Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
01
Mar 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

De tudo um pouco, nós percorremos...

 

Quem visita o edifício principal da Quinta de Sintra apercebe-se que tem aí de tudo um pouco. Desde a base Georgian (ao Victorian que veio a constituir), foi muito o que se somou à edificação pré-existente. Melhor ou pior, ou seja com mais ou menos articulação*, e integração de diferentes partes (i. e., os elementos visuais constituintes) ficou criado pelos arquitectos Knowles, o que é o verdadeiro sintagma**.

Assim, o que nos aconteceu, frequentemente, de cada vez que nos aproximámos dessa casa (até antes de começar a estudar arquitectura), foi sempre uma sensação de enorme estranheza.

Tal e qual como o blend de um chá, onde aqui e ali se identificam sabores e aromas, mas em que a mistura final é ainda, e quase sempre, uma surpresa: porque dificilmente nos habituámos a ela: à junção muito especifica que ficou feita.

No chá são plantas com diferentes sabores, na arquitectura a junção e colecção de excertos (arquitectónicos) em geral vindos de outras obras, já existentes. 

No entanto, foi sobretudo quando em 1987, a convite do IPPC***, recebemos a incumbência de registar as Patologias, já então de razoável gravidade existentes na construção; foi nessa altura, que nos apercebemos do enorme valor da obra.

Percepção que não deixou de ser acompanhada por uma imensa raiva, relativamente ao estado de abandono a que se tinha deixado chegar o que nos parecia ser valiosíssimo. E as obras (escritas) de J.-A. França, Francisco Costa, José Alfredo Da Costa Azevedo, o Guia de Portugal (Lisboa e Arredores), mais outras tantas, incluindo enciclopédias..., em geral foram-nos dando informações. E talvez à excepção das primeiras (França e Costa?) tudo era incrivelmente lendário. Sendo apresentado sempre sem uma noção relativa da distância temporal (pelo menos é disto que recordamos): como se fossem histórias e acontecimentos dos confins dos tempos, ou das brumas da memória, e não de setecentos, e depois de meados do século XIX. Aquilo que era afinal só um pouco mais antigo do que bisavós e avós que tínhamos conhecido...

Mas, muito curiosamente, o álbum recém-publicado (Monserrate Revisitado) já põe todos estes assuntos «nos antípodas»: como se, ao contrário, de tudo houvesse grande proximidade e as maiores certezas: sem brumas e sem quaisquer dúvidas, posto transparente e assim (obviamente) explicado.

Só que, por sorte ou por azar, connosco não foi isso. E a partir de Maio de 1987, na sequência de uma especialização feita um ou dois anos antes no IST, apercebemo-nos que  (todas) as edificações foram sempre, principalmente, suportes de ideias. Sim: é que por muito que se fale e se pense, que são preponderantes as características de resistência dos materiais e das suas formas, e ainda as características de funcionalidade; que se diga que são estas que «desenham» as edificações, não estamos de acordo!

Mais: a frase de Louis Sullivan - a forma segue a função - é retórica pura! Uma frase «bem gira», engraçada, utilíssima até, mas mais uma das muitas blagues deste mundo (de teorias blablabla, e pouco sérias) em que vamos vivendo...  

Para nós, desde que absorvemos melhor as «regras» do desenho arquitectónico/projectual, o que as justificou, e as justificava (às formas), foram razões. E por isso dizemos - motivos memoriais... Em que a palavra motivo já é a que usou Robert Smith para se referir aos ornamentos: ou seja, à linguagem das edificações.

Claro que todos sabemos que o «programa ideológico» de Monserrate foi riquíssimo, e demasiado vasto. Não cabe aqui. Mas talvez caiba (?) que no final dos anos 80, na nossa raiva contra a incultura dos poderes instituídos (vinda, quiçá dos "quase mais de 50 anos de fascismo"?), e incluindo nesses poderes as universidades, que ainda mantêm as mesmas posturas: caladas, como ratos, a não transmitirem para fora o Conhecimento que algumas vezes produzem...

Nessa sensação, e num sentimento crescente, que passava a ser de pena, e lamento pela imensa perca cultural a que se tinha que assistir (tanta pobreza, tanta falta de visão); então teve-se também a noção que era essencial «demolir» toda uma grande série de preconceitos, incrivelmente estabelecidos, e redutores, que persistiam à volta de Monserrate. 

Percebeu-se que teria que ser a lógica - mais do que o hábito de contar as Lendas do Padre Gaspar Preto e de um Cavaleiro Moçárabe... -, que deveria passar a integrar, e a prevalecer, nas futuras histórias de Monserrate. É que podem (devem até) essas histórias ser plurais, com todos os heróis que se queiram incluir e chamar para os elencos, mas que se compreendam, de vez, pelo menos as duas diferentes fases de Monserrate.

Desde o Chateau de M. De Visme - ou a Casa, que seguiu o paradigma francês tradicional. Isto é a  regra/modelo para as mansões nobres, que deveriam ter telhados altos e torreões, ainda com raiz no modelo de Philibert De l'Orme (que por sua vez nasceu na longínqua Arche de Hugo de Saint-Victor). À segunda fase, com o novo paradigma que Francis Cook quis ter: uma imagem da Europa continental, antiga e classicista. Note-se que em Inglaterra algumas casas foram chamadas Italianates, de uma Europa com berço em Itália, a exaltar os seus «fazedores» como Jacob Burckhardt começou a fazer. E que, simultaneamente, ao não esquecer W. Beckford e G. Byron, consolidou a expressão romântica.

Seria um palacete exótico "ma non tropo". Pois bastava a «loucura» do Pavilion de George IV, em Brighton!

Francis Cook, ao contrário do seu rei preferiu uma obra que apesar de hoje ser vista como pouco convencional (e a de Brighton, essa não tem nada de «conveniente» para a casa de um rei...) tinha pelo menos a lógica da religiosidade protestante, e ainda a da última moda: Ruskin acabara de escrever The Stones of Venice. E se os seus arquitectos, nos vãos exteriores (dos alpendres), prolongaram e «estrangularam» os arcos trilobados, conferindo-lhes um cunho mais orientalizante; diferente do que está no Palácio dos Doges, ou na Ca d'Oro (mais gótico, cristão). No entanto note-se que John Ruskin  desenhou uma tabela com cerca de 40 arcos/vãos diferentes, que tentou organizar por famílias em função da sua base-geométrica (ver vol. 2, p. 248, PL. XIV - THE ORDERS OF VENETIAN ARCHES)          

As duas fases de Monserrate são absolutamente compreensíveis e integráveis no que aconteceu (também) noutros países. E embora artisticamente haja variantes regionais - cuja importância é fundamental sublinhar, e não esquecer que existiram! - algumas obras podem no entanto ser mais únicas, ou mais raras e valiosas; mas também (mais) pioneiras no criar dos chamados sintagmas. Que um dia mais tarde, eventualmente, se podem ter tornado em novos modelos - paradigmas -, que geraram outros, e assim sucessivamente (se vão tornando «epígonos arquitectónicos»).

Para a demolição que referimos, a dos muitos preconceitos instalados (ainda em 2004, quando uma nova fase se iniciou em Monserrate - PSML), e para separar imagens e  temas visuais que na casa de Sintra foram como que «concatenados» pelos arquitectos Knowles (seguidores de J. Ruskin, segundo escreveu Henri-Russel Hitchcock) tivemos que ler imensos livros. E entre esses há 2 que não esquecemos. Porque o primeiro (e foi mesmo o primeiro a alertar-nos de modo sistemático, repleto de bons exemplos) é de 1979, edição da Thames & Hudson, Londres.

Apresenta o Orientalismo - "um gosto nada convencional" como referido pelo autor Patrick Conner no prefácio de:

conner 001.jpg

E o segundo livro é da Taschen. Escrito por Marianne Barrucand, especialista na arquitectura do centro-sul da Península Ibérica (que às vezes raia as fronteiras do interior português). Nele, mas também noutros estudos da mesma autora, é dado algum enfoque à questão da geometria/desenho dos diferentes arcos. Um pouco na linha de Ruskin, com óptimos contributos, mas ainda sem perceberem (ambos) o cerne da questão. Razão - dizemos nós, para ler ainda André Grabar e Oleg Grabar, pois houve uma linha condutora entre o trabalho de André (pai) e o de Oleg (filho de André Grabar, sendo o mais novo um reputado especialista na Arte Islâmica).

Mais, só na actualidade é que se diz, assim superficialmente (e assunto encerrado), que é oriental. Sem o mínimo esforço de compreensão, ou de localização do dito Oriente? Aliás, Christopher Wren terá sabido mais do que se passou em Toledo - já que esta é a questão de Maria João Neto e das Origens do Gótico (que nos colocou em Out./Nov. de 2001):

Em suma: todo o contexto religioso gerador de ICONOGRAFIA para as Artes Decorativas, como estão no edifício de Monserrate - e que sobram depois para os vitrais, ourivesaria, cerâmica, tapeçarias..., etc., etc. A verdadeira obra primeira (que teve depois vários filhotes e descendentes), é a questão que Monserrate, mais uma vez, coloca!

marianne-barrucand-02 001.jpg

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*Lembre-se o Essai de Christopher Alexander - o meu livro é em francês - De la Synthèse de la Forme, Dunod, Paris, 1971.

**Na verdade não nos referimos a Beleza. Estamos simplesmente a falar de ideias (que foram traduzidas em formas, e em detalhes arquitectónicos). Por isso, quando se fala do «estilo Knowlesiano» de Monserrate é muito o que nos ocorre. Primeiro (uma gargalhada!) sobretudo a começar por Saussure e pela Linguística, as aulas de Semiologia de Tomás Taveira, na ESBAL 1973-74. E se há obras ou edifícios alguns melhores para explicar Símbolo, Paradigma e Sintagma (estes 3 elementos que nos «moeram a cabeça», e deixaram sementes para o futuro) de certeza que uma dessas obras é o palacete de Monserrate! Diria até que é uma das óptimas provas da aplicabilidade/transposição de análises linguísticas e semiológicas à linguagem visual da arquitectura.

***Assim se chamava, foi depois IPPAR, IGESPAR, e agora (talvez?) DGPC


19
Fev 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Este nosso blog foi criado para os assuntos sobrantes de um mestrado que a FLUL decidiu esconder...*

 

No entanto, e muito antes que a FLUL (para nós) existisse, e depois disso, houve e há muito mais vida, e muitos mais assuntos, nos quais sempre estivemos implicados. E este é um deles.

Aliás, a nossa entrada para o IADE relacionou-se com a necessidade de divulgação dos temas da poluição e da preocupação com a sustentabilidade, junto, e para, os estudantes de design.

Para que incorporassem esses temas nos seus projectos, quando a referida preocupação se via mais ao longe, e pareciam evitáveis muitos dos problemas que, de agora em diante, já não se sabe como se vão conseguir estancar?

Mas, até que nos fartámos nós de tanta parvoíce, desligámos. Sim, desligámos, de uma sociedade surda e apostada em ser disparatada. Nada prudente; com todos a portarem-se como verdadeiros adolescentes...

Só que, e começo (felizmente) a colocar esta questão assim - a da certeza de que quando partirmos deste mundo, vamos daqui com a consciência (a moral e a científica, ou melhor, vice-versa) mais do que descansada! Por tudo o que ensinámos e o muito que avisámos...*

E hoje é outro aviso, porém, como os anteriores, também nada simpático... Ou talvez bem pior?

Se na África do Sul, dadas as alterações infligidas ao planeta - que reagiu modificando-se em aspectos que lhe conhecíamos como estáveis e adquiridos (o clima); se nesse país a falta de chuva obriga a 25l água/pax/dia, imagine-se que no futuro (próximo) um dia nós teremos o mesmo!?

Visto que se tratam de regiões geográficas equivalentes, no hemisfério Norte e no hemisfério Sul, com condições climáticas análogas.

É preocupação porque os governos não podem fazer tudo, e principalmente porque nem reagem a tempo. Dava/daria muito jeito que os vários aspectos que aqui estão implicados (Higiene e Saúde Pública) começassem a ser vistos por quem tenha capacidade para o fazer, nas áreas da Engenharia da Saúde e do Ambiente.

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*E Thanks God ou Deo Gratias pelo que aprendi na FLUL. Mas não pelas "membranas" de que, na sua imensa ânsia de plagiar, Maria João Baptista Neto anda agora a escrever. Mas claro, é com ela (pois membrana é hoje coisa de Osmose, e de ETAR, suja, como se sabe...). Ver em Glória Azevedo Coutinho, Monserrate uma Nova História. Livros Horizonte, Lisboa, Fev. 2008.


22
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

O que pode parecer hesitação no pronome - ser minha ou nossa? - não é senão propositado, uma preocupação com a concordância.

 

No singular porque há um sujeito que é só ele, no plural porque como explicou Umberto Eco é assim que se escreve uma tese. E claro que a postura que tive ao escrever a tese se mantém, em geral: esteja aqui ou na universidade, porque é o mesmo objectivo.

Mas então, afinal o que é a Pedra de Roseta? A Wiki diz.

Acontece que em 2001 quando Maria João Neto dizia ser essencial perceber "As Origens do Gótico para perceber Monserrate", alguém pôs-nos à frente dos olhos esta imagem:

tumuloEgasMoniz-A minha pedra da Roseta.jpg

E foi assim, que um desenho a retratar os Monumentos Sepulcrais de Egas Moniz e seus Filhos - integrante de uma publicação de Júlio de Castilho -, se veio a tornar (completado por muitas mais infos, e a imagem abaixo na qual já estávamos a pensar) na minha/nossa Pedra de Roseta.

Isto é, foi um auxiliar precioso para «a tradução» daquilo que para muitos constitui um símbolo ou um código (secreto*).

Mandorla segundo James S. Curl

Interessantíssimo ainda, é que entretanto tenhamos podido saber que James S. Curl (que foi para nós um autor e fonte de informações extraordinário) escreveu este título, em 1991: The Art and Architecture of Freemasonry. An Introductory Study, como aqui se informa.

Por fim, uma ideia (muito gira!) de A. Quadros:

Queria que houvesse um Champollion para o que considerava ter sido uma escrita ibérica.

Escrita que é impossível não associar às informações de um dos nossos posts anteriores.

Acontece que há muitos mais posts, mas sempre nesta linha: por se ter a consciência que «rabiscos e gatafunhos», como hoje lhes podemos chamar**. Foram como mapeamentos a tentar explicar e exprimir (por esquemas) o Deus Cristão. Porque a noção de Unidade e Trindade - ao mesmo tempo - não é fácil de traduzir por palavras.

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*Secreto e emocionante, na acepção que Umberto Eco reconheceu (com ironia) estar nas palavras símbolo, código e outras semelhantes. Para ele, quem ouve estas palavras, de imediato lhe acorrem, mentalmente, as mais variadas teorias (da conspiração)...

**Ou, em alternativa, por esses esquemas se assemelharem a diagramas projectuais (arquitectónicos), alguns poderão dizer "dataflow diagrams". E o que é interessantíssimo na História da Arquitectura, por exemplo depois de Leonardo da Vinci, é poder perceber-se a evolução dos mais simples Diagramas Medievais, que eram para serem vistos sem distorções, ou em Alçado, a tornarem-se em formas  muito mais complexas (e muitos mais ricas em todos os sentidos, inclusive numa tridimensionalidade que passa a ser perspéctica), imprimindo ao Maneirismo, e sobretudo depois ao Barroco,  aquilo que vem a constituir, e é ainda agora assim considerada a sua principal característica!


16
Fev 17
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

… que depois geraram as formas arquitectónicas 3D

 

É difícil não ver na imagem abaixo uma das óptimas provas da tridimensionalidade que foi dada - e como foi dada (neste caso tão invulgar talvez exageradamente?) - às formas gráficas da chamada iconografia cristã.

Wells_Cathedral.jpg

(Legenda)

Ou ainda, na tentativa de que melhor se compreenda o que defendemos (e abre portas a toda uma nova visão da arquitectura antiga), por isso podemos designar a referida iconografia, e seus vocábulos formais, como caligrafias*. Pois podemos dizer que foi de uma caligrafia, não de caracteres alfabéticos mas de esquemas de ideias**, que essas formas nasceram.

Assim, vejam aqui, (concretamente este post e o seu anterior), como em geral a arquitectura faz muito mais sentido - neste caso a Arquitectura Barroca -, se devidamente explicada por um arquitecto.

Isto é, mostrando como construtivamente, e por detrás das «estruturas aparentes» foram colocados outros elementos, para fazerem o suporte estrutural. Esses sim necessários à concretização das imagens destinadas à 'contemplatio'. Imagens que se pretendia fossem dadas a ver, ou a contemplar (e portanto a fazer emocionar, pelo seu sentido cristão) aos fiéis de uma dada religião: no caso do Barroco, o Cristianismo de Roma, que vinha a ser atacado por Lutero e pelos adeptos da Reforma***.

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 *A palavra que é geralmente usada para explicar a Arte Islâmica

**Ideogramas, Organigramas, também 'Doodles'...

***Razão por que se vê, nos países que seguiram a Reforma, o re-enfatizar das imagens do Gótico (e da ideia do Filioque, a que Carlos Magno tinha dado a maior força). Aliás, os revivalismos do Gótico, é uma questão de olhar para geografia, coincidem com as regiões onde se instalaram os povos germânicos chegados à Europa desde a queda do Império Romano aprox. até ao fim do Iº milénio da Era cristã    

Andamos nisto há anos..., e é para continuar!


04
Fev 17
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

..., a expressão de hipóteses alternativas? Ou ambas?

 

Ficamos assim para já, i. e., na pergunta, e mais uma vez, visto que a redacção dos nossos blogs nos traz as mesmas dificuldades que tivemos para escrever a tese do doutoramento.

Seja como for, é mais um tema prometido para apresentar e explicar. Nasce na página 10 do Expresso de hoje (caderno principal).

Vejam as argolinhas que a nós fazem lembrar o que (logo de início) chamámos Organigrama (génese da mandorla). Vejam - já aqui - como estes esquemas foram compreendidos, tão facilmente.

Claro que muito menos fácil é perceber como esquemas se tornaram nos desenhos essenciais* de plantas, cortes e alçados arquitectónicos. Só que é uma questão de treino da mente. Imaginar é isso, o que, temos de compreender, não está ao alcance de mentes absolutamente rigorosas e fixistas:

Ou sem flexibilidade, sem plasticidade. Em duas palavras: Sem inteligência abstracta!

Isto é, incapazes de irem fabricando, no seu interior, as imagens mentais correspondentes a cada uma das novas proposições que se lhes apresentem (**)

ConversasComDoodles

Para já**, o que se prova, é que a uma Escola de Design (à que se diz ser a melhor de todas - "d'aquém e d'além mar") - nunca vão interessar esquemas ou desenhos que exprimam ideias. Muito menos esquemas que registaram, ou corresponderam a diferentes visões teológicas: o que já chamámos de Organigramas Trinitários

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*Mas a esta dificuldade, imagine quem conseguir (se puder!); a ela já respondeu no séc.V-VI o Pseudo-Dionísio, o Areopagita, quando disse que é uma questão de perspicácia

**Para já, há que reflectir sobre esta página de um jornal: Como é possível que as relações entre três forças políticas que apoiam um governo (tripé como muitos lhe chamam) se possam exprimir, visualmente, de forma semelhante à expressão de Deus e do Divino? Que operações «opera» a mente humana, não só no momento de pensar, como depois, já no momento de divulgar aquilo que pensou?

Para terminar estas são (para nós) questões metodológicas essenciais para o Ensino das Línguas e das Artes Visuais: quiçá o cerne da Semiologia? Quando para o projectista a Semiologia funciona integrada, no acto de síntese (que é impulso quase inexplicável) de projectar.


03
Fev 17
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Estamos a afixar (acima) um excerto do Expresso Curto de hoje:

 

Leiam o que Nicolau Santos foi buscar, e se lembrou de Almada Negreiros. Como, até sem ser no Ensino a História - ou as pequenas estorinhas - é ainda absolutamente útil.

E sobre o "Almada Omnívoro" nunca esqueceremos, também na Gulbenkian, o Painel Começar: Sobretudo da enorme busca que essa obra sintetiza, e como se relaciona com tudo aquilo que descobrimos...

Porque isto de deixar (ou até promover!) que alguns idosos se inscrevam nas universidades, pode dar enormes confusões ou até mesmo «grandes sururus»*.

Pois todos julgam que os jovens estão cheios de capacidades e que são como esponjas, capazes de aprender e de criar/inventar; só que, se os mais velhos que agora estão a ingressar no ensino superior, se lhes acontecer terem uma óptima formação do ensino secundário, como a nós nos aconteceu; formação a que acresça depois toda uma vasta experiência profissional, então que se cuidem os novos! Então que se cuidem também os «doutores-doutorados» (da mula-russa) que já estão nas universidades.

Porque, intelectual e cientificamente, a geração dos mais velhos está bem mais preparada para o Ensino Superior, do que a dos mais novos! Porque, imagine-se, se um arquitecto com mais de 50 anos for à Faculdade de Letras e lhe falarem nas Origens do Gótico; se lhe derem a ouvir o que nos aconteceu ouvir, dúvidas e asserções - aparentemente já mais do que encerradas (quando na verdade só estão repletas de duvidas e de lógicas que são impostas «muito assertivamente», mas que de definitivo não podem nem devem ter nada...); se esse arquitecto experiente, ou até engenheiro (!) ouvir o que ouvimos sobre as estruturas românicas, góticas e outras, oh my GOD!

Só se for muito tímido é que se cala! Só se for muito amorfo é que aceita tanto disparate junto, e fica sem contestar as afirmações que há-de ouvir dos seus profs.!

Enfim, se encontrar uma «Dótora» como encontrei, a clamar por arquitectos e engenheiros, "...que venham cá ensinar-nos o que não percebemos da estruturas dos edifícios..."; julgando que a chave dos estilos é estrutural**! Enfim, pode ser que então lhes ocorra (aos grandes doutores...), quando um dia estiverem perante uma boa dose de interdisciplinaridade, toda junta, que a História da Arte só avança se...; os Homens (colectivamente) só se auto-conhecerão, se..., finalmente conseguirem regredir a tempos antigos... Mas, imprescindível (!!!), levando, ou não largando e não dispensando, em simultâneo, nem uma só migalha, da Ciência, no estágio avançado em que hoje está, e alguns têm a sorte de possuir/reunir...

Enfim, que venha ai o envelhecimento activo:  para que se acabe com a fractura geracional que alguns tudo têm feito, militantemente, para a criar e ampliar. Que Almada Negreiros seja o modelo de muitos, que não querem perder pitada do muito (bom) que a vida tem.

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*Que haja doutoramentos a valer a pena: 100%! E que a FCT invista, com várias BDs para todos os Programas que se revelem altamente inovadores: Que haja BOLSEIROS com mais de 55 anos, e sobretudo a conseguirem acabar os seus doutoramentos! E não engolidos pelos superiores hierárquicos, traiçoeiros, que mediocremente lhes saíram na rifa, e se atravessaram no caminho, como nos tem sucedido...

**Que tenhamos tempo para acabar esse outro post, mostrando como S. Paulo concebia a necessidade da super-estrutura ser falante. Ou, mais concretamente, as formas arquitectónicas que se apoiavam nas infra-estruturas e nas estruturas...

 


15
Dez 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ela plagiou*!

 

"Você vê coisas que ninguém vê.

Porque é que você vê coisas que ninguém vê?

Mas porque é que ninguém viu antes...?"

Mais a raiva com que isto era dito, pela criaturinha honesta

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*E plagia, e deve ir rentável o negócio...?


13
Dez 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

O que não é bem o nosso caso, mas, lamentavelmente, o da geração abaixo da nossa...

 

Assim, passamos a descrever, em linhas gerais, o que se passa. A divulgação que não é feita desses fantásticos "Case Studies", que cada um pode escolher, ainda no pressuposto de que enriquecem quem os estuda e os que à volta também beneficiariam desses estudos.

Em suma, verificamos que na melhor das hipóteses alguns estudos de pós-graduação, mestrados e doutoramentos vão para repositórios on line onde estão acessíveis (ou se consultam com mais ou menos facilidade), caso os sistemas da Internet e as referências das listas de trabalhos produzidos, sejam «comunicantes entre si»...

Mas, a hipótese mais geral, parece (?) ser aquela que se observa:

Os trabalhos são feitos não por amor ao saber e ao conhecimento, mas "tant bien que mal", i. e., a despachar!

Porque há um grau a adquirir para arranjar emprego com mais facilidade; porque há o Estado e os Particulares do Ensino Superior, todos a quererem receber os valores chorudos das propinas desses cursos; independentemente do que se passe nos mesmos, do que se ensine ou aprenda. Independentemente de todos os resultados obtidos, do saldo ser positivo/qualitativo para toda a sociedade.

E por fim, no terminus dessas linhas - que seriam inconcebíveis se alguém as tivesse querido desenhar assim, desde o início (tal a perversão deste tipo de concepção, mas é a situação que está criada); no fim do processo não existem os próprios autores a quererem resgatar/valorizar os trabalhos que produziram. Porque sabem (ao menos terão aprendido isso?) que o que fizeram presta para nada, ou muito pouco...

Vêm então as Curvas de Gauss e o que, estatisticamente, terão sido os resultados. Talvez apenas uma minoria residual tenha desenvolvido trabalhos de qualidade; talvez apenas alguns, muito poucos, lhes tenha valido a pena agarrar num tema ou num caso, para o estudar? Supondo esses, honestamente, que o mesmo daria resultados extrapoláveis para outras situações.*

Supondo que os júris, e os professores orientadores; também os Conselhos Científicos das Escolas, e/ou os Responsáveis pelos Centros de Estudos e de Pesquisas, «cientes» do conhecimento que eventualmente tivesse sido produzido, e da inovação feita/criada pela geração mais bem preparada; que todos esses cuidassem em integrar - ou fazer entrar - no Sistema de Cultura e de Conhecimento, os contributos científicos, e os culturais, que estas novas formas de aprender, supostamente, haveriam de trazer consigo!  

Por nós tivemos a sorte de ter tido tempos, e vivências riquíssimas, excepcionais**, para estarmos suficiente e previamente, bem preparados. Para entrar num ensino que é (devia ser!!!) destinado aos mais criativos, que possam aproveitar de facto, num ambiente de verdadeiro acolhimento cientifico, o poderem cruzar informações provenientes de diferentes áreas cientificas; tendo a noção da inovação e da utilidade do estávamos a fazer. De termos percebido as vantagens da divulgação do nosso trabalho, o que levou e permitiu depois a sua publicação (embora se saiba que não é publicitado).

Embora se saiba que é até escondido - como aliás quase no fim nos foi dito por uma pobre de uma «orientadora» muito atrapalhada, com o que deve ter considerado, na situação em causa (em 2004), um excesso de qualidade***?

Concluindo:

Estudos básicos é o que se aconselha. Como os muitos que fizemos e terão sido úteis mesmo que passados 50 anos, alguns desses documentos (de apontamentos, resumos, cábulas, sínteses), já pouco ou nada nos digam  

(clic para legenda)

O que as imagens demonstram é que há bem mais de 50 anos sabemos diferenciar os círculos das outras curvas; e essas outras entre si. Algo que, aliás, na História da Arte, veio também a fazer bastante diferença: Elipses, que depois de Copérnico e Kepler, passaram a estar nalgumas obras arquitetónicas

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*E essa falta de qualidade nestes estudos, que é em parte demonstrada pelo facto de os mesmos não terem tido nenhumas continuidades, faz-nos pensar que em vez dos case studies que deveriam ser promissores (e afinal se revelam ser tão poucochinho...), era bem melhor que os estudantes tivessem estudado matemática, física, e todas as outras ciências... Para que, posteriormente, depois de todas essas aprendizagens, prestassem provas, demonstrando que aprenderam: provas todas iguais, e para todos. Provas materiais que, 2-3 anos depois, as escolas poderiam deitar fora esses papéis (lixo), não ocupando espaço em arquivos, nem criando expectativas que pudessem conter algumas fantásticas teorias, ou ideias que se devessem ter em consideração... 

**Porque não é normal que alguém vá fazer um Mestrado depois de já ter tido um Prémio de Projecto, conferido por uma Câmara Municipal. Não é normal que alguém vá fazer um Mestrado, em Artes, depois de já ter participado em largas dezenas de estudos e de projectos de arquitectura. E a melhor prova de que tudo isto não é normal é abaixo a última nota. Pois demonstra toda a confiança da nossa orientadora na sua aluna, para estar agora, ela própria (sem notas, numa ciência que não se sabe de onde lhe veio?) a seguir, ipsis verbis, a sua aluna!

***Tanta que agora se ocupa a plagiá-la, como vamos sabendo:

http://primaluce.blogs.sapo.pt/sobre-a-falta-de-originalidade-ou-o-323053

http://primaluce.blogs.sapo.pt/que-amoroso-235344

http://primaluce.blogs.sapo.pt/claro-que-corrigir-erros-alheios-269846

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10
Dez 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

castigos para os Professores, como «lavar escadas»...

 

É verdade já se chegou a este nível de ameaças! Porquê, por uma descoberta científica que a nós muito nos honra... Um ponto de que não tencionamos sair, ou abdicar!

Enfim, passados 11 anos de negação nas ajudas e apoios que eram necessários para terminar um doutoramento, já se está agora a definir o que pode ser digno ou indigno*: as tarefas que o professor não pode recusar sob pena de ser despedido. E tudo isto porque Monserrate, de obra dos séculos XVIII e XIX - contemporânea de William Morris e do que em Portugal se pode estudar, ao vivo, e saber sobre a época (victorian) em que o Design nasceu; Monserrate também se tornou para nós (fruto da qualidade da orientação duma investigação**) em fonte de informações sobre as origens do Gótico. Matéria que aliás está em alguns livros e artigos científicos, bem interessantes, quando atribuem ao victorian a reputação de ser um estilo capaz de dar informações...

O Gótico, i. e., o estilo cuja origem longínqua é atribuída ao Arianismo dos povos Godos, e à sua incompreensão ou (não-) aceitação da trindade cristã, como escrevemos em Monserrate uma Nova História.

O Estilo que, depois de esclarecida a maneira como nasceram as formas abstractas da Arquitectura antiga, e como estão relacionadas com dogmas de fé; depois de compreendido esse processo - da passagem de ideias a imagens que chamamos Ideogramas (e não é só o Arco Quebrado); como do processo de formação deste arco, por analogia com casos semelhantes, mas não tão notórios, permite entender algumas (ou muitas mais?) outras imagens iconoteológicas do cristianismo: formas que assim passam a ser compreensíveis, e discerníveis, dos fundos em que se vêem, nas obras em que foram aplicadas... 

Mas, desligando agora desses conteúdos da investigação científica - feitos em prol duma instituição em nome da qual trabalhámos (e não estando esta disponível para compreender ou aceitar os resultados e as vantagens cientificas da mesma); assim, e como já prometido dezenas ou centenas de vezes, aqui fica mais esta réplica. Nós não nos vamos calar: Quem não deve não teme! Mesmo que empurrada para os calabouços (todos os que quiserem inventar), pois há-de ficar clara a forma tão digna como as instituições de Ensino Superior fazem investigação, e têm lidado com esta situação.

Esta é aliás uma Cena que, fica muitíssimo bem, exactamente hoje, quando Frederico Lourenço um eruditíssimo professor universitário recebeu o Prémio Pessoa. Alguém que se atreveu a remar contra a maré da ignorância e do laicismo nesta sociedade que, independente daquilo em que acredita, pretende apagar e negar as origens históricas; cujas marcas (visuais) estando em toda a parte, são ainda chamadas Arte...***

Mais, nós - para ajudar a dita Escola a superar a situação trágico-cómica em que se conseguiu enfiar - por nós prometemos que lhes vamos arranjar «um espacinho», para todos os intervenientes ficarem na foto! A retratar assim, na sua melhor pose a melhor Escola de Design... 

E a investigação que permite (ou a que compreende!) feita pelos seus docentes...

MJN-Viagem de Thomas PITT.jpg

(amplie aqui)

MJN-Viagem de Thomas PITT-2.jpg

(e aqui)

*É aliás bastante interessante a dita definição. Como se as escadas não pudessem ser limpas ou lavadas por gente honesta, como se essa tarefa acarretasse automaticamente alguma indignidade? Até parecendo que a verdadeira indignidade não está em ser «doutorado em nada»? Em ser o autor, desonesto, de uma tese que ainda agora, 15 anos depois, quando todas as teses são mais curtas e mais desinteressantes, é ainda absolutamente vergonhosa? Por não ter uma frase que faça sentido, por não conter uma ideia sólida ou firme, com a qual outras se articulem...? Cerca de 180 pp. de um vazio total, que acabam numas listinhas que ainda um dia vamos aqui abordar.

**A tal que nos fez chegar às Origens do Gótico, como era forçoso acontecer, para a orientadora «não morrer» de tédio científico: quem desde cedo não viu outro assunto em Monserrate a não ser este, mas que..., descoberta a questão a deixou cair. Ler acima, um excerto da sua Introdução às Observações de uma Viagem a Portugal e Espanha  (1760), por Thomas Pitt. Escrito por Maria João Baptista Neto em 2004, quando nós estávamos a terminar as mais de 300 pp de um mestrado (que além de hoje ser superior a um normal doutoramento, como nos disse FABP...) teve também o grandressíssimo «inconveniente» de ter conseguido trazer à luz, no Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa um conjunto de informações que eram absolutamente impensáveis...

Mas que agora, e com o apoio de quem nos quer mandar «lavar escadas» há-de assumir as suas responsabilidades: porque os tédios científicos, ou os sonhos de grandeza, se assumem com responsabilidade, à altura desses sonhos...

***Frederico Lourenço traduziu para português a Bíblia de que Marie-Françoise Baslez diz ter sido feita, em Alexandria, "... pour les amis du savoir".


13
Mai 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... - concretamente desenhos das chamadas fases de concepção e primeiros esboços - com esse treino de 'visual thinking', claro que: 

 

"Você vê coisas que ninguém vê", e

o "porque é que ninguém viu antes...?"

 

estas verdadeiras «queixinhas-piegas próprias de um Calimero» se tornaram normais (muito óbvias) e também super-elogiosas.

Só que esse "nosso ver" que nem todos têm - e tanto incomoda a dita piegas - é um dom: uma dádiva fabulosa que quotidianamente se agradece, o treino resultante de uma vida de trabalho. Vivida com o prazer de ver, de ensinar e descobrir, também.

Depois, foi declarado, já em 1683, e publicado em Turim em 1737:

"A Arquitectura tem o direito de corrigir as regras da Antiguidade e o direito de inventar novas regras."

Ou, dito de outra maneira: esta nossa profissão  treina a visão, a criatividade e a iniciativa: um fazer primeiro!

Pois um arquitecto não faz porque viu os outros fazer, pelo contrário; ou ainda

um arquitecto tem (sempre) atitudes edificantes, como consta no código deontológico da sua profissão

hoje acrescido (de posturas opostas): i.e., de histórias - inesquecíveis - como é a d' A Quantidade de Informação na Arquitectura Portuguesa de 1050 a 1950; que tivemos de ouvir (em atitude céptica e muito crítica) na tarde do dia 17 de Maio de 2001, na Academia das Ciências.

Claro que foi traumatizante, razão para não se esquecer...


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