Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 19
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

Na imagem seguinte, capa de um livro cujo título - Symbols of Power - nos diz imenso*, está um excerto de uma obra de Ingres. À qual se pode aceder, inteira, indo por aqui

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Desde 2002 a 2004, ao estudarmos Monserrate, e face às condições tão particulares do nosso trabalho, em que «recebemos» um briefing que obrigava, forçosamente, a um percurso pelas Origens do Gótico**; desde essa data percebemos que os mesmos sinais (e não símbolos como se explica na primeira nota abaixo) serviram para desenhar a Arquitectura. Isto é, esses mesmíssimos desenhos também eram usados nos trajes reais, ou nos dos príncipes e nos dos nobres.

E, claramente, válido também no feminino, para rainhas, princesas, etc.

São por isso fabulosas, por exemplo, algumas das indumentárias visuais que se descobrem em retratos como o de D. Sebastião, num retrato de D. Maria I; em vários de Isabel I de Inglaterra, num do Vice-Rei D. João de Castro, no da Princesa Santa Joana, etc., etc., etc. ...

Por nós, precisamos de os estar a ver, para os ir descobrindo (ou lendo), passo a passo, nas suas reuniões, ou nos somatórios de sinais que foram feitos; e desse modo constituíram aquilo a que alguns chamam "retratos áulicos".

E esses somatórios conseguem então «fabricar», visualmente, toda uma ênfase que é, pode-se talvez dizer (?), uma Simbologia do Poder.

Mais uma vez, e porque temos bastantes informações sobre este tema, fazemos um esforço de contenção. Sendo do nosso trabalho Monserrate - uma Nova História***, da p. 183, que sai hoje (e inteirinha, como podem confirmar) a nota nº 279.

Acrescentando apenas, que os sublinhados a amarelo, correspondem àquilo de que nos lembramos, de imediato, sempre que folheamos ou percorremos, visualmente, diferentes exemplos; sobretudo os de um livro como este:

"Talvez William Beckford tenha contactado a Mandorla, em Portugal, onde por exemplo esta forma, ou os arcos de círculo que a constituem, são muito frequentes, em vãos e varandas da arquitectura tradicional, em especial no Norte do país. Mas a associação em obras classizantes, de formas de raiz simbólico-teológica, já existia no Barroco; Fernandes Pereira, como mostrámos no capítulo anterior, fundamenta esta característica. Mas também Paulo VARELA GOMES, em Traços de Pré-Romantismo na Teoria e na Prática Arquitectónica em Portugal na Segunda Metade do Século XVIII, mostra como a região do Porto (por influência Inglesa, ou de Nasoni, ou o facto do terramoto de Lisboa ter destruído sinais mais antigos?), a zona Norte mais do que a de Lisboa, reúne um número importante de casos, onde se inclui vocabulário vindo do Gótico, como mostra o autor. Ainda no artigo que estamos a acompanhar, refere obras no Convento do Carmo a partir de 1757: “...em que os frades quiseram reerguer o templo gótico sabendo muito pouco dessa «maneira»...”. Op. cit., p. 235. Neste artigo faz alusão à fundamentação teórica da arquitectura em Portugal, na época, por Cirilo W. Machado, de quem retira várias frases. Mas Paulo Varela Gomes, não notou a importância que têm, outras informações de Cirillo, quando refere: diademas e coroas, círculos “de luz como os santos...” (ver em Cirilo Wolkmar MACHADO, Tratado de Arquitectura & Pintura, F. C. Gulbenkian, Lisboa 2002, p. 218); e ainda por exemplo, toda “a panóplia” de insígnias, vestidos, escudos, etc., de “Fenicios, Syrios e Macedónios...” (idem op. cit., p. 220). Não notou que a arquitectura medieval se marcava, tal como as pessoas punham na sua “indumentária visual”, com atributos, que permitiam que se distinguisse. E essa marca na arquitectura, fazia-se com elementos muito simples, que foram depois trabalhados e se complexificaram. Segundo pensamos, Cirillo escreveu sobre esses elementos: “...Os homens começarão no oriente a fazer imagens que erão como nomes ou ieroglifos...”(idem, op. cit., p. 254). E depois escreve já sobre o Gótico“...e fabricarão sem ordem, chamouse architectura Gotica por ser de Godos(...) fazendo templos só com regras mecanicas de fabricar...” (idem, op. cit., p. 266). Sublinhado nosso, para evidenciar o que por vezes “sentimos”,  perante algumas obras. Não a preocupação de obediência a um estilo, mas o uso de “regras de construção” (a que o autor chamou “mecânicas de fabricar”)."

Por fim, em nossa opinião (e por isso ficou no texto), impunha-se fazer uma alusão à expressão de Cirillo relativa às regras “mecânicas de fabricar”. Pois como pude aperceber-me, de 2001 até 2005 (período em que estive na Faculdade de Letras) aí a percepção do que é a construção, a arquitectura, os estilos, o carácter monumental/patrimonial de certas edificações; tudo isso é concebido, ou percepcionado (foi como o sentimos!), tão longe do real, das massas e da força da gravidade (como se fosse uma imensa abstracção...). E de tal modo, que a expressão "regras mecanicas de fabricar", sem dúvida, também a ele, e já no século XIX, se lhe impôs como uma necessidade.

Embora o diga (e isto pode parecer contraditório da nossa parte,  pois Cirillo escreveu-o a defender o estilo gótico) a propósito de "as extravagancias Goticas, que são Tedescas;..." 

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* Diz imenso o conteúdo, mas não concordamos, totalmente, com o título. Por termos percebido, há muito, que os Símbolos não são forçosamente o mesmo que Imagens (visuais). No cristianismo inicial o Símbolo dos Apóstolos foi substituído, a partir de 325, pelo chamado Símbolo de Niceia. E mais tarde, depois do Concílio de Constantinopla, o referido Símbolo de Niceia passou a ser, como se chama (agora e é o Credo): Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Donde, inicialmente, um Símbolo é uma reunião de ideias.

Ora neste caso dos Símbolos da Fé,  a estes, que eram reuniões de palavras, posteriormente associaram-se (automática ou convencionalmente) imagens. As mesmas que passaram às igrejas e aos objectos litúrgicos, e que depois Reis, Imperadores e todos os outros poderosos, resolveram também plasmar nas suas vestes. Como sinal da sua adesão às religiões (que tinham sido tornadas oficiais).

**Sobre a questão das Origens do Gótico procurem em bibliografia de Maria João Baptista Neto, e depois nos nossos posts, onde não faltam referências a esta temática que nos fez abordar; e donde não pára (felizmente) de continuar a sair material, fantástico e muitíssimo inovador.

*** Monserrate - uma Nova História, por Glória Azevedo Coutinho, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

O livro Symbols of Power, é de Paola Rapelli, traduzido por Jay Hyams. Edição de The J. Paul Getty Museum, Getty Publications, Los Angeles 2011.


25
Out 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

A mente como fábrica de IMAGENS?

 

Ou, os péssimos hábitos, típicos dos Arquitectos, que para pensarem (ou ajudarem o seu próprio pensamento a fluir melhor) precisam de lápis e canetas e de uns papelinhos: tão «beras» como é a parte de trás de um envelope? Onde fazem vários rabiscos para resolverem problemas que podem ter meses; ou, quem sabe, alguns séculos, como nos aconteceu...

 

É verdade, citando Michel Toussaint, já escrevemos sobre este processo que nos permitiu perceber, e consequentemente defender, o que pensamos esteve nas Origens do Gótico. Leiam portanto aqui o que escreveu Michel Toussaint:

“…Mas não é apenas esta questão que [Christopher] Alexander levanta, pois entende que «ao mesmo tempo que os problemas aumentam em quantidade, complexidade e dificuldade, também mudam muito mais depressa que anteriormente», e para resolver tal situação já não chega a habitual capacidade de simplificação do arquitecto. Especificando: «Dois minutos com um lápis nas traseiras de um envelope permite-nos resolver problemas que não poderíamos resolver nas nossas cabeças, mesmo se nos empenharmos durante cem anos. Mas no presente não temos meios correspondentes para simplificar os problemas de projecto por nós próprios»..."

Ou leiam ainda nos nossos dois posts que são de 2012: 1º. Resolver problemas de 100 anos num minuto

E no 2º. post (por continuarmos ainda à volta do mesmo assunto), deixámos um PDF da OA com o documento de onde foi retirado esse excerto.

Ora este nosso processo de percepção (referido acima, e acontecido de 2002 em diante, portanto já publicado - porque integra a nossa tese sobre Monserrate*), há sempre que lembrar tudo isto, deixou furibundos os profs da FLUL e do IHA (idem da FLUL). Os quais, desse embate, ainda não se refizeram, nem se recompuseram!

E sempre muito mal, ou pior que menos bem, tão lentamente, ainda não tiveram tempo de vir a público esclarecer o que se passou (e passa), como mostra o post de hoje na página de Vítor Serrão no facebook...

Portanto, e continuando passemos ao nosso comentário de ontem, e à importância ambiental de recuperar/aproveitar os edifícios antigos. Só que agora também na perspectiva de contribuir para uma maior sustentabilidade do planeta, e independentemente do valor patrimonial ou histórico desses mesmos edifícios.

Pois que, como alguém defende (ver post anterior) e estamos de acordo:

 

"The greenest building is the one that already exists"

 

E isso pode-se/deve-se fazer se estivermos perante Arquitectos e Edis (ou sejam as Edilidades, os Edificadores) bastante mais informados e bastante mais cultos. Claro, todos também mais imaginativos...

Só que, acontece que para isto, também a Faculdade de Letras de Lisboa pode ser relevante e colaborar!

Mais, se perceberem (ou se se lembrarem...?) que as principais obras arquitectónicas da cultura ocidental, partiram de desenhos que correspondem a diagramas que foram interligados - como mostram Francis Ching e Steven Juroszek e está abaixo sob o título de DIAGRAMING RELATIONSHIPS;   

Se perceberem isto...?, então também poderão aceitar, mais facilmente, que a ideia de Louis Sullivan segundo a qual a "forma segue a função", nem sempre foi regra! Pelo contrário, em nossa opinião (que a temos desde 2004, como ficou escrito e está publicado) os DIAGRAMAS empregues e associados, como por exemplo acontece na Planta que está a seguir; esses DIAGRAMAS funcionaram principalmente como IDEOGRAMAS**.

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E mais ainda:

Para além de Francis Ching e Steven Juroszek terem notado estas reuniões de DIAGRAMAS, que estão nas Plantas de alguns dos edifícios considerados os mais importantes da História da Arquitectura,  também notaram no funcionamento dos «processos do pensamento». E para estes na importância do desenho.

Concretamente como as nossas mentes, verdadeiras fábricas de produzir imagens, por vezes não as conseguiram conter lá dentro, nessa que já foi designada "Black Box".

E assim, transpondo o pensamento para o papel (ou fazendo-o com a ajuda do papel), nesse processo de materialização das imagens que lhes iam na cabeça; assim também desenharam, esquematicamente, e seguindo regras, o que mais tarde veio a ser edificado:

 

Onde alguns dos traços dos desenhos de contorno dos diagramas se tornaram paredes, de pedra ou de tijolo

 

Por isso (ver mais abaixo) chamado "Design Drawing" - que deve ser traduzido como "Desenho de Projecto".

"Thinking on Paper" - não é só aquilo que fizemos (e faremos?) durante várias décadas. É o "Pensamento Visual", como linguagem, de que Rudolph Arnheim tratou (e também já escrevemos várias vezes); e é aquilo a que assistimos, felizmente, vezes sem conta, nas aulas, das disciplinas de projecto. Aulas que eram chamadas de Design de Interiores. 

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Por fim, e sobre o texto que está acima destas linhas, sobre a sua leveza e alguma ironia que contém, apetece dizer que connosco se passa o mesmo. Porque toda a questão é muito complexa, ou extremamente complicada. Só que, como em tudo, quando se divide por partes, o processo projectual, o processo de correspondências significativas, metafóricas e alegóricas, cada um desses passos é básico e elementar.

Ou, de associação em associação, completamente óbvio, como ficou registado há muitos séculos pelo Pseudo-Denys L’Aréopagite.

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* Se há quem diga que escrevemos a História da vida dos Knowles (!?), na verdade aquilo de que escrevemos (bastante) mais, e como está na Síntese Final - a apontar para trabalhos futuros - foi em torno das Origens do Gótico. Tal como «quase imposto» pela nossa orientadora. E Vítor Serrão sabe bem de tudo isto...

**Donde se retira, que, se os espaços desenhados a partir de IDEOGRAMAS (relativos a Dogmas do Cristianismo) podem ser funcionais; então, também a maioria dos edifícios antigos é aproveitável para outras utilizações que não as iniciais. Ou, mesmo que no século XIX, e cumprindo uma certa regra de Conveniência, ou Décor (de que já Vitrúvio escreveu), muitos edifícios citadinos tenham sido construídos de acordo e a cumprir essa «norma» de conveniência. Como podem confirmar,  não é a primeira vez, nem a última, que abordamos este tema

Enfim, e porque mais uma vez se deve dizer, este é um tema basto complexo. Quase impróprio para as redes sociais, mas que alguém «banido» de um doutoramento (na Universidade onde teria o devido lugar) não vai calar!


19
Set 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... assuntos mudados, enigmas desvendados"

 

Podia ser um novo provérbio, vindo ao encontro da necessidade de renovação que vai na Historiografia da Arte.

Não sei se em todo o Portugal?, mas enfim, em certas escolas: das Belas-Artes à Fac. de Letras, tudo isto da Universidade de Lisboa.

Porque, tal como o país, as faculdades da capital funcionam em slow motion. Embora, com "Os Donos de Tudo Isso" muito convencidos de que são moderninhos. Pelo contrário:

E na verdade, como são mesmo donos, só por lá passa quem eles querem, e como eles querem: tão antiquado quanto possível!

Porque o arreigamento, e a vontade que têm (de não mudar nada - lá está a contradição), levam a que pensem que isso é o futuro; do que acham que é só deles, esquecendo-se, propositadamente, de que é do país...

E assim prolongando a mentalidade que tinham, para aí desde 1971, já que essa é a regra!

No entanto, como registámos - há uma ou duas horas, no facebook -, estão aí bem fortes, claríssimas, ideias que têm estado pouco divulgadas (e agora descobriram).

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páginadegloriaazevedocoutinho

E por isso já lá estão, alguns dos acabados de chegar, postos na primeira fila, armados em papistas, a proclamar a mudança*.  Basta vê-los, para se constatar como tudo isto é anedótico... O que mudam de repente...

E essa mudança será o futuro? Uma tradição antiquíssima (facto que ainda escondem - , nem sequer o dominam...), mas agora, e porque dá dinheiro, faz-se novidade total?

Ficam as perguntas, dirigidas à superficialidade vigente, e aos "just arrived", porque a nossa velocidade é a de cruzeiro; a de quem faz o caminho com os seus próprios sapatos, que a cabeça escolhe/escolheu, para o conforto da passada.

E, continuando, vá-se lá saber porquê (esta questão anda connosco há décadas?**), então vamos lá atrás, aos bois e a um postal minhoto dos anos 1990, que o comprámos e escrevemos, pela graça do cenário:

Minho-JugoBois.jpg

Um cenário onde pouco ou nada sabíamos dos detalhes, mas que agora não nos surpreendem:

No detalhe, um jugo de bois - como já JOAQUIM DE VASCONCELOS tinha evidenciado -, com Iconografia Medieval. Isto é, com as mesmas argolinhas de Paço de Sousa e de Coimbra; iguais às do Túmulo de Egas Moniz e às que se vêem na Sé Velha, logo à entrada***.

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda, se repararem com muita atenção, verão que essa ICONOGRAFIA do jugo dos bois é igual à desta janela, que é francesa, como se mostra a seguir em detalhe (com as argolas rodadas), para se verem na mesma posição.

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*E se ontem escondiam e não aceitavam, hoje já se armam em mandantes da mudança!

**Damos um prémio a quem explicar a razão...

***Insiste-se, damos um prémio a quem explicar o motivo de estas imagens nos perseguirem.


12
Set 19
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

... desde meados de 1987-88, que começámos a trabalhar sobre Monserrate

 

Primeiro na Associação Amigos de Monserrate, depois na Faculdade de Letras (a partir de Out.-Nov. de 2001)

Só que aí começou uma verdadeira saga. Porque investigações feitas a sério, podem trazer resultados inesperados.

E assim foi, embora também a sério, posta fora da FLUL, impedida de aí fazer o doutoramento, e desprezada (por ser de um género menor...) na FBAUL por FABP!*

Enfim, materiais não nos faltam, desde (1) o que descobrimos, a (2) o que outros nos foram mostrando de eles próprios: como personalidade, (falta de) carácter, e as inúmeras razões para a (imensa) mediocridade de um país...

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*Alguém de cujo profissionalismo vamos sempre ter muito para relatar, incluindo as pirosadas que lhe ocorriam, para nos demover dos estudos em que estávamos absolutamente dirigidos. Prova disso o Entrecho que logo produzimos na entrada em Belas-Artes (em Maio de 2006).

 


09
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ou como foi ocupando a nossa vida, desde 1987  [que é como quem diz, já quase vai em metade! (*1)]

 

Se forem ao nosso post do dia 7, e depois sempre a recuar, há muito que se pode e se há-de encontrar, desde Monserrate quando não era mais do que imagens incompreensíveis; até que muito mudou, passando a ser compreensível, e altamente falante.

Começa-se pela fotografia que regista círculos, apostos sobre a fachada do Palácio sintrense:

Os quais, para Maria João Baptista Neto (nossa orientadora de uns estudos feitos num tempo em que devêramos ter juízo, e não ir atrás de «criadoras de balelas»...*2), esses círculos teriam sido falantes; constando daquilo que eram para si (para a dita «sra. prof.», suposta orientadora) "As Origens do Gótico".

Mas enfim, as ditas "balelas", tornaram-se em sucessivas fontes e poços, repletos de informações.

Hoje interessantes e úteis, potencialmente, para todas as áreas da Cultura (e para muitas áreas científicas). Dizemos nós...

E assim podemos continuar - muito à base de imagens - a contar esta história que está cada vez mais longa, e antiga.

Em 2001, naturalmente, e sendo a curiosidade um motor poderoso, decidimos ir ver o que tinham tido, de tão especial, os Godos (Ostrogodos e Visigodos) para isso os ter levado a criar um Estilo.

[Só que primeiro foi um Símbolo, embora não visual, como todos julgam ser o único sinónimo de sinal...].

Foi então (2001-2), que quase sem dar por isso, começámos a ler sobre TEOLOGIA, e também a escrevinhar nas margens dos papéis, e em muitas folhas de apontamentos, dos nossos estudos. Nessa altura valeu-nos a New Advent Catholic Encyclopedia, e a sua explicação do FILIOQUE (sobretudo ao alertar para o nível de abstracção que sempre esteve em causa...)

Já tínhamos feito imensos gatafunhos/garatujos ou doodles - o que lhes queiram chamar. O certo é que, alertada pela New Advent Encyclopedia olhámos para eles. Eram semelhantes aos da imagem seguinte.

Mas nesta, o 1º esquema não é nosso (ver aqui - num post muito recente que dedicámos ao assunto);  acontecendo que o Professor norte-americano que o fez - esse e vários outros esquemas -, de certeza que ignora o modo como estas imagens esquemáticas estiveram na origem das formas dos estilos de arquitectura antiga, e tradicional, europeia, de raiz religiosa.

depoisConcílioNiceia-325.jpg

Porque, e isto parece-nos óbvio, caso não o ignorasse (isto é, se ele o soubesse), então para melhor expor as suas ideias, claro que teria ido buscar as referidas formas da Arquitectura; assim como as que estão em todas as outras áreas artísticas. Para depois, com esse apoio visual, explicar aos seus alunos, as (hiper) subtis diferenças teológicas que existem entre os também diferentes Credos, ou Símbolos da Fé.

Acima as imagens 2, 3, e 4 são nossas, sendo que 2 é uma adaptação de 1.

A nº 3, encontrámo-la em casa, num documento antigo, e quase em simultâneo na edição de 2000, Oxford University Press, do  dicionário de Arquitectura de James Stevens Curl.

Depois a imagem (ou o esquema) nº 4 é um «8» deitado, que a partir de muito cedo - vê-se numa patena francesa do início do século VI - passou a representar Deus, o Infinito.

Mas essa mesma representação do Infinito, como está acima no esquema nº 3, chegou - mais do que certo (e talvez ainda com o seu significado conhecido?) - ao século XX.

É que ao estar no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, no painel Começar, de Almada Negreiros (ver aqui), é inacreditável, nós não acreditamos!,  que Almada desconhecesse o seu significado ancestral.

painel-começar.jpg

Tal como há dias escrevemos, num post a propósito de Sarah Affonso e de uma pintura sua - que podendo parecer muito menos do que é - pois na verdade é anagógica (a elevar, ou como que a puxar para cima); já que era o céu e o infinito que ambos (aqui o casal Sarah e Almada) várias vezes pretenderiam evocar...

Fizeram-no através de registos, tão específicos quanto concretos (ou significantes), que ambos deixaram nas suas obras. Fizeram-no - como muitos outros do seu tempo -, ainda, e neste caso, com o mesmo sentido que tinha sido dado às Ogivas. A designação que é sobretudo associada a uma forma (dita ogival), e não ao verbo latino "augere". Que significa elevar-se, ascender na direcção do auge.

Para isso usaram sinais que alguns designam como sendogeométricos, mas que para outros são designados abstractos. Por fim, e não tardará a acontecer (dizemos nós), para a totalidade das pessoas eles serão, supostamente, insignificantes.

Um dia serão vistos como umas «verdadeiras tralhas» que se punham nas obras, sem que com elas, pouco ou nada se estivesse a acrescentar! (*3

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painel-começar-detalhe.jpg

No futuro, só se entenderá a referência ao FILIOQUE que é feita por Almada Negreiros, na igreja de Fátima, em Lisboa, nos vitrais que são completamente icónicos... Nunca nos Arcos Quebrados - que aliás são o mote estrutural da obra - porque a sua imensa economia visual, de tão resumida se tornou definitivamente abstracta; e portanto incompreensível 

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(*1) Antes, entre muitas outras coisas (é o que hoje se depreende) estivemos a preparar o que se iria fazer depois, anos mais tarde. I. e., a preparar o que exige multidisciplinaridade, prática de visão e compreensão da composição... 

(*2) Mas fomos. Sendo que logo que pôde, «a dita» teve o desplante de nos mostrar o engodo que criou. Pois afinal, depois de encontradas as suas tão almejadas "Origens do Gótico", nunca mais a questão lhe interessou... Até que, numa primeira fase impingiu assunto Monserrate aos mais próximos, chegando à exposição que foi inaugurada em 2017. A qual lhe teria dado muito mais se tivesse treino de visão (mas cada um é como é!). Agora, tão original, e nada premeditada, segue na minha peugada, fazendo-se passar por «conhecedora» da Arte Cristã... E se temos que nos habituar, enfim que espalhe aquilo que tinha na cabeça em 2001, e me pôs a procurar. Sim, mas começando por espalhar a lição que recebeu (em Janeiro-Fevereiro de 2002) sobre a forma de trabalhar de um arquitecto: como as ideias se tornam esquemas e ideogramas. Pois é a chave de toda esta questão

Depois, e para resumir, pergunta-se:

Porque esteve Maria João B. Neto tanto tempo calada (desde 2002)?

As guerras religiosas (que vão pelo mundo) são guerras culturais. Como aliás o percebeu, muitíssimo bem, pela minha tese! Ou a investigação faz-se, os Governos pagam-na, para, havendo resultados, os principais responsáveis ficarem todos calados?

Para, ainda no caso de Monserrate, uns anos depois, ir uma Ministra da Cultura visitar um país do Próximo Oriente, e aí pedir «apoios mecenáticos» para recuperar uma casa que - Maria João Neto sabe-o melhor do que ninguém! - é o resultado das pesquisas dos "antiquários ingleses", dos seus Grand Tours, e dos membros da Diletanti Society.

Mansão que por acaso foi construída em Portugal, por quem era então um dos homens mais ricos da Inglaterra vitoriana.

Sim senhora Professora Maria João Neto, no século XVIII, quando as mentalidades se começaram a aproximar daquilo que são hoje, nesse tempo a curiosidade era diletante; hoje é Ciência. E os países, bem, gastam milhões para se reforçarem cientificamente. Porque a Ciência é útil e necessária. E tal como hoje ninguém despreza a Psicologia, do mesmo modo o que se encontrou ao estudar Monserrate, orientada por si (e bem), deve igualmente ser muito mais útil do que os "Dez reis de mel coado" que vai receber por cursinhos de A Arte Moderna e a Arte da Igreja, na Capela do Rato.

É que, embora toda esta problemática não seja um Assunto de Estado, no entanto é da maior importância!

(*3) No futuro serão vistos como acidentes superficiais, ocorridos nas obras; ou, como verdadeiros "crimes" ! Portanto podemos dizer à maneira (minimalista) de Adolf  Loos : "...que muito se poderia ter poupado no trabalho de ornamentação!"

E se temos que nos habituar (à peugada):               "...Ainsi soit-il!

                                                          Et quand la nuit est nuageuse

                                                 Il y a toujours une lumière qui m'éclaire

                                                         Éclaire-moi jusqu'à demain

                                                         Ainsi soit-il"

 

A um assunto que vai tendo barbas, mas por aqui não se esquece!


08
Set 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... QUE É COMO QUEM DIZ, ALGUÉM ANDAR NO MEU LUGAR

Não gosto!

 

E por isso já escrevemos vários posts:

Em 31 de Janeiro de 2018 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/a-proposito-de-monserrate-revisitado-405435

Em 28 de Janeiro de 2019 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/sobre-aquelas-duvidas-que-ainda-457447

Em 15 de Novembro de 2015 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/e-sera-que-os-historiadores-de-arte-ja-293012

Devendo destacar-se a pergunta: Será que os Historiadores de Arte já calçaram «os sapatinhos de Geómetras»?

Por que esperam? Quando vão finalmente perceber que têm que largar as suas «tamanquinhas», tacanhas, e aprender Geometria? (*). 

A DISCIPLINA que foi, como escreveu Hugo de S. Victor : 

"... la source des sensations et l'origine des expressions"

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*Como acha Maria João Neto que pode perceber, por exemplo, a obra de Almada Negreiros?

Por fim, quem julga que a História da Arte Cristã está repleta de segredos que só a Maçonaria conhece - por serem esses os Geómetras -, engana-se, a si e a quem o rodeia.

A solução dos supostos «enigmas» está no Pensamento Visual, ideogramático e cujas regras vêm da Geometria.


13
Ago 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Foi motivo para o nosso orientador do doutoramento nos ir dizendo (e empatando) mas cheio de razão:

 

"Glória não vai fazer uma História da Arte!" Para logo a seguir repetir e insistir - só lhe faltando mesmo a música (já que o mote e a toada tinham passado a existir): "Glória não vai fazer uma História da Arte..."

E assim dizia, e repetia, com toda a razão (e eu sem perceber!).

Mas a dita da razão - tanta que teve, e tem - agora aparece-nos por aí, às vezes, a surpreender, em obras que são extremamente bonitas:

Embora não o sejam apenas pelo seu visual/superficial - i. e., por uma sensação imediata vinda da composição e das cores (desde logo altamente amáveis). Mas que o são pela percepção, que é como quem diz, pelo trabalho de compreensão que a mente faz, mais elaborado e devagarinho, a descobrir.

  O que passa por diferentes camadas de (outras hipóteses de) leitura.

Cat.SarahAffonso1.JPG

Cat.SarahAffonso2.JPG

É ainda sobre a exposição dedicada a Sarah Affonso, em que estamos a pensar e a escrever.

É sobre alguns dos quadros - como o Papagaio que é uma estrela (e está na contracapa do catálogo, imagens acima) - onde alguns detalhes, que fazem toda a diferença, nos lembram «certos truques» (ou as verdadeiras piscadelas de olho ao leitor/espectador da obra), tão típicos de Almada Negreiros.   


28
Jul 19
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

No nosso estudo dedicado a Monserrate, várias vezes nos apercebemos da importância da Heráldica, e escrevemos sobre isso*.


Por nos parecer verdadeiramente necessário introduzir este tema, ou «cruzar» com ele vários elementos visuais, para se poderem entender muitas das formas (ditas abstractas - mas que afinal eram convenções e portanto eram formas legíveis, que falavam...).
Em suma, para se compreenderem as formas (ou o vocabulário formal) integrantes do que vemos como arquitectura antiga e tradicional.
Assim, e repescando (de 2001) o mote da orientadora dos estudos que dedicámos a Monserrate, quando nos disse:
Não poderá perceber Monserrate se não perceber os círculos entrecruzados que estiveram nas origens do Gótico…”. Agora, e abrindo ainda mais toda esta questão, somos nós a ter de dizer (e a corrigir) aos historiadores:
Não poderão perceber a arquitectura antiga e tradicional, se não compreenderem a interligação que existiu numa série de conhecimentos que hoje estão cada vez mais disseminados!” **

Mais: o livro que agora nos chegou às mãos de Miguel Metelo de Seixas (edição da FFMS, ver capa abaixo), e sobretudo a Visita Guiada da RTP2 ao Palácio da Vila de Sintra, têm a enorme vantagem de nos darem razão: Descrevendo e explicando algumas das Salas, consideradas as mais bonitas desse Palácio, como o resultado de um Programa. Mas não exactamente de um  Programa Estético (como aprendemos com Vítor Serrão na FLUL) e sim de um Programa Heráldico ***.

Reparem como, se estes espaços hoje nos deslumbram - e não sabemos da “tradução” (como refere Paula M. Pinheiro na Visita Guiada ao Palácio de Sintra) de muitas das ideias, ou dos conceitos que estiveram na sua génese. Se hoje todos nós, e vendo apenas superficialmente, ou «pela rama» …, nos deslumbramos: o que não seria no passado? O que não deveriam estes espaços representar, para os mais entendidos? Quando ainda não se tinham perdido os elos significantes, e as correspondências, que, sabemos, que existiram entre todos estes elementos?
[E já agora este parêntesis, sabemos porque os lemos, tendo já escrito sobre eles como aqui podem confirmar].

Porém, de este novo sobressalto (muito bom!) – que é para nós o livro e a linguagem empregue por Miguel Metelo de Seixas – falando por exemplo em sinais visuais e não em símbolos; deste seu contributo que agora recebemos (pois um livro é sempre isso), chega-nos também a certeza de que estamos num caminho completamente certo, para dever prosseguir na divulgação daquilo a que já chegámos.

Por isso, continuo a escrevê-lo, e a explicar as razões para tanto entusiasmo:
É que apesar de William Morris ter escrito que muitas das “…formas (ditas decorativas) tiveram significados sérios: vindos do culto e de crenças,…”, o ensino que posteriormente é feito, influenciado por aquilo que foi em Inglaterra a figura do Architect Amateur, no século XX, quando estudámos e nos licenciámos, já nada disto era perceptível.

E é toda esta «distorção», de um caminho que se iniciou, como supomos, com ARQUI a significar principal, e TECTURA a significar construção, que nos fascina. O como chega ao hoje:

Não apenas alterado no sentido, mas super-variado e incrivelmente enriquecido... por sucessivos esquecimentos e ainda mais incompreensões!

quinas-e-castelos.jpg

* Por exemplo, sobre o Pátio da Casa que foi de Gérard De Visme em Benfica, lá está a referência que se fez à Heráldica:

O Pátio de Entrada revestido com uma calçada tradicional portuguesa – de vidraço preto e branco - apresenta um desenho muito interessante, e original. Depois do que estudámos sobre a época medieval, passou a ter para nós enorme valor. Porque o que se julga, tratar-se aparentemente de um “arranjo floral”, é muito mais do que isso; tem elementos que foram segundo pensamos, relevantes em Heráldica, transformados em folhas (ou flores). Estas são mandorlas, brancas com círculos pretos no interior; o que é provavelmente, uma elaboração, com base nas Armas Antigas de Portugal. Dentro das mandorlas, os círculos pequenos, seriam besantes, a moeda com que Afonso Henriques “pagou” o reconhecimento do título real ao Papado. Se os jardins que Devisme mandou fazer foram precursores, este pátio é revelador do seu gosto e cultura. São aspectos de relevo na personalidade de um encomendante, mas que nos levam também a questionar quem pode ter sido o autor, deste magnífico desenho de pavimento…”. Ver pp. 177-178.

**I. e., - e descrevendo o que se passa na realidade das universidades – conhecimentos separados em designadas (eufemisticamente) por Áreas Científicas. Áreas que também são delimitadas por verdadeiras barreiras, «de arame farpado», a mando da cultura de Ciência e Investigação que a Agência A3ES estipulou, e assim - como barreiras intransponíveis -, as mantém milimetricamente, separadas. Em vez de se reconhecer que sem Geometria, Teologia, Filosofia, Neurociências, Heráldica… nem sequer vale a pena andar a investigar.
***Achamos que é precisa uma designação, e acabámos de usar esta - Programa Heráldico. Será a mais certa? Mas sem nos esquecermos que em tantas outras ocasiões temos empregue, e continuaremos a empregar, a designação ICONOTEOLOGIA. Como refere Miguel Metelo de Seixas (e neste caso estamos a pensar  no livro recém-publicado), são vários os elementos cristológicos, adoptados e presentes na Heráldica
Enfim, o Ensino Superior, os Centros de Investigação, servem para os investigadores não estarem sós (ou entregues às redes sociais...); encontrando nesses centros os parceiros que, compreendendo as investigações de uns e de outros, vão trabalhando colegialmente para resultados úteis à Ciência, e por isso também a cada país que a produz. 

Por cá, vê-se o que acontece!


19
Abr 19
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Há cerca de um mês, em casa que não era a minha*, pude comparar versões diferentes de tradução da Bíblia:

 

Era o Novo Testamento, o Evangelho de João, sendo curiosíssimo que onde na tradução dos Capuchinhos consta a palavra Alegoria, para essa palavra Frederico Lourenço tenha explicado (e assim usado) que no original consta a palavra grega é paroimía que significa "Pensar-para-além-de".

Ou seja, uma Alegoria, tal como um Símbolo - visual ou outro - é uma substituição metafórica, ou uma correspondência (que pode ter sido pré-estabelecida, convencionada, e ser até conhecida de todos) , em que uma das realidades é mais do que aquilo - o tal "pensar-para além-de" - que se refere no discurso que tenha sido feito. Ou, do que aquilo que simplesmente aparenta ser, no caso de ser um texto ou uma imagem que se vê.

Até à Páscoa achei que ia desligar: portanto adeus blogs e facebook, porque há muito mais!

E há, só que também esse tempo gera reflexões, que então podem vir para aqui, porque afinal depois do incêndio de Paris, Notre-Dame aparece-nos como o verdadeiro "Pensar-para-além-de":

Ou seja, por um lado, quase directamente, está a ser usada como alegoria e metáfora. Mas é ainda, por outro lado, muitíssimo mais do que isso. É algo que, explicitamente, poderia não aparecer, mas que, ao lembrarmo-nos do sucedido - de maneira recorrente (como é típico de tudo o que entristece) -, e por se tratar de uma das mais importantes referências da Cultura Cristã e do Ocidente; ao pensar em Notre-Dame, pensa-se para além dela. Já que a esse propósito alguns vão reagindo, e a pouco e pouco, uns e outros vão-se lembrando (e portanto nós somos lembrados por eles) do muito mais que sempre esteve interligado. Thanks God!  

Do Expresso de hoje alguns excertos da crónica de Henrique Raposo. E apesar de não estarmos de acordo com tudo o que escreveu, a tónica que põe ao alertar para o valor da arquitectura, dos monumentos e do cristianismo - como "uma abóbada (celeste - dizemos nós) por cima dos vinte e sete solos...", na verdade este é exactamente o mesmo assunto que nos move desde 2004**, quando estudámos Monserrate, e nos apercebemos de uma «historiografia de pernas para o ar»!

doEXPRESSO-19.04.2019.jpg

E porque desde então se tenta divulgar o que essa historiografia mainstream - na sua acção deturpadora da Cultura (geral ou particular a que temos todos direito) - continua, activamente, a preferir esconder. Pelo que se pergunta, não haveria uma outra maneira, mais positiva, de actuarem?

Ajudando a que saiba bastante mais e melhor, em vez de quererem esconder, debaixo do tapete? 

Só que, pelos vistos, é o que há! Fazendo com que uma crónica num jornal semanal (nos) possa aparecer, e ao grande público também, com um texto inovador. Como se nas universidades (e noutros locais próprios para a divulgação do Conhecimento) isto não passasse***:

"(...)

As invasões que destruíram o império romano re­presentaram mesmo a destruição apocalíptica da civilização. Quem é que levantou o Ocidente das cin­zas? Ou seja, quem é que inventou a "Europa"? O clero gótico da igreja representada pela Notre-Dame. Esta realidade histórica transformou-se num tabu, porque os séculos XIX e XX foram dominados por duas correntes intelectuais que (ainda) fazem gala do seu anticatolicismo vulgar: o racionalismo ateu e francês à Voltaire, o protestantismo anglo­-saxónico à Milton. Mas, lamento informar as almas mais sensíveis, as bases da civilização ocidental foram mesmo lançadas pela igreja medieval: as universidades, a tensão cria­dora entre direito natural e direito positivo, a divisão de poderes entre o espiritual e o político, a caridade enquanto princípio social e político. Dante representa o pináculo desta civilização que reconstruiu o nosso mundo, que seria novamente ameaçado pelos bárbaros modernos dos séculos XIX e XX.

Conscientes desta realidade, escritores "modernos" como T. S. Eliot, Chesterton ou Tolkien defenderam um regresso da Europa à cristandade. Mais do que nunca, urge ouvir esse apelo. A Europa de, hoje é de uma beleza arquitectónica notável. No entanto, à semelhança de tantos edifícios belos, a UE é oca no campo espiritual e narrativo. A sua beleza é só racional, falta o resto, falta o essencial: o sentimento de pertença histórico e metafísico. E esse sentimento só pode ser dado pelo cristianismo. Sem o chão comum de São Paulo, a Europa cairá no pesadelo pagão, secular e relativista (...)

Olhando para cima, para a transcendência, a cristandade é a única metafísica capaz de criar uma abóbada por cima dos vinte e sete solos.

(...) Em 2019, a lamentação já não chega. Ser europeu não pode ser só a negação de um mal absoluto praticado pelos nossos bisavós. A identidade europeia precisa de uma substância concreta, de uma meta, de um ethos. Como tem dito a nova e jovem direita francesa (emparedada: entre o pragmatismo libertário e secularista de Macron e o nacionalismo igualmente secularista de Le Pen), esse ethos é o cristianismo.

(...)

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Temos livros a mais, mas a tradução de Frederico Lourenço, pelo espaço e pelo custo, ainda não consta... Vai ficar para o Dia Mundial do Livro.

**Depois de estudar Monserrate e de ter percebido como o cristianismo (todo) ficou plasmado na arquitectura antiga e tradicional do mundo dito ocidental. O que aconteceu por várias razões, quer as religiosas quer porque os políticos (reis, príncipes ou até os doges das repúblicas de Itália) quiseram mostrar onde residia a fonte do seu poder (de origem divina).

Um dos pontos em que discordo de Henrique Raposo é exactamente a primeira frase, pois são várias as obras, e os ideogramas nelas empregues (ou os ornamentos plasmados nessas mesmas edificações) que demonstram a vontade de adesão ao cristianismo dos designados bárbaros invasores: Que chegaram, por que quiseram, a um vasto território onde iriam permanecer, adoptando muitos dos valores aí existentes. Por isso existem - embora pouco divulgadas - algumas designações (supostas meramente artísticas/decorativas) como são as bandas lombardas, as arcadas normando-góticas, etc., etc. Ou seja, esses ornamentos foram sinais de povos que quiseram ficar nos territórios do antigo império romano, mas que, em simultâneo também quiseram marcar, distinguir de algum modo, a identidade das obras feitas.

***Sim passa, mas há quem esconda. Porque escondem? Seria a pergunta. Mas a resposta eles não a dão, obrigando-nos a interpretar o que os motiva. Será porque os mais poderosos, os chefes, os catedráticos... têm que ter lugares cimeiros, mesmo que não os mereçam? 

A tal da cultura de mérito que por cá, ainda, não é moda...


14
Out 18
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Porque desta vez pensei - há que ler, nem que seja de relance, a newsletter da Fundação António Quadros*

E foi o que aconteceu, há horas, logo de manhã:

 

Um texto a contar como habitualmente decorriam as tertúlias começadas na Mimosa (seria na Rua das Flores?), e continuadas no que foram os Salões de festa e de baile, dos Quintela-Farrobo. Os mesmos em que, e por muito estranho que possa parecer (ou perturbantes que esses espaços fossem?), durante várias décadas do século XX, decorreram as aulas do IADE: os espaços onde leccionávamos.

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Assim, aqui está - como citação - um copy/paste feito a partir da Newsletter Nº 140 / 14 de Outubro de 2018 chegada hoje:

01 António Quadros – Grupo da Filosofia Portuguesa – Memórias Vivas,
por Pedro Manuel Machado de Sousa Furtado Correia.


"A tertúlia começava ao jantar, na Mimosa do Chiado, às quintas-feiras. Chegávamos, íamo-nos acercando das mesas já dispostas para nós, e de cumprimentos calorosos eram recebidos os que iam surgindo, mas pouco esperávamos. Quem não pudera vir previamente fazia saber de sua ausência. As novidades editoriais, especialmente as que diziam respeito à cultura portuguesa e à lusofonia, eram geralmente a peça de abertura. A leitura de quem já se havia aproximado de sua análise era logo partilhada. Outras novidades, futuros eventos ou participações dos membros do grupo, notícias do foro político relativas à cultura, também eram de permanente interesse, assunto este em que António Quadros mostrava particular interesse. E conversava-se variamente, evocando memórias de que a geração mais nova, da década de 60, absorvia e indagava. Por vezes liam-se ou davam-se a ler poemas inéditos, ou alguns rememorados, que haviam resultado especialmente interessantes para a vida circunstancial de alguém entre os participantes. O Elísio e o João liam singularmente bem, mas também me deliciei com Barrilaro Ruas, apesar dele muito dar a ler. Depois, inevitavelmente, vinham as experiências de vida partilhadas com esses e outros autores, que haviam sido do conhecimento ou da amizade dos convivas mais idosos. Era um privilégio ouvir essas experiências de vida não registadas por escrito. Quanta riqueza de vida foi deste modo partilhada além de uma geração e aquém das obras escritas!

Foi através de um colega estudante de Filosofia na UCP, o Elísio Gala, que encontrei esta tertúlia, que nascera no Porto, com Leonardo Coimbra, em 1926. Assim, convivi com um grupo muito diversificado de pessoas com interesse filosófico. Encontrei aí um passado, uma história, referências, pessoas com obra que desde o início do século XX realizaram contribuições culturais relevantes, na sua obra teórica, ensaística e política, mas também na didáctica, na poética e no romance. Todavia, deste plural conjunto de pessoas emergia constantemente a memória da Pátria, nos filósofos, cientistas, historiadores, artistas, literatos, vozes teóricas que amassavam passado, presente e futuro; vozes que proporcionavam uma perspectiva histórica alargada, os princípios e as lutas em seus cenários epocais, as constantes humanas e as singularidades pessoais, dispondo-se em obras para nossa reinterpretação.
Se é sempre função das gerações mais adiantadas um nexo de unidade, a equação do passado ao presente para o futuro, ao modo como era praticada, era por si mesma constituída de valor, na funda experiência de pessoa a pessoa, na sensibilidade ao outro, na inteligência com profundidades e abordagens diferenciadas, na sua dedicação objectivada em obra. Estas competências, que se estimulam e são próprias numa Academia, formavam uma Escola no seu sentido mais amplo, espaço para a dedicação reflexiva e interactiva, mais do que esteio ou projecção para alguma específica e pessoal ambição, política ou de cariz filosófico, em parte devido à variedade de personagens, percursos e incidências que a compunham, em parte devido a serem estas reuniões um estímulo para a obra a desenvolver, pessoal e literária, e não um fim. A diversidade pessoal era coisa sagrada, mas também o era a partilha e a exigência de fundamentação, perante uma pluralidade de ideias e abordagens, na polidez do tratamento, na elevação das nossas responsabilidades como agentes culturais e, também, no amor a Portugal.
O gosto e filosofia desse Grupo incidia especialmente na cultura portuguesa, do passado e do presente, no sentido de ela ser, mais do que um importante recurso para a erudição, elemento imprescindível ao auto-conhecimento e motivo de reinterpretação da realidade social, económica e política; pois não há outro portal para aceder ao presente, pela sua diferença ou semelhança, senão a memória, nos arquivos, nos livros, na experiência de vida das gerações passadas.
Contudo, não ficávamos pela tertúlia. Depois de jantar passávamos ao IADE para o colóquio aprazado. António Quadros, também presente na tertúlia do Grupo da Filosofia Portuguesa, acolhia-nos numa sala ampla. Um convidado, ou um dos que estivera na tertúlia, iria desenvolver uma interpretação filosófica. Por vezes, além de um público frequente e quase permanente, chegavam a estes colóquios várias pessoas, também eles dedicados à cultura portuguesa e à filosofia que se haviam deslocado, por exemplo, de Estremoz e do Porto
O orador ia para o estrado, sem mesa, e de pé dissertava, ou melhor, como nessa tradição se manteve, orava. Mas quando começava o diálogo logo a sala se ia tornando elítica, activada a conversação entre uns e outros e com o orador. Não eram esses colóquios fáceis, com um público meramente expectante, mas sempre se constituía em estímulo, para que o intérprete e orador fizessem o seu caminho, tendo por início e não como ponto de chegada a sua mesma exposição, pois a relação com a actividade interrogativa, reflexiva e crítica dos participantes era intensa, viva e muito participada, vigorosa a questionação, mas não necessariamente severa.
Era este espaço de acolhimento, também um espaço de construção e de afirmação num pensamento exigente, na questionação à terminologia aplicada, quanto ao limite de sentido proposto na interpretação de um autor ou de uma obra em análise, quanto à pertinência das referências aduzidas em justaposição ou contiguidade com outros autores e quanto ao esclarecimento de pressupostos teóricos.
A sociedade portuguesa vivenciava uma intensa mudança cultural nessa época, com as diligências políticas de conformação normativa com a então CEE. Uma mudança que pode também representar-se pela construção de um discurso económico renovado, pela independência dos meios de comunicação social, que se tornaram mais apelativos, pela crescente oferta e participação do público em eventos culturais. A oportunidade de intervir politicamente, do ponto de vista de um jovem nos anos oitenta, estava na adesão a um partido político, na participação em associações de carácter solidário ou na participação em várias instituições culturais, onde inseri algumas contribuições, nas associações académicas, numa revista elaborada com o Elísio Gala, os “Cadernos de Filosofia”, para difusão na Universidade, e na participação activa em colóquios e conferências públicas.
Numa dessas conferências, algures na baixa de Lisboa, o tema era a política cultural portuguesa. Um dos palestrantes fora Secretário de Estado para a Cultura, de quem positivamente não me recordo o nome, e António Quadros. O primeiro advogava como meio de apoio às actividades culturais criar-se uma expectativa melhorada às receitas do Orçamento de Estado, por sua vez, mais incisivo no assunto e menos optimista perante aquela tese, António Quadros dissertou acerca da quase ausência dos autores portugueses nos compêndios escolares, fossem eles de História ou de Ciências, um problema político e de interdisciplinaridade. Importa salientar que esta sua intenção viria a objectivar-se, se bem que ainda ficasse muito longe do que poderia ser. Intervim após as conferências, durante o debate, na perspectiva de António Quadros, especificando no que dizia respeito à disciplina de Filosofia.
Salientando o facto de que os manuais escolares de filosofia eram escassos ou omissos em relação aos autores portugueses, quer anteriormente à Europa humanista, na Europa humanista e daí em diante. Entendia como ainda entendo, expondo agora com maior clareza, que com cientistas, literatos e artistas dar-se-ia a pensar filosofia em melhor modo do que ao género a que nos temos habituado, malogradamente. Pois em toda a nossa literatura portuguesa e lusófona se encontram peças de extraordinário interesse filosófico, do passado e do presente, como estímulo à reflexão e à acção cívica, para uma reflexão situada e universalizante, para o pensamento aplicado na questionação ética, estética, social, económica e política. Não se tratava apenas de substituir a aridez dos esquemas cronológicos, das doutrinas e textos apenas para iniciados, que usualmente expunham os manuais, mas de amplificar as virtudes pedagógicas do registo literário das fontes, científicas, políticas, jurídicas, poéticas. Estou lembrado de um manual de filosofia que, logo na sua primeira frase, longa e recurva, continha termos rigorosamente inultrapassáveis para o aluno, supostamente o seu mais directo leitor. Quanto não ganharia a cultura lusófona se, com os seus autores, os aplicássemos à iniciação de pensamento filosófico. Assim iniciaríamos os jovens ao discurso filosófico reconhecendo-o na elaboração vívida da língua, e não com textos quase herméticos ao estudante, obras sumariadas e doutrinas esquematizadas. Não querendo com isto dizer que nos desviemos completamente do paradigma entretanto praticado, isto é, da pedagógica predominância da escrita sobre a oralidade para efeitos de avaliação, da cronologia e da historiografia, do questionamento das temáticas antropológicas e epistemológico-hermenêuticas. Mas incluindo sobretudo os métodos colaborativos de aprendizagem, integrando com intensidade a produção cultural em língua portuguesa, e com ecletismo, na iniciação à filosofia e às ciências. Quem leu as palavras claríssimas de um Delfim Santos acerca da filosofia prefere-a naturalmente a outras versões, igualmente interessantes, mas, em traduções. A introdução ao estudo da história, e ao facto científico, proporcionada na introdução de Fernão Lopes na Crónica de D. João I, é ímpar. A poesia, como cenário de um contexto histórico e expressão acerca da condição humana, pode ser pedagogicamente mais estimulante e grave do que algumas dissertações que mais parecem saídas de uma máquina de propaganda ocidental do que de um laboratório pedagógico, interdisciplinar e ecléctico.
Ao terminar esse debate, à saída, tenho o gratíssimo prazer de António Quadros se me dirigir, com total surpresa minha, e convidar-me para os colóquios no IADE. É verdade que já para eles havia entrado na semana anterior pela mão do Elísio Gala, mas foi esse um episódio que nunca esquecerei, pois por ele dou a conhecer alguém que do púlpito dos conferencistas vem convidar uma pessoa que participara, para lhe proporcionar o estímulo, a continuidade e o aprofundamento dessa participação. Porém, estou reconhecido a António Quadros por outros e vários motivos, não apenas pelo seu acolhimento, mas também pela sua promoção da cultura portuguesa e lusófona, pelo seu trato e pela sua presença."

Mas entretanto nós - os profs. do IADE - a maioria, quer pela nossa idade, quer pelos temas que naturalmente interessavam «às nossas vidas», em geral não estávamos nestas andanças.  

No entanto ouvíamos as historietas, muitas delas sobrantes (por alguma graça ou notoriedade maior) dessas tertúlias e desses encontros. Acontecia até, que nas reuniões de professores que eram frequentíssimas (bastante diferente do que veio a acontecer mais tarde), era o próprio Dr. A. Quadros que as trazia, e as contava.

E delas, pelos relatos, poderíamos retirar algumas «panorâmicas», retratos, alguns talvez mais amplos (ou até por vezes muito especificos?) relativamente às temáticas que na sua vida o iam fascinando.  

Era um outro mundo, imenso, mas imenso mesmo! Como aliás prova a sua bibliografia (de que temos apenas um ou dois títulos...); mas que, nessa data - desde 1976 ao início dos anos 90, era ainda literatura que não nos interessava, particularmente.

Também porque estava ali ao lado, sabíamo-lo. Era um mundo que ia girando, paralelamente ao nosso, tendo nós a noção desse facto, que não fugia. Ou, continuando com a metáfora, tendo nós a noção dessa «rotação» (?), mesmo que, tantas vezes, a estranhássemos muito!

Mas, porque algumas vezes esses dois mundos se encontravam, e nem sempre esses «encontros», ou, digamos, eram mais intersecções (por vezes até tipo choque); digamos pois que nem sempre as ditas intersecções nos deixavam marcas de nota... Pelo menos que o saibamos, ou que nos lembremos?

Apesar de ser sabido que aquilo que cada um de nós passa, ou passou ao seu inconsciente, nem sempre foi o que decidiu pôr «na gaveta de baixo» (da memória); mas sim aquilo que, para lá, involuntariamente, terá caído...?

Isto é, e tentando ser mais clara, estamos a pensar em assuntos e temas que viveram ao nosso lado durante anos, e anos, e anos, mas que, e porque então pouco nos interessavam, eles devem ter caído (sem se dar por isso) para outros níveis da consciência; ou seja passado para o subconsciente e para o inconsciente?

Por isto, a questão do Filioque, que nos apercebemos ter estado na origem da representação do Espírito Santo - e que, como, veementemente defendemos, passou, dando forma ao que o caracteriza,ao Estilo Gótico; esta questão quando surge deixa-nos muitas vezes num estranho estado de questionamento interior: ou seja, meio-perdida, e à procura de episódios que possam ter acontecido, ou ainda à procura de memórias muito vagas.

Sobretudo porque ainda dentro do grupo de que António Quadros, também fazia parte, como está descrito acima, grupo dedicado à cultura e à Filosofia Portuguesa (sendo aliás autor de uma obra com o título A Patrologia Lusitana), nesse grupo esteve também João Pinharanda Gomes - a quem A. Quadros, nas ditas reuniões de profs., várias vezes (porque disso eu lembro-me) ele fazia referência**.

Seja como for - e se este é um dos assuntos que pode vir a acompanhar-me sempre: ou seja, o tentar perceber aquilo que (eu) já poderia ter conhecido da problemática do Filioque, antes de 2001 (?), e dos meus estudos dedicados a Monserrate, quando Maria João Baptista Neto me pôs à procura das (suas, dela!) Origens do Gótico?

Depois, também é verdade, pelo que se lê, que foi Pinharanda Gomes que fez referência a esta questão teológica - articulada com o Priscilianismo (uma heresia surgida aqui na Iberia) -, e a associou, i. e., o surgir desta problemática teológica, ao I Concílio de Toledo, realizado no ano 400.

Na verdade, e repetindo-me, há que dizer que mais tarde li imenso sobre esta questão, mas foi em Pinharanda Gomes (e talvez também em A. Quadros?), como provam as imagens seguintes***, que fiz as primeiras leituras sobre o assunto.

Image0053-A.jpg

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Por fim, e porque um doutoramento são estudos complexos que não dependem de um padrinho - que numa única data leva alguém (o seu próprio «afilhadito» - um incapaz de pensar pela sua cabeça e de ter vontade própria) à Universidade e vem de lá doutor. Não é assim, como infelizmente tivemos que conhecer vários casos de doutores (que também decidiram aliás interferir com, e mandar na nossa vida, sem que pudéssemos, até agora ter outra alternativa...). Mas - continuando depois deste parêntesis mais do que inevitável - e porque um PhD tem um Ph que vem de Filosofia, queremos ainda destacar que nas tertúlias de António Quadros também estava Elísio Gala (como se diz no texto).

É alguém (um autor) a quem devemos algumas leituras «fornecedoras» de informações fantásticas.

República-Elísio Gala.jpg

Vindas das notas sobre a sua tradução da República - que era a POLITEIA dos gregos.

Sobretudo a passagem que está na imagem seguinte, a qual - em nossa opinião - qualquer doutorado, preocupado em ensinar Arte e Design  deveria conhecer.

IDEAR.jpg

Por isso, Elísio Gala é um outro nome que não estranhei na Newsletter de hoje, com a descrição das tertúlias que começavam com o jantar na Mimosa. Sobretudo pelos seus textos que nos permitiram compreender as imagens da Arte, ao explicar que em grego o verbo "IDEAR" se refere a imagem essencial, ou à essência das coisas visíveis.

Assim, caros leitores fica hoje este post enorme, que é também o testemunho de quem em pleno século XXI está proibido de contactar os alunos:

Ou seja, de quem está posta na prateleira (dourada ou indigna? - escolham a cor e o décor...) e sem serviço docente atribuído por - Thanks God - ter memórias a mais!

Ou, porque talvez, e como António Quadros - cujos textos tantas vezes nos pareceram incríveis fantasias... -, talvez porque como ele nós também vimos interligações entre temas muito diferentes, e estabelecemos relações entre eles! 

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Pois se ando a dizer que «descobri» o que ele e alguns dos seus amigos tanto questionaram, enfim pode haver algo que me interesse, por isso hoje - manhã de 14 de Outubro - li. São também memórias da escola em que fui prof. até 2008, já que depois disso, e exactamente depois desse dia, tudo mudou. No entanto, ao lançar o meu estudo sobre Monserrate no Palácio Quintela, em 2 de Junho 2008, também ficou registada uma ligação (mais real, concreta - pelo preâmbulo de Fernando António Baptista Pereira - à obra de António Quadros). Uma ligação de que me apercebera, mais claramente, em 2002. Quando comecei a encontrar aquilo que a minha orientadora dos estudos na FLUL - Maria João Baptista Neto - queria fosse a base teórica (ou o briefing que então ela inventou!), para ser o fio condutor da pesquisa.   

**Referências feitas por A. Quadros, que - o sobre, e o por que eram? -, claro que não sei...

Mas lembro do nome, por ser um apelido invulgar, razão para mais tarde não ser estranho, por ter ficado na memória.

***Porém, hoje não sei dizer se li para o mestrado (e portanto antes de 2004), ou se foi só depois de 2006 para os estudos do Doutoramento (que nessa data iniciei)? Sei que cheguei depois a uma vastíssima (é mesmo sem fim...ver abaixo) bibliografia sobre este tema (o Filioque). Tema que, do ponto de vista das imagens - a iconografia (ou uma ICONOTEOLOGIA) que passou para a Arquitectura - é abordado por André Grabar e mais tarde por Oleg Grabar. O pai (André) ocupado com as imagens da Iconografia Cristã, e o filho (Oleg) que se tornou especialista na Arte Islâmica. Mais uma vez, e agora aqui, também outros «dois mundos culturais» que estiveram presentes (ou muito próximos) em Toledo, a partir do ano 711: quando a Pens. Ibérica foi invadida pelos Árabes vindos do Norte de África. 

Sobre este assunto, regista-se para os leitores muito curiosos que o melhor que lemos foi em Aldama. E procurando encontram-no: assim ver por exemplo na Internet uma versão (só) com 27 pp. que pode interessar-vos. Tem como título:  “The Insertion of the Filioque Into the Nicene Creed and a Letter of Isidore of Sevil” 

Ir por aqui.


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