Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
28
Jan 23
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

... QUE  nós NOS RECUSAMOS A PENSAR COMO PALCO !

 

Já todos escreveram e pensaram no dito. Nós também, mas o que temos dito - foi por escrito - e tem ficado nas caixas de comentários de outros

Aqui fica-se furioso com a provocação, e escreveu-se:

"Representantes de Cristo????? Quando é que Cristo pactuou com esta corja de aldrabões??? Pelo contrário... deu o exemplo e ensinou a combatê-los. Num país que está cheio de gente com fome e problemas em alimentar-se, com preços hiper-inflacionados, faz sentido, só para pagar o palco, cada português ter que vir a pagar 1/2 euro. E isto não são os preços finais... VERGONHOSO"

Noutros casos -  2 ou 3 ? - já lhes perdemos o rasto...

Mas hoje veio ao de cima, de novo, o acumular de tanta desafio (lógico). Ao referir-se Fátima, em que já pensámos, como solução para a questão nacional que preocupa a todos; ou mostrando ainda, quiçá ? como, se isto continua, ainda fazemos o projecto...

Só que, o mais óbvio é que nunca houve projecto, nem linhas-mestras, ou directrizes para conciliar os desideratos de um Programa para 1,5 milhoes, com a utilização futura, provavelmente mais pacatinha.

Acrescendo estas às limitações de um sub-solo (bastante) contaminado...!

No entanto, se o nosso primeiro impulso (quase inconsciente) seria ir buscar inspiração à Estação do Oriente, e à obra de Santiago Calatrava; já quando nos pomos a pensar, com alguma vontade mais assumida (e portanto mais consciente), então é sobretudo do Mov. Archigram que nos lembramos.

Depois, no comentário mais pensado, claro que se lembra também a asneira total em que vivemos, e para a qual poucos alertam. Deixando-se crescer a incompetência, que vem também da falta de formação básica, e de uma visão global, panorâmica, que é cada vez mais difícil alguém conseguir ter (pois são todos especializados, mas ... em nada!!!) : 

"Pois. O que Fátima tem é um terreno moldado ou natural (?) que permite que uma multidão se encaixe num espaço, sem ser preciso andar a elevar 9 mts ou 3 andares o ponto em que vão decorrer as principais cerimonias. Para ver bem haja binóculos, câmaras a filmar e ecrãs! Quanto ao ser Lisboa, parece que foi esta Câmara que ganhou num concurso entre várias cidades.

Mas enfim, todos sabemos que as capitais representam os países... E Lisboa poderia representar Fátima. Só que aí como deslocar um milhão de pessoas para o centro de um país que anda há 50 anos para decidir o melhor local para um aeroporto??? E há geógrafos?, têm sido formados???  Aqui a «burrice» é uma pescadinha de-rabo-na-boca..."

Um retrato em que, nem o Reino Animal fica bem!

Quanto mais a procura de soluções sustentáveis, por humanos que deveriam estar treinados para pensar problemas complexos! [ambientalmente, economicamente...]

AltarDoMundo.jpg

(obrigado Anibal Lemos)

No fim, e ainda a pensar nas ideias do grupo de arquitectos que na década de 60 deram nome ao Movimento Archigram escrevemos:

"E tudo isto tem-me feito pensar no Mov. Archigram dos anos 1960. Ou na «Passarola» de Bartolomeu de Gusmão, e bem mais para trás, nos teatros Gregos do Epidauro e Odéon. Tudo isso implantado em anfiteatros naturais, com leveza, e não com estruturas brutas de betão..."

Para todos, claro que dá jeito que a polémica acabe. 

Pois só há os 180 dias, e é preciso começar a executar os milhões ... Por aqui, por muitíssimo interessante que todo este questionamento  seja, temos mais que fazer! 


26
Jan 23
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Uma revolução (científica) a haver, dizemos nós...

 

As imagens desencadeiam processos no nosso cérebro que as palavras não reconhecem. Desenhar não é apenas um processo artístico, é também pensamento. Desenhar é apropriar-se da realidade, é dar-lhe forma. O desenho é uma das formas mais antigas e perfeitas de interpretação e criação do mundo.” * 

O texto não é nosso, vem  daqui. 

É que realmente acontece na prática - como nos aconteceu a nós - e por isto corresponde ao (mesmo, tal e qual!) que levou em 2005 à nossa expulsão da FLUL.

Apesar do conhecimento de Maria João Baptista Neto, nossa orientadora nos estudos feitos sobre Monserrate, e, sendo ela mesma a autora dos escritos seguintes (a pág. A4 digitalizada, que está abaixo e já várias vezes publicada).

Escritos que, como ficou no título deste post, hão-de levar - é absolutamente certo - a uma revolução científica. Em que as Neurociências, a Linguística e as áreas das Artes Visuais serão as principais beneficiadas. Mas também a História e a Antropologia, pelo menos...

ConversasComDoodles

Revolução científica não iniciada com o nosso trabalho, mas pelo somatório dos trabalhos de muitos outros autores. Por exemplo, com o de Rudolph Arnheim, que é essencial, e já se disse de outro modo - pois escrevemos vários (pelo menos os 4 seguintes) posts - com essa constatação:

Concretamente, abordando a existência de um Visual Thinking, que até lhe serviu de título para um dos seus livros. Livro que podem/devem conhecer, e que foi escrito em 1969, e cujo editor original foi a University of California Press.

Não vamos alongar-nos, pois nem vale a pena... Já que nos nossos blogs, e no facebook (é uma questão de se procurar), estamos desde 2010 a escrever sobre esta ampla e tão ignorada (quanto controversa) questão. Vem de antes de 2004, apresentada nas provas públicas em Jan. de 2005, e depois em 2008 com a publicação, que assim ficou registado em Monserrate Uma Nova História **.

A FLUL (e quem sabe também a FBAUL???) têm pela frente - mais anos e anos de teimosia (a deles)... -, com o não reconhecimento do facto do desenho ter sido usado para pensar.

Temos pena, mas é a maior verdade!

Aliás, este é mais um exemplo - num caso que conhecemos demasiado bem - da incompetência versus inveja nacional, que prejudica todos. Sendo claro que só uma revolução científica - seja ela silenciosa ou não (?) - vai permitir um dia tirar o máximo partido do esclarecimento desta imensa problemática. 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Na citação (acima) as duas passagens sublinhadas a amarelo merecem-nos comentários, que são diferentes, já que, e sobre a primeira passagem, não estamos totalmente de acordo (ou não a compreendemos?). Sendo a segunda completamente aceitável.

Para a primeira "que as palavras não reconhecem", na verdade, e se não tivesse acontecido connosco, também diríamos que se tratam "de processos que as palavras não reconhecem". Diríamos que é como uma afasia; o indizível, ou ainda o inefável. Ou seja, o que as palavras não conseguem traduzir. Não conseguimos.

No entanto, e é o que está na página digitalizada, eu vi a dita professora, a desenhar - com os rabiscos que se vêem - aquilo (concretamente os conceitos/dogmas do cristianismo) de que estávamos a conversar

Para a segunda passagem que sublinhámos, o desenho como uma das formas "mais antigas e perfeitas" para a interpretação e explanação do mundo, esta passagem é para nós bastante mais fácil de a aceitar (e de explicar). Por termos passado por isso vezes sem conta... Ao lado dos alunos: não apenas em situação de projectos (que são realidades a existir), mas sempre que fosse necessário explicar-lhes o funcionamento de uma cozinha, por exemplo; de uma máquina, ou até a descrição de uma paisagem. Em suma, em situações em que as palavras não permitem uma grande economia descritiva, e/ou a rapidez e maior eficácia que o desenho oferece. 

** Embora desde então, tenha ficado crescentemente mais claro, e compreensível, aquilo que se passou (desde há milhares de anos) em torno das imagens. E como até aquelas  formas que parecem não ter qualquer relação, ou sequer correspondência visual com alguma realidade; na verdade, essas formas geométricas foram significantes: i. e., estiveram comprometidas com ideias que elas representavam, e às quais aludiam... E ainda aludem, como pode acontecer a alguns (e aconteceu connosco)


22
Jan 23
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

e no original (a que se tem acesso) consta assim:

"It takes a village to raise a child"

 

Uma frase que é empregue em África, como explicam a Wikipédia e outras organizações.

ItTakesA-Village-B.jpg

(imagem vinda daqui)

 

Mas, extrapolando agora para os seniores europeus - apesar de nunca termos abordado, com toda a frontalidade, esta questão* - pergunta-se:

 

Quantas aldeias, quantas cidades, quantos homens e quantas mulheres; e ainda, quantos governantes e quantas instituições são precisas para pôr na cabeça da maioria dos portugueses (preferencialmente na totalidade!), que os idosos, por mais idosos que sejam  - incluindo até os centenários, ou os que possam estar diminuídos nas suas faculdades... - todos merecem, são dignos e têm que ser bem tratados?

Que, sobretudo, sejam merecedores de ternura, em vez do abandono a que estão votados...

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*O que também não vai acontecer ainda agora... 


16
Jan 23
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

E quem faz arrumações também

 

Neste caso num livro*, e na sua contra-capa o modo como "a energia própria se pode transformar num edifício de sabedoria"

LeCorbusier-blog.jpg

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* Ver em Le Corbusier alive, por Dominique Lyon, Anriet Denis e Olivier Boissière. Ed. Vilo International, Paris 2000.


10
Jan 23
publicado por primaluce, às 20:30link do post | comentar

... não gostamos de usar a palavra SÍMBOLO

 

Já o escrevemos várias vezes, preferindo em geral - para os sinais visuais a que a maioria chama SÍMBOLO – dizer antes  IDEOGRAMAS.

Embora, na verdade, alguns desses, talvez mais trabalhados e complexos se possam (ou devam até ?) chamar DIAGRAMAS [1]

Vem isto a propósito de um texto que lemos aqui, e que nos fez reagir desta maneira (a tentar esclarecer):

Cecília Melo E Castro e Jorge Couto não têm que conhecer os meus estudos sobre Monserrate, e aquilo a que cheguei ao fazê-los... Porém foram altamente enriquecedores, a ponto de me atrever a dizer que um certo extracto é uma chachada". É forte, muito forte, eu sei! Mas, a energia, que não é eléctrica, mas sim cultural ou mental, está na cabeça de cada um dos que lê – quando, e se sabe ler...? - certos sinais [2].

E não lhes chamo símbolos, ou símbolos visuais, porque na cultura ocidental em que estamos, de raiz cristã, a maioria dos sinais (visuais) - a que quase todos chamam símbolos (e tb eu quando é mesmo preciso, para me fazer entender, na confusão vigente) - nesta nossa cultura, a maioria dos referidos sinais, são referentes a dogmas do cristianismo (i. e., são imagens mas podiam ser palavras). Com o objectivo de que esses vários sinais, todos reunidos (pois são imensos, e por isso se fala tantas vezes em polissemia que é de origem medieval... ou ainda da Antiguidade Tardia), constituíssem o (ou os) símbolos da fé.
Sendo que o primeiro foi, é conhecido como, Símbolo dos Apóstolos. Este teve posteriormente versões diferentes, por exemplo na Pens. Ibérica, onde foi muitíssimo discutido (por mais estranho que pareça...), e a versão que se consolidou, com o impulso de Carlos Magno é o actualmente designado Símbolo de Niceia-Constantinopla.
As minhas desculpas pelo vosso sobressalto, que provoquei, mas quando se percebe tudo isto, sem as percas de sentido que o tempo infligiu, quer a Arte, quer a História ficam muitíssimo mais ricas e interessantes.

Uma boa parte disto que escrevi está no meu livro sobre Monserrate.

Acontece que temos a noção (apesar daquilo que já ficou no nosso estudo dedicado a Monserrate [3] ), que à medida que o tempo passa - e embora não estejamos acompanhados ou inseridos num qualquer grupo, ou num centro de estudos e de investigação; sim, temos a noção de que as nossas ideias vão evoluindo com o tempo. E vão evoluindo, em nossa opinião, thanks God, para melhor.

Como quem faz um projecto, e sucessivamente vai burilando, e podendo fazer acertos, até que a obra final tenha atingido um mais alto nível de qualidade (de acordo com o nível de exigência do autor, que somos nós - nada perfeitos!).    

É verdade que o texto que comentámos – “O extremo poder dos símbolos reside em que eles, além de concentrarem maior energia que o espectáculo difuso do acontecimento real...”, incluindo a ideia de haver “energia nos símbolos”, é completamente datado. E de um tempo em que o Simbolismo era ainda considerado essencial à Arte. 

Como se para haver Obra de Arte tivesse que haver Simbolismo! Qual ingrediente (ou ideia) que para alguns, parece, seria completamente indispensavel. Em suma, uma noção que o excerto seguinte mostra bem [4]:

"DESTINS DU SYMBOLISME

 

«Un tableau doit raconter quelque chose, donner à penser au spectateur comme une poésie et lui laisser une impression comme un morceau de musique », disait Böcklin. De tels propos auraient été contresignés sans hésitation par tous les peintres symbolistes, d'abord parce qu'ils s'accordent avec le principe des «correspondances» et ensuite parce qu'ils participent de ce profond désir du Symbolisme de parvenir à une harmonie entre tous les arts, comme le souhaitait William Morris, ou même de réaliser 1'oeuvre d'art totale (Gesammtkunstwerk) dons rêvait Richard Wagner. Mais cette attitude s'oppose fondamentalement à celle des artistes ou des esthéticiens qui plaident au contraire la thèse opposée, à savoir que chaque art doit cultiver sa spécificité, c'est-à-dire ce qui le distingue radicalement des autres formes d'expression (c'est par quoi Paul Cézanne est sans doute le seul artiste de son temps qui échappe totalement aux séductions symbolistes). A la limite, on se trouve en présence de deux positions absolument inconciliables, l'une, celle des Symbolistes et après eux des Surréalistes, qui revendique toujours plus de sens, tandis que l'autre irait jusqu'à nier tout autre sens à la peinture que celui d'être «une surface plane recouverte de couleurs en un certain ordre assemblées», selon la fameuse définition de Maurice Denis.

Claro que o assunto é, mesmo, mesmo, muito interessante; e é imenso (extenso, com meandros a que nem sequer chegamos ...).

Depois, estamos a abordá-lo num tempo em que qualquer imagem é Arte, sobretudo por decisão única e exclusiva do seu autor: i. e., sem esperar, ou sequer dar tempo, a que a crítica a valorize como tal!

Mas enfim, todos reconhecerão que o texto inicial (que estamos a comentar) não deixa de ser datado, a ponto deste tema estar, actualmente, bastante esquecido.

Resta-nos acrescentar duas informações:

A primeira vem ainda do livro de José Pierre, e de um comentário do editor, explicando algo mais sobre o movimento simbolista:

« … c’est autour de 1890, que va naître une formule révolutionnaire, principalement due à Gauguin et qui par l’emploi de l’arabesque et des aplats de couleur, va permettre à la peinture de se mettre au service de la pensée, et non pas comme le fait l’Impressionnisme au seul service de la rétine.» [5]

A segunda informação refere-se ainda à dita “energia dos símbolos”, considerada maior (ou superior?)  “que o espectáculo difuso do acontecimento real...”.

É que aqui queremos notar, o imenso contributo de alguns autores – com destaque para Umberto Eco - quando evidenciou que qualquer obra só se completa na mente de quem a vê/lê:

Ou seja, de quem a percebe, de quem a admira.

São esses, os que lhe dão mais valor, e vão mais longe na respectiva exegese

LeSymbolisme-J.Pierre.jpg

Capa do livro - Le Symbolisme, por José Pierre, fernand hazan éditeur, Paris 1976

~~~~~~~~~~~~~~~~

[1] O ano passado, mais ou menos por esta data estávamos a querer apresentar um Paper num Congresso que foi  dedicado a Diagramas: The Medieval Diagram as subject. Percebeu-se mais tarde que os artigos que foram seleccionados eram todos de autores (muito mais avançados do que a historiografia da arte em Portugal) que já tinham algum livro publicado exactamente sobre Diagramas

[2] Continuem a ler e vejam mais adiante a questão das correspondências em torno do Simbolismo e dos símbolos

[3] Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte Lisboa 2008. Escrito entre 2001 e Set. de 2004, e defendido como tese de mestrado. Intitulada: A propósito do Palácio de Monserrate em Sintra – obra inglesa do século XIX – perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica.

[4] Ver em Le Symbolisme, por José Pierre, fernand hazan éditeur, Paris 1976. Podem ver também este PPT {https://www.slideserve.com/liam/le-symbolisme-ses-correspondances} onde se destaca a necessidade de correspondências entre as imagens e as ideias que essas imagens representavam. Mas enfim, sabemos da existência de um (ou vários) Dicionários dos Símbolos. Os que nos levam a perguntar: quem conhece integralmente o que contêm? Por exemplo a entrada "Concha", quem a lê vai até ao fim? E depois de ler não faz associações? Não reduz ou aumenta aquilo que leu? Não faz a sua (própria) exegese? E nesse processo, transposto para casos concretos de obras que está a ver, não está a participar das obras? Sabemos bem que nas correspondências entre imagens e respectivos significados - e falando agora na energia dessas imagens (a que chamam símbolos) - claro que um sinal de trânsito é muito mais «energético» (se isto se pode dizer?) que uma concha numa pintura?! Sim, felizmente um sinal de trânsito obriga a agir, e em geral com muito mais energia, do que a especulação intelectual da descoberta de sentidos...

[5] Ler na badana da capa, e também no texto, mais adiante (note-se que se trata de um livro sem páginas numeradas) onde se encontra esta referência:  "(...) car les Fauves, tout comme les Impressionistes, chercheront «autour de l'oeil et nom au centre mystérieux de la pensée » ..." . O que é sem dúvida muito interessante, por confirmar que outros movimentos artísticos - praticamente contemporâneos -, pouco (ou nada) se interessaram, ou preocuparam, em criar obras cuja essência estivesse nalguma relação entre as imagens e os (seus) respectivos significados: fossem eles «atribuídos» há mais ou menos tempo. Quer atribuídos por alguma tradição antiga (e de origem, desconhecida e perdida no tempo); ou por convenção recente...

Por fim, quem quiser ler sobre uma outra aproximação a um tema que de facto é quase o mesmo, veja aqui

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

E mais do que no fim - dias depois - ainda se acrescenta a referência a um outro post com 2 anos. Já que, estivemos no IADE, anos suficientes, para perceber como por lá (nos anos 70-90?) «alguns simbolismos» eram ainda frequentemente mencionados...


02
Jan 23
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Não sei se sabem, mas a casa de Monserrate (em Sintra) teve duas versões?

 

A primeira (a que passei a chamar, e ao contrário do que vem nos livros) Gothic Survival - como o Aqueduto das Águas Livres o foi - e que tinha sido construída por Gérard De Visme, ainda no século XVIII. 

E a segunda versão, projectada a partir de Londres, entre1856-58, por James Thomas Knowles; num atelier (familiar) que foi dos dois arquitectos, que eram pai e filho, com o mesmo nome.

Se, numa analogia, aplicarmos à casa de Monserrate a evolução da "Querelle des Anciens et des Modernes", como foi resumida pela frase de Mark Gelernter (e que hoje está no nosso título), Monserrate-I foi a versão racional, que subjaz, e portanto está agora invisível, dentro das paredes de Monserrate-II, a sensual

E nesta última versão (do século XIX), na casa que é muito mais exuberante, em geral já ninguém viu, ou destacou, alguma racionalidade. Pois nem sequer os (nossos) historiadores reclamam ou reclamaram, que houvesse réstias da tradição cristã (como Serlio preconizou) e/ou protestante...

Em geral apenas vêem um Gothic Revival, considerado frívolo (embora funcional): i. e., victorian, porque upstairs e downstairs, funcionaram - e assim se viveu nesses interiores - com estatutos sociais completamente diferentes (ora dos patrões ora dos empregados).

Mas enfim, dizemos nós, uma Casa onde na verdade se verifica, que a dita "sensual tendency" - na evolução artística que existiu -, ganhou ao racional.

No excerto seguinte, recolhido do nosso trabalho, escrito desde 2004 [1] , percebe-se o motivo que nos obrigou a compreender - em linhas muito gerais - a "Querelle des Anciens et des Modernes". E como a mesma pode ser essencial para uma melhor compreensão do desenvolvimento, e dos caminhos que foram feitos posteriormente (num movimento de laicização crescente) da História da Arquitectura:

No campo artístico, do ponto de vista teórico, o final do século XVII fora dominado por uma querela, começada (em 1671) nas Academias Francesas. Tinha por objectivo validar um modelo de pintura, em detrimento do outro. Foi chamada Querelle des Anciens et des Modernes. De um lado estavam os antigos, em torno de Poussin e de uma pintura em que a definição clara de limites e contorno eram prioritários; também de ideias como as de ordem e as regras clássicas. Do outro lado estavam os modernos, tendo Rubens como paradigma; a sua pintura mais livre, explorava a cor e a mancha indefinida. Para Mark Gelernter terminou “...with the sensual tendency winning over out the rational…”.

(…)

Como mostrou Raymond Bayer na sua História da Estética, “Fréard de Chambray (1606-1676) sustenta a mesma doutrina no Parallèle de l’architecture ancienne avec la moderne (1650)...”. Apesar destas querelas - e de uma vitória do Romantismo que ía acontecer mais tarde - o século XVII ficou conhecido como o século do Racionalismo, que a Arquitectura Barroca (primeiro em Roma, depois em Paris e finalmente) em Londres, tão bem exprime, na sua apologia que é a Catedral de São Paulo; obra concebida por Christopher Wren. Segundo Marcel Brion, essa perfeição racional (e modelos inspiradores), encontrou-a Christopher Wren principalmente no Barroco Francês:

“...Telle qu’elle a été exécutée, la coupole de Saint-Paul est une sorte de compromis entre le Classicisme et le Baroque, la coupole de Michel-Ange et le Dôme de Mansart à Saint-Louis des Invalides; l’ecletisme de la formation de Wren se reflète dans les oeuvres écletiques, mais d’une remarquable unité...”.

P1010196-b.jpg

[1] Ver em Monserrate uma nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008, pp. 22 e 23.

O que não podem ver no livro sobre Monserrate, é a evolução que ainda teve a nossa «aguarela digitalizada»: numa necessidade que se sentia de definir melhor os contornos do desenho. Assim como a fotografia acima, com a cúpula de S. Paulo desenhada por Christopher Wren.

Image0133-b.jpg

(ampliando)

Não esquecendo que há anos começámos a coleccionar imagens dos neogóticos cascalenses.

Tarefa que merece continuidade...


01
Jan 23
publicado por primaluce, às 11:30link do post | comentar

... "Querelle des anciens et des modernes"

 

Se não fosse termos estudado Monserrate nunca teríamos tido a oportunidade de ouvir falar nessa questão ...

Mas, é o que nos ocorre, mentalmente, quando numa aguarela feita há anos e digitalizada agora, se sente a necessidade de um contorno bastante mais marcado das imagens pintadas:

Ou seja, feitas a partir das manchas que tínhamos diante dos olhos, e que chegam à retina, mas onde parece haver uma definição insuficiente, mesmo a precisar de uma maior marcação dos contornos.

E nesse "mesmo..., mesmo a precisar", trabalhando experimentalmente, nada mais fácil do que ir ensaiando melhorar as imagens pintadas há anos...  

presente-francisco-china-deformado-horizontal-b.jp

Image0132-b.jpg

(ampliando)

Não há danos, ou um desenho e aguarela que se perdeu..., mas o simples prazer de experimentar, a tentar melhorar. O que pode levar a opiniões diferentes, mas nunca tão opostas como aconteceu no século XVII, na dita querela.

E na qual como se fica a saber teve papel preponderante Charles Perrault, irmão do não menos conhecido Claude Perrault. Que foi arquitecto (e cientista, da Academia das Ciências), autor de obras que - actualizadas e adaptadas, como sucede com o o Louvre -, nos mostram que o velho e o novo têm tudo para se entenderem.

Thanks God existe a Wikpedia, e outros sites onde podemos reler e renovar o que sabemos (ou não sabemos de todo) de um passado que nos moldou, e por vezes é bem mais interessante que o presente...

 

FELIZ ANO NOVO


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