Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Mai 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Durante anos – foram pelo menos duas, senão 3  décadas...? – ensinámos aos nossos alunos tudo o que pudéssemos saber sobre a Cortiça.

 

"Que pudéssemos", e que por isso estudámos* (ou nunca abandonámos)!

Pois fazia todo o sentido ser usado (sem parcimónia, abundantemente), como material natural que é muito superior, em várias das suas qualidades, aos diferentes materiais plásticos**:

Como por exemplo o Poliestireno expandido (esferovite), ou o Poliestireno extrudido. Que neste último caso existe no mercado em placas, com diferentes espessuras e densidades, e com os nomes de wallmate, roofmate e outros «mates» - em geral na cor azul claro.

No caso sendo fibroso, como a extrusão o obriga a ser, destinando-se a isolamentos térmicos, e ou acústicos, das edificações.

Ou ainda - entre outros - o Poliuretano. Um dos muitos plásticos existentes (aqui sem pesquisa ou alguma actualização para escrever este post que, sem esforço, nasce da memória de quem ainda agora podia estar a ensinar esta e outras matérias...):

O conhecido PU, usado abundante e insistentemente, mesmo sem qualquer tipo parcimónia, está hoje, abusivamente, em imensas partes e em inúmeros componentes da construção. Ou ainda, é empregue no fabrico de frigoríficos, nas aparelhagens de Avac, etc., etc., etc.

PU que, enquanto plástico tem características fantásticas que lhe permitem portar-se ora como um termoplástico, ora como sendo um termo-estável***. E esta é também (ainda agora) uma outra substância a fabricar-se, porque, «a querer» rivalizar com a Cortiça...

Mas claro, desde o meio-fim do século XIX, em que se descobriram - primeiro por acaso (a Baquelite=Fenolformaldeído) e depois se inventaram, laboratorialmente, com o apoio da química e da investigação - um grande número de plásticos. Desde então essas substâncias - chamemos-lhes nós substâncias, materiais ou produtos similares (sucedâneos) da cortiça - não pararam de aparecer, em número crescente!

Só que, é sabido, quando na «cabeça de algum professor» há preocupações (informações e conhecimentos bastantes) dirigidos às questões da poluição e da sustentabilidade do planeta, então normalmente essas informações são transmitidas aos alunos, com várias ou muitas advertências relacionadas com o seu uso. Sobretudo em cursos de engenharia, e depois nos de design.

Para que na disseminação - que é o uso final  dos materiais (e depois lixeira!), sobretudo estes que tantas vezes se empregam como descartáveis, não recicláveis e não recuperáveis, os conceitos projectuais - que são associados, em cada ideia e a cada projecto - não venham a descambar/deslizar, mais tarde ou mais cedo, em graves problemas ambientais. Problemas que na prática são agressões contra a Natureza e contra todos nós. Concretamente, sobre as chamadas cadeias alimentares que integram o sistema Ecológico.

Por fim, e não sabendo ao detalhe o que será tratado a partir de 5 de Junho no Seminário Anual da Fileira da Cortiça, desejamos que «os agrónomos» consigam fazer passar para outros grupos profissionais (concretamente para o dos designers) não apenas a ideia de que este é um material português (por excelência), mas também as enorme vantagens de multidisciplinarmente passar a ser conhecido e utilizado.

Ou seja, do ponto de vista da sustentabilidade, o que a Cortiça traz consigo, e os «sucedâneos plásticos» não oferecem...

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*Para além do muito que em casa se falasse, ou naturalmente se conhecessem e elogiassem, as qualidades da Cortiça...

**Aconteceu-nos ainda ontem, querer comprar uma lona de algodão, e ter que receber «uma lição» de um vendedor. Dizendo que tecidos de poliuretano são plástico (e nesta designação de plástico, para ele estava uma depreciação), mas que já o poliéster e o acrílico (que por falta de outras alternativas naturais lá tive que comprar), que estas duas ultimas substâncias não são plásticos! E assim - com todos os têxteis (e agora também os nano-materiais, produzidos laboratorialmente); com estas substâncias minúsculas e a serem «desfeitas» para serem empregues em partículas de ínfimas dimensões, queremos nós os humanos (que nos consideramos pensantes!), poder alimentarmo-nos de substâncias exclusivamente naturais e sadias? Não impregnadas de partículas plásticas? Queremos, queremos sim. Mas é muito óbvio que dificilmente o evitaremos, portanto habituem-se:

Peixinho com plástico é do melhor que há...

*** E ainda, ora líquido, ora sólido, podendo fazer-se fios que são como ráfia artificial

E no fim, aqui fica registado: "Porque da cabeça aos pés: Hoje (e sempre) ser verde é sobretudo uma questão mental, e não de tapete para os pés!".

Conceptual Design

Por fim, dada a falta de parcimónia no uso de materiais altamente poluentes, que vão sendo empregues como consumíveis, correntes; e tal como nas tampinhas das embalagens, há-de talvez acontecer um dia que tenham valor, como contra-moeda (LX 7/6/2018)

 


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