Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
27
Jan 21
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Mais: pensar é uma chatice...

 

E portanto nada como dizer que "o demónio está nos detalhes".

É bem-feita, e Parabéns ao deputado que veio dizer o óbvio, e ensinar aos outros políticos que ele não é prioritário (na VACCCINA!).

Há vários anos e face aos estudos que fiz dedicados a Monserrate, e depois «a tudo o que veio a seguir», que verifico isto mesmo:

Pensar é uma chatice, deve dar imenso trabalho? (mas é aos outros..., porque a mim não; diverte-me e em geral bastante*)

Assim, não se queixem, pois têm o que querem. Que são ideias gerais (para governar um país...), e quanto mais mal-amanhadas pior. Ou melhor!

Ou seja: melhor para quem não quer pensar, mas pior para toda a sociedade.

E foi a propósito disto mesmo, que, há minutos, encontrei um desenho fantástico

Library_of_Congress,_Rosenwald_4,_Bl._5r-anõesAOS

do qual se tira a imagem que é uma frase**

Library_of_Congress,_Rosenwald_4,_Bl._5r-anóesAOS

AOS OMBROS DE GIGANTES

"A atribuição de Bernardo de Chartres foi feita por João de Salisbury. Em 1159, João escreveu em seu Metalogicon: "Bernardo de Chartres costumava nos comparar a anões empoleirados nos ombros de gigantes. Ele ressaltou que podemos ver mais e mais longe do que nossos predecessores, não porque temos visão mais aguçada ou maior altura, mas porque somos levantados e carregados sobre sua estatura gigantesca."

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*Muito mais do que jogar às cartas, ou fazer palavras cruzadas!

**Vinda daqui: Sobre os ombros de gigantes – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

 

Hierarquizar é pensar, o que é um bom exemplo de tarefa difícil 

21.01.2021.jpg

 


24
Jan 21
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Aqui começo por agradecer à Professora Sónia Talhé Azambuja - de quem fui colega entre 2001 e 2005 - e que há cerca de 20 anos me proporcionou conhecer o trabalho* de Manuel Azevedo Coutinho, que é referido no artigo do link. 

 

Dele extraímos este texto (com acertos de paginação nossos, assim como a imagem final):

"A Arquitetura Paisagista é um campo que cruza arte, ciência e técnica e que nos últimos 77 anos em Portugal tem sido fundamental para o projeto de conservação, restauro e salvaguarda dos jardins históricos do nosso país.

O primeiro relatório final de licenciatura em Arquitetura Paisagista, elaborado em 1948 por Manuel deAzevedo Coutinho (1921-1992), sob a orientação do professor Francisco Caldeira Cabral é sobre o projeto de recuperação do JBA (Coutinho, 1948). O referido estudo constitui a base de conhecimento sobre a qual se procedeu ao primeiro restauro do jardim após ter sido severamente destruído pelo ciclone de 1941 que assolou Lisboa."

JBA-MAC-Paisagismo-250ppp.png

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Fiquei fascinada com os desenhos tão bonitos: uma maneira de riscar, desenhar e escrever que tive a sorte de conhecer bem.


16
Jan 21
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Claro que preferíamos não misturar a política com os assuntos mais específicos que nos interessam, só que, na verdade está tudo ligado.

E por isso, há uns anos tínhamos feito este post já a pensar num tal de SR. KOSTA, cuja habilidade nunca será demais salientar*.  

Por outro lado, acabei de receber uma mensagem com um link. Será campanha eleitoral...?

Adiante:

Porque no nosso caso sempre pensámos que o SR. KOSTA, sim, talvez fosse possível ele vir a governar, mas enquanto – e à semelhança dos Cônsules Romanos -, o PR não o deixasse "pôr pé em ramo verde"**.

Só que, o dito PR (este que agora está em Belém), talvez preocupado demais com as suas próprias doenças (?), parece andar distraído; e o tal SR. KOSTA - parecido demais com um seu parente conhecido como SÓKRATES (a diferença está em que o primeiro é mais selecto, almejando para si os grandes poderes e não apenas uns trocos de «novo riquinho»).

O dito KOSTA, agora deslumbrado com a Europa (ou com o mundo de quem já se imagina chefe supremo), percebeu que para salvar a Economia, um pouco só que fosse, era necessário pôr a malta a comprar à tripa-forra no Natal.

E com requintes de malvadez - ele que já sabia que iria ser preciso fechar tudo, logo depois dos gastos e das compras feitas; ele mesmo ainda prometeu que as lojas teriam que aceitar trocas até 31 de Janeiro...

Ah! 

Ou, como escreveu João Vieira Pereira ontem no Expresso - Cai um avião todos os dias, e ninguém dá por nada? Pergunta-se. Serão invisíveis as habilidades com que estamos a ser «governados»?   

Perguntas relativas a ideias mais do que gastas, mas ainda não interiorizadas:

A política da Presidência Europeia para a sustentabilidade é isto? O compromisso de equilíbrios, entre o fechar e o deixar andar (já agora com multas pesadas, e obviamente as muitas mortes***) é a elevação máxima do SR. KOSTA! A que podium ?

Ao de grande e hábil estadista? Ou ao da incompetência total (embora ainda) disfarçada de salvadora?

E o pior é que a malta não sabe ler! Nem ver, nem quer...

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*E até talvez tenha escrito outro(s), mais explícito, mas deste lembro-me

**Obrigando-o a pôr as suas qualidades e inteligência ao serviço do povo. Já que ser ministro, é ministrar/servir

***Mas estamos anestesiados, e não as sentimos, não choramos... Há que ir em frente, para que os políticos sôfregos e ambiciosos, pisando todas as vidas a que não deram valor, façam os seus caminhos


12
Jan 21
publicado por primaluce, às 20:30link do post | comentar

Segundo Alberto Manguel "Ler é a nossa função essencial," como respirar.

 

Por isso escreveu:

"Os leitores de livros, em cuja tribo entrei sem saber (julgamos sempre que estamos sozinhos em cada descoberta e que cada expe­riência, do nascimento à morte, é terrivelmente singular), desen­volvem ou concentram uma função comum a todos nós. Ler letras numa página é só um dos seus muitos disfarces. O astrónomo que lê um mapa de estrelas que já não existem; o arquitecto japonês que lê o terreno em que vai construir uma casa, com o intuito de a proteger de forças malignas; o zoólogo que lê o rasto de animais numa floresta; o jogador de cartas que lê os gestos do parceiro antes de jogar a cartada vencedora; o bailarino que lê as indicações do coreógrafo, e o público que lê os movimentos do bailarino no palco; o tecelão que lê o desenho complexo do tapete que vai entrelaçando; o organista que lê várias pautas musicais orquestradas na página; os pais quê lêem a expressão do bebé, em busca de sinais de alegria, medo ou espanto; o adivinho chinês que lê marcas anti­gas numa carapaça de tartaruga; o amante que lê às cegas o corpo do ser amado, à noite, entre os lençóis; o psiquiatra que ajuda os seus doentes a ler sonhos desconcertantes; o pescador havaiano que lê as correntes oceânicas mergulhando uma mão na água; o agricultor que lê no céu o tempo que vai fazer... todos eles partilham com os leitores de livros a arte de decifrar e traduzir sinais. Algumas dessas leituras são coloridas pela certeza de que a coisa lida foi criada para esse fim específico por outros seres humanos — anotações de música ou sinais de trânsito, por exemplo — ou pelos deuses — a carapaça de tartaruga, o céu nocturno. Outras resultam do acaso.

E, porém, em todos os casos, é o leitor que lê o sentido; é o leitor que concede ou reconhece a um objecto, lugar ou acontecimento uma possível legibilidade; é ao leitor que cabe atribuir significado a um sistema de signos e, depois, decifrá-lo. Todos nos lemos a nós mesmos e todos lemos o mundo que nos rodeia para vislumbrar o que somos e onde nos encontramos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos senão ler. Ler, quase tanto como respirar, é a nossa função essencial."

LivroManguel.jpg

Legenda.jpg

E depois desta imagem que incluiu no seu livro sobre a leitura*, a nós resta-nos acrescentar que o leitor que está sentado na "Astuciosa máquina de leitura", e portanto de costas para quem agora está a ler (e agora de facto somos nós os leitores), esse leitor - se virem com atenção - tem um cinto que roda e, aparentemente, se transforma numas alças...

"Astuciosa maneira" - dizemos nós -, para se ler  (ou ser-se informado) que se trata de alguém religioso:

De um crente que assim, pelo nó e pelo design do seu cinto, nos informa que é luterano? Ou, alguém que acredita, e o proclama, no dogma do filioque?

Em resumo, no texto acima sublinhamos: "...a certeza de que a coisa lida - isto é o nó e o design do cinto (como se explica) - foi criada para esse fim específico  (**)  por outros seres humanos"

E quando as obras de Arte - incluindo a Arquitectura - estão repletas de sinais, que não são, nem foram, meros tiques gestuais dos seus autores, é porque esses sinais eram significantes e para serem lidos. Num contexto de Beleza total, que se pretendia criar: como Aloïs Riegl mostrou

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Uma História da Leitura por Alberto Manguel, Edição Tinta da China, LISBOA MMXX. A longa citação texto das pp. 29-30; e ainda a reprodução da gravura da p. 181.

**Ou seja, foi criado para ser lido: sem a menor dúvida


07
Jan 21
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Na verdade, estas regras de Concordância e Conveniência formal são visíveis e notórias em toda a Arte antiga e tradicional, do mundo ocidental. Porém, no nosso caso, continuamos a constatar que os historiadores as negam...

 

Pelo menos os historiadores portugueses: os que acham que atirando com os estudos (e as pessoas que os fazem) para debaixo do tapete, que isso lhes há-de dar razão. 

Como se nada pudesse mudar, ou o estado de negação em que vivem lhes fosse propício!

Como se nada pudesse mudar, e os respectivos finca-pés, parassem a rotação da terra, ou a evolução das mentes. Sobre este assunto ver o que temos escrito do IHA da FLUL, de Vítor Serrão, e de outros supostos responsáveis dessa instituição*...

Se Vitrúvio e quem o estudou – como M. Justino Maciel – abordam a questão da conveniência, também no ano 2000 Berry Bergdoll, em European Architecture 1750-1890, a apresenta. Começando inclusivamente, por ir buscar informações de Jacob Burckhardt, e das lições públicas que dava em Basileia - sua cidade natal -, em pleno século XIX (entre 1868-71**).

Sim, havia formas, sinais e insígnias que eram as mais adequadas para cada uma das diferentes épocas, adoptadas por reis, chefes, imperadores. Ou ainda, para expressarem as ideias em que esses chefes, reis, imperadores, acreditavam. Formas a que por isso chamamos IDEOGRAMAS.

Já que representavam, graficamente, as ideias em nome das quais esses chefes existiam, e pelas quais exerciam o seu Poder e também a Justiça (como se mostra por exemplo na última imagem deste post - a capa de um livro em que parte deste tema, já é tratado).

Ideogramas (ou marcas, algumas até pessoais), a que ontem, num post a propósito dos sinais de canteiros, chamámos SINALEFAS.  No caso, ao sinal autógrafo de Carlos Magno, como se explicou.

E é Carlos Magno o representado na nossa 1ª imagem.

Acontece que entre ele e Napoleão, podem fazer-se várias associações. Não apenas a de ambos terem sido imperadores, mas, é conhecido, que alguns dos «rituais» da entronização de N. Bonaparte - que aconteceu na Notre-Dame de Paris -, foram decalcados da coroação de Carlos Magno (Roma, Natal 800 d.C.). Acontecendo ainda que qualquer leitor pode ler sobre isto, e até ficar a saber, em detalhe, bem mais do que sabemos...

Na imagem seguinte - da autoria de Albrecht Dürer -, no traje de Carlos Magno, há caligrafias, há sinalefas ou marcas (e tudo o mais que lhes queiram chamar!). São ornamentos que eram também motivos (decorativos e consonantes com os «paramentos» em que eram integrados), como lhes chamava, e com toda a razão, Robert Smith.

CarlosMagno-cor.jpg

Em suma, eram as formas convenientes para o traje completo de um Imperador cristão.

Formas, que muitas delas também passaram à arquitectura, com base, exactamente, nas ideias que lhes estavam associadas. As mesmas que Jacob Burckhardt percebeu estarem na base dos estilos arquitectónicos***, que cada povo e cada nação tomou como seus, específicos.

Capa-Livro_Napoleão.jpg

No livro cuja capa está acima deste texto, não se cruzam informações (não predominam, são raras), como estas que defendemos: ou seja, os referidos Símbolos do Poder são notados apenas numa «segunda pele» de cada um dos protagonistas.

Isto é nos seus trajes e vestimentas, não tendo ocorrido aos respectivos autores (Paola Rapelli, edição de The J. Paul Getty Museum Los Angeles, 2004) que também a Arquitectura - como última pele (ou última camada envolvente, desenhando os cenários em que se movimentam os grandes personagens históricos) -, pudesse ter plasmado os mesmos sinais que foram/são considerados como sinais e símbolos do Poder, da Justiça ou de Deus.

E em nome de quem, esses mesmos poderes soberanos eram exercidos    

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*Infelizmente os nossos posts desde 2010 estão carregados de denúncias relativas a estes comportamentos, básicos e anti-científicos da FLUL.

** Ver op. cit., p. 139.

*** Estilos que, caso a historiografia da arte e da arquitectura evoluísse, passariam a ser muito melhor compreendidos. Já que neles se destacam conjuntos de ideogramas. Os mesmos que são considerados, no livro acima - Símbolos do Poder.


06
Jan 21
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Daqui informa-se que Carlos Magno assinava assim:

sinal-carlos-magno-2.jpg

Este sinal encontrei-o num livro (na BAQ, IADE), desenhei-o, e copiei o texto que explicava:

“Charlemagne

the only part drawn by the emperor himself was the lozenge in the middle, for he was illiterate. A scribe then added the remainder”

 

Carlos Magno

a única parte desenhada pelo próprio imperador era o losango no meio, pois era analfabeto. Um escriba, em seguida, acrescentou o restante

Relendo agora essa explicação, e sabendo do valor significante do losango, independentemente de Carlos Magno saber, ou não, ler e escrever, o interessante é que afinal apenas desenhava o que verdadeiramente tinha valor ideográfico.

Porque os elementos restantes, e constituintes deste sinal que adoptou (as letras K, R, L e S) tinham valor fonético como ainda hoje assim, e em geral, se mantém.

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(*) Post de Luis Lobato de Faria a ver aqui


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