É assim, é este o panorama da História e da Historiografia da Arte em Portugal:
"Diz-me espelho meu, se há/houver alguém melhor do que eu?"
É verdade, podia ser o lema actual dos Institutos de História da Arte das Universidades portuguesas, em especial as do Estado (que em geral vai à frente e dá os piores exemplos...*).
Instituições que estão transformadas em passerelles de vaidades, em espelhos onde se reflecte todo o diletantismo (muito pouco útil) com que trabalham e se alimentam.
Não um justo e merecido brio, ou um certo reconhecimento por ajudarem a compreender os nós em que a Europa está mergulhada - e que são questões politico-religiosas, de génese antiquíssima, que a Arte tão bem espelha e documenta**. Mas sim a futilidadezinha contemporânea, a da imagem - tão bela, a que o espelho lhes devolve: uma «Beleza» que (parecerá?) é hoje a razão de ser da investigação em História da Arte***...
Esquecendo-se tudo o resto: inclusive o que a Arte, por aquilo que foi, pode e deve contribuir para elucidar a própria História. A qual não é (ou foi) feita apenas de factos que julgamos terem sido expressos, exclusivamente, por escrito; e também de golpes mais ou menos públicos ou só palacianos...
A verdadeira história (de que há muito escrevemos e se relaciona com o título deste blog) a que é essencial todos o cidadãos acederem e conhecerem faz-se de muitos mais ingredientes, do que apenas os factos que passaram para a esfera pública...
Porém, que bom que haja quem possa continuar a curtir a Crise desta forma: com tanta infantilidade e sem contributos úteis para a resolução (que urge) do país: para os seus problemas POLÍTICOS MAS TAMBÉM OS ECONÓMICOS
Que bom, que haja quem se desintegre (ou, que a cada passo, não consiga ser íntegro!):
~~~~~~~~~~~~~~~~
*Sim maus exemplos, porque em geral a competitividade económica entre Ensino Público versus Ensino Privado ainda não criou «as dinâmicas» necessárias e suficientes para o Ensino Privado (salvo honrosas excepções como é a UCP) ter a coragem de afrontar, pela qualidade e pelo mérito, o que se vai passando no Ensino Público. Referimo-nos ao chamado Ensino Superior que, por muitas das razões que este post regista, é frequentemente, na prática, um verdadeiro «ensino inferior»...
**Vão reler, porque vos fará bem, o que William Morris escreveu da sua própria atitude em querer conhecer o passado. Ou relembrem, pois está ao alcance de todos - o que escreveu sobre Arquitectura Gótica...
E hoje, por razões óbvias (e muita ironia) este "vão reler" é dirigido a dois professores de enorme estatura científica: ao actual Reitor do IADE e a Maria João Baptista Neto Professora da FL- UL. Sobretudo a quem foi nossa orientadora de Mestrado, e quem em 2005/06 não nos quis nessa mesma Faculdade para fazer um doutoramento (o qual seria a mais lógica das continuidades, depois do trabalho que fizemos a propósito de Monserrate...).
***E também a TV, em especial o Canal 2, num programa que é a verdadeira passerelle de vaidades!