Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
07
Dez 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... tanto que já nem nos lembramos (ou esquecemos praticamente)*:

 

Houve um senhor que nos convidou para trabalhar com ele, nestes termos: "Venha trabalhar comigo, venha ser os olhos e os ouvidos do Imperador!"

Ao que pensámos: Mas..., «Imperadores» destes, conhecem-se tantos...?!

Et pour cause, lá se inventou um chorrilho de desculpas, bem mais do que piedosas mentiras, não fosse o auto-proclamado imperador ficar muito ofendido com uma recusa (que para a generalidade das pessoas seria uma oferta irrecusável!).

Assim dissemos que estávamos num projecto que não queríamos abandonar, que não éramos Funcionários Públicos e portanto sem ligação ao Estado, no qual não poderíamos entrar, etc., etc. O tal chorrilho...

Claro que perdemos loucuras (dinheiro, comodidades...); mas não de independência, menos ainda de oportunidades como foi fazer os estudos sobre Monserrate e depois tudo aquilo ao que esses estudos nos conduziram.

Mas enfim, claro que perdemos, é verdade: o facto de poder assistir de muito perto à ascensão de quem hoje tudo comanda à volta da Praça do Império...

Semelhantemente, ou por «um conseguimento equivalente», assistimos ao surgir dos Amigos de Monserrate, para os quais nunca fomos tidos ou achados. Idem: lá para os idos de 80/90.

E como se não bastassem os milhares de alunos que tivemos, o que lhes transmitimos e assim trabalhámos (com resultados óptimos para quem ensinou - como na letra de uma canção brasileira...) agora começa-se a usar a expressão Iconografia Cristã - como titulo de uma exposição!** - e um dia se chegará ao termo Iconoteologia.

É a Força das Ideias - que não deixaremos de espalhar (graças às novas tecnologias); é a força de lógicas, mesmo que inovadoras, que um dia conseguem, senão mudar o mundo, pelo menos mudar o curso do pensamento de alguns (mesmo que tenham sido poucos os que entenderam o alcance do que se lhes ensinou***?).

Corresponde enfim ao que está no nosso trabalho nos muito sinceros Agradecimentos (ver página 7, versão original/policopiada), dirigidos a quem tudo fez para nos mudar a cabeça:

"É à Professora Doutora Maria João Baptista Neto, que verdadeiramente se dedica este trabalho. Ele dá continuidade e porventura projectará no futuro, algumas temáticas que tem aprofundado.

Ao apontar o caminho rico das «Origens do Gótico» permitiu-nos desenvolver uma demanda, nunca por nós imaginada que se revelou muito gratificante. Ultrapassámos a compreensão de Monserrate, enquadrando a obra no seu verdadeiro fundo histórico. Fazer o trabalho foi um enorme prazer."

monserr-portahall.jpg

coberturas-monserrate-2-2004.jpg

(imagens, respectivamente, de 1987 e 2004)

~~~~~~~~~~~~

*Porém foi na década de 80, podendo hoje ter a certeza (com pés bem assentes na terra, teluricamente) de que uma educação completa passa por ensinar o que é a realidade, as verdades históricas, e como das mesmas se tiram lições, mesmo que mini-lições de carácter moral.

**Museu Diocesano de Santarém: Arte e Iconografia Cristã: http://www.museudiocesanodesantarem.pt/wp-content/uploads/2015/11/Arte_e_Liturgia_Crista_web_completo.jpg

***Razão de ser professor (e não para nos esconderem as ideias)


26
Nov 15
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

e portanto também burros, felizmente.

 

Aos pobres dos burros ficou ligada, e perdura (infelizmente), a chamada burrice asinina!

DYI-do it yourself-2.jpg

E hoje, a menos de 1 Mês do Natal, sugerimos que inventem brinquedos - é o que fazemos - para as Crianças da família: gostam mais, e é uma forma de exercício criativo


24
Nov 15
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

Valerá a pena, ainda hoje, relacionar a Arquitectura (antiga) com a Teologia?

Valerá a pena querer ir mais longe do que aquilo que normalmente se ensina nas escolas: mesmo naquelas que se dizem de Ensino Superior?
Valerá a pena defender que é preciso dar conteúdos científicos – e não apenas aulas práticas... (???) – no Ensino Superior Artístico? Sobretudo quando o que se ensina no Secundário é mesmo «poucochinho»: sendo esse pouco a espinha dorsal da imensa informação (boa ou não) que actualmente se pode recolher em qualquer sítio.

Informação que depois se vai arrumar em função daquilo que o Ensino Secundário permitiu aprender... E saberão, os que aqui vêm ler (i. e., um certo sr.), que o mais importante não é o que se conhece, mas como se sistematizam os conhecimentos?

 

Enfim, depois das perguntas o excerto que não nos surpreendeu**, quando há uns dias o encontrámos (em português, edição Aletheia):

“Nobody can understand the greatness of the thirteenth century, who does not realise that it was a great growth of new things produced by a living thing. In that sense it was really bolder and freer than what we call the Renaissance, which was a resurrection of old things discovered in a dead thing. In that sense medievalism was not a Renascence, but rather a Nascence. It did not model its temples upon the tombs, or call up dead gods from Hades. It made an architecture as new as modern engineering; indeed it still remains the most modern architecture. Only it was followed at the Renaissance by a more antiquated architecture.
In that sense the Renaissance might be called the Relapse. Whatever may be said of the Gothic and the Gospel according to St. Thomas, they were not a Relapse. It was a new thrust like the titanic thrust of Gothic engineering; and its strength was in a God who makes all things new.

In a word, St. Thomas was making Christendom more Christian in making it more Aristotelian…”

Excerto vindo de: http://gutenberg.net.au/ebooks01/0100331.txt

Claro que a grandeza do século XIII a que Chesterton se refere, é ainda hoje visível, em vários (todos...?) países da Europa. Numa Arquitectura, que, com frequência, tem expressões regionais diferentes, marcadas por expressões religiosas (nuances - postas em ornamentos falantes) também diferentes.

Há muito (em quantidade e doses de informação) que é essencial compreender, e aqui as elites (se o são?), têm um papel fundamental: Os meios de comunicação irão talvez reencontrar o seu papel junto de um público que está sempre ávido, seja de notícias, seja do conhecimento da sua própria cultura?

Embora muitas vezes lhe dêem apenas literatura romanceada, romances históricos e best sellers tão empolgantes quanto desviantes daquilo que parece*** mais importante ser conhecido e apreendido.

~~~~~~~~~~~~~~

*Neste caso G. K. Chesterton - um autor que desconhecíamos. Mas, ao que parece, este fenómeno é amplo, pois apesar de Chesterton ter dado sequência a autores como Ruskin, vários reclamam que tem sido esquecido. Ora a modernidade e a clarividência com que escreveu, por exemplo a comparar S. Francisco e S. Tomás, deviam levar a uma maior difusão da sua obra, a uma vontade de o conhecer. Porque através dele chega-se mais atrás, a uma parte da história das religiões, que, mais do que nunca (parece-nos?) daria jeito conhecer.  

**Já que foi «isto» que fomos encontrando ao longo das nossas investigações; as de um doutoramento que, em 2008 - enquanto alguns se apoderavam das carreiras dos docentes mais antigos de uma certa escola - no nosso caso, estávamos verdadeiramente fascinados com aquilo que se estava a encontrar. Não tanto ao nível das ideias gerais (como as de um Émile Mâle), mas ao nível dos exemplos concretos com que nos íamos deparando. E como Chesterton explica e descreve sobre a Filosofia de S. Tomás: "os sentidos não enganam", também nós, ao interligar tudo isto, ainda não tivemos a percepção de estar a ser enganado pelos sentidos...

***Francamente é o nosso «parecer». E temos dado muitos mais


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