Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 10
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Comentário de Jaime Latino Ferreira vindo por e-mail:   

 

Retive-me, para já, na citação que encabeça o teu blogue, a saber: 

A Visão: A melhor coisa que um ser humano pode fazer neste mundo é ver...Ver claramente a poesia, profecia e religião de alguma coisa, tudo ao mesmo tempo.

 

( John Ruskin ) 

E apetece-me replicar-lhe:

 

A escrita: Uma das melhores coisas que um ser humano pode fazer neste mundo é escrever ... Escrever claramente a poesia, a profecia e tudo conseguir, em simultâneo, pela musicalidade nelas contidas, religar!

 

Obrigada pela Música das palavras, aqui «mora» o gosto de ensinar, tem resposta:

 

É que se fala em Cultura Visual, mas as pessoas desaprenderam a leitura das imagens, e aquilo de que tratavam. Não sabem que as imagens de hoje, ainda nascem nas de há milhares de anos: entrando pelos olhos alojam-se na mente, com e sem licença dos respectivos donos! 

[Hoje, por vezes, diz-se isto da televisão mas antes de existir, já os olhos captavam o mundo assim, e a televisão, como diz o nome, é ampliar essa mesma visão]

Muitos não sabem que as composições visuais (ditas artísticas) também devem ser lidas como «mapas», onde os mínimos detalhes contam: à semelhança dos teus textos escritos. Se rimas com as palavras, podes fazer exactamente o mesmo com as imagens: a Arte em geral, e particularmente a Arquitectura da Idade Média, era isso. Aliás, foi isso que há cento e tal anos divertiu e emocionou J. Ruskin, fazendo-o «martelar» aquelas palavras.

 

Vai a fotografia do Museu, onde eram os ateliers de Verão. A pintar e a trabalhar com barro, «aprendíamos a ver».  

Passados todos estes anos, desde 2002, passei a ver (e aqui o «ver» é compreender) que na maioria das portas e janelas desse edifício – que se diz ser “Revival” – ali, como nas obras medievais, proliferam alusões a Deus. Considerado Luz, eram escolhidos os contornos dos vãos, o seu design, e os guarnecimentos de pedra (sobretudo as vergas), também significantes. Depois, pelos envidraçados, «diafragmas» transparentes e coloridos, redigidos igualmente como verdadeiros textos, toda essa iconografia era valorizada ao ser atravessada pela luz. Os jogos geométricos e luminosos enfatizavam assim, as ideias que os edifícios e os seus donos (ou vice-versa?) pretendiam transmitir.

 

Este «blogar» é experimental, não tem sentido de posse: juntar textos e imagens, sobretudo ensinar… é o que sei fazer!


Ainda de Cascais, do exterior da Capela de S. Sebastião - um exemplo de música para os olhos


Gloria Azevedo Coutinho

Querida Amiga,

Só agora vi esta tua página em que me destacas ...!

E aqui estou não só para te agradecer mas como para, ao que escreves, acrescentar:

Tudo tem resposta e se ver é compreender, o que se escreve já é ver no duplo sentido de compreender o que é dito e logo se ouve, profundidade particular da escrita, e que também se vê.

A escrita vê-se!

Ela nasce de imagens sedimentadas no tempo, numa geometria que se arquitecta, religa pela musicalidade que em si mesma se contém!

E que Ruskin me perdoe a minha interpelação!

Um beijinho e uma vez mais, obrigado


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 14 de Outubro de 2010
jaime latino ferreira a 14 de Outubro de 2010 às 22:48

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