Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
21
Jun 21
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

De uma História bastante completa, e, nalguns aspectos, a necessitar que se conheça - com o maior detalhe possível -, para se poderem entender algumas das opções arquitectónicas, que foram feitas pelos construtores, ou "architectores" 

 

Pergunta-se - no título - porém, e apesar de se perguntar, hoje temos certezas: vindas do que se encontrou e aprendeu quando na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa se investigou o Palácio de Monserrate.

E porque depois de Monserrate não parámos de estudar e de procurar, sucessivamente também fomos encontrando cada vez mais provas, daquilo que essa obra inglesa feita em Sintra, pelos arquitectos James Thomas Knowles, para Francis Cook, permitiu que se percebesse. 

Ora uma destas provas - que encontrámos - é o texto seguinte, escrito como se supõe, no século V ou VI, por um sírio que ficou conhecido como Pseudo Dionisio, o Areopagita*.

"As vergas indicam o poder real, a soberania, a rectidão com a qual elas [a soberania e a rectidão] levam todas as coisas à sua concretização (...) os equipamentos de geómetras e de arquitectos, o seu poder de fundar, de edificar e de concretizar e, em geral tudo o que se relaciona com a elevação espiritual e a conversão providencial das suas  subordinadas. Acontece também por vezes que os instrumentos com os quais se representam simbolizam [333C] os julgamentos de Deus em relação aos homens, uns representando as correcções disciplinares ou os castigos merecidos, os outros a ajuda divina em circunstâncias difíceis, o fim da disciplina ou o regresso à antiga felicidade, ou ainda o dom de novos benefícios, pequenos ou grandes, sensíveis ou intelectuais. Em suma uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder os sinais visíveis às realidades invisiveis." 

O excerto acima provem de Oeuvres Complètes du Pseudo-Denys L’Aréopagite. Tradução de Maurice de Gandillac, Éditions Montaigne, Paris 1943, p. 240 (aqui traduzido por nós).

 

De facto, é na História da Teologia, ou por exemplo na História dos Dogmas**, que se podem encontrar as informações que permitem compreender a maneira como os construtores (e os antigos arquitectos) organizavam as formas e o vocabulário visual.

Concretamente, um vocabulário visual que já conheciam - mas também o que permanentemente foram gerando e criando -, para traduzir as ideias do Cristianismo ***.

Como acontece no caso seguinte, nas formas que quiseram colocar, bem visíveis, nesta edificação, cuja fachada é muitissimo rica, mas, também por isso, bastante falante. 

IG._Conceição_Velha-2.jpg

AlmanaqueIlustrado-Ig.Conceição-Lisboa.jpg

Acima fotografia e desenho da igreja da Conceição Velha, na Baixa de Lisboa. Cuja combinação (e articulação) das diferentes formas escolhidas, é para nós um dos óptimos exemplos destas ideias que defendemos

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* Ler aqui, já que a wikipédia explica bastante bem, de quem se tratou, e também os escritos que lhe são atribuídos 

** Título que conhecemos em francês - Histoire des dogmes , da autoria de Bernard SESBOÜE e Joseph WOLINSKI: Histoire des dogmes. No tomo 1: Le Dieu du salut: La tradition, la règle de foi et les symboles, l'économie du salut, le développement des dogmes trinitaire et christologique. Paris, Desclée, 1994.

*** O que, por exemplo, levou Mark Gelernter a escrever um livro (que é talvez dos melhores contributos que conhecemos?) para se entender como formas supostas abstractas, se referiram a conceitos teológicos. Da contracapa desse seu livro, este excerto:

MarkGelernter-contracapa.jpg

É toda uma nova temática, sim, para quem gosta de Arquitectura, mas também para os que gostam de História 

 


19
Jun 21
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

... acha que apenas ele conhece, e só ele sabe explicar, a História da Arquitectura.

 

Por isso mesmo - inveja e mesquinharia -, mas sobretudo por se sentir no direito de expulsar e censurar aqueles com quem devia aprender.

Aqui ficam hoje, duas capas e uma contracapa, de dois dos livros que consideramos serem dos melhores para poder compreender a História desta disciplina*:

CHRISTOPHER-ALEXANDER-.jpg

capaLivro-MarkGelernter.jpg

Contra-capaLivro-MarkGelernter.jpg

E com estes a prova de que "presunção e água benta...", mais muita dopamina - em doses excessivas -, faz mal à integridade dos que deviam ser os primeiros a conhecer, e, depois, a dar o exemplo.

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* E ainda, claramente, não esquecendo o trabalho de Vitrúvio, com as respectivas notas - de Justino Maciel - bem lidas e bem assimiladas.

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Para que se saiba, numa lista dos mais famosos arquitectos americanos Christopher Alexander aparece em 28º lugar.

Em - What an Architecture Student Should Know, por Jadwiga Kurinska - esta autora refere Mark Gelernter e os conselhos que dá/deu sobre, e para, a formação dos arquitectos. Ver ainda aqui,  porque o que mais nos agrada neste autor, além da grande proximidade entre os nossos pontos de vista, é verificar que somos do mesmo ano. O que, eventualmente (?), permite que coloquemos os assuntos, e os diferentes temas necessários à formação de um arquitecto, com as mesmas bases... 

 


17
Jun 21
publicado por primaluce, às 18:30link do post | comentar

E ainda, no Ensino Superior: A História - e os que a fazem - normalmente designados historiadores.

fig18.jpg

Não é segredo nenhum, desde que Vítor Serrão quis ser nosso amigo na rede que é o facebook, desde então os seus textos e as suas opiniões, passaram a estar à nossa frente todos os dias. 

O nosso "parti pris" - ou a visão que tivemos, e que chegou a ser altamente favorável, pelo imenso gosto que tínhamos tido ao estudar na FLUL entre 2001 e 2005* - entretanto tinha mudado. E passou mesmo a ser bastante desfavorável

Mudou, à medida que estudámos muito mais, e que percebemos a forma inaceitável, com que fomos tratados. Mas sobretudo mudou, por vermos a obliquidade - ou melhor dizendo, a versão (que é uma perversão), ideológica, que conduziu àquilo a que, agora vemos claramente, como tendo sido uma expulsão 

Ora não se põe um aluno fora, obrigando-o a ir procurar outro Centro de Estudos** onde seja aceite, por meras razões ideológicas!

Porque já não estamos no Estado Novo, nem nos revanchismos de uma "certa esquerda" - seja ela qual fôr? - que decide o que é certo ou  errado, neste caso sobre "a formação do olhar de uma nação, relativamente à sua Arte."

Pelo contrário, a objectividade e a consistência - nos ensinamentos daquilo que se quer seja uma Ciência - são fundamentais. 

Não queremos escrever um post enorme, tanto mais que já hoje, fomos dar a nossa visão, em comentários deixados nas páginas de quem (apesar do que escrevo...) foi nosso professor.  Em que num caso - como por aqui nos é mostrado - ressaltam os prismas ideológicos...

E já num outro caso, ou outro dia - ver aqui, como se aumenta a chinfrineira -, e se clama por Heródoto.

Ou seja, quer-se o ensino da História, dizendo que é essencial, mas faz-se tudo ao contrário...

O que nos leva a perguntar: como é possível tanta dissonância? Tanta incoerência? Tanta falta de crítica, vinda de quem diz que a "A História tem sempre de ser crítica e analítica com base na heurística e no rigor a interpretção factual, usando a dúvida metódica com cautelas...".

Ou ainda de quem escreveu isto (com erros e tudo, e naturalmente, com muito coração a mais !): "A pr´tica dox historiador é sempre transdisciplinar, e precisa de ter, além de rigor, coração."

Pois se buscasse a razão e a lógica, ou a heurística - no seu verdadeiro sentido (onde o coração não é sentimento, ou estados de «alma caprichosa») -, teria aprendido e seguido Émile Mâle. 

O autor que na Sorbonne, um século antes (a partir de 1905/06) deu a maior força à História da Arte, quando em França, essa era ainda a única cadeira, a nível nacional; pois nem sequer existia nalguma outra universidade, em cidades da província.

A visão de Émile Mâle - que segundo nos parece, não foi a de um ateu e comunista militante (sem mais..., ou apenas a de alguém preocupado em deixar a marca das suas opções ideológicas?) - foi, ao contrário, muitíssimo criativa.  

Descrita por vários autores, como M. DANIEL RUSSO (em artigo a que podem aceder pelo link baixo); ou, por exemplo, também por Annie Regond. Autora que refere, e enaltece, as suas metodologias inovadoras.

Informando-nos (ambos) que fez buscas em textos e documentos, que até então não eram empregues: como foram textos teológicos, textos da liturgia, ou os das devoções, para poder compreender, e depois explicar, a Arquitectura Medieval.  

Assim, de M. DANIEL RUSSO aqui fica um excerto do que escreveu em 2004***: 

"A une vingtaine d'années d'intervalle, les deux citations portaient sur le moment où Emile Mâle venait d'être nommé en Sorbonne pour y faire un cours sur l'art chrétien du Moyen Âge, en 1906. Toutes deux insistaient sur la rupture fondatrice que cet enseignement instaurait alors : celle de Huissman portant sur la façon d'enseigner l'histoire de l'art, non plus d'après les principes intangibles hérités d'Hyppolite Taine (1828-1893), et assez éloignés au fond des œuvres d'art elles-mêmes ; celle de Lafont sur la date à laquelle la nomination d'Emile Mâle intervenait, dans l'histoire de la République, après la séparation de l'Église et de l'État, comme pour mieux souligner la nécessité d'une étude objective de l'art médiéval, saisi comme un objet d'histoire à part entière. En effet, par son enseignement comme par ses livres, Emile Mâle allait former le regard de la nation sur l'art religieux du Moyen Âge."

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Como se pode ver nos agradecimentos que fizemos e está em Monserrate - Uma Nova História, na p. 279.

** Centros de estudos que hoje na lei também se referem - para as Instituições de Ensino Superior (IES) - concretamente, como devem fazer o acolhimento aos estudantes.  E se são considerados no relatório seguinte (ler aqui) os estudantes do primeiro ciclo, naturalmente não faz qualquer sentido, «desacolher», passar a despedir, e pôr fora, quem já está dentro.

Mais: quem tendo dado provas de competência (bastante - como é legível nos diplomas e certificados que foram emitidos) para a realização de trabalhos de qualidade, por isso mesmo deve - muito mais do que pode... - permanecer na instituição: i. e., continuar a trabalhar, normalmente.  

*** Quando por coincidência, e sem o sabermos, estávamos nessa mesma data, em Lisboa, «puxada por uma orientadora», a trazer ao de cima várias informações, que, algumas nem sabíamos que tínhamos. Mas também outras de que me lembro, muitíssimo bem, já que aos 15-17 anos, numa redacção, num exame na Alliance Française, tinha tido que comentar um texto de Émile Mâle: "As pedras falam à nossa inteligência e à nossa sensibilidade...(etc) ".

Por fim, sublinhar que esta foi a maneira francesa, de levar o país a gostar de História, e a ter orgulho nos seus monumentos. Na Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa (na capital do país, no século XXI) está, e mantém-se, «a maneira de Vítor Serrão»: para formar o olhar da nação portuguesa. E só ele sabe...

    Ver em https://doi.org/10.3406/crai.2004.22817

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 

A imagem acima, está no nosso estudo, na p. 220, é a Fig, 18, com esta legenda: "Monserrate Neogótico em 1808". Archivo Pitoresco 1808, in Regina Anacleto, Arquitectura Neomedieval Portuguesa.


14
Jun 21
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Aproveita-se para guardar aqui estas informações, ao mesmo tempo que ficam visíveis, e legíveis para os nossos leitores:

Para que se possa, facilmente, ver o modo de «trabalhar» de alguns universitários portugueses...

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Se o que este Pedro Alves fez, está aqui, e explicado por ele, com todas as letras.

Já Vítor Serrão fê-lo de forma traiçoeira, e escondendo-se, mas motivado pelas ideologias que sempre apregoa. Em suma, num comportamento que fica bem (de mais) a quem está à frente do que não deixa de ser um serviço público à comunidade... 


13
Jun 21
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Na premência de outros valores, mais actuais?

 

No futuro, a Teologia não irá certamente desenhar as igrejas com mais círculos, arcos e ideogramas abstractos ?

Continuamos a perguntar, pois o que mais se precisa é chamar a atenção para o cuidar do planeta...

E se a França vai à frente. como Clóvis fez, há mais de 1500 anos, agora - e parece ser sina - os franceses continuam na dianteira, lançando novas ideias:

SeloVerde.jpg

E por aqui  se vê desta necessidade de renovar a Criação 

Já que, na verdade, e perante esta urgência, depois também surgem logo outros que a sentem , de igual modo, e todos a quererem seguir o papa Francisco.


04
Jun 21
publicado por primaluce, às 23:00link do post | comentar

Um dia aparece...

 

Claro que é admirável alguém como José Gomes Ferreira sair das suas tamanquinhas em prol do país. Como está anunciado,  mas é verdade, nós ainda não chegámos ao livro

De qualquer modo, não temos pressa, já que sabemos, como o tempo vai sempre fazendo o seu papel. Uns e outros hão-de dar notícias.

E a este propósito lembra-se como - no ano passado já o fizemos  - ao descobrir o fake (mais do que deliberado) que existe na National Gallery.

Aqui fica a imagem (que podem ampliar noutro separador):

E mais acima, no link, obtêm outros que lhe estão associados (ver também em Iconoteologia). E assim têm muito para se entreterem, bom fim de semana!


02
Jun 21
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Este presente de Vítor Serrão é para não esquecer, por isso aqui fica

 

Dele quero sublinhar aquilo que não tem outro nome...

AH! Mas, vendo bem, até tem. Em vez da INVEJA, «vejamos» que pode ser designada por invídia.

É o ver de lado, o não conseguir posicionar-se de frente para o que se quer ver, e portanto a visão fica escorça, distorcida, oblíqua.

Os arquitectos fazem rebatimentos para ver em verdadeira grandeza. Os historiadores usam e abusam da perspectiva. 

E até dizem que é simbólica, à maneira de E. Panofsky...

É pena, mas quando queremos ver bem (se de facto o queremos?), o corpo, o pescoço, os olhos rodam, para que as imagens tenham foco na retina, i. e., bem no centro da fóvea.

Voltamos ao título, e ao que a oferta de Vítor Serrão, postada na nossa página de FB disfarça muito mal, ou mesmo nada. PATENTEIA:

trabalhoÁrduo.jpg

A ideia certíssima de que as mulheres têm que ser as mais trabalhadoras: "trabalho árduo a fim de merecer..."  

Já sabemos: que os homens com menos 38% - como está nas estatísticas -, têm o mesmo... Onde está a novidade?

Infelizmente, não só para mim, vimos praticar isto ao vivo. E ouvimos até palavras maviosas como aqui se guardam


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