Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jan 20
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

... me apercebi da claríssima influência (e da presença de vocábulos) do cristianismo na arquitectura do Palácio de Monserrate, desde então não desisti, por saber que uma Nova História da Arte teria, forçosamente, que vir a acontecer.

 

A partir dessa data, não fora a Editora Livros Horizonte  - que em 2008 publicou o nosso trabalho - e naturalmente estaria agora ainda mais destruída do que fui ficando.

Destruída, exactamente, graças à instituição - claro, à Faculdade de Letras de Lisboa, e aos seus responsáveis - onde apresentei as minhas investigações, e as debati.

E foram debatidas com base nas ideias que aí vim a formar, depois de pesquisar, e do briefing que esses mesmos professores, me sugeriram; ou eles propuseram que trabalhasse...

Quem mais de perto segue «esta novela», aparentemente tem sido solidário, e um pouco cúmplice. Também a esses passei a estar grata, e já não só à editora Livros Horizonte.

Agora, portanto - também entre divertida, e cada vez mais grata! - vou recebendo certos convites, e algumas outras informações, que, obviamente, corroboram as minhas ideias...

As ideias de quem sabe que "para a frente é que é o caminho". Para a luz, e para a clarificação, e não para o obscurantismo...

Como sucede neste caso (ler abaixo o convite acabado de receber) nele enquadra-se, assumidamente, a «disciplina» da Arqueologia, como fornecedora de informações. Acrescentando nós, claramente, que se tratam de informações vindas da Iconografia que, muito antes da Baixa Idade Média - cerca de mil anos antes - essas mesmas formas e imagens geométricas (que a arquelogia pôs à vista), já existiam e já eram bastante activas.

É que os imensos geometrismos, que todos julgam abstractos, foram postos nos pavimentos, a pensar no alto: nas Coisas de Deus. Geometrismos que existiram (foram inventados para) propagarem informações bíblicas, principalmente as vindas do Novo Testamento.

Como aliás acontece no tapete de mosaicos seguinte - do qual já escrevemos várias vezes -, felizmente bem preservado e mantido na chamada Casa do Infante no Porto

Casa do Infante-Porto

(Nesta imagem aproveitamos para rever os círculos entrecruzados, ou entrelaçados, da bordadura - que no século IV já existiam, e dos quais, ao longo deste ano vamos continuar a escrever. Ver também aqui)

Conferência 11022020-mn-arqueologia.JPG

Face a este convite e ao que nele se diz "... that Changed our Understanding of the Biblical Period" - e não sabendo exactamente o que é o período bíblico? (já que é extensíssimo) -, no entanto é divertido estar a observar este "mundo das ideias", a mudar e a evoluir:

Sobretudo, e sem ironia, é muito positivo que mude. Sem qualquer dúvida, ou apesar da evolução continuar a ser lentíssima...

Mas isso também não nos admira, porque o Mundo da Ciência (e agora com maiúsculas) não tem força! Por várias razões, não consegue tê-la. Neste exemplo, e face a ideias incrivelmente arreigadas, como são as vindas das Religiões, definitivamente não parece (poder) haver evolução?

E mesmo para um crente, alguém que em simultâneo queira ser rigoroso, como é normal e lógico a Ciência exigir; para um crente querer seguir o exemplo, e a posição crítica de S. Tomás de Aquino, não é uma postura fácil.

Como dizem os franceses com a expressão "la foi du charbonnier" (que traduzimos aqui por "uma fé acrítica"), como temos visto, perante esse tipo de fé - que é cega e acrítica -, dessa maneira tão difícil de seguir e de praticar, nunca a Ciência se entenderá com a

Pois não há espaço, não o vemos (e há cerca de 10-14 anos batemos a muitas portas...), para uma discussão que é também Teológica, com certeza; mas virada para a compreensão das imagens que foram colocadas nas obras de arte mais antigas. 

E portanto, muito menos ainda haverá espaço para reflexões, que são difíceis (é verdade**).  Pelo que se pergunta, se não é para isso mesmo - para as reflexões difíceis - para que servem as Universidades? Com maiúscula...

~~~~~~~~~~~~

* Por estranho que pareça IHA da FLUL é - Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

**Sim, reflexões difíceis como por exemplo as que suscita Pierre Bourdieu, que na colecção Le Sens Commun publicou (traduziu e reflectiu sobre) Architecture Gothique et Pensée Scolastique  de Erwin Panofsky.   


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