Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Abr 21
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

A Arte, como hoje em geral se entende, tem muito pouco a ver com o passado.

Mais, não esqueçamos que muitas obras de Arte foram/são resumos visuais...

 

A maioria dos que se interessam por Arte - e podemos até chamar-lhes Art Lovers - actualmente desconhece os objectivos que estiveram na origem de muitas das imagens e dos produtos culturais a que hoje têm um enorme amor.

A maioria desconhece que grande parte desses «produtos» - pintura, escultura, arquitectura, ourivesaria, vitrais - eram como resumos (visuais) daquilo em que se devia acreditar e praticar.

A Arte, sobretudo a Arte mais antiga, tinha um carácter informativo/pedagógico (que ainda agora se pode ler nas obras produzidas Vejam este exemplo); e logo depois de informar, as obras queriam ter, sobretudo, um sentido moral e apologético.

Por exemplo, muitos túmulos medievais, nas paredes das caixas que as arcas tumulares constituem, têm emblemas (significantes) e ainda aquilo a que agora (nós) chamamos Arcarias Apologéticas.

Hoje, nos próximos dias, e sabe-se lá durante quanto tempo mais?, vamos ouvir falar de Sócrates... 

Não daquele que prometeu a si mesmo buscar a verdade, como origem da felicidade*; mas daquele, nosso contemporâneo, que anda por aí a desatinar as mentes, e o direito, desviando todos do mais essencial.

Como estava no Diário de Notícias de ontem (ler dessa capa), a frase "A Política ama a traição" , revela toda a ignorância - para não dizer a máxima loucura! (quem diz isto não pode estar bem, menos ainda se almejava vir a ser Presidente da República?) - que habita a mente dos actuais dirigentes políticos...

É uma frase que mostra, descaradamente, não ser o bem-fazer aquilo que os preocupa (a muitos dos políticos); mas sim o vencer dos jogos (políticos) que eles próprios criam!

Claro que esta dedução a que se chega - vinda de uma frase estampada na capa de um jornal que muitos lêem - também nos conduz, pelo que temos estudado de Arte (antiga), à visão de Jacob Burckhardt: 

Alguém que tendo uma visão integrada da Cultura, também via na Política (leia-se/entenda-se na governação da Polis**), J. Burckhardt viu na Política uma verdadeira Arte. 

E na capa (de um livrinho) que se segue - pode-se ler - também são referidas a intriga, a corrupção, e a traição...

Mas lendo-o, ou apenas folheando (o pequeno livro), encontra-se logo aquilo que a História, particularmente a da produção artística, também informa:   

"The most elevated political thought and the most varied forms of human development are found united in the history of Florence, which in this sense deserves the name of the most modern state in the world. Here the whole people are busied with what in the despotic cities is the affair of a single family. That wondrous Florentine spirit, at once keenly critical and artistically creative, was incessantly transforming the social and political condition of the state, and as incessantly describing and judging the change. Florence thus became the home of political doctrines and theories, of experiments and sudden changes, but also, like Venice, the home of statistical science, and alone and above all other states in the world, the home of historical, representation in the modern sense of the phrase."***

capa-Burckhardt2.jpg

DN-11.04.2021.jpg

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*Como explica Pierre Magnard numa entrevista ao Canal Académie

"...Platon en 387 av.J.-C. rentre d’un long exil. A la mort de Socrate, il s’était en effet "rangé" à Mégare et de là, avait effectué tout un périple jusqu’en Perse, pour prendre du recul, pour s’interroger sur tout ce qu’il avait vécu. Car Socrate avait allumé en son coeur la passion de la vérité, ce en quoi Socrate avait rompu avec ses prédécesseurs préoccupés seulement de la quête du bonheur. Socrate, lui, cherchait la vérité. Il s’agit non pas de savoir comment vivre pour être heureux, mais pourquoi vivre."

** A República - Politeia, Platão. Tradução, prefácio e notas de Elísio Gála, Guimarães Editores, Lisboa 2005. Ver na p. 129, sobre a procura de uma ciência para:

"...a melhoria das relações consigo mesma e as outras cidades?" (...)

- Essa ciência é a da vigilância ou governação e encontra-se naqueles governantes a que agora mesmo demos o nome de guardiões no pleno sentido da palavra. 

- E que nome aplicas à Cidade devido a essa ciência?

-  O de ponderada e sábia de verdade.

*** The State as a Work of Art, por Jacob Burckhardt, Penguin Books, London 2010, ver na p. 74.


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