Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
06
Fev 20
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Alguns (arquitectos) conhecem Christopher Alexander e os seus contributos, não só para as teorias da arquitectura contemporânea (desde meados do século XX), mas também para um melhor conhecimento, e domínio, do gosto.

 

E também ainda, particularmente, pelo seu fascínio por Tapetes Orientais: pois reconheceu em muitos desses tapetes, como supomos, «vocabulário» formal (que designa centros) que também existe na Arquitectura.

Já escrevemos sobre ele*, por estarmos convictos de que aquilo a que chamou A Pattern Language, é uma linguagem visual, ideográfica, que usa as formas geométricas (e outros sinais), tal como nós temos defendido que existiram (e como funcionavam).

Assim, quando um dia (talvez num futuro muito longínquo?**)  uma equipa científica - formada por gente séria e competente -, se debruçar, a sério, sobre esta «nossa temática» (que é aliás imensa); naturalmente acontecerá que as teorias de Christopher Alexander formarão um Corpus, em que (também) forçosamente, umas e outras se integrarão.

Ou vice-versa! Há que o dizer, já que é outra hipótese. Descobertas que podem vir a emparceirar (sendo postas a par), numa classificação onde haja categorias de  níveis iguais.

Ou ainda, 3ª hipótese, com uma parte abarcando a outra.

Porque o que encontrámos - e da maneira como vemos toda esta problemática - talvez seja mais amplo (e assim possa explicar e abarcar...), bastante mais do que os exemplos que Christopher Alexander descobriu e vislumbrou. Ou, dito de outro modo, aquilo que percepcionou e deduziu.

Descobertas que, tal como a nós nos aconteceu, o levaram a escolher vias de pesquisa que (ele, C. Alexander) decidiu, ou preferiu seguir. Melhor dito:

É que talvez tenhamos encontrado o que na essência é o mesmo (?), embora observado e notado em contextos, casos e situações, que são diferentes.

E é exactamente sobre o seu interesse pelos Tapetes Orientais, que se afirma algo com que estamos bastante de acordo, embora não na totalidade (mas também porque aqui se quis valorizar a sua «ideia»  relativa aos tapetes):

"As an architect he is concerned about the theory of the various centres which together make up a design. Any building is full of them, on whichever scale you look, the various interrelated levels of scale being one of the main concerns of the essay..."*** 

No entanto, já num outro aspecto (ou no que é um exemplo relevante desta temática), acima de todas as outras coisas, estamos de acordo, e com ele gostaríamos de conversar, ao vivo, se fosse possível, sobre o seguinte ponto:

O tapete a que chamou "HOLBEIN" RUG", tomou essa designação porque está inserido numa pintura de Hans Holbein (m. 1543) que pertence à National Gallery? Ou porque o tapete pertenceu ao próprio H. Holbein?

É que, como temos defendido, o tapete que aparece na obra The Ambassadors, esse desenho aconteceu (i. e., a escolha por parte do pintor), revela uma preferência e uma intenção, absolutamente significante. Dada a presença de "circulos entrelaçados", talvez para representarem o Espírito Santo (como também está no Livro de Hinos, aberto, na prateleira inferior). Portanto, supõe-se, como escolha consciente.

Todo o quadro são escolhas propositadas de H. Holbein, como se vê em outras áreas desta mesma composição: concretamente, no retrato de corpo inteiro de um dos Embaixadores; no que está à esquerda, em que, vê-se, tem o pé (muito) expressivamente colocado mesmo no centro de um dos círculos do desenho do pavimento.

Deduz-se, obviamente, que esta não foi uma construção/composição casuística, muito pelo contrário, e ainda a lembrar a Arte Medieval, em que, por mais simples que seja, cada sinal é um sentido acrescido. Mais, há que lembrar que não estamos perante uma imagem produzida por uma máquina fotográfica, que captasse um ambiente interior e os seus ocupantes.

Está-se sim, perante uma pintura. A qual, mesmo que tenha sido encenada - para o pintor mais facilmente a registar (como se sabe acontece no «processo construtivo» de alguns trabalhos de Paula Rego) - essa composição foi pensada ao nível dos menores detalhes: i. e., em que nada, mas absolutamente nada, foi deixado ao acaso!

Visto que cada sinal, cada objecto, cada elemento é como um emblema. Ao qual compete falar e trazer para a obra, as ideias que, imediatamente - por tradição ou por convenção anterior e antiga -, lhe estão (mentalmente) associadas

Image0155.JPG

(livro sobre Hans Holbein - o Novo -, em que a capa reproduz uma parte da pintura a que nos referimos)

Mas, voltando ainda a Christopher Alexander e à especificidade das suas «descobertas», o que encontrou nalgumas formas artísticas (reflectiu e depois aplicou-o nos seus trabalhos, por vezes a formar padrões, como no exemplo da imagem seguinte). Integrou sinais que são  extremamente simples, os quais usou, tentando com eles recriar um gosto novo: moderno e quase ingénuo, ao mesmo tempo. Um gosto que, aparentemente funciona bem, servindo por exemplo a ambientes domésticos, ou a ambientes de trabalho da arquitectura contemporânea. 

E se há (como alguns referem - e concordamos com esta ideia) uma beleza sensível e uma beleza intelegível, nas duas imagens, tão diferentes (que nunca pensaríamos pôr lado a lado...); na que está acima, de Hans Holbein, ela é a beleza inteligível: a da obra que para ser aceite, lida,  e gostada, precisa de mentes intelectualmente mais «preparadas» (ou muito conhecedoras).

Já na imagem seguinte, num trabalho de arquitectura, ou design ambiental, de Christopher Alexander, neste caso, como se pressente, o gosto pessoal de cada um, entra facilmente «em sintonia» com a obra; pelo seu lado empático-sensível. É quase a «beleza afectiva»: é o "eu gosto porque sim!", difícil de explicar, típico da beleza sensível. De qualquer forma, note-se, igualmente laboriosa no acto criativo.

ChristopherAlex-DesignAmbiental.pngOnde, para além das proporções da janela exterior e da janela interior, bem como do respectivo desenho de enquadramento; onde, na parede verde os três traços com uma pinta por baixo, não têm quaisquer pretensões, de tipo emblemático (antigo), ou falante.

Porque se esses grafismos falam de alguma coisa (?), sobre aquele fundo verde, é para sugerir o exterior, algo simpático, e o natural. De certeza que é para lembrar ambientes frescos, como se a natureza tivesse sido levada para dentro...

Enfim, é a criação artística que alguns julgam ser meramente intuitiva, mas que deu muito trabalho, e para qual pode haver receitas - como sempre houve - e se ensinam nas escolas. É aliás para isso que servem as ESCOLAS..., mesmo que todos queiramos, em todas as áreas, que o ensino (apesar de poder «fornecer receitas») não se torne estagnação

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* Ver este post. Mas há mais: procurar com a tag Christopher Alexander

** Longínquo, porque tudo neste país (e seus «responsáveis») por regra acontece a zero à hora

*** Citação vinda de ------> aqui. Ver ainda outros exemplos

POR FIM: e ainda a propósito dos "centros" que Christoper Alexander vê/viu em tapetes orientais, no nosso caso, dizemos que nesta obra de H. Holbein existiam "círculos entrelaçados" que agora já lá não estão. Razão para se dizer que: ou um restauro foi longe de mais? Ou a National Gallery esconde os originais, e ao público mostra «fakes», como os vídeos seguintes demonstram:

O filme na versão anterior ao restauro

E agora uma apresentação/filme na versão renovada, de um restauro - quem sabe? - parece ter sido muito mal feito...


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