Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
03
Set 22
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

... os "Gaps" da História, mesmo que  200 anos depois!

 

O texto seguinte veio daqui, e se as informações que dá estão correctas, foi escrito por D. Pedro IV, ao seu filho Pedro - primeiro Imperador do Brasil:

"É mui necessário, para que possas fazer a felicidade do Brasil, tua pátria de nascimento e minha de adoção, que tu te faças digno da nação sobre que imperas, pelos teus muitos conhecimentos, boas e nobres maneiras, sejas muito diferente de mim, pois, meu adorado filho, o tempo em que se respeitavam os príncipes por serem príncipes unicamente acabou-se; no século em que estamos, em que os povos se acham assaz instruídos de seus direitos, é mister que os príncipes igualmente o estejam e conheçam que são simples homens, e não divindades."

Desse registo ressalta-se a última frase: 

"...é mister que os príncipes igualmente o estejam e conheçam que são simples homens, e não divindades."

E ainda se sublinhou esta frase, porque, apesar do próprio ter escrito que os príncipes não são (mais) divindades, foi assim que se viu a ele mesmo, quando doou o coração à Cidade Invicta*. 

Ao deixar-lhe o que seria entendido então, como sendo o «elemento» mais essencial de alguém...

O músculo que agora viajou de Portugal para o Brasil - de certo modo sobressaltando todos, e sendo fonte de grande espanto (até que alguém se lembrou, finalmente, pelo menos de lhe dar uma designação mais honrosa, e coerente com a História, chamando-lhe "relíquia" ) - era considerado uma parte de alguém que era sagrado. 

[note-se que os reis medievais eram sagrados, assunto que, em geral é agora desconhecido, mas do qual, por uma questão de lógica, e de coerência, decorrem várias (muitas) consequências...]

D.PedroIV-pickled_heart.jpg

(a imagem acima vem de thetimes.co.uk)

 

E com o emprego dessa designação - relíquia - pelo menos parcialmente, tornou-se visível, quiçá valorizada?, uma lógica antiquíssima**; que nos aparece hoje como sendo chocante (e totalmente ilógica?)

Connosco, quando estudámos Monserrate e alguns, variados, aspectos da História da Arquitectura, este fenómeno - dos «esquecimentos» (colectivos) e das imensas lacunas existentes no actual conhecimento da História; este tipo de fenómenos, para nós, passaram a ser claros e evidentes.

E - grande curiosidade, talvez? - uma das vertentes em que nos apareceu mais notório, foi na escolha das formas geométricas para serem sinais arquitectónicos, ornamentosinsígnias. 

Se os teólogos falam (e escreveram...) - para o desenho das igrejas - numa necessidade de haver coerência entre o Antigo e o Novo Testamento***, na verdade, é/foi pela maior operacionalidade, e pela capacidade dos geómetras ao manipularem as formas da geometria, que essa coerência pôde ser concretizada... 

Como sempre, gostaríamos de continuar... - só que este tema é, para todos nós, dificílimo (embora não seja, de todo, impossível!)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Título dado à cidade por D. Maria II, depois das Lutas Liberais.

**Já escrevemos sobre "Pensamento sincopado", exactamente, porque muitos dos elos e das interligações que naturalmente existiram entre muitas ideias, hoje em dia, a maioria dessas associações está completamente perdida, e desconhecida. Como se fosse necessário, para cada época - e quando tal é possível , os historiadores deviam fazê-lo... - explicar a mentalidade e as lógicas de tempos e de épocas cujo conhecimento está cada vez mais perdido. 

*** Coerência visual - que é sobretudo visível na arquitectura do Barroco...


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