Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Fev 24
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

A minha/nossa Pedra de Roseta está há vários anos explicada...

 

Assim como, da ideia de António Quadros relativa à existência de uma Escrita Ibérica, há vários posts, estando entre eles este. Mas há mais.

Foi Oleg Grabar - filho de André Grabar - quem escreveu, sobre a arquitectura Islâmica, dizendo que nas suas formas há desenhos que são provenientes de caligrafias. Já o mencionámos como aqui se pode confirmar.

E hoje, apesar de pouco termos estudado, ou visto obras da arquitectura islâmica, não comparando, pelo menos podemos afirmar que são imensas as formas, e os detalhes específicos da arquitectura cristã, que são provenientes daquilo a que é habitual chamar caligrafias.

E aqui parece-nos, julgamos que não será necessário esmiuçar a ideia/noção daquilo que são caligrafias * ? 

Recentemente, ou porque nos fazem perguntas, ou porque espontaneamente vemos, e nos lembramos de exemplos, muito interessantes, que já percorremos; quando isso nos acontece algumas imagens voltam à mente. É um repensar, e reparar

Umas regressam e outras, novas - que ainda não nos tinham feito parar - , passam a interessar-nos.

Nessas alturas pensamos e questionamo-nos, por vezes mais, outras bastante menos, perante os contextos (também científicos) em que estas questões nos têm surgido. Como acontece nos exemplos seguintes, sendo várias as questões: 

JoaqAzevedof-CaligrafiaMedieval.jpg

(ampliar)

Derrogação-sínteses-imagens-D.jpg

(ampliar)

No primeiro conjunto de imagens, em cima, está um excerto vindo da Revista Médiéviste, nº 16 de Junho-Julho de 2007. 

Número que foi dedicado a Écriture et Symbolique, referindo o Museu de Figeac e as descobertas de J.J. Champollion,

É dessa revista (p.31) a «barra de texto» cujo conteúdo desconhecemos. Certamente insular, anglo-saxónico, talvez parte integrante dos Evangelhos de Lindisfarne (Lindisfarne Gospels) **. Possivelmente do final do século VII...

E embora as figs. 3 e 4 - ampliações do que está acima - sejam relativas a derrogações visuais que foram feitas, nalgumas letras deste texto. Deformações/derrogações com o objectivo de aproximar o desenho dessas letras das formas de ideogramas que foram significantes, e muito correntes na época.

Tratou-se de uma técnica visual, operativa, de transformação de imagens; algo que, praticamente se observa em todas as formas artísticas  E assim, no nosso caso (pode ser que os leitores leiam e reconheçam as letras originais que foram desenhadas?) fica-se sem saber, para o caso da fig. 3, que letras são: será um G? Ou será um C, logo seguido de S? Não sabemos...

E para fig. 4, perguntamos: é apenas um A? Ou um A e um T (mais concretamente, o tau, letra grega)? Letras que foram fundidas numa única imagem? Que caprichos, ou que lógicas (retóricas - já que tem a ver com um certo embelezamento do discurso, posto visualmente) justificam as respectivas caligrafias? Assim como as derrogações, que foram impostas às letras? Porquê a barra horizontal em cima, e o losango no meio? 

Assim, chama-se a atenção, o leitor fica/ficou confrontado com textos que são simultaneamente alfabéticos e ideográficos. Ou seja, a exigirem técnicas de leitura diferentes. Pelo menos duas em simultâneo...

Vemos por aqui que há outros exemplos que nos permitem comparações, se quisermos fazê-las, levando a pensar que terão sido motivadas por decisões mais ou menos caprichosas? Porque, aleatoriamente, por exemplo a letra A, aparece com diferentes caligrafias.

Voltando ao primeiro conjunto de imagens, na parte inferior da imagem, nas 3 fotografias está uma pergunta que nos fizeram. Mas sem que saibamos o que de facto está inciso na pedra? Se a versão da fig. 1, ou a da fig. 2? Já que os sulcos existentes ao lado do S - com extremidades de volutas enroladas -, nos parecem demasiado notórios para se desprezarem...

Enfim, até pode parecer que sabemos ler a sina, ... e que nos divertimos com isto?

Não é bem assim, não nos parece nada fácil inventar (como faziam «as ciganas que sabiam ler a sina»), sobretudo tendo em conta o que ontem se citou de David Hume. Particularmente quando diz que para se gostar das obras é preciso ter informações. É que as obras (de Arte) só nos atraem, pelas suas formas - reconhecendo-lhes alguma beleza (menos sensível e mais intelectual) -, quando sobre elas temos algumas informações. 

Principalmente, quando se conhecem os conteúdos, e não exactamente sobre quem as fez: é essencial ter dados, na mente (previamente ***) que permitam compreendê-las.  

Por fim, pode-se dizer que para a imagem da fig. 1, mais ou menos semelhante, ela aparece-nos num livro - repleto de ideogramas e outros sinais gráficos, e caligráficos - , sendo assunto para outro post (a fazer).

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 Embora os desenhos de Arquitectura feitos com apoio do CAD, tenham vindo colocar diferentes questões relativas à representação da tridimensionalidade; questões que até Platão já tinha mencionado...

** Ver legenda na p. 96, referente à pl. III de Book Illumination in the Middle Ages, por Otto Pacht. Harvey Miller Publishers, London 1986.

*** A essas informações prévias já ouvi alguém (na TV - SIC, no programa Eixo do Mal) chamar-lhes "equipamento intelectual". Parece uma óptima expressão, pois só com esse equipamento - que aliás se pode adquirir - mais facilmente se percebem as inúmeras questões, por vezes bem complexas, implicadas/implícitas na criação artística: nas obras que queremos ver, desfrutar ou até mesmo contemplar. 


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