Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... e bem interessantes! 

 

As fotos seguintes vêm de um programa da RTP, não são especialmente legíveis mas lembram-nos «uma estórinha», vivida em Monserrate, num curso que terá sido promovido/organizado pelos Amigos de Monserrate, concretamente pela Emma Gilbert.

Assistimos a uma ou duas sessões, e aí ouvimos algo demasiado interessante, para se ficar insensível.

Explicava a Conferencista que, embora, não se soubesse a razão, muitos desenhos de jardins tinham a mesma Iconografia, que era também empregue em diferentes desenhos e detalhes da arquitectura. Estando presentes, em especial, segundo afirmava - num tom de quem ainda perscrutava as motivações para este fenómeno - em tectos de palácios.

Ouvimos isto talvez em 2004?, antes da defesa das nossas ideias na Fac. de Letras, quando - 'pour cause' - todos os nossos sentidos tinham passado a estar apuradíssimos.

Mas felizmente ainda continuam apurados, e há situações que não podem deixar de nos tocar, pois são fascinantes...

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JardinsCasaAndersen-Porto-4.jpgNo Jardim Botânico do Porto, onde brincaram Sophia e Rúben A., como há dias pudemos ver há desenhos espantosos, que terão sido como verdadeiras proclamações de fé, talvez afirmação de pertença ideológica, ou nacional (?), como acontece neste caso.

Já lá estivemos, mas só uma vista área nos permitiu agora perceber o que aconteceu; a obra que é:

Do lado direito - quando do jardim se vai a entrar em casa - está a mandorla.  Imagem que foi resumo da fé, não só dos Godos, mas de todos os povos (germânicos) do Norte da Europa.

É ainda a questão do Filioque, que Clóvis e Carlos Magno foram os primeiros a «enfatizar». Está aliás em todos os Góticos, como vemos, desde Monserrate até aqui, à Casa Andersen...*

E que, teologicamente falando, a mesma temática (o Filioque) ficou notória na questão da Reforma e Contra-Reforma romana. Desenhando pela Europa fora uma linha, fronteira, que separa os povos e as regiões, que seguiram a Arquitectura Clássica - do primeiro Cristianismo; daqueles outros povos, que mais tarde, no centro Norte Europeu, estiveram na génese do Sacro-Império, fundado por Carlos Magno, o primeiro Imperador descendente dos invasores germânicos.

Dos Povos que por isso adoptaram o estilo Gótico (que é ainda agora considerado apenas um mero revivalismo - o neogótico - sem que sejam compreendidas as motivações muito mais profundas para o seu emprego...). 

Mas, avançamos. Ao centro está um diagrama que também esteve na raiz da bandeira inglesa: a Cruz em Aspa ou de Santo André, sobreposta à Cruz de S.Jorge (de braços iguais, e ortogonais). Neste caso, trata-se de uma imagem que está em muitos tectos do Palácio da Ajuda.

Por fim, e por ser limitada a nossa ciência, lamentavelmente nada sobressai - não lemos nada! - no desenho que ordena as áreas ajardinadas que estão do lado direito  

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* Sinal que também está na janela da fachada principal (por dentro e sobre a porta), da Igreja do Menino Deus, em Lisboa.

Imagem chamada Crismón, ou Piscis, que foi símbolo de Cristo e do Baptismo... Sinal que está nos vimes entrelaçados, dos presépios do norte da Europa, etc., etc., etc.

Ideia - o Filioque - que justificou todos os Góticos: Sejam os primeiros, os tardios, os tardo-medievais, os internacionais, os Gothic Survival, os Gothic Revival, os Palladian Gothic...   Em suma, os mesmos Góticos que enfurecem Vítor Serrão (do que temos provas materiais, quando inclusivamente quis que o assunto nos «assustasse»).

Só que este tema é tão interessante, e tão novidade relativamente a tudo que se sabe, que é impossível não fascinar. Não ser prova viva, de tudo o que está subjacente e desconhecido - AS GRANDES IDEIAS (em geral bem mais importantes do que os detalhes da vida deste ou daquele artista...).

**Neste caso, trata-se de uma imagem que está em muitos tectos do Palácio da Ajuda,


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