Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jul 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Mas que se empregaram pelas mais diferentes razões:

 

As primeiras desconhecidas... dizem alguns*. Como estão na imagem já a seguir- Mausoléu de Santa Constança - e ainda nas imagens seguintes...

StaCostanza-detalhe.jpg

yo4.jpg

CruzPátea-Culots.jpg

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

Que se usaram em fachadas antigas, ou nas de edifícios emblemáticos, recentes - como acontece na Biblioteca de Birmingham.  Empregues, quem sabe, "por alguma reminiscência, ou de sentido vagamente conhecido"? Como no século XVIII escreveu William Chambers,  o arquitecto que foi professor de William Beckford

fachadaBirmingham-2.jpg

Que os vemos num jugo de bois, minhoto (de que data?...)

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda num "colar honorifico" - dizemos nós. Seria condecoração, efectiva, ou apenas uma mera "legenda visual". Enfática, a sugerir o "mérito" daqueles em quem fosse colocada?

ludovico-colar.Argolas-mandorlas

Só que, depois desta imagem lembramo-nos de um monumento português, incontornável e Património da Unesco. Em que nesse caso até existe fivela...**maria-i.jpg

Ou, enfim, em galões multicolores, que, como se explica na legenda acima foram moda no século XVII, entre os nobres... Por isso aqui dizemos - e corrigimos Judith Miller a autora de The Style Sourcebook*** - que no século XVII ainda se usavam, e acreditamos, com a consciencia plena do respectivo significado antigo.

Embora mais tarde, por exemplo no Porto, na casa-atelier que foi do arquitecto José Marques da Silva, numa varanda, estejam lá os mesmos circulos entrelaçados que viu e contactou (como há provas disto) no túmulo de Egas Moniz. Assim como, também em Lisboa, na Av. da Liberdade, se vêem os mesmos círculos - como na Casa de Marques da Silva - a aparecerem num contexto e gosto art déco.  

E onde, note-se, não parece haver qualquer vontade de revivlismo; ou, nem sequer de «heraldização»!

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*Alguns entre os quais se destacam os Historiadores da Arte. Mais propriamente os que ignoram «os ingredientes» de que a Arte era feita. Enfim os que desconhecem que Arte significava, e ainda significa (mesmo que muitos o esqueçam) habilidade:

A habilidade mental que alguns tinham, exactamente para, com imaginação, juntar e trabalhar os referidos ingredientes - ou motivos - como lhes chamava Robert Smith. Ingredientes que, como também lemos, Miguel Metelo de Seixas «quer  agora» que sejam heráldicos.

Quase a concluir este post que é sobretudo visual:  estamos perante Círculos e mais círculos (que ninguém quer entender) - coisa de que alguns têm medo, como se o passado os atormentasse? E por isso, como há dias pudemos ler, pela Connaissance des Arts, também são vistos como Esoterismos

** Ver aqui

***Judith Miller - The Style Sourcebook, ed Mitchell Beazley. London 1998.


16
Jun 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Sem sermos historiadores, sabemos que há muita(s) história(s) - que são mais estórias ou estorietas -, e que anda(m) muito mal contada(s):

 

Desde 2002-2004, e do que descobrimos a propósito do estudo do Palácio de Monserrate, em Sintra, passámos também a saber que se erguem monumentos a valores e a ideias que andam deturpados e deturpadas; propositadamente?, quem sabe...

Claro que este não é o tempo de perdermos todas as referências (como alguém que ao mudar de casa deixa de saber para onde mudou os seus pertences e valores)

Claro que a Nova Crise (do novo corona) não devia justificar uma enormidade de desmandos... Nem muito menos o derrube de valores que alguns temos como adquiridos, ao longo de vários séculos.

Mas justifica sim, todos merecemos - e isto não é um derrubar mas é um elevar! – a elevação dos valores que têm um sentido superior: i. e., superior ao das banalidades, e aos das trafulhices que, em Portugal, muitas destas, são quotidianas.

As estátuas de pedra e bronze não têm culpa, estão em pedestais porque outros reconheceram o valor, no passado, das figuras que representam.

Perigosas sim, são as pessoas que ainda agora se armam em estátuas, empoleiradas em tachos e pedestais, de onde actuam como se vivessem, para sempre, em «bases» que mais lembram redutos e castelos (porque, venha o que vier, dali não saem, dali ninguém as tira...)

Os que sem darem oportunidade(s) à verdadeira História, à sua investigação e ao seu Conhecimento pelo maior número – e isto é o que se passa nalgumas universidades em Portugal -, têm fortíssimas responsabilidades pela fraca ou nenhuma Ciência e Cultura, que na área da História não chega a todos:

Pelo contrário, vive-se como se a História, a Cultura e o Conhecimento fossem só para uns, poucos eleitos!   

Aqui, desde 2004-2005, se nos tornámos activistas, não é para derrubar estátuas de materiais inertes, mas é por causas e razões concretas. Mais: se para um arquitecto o direito à habitação é constitucional, estes - o Direito ao Conhecimento e à Cultura – também o são, ao mesmo nível, ou superior*.

Aliás se lerem na Constituição, no artigo 73º, 4., aí consta com toda a clareza a liberdade e a autonomia para a obtenção de novos dados: "A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado..."

E não consta aquilo que connosco se passou: não está na redacção da lei constitucional, nenhuma referência às preferências ideológicas dos responsáveis dos departamentos universitários:

Aos gostos dessas estátuas vivas, feitas empecilhos nos caminhos que só eles entendem; ou que só eles sabem por onde é que se pode e deve ir: «feitos sinaleiros»

Não consta na lei constitucional, que é possível haver responsáveis em centros de investigação do ensino superior, que não sejam interdisciplinares; ou que não compreendam, minimamente, as disciplinas e os saberes essenciais, que fazem ou fizeram a Arte. Em suma que rejeitem actualizações e novas visões, incluindo as que vêm de fora.

Se nós em 2002 percebemos a importância do FILIOQUE - e como esta questão mudou o mundo; e mesmo que só tenha acontecido em 2015, que Peter Frankopan se refira a esta mesma questão** (numa obra que é uma óptima actualização da História Mundial), a verdade é que não somos só nós a detectar esta problmática, e a sua imensa importância no decurso da História.

E se P. Frankopan é muito mais novo do que Jacques Le Goff, é no Historiador francês - com quem Vítor Serrão e Maria João Baptista Neto têm a obrigação de ter aprendido -, que esta questão está bem mais explicada, e mais desenvolvida***. 

E culpam-nos a nós, por termos seguido caminhos que a História sabe que existiram..., mas os nossos «profs.» não?

Caminhos que os Historiadores internacionais têm abordado, mas que os historiadores de arte portugueses (na FLUL) querem ignorar. Isto é discriminação pura:

Seja de género, seja científica, seja o seu cúmulo, ou seja o que for!?

É a prova de que há milhares de racismos, numa sociedade que se finge ser muito justa, mas onde pululam inúmeras injustiças.

E onde o ESTADO, por fim, só há-de intervir quando tem que enfrentar as situações extremas...

Portanto, elevem-se, e ajudem os outros a elevarem-se, antes de haver derrube de estátuas.

Não venham lamentar a perca dos Patrimónios Materiais,

quando os Patrimónios Imateriais que os justificam, fazem parte das vossas muito queridas e muito cultivadas ignorâncias.

(como a seguir se prova:)

Image0043.JPGP. Frankopan-p.74.jpg

P. Frankopan-p.164.jpg

JacquesLeGoff-Filioque-p.148.jpg

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*Artigo 65.º(Habitação e urbanismo)

  1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.
  2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado: (...)

Direitos e deveres culturais Artigo 73.º(Educação, cultura e ciência)

  1. Todos têm direito à educação e à cultura.
  2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.
  3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.
  4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado, por forma a assegurar a respectiva liberdade e autonomia, o reforço da competitividade e a articulação entre as instituições científicas e as empresas. Ver em:https://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/constpt2005.pdf

** Ver em Peter Frankopan, As Rotas da Seda, Uma Nova História do Mundo, Ed. ÍTACA, Lisboa 2018. Nas pp, 74 e 164, a questao concreta da Dupla Procedencia do Espírito Santo (que é designada como Filioque).

*** Ver em Jacques Le Goff, com Jean-Maurice de Montremy, Em Busca da Idade Média, Teorema, Lisboa 2004, p. 148. Mais, quem não ler este livro, definitivamente, não quer compreender a Idade Média. Não quer perceber a dose de «arbitrariedade» que foi instilada no século XIX por Jacob Burckhardt (1818-1897), quando escreveu A Civilização do Renascimento em Itália. A clivagem que assim introduziu no entendimento da História. 

https://www.facebook.com/ObservadorOnTime/videos/929220357242639/?v=929220357242639


26
Out 19
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

Na imagem seguinte, capa de um livro cujo título - Symbols of Power - nos diz imenso*, está um excerto de uma obra de Ingres. À qual se pode aceder, inteira, indo por aqui

Image0009-b.jpg

Desde 2002 a 2004, ao estudarmos Monserrate, e face às condições tão particulares do nosso trabalho, em que «recebemos» um briefing que obrigava, forçosamente, a um percurso pelas Origens do Gótico**; desde essa data percebemos que os mesmos sinais (e não símbolos como se explica na primeira nota abaixo) serviram para desenhar a Arquitectura. Isto é, esses mesmíssimos desenhos também eram usados nos trajes reais, ou nos dos príncipes e nos dos nobres.

E, claramente, válido também no feminino, para rainhas, princesas, etc.

São por isso fabulosas, por exemplo, algumas das indumentárias visuais que se descobrem em retratos como o de D. Sebastião, num retrato de D. Maria I; em vários de Isabel I de Inglaterra, num do Vice-Rei D. João de Castro, no da Princesa Santa Joana, etc., etc., etc. ...

Por nós, precisamos de os estar a ver, para os ir descobrindo (ou lendo), passo a passo, nas suas reuniões, ou nos somatórios de sinais que foram feitos; e desse modo constituíram aquilo a que alguns chamam "retratos áulicos".

E esses somatórios conseguem então «fabricar», visualmente, toda uma ênfase que é, pode-se talvez dizer (?), uma Simbologia do Poder.

Mais uma vez, e porque temos bastantes informações sobre este tema, fazemos um esforço de contenção. Sendo do nosso trabalho Monserrate - uma Nova História***, da p. 183, que sai hoje (e inteirinha, como podem confirmar) a nota nº 279.

Acrescentando apenas, que os sublinhados a amarelo, correspondem àquilo de que nos lembramos, de imediato, sempre que folheamos ou percorremos, visualmente, diferentes exemplos; sobretudo os de um livro como este:

"Talvez William Beckford tenha contactado a Mandorla, em Portugal, onde por exemplo esta forma, ou os arcos de círculo que a constituem, são muito frequentes, em vãos e varandas da arquitectura tradicional, em especial no Norte do país. Mas a associação em obras classizantes, de formas de raiz simbólico-teológica, já existia no Barroco; Fernandes Pereira, como mostrámos no capítulo anterior, fundamenta esta característica. Mas também Paulo VARELA GOMES, em Traços de Pré-Romantismo na Teoria e na Prática Arquitectónica em Portugal na Segunda Metade do Século XVIII, mostra como a região do Porto (por influência Inglesa, ou de Nasoni, ou o facto do terramoto de Lisboa ter destruído sinais mais antigos?), a zona Norte mais do que a de Lisboa, reúne um número importante de casos, onde se inclui vocabulário vindo do Gótico, como mostra o autor. Ainda no artigo que estamos a acompanhar, refere obras no Convento do Carmo a partir de 1757: “...em que os frades quiseram reerguer o templo gótico sabendo muito pouco dessa «maneira»...”. Op. cit., p. 235. Neste artigo faz alusão à fundamentação teórica da arquitectura em Portugal, na época, por Cirilo W. Machado, de quem retira várias frases. Mas Paulo Varela Gomes, não notou a importância que têm, outras informações de Cirillo, quando refere: diademas e coroas, círculos “de luz como os santos...” (ver em Cirilo Wolkmar MACHADO, Tratado de Arquitectura & Pintura, F. C. Gulbenkian, Lisboa 2002, p. 218); e ainda por exemplo, toda “a panóplia” de insígnias, vestidos, escudos, etc., de “Fenicios, Syrios e Macedónios...” (idem op. cit., p. 220). Não notou que a arquitectura medieval se marcava, tal como as pessoas punham na sua “indumentária visual”, com atributos, que permitiam que se distinguisse. E essa marca na arquitectura, fazia-se com elementos muito simples, que foram depois trabalhados e se complexificaram. Segundo pensamos, Cirillo escreveu sobre esses elementos: “...Os homens começarão no oriente a fazer imagens que erão como nomes ou ieroglifos...”(idem, op. cit., p. 254). E depois escreve já sobre o Gótico“...e fabricarão sem ordem, chamouse architectura Gotica por ser de Godos(...) fazendo templos só com regras mecanicas de fabricar...” (idem, op. cit., p. 266). Sublinhado nosso, para evidenciar o que por vezes “sentimos”,  perante algumas obras. Não a preocupação de obediência a um estilo, mas o uso de “regras de construção” (a que o autor chamou “mecânicas de fabricar”)."

Por fim, em nossa opinião (e por isso ficou no texto), impunha-se fazer uma alusão à expressão de Cirillo relativa às regras “mecânicas de fabricar”. Pois como pude aperceber-me, de 2001 até 2005 (período em que estive na Faculdade de Letras) aí a percepção do que é a construção, a arquitectura, os estilos, o carácter monumental/patrimonial de certas edificações; tudo isso é concebido, ou percepcionado (foi como o sentimos!), tão longe do real, das massas e da força da gravidade (como se fosse uma imensa abstracção...). E de tal modo, que a expressão "regras mecanicas de fabricar", sem dúvida, também a ele, e já no século XIX, se lhe impôs como uma necessidade.

Embora o diga (e isto pode parecer contraditório da nossa parte,  pois Cirillo escreveu-o a defender o estilo gótico) a propósito de "as extravagancias Goticas, que são Tedescas;..." 

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* Diz imenso o conteúdo, mas não concordamos, totalmente, com o título. Por termos percebido, há muito, que os Símbolos não são forçosamente o mesmo que Imagens (visuais). No cristianismo inicial o Símbolo dos Apóstolos foi substituído, a partir de 325, pelo chamado Símbolo de Niceia. E mais tarde, depois do Concílio de Constantinopla, o referido Símbolo de Niceia passou a ser, como se chama (agora e é o Credo): Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Donde, inicialmente, um Símbolo é uma reunião de ideias.

Ora neste caso dos Símbolos da Fé,  a estes, que eram reuniões de palavras, posteriormente associaram-se (automática ou convencionalmente) imagens. As mesmas que passaram às igrejas e aos objectos litúrgicos, e que depois Reis, Imperadores e todos os outros poderosos, resolveram também plasmar nas suas vestes. Como sinal da sua adesão às religiões (que tinham sido tornadas oficiais).

**Sobre a questão das Origens do Gótico procurem em bibliografia de Maria João Baptista Neto, e depois nos nossos posts, onde não faltam referências a esta temática que nos fez abordar; e donde não pára (felizmente) de continuar a sair material, fantástico e muitíssimo inovador.

*** Monserrate - uma Nova História, por Glória Azevedo Coutinho, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

O livro Symbols of Power, é de Paola Rapelli, traduzido por Jay Hyams. Edição de The J. Paul Getty Museum, Getty Publications, Los Angeles 2011.


25
Out 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

A mente como fábrica de IMAGENS?

 

Ou, os péssimos hábitos, típicos dos Arquitectos, que para pensarem (ou ajudarem o seu próprio pensamento a fluir melhor) precisam de lápis e canetas e de uns papelinhos: tão «beras» como é a parte de trás de um envelope? Onde fazem vários rabiscos para resolverem problemas que podem ter meses; ou, quem sabe, alguns séculos, como nos aconteceu...

 

É verdade, citando Michel Toussaint, já escrevemos sobre este processo que nos permitiu perceber, e consequentemente defender, o que pensamos esteve nas Origens do Gótico. Leiam portanto aqui o que escreveu Michel Toussaint:

“…Mas não é apenas esta questão que [Christopher] Alexander levanta, pois entende que «ao mesmo tempo que os problemas aumentam em quantidade, complexidade e dificuldade, também mudam muito mais depressa que anteriormente», e para resolver tal situação já não chega a habitual capacidade de simplificação do arquitecto. Especificando: «Dois minutos com um lápis nas traseiras de um envelope permite-nos resolver problemas que não poderíamos resolver nas nossas cabeças, mesmo se nos empenharmos durante cem anos. Mas no presente não temos meios correspondentes para simplificar os problemas de projecto por nós próprios»..."

Ou leiam ainda nos nossos dois posts que são de 2012: 1º. Resolver problemas de 100 anos num minuto

E no 2º. post (por continuarmos ainda à volta do mesmo assunto), deixámos um PDF da OA com o documento de onde foi retirado esse excerto.

Ora este nosso processo de percepção (referido acima, e acontecido de 2002 em diante, portanto já publicado - porque integra a nossa tese sobre Monserrate*), há sempre que lembrar tudo isto, deixou furibundos os profs da FLUL e do IHA (idem da FLUL). Os quais, desse embate, ainda não se refizeram, nem se recompuseram!

E sempre muito mal, ou pior que menos bem, tão lentamente, ainda não tiveram tempo de vir a público esclarecer o que se passou (e passa), como mostra o post de hoje na página de Vítor Serrão no facebook...

Portanto, e continuando passemos ao nosso comentário de ontem, e à importância ambiental de recuperar/aproveitar os edifícios antigos. Só que agora também na perspectiva de contribuir para uma maior sustentabilidade do planeta, e independentemente do valor patrimonial ou histórico desses mesmos edifícios.

Pois que, como alguém defende (ver post anterior) e estamos de acordo:

 

"The greenest building is the one that already exists"

 

E isso pode-se/deve-se fazer se estivermos perante Arquitectos e Edis (ou sejam as Edilidades, os Edificadores) bastante mais informados e bastante mais cultos. Claro, todos também mais imaginativos...

Só que, acontece que para isto, também a Faculdade de Letras de Lisboa pode ser relevante e colaborar!

Mais, se perceberem (ou se se lembrarem...?) que as principais obras arquitectónicas da cultura ocidental, partiram de desenhos que correspondem a diagramas que foram interligados - como mostram Francis Ching e Steven Juroszek e está abaixo sob o título de DIAGRAMING RELATIONSHIPS;   

Se perceberem isto...?, então também poderão aceitar, mais facilmente, que a ideia de Louis Sullivan segundo a qual a "forma segue a função", nem sempre foi regra! Pelo contrário, em nossa opinião (que a temos desde 2004, como ficou escrito e está publicado) os DIAGRAMAS empregues e associados, como por exemplo acontece na Planta que está a seguir; esses DIAGRAMAS funcionaram principalmente como IDEOGRAMAS**.

Image0008-b.jpg

E mais ainda:

Para além de Francis Ching e Steven Juroszek terem notado estas reuniões de DIAGRAMAS, que estão nas Plantas de alguns dos edifícios considerados os mais importantes da História da Arquitectura,  também notaram no funcionamento dos «processos do pensamento». E para estes na importância do desenho.

Concretamente como as nossas mentes, verdadeiras fábricas de produzir imagens, por vezes não as conseguiram conter lá dentro, nessa que já foi designada "Black Box".

E assim, transpondo o pensamento para o papel (ou fazendo-o com a ajuda do papel), nesse processo de materialização das imagens que lhes iam na cabeça; assim também desenharam, esquematicamente, e seguindo regras, o que mais tarde veio a ser edificado:

 

Onde alguns dos traços dos desenhos de contorno dos diagramas se tornaram paredes, de pedra ou de tijolo

 

Por isso (ver mais abaixo) chamado "Design Drawing" - que deve ser traduzido como "Desenho de Projecto".

"Thinking on Paper" - não é só aquilo que fizemos (e faremos?) durante várias décadas. É o "Pensamento Visual", como linguagem, de que Rudolph Arnheim tratou (e também já escrevemos várias vezes); e é aquilo a que assistimos, felizmente, vezes sem conta, nas aulas, das disciplinas de projecto. Aulas que eram chamadas de Design de Interiores. 

Image0007-c.jpg

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Por fim, e sobre o texto que está acima destas linhas, sobre a sua leveza e alguma ironia que contém, apetece dizer que connosco se passa o mesmo. Porque toda a questão é muito complexa, ou extremamente complicada. Só que, como em tudo, quando se divide por partes, o processo projectual, o processo de correspondências significativas, metafóricas e alegóricas, cada um desses passos é básico e elementar.

Ou, de associação em associação, completamente óbvio, como ficou registado há muitos séculos pelo Pseudo-Denys L’Aréopagite.

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* Se há quem diga que escrevemos a História da vida dos Knowles (!?), na verdade aquilo de que escrevemos (bastante) mais, e como está na Síntese Final - a apontar para trabalhos futuros - foi em torno das Origens do Gótico. Tal como «quase imposto» pela nossa orientadora. E Vítor Serrão sabe bem de tudo isto...

**Donde se retira, que, se os espaços desenhados a partir de IDEOGRAMAS (relativos a Dogmas do Cristianismo) podem ser funcionais; então, também a maioria dos edifícios antigos é aproveitável para outras utilizações que não as iniciais. Ou, mesmo que no século XIX, e cumprindo uma certa regra de Conveniência, ou Décor (de que já Vitrúvio escreveu), muitos edifícios citadinos tenham sido construídos de acordo e a cumprir essa «norma» de conveniência. Como podem confirmar,  não é a primeira vez, nem a última, que abordamos este tema

Enfim, e porque mais uma vez se deve dizer, este é um tema basto complexo. Quase impróprio para as redes sociais, mas que alguém «banido» de um doutoramento (na Universidade onde teria o devido lugar) não vai calar!


19
Set 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... assuntos mudados, enigmas desvendados"

 

Podia ser um novo provérbio, vindo ao encontro da necessidade de renovação que vai na Historiografia da Arte.

Não sei se em todo o Portugal?, mas enfim, em certas escolas: das Belas-Artes à Fac. de Letras, tudo isto da Universidade de Lisboa.

Porque, tal como o país, as faculdades da capital funcionam em slow motion. Embora, com "Os Donos de Tudo Isso" muito convencidos de que são moderninhos. Pelo contrário:

E na verdade, como são mesmo donos, só por lá passa quem eles querem, e como eles querem: tão antiquado quanto possível!

Porque o arreigamento, e a vontade que têm (de não mudar nada - lá está a contradição), levam a que pensem que isso é o futuro; do que acham que é só deles, esquecendo-se, propositadamente, de que é do país...

E assim prolongando a mentalidade que tinham, para aí desde 1971, já que essa é a regra!

No entanto, como registámos - há uma ou duas horas, no facebook -, estão aí bem fortes, claríssimas, ideias que têm estado pouco divulgadas (e agora descobriram).

extractFB-19.9.2019.jpg

páginadegloriaazevedocoutinho

E por isso já lá estão, alguns dos acabados de chegar, postos na primeira fila, armados em papistas, a proclamar a mudança*.  Basta vê-los, para se constatar como tudo isto é anedótico... O que mudam de repente...

E essa mudança será o futuro? Uma tradição antiquíssima (facto que ainda escondem - , nem sequer o dominam...), mas agora, e porque dá dinheiro, faz-se novidade total?

Ficam as perguntas, dirigidas à superficialidade vigente, e aos "just arrived", porque a nossa velocidade é a de cruzeiro; a de quem faz o caminho com os seus próprios sapatos, que a cabeça escolhe/escolheu, para o conforto da passada.

E, continuando, vá-se lá saber porquê (esta questão anda connosco há décadas?**), então vamos lá atrás, aos bois e a um postal minhoto dos anos 1990, que o comprámos e escrevemos, pela graça do cenário:

Minho-JugoBois.jpg

Um cenário onde pouco ou nada sabíamos dos detalhes, mas que agora não nos surpreendem:

No detalhe, um jugo de bois - como já JOAQUIM DE VASCONCELOS tinha evidenciado -, com Iconografia Medieval. Isto é, com as mesmas argolinhas de Paço de Sousa e de Coimbra; iguais às do Túmulo de Egas Moniz e às que se vêem na Sé Velha, logo à entrada***.

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda, se repararem com muita atenção, verão que essa ICONOGRAFIA do jugo dos bois é igual à desta janela, que é francesa, como se mostra a seguir em detalhe (com as argolas rodadas), para se verem na mesma posição.

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

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*E se ontem escondiam e não aceitavam, hoje já se armam em mandantes da mudança!

**Damos um prémio a quem explicar a razão...

***Insiste-se, damos um prémio a quem explicar o motivo de estas imagens nos perseguirem.


12
Set 19
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

... desde meados de 1987-88, que começámos a trabalhar sobre Monserrate

 

Primeiro na Associação Amigos de Monserrate, depois na Faculdade de Letras (a partir de Out.-Nov. de 2001)

Só que aí começou uma verdadeira saga. Porque investigações feitas a sério, podem trazer resultados inesperados.

E assim foi, embora também a sério, posta fora da FLUL, impedida de aí fazer o doutoramento, e desprezada (por ser de um género menor...) na FBAUL por FABP!*

Enfim, materiais não nos faltam, desde (1) o que descobrimos, a (2) o que outros nos foram mostrando de eles próprios: como personalidade, (falta de) carácter, e as inúmeras razões para a (imensa) mediocridade de um país...

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*Alguém de cujo profissionalismo vamos sempre ter muito para relatar, incluindo as pirosadas que lhe ocorriam, para nos demover dos estudos em que estávamos absolutamente dirigidos. Prova disso o Entrecho que logo produzimos na entrada em Belas-Artes (em Maio de 2006).

 


09
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ou como foi ocupando a nossa vida, desde 1987  [que é como quem diz, já quase vai em metade! (*1)]

 

Se forem ao nosso post do dia 7, e depois sempre a recuar, há muito que se pode e se há-de encontrar, desde Monserrate quando não era mais do que imagens incompreensíveis; até que muito mudou, passando a ser compreensível, e altamente falante.

Começa-se pela fotografia que regista círculos, apostos sobre a fachada do Palácio sintrense:

Os quais, para Maria João Baptista Neto (nossa orientadora de uns estudos feitos num tempo em que devêramos ter juízo, e não ir atrás de «criadoras de balelas»...*2), esses círculos teriam sido falantes; constando daquilo que eram para si (para a dita «sra. prof.», suposta orientadora) "As Origens do Gótico".

Mas enfim, as ditas "balelas", tornaram-se em sucessivas fontes e poços, repletos de informações.

Hoje interessantes e úteis, potencialmente, para todas as áreas da Cultura (e para muitas áreas científicas). Dizemos nós...

E assim podemos continuar - muito à base de imagens - a contar esta história que está cada vez mais longa, e antiga.

Em 2001, naturalmente, e sendo a curiosidade um motor poderoso, decidimos ir ver o que tinham tido, de tão especial, os Godos (Ostrogodos e Visigodos) para isso os ter levado a criar um Estilo.

[Só que primeiro foi um Símbolo, embora não visual, como todos julgam ser o único sinónimo de sinal...].

Foi então (2001-2), que quase sem dar por isso, começámos a ler sobre TEOLOGIA, e também a escrevinhar nas margens dos papéis, e em muitas folhas de apontamentos, dos nossos estudos. Nessa altura valeu-nos a New Advent Catholic Encyclopedia, e a sua explicação do FILIOQUE (sobretudo ao alertar para o nível de abstracção que sempre esteve em causa...)

Já tínhamos feito imensos gatafunhos/garatujos ou doodles - o que lhes queiram chamar. O certo é que, alertada pela New Advent Encyclopedia olhámos para eles. Eram semelhantes aos da imagem seguinte.

Mas nesta, o 1º esquema não é nosso (ver aqui - num post muito recente que dedicámos ao assunto);  acontecendo que o Professor norte-americano que o fez - esse e vários outros esquemas -, de certeza que ignora o modo como estas imagens esquemáticas estiveram na origem das formas dos estilos de arquitectura antiga, e tradicional, europeia, de raiz religiosa.

depoisConcílioNiceia-325.jpg

Porque, e isto parece-nos óbvio, caso não o ignorasse (isto é, se ele o soubesse), então para melhor expor as suas ideias, claro que teria ido buscar as referidas formas da Arquitectura; assim como as que estão em todas as outras áreas artísticas. Para depois, com esse apoio visual, explicar aos seus alunos, as (hiper) subtis diferenças teológicas que existem entre os também diferentes Credos, ou Símbolos da Fé.

Acima as imagens 2, 3, e 4 são nossas, sendo que 2 é uma adaptação de 1.

A nº 3, encontrámo-la em casa, num documento antigo, e quase em simultâneo na edição de 2000, Oxford University Press, do  dicionário de Arquitectura de James Stevens Curl.

Depois a imagem (ou o esquema) nº 4 é um «8» deitado, que a partir de muito cedo - vê-se numa patena francesa do início do século VI - passou a representar Deus, o Infinito.

Mas essa mesma representação do Infinito, como está acima no esquema nº 3, chegou - mais do que certo (e talvez ainda com o seu significado conhecido?) - ao século XX.

É que ao estar no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, no painel Começar, de Almada Negreiros (ver aqui), é inacreditável, nós não acreditamos!,  que Almada desconhecesse o seu significado ancestral.

painel-começar.jpg

Tal como há dias escrevemos, num post a propósito de Sarah Affonso e de uma pintura sua - que podendo parecer muito menos do que é - pois na verdade é anagógica (a elevar, ou como que a puxar para cima); já que era o céu e o infinito que ambos (aqui o casal Sarah e Almada) várias vezes pretenderiam evocar...

Fizeram-no através de registos, tão específicos quanto concretos (ou significantes), que ambos deixaram nas suas obras. Fizeram-no - como muitos outros do seu tempo -, ainda, e neste caso, com o mesmo sentido que tinha sido dado às Ogivas. A designação que é sobretudo associada a uma forma (dita ogival), e não ao verbo latino "augere". Que significa elevar-se, ascender na direcção do auge.

Para isso usaram sinais que alguns designam como sendogeométricos, mas que para outros são designados abstractos. Por fim, e não tardará a acontecer (dizemos nós), para a totalidade das pessoas eles serão, supostamente, insignificantes.

Um dia serão vistos como umas «verdadeiras tralhas» que se punham nas obras, sem que com elas, pouco ou nada se estivesse a acrescentar! (*3

infinito-2.jpg

painel-começar-detalhe.jpg

No futuro, só se entenderá a referência ao FILIOQUE que é feita por Almada Negreiros, na igreja de Fátima, em Lisboa, nos vitrais que são completamente icónicos... Nunca nos Arcos Quebrados - que aliás são o mote estrutural da obra - porque a sua imensa economia visual, de tão resumida se tornou definitivamente abstracta; e portanto incompreensível 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*1) Antes, entre muitas outras coisas (é o que hoje se depreende) estivemos a preparar o que se iria fazer depois, anos mais tarde. I. e., a preparar o que exige multidisciplinaridade, prática de visão e compreensão da composição... 

(*2) Mas fomos. Sendo que logo que pôde, «a dita» teve o desplante de nos mostrar o engodo que criou. Pois afinal, depois de encontradas as suas tão almejadas "Origens do Gótico", nunca mais a questão lhe interessou... Até que, numa primeira fase impingiu assunto Monserrate aos mais próximos, chegando à exposição que foi inaugurada em 2017. A qual lhe teria dado muito mais se tivesse treino de visão (mas cada um é como é!). Agora, tão original, e nada premeditada, segue na minha peugada, fazendo-se passar por «conhecedora» da Arte Cristã... E se temos que nos habituar, enfim que espalhe aquilo que tinha na cabeça em 2001, e me pôs a procurar. Sim, mas começando por espalhar a lição que recebeu (em Janeiro-Fevereiro de 2002) sobre a forma de trabalhar de um arquitecto: como as ideias se tornam esquemas e ideogramas. Pois é a chave de toda esta questão

Depois, e para resumir, pergunta-se:

Porque esteve Maria João B. Neto tanto tempo calada (desde 2002)?

As guerras religiosas (que vão pelo mundo) são guerras culturais. Como aliás o percebeu, muitíssimo bem, pela minha tese! Ou a investigação faz-se, os Governos pagam-na, para, havendo resultados, os principais responsáveis ficarem todos calados?

Para, ainda no caso de Monserrate, uns anos depois, ir uma Ministra da Cultura visitar um país do Próximo Oriente, e aí pedir «apoios mecenáticos» para recuperar uma casa que - Maria João Neto sabe-o melhor do que ninguém! - é o resultado das pesquisas dos "antiquários ingleses", dos seus Grand Tours, e dos membros da Diletanti Society.

Mansão que por acaso foi construída em Portugal, por quem era então um dos homens mais ricos da Inglaterra vitoriana.

Sim senhora Professora Maria João Neto, no século XVIII, quando as mentalidades se começaram a aproximar daquilo que são hoje, nesse tempo a curiosidade era diletante; hoje é Ciência. E os países, bem, gastam milhões para se reforçarem cientificamente. Porque a Ciência é útil e necessária. E tal como hoje ninguém despreza a Psicologia, do mesmo modo o que se encontrou ao estudar Monserrate, orientada por si (e bem), deve igualmente ser muito mais útil do que os "Dez reis de mel coado" que vai receber por cursinhos de A Arte Moderna e a Arte da Igreja, na Capela do Rato.

É que, embora toda esta problemática não seja um Assunto de Estado, no entanto é da maior importância!

(*3) No futuro serão vistos como acidentes superficiais, ocorridos nas obras; ou, como verdadeiros "crimes" ! Portanto podemos dizer à maneira (minimalista) de Adolf  Loos : "...que muito se poderia ter poupado no trabalho de ornamentação!"

E se temos que nos habituar (à peugada):               "...Ainsi soit-il!

                                                          Et quand la nuit est nuageuse

                                                 Il y a toujours une lumière qui m'éclaire

                                                         Éclaire-moi jusqu'à demain

                                                         Ainsi soit-il"

 

A um assunto que vai tendo barbas, mas por aqui não se esquece!


08
Set 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... QUE É COMO QUEM DIZ, ALGUÉM ANDAR NO MEU LUGAR

Não gosto!

 

E por isso já escrevemos vários posts:

Em 31 de Janeiro de 2018 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/a-proposito-de-monserrate-revisitado-405435

Em 28 de Janeiro de 2019 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/sobre-aquelas-duvidas-que-ainda-457447

Em 15 de Novembro de 2015 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/e-sera-que-os-historiadores-de-arte-ja-293012

Devendo destacar-se a pergunta: Será que os Historiadores de Arte já calçaram «os sapatinhos de Geómetras»?

Por que esperam? Quando vão finalmente perceber que têm que largar as suas «tamanquinhas», tacanhas, e aprender Geometria? (*). 

A DISCIPLINA que foi, como escreveu Hugo de S. Victor : 

"... la source des sensations et l'origine des expressions"

~~~~~~~~~~~~

*Como acha Maria João Neto que pode perceber, por exemplo, a obra de Almada Negreiros?

Por fim, quem julga que a História da Arte Cristã está repleta de segredos que só a Maçonaria conhece - por serem esses os Geómetras -, engana-se, a si e a quem o rodeia.

A solução dos supostos «enigmas» está no Pensamento Visual, ideogramático e cujas regras vêm da Geometria.


13
Ago 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Foi motivo para o nosso orientador do doutoramento nos ir dizendo (e empatando) mas cheio de razão:

 

"Glória não vai fazer uma História da Arte!" Para logo a seguir repetir e insistir - só lhe faltando mesmo a música (já que o mote e a toada tinham passado a existir): "Glória não vai fazer uma História da Arte..."

E assim dizia, e repetia, com toda a razão (e eu sem perceber!).

Mas a dita da razão - tanta que teve, e tem - agora aparece-nos por aí, às vezes, a surpreender, em obras que são extremamente bonitas:

Embora não o sejam apenas pelo seu visual/superficial - i. e., por uma sensação imediata vinda da composição e das cores (desde logo altamente amáveis). Mas que o são pela percepção, que é como quem diz, pelo trabalho de compreensão que a mente faz, mais elaborado e devagarinho, a descobrir.

  O que passa por diferentes camadas de (outras hipóteses de) leitura.

Cat.SarahAffonso1.JPG

Cat.SarahAffonso2.JPG

É ainda sobre a exposição dedicada a Sarah Affonso, em que estamos a pensar e a escrever.

É sobre alguns dos quadros - como o Papagaio que é uma estrela (e está na contracapa do catálogo, imagens acima) - onde alguns detalhes, que fazem toda a diferença, nos lembram «certos truques» (ou as verdadeiras piscadelas de olho ao leitor/espectador da obra), tão típicos de Almada Negreiros.   


28
Jul 19
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

No nosso estudo dedicado a Monserrate, várias vezes nos apercebemos da importância da Heráldica, e escrevemos sobre isso*.


Por nos parecer verdadeiramente necessário introduzir este tema, ou «cruzar» com ele vários elementos visuais, para se poderem entender muitas das formas (ditas abstractas - mas que afinal eram convenções e portanto eram formas legíveis, que falavam...).
Em suma, para se compreenderem as formas (ou o vocabulário formal) integrantes do que vemos como arquitectura antiga e tradicional.
Assim, e repescando (de 2001) o mote da orientadora dos estudos que dedicámos a Monserrate, quando nos disse:
Não poderá perceber Monserrate se não perceber os círculos entrecruzados que estiveram nas origens do Gótico…”. Agora, e abrindo ainda mais toda esta questão, somos nós a ter de dizer (e a corrigir) aos historiadores:
Não poderão perceber a arquitectura antiga e tradicional, se não compreenderem a interligação que existiu numa série de conhecimentos que hoje estão cada vez mais disseminados!” **

Mais: o livro que agora nos chegou às mãos de Miguel Metelo de Seixas (edição da FFMS, ver capa abaixo), e sobretudo a Visita Guiada da RTP2 ao Palácio da Vila de Sintra, têm a enorme vantagem de nos darem razão: Descrevendo e explicando algumas das Salas, consideradas as mais bonitas desse Palácio, como o resultado de um Programa. Mas não exactamente de um  Programa Estético (como aprendemos com Vítor Serrão na FLUL) e sim de um Programa Heráldico ***.

Reparem como, se estes espaços hoje nos deslumbram - e não sabemos da “tradução” (como refere Paula M. Pinheiro na Visita Guiada ao Palácio de Sintra) de muitas das ideias, ou dos conceitos que estiveram na sua génese. Se hoje todos nós, e vendo apenas superficialmente, ou «pela rama» …, nos deslumbramos: o que não seria no passado? O que não deveriam estes espaços representar, para os mais entendidos? Quando ainda não se tinham perdido os elos significantes, e as correspondências, que, sabemos, que existiram entre todos estes elementos?
[E já agora este parêntesis, sabemos porque os lemos, tendo já escrito sobre eles como aqui podem confirmar].

Porém, de este novo sobressalto (muito bom!) – que é para nós o livro e a linguagem empregue por Miguel Metelo de Seixas – falando por exemplo em sinais visuais e não em símbolos; deste seu contributo que agora recebemos (pois um livro é sempre isso), chega-nos também a certeza de que estamos num caminho completamente certo, para dever prosseguir na divulgação daquilo a que já chegámos.

Por isso, continuo a escrevê-lo, e a explicar as razões para tanto entusiasmo:
É que apesar de William Morris ter escrito que muitas das “…formas (ditas decorativas) tiveram significados sérios: vindos do culto e de crenças,…”, o ensino que posteriormente é feito, influenciado por aquilo que foi em Inglaterra a figura do Architect Amateur, no século XX, quando estudámos e nos licenciámos, já nada disto era perceptível.

E é toda esta «distorção», de um caminho que se iniciou, como supomos, com ARQUI a significar principal, e TECTURA a significar construção, que nos fascina. O como chega ao hoje:

Não apenas alterado no sentido, mas super-variado e incrivelmente enriquecido... por sucessivos esquecimentos e ainda mais incompreensões!

quinas-e-castelos.jpg

* Por exemplo, sobre o Pátio da Casa que foi de Gérard De Visme em Benfica, lá está a referência que se fez à Heráldica:

O Pátio de Entrada revestido com uma calçada tradicional portuguesa – de vidraço preto e branco - apresenta um desenho muito interessante, e original. Depois do que estudámos sobre a época medieval, passou a ter para nós enorme valor. Porque o que se julga, tratar-se aparentemente de um “arranjo floral”, é muito mais do que isso; tem elementos que foram segundo pensamos, relevantes em Heráldica, transformados em folhas (ou flores). Estas são mandorlas, brancas com círculos pretos no interior; o que é provavelmente, uma elaboração, com base nas Armas Antigas de Portugal. Dentro das mandorlas, os círculos pequenos, seriam besantes, a moeda com que Afonso Henriques “pagou” o reconhecimento do título real ao Papado. Se os jardins que Devisme mandou fazer foram precursores, este pátio é revelador do seu gosto e cultura. São aspectos de relevo na personalidade de um encomendante, mas que nos levam também a questionar quem pode ter sido o autor, deste magnífico desenho de pavimento…”. Ver pp. 177-178.

**I. e., - e descrevendo o que se passa na realidade das universidades – conhecimentos separados em designadas (eufemisticamente) por Áreas Científicas. Áreas que também são delimitadas por verdadeiras barreiras, «de arame farpado», a mando da cultura de Ciência e Investigação que a Agência A3ES estipulou, e assim - como barreiras intransponíveis -, as mantém milimetricamente, separadas. Em vez de se reconhecer que sem Geometria, Teologia, Filosofia, Neurociências, Heráldica… nem sequer vale a pena andar a investigar.
***Achamos que é precisa uma designação, e acabámos de usar esta - Programa Heráldico. Será a mais certa? Mas sem nos esquecermos que em tantas outras ocasiões temos empregue, e continuaremos a empregar, a designação ICONOTEOLOGIA. Como refere Miguel Metelo de Seixas (e neste caso estamos a pensar  no livro recém-publicado), são vários os elementos cristológicos, adoptados e presentes na Heráldica
Enfim, o Ensino Superior, os Centros de Investigação, servem para os investigadores não estarem sós (ou entregues às redes sociais...); encontrando nesses centros os parceiros que, compreendendo as investigações de uns e de outros, vão trabalhando colegialmente para resultados úteis à Ciência, e por isso também a cada país que a produz. 

Por cá, vê-se o que acontece!


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