Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
03
Jan 19
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

E faz sentido lembrar uma fotografia que fiz há dias, num local onde era proibido fotografar

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Neste Menino Jesus com um Espinho no pé, naturalmente uma das surpresas que têm os que conhecem a história de Jesus Cristo, é o facto de se adiantar, de maneira alegórica, o seu futuro, e o modo como morreu:

Coroado como Rei dos Judeus, recebeu uma Coroa de Espinhos sobre a cabeça.

Ora, para além das imagens, que mental e automaticamente formamos, face à leitura dos textos, há também toda a imagética que a Igreja ao longo dos séculos foi elaborando. Como sabemos são terríveis, assustadoras, e muito dolorosas todas essas representações. Sendo em geral Imagens que todos preferíamos não ver, nunca ter visto, imaginado ou sonhado...

Mas se do ponto de vista imediato e afectivo, são tão tocantes (quanto chocantes); já do ponto de vista da catequese da Igreja, e da Justificação/Redenção que é supostamente «conquistada» na vida terrena. Durante este nosso percurso, a que muitos se mantêm (ou tentam manter) alheados, há por outro lado outros, que se preocupam em ser e estar conscientes, do lado mais espiritual das suas vidas...

É nesta perspectiva que vemos - parece-nos, e interrogamo-nos (mas definitivamente interpretamos a Imagem assim) - o Espinho no Pé de um Menino, que, agora até nos esquecemos que é Jesus, mas sem dúvida uma criança que parece estar a sofrer:

Surpreendido. Mas tendo em simultâneo uma dor inesperada, a qual terá pensado (?), como qualquer um  e sobretudo as crianças, como uma dor muito injusta. Por não a merecer...    

Há uma imensa humanidade nesta Imagem, que, por esta lógica, como a interpretamos, ganha logo em beleza. Mas..., temos por fim que acrescentar uma nota ao que não é um detalhe. Isto é, será hoje um detalhe mínimo, porque em geral não temos informação religiosa, mas não o foi no passado. Sobretudo para quem idealizava e concebia (o clero) a maioria das obras:

O Espinho é um Y. A letra que se pode ler de duas maneiras:

No alfabeto foi uma das formas de escrever Jesus; formalmente é uma bifurcação (como se pode ver nas estradas).

Seja a direito ou invertido, é o sinal gráfico que reúne o 1 e o 2. O entroncamento, ou a separação. Enfim, foi um dos sinais mais usados na arquitectura*, mas também na pintura e em geral em todas as obras de Arte Religiosa, tantas vezes (ou a maioria das vezes!?) para traduzir a ideia do Filioque**. 

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*Como já deixámos (desde 2004, está escrito) no nosso trabalho dedicado a Monserrate.

**Particularmente num caso que nunca registámos (por escrito) mas que é absolutamente fascinante, e fantástico, pela forma como pelo emprego do Y  associa directamente Carlos Magno à imposição que fez à Igreja Católica relativamente ao uso da partícula que é o Filioque. Referimo-nos à Carolingian gatehouse of Lorsch Abbey, e nesta obra particularmente à imagem da fachada. Ver aqui,  já que se trata de um modo de proceder (ou de desenhar a Arquitectura) que durou séculos.

Ou seja, exemplo de como um simples IDEOGRAMA, em geral se associava às janelas e às portas dando-lhes forma, ou enquadrando-as. Muitas vezes estruturando-as  (como se encontra explicado por uma frase de S. Paulo que Mary Carruthers citou).


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