articulação*, e integração de diferentes partes (i. e., os elementos visuais constituintes) ficou criado pelos arquitectos Knowles, o que é o verdadeiro sintagma**.

Assim, o que nos aconteceu, frequentemente, de cada vez que nos aproximámos dessa casa (até antes de começar a estudar arquitectura), foi sempre uma sensação de enorme estranheza.

Tal e qual como o blend de um chá, onde aqui e ali se identificam sabores e aromas, mas em que a mistura final é ainda, e quase sempre, uma surpresa: porque dificilmente nos habituámos a ela: à junção muito especifica que ficou feita.

No chá são plantas com diferentes sabores, na arquitectura a junção e colecção de excertos (arquitectónicos) em geral vindos de outras obras, já existentes. 

No entanto, foi sobretudo quando em 1987, a convite do IPPC***, recebemos a incumbência de registar as Patologias, já então de razoável gravidade existentes na construção; foi nessa altura, que nos apercebemos do enorme valor da obra.

Percepção que não deixou de ser acompanhada por uma imensa raiva, relativamente ao estado de abandono a que se tinha deixado chegar o que nos parecia ser valiosíssimo. E as obras (escritas) de J.-A. França, Francisco Costa, José Alfredo Da Costa Azevedo, o Guia de Portugal (Lisboa e Arredores), mais outras tantas, incluindo enciclopédias..., em geral foram-nos dando informações. E talvez à excepção das primeiras (França e Costa?) tudo era incrivelmente lendário. Sendo apresentado sempre sem uma noção relativa da distância temporal (pelo menos é disto que recordamos): como se fossem histórias e acontecimentos dos confins dos tempos, ou das brumas da memória, e não de setecentos, e depois de meados do século XIX. Aquilo que era afinal só um pouco mais antigo do que bisavós e avós que tínhamos conhecido...

Mas, muito curiosamente, o álbum recém-publicado (Monserrate Revisitado) já põe todos estes assuntos «nos antípodas»: como se, ao contrário, de tudo houvesse grande proximidade e as maiores certezas: sem brumas e sem quaisquer dúvidas, posto transparente e assim (obviamente) explicado.

Só que, por sorte ou por azar, connosco não foi isso. E a partir de Maio de 1987, na sequência de uma especialização feita um ou dois anos antes no IST, apercebemo-nos que  (todas) as edificações foram sempre, principalmente, suportes de ideias. Sim: é que por muito que se fale e se pense, que são preponderantes as características de resistência dos materiais e das suas formas, e ainda as características de funcionalidade; que se diga que são estas que «desenham» as edificações, não estamos de acordo!

Mais: a frase de Louis Sullivan - a forma segue a função - é retórica pura! Uma frase «bem gira», engraçada, utilíssima até, mas mais uma das muitas blagues deste mundo (de teorias blablabla, e pouco sérias) em que vamos vivendo...  

Para nós, desde que absorvemos melhor as «regras» do desenho arquitectónico/projectual, o que as justificou, e as justificava (às formas), foram razões. E por isso dizemos - motivos memoriais... Em que a palavra motivo já é a que usou Robert Smith para se referir aos ornamentos: ou seja, à linguagem das edificações.

Claro que todos sabemos que o «programa ideológico» de Monserrate foi riquíssimo, e demasiado vasto. Não cabe aqui. Mas talvez caiba (?) que no final dos anos 80, na nossa raiva contra a incultura dos poderes instituídos (vinda, quiçá dos "quase mais de 50 anos de fascismo"?), e incluindo nesses poderes as universidades, que ainda mantêm as mesmas posturas: caladas, como ratos, a não transmitirem para fora o Conhecimento que algumas vezes produzem...

Nessa sensação, e num sentimento crescente, que passava a ser de pena, e lamento pela imensa perca cultural a que se tinha que assistir (tanta pobreza, tanta falta de visão); então teve-se também a noção que era essencial «demolir» toda uma grande série de preconceitos, incrivelmente estabelecidos, e redutores, que persistiam à volta de Monserrate. 

Percebeu-se que teria que ser a lógica - mais do que o hábito de contar as Lendas do Padre Gaspar Preto e de um Cavaleiro Moçárabe... -, que deveria passar a integrar, e a prevalecer, nas futuras histórias de Monserrate. É que podem (devem até) essas histórias ser plurais, com todos os heróis que se queiram incluir e chamar para os elencos, mas que se compreendam, de vez, pelo menos as duas diferentes fases de Monserrate.

Desde o Chateau de M. De Visme - ou a Casa, que seguiu o paradigma francês tradicional. Isto é a  regra/modelo para as mansões nobres, que deveriam ter telhados altos e torreões, ainda com raiz no modelo de Philibert De l'Orme (que por sua vez nasceu na longínqua Arche de Hugo de Saint-Victor). À segunda fase, com o novo paradigma que Francis Cook quis ter: uma imagem da Europa continental, antiga e classicista. Note-se que em Inglaterra algumas casas foram chamadas Italianates, de uma Europa com berço em Itália, a exaltar os seus «fazedores» como Jacob Burckhardt começou a fazer. E que, simultaneamente, ao não esquecer W. Beckford e G. Byron, consolidou a expressão romântica.

Seria um palacete exótico "ma non tropo". Pois bastava a «loucura» do Pavilion de George IV, em Brighton!

Francis Cook, ao contrário do seu rei preferiu uma obra que apesar de hoje ser vista como pouco convencional (e a de Brighton, essa não tem nada de «conveniente» para a casa de um rei...) tinha pelo menos a lógica da religiosidade protestante, e ainda a da última moda: Ruskin acabara de escrever The Stones of Venice. E se os seus arquitectos, nos vãos exteriores (dos alpendres), prolongaram e «estrangularam» os arcos trilobados, conferindo-lhes um cunho mais orientalizante; diferente do que está no Palácio dos Doges, ou na Ca d'Oro (mais gótico, cristão). No entanto note-se que John Ruskin  desenhou uma tabela com cerca de 40 arcos/vãos diferentes, que tentou organizar por famílias em função da sua base-geométrica (ver vol. 2, p. 248, PL. XIV - THE ORDERS OF VENETIAN ARCHES)          

As duas fases de Monserrate são absolutamente compreensíveis e integráveis no que aconteceu (também) noutros países. E embora artisticamente haja variantes regionais - cuja importância é fundamental sublinhar, e não esquecer que existiram! - algumas obras podem no entanto ser mais únicas, ou mais raras e valiosas; mas também (mais) pioneiras no criar dos chamados sintagmas. Que um dia mais tarde, eventualmente, se podem ter tornado em novos modelos - paradigmas -, que geraram outros, e assim sucessivamente (se vão tornando «epígonos arquitectónicos»).

Para a demolição que referimos, a dos muitos preconceitos instalados (ainda em 2004, quando uma nova fase se iniciou em Monserrate - PSML), e para separar imagens e  temas visuais que na casa de Sintra foram como que «concatenados» pelos arquitectos Knowles (seguidores de J. Ruskin, segundo escreveu Henri-Russel Hitchcock) tivemos que ler imensos livros. E entre esses há 2 que não esquecemos. Porque o primeiro (e foi mesmo o primeiro a alertar-nos de modo sistemático, repleto de bons exemplos) é de 1979, edição da Thames & Hudson, Londres.

Apresenta o Orientalismo - "um gosto nada convencional" como referido pelo autor Patrick Conner no prefácio de:

conner 001.jpg

E o segundo livro é da Taschen. Escrito por Marianne Barrucand, especialista na arquitectura do centro-sul da Península Ibérica (que às vezes raia as fronteiras do interior português). Nele, mas também noutros estudos da mesma autora, é dado algum enfoque à questão da geometria/desenho dos diferentes arcos. Um pouco na linha de Ruskin, com óptimos contributos, mas ainda sem perceberem (ambos) o cerne da questão. Razão - dizemos nós, para ler ainda André Grabar e Oleg Grabar, pois houve uma linha condutora entre o trabalho de André (pai) e o de Oleg (filho de André Grabar, sendo o mais novo um reputado especialista na Arte Islâmica).

Mais, só na actualidade é que se diz, assim superficialmente (e assunto encerrado), que é oriental. Sem o mínimo esforço de compreensão, ou de localização do dito Oriente? Aliás, Christopher Wren terá sabido mais do que se passou em Toledo - já que esta é a questão de Maria João Neto e das Origens do Gótico (que nos colocou em Out./Nov. de 2001):

Em suma: todo o contexto religioso gerador de ICONOGRAFIA para as Artes Decorativas, como estão no edifício de Monserrate - e que sobram depois para os vitrais, ourivesaria, cerâmica, tapeçarias..., etc., etc. A verdadeira obra primeira (que teve depois vários filhotes e descendentes), é a questão que Monserrate, mais uma vez, coloca!

marianne-barrucand-02 001.jpg

 ~~~~~~~~~~~~

*Lembre-se o Essai de Christopher Alexander - o meu livro é em francês - De la Synthèse de la Forme, Dunod, Paris, 1971.

**Na verdade não nos referimos a Beleza. Estamos simplesmente a falar de ideias (que foram traduzidas em formas, e em detalhes arquitectónicos). Por isso, quando se fala do «estilo Knowlesiano» de Monserrate é muito o que nos ocorre. Primeiro (uma gargalhada!) sobretudo a começar por Saussure e pela Linguística, as aulas de Semiologia de Tomás Taveira, na ESBAL 1973-74. E se há obras ou edifícios alguns melhores para explicar Símbolo, Paradigma e Sintagma (estes 3 elementos que nos «moeram a cabeça», e deixaram sementes para o futuro) de certeza que uma dessas obras é o palacete de Monserrate! Diria até que é uma das óptimas provas da aplicabilidade/transposição de análises linguísticas e semiológicas à linguagem visual da arquitectura.

***Assim se chamava, foi depois IPPAR, IGESPAR, e agora (talvez?) DGPC


19
Fev 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Este nosso blog foi criado para os assuntos sobrantes de um mestrado que a FLUL decidiu esconder...*

 

No entanto, e muito antes que a FLUL (para nós) existisse, e depois disso, houve e há muito mais vida, e muitos mais assuntos, nos quais sempre estivemos implicados. E este é um deles.

Aliás, a nossa entrada para o IADE relacionou-se com a necessidade de divulgação dos temas da poluição e da preocupação com a sustentabilidade, junto, e para, os estudantes de design.

Para que incorporassem esses temas nos seus projectos, quando a referida preocupação se via mais ao longe, e pareciam evitáveis muitos dos problemas que, de agora em diante, já não se sabe como se vão conseguir estancar?

Mas, até que nos fartámos nós de tanta parvoíce, desligámos. Sim, desligámos, de uma sociedade surda e apostada em ser disparatada. Nada prudente; com todos a portarem-se como verdadeiros adolescentes...

Só que, e começo (felizmente) a colocar esta questão assim - a da certeza de que quando partirmos deste mundo, vamos daqui com a consciência (a moral e a científica, ou melhor, vice-versa) mais do que descansada! Por tudo o que ensinámos e o muito que avisámos...*

E hoje é outro aviso, porém, como os anteriores, também nada simpático... Ou talvez bem pior?

Se na África do Sul, dadas as alterações infligidas ao planeta - que reagiu modificando-se em aspectos que lhe conhecíamos como estáveis e adquiridos (o clima); se nesse país a falta de chuva obriga a 25l água/pax/dia, imagine-se que no futuro (próximo) um dia nós teremos o mesmo!?

Visto que se tratam de regiões geográficas equivalentes, no hemisfério Norte e no hemisfério Sul, com condições climáticas análogas.

É preocupação porque os governos não podem fazer tudo, e principalmente porque nem reagem a tempo. Dava/daria muito jeito que os vários aspectos que aqui estão implicados (Higiene e Saúde Pública) começassem a ser vistos por quem tenha capacidade para o fazer, nas áreas da Engenharia da Saúde e do Ambiente.

~~~~~~~~~~~~

*E Thanks God ou Deo Gratias pelo que aprendi na FLUL. Mas não pelas "membranas" de que, na sua imensa ânsia de plagiar, Maria João Baptista Neto anda agora a escrever. Mas claro, é com ela (pois membrana é hoje coisa de Osmose, e de ETAR, suja, como se sabe...). Ver em Glória Azevedo Coutinho, Monserrate uma Nova História. Livros Horizonte, Lisboa, Fev. 2008.


22
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

O que pode parecer hesitação no pronome - ser minha ou nossa? - não é senão propositado, uma preocupação com a concordância.

 

No singular porque há um sujeito que é só ele, no plural porque como explicou Umberto Eco é assim que se escreve uma tese. E claro que a postura que tive ao escrever a tese se mantém, em geral: esteja aqui ou na universidade, porque é o mesmo objectivo.

Mas então, afinal o que é a Pedra de Roseta? A Wiki diz.

Acontece que em 2001 quando Maria João Neto dizia ser essencial perceber "As Origens do Gótico para perceber Monserrate", alguém pôs-nos à frente dos olhos esta imagem:

tumuloEgasMoniz-A minha pedra da Roseta.jpg

E foi assim, que um desenho a retratar os Monumentos Sepulcrais de Egas Moniz e seus Filhos - integrante de uma publicação de Júlio de Castilho -, se veio a tornar (completado por muitas mais infos, e a imagem abaixo na qual já estávamos a pensar) na minha/nossa Pedra de Roseta.

Isto é, foi um auxiliar precioso para «a tradução» daquilo que para muitos constitui um símbolo ou um código (secreto*).

Mandorla segundo James S. Curl

Interessantíssimo ainda, é que entretanto tenhamos podido saber que James S. Curl (que foi para nós um autor e fonte de informações extraordinário) escreveu este título, em 1991: The Art and Architecture of Freemasonry. An Introductory Study, como aqui se informa.

Por fim, uma ideia (muito gira!) de A. Quadros:

Queria que houvesse um Champollion para o que considerava ter sido uma escrita ibérica.

Escrita que é impossível não associar às informações de um dos nossos posts anteriores.

Acontece que há muitos mais posts, mas sempre nesta linha: por se ter a consciência que «rabiscos e gatafunhos», como hoje lhes podemos chamar**. Foram como mapeamentos a tentar explicar e exprimir (por esquemas) o Deus Cristão. Porque a noção de Unidade e Trindade - ao mesmo tempo - não é fácil de traduzir por palavras.

~~~~~~~~~~

*Secreto e emocionante, na acepção que Umberto Eco reconheceu (com ironia) estar nas palavras símbolo, código e outras semelhantes. Para ele, quem ouve estas palavras, de imediato lhe acorrem, mentalmente, as mais variadas teorias (da conspiração)...

**Ou, em alternativa, por esses esquemas se assemelharem a diagramas projectuais (arquitectónicos), alguns poderão dizer "dataflow diagrams". E o que é interessantíssimo na História da Arquitectura, por exemplo depois de Leonardo da Vinci, é poder perceber-se a evolução dos mais simples Diagramas Medievais, que eram para serem vistos sem distorções, ou em Alçado, a tornarem-se em formas  muito mais complexas (e muitos mais ricas em todos os sentidos, inclusive numa tridimensionalidade que passa a ser perspéctica), imprimindo ao Maneirismo, e sobretudo depois ao Barroco,  aquilo que vem a constituir, e é ainda agora assim considerada a sua principal característica!


16
Fev 17
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

… que depois geraram as formas arquitectónicas 3D

 

É difícil não ver na imagem abaixo uma das óptimas provas da tridimensionalidade que foi dada - e como foi dada (neste caso tão invulgar talvez exageradamente?) - às formas gráficas da chamada iconografia cristã.

Wells_Cathedral.jpg

(Legenda)

Ou ainda, na tentativa de que melhor se compreenda o que defendemos (e abre portas a toda uma nova visão da arquitectura antiga), por isso podemos designar a referida iconografia, e seus vocábulos formais, como caligrafias*. Pois podemos dizer que foi de uma caligrafia, não de caracteres alfabéticos mas de esquemas de ideias**, que essas formas nasceram.

Assim, vejam aqui, (concretamente este post e o seu anterior), como em geral a arquitectura faz muito mais sentido - neste caso a Arquitectura Barroca -, se devidamente explicada por um arquitecto.

Isto é, mostrando como construtivamente, e por detrás das «estruturas aparentes» foram colocados outros elementos, para fazerem o suporte estrutural. Esses sim necessários à concretização das imagens destinadas à 'contemplatio'. Imagens que se pretendia fossem dadas a ver, ou a contemplar (e portanto a fazer emocionar, pelo seu sentido cristão) aos fiéis de uma dada religião: no caso do Barroco, o Cristianismo de Roma, que vinha a ser atacado por Lutero e pelos adeptos da Reforma***.

~~~~~~~~~~~~~~~~

 *A palavra que é geralmente usada para explicar a Arte Islâmica

**Ideogramas, Organigramas, também 'Doodles'...

***Razão por que se vê, nos países que seguiram a Reforma, o re-enfatizar das imagens do Gótico (e da ideia do Filioque, a que Carlos Magno tinha dado a maior força). Aliás, os revivalismos do Gótico, é uma questão de olhar para geografia, coincidem com as regiões onde se instalaram os povos germânicos chegados à Europa desde a queda do Império Romano aprox. até ao fim do Iº milénio da Era cristã    

Andamos nisto há anos..., e é para continuar!


04
Fev 17
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

..., a expressão de hipóteses alternativas? Ou ambas?

 

Ficamos assim para já, i. e., na pergunta, e mais uma vez, visto que a redacção dos nossos blogs nos traz as mesmas dificuldades que tivemos para escrever a tese do doutoramento.

Seja como for, é mais um tema prometido para apresentar e explicar. Nasce na página 10 do Expresso de hoje (caderno principal).

Vejam as argolinhas que a nós fazem lembrar o que (logo de início) chamámos Organigrama (génese da mandorla). Vejam - já aqui - como estes esquemas foram compreendidos, tão facilmente.

Claro que muito menos fácil é perceber como esquemas se tornaram nos desenhos essenciais* de plantas, cortes e alçados arquitectónicos. Só que é uma questão de treino da mente. Imaginar é isso, o que, temos de compreender, não está ao alcance de mentes absolutamente rigorosas e fixistas:

Ou sem flexibilidade, sem plasticidade. Em duas palavras: Sem inteligência abstracta!

Isto é, incapazes de irem fabricando, no seu interior, as imagens mentais correspondentes a cada uma das novas proposições que se lhes apresentem (**)

ConversasComDoodles

Para já**, o que se prova, é que a uma Escola de Design (à que se diz ser a melhor de todas - "d'aquém e d'além mar") - nunca vão interessar esquemas ou desenhos que exprimam ideias. Muito menos esquemas que registaram, ou corresponderam a diferentes visões teológicas: o que já chamámos de Organigramas Trinitários

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Mas a esta dificuldade, imagine quem conseguir (se puder!); a ela já respondeu no séc.V-VI o Pseudo-Dionísio, o Areopagita, quando disse que é uma questão de perspicácia

**Para já, há que reflectir sobre esta página de um jornal: Como é possível que as relações entre três forças políticas que apoiam um governo (tripé como muitos lhe chamam) se possam exprimir, visualmente, de forma semelhante à expressão de Deus e do Divino? Que operações «opera» a mente humana, não só no momento de pensar, como depois, já no momento de divulgar aquilo que pensou?

Para terminar estas são (para nós) questões metodológicas essenciais para o Ensino das Línguas e das Artes Visuais: quiçá o cerne da Semiologia? Quando para o projectista a Semiologia funciona integrada, no acto de síntese (que é impulso quase inexplicável) de projectar.


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