Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Nov 10
publicado por primaluce, às 10:21link do post | comentar

Este estranho título remete ainda para a apresentação que fizemos na semana passada, e na qual como é normal fomos falando no nosso trabalho sobre Monserrate - a base daquilo que estamos a fazer agora - investigando ainda em torno desse tema, porém muito mais ampliado. Esse estudo permitiu-nos atingir informações e conhecimentos verdadeiramente inesperados, que não têm sido divulgados, a ponto das pessoas não perceberem (mas muitos são eles próprios os culpados de não perceberem, e por isso não se queixem), que quando raciocinamos já estamos a partir de outras bases: i. e., daquilo que verdadeiramente supomos ter acontecido no passado; e não das elucubrações, algumas sem grande sentido, que a historiografia da arte produziu.

Note-se que a multitude de informações a que hoje se pode ter acesso, quer em enormes atravessamentos (longitudinais) do tempo; quer em aprofundamentos muito localizados em determinadas épocas, isso permite detectar que, algumas informações que nos chegaram, eram propostas erróneas (embora fossem interpretações bem intencionadas...), por vezes um pouco ao lado, daquilo que de facto aconteceu.  

Ora de entre essas inúmeras «novas informações», tendo constituído logo de ínicio (em 2001-2002) uma verdadeira chave, foi o facto de nos termos apercebido de que Robert Walpole (sobrinho) era primo de Horace Walpole, e foi ele o Enviado Inglês que chegou a Portugal em 1772. Sendo este mesmo Robert Walpole - como é descrito por Rose Macaulay, em They Went To Portugal - quem sucessivamente, em Lisboa e em Sintra, dificultou a vida de William Beckford, que, muito vivamente, queria ser apresentado à Rainha D. Maria I.

Parecem ninharias das vidas dos ingleses do século XVIII, que vieram para o nosso país, com o propósito deliberado de enriquecerem. E tudo isto não teria a menor importância, se W. Beckford não tivesse escrito sobre as Abadias de Alcobaça e da Batalha, e também sobre os Arcos do Aqueduto, que foram construídos no Vale de Alcântara. 

Tudo isto continuaria a não ter a menor importância, se ainda antes da chegada de W. Beckford, umas boas décadas antes, Gérard Devisme não tivesse chegado a Lisboa, quando esses arcos do Aqueduto ainda se construíam. E não tivesse ficado tão maravilhado, e tão entusiasmado com essa obra, a ponto de dar notícias para Inglaterra, enviando desenhos também, e, levando, principalmente, H. Walpole, a tornar-se um re-inventor do estilo gótico; sobretudo para a arquitectura doméstica. Mais concretamente, num fenómeno de moda - em que um novo gosto se podia espalhar - como ele fez, também como "opinion maker", inclusive escrevendo cartas, qual verdadeiro "marketeer" dos dias de hoje.

Tudo isto poderia não ter a menor importância, se William Beckford e muitos outros, não tivessem levado para Inglaterra trechos arquitectónicos e muitas ideas, que em Portugal puderam contactar, conhecer e aprofundar. Como é o caso do trabalho de James Murphy sobre o Mosteiro da Batalha.         

E se alguns - eventualmente dos mais responsáveis - não percebem a relação, directa, entre o que se fez em Monserrate (também no século XIX), e a obra de William Morris, e desta com o Design, enfim, resta-nos muito pouco!

Poderíamos especular, e usar das mais elaboradas retóricas (como alguém disse recentemente), porém, só há uma resposta eficaz: trabalhar, trabalhar, trabalhar. Que é sinónimo de: ensinar, ensinar, ensinar...e, não podemos desistir.  

 

Vejam em Monserrate, uma nova história, particularmente, a carta de Madame du Déffand, referindo-se ao "petit cousin" de Horace Walpole, que então vivia em Portugal, como British Envoy (op. cit., pp. 46 e 91). Como poderão ler, Marie de Vichy-Chamrond, marquise du Déffand, vai muito além do "Honnit soit qui mal y pense", que todos repetiriam, e com que hoje acabamos...  

Existe uma óptima colecção de fotografias do Aqueduto, feitas por Mónica Freitas, mas esta, ainda, não é esse caso...


olá.
só agora tive oportunidade de visitar este blog e gostaria de deixar o meu feedback. sou-lhe sincera ao ponto de dizer que ainda não li todos os posts aqui publicados, mas daquilo que vi achei mesmo muito interessante. existe uma fluência na leitura e gosto do aspecto visual que deu a este blog, prima luce.
tenho particular interesse em seguir blogs relacionados com a arquitectura, não só a nível nacional, mas também internacional e talvez conheça, como exemplo, o blog "a barriga de um arquitecto", que nos vai inspirando a gostar e apreciar cada vez mais o estado da arquitectura, uma vez que nos deixa a pensar acerca de temáticas que possivelmente nunca abordaríamos na vida. pelo menos enquanto alunos de design. vejo aqui, por isso mesmo, a ponte entre a arquitectura e o design, pelo menos no que concerne a teorias e críticas acerca do ambiente que nos envolve.
gostaria, em último lugar, de lhe fazer um convite para visitar o meu blog. sem palavras, é certo, apenas com "poesia visual", por intermédio de fotografias, mas que visa, por isso mesmo, apelar ao sentido estético e pensante do leitor. é um blog de comparações, revelações e descobertas entre lisboa e istambul. talvez ache interessante o conceito... são cidades, aparentemente totalmente divergentes entre si, mas vejo que, reunimos condições para uma grande afinidade e proximidade. não talvez a nível arquitectónico,.. mas talvez muitas ideias e "trechos arquitectónicos", como refere no seu texto, se possam assemelhar também entre Portugal e a Turquia. Se quiser dar uma vista de olhos, deixo-lhe de seguida o link: http://listanbulon.wordpress.com

pela minha parte, vou tentar tomar mais atenção aos assuntos aqui discutidos. até uma próxima.
teresa rebelo.
tété a 11 de Novembro de 2010 às 10:09

OLÁ TERESA REBELO! Obrigada pelo que escreveu. Já fui espreitar o blog que refere sobre Istambul e com mais tempo vou ver melhor. As imagens descansam-nos dos textos, que, por vezes, são muito cansativos. As imagens dão-nos panorâmicas gerais, enquanto o texto é todo ele muito preciso e específico , a ponto de, as vírgulas (que não sei pôr) puderem mudar tudo. Não fui a Istambul, mas recentemente tenho visto algumas fotografias, e estou absolutamente de acordo, que há exemplos, em que os ditos trechos arquitectónicos - pedaços de paisagem urbana, ou uma Townscape " de que escreveu Gordon Cullen - são muitíssimo semelhantes. Então se forem exemplos de fotografias onde aparecem Carros Eléctricos (é que também temos isso tão interiorizado...), que logo nos lembra Lisboa!
primaluce a 11 de Novembro de 2010 às 12:25

OLÁ TERESA REBELO! Obrigada pelo que escreveu. Já fui espreitar o blog que refere sobre Istambul e com mais tempo vou ver melhor. As imagens descansam-nos dos textos, que, por vezes, são muito cansativos. As imagens dão-nos panorâmicas gerais, enquanto o texto é todo ele muito preciso e específico, a ponto de, as vírgulas (que não sei pôr) puderem mudar tudo. Não fui a Istambul, mas recentemente tenho visto algumas fotografias, e estou absolutamente de acordo, que há exemplos, em que os ditos trechos arquitectónicos - pedaços de paisagem urbana, ou uma "Townscape" de que escreveu Gordon Cullen - são muitíssimo semelhantes. Então se forem exemplos de fotografias onde aparecem Carros Eléctricos (é que também temos isso tão interiorizado...), que logo nos lembra Lisboa!
primaluce a 11 de Novembro de 2010 às 12:27

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