Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jun 24
publicado por primaluce, às 15:30link do post | comentar

Não por acaso, alguns livros têm nos seus títulos a expressão NOVA HISTÓRIA.

Pois em geral são de autores que já conseguiram olhar para trás - vendo o tempo de que estão a escrever - com outros olhos, com outras ideias e também com outros métodos!

 

Em 2008 fizemo-lo propositadamente, com a plena concordância de Rogério Mendes de Moura que foi nosso editor (*).  Nada arrependida já que chegar àquele título, que parecendo óbvio, nos obrigou a algum trabalho de pesquisa; porém, cada vez mais, tem-se a noção de que valeu a pena ter gasto tempo com essa tarefa.

Monserrate traz de facto uma Nova História, como por exemplo se pressentiu na Conferência na Gulbenkian, na passada segunda-feira. Embora ali, e pelo que ouvimos - apesar de sobretudo virada para a Ciência, Cultura e Arte Islâmica - ainda estão na Pré-História (dizemos nós...) !

O tema é novíssimo, e houve participações em que nos teria apetecido intervir, para (lhes) explicar melhor aquilo que ainda está, para os vários estudiosos e apresentadores dos Papers dessa Conferência, verdadeiramente, dizemo-lo, ao nível de quem ainda vai muito «em palpos de aranha». 

Mas, «em palpos de aranha» também se percebe que estão os actuais responsáveis de Monserrate. É que afinal de contas, e depois de todas as «tropelias», para não lhes chamar outros nomes (piores que muito feios); apesar dos tratos de polé que nos impuseram (**), hoje - ou à Rádio Observador há alguns dias -, a versão que contam da história do palacete de Sintra é a nossa:

Concretamente a minha, a da Glória Azevedo Coutinho. Que nesse trabalho de investigação, e para os resultados atingidos, se serviu de métodos da sua profissão.

Metodologia da Arquitectura, para provar as obras que foram do atelier dos arquitectos Knowles (do século XIX). Assim como - talvez não escrito mas conversado com vários dos Amigos de Monserrate... - sobre as soluções que estavam no projecto (vindo de Londres, onde terá sido feito) e tiveram que ser alteradas, na adaptação ao local e ao terreno, na obra em Sintra.

Claro que, se os responsáveis por Monserrate (os de hoje) soubessem/pudessem olhar atentamente, para esses desenhos; se soubessem mais da arquitectura inglesa contemporânea da obra de Monserrate, talvez pudessem ir mais longe quando falam da Casa?

arquitectosIngleses-2.jpg

(ampliar)

Mas quando simplesmente se tomam como nossos os raciocínios, e as lógicas alheias (como fazem os plagiadores, que papagueiam as nossas ideias), que nem sempre compreendem, o que fazem é apanhar o pacote completo, sim, mas não entendendo aquilo que contém...

No desenho seguinte, o que é chamado planta de encarnados e amarelos,  que se faz em projectos, propositadamente, para registar e comunicar à obra as alterações projectadas/pretendidas executar. 

EncarnadosEAmarelos-Monserrate-c.jpg

Neste caso a planta foi feita em 1988, para o IPPC. Portanto alguns anos (12-13) antes de termos ido à FLUL estudar, bastante melhor, a Casa de  Monserrate.

Desde essa data tem a legenda abaixo, para explicar o objectivo com que foi feita a partir de um desenho - um Levantamento de 1841 - assinado por Nicolau Pires (***). 

EncarnadosEAmarelos-Monserrate-d.jpg

 (ampliar)

No próximo post continuaremos a escrever sobre Monserrate, para evidenciar como aquilo que a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa deitou para o lixo é fundamental para a empresa Monte da Lua.

A Empresa que dá foros de cidadania ao nosso estudo, sem o esconder (mas a silenciar a autoria... o que parece muito feio!)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) Fundado da Livros Horizonte. Depois de vários avanços e recuos, pude perceber que foi para ele como que uma questão de honra; tendo publicando «o nosso Monserrate» no ano da sua morte. Diferentemente da actuação da FBAUL, concretamente de Fernando António Baptista Pereira que nunca quis publicar nada do que estávamos a produzir entre 2006 e 2012, na FBAUL sob a sua orientação. Embora entretanto, ele mesmo tenha feito PPTs (ou outros docs.?) em que se percebe que são os nossos estudos que está a mencionar...

(**) Impuseram, malfeitores de três instituições de Ensino Superior. E quem ler poderá achar que, oh logo três!, talvez não seja culpa desses, mas dela! Só que, infelizmente, estamos num ambiente de imensa perca científica e cultural, fazendo com que, jovenzinhos demasiado ambiciosos, e nada honestos, menos vividos, ou sequer com experiência de vida, se queiram enfiar nos sapatos alheios: nos que já foram muito calçados e descalçados, há tempo, muito mais formados (e deformados), e onde se querem meter à viva força: 

Sapatos que já são do tempo em que eles - os pobres jovens descalços de hoje! - ainda só usavam botinhas de lã em tricot, e para bebés

(***) Um arquitecto (amador?) que se supõe ter trabalhado para D. Fernando II


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