Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
24
Jul 18
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

Dizemos Cultura Visual, para especificar que muitos dos conhecimentos e informações que temos foram obtidas através de um dos Órgãos dos Sentidos, chamado Visão.

 

Claro que um começo assim pode parecer muito estranho (!), a querer sublinhar esta divisão entre fontes de informação, tendo como critério a via sensorial.

Estranho, ou mesmo mais divertido, até a roçar o anedótico, vai depender da vivacidade e agilidade mental de quem ler...

Por nós, apesar de lidarmos frequentemente com a designação Cultura Visual, claro que temos a noção da sua Unidade.

Como por exemplo, também se lê, e ouve, tantas vezes, a expressão CULTURA MATERIAL.

Claro que a Anedota continua em grande!  

Porque a Cultura foi materializada, sim! Plasmada na pedra, no ouro, no couro, na areia; hoje em dia até na pele (nos tatoos). E são sempre ideias, é Pensamento que (numa necessidade de sermos muito certinhos e explicadinhos) dizemos que é imaterial...

Portanto a Cultura é Una. Sendo que às vezes, para se estudar, e porque não podemos abarcar tudo, de facto há cortes operacionais que se impõem.

Alguns inclusivamente especializam-se nalguma dessas áreas científicas, como passaram a ser designados os campos, os ramos, ou os «territórios» de estudo e de trabalho...

Fazem-se as mais variadas das analogias - operação mental essencial, sem a qual, quiçá, não haveria saber, conhecimento, cultura? - sendo que uma das analogias mais reconhecidas é estabelecida com a Topografia, como alguns dos especialistas da Arte da Memória (Frances Yates, Mary Carruthers) nos lembram.

Assim, para esses autores "diferentes assuntos" podem ser "diferentes tópicos"... (vem de topos=lugar)

Só que agora interessa-nos apenas sublinhar a nossa ignorância - por isso perguntamos, se é que existe de facto uma Cultura Visual - onde é que se estudam os componentes - saberes, conhecimentos - que a integram? Em que livros e em que estabelecimentos de ensino se trata desta «coisa vaga», que parece não ter principio nem fim (como o círculo), e que para alguns de nós, dadas as nossas actividades profissionais tão específicas, precisamos dela, mas não se consegue definir e delimitar?

Quando estávamos mais centrados na investigação e na redacção da tese de doutoramento, e quando surgiam dificuldades, lá vinham, muito agitados, uns tipos «guardas fronteiriços», de uma fronteira que nunca ninguém desenhou - e só eles sabem onde passa*... Vinham-nos dizer que ali não podia ser! Teria que ser noutro sítio. Que transpor, a tal linha mental, invisível, e exclusiva das suas cabeças hiper-rigoristas (nós vemos vazias, ou, tendencialmente mais cheias de preconceitos) era proibido!   

Felizmente as cabeças desses guardiões (ou são mais gingatones desta feira ridícula e carnavalesca em que vivemos mergulhados?**) pertencem-lhes a eles, e nós usamos a nossa!

[Cabeça que, diga-se de passagem, é normal. Pois nem é desmesuradamente grande, nem de pôr e tirar, como a deles].

Embora seja preciso dar imenso uso a esta nossa cabeça, quando se consulta e lê um livro como este, cuja capa estão a ver. Mas foi para isso que "Deus no la deu"....*** 

Image0029.JPG

 Um uso que lembra a Ginástica: os movimentos que nos fazem mudar de piso, e de lugar/topos. Pois estávamos ali, mas passamos mais para o lado, ou para o sítio à nossa frente, ou atrás. Nem sabemos para onde estamos a ir quando se fazem descobertas, é o verdadeiro paradoxo.

Muito giro! Mudar é bom, aqui para nós dá saúde e faz crescer: o melhor da vida!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Poderíamos (por graça) chamar-lhes também Metodólogos,  já que se apresentam como profissionais de uma metodologia pensada milimetricamente a régua e esquadro. Pensada precisamente para as ciências actuais que não têm uma história: Que nunca se filiaram ou sequer descenderam de saberes antigos, ciências que surgiram prontinhas, num dia e numa hora exacta (TMG!). Esqueçamos até a palavra Polimaths, já que para os ditos Metodólogos essa realidade não é para existir, como também para eles, nunca existiu no passado.

**Gingatones que, sabe-se lá, já podem ter virado «responsáveis da Cultura», ou até consultores ministeriais?, e nós ainda nem sabemos!

***E será assim que se escreve? Ouvia-se antigamente (em escrita fonética deve ser nuladeu...?). Mas mais moda é dizer Thanks God. E dizemos!

Por conseguirmos ler em francês, em português e em inglês, mais ou menos, e ainda o suficiente, para captando palavras latinas, e lendo alguns caracteres do alfabeto grego, conseguir perceber como tudo esteve ligado without borders. 

E sem fronteiras poder encomendar livros pela Amazon ou outras, que nos trazem notícias de escolas e de ensino que é também sem fronteiras... Para pessoas de mentes abertas!


mais sobre mim
Julho 2018
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
14

15
17
18
19
20

22
23
25
27
28

29
30


arquivos
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

blogs SAPO