Assim como estamos a fazer, contactando elementos concretos de que já nem nos lembrávamos, é..., também... fascinante; muito divertido!
Onde estávamos em Março de 2003? Porque razão não participámos no acontecimento: um Colóquio dedicado ao Pensamento e obra de António Quadros? Nós que temos a certeza, hoje, de ter encontrado o que o Dr. A. Quadros tanto procurou...?

Acontece que, por estranho que possa parecer, a todos mas sobretudo a mim (e depois de consultada a agenda de 2003), ficarmos a saber que estivemos a trabalhar, exactamente, nos temas do que, cada vez mais, nos vai surgindo (agora e a esta distância), sem dúvida, como uma aventura fascinante e prodigiosa. Porque repleta de novidades incríveis, como verdadeiros prodígios.
Perguntamo-nos, neste instante, ou quando tudo isto é recordado e vem à memória, como se tornou possível que a progressão na Carreira Docente, da Escola em que já estava há mais de 25 anos, e em que a escola era secundária, pois também ela (própria*) teve que progredir para passar a ser Ensino Superior; como foi possível, que algo que deveria ter sido simples, normal e fácil - dada o «embalo e a velocidade» em que já estávamos -, se viesse a tornar neste «encalhanço» em que ainda estou, hoje?**
Claro que vamos continuar a perguntarmo-nos, e a viver, assumidamente, a perplexidade de uma série de paradoxos...
Porém, o principal, não é um ou quaisquer outros paradoxos, ou quaisquer surpresas e contradições, como normalmente usamos a palavra paradoxo, para significar surpresa:
Aqui o maior Paradoxo é Científico!***
Não é Física - que é uma Ciência mais rigorosa e exacta. É História e é Arte - que habitualmente colocamos na área científica das humanidades e das ciências sociais.
No entanto, e apesar de ser conhecida alguma relatividade das ciências sociais, não estávamos preparados para que nos saísse (numa rifa da vida) um incrivel Paradoxo Científico.
E é neste contexto, na cabeça de quem tudo isto vem a acontecer, que (re)encontrar o convite (para Março 2003!) do Director-Geral do IADE, Senhor António Ferro, pode ser equiparável a um acordar de repente, de um sonho!?
Ou, talvez mais parecido (?), com o entrar numa máquina do tempo, para viajar num comboio que nos deixasse numa estação, lá atrás, longe, há 15 anos...?
E se assim fosse, se fosse possível haver essa viagem, então viveria (eu) diferente? Faria (eu) diferente?
Pois bem, posso perguntar-me, mil vezes, ... já que a resposta não é nada fácil.
Claro que faria tudo para evitar o tal encalhanço, este que actualmente vivo.
Mas quanto ao resto...? Fui avisando... (eu) sabia o que se estava a passar, e o que estava a encontrar. Todos os dias! E ainda com uma certeza, sempre presente, sempre latente:
Por maior que fosse a loucura, era minha a lucidez!
E esta sensação estranha que tenho, isto que sinto - e é-o de facto, mas também um privilégio - foi registada por Miguel Torga, em Sísifo, com dois versos que são lindos:
"Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…"
Já agora uma outra lembrança, também literária, e da vida de alguém. Está em O Mundo À Minha Prucura, no título em que Ruben A. se reviu.
Mas essa é outra história, não a nossa.
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*Só que aqui o «ela própria», uma escola é, enquanto sujeito (gramatical), ou quem desencadeia a acção, algo muito pouco claro? Como num barco, não ele - porque esse sujeito - não escolhe a direcção em que navega. Porque a dita tarefa, a não ser que a bordo todos tenham caído ao mar (?), essa cabe ao Homem do Leme.
**Por favor não tenham pena. Não é caso para isso, continuem a ler, porque hão-de perceber.
***Procurem na Internet, já que este conceito existe. E porque desde 2002 o sinto na pele, posso garantir que é bem real. Capaz de nos levar a várias sensações, e às mais complicadas percepções; absolutamente, inesperadas. Só que nem sempre más (como na lenda de Sísifo)..., e que obrigam a não desistir:
Sísifo
Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...