Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
17
Set 21
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Este título que circula em rodapé nas nossas televisões: "Comunicação de planos para igualdade de género adiada dois meses por despacho".

 

Na verdade o dito título dá imenso gozo, por patentear a pressa com que querem despachar um assunto, no qual como se sabe, para as entidades oficiais (legisladoras, governadoras, responsáveis, etc) nem sequer convém haver pressa...

Mais o título vai mesmo bem com este outro, tudo em uníssono que é também dos noticiários do dia  

blog-17.09.2021.jpg

*Pois faz lembrar as mentalidades dos Vítores Serrões deste país...

[Os queridos «pastelões» - indespacháveis sempre (nas suas mentalidades arcanas) -, que vivem e sobretudo viverão no futuro, em estado de negação permanente...]


28
Jul 21
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Sempre que algum post interessa mais a alguns (esteja no nosso facebook ou num dos blogs), então há uma «romaria».

 

E assim tem sido nos últimos dias.

Seja a Primaluce,Iconoteologia, ou a Casamarela. 

É verdade que os nomes que demos aos ditos blogs não primam pela beleza; mas - sobretudo em ICONOTEOLOGIA - o que se procurou foi divulgar um conceito que está atrás de uma palavra que, é poderosamente significante.

E, é ainda mais verdade, não ficámos embevecidos a mostrar que sabemos as diferenças entre Iconologia e Iconografia , à maneira dos «adoradores» de Panofsky; ou do que se ouviu/ouvia na FLUL, no início do século XXI. Que é como quem diz, bem mais de 50 anos depois de ter sido escrito (tal a actualidade!).

Diferentemente, aproveitámos o que se aprendeu em óptimos livros da biblioteca da UCP: concretamente sobre a percepção que muitos têm daquilo a que todos chamam ARTE: ou seja, que em geral é uma Iconoteologia.

Porém, se ontem foi assim, nas visitas que tivemos:

  1. Primaluce: Nova História da Arquitectura - 3
  2. Um dos blogs mais bonitos... - 2
  3. Quanto maior a evidência, ou a importância das novidades e valor da notícia... - 2
  4. Sim, sim - "É para o lado que eu durmo melhor!" (só que agora queixam-se) - 2
  5. Sobre a formação do olhar de uma nação, relativamente à sua Arte - 2
  6. Uma elipse não é uma oval, mesmo que muitas destas formas pareçam iguais - 1
  7. É tudo gente honestíssima - 1
  8. Retratos de "Uma Barbárie" - 1
  9. Factos inesperados (isto é, super-inesperados como nos aconteceu desde 2002) - 1
  10. Sempre que surgem informações... - 1

Acontece que a 30 dias (ou a 6 meses) os que procuram este nosso blog - e bem ao contrário do que possa parecer - não são assim tão poucos...

Estastíticas28.07.2021.jpg

Estastíticas.jpg

 

No entanto, o que esses todos são é muito discretos; embora, ou principalmente, possamos dizer que são muito contraditórios!

O que é mais uma razão para continuarmos a escrever, e desta maneira continuando a publicar as nossas ideias.

Sabendo nós que os nossos leitores habituais primam pelo silêncio; ou, se falam do que escrevemos, muitos deles mostram-se desdenhosos, como se fizessem questão em não se deixarem influenciar por aquilo que abertamente eles  apoucam. Como é o caso de Vítor Serrão, Maria João Baptista Neto «e família»... Já que, é este o sentido da palavra desdenhar.  

Mais: se esses forem aos meios de comunicação de maior audiência, o que eles dizem - e se lhes ouve (pois não somos surdos!) - é, ipsis verbis, aquilo que nós escrevemos*: seja aquilo que leram no livro, ou o que muitos vêm ler aqui aos vários posts.

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*Embora, temos que o dizer, também aconteça haver nalgumas citações que vamos encontrando do nosso trabalho, algum erro. Como está no texto seguinte, quando se diz que em Lisboa, um amigo de Gérard De Visme, era irmão de Horace Walpole. Na verdade o erro está em que Robert Walpole - enviado/embaixador do governo inglês - era primo de Horace, e não seu irmão. É esse o erro.

No restante parece-nos correcto, este excerto que encontrámos em O REAL PAÇO ACASTELADO DA PENA EM SINTRA: EDIFICAÇÃO DE CASTELOS NEOMEDIEVAIS OITOCENTISTAS. Da autoria de Joaquim Rodrigues dos Santos (na Escuela Técnica Superior de Arquitectura y Geodesia - Universidad de Alcalá de Henares:

"As relações entre Monserrate e o mundo britânico não ficariam somente pelo seu projectista, pelo seu
proprietário ou pela decisiva influência romântica recebida: segundo Glória Coutinho, existiriam prováveis
relações de proximidade entre De Visme e o escritor britânico Horace Walpole através do irmão deste
último, que estaria por aquela época a viver em Lisboa; inclusivamente tinham sido comprados nesta cidade alguns dos móveis que Walpole possuía na sua residência de Strawberry Hill, provenientes de Goa6.
"Também o novelista britânico William Thomas Beckford viveu em Monserrate entre 1774 e 1799, antes de
voltar ao Reino Unido. Walpole e Beckford foram indubitavelmente dois personagens significativos para o
desenvolvimento dos revivalismos neogóticos no Reino Unido.
Walpole, considerado o introdutor do romance gótico negro no Reino Unido com o seu poema The
Castle of Otranto[…]7, tinha comprado em 1747 a residência de Strawberry Hill em Twickenham, perto de
Londres. Dois anos depois iniciou a sua ampliação apoiando-se num comité de consultoria constituído por
projectistas como William Robinson, John Chute, Richard Bentley, James Essex e James Wyatt. Imbuído
pelo espírito romântico dos ideais cavaleirescos, o excêntrico novelista pretendia transformar a sua residência num castelo, promovendo uma disposição pitoresca do edifício que aludía aos cenários da sua obra
literária. A fantasia e extravagância dos fragmentos góticos, livremente interpretados e incluídos na sua
construção, concediam assim um ambiente de carácter goticista."

Excerto retirado de um pdf a que podem aceder indo por aqui


14
Jun 21
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Aproveita-se para guardar aqui estas informações, ao mesmo tempo que ficam visíveis, e legíveis para os nossos leitores:

Para que se possa, facilmente, ver o modo de «trabalhar» de alguns universitários portugueses...

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Se o que este Pedro Alves fez, está aqui, e explicado por ele, com todas as letras.

Já Vítor Serrão fê-lo de forma traiçoeira, e escondendo-se, mas motivado pelas ideologias que sempre apregoa. Em suma, num comportamento que fica bem (de mais) a quem está à frente do que não deixa de ser um serviço público à comunidade... 


06
Abr 21
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Diz o provérbio...

 

Mas também nos disse, um dia, um grande «taxonomista»:

 

"Glória, as mulheres são uma onda, mas os homens é que organizam!"*

 

Assim (como está no título), é neste contexto - o de uma sociedade dividida entre feminino e masculino, bem como de outras questões, minúsculas, muito características dos povos desenvolvidos (e do estádio em que ainda nos mantemos...) - que hoje deixamos um óptimo exemplo de bibliografia dedicada à Arte Cristã.

 

E já agora, pois é incluído no fim (ver na p. 635) o conselho dos próprios autores - Peter e Linda Murray - do que aprenderam com os seus mestres. Chegando ao ponto de também eles o quererem transmitir aos que os lêem:

Com a intenção, quem sabe, de ser um passa-palavra, uma ideia ou um testemunho, cuja transmissão não se devesse interromper?

Murray-DictOfArt.jpg

PETER & LINDA MURRAY.jpg

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* Assunto de que já escrevemos, ... e há muito tempo!  Esquecendo-se - é provável ou é propositado? - tal como continuam todos a esquecer, que já não estamos nos anos 60. Que os cérebros femininos ou masculinos já são agora igualmente bons a pensar, e a fazer Ciência. E não são um superior ao outro. Pelo menos até ver ...?

Como se esquecem que a Arte é obra/concepção humana, e não de Deus. A Arte (de que aqui se fala) não é a Natureza! Não são as espécies animais...! Embora muitas analogias ajudem a pensar (e a energizar o pensamento - tal como as imagens sempre fizeram), o darwinismo na Arte já foi... É coisa passadíssima!

Portanto..., fortemente provável - dizemos nós - terá sido de Deus e da Cultura Cristã, que veio a inspiração e também as formas, que se vêem plasmadas nos valores culturais, e patrimoniais, mais antigos  


22
Jul 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Mas que se empregaram pelas mais diferentes razões:

 

As primeiras desconhecidas... dizem alguns*. Como estão na imagem já a seguir- Mausoléu de Santa Constança - e ainda nas imagens seguintes...

StaCostanza-detalhe.jpg

yo4.jpg

CruzPátea-Culots.jpg

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

Que se usaram em fachadas antigas, ou nas de edifícios emblemáticos, recentes - como acontece na Biblioteca de Birmingham.  Empregues, quem sabe, "por alguma reminiscência, ou de sentido vagamente conhecido"? Como no século XVIII escreveu William Chambers,  o arquitecto que foi professor de William Beckford

fachadaBirmingham-2.jpg

Que os vemos num jugo de bois, minhoto (de que data?...)

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda num "colar honorifico" - dizemos nós. Seria condecoração, efectiva, ou apenas uma mera "legenda visual". Enfática, a sugerir o "mérito" daqueles em quem fosse colocada?

ludovico-colar.Argolas-mandorlas

Só que, depois desta imagem lembramo-nos de um monumento português, incontornável e Património da Unesco. Em que nesse caso até existe fivela...**maria-i.jpg

Ou, enfim, em galões multicolores, que, como se explica na legenda acima foram moda no século XVII, entre os nobres... Por isso aqui dizemos - e corrigimos Judith Miller a autora de The Style Sourcebook*** - que no século XVII ainda se usavam, e acreditamos, com a consciencia plena do respectivo significado antigo.

Embora mais tarde, por exemplo no Porto, na casa-atelier que foi do arquitecto José Marques da Silva, numa varanda, estejam lá os mesmos circulos entrelaçados que viu e contactou (como há provas disto) no túmulo de Egas Moniz. Assim como, também em Lisboa, na Av. da Liberdade, se vêem os mesmos círculos - como na Casa de Marques da Silva - a aparecerem num contexto e gosto art déco.  

E onde, note-se, não parece haver qualquer vontade de revivlismo; ou, nem sequer de «heraldização»!

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*Alguns entre os quais se destacam os Historiadores da Arte. Mais propriamente os que ignoram «os ingredientes» de que a Arte era feita. Enfim os que desconhecem que Arte significava, e ainda significa (mesmo que muitos o esqueçam) habilidade:

A habilidade mental que alguns tinham, exactamente para, com imaginação, juntar e trabalhar os referidos ingredientes - ou motivos - como lhes chamava Robert Smith. Ingredientes que, como também lemos, Miguel Metelo de Seixas «quer  agora» que sejam heráldicos.

Quase a concluir este post que é sobretudo visual:  estamos perante Círculos e mais círculos (que ninguém quer entender) - coisa de que alguns têm medo, como se o passado os atormentasse? E por isso, como há dias pudemos ler, pela Connaissance des Arts, também são vistos como Esoterismos

** Ver aqui

***Judith Miller - The Style Sourcebook, ed Mitchell Beazley. London 1998.


16
Jun 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Sem sermos historiadores, sabemos que há muita(s) história(s) - que são mais estórias ou estorietas -, e que anda(m) muito mal contada(s):

 

Desde 2002-2004, e do que descobrimos a propósito do estudo do Palácio de Monserrate, em Sintra, passámos também a saber que se erguem monumentos a valores e a ideias que andam deturpados e deturpadas; propositadamente?, quem sabe...

Claro que este não é o tempo de perdermos todas as referências (como alguém que ao mudar de casa deixa de saber para onde mudou os seus pertences e valores)

Claro que a Nova Crise (do novo corona) não devia justificar uma enormidade de desmandos... Nem muito menos o derrube de valores que alguns temos como adquiridos, ao longo de vários séculos.

Mas justifica sim, todos merecemos - e isto não é um derrubar mas é um elevar! – a elevação dos valores que têm um sentido superior: i. e., superior ao das banalidades, e aos das trafulhices que, em Portugal, muitas destas, são quotidianas.

As estátuas de pedra e bronze não têm culpa, estão em pedestais porque outros reconheceram o valor, no passado, das figuras que representam.

Perigosas sim, são as pessoas que ainda agora se armam em estátuas, empoleiradas em tachos e pedestais, de onde actuam como se vivessem, para sempre, em «bases» que mais lembram redutos e castelos (porque, venha o que vier, dali não saem, dali ninguém as tira...)

Os que sem darem oportunidade(s) à verdadeira História, à sua investigação e ao seu Conhecimento pelo maior número – e isto é o que se passa nalgumas universidades em Portugal -, têm fortíssimas responsabilidades pela fraca ou nenhuma Ciência e Cultura, que na área da História não chega a todos:

Pelo contrário, vive-se como se a História, a Cultura e o Conhecimento fossem só para uns, poucos eleitos!   

Aqui, desde 2004-2005, se nos tornámos activistas, não é para derrubar estátuas de materiais inertes, mas é por causas e razões concretas. Mais: se para um arquitecto o direito à habitação é constitucional, estes - o Direito ao Conhecimento e à Cultura – também o são, ao mesmo nível, ou superior*.

Aliás se lerem na Constituição, no artigo 73º, 4., aí consta com toda a clareza a liberdade e a autonomia para a obtenção de novos dados: "A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado..."

E não consta aquilo que connosco se passou: não está na redacção da lei constitucional, nenhuma referência às preferências ideológicas dos responsáveis dos departamentos universitários:

Aos gostos dessas estátuas vivas, feitas empecilhos nos caminhos que só eles entendem; ou que só eles sabem por onde é que se pode e deve ir: «feitos sinaleiros»

Não consta na lei constitucional, que é possível haver responsáveis em centros de investigação do ensino superior, que não sejam interdisciplinares; ou que não compreendam, minimamente, as disciplinas e os saberes essenciais, que fazem ou fizeram a Arte. Em suma que rejeitem actualizações e novas visões, incluindo as que vêm de fora.

Se nós em 2002 percebemos a importância do FILIOQUE - e como esta questão mudou o mundo; e mesmo que só tenha acontecido em 2015, que Peter Frankopan se refira a esta mesma questão** (numa obra que é uma óptima actualização da História Mundial), a verdade é que não somos só nós a detectar esta problmática, e a sua imensa importância no decurso da História.

E se P. Frankopan é muito mais novo do que Jacques Le Goff, é no Historiador francês - com quem Vítor Serrão e Maria João Baptista Neto têm a obrigação de ter aprendido -, que esta questão está bem mais explicada, e mais desenvolvida***. 

E culpam-nos a nós, por termos seguido caminhos que a História sabe que existiram..., mas os nossos «profs.» não?

Caminhos que os Historiadores internacionais têm abordado, mas que os historiadores de arte portugueses (na FLUL) querem ignorar. Isto é discriminação pura:

Seja de género, seja científica, seja o seu cúmulo, ou seja o que for!?

É a prova de que há milhares de racismos, numa sociedade que se finge ser muito justa, mas onde pululam inúmeras injustiças.

E onde o ESTADO, por fim, só há-de intervir quando tem que enfrentar as situações extremas...

Portanto, elevem-se, e ajudem os outros a elevarem-se, antes de haver derrube de estátuas.

Não venham lamentar a perca dos Patrimónios Materiais,

quando os Patrimónios Imateriais que os justificam, fazem parte das vossas muito queridas e muito cultivadas ignorâncias.

(como a seguir se prova:)

Image0043.JPGP. Frankopan-p.74.jpg

P. Frankopan-p.164.jpg

JacquesLeGoff-Filioque-p.148.jpg

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*Artigo 65.º(Habitação e urbanismo)

  1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.
  2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado: (...)

Direitos e deveres culturais Artigo 73.º(Educação, cultura e ciência)

  1. Todos têm direito à educação e à cultura.
  2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.
  3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.
  4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado, por forma a assegurar a respectiva liberdade e autonomia, o reforço da competitividade e a articulação entre as instituições científicas e as empresas. Ver em:https://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/constpt2005.pdf

** Ver em Peter Frankopan, As Rotas da Seda, Uma Nova História do Mundo, Ed. ÍTACA, Lisboa 2018. Nas pp, 74 e 164, a questao concreta da Dupla Procedencia do Espírito Santo (que é designada como Filioque).

*** Ver em Jacques Le Goff, com Jean-Maurice de Montremy, Em Busca da Idade Média, Teorema, Lisboa 2004, p. 148. Mais, quem não ler este livro, definitivamente, não quer compreender a Idade Média. Não quer perceber a dose de «arbitrariedade» que foi instilada no século XIX por Jacob Burckhardt (1818-1897), quando escreveu A Civilização do Renascimento em Itália. A clivagem que assim introduziu no entendimento da História. 

https://www.facebook.com/ObservadorOnTime/videos/929220357242639/?v=929220357242639


26
Out 19
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

Na imagem seguinte, capa de um livro cujo título - Symbols of Power - nos diz imenso*, está um excerto de uma obra de Ingres. À qual se pode aceder, inteira, indo por aqui

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Desde 2002 a 2004, ao estudarmos Monserrate, e face às condições tão particulares do nosso trabalho, em que «recebemos» um briefing que obrigava, forçosamente, a um percurso pelas Origens do Gótico**; desde essa data percebemos que os mesmos sinais (e não símbolos como se explica na primeira nota abaixo) serviram para desenhar a Arquitectura. Isto é, esses mesmíssimos desenhos também eram usados nos trajes reais, ou nos dos príncipes e nos dos nobres.

E, claramente, válido também no feminino, para rainhas, princesas, etc.

São por isso fabulosas, por exemplo, algumas das indumentárias visuais que se descobrem em retratos como o de D. Sebastião, num retrato de D. Maria I; em vários de Isabel I de Inglaterra, num do Vice-Rei D. João de Castro, no da Princesa Santa Joana, etc., etc., etc. ...

Por nós, precisamos de os estar a ver, para os ir descobrindo (ou lendo), passo a passo, nas suas reuniões, ou nos somatórios de sinais que foram feitos; e desse modo constituíram aquilo a que alguns chamam "retratos áulicos".

E esses somatórios conseguem então «fabricar», visualmente, toda uma ênfase que é, pode-se talvez dizer (?), uma Simbologia do Poder.

Mais uma vez, e porque temos bastantes informações sobre este tema, fazemos um esforço de contenção. Sendo do nosso trabalho Monserrate - uma Nova História***, da p. 183, que sai hoje (e inteirinha, como podem confirmar) a nota nº 279.

Acrescentando apenas, que os sublinhados a amarelo, correspondem àquilo de que nos lembramos, de imediato, sempre que folheamos ou percorremos, visualmente, diferentes exemplos; sobretudo os de um livro como este:

"Talvez William Beckford tenha contactado a Mandorla, em Portugal, onde por exemplo esta forma, ou os arcos de círculo que a constituem, são muito frequentes, em vãos e varandas da arquitectura tradicional, em especial no Norte do país. Mas a associação em obras classizantes, de formas de raiz simbólico-teológica, já existia no Barroco; Fernandes Pereira, como mostrámos no capítulo anterior, fundamenta esta característica. Mas também Paulo VARELA GOMES, em Traços de Pré-Romantismo na Teoria e na Prática Arquitectónica em Portugal na Segunda Metade do Século XVIII, mostra como a região do Porto (por influência Inglesa, ou de Nasoni, ou o facto do terramoto de Lisboa ter destruído sinais mais antigos?), a zona Norte mais do que a de Lisboa, reúne um número importante de casos, onde se inclui vocabulário vindo do Gótico, como mostra o autor. Ainda no artigo que estamos a acompanhar, refere obras no Convento do Carmo a partir de 1757: “...em que os frades quiseram reerguer o templo gótico sabendo muito pouco dessa «maneira»...”. Op. cit., p. 235. Neste artigo faz alusão à fundamentação teórica da arquitectura em Portugal, na época, por Cirilo W. Machado, de quem retira várias frases. Mas Paulo Varela Gomes, não notou a importância que têm, outras informações de Cirillo, quando refere: diademas e coroas, círculos “de luz como os santos...” (ver em Cirilo Wolkmar MACHADO, Tratado de Arquitectura & Pintura, F. C. Gulbenkian, Lisboa 2002, p. 218); e ainda por exemplo, toda “a panóplia” de insígnias, vestidos, escudos, etc., de “Fenicios, Syrios e Macedónios...” (idem op. cit., p. 220). Não notou que a arquitectura medieval se marcava, tal como as pessoas punham na sua “indumentária visual”, com atributos, que permitiam que se distinguisse. E essa marca na arquitectura, fazia-se com elementos muito simples, que foram depois trabalhados e se complexificaram. Segundo pensamos, Cirillo escreveu sobre esses elementos: “...Os homens começarão no oriente a fazer imagens que erão como nomes ou ieroglifos...”(idem, op. cit., p. 254). E depois escreve já sobre o Gótico“...e fabricarão sem ordem, chamouse architectura Gotica por ser de Godos(...) fazendo templos só com regras mecanicas de fabricar...” (idem, op. cit., p. 266). Sublinhado nosso, para evidenciar o que por vezes “sentimos”,  perante algumas obras. Não a preocupação de obediência a um estilo, mas o uso de “regras de construção” (a que o autor chamou “mecânicas de fabricar”)."

Por fim, em nossa opinião (e por isso ficou no texto), impunha-se fazer uma alusão à expressão de Cirillo relativa às regras “mecânicas de fabricar”. Pois como pude aperceber-me, de 2001 até 2005 (período em que estive na Faculdade de Letras) aí a percepção do que é a construção, a arquitectura, os estilos, o carácter monumental/patrimonial de certas edificações; tudo isso é concebido, ou percepcionado (foi como o sentimos!), tão longe do real, das massas e da força da gravidade (como se fosse uma imensa abstracção...). E de tal modo, que a expressão "regras mecanicas de fabricar", sem dúvida, também a ele, e já no século XIX, se lhe impôs como uma necessidade.

Embora o diga (e isto pode parecer contraditório da nossa parte,  pois Cirillo escreveu-o a defender o estilo gótico) a propósito de "as extravagancias Goticas, que são Tedescas;..." 

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* Diz imenso o conteúdo, mas não concordamos, totalmente, com o título. Por termos percebido, há muito, que os Símbolos não são forçosamente o mesmo que Imagens (visuais). No cristianismo inicial o Símbolo dos Apóstolos foi substituído, a partir de 325, pelo chamado Símbolo de Niceia. E mais tarde, depois do Concílio de Constantinopla, o referido Símbolo de Niceia passou a ser, como se chama (agora e é o Credo): Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Donde, inicialmente, um Símbolo é uma reunião de ideias.

Ora neste caso dos Símbolos da Fé,  a estes, que eram reuniões de palavras, posteriormente associaram-se (automática ou convencionalmente) imagens. As mesmas que passaram às igrejas e aos objectos litúrgicos, e que depois Reis, Imperadores e todos os outros poderosos, resolveram também plasmar nas suas vestes. Como sinal da sua adesão às religiões (que tinham sido tornadas oficiais).

**Sobre a questão das Origens do Gótico procurem em bibliografia de Maria João Baptista Neto, e depois nos nossos posts, onde não faltam referências a esta temática que nos fez abordar; e donde não pára (felizmente) de continuar a sair material, fantástico e muitíssimo inovador.

*** Monserrate - uma Nova História, por Glória Azevedo Coutinho, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

O livro Symbols of Power, é de Paola Rapelli, traduzido por Jay Hyams. Edição de The J. Paul Getty Museum, Getty Publications, Los Angeles 2011.


25
Out 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

A mente como fábrica de IMAGENS?

 

Ou, os péssimos hábitos, típicos dos Arquitectos, que para pensarem (ou ajudarem o seu próprio pensamento a fluir melhor) precisam de lápis e canetas e de uns papelinhos: tão «beras» como é a parte de trás de um envelope? Onde fazem vários rabiscos para resolverem problemas que podem ter meses; ou, quem sabe, alguns séculos, como nos aconteceu...

 

É verdade, citando Michel Toussaint, já escrevemos sobre este processo que nos permitiu perceber, e consequentemente defender, o que pensamos esteve nas Origens do Gótico. Leiam portanto aqui o que escreveu Michel Toussaint:

“…Mas não é apenas esta questão que [Christopher] Alexander levanta, pois entende que «ao mesmo tempo que os problemas aumentam em quantidade, complexidade e dificuldade, também mudam muito mais depressa que anteriormente», e para resolver tal situação já não chega a habitual capacidade de simplificação do arquitecto. Especificando: «Dois minutos com um lápis nas traseiras de um envelope permite-nos resolver problemas que não poderíamos resolver nas nossas cabeças, mesmo se nos empenharmos durante cem anos. Mas no presente não temos meios correspondentes para simplificar os problemas de projecto por nós próprios»..."

Ou leiam ainda nos nossos dois posts que são de 2012: 1º. Resolver problemas de 100 anos num minuto

E no 2º. post (por continuarmos ainda à volta do mesmo assunto), deixámos um PDF da OA com o documento de onde foi retirado esse excerto.

Ora este nosso processo de percepção (referido acima, e acontecido de 2002 em diante, portanto já publicado - porque integra a nossa tese sobre Monserrate*), há sempre que lembrar tudo isto, deixou furibundos os profs da FLUL e do IHA (idem da FLUL). Os quais, desse embate, ainda não se refizeram, nem se recompuseram!

E sempre muito mal, ou pior que menos bem, tão lentamente, ainda não tiveram tempo de vir a público esclarecer o que se passou (e passa), como mostra o post de hoje na página de Vítor Serrão no facebook...

Portanto, e continuando passemos ao nosso comentário de ontem, e à importância ambiental de recuperar/aproveitar os edifícios antigos. Só que agora também na perspectiva de contribuir para uma maior sustentabilidade do planeta, e independentemente do valor patrimonial ou histórico desses mesmos edifícios.

Pois que, como alguém defende (ver post anterior) e estamos de acordo:

 

"The greenest building is the one that already exists"

 

E isso pode-se/deve-se fazer se estivermos perante Arquitectos e Edis (ou sejam as Edilidades, os Edificadores) bastante mais informados e bastante mais cultos. Claro, todos também mais imaginativos...

Só que, acontece que para isto, também a Faculdade de Letras de Lisboa pode ser relevante e colaborar!

Mais, se perceberem (ou se se lembrarem...?) que as principais obras arquitectónicas da cultura ocidental, partiram de desenhos que correspondem a diagramas que foram interligados - como mostram Francis Ching e Steven Juroszek e está abaixo sob o título de DIAGRAMING RELATIONSHIPS;   

Se perceberem isto...?, então também poderão aceitar, mais facilmente, que a ideia de Louis Sullivan segundo a qual a "forma segue a função", nem sempre foi regra! Pelo contrário, em nossa opinião (que a temos desde 2004, como ficou escrito e está publicado) os DIAGRAMAS empregues e associados, como por exemplo acontece na Planta que está a seguir; esses DIAGRAMAS funcionaram principalmente como IDEOGRAMAS**.

Image0008-b.jpg

E mais ainda:

Para além de Francis Ching e Steven Juroszek terem notado estas reuniões de DIAGRAMAS, que estão nas Plantas de alguns dos edifícios considerados os mais importantes da História da Arquitectura,  também notaram no funcionamento dos «processos do pensamento». E para estes na importância do desenho.

Concretamente como as nossas mentes, verdadeiras fábricas de produzir imagens, por vezes não as conseguiram conter lá dentro, nessa que já foi designada "Black Box".

E assim, transpondo o pensamento para o papel (ou fazendo-o com a ajuda do papel), nesse processo de materialização das imagens que lhes iam na cabeça; assim também desenharam, esquematicamente, e seguindo regras, o que mais tarde veio a ser edificado:

 

Onde alguns dos traços dos desenhos de contorno dos diagramas se tornaram paredes, de pedra ou de tijolo

 

Por isso (ver mais abaixo) chamado "Design Drawing" - que deve ser traduzido como "Desenho de Projecto".

"Thinking on Paper" - não é só aquilo que fizemos (e faremos?) durante várias décadas. É o "Pensamento Visual", como linguagem, de que Rudolph Arnheim tratou (e também já escrevemos várias vezes); e é aquilo a que assistimos, felizmente, vezes sem conta, nas aulas, das disciplinas de projecto. Aulas que eram chamadas de Design de Interiores. 

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Por fim, e sobre o texto que está acima destas linhas, sobre a sua leveza e alguma ironia que contém, apetece dizer que connosco se passa o mesmo. Porque toda a questão é muito complexa, ou extremamente complicada. Só que, como em tudo, quando se divide por partes, o processo projectual, o processo de correspondências significativas, metafóricas e alegóricas, cada um desses passos é básico e elementar.

Ou, de associação em associação, completamente óbvio, como ficou registado há muitos séculos pelo Pseudo-Denys L’Aréopagite.

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* Se há quem diga que escrevemos a História da vida dos Knowles (!?), na verdade aquilo de que escrevemos (bastante) mais, e como está na Síntese Final - a apontar para trabalhos futuros - foi em torno das Origens do Gótico. Tal como «quase imposto» pela nossa orientadora. E Vítor Serrão sabe bem de tudo isto...

**Donde se retira, que, se os espaços desenhados a partir de IDEOGRAMAS (relativos a Dogmas do Cristianismo) podem ser funcionais; então, também a maioria dos edifícios antigos é aproveitável para outras utilizações que não as iniciais. Ou, mesmo que no século XIX, e cumprindo uma certa regra de Conveniência, ou Décor (de que já Vitrúvio escreveu), muitos edifícios citadinos tenham sido construídos de acordo e a cumprir essa «norma» de conveniência. Como podem confirmar,  não é a primeira vez, nem a última, que abordamos este tema

Enfim, e porque mais uma vez se deve dizer, este é um tema basto complexo. Quase impróprio para as redes sociais, mas que alguém «banido» de um doutoramento (na Universidade onde teria o devido lugar) não vai calar!


19
Set 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... assuntos mudados, enigmas desvendados"

 

Podia ser um novo provérbio, vindo ao encontro da necessidade de renovação que vai na Historiografia da Arte.

Não sei se em todo o Portugal?, mas enfim, em certas escolas: das Belas-Artes à Fac. de Letras, tudo isto da Universidade de Lisboa.

Porque, tal como o país, as faculdades da capital funcionam em slow motion. Embora, com "Os Donos de Tudo Isso" muito convencidos de que são moderninhos. Pelo contrário:

E na verdade, como são mesmo donos, só por lá passa quem eles querem, e como eles querem: tão antiquado quanto possível!

Porque o arreigamento, e a vontade que têm (de não mudar nada - lá está a contradição), levam a que pensem que isso é o futuro; do que acham que é só deles, esquecendo-se, propositadamente, de que é do país...

E assim prolongando a mentalidade que tinham, para aí desde 1971, já que essa é a regra!

No entanto, como registámos - há uma ou duas horas, no facebook -, estão aí bem fortes, claríssimas, ideias que têm estado pouco divulgadas (e agora descobriram).

extractFB-19.9.2019.jpg

páginadegloriaazevedocoutinho

E por isso já lá estão, alguns dos acabados de chegar, postos na primeira fila, armados em papistas, a proclamar a mudança*.  Basta vê-los, para se constatar como tudo isto é anedótico... O que mudam de repente...

E essa mudança será o futuro? Uma tradição antiquíssima (facto que ainda escondem - , nem sequer o dominam...), mas agora, e porque dá dinheiro, faz-se novidade total?

Ficam as perguntas, dirigidas à superficialidade vigente, e aos "just arrived", porque a nossa velocidade é a de cruzeiro; a de quem faz o caminho com os seus próprios sapatos, que a cabeça escolhe/escolheu, para o conforto da passada.

E, continuando, vá-se lá saber porquê (esta questão anda connosco há décadas?**), então vamos lá atrás, aos bois e a um postal minhoto dos anos 1990, que o comprámos e escrevemos, pela graça do cenário:

Minho-JugoBois.jpg

Um cenário onde pouco ou nada sabíamos dos detalhes, mas que agora não nos surpreendem:

No detalhe, um jugo de bois - como já JOAQUIM DE VASCONCELOS tinha evidenciado -, com Iconografia Medieval. Isto é, com as mesmas argolinhas de Paço de Sousa e de Coimbra; iguais às do Túmulo de Egas Moniz e às que se vêem na Sé Velha, logo à entrada***.

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda, se repararem com muita atenção, verão que essa ICONOGRAFIA do jugo dos bois é igual à desta janela, que é francesa, como se mostra a seguir em detalhe (com as argolas rodadas), para se verem na mesma posição.

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*E se ontem escondiam e não aceitavam, hoje já se armam em mandantes da mudança!

**Damos um prémio a quem explicar a razão...

***Insiste-se, damos um prémio a quem explicar o motivo de estas imagens nos perseguirem.


12
Set 19
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

... desde meados de 1987-88, que começámos a trabalhar sobre Monserrate

 

Primeiro na Associação Amigos de Monserrate, depois na Faculdade de Letras (a partir de Out.-Nov. de 2001)

Só que aí começou uma verdadeira saga. Porque investigações feitas a sério, podem trazer resultados inesperados.

E assim foi, embora também a sério, posta fora da FLUL, impedida de aí fazer o doutoramento, e desprezada (por ser de um género menor...) na FBAUL por FABP!*

Enfim, materiais não nos faltam, desde (1) o que descobrimos, a (2) o que outros nos foram mostrando de eles próprios: como personalidade, (falta de) carácter, e as inúmeras razões para a (imensa) mediocridade de um país...

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*Alguém de cujo profissionalismo vamos sempre ter muito para relatar, incluindo as pirosadas que lhe ocorriam, para nos demover dos estudos em que estávamos absolutamente dirigidos. Prova disso o Entrecho que logo produzimos na entrada em Belas-Artes (em Maio de 2006).

 


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