Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 20
publicado por primaluce, às 11:02link do post | comentar

Sim, serviram para tudo e mais alguma coisa, os círculos de que escreveu Copérnico ao Papa Paulo III.... *

 

Nós dizemos agora "Círculos Entrelaçados", sabendo que são os mesmos de que Copérnico escreveu, e depois J. Képler veio explicar serem - de factoElipses

E sim, é também verdade, os referidos círculos tiveram um uso praticamente ilimitado...

Mais, não se pense que esta coisa abstracta, ou quase aparentemente inútil, irreal e abstracta, de querer representar Deus (trindade) não como figura paterna, e icónica, mas ainda apresentado com recurso ao anicónico é só opção do passado:

Porque ainda agora, na Fratelli tutti, o Papa Francisco - na extraordinária actualização e nas correspondências que faz entre o passado evangélico e as tradições da Igreja, com a actualidade -, também ele lembra a vida íntima de Deus, no essencial/verdade da teologia cristã**

Ensaio-experimental.jpg

E se a nossa imagem de hoje é um ensaio/construção experimental, é porque a mesma se veio a tornar, pelo menos para nós, como uma sintese/composição altamente informativa:

 

Por exemplo, quando descontente com uma certa incompletude da mesma imagem resolvemos melhorá-la (o que verdadeiramente veio a ser explorá-la); quando resolvemos que aos círculos da imagem, já postos na horizontal, se iriam acrescentar mais círculos, cumprindo a mesma regra, mas postos na vertical.

E depois mais ainda, quando se decidiu usar uma cor que fosse diferente, e contrastante, para unir os pontos geométricos notórios da composição feita. Foi então que inesperadamente nos surgiu a cruz pátea, que ainda lembra a cruz templária (que foi «inventada» posteriormente); também os culots cisterciences, e tantas auras com que Cristo é - iconográfica e convenientemente -, representado.   

Mas ainda bastante mais nos aconteceu: porque percebemos a origem de um tipo de planta que está na base de muitas igrejas, e que é confundida com opções que são notórias na ourivesaria, concretamente no design/desenho de muitas cruzes 

Em suma, não desagendámos a imensa temática que descobrimos na FLUL - sob o «seu alto-patrocínio» (embora ocultado pelos respectivos responsáveis), e da qual continuaremos a escrever. E em breve, quiçá, com apoio vindo de fora? De um designer estrangeiro, que já usou esta iconografia ancestral, que faz parte do inconsciente colectivo que Jung mostrou existir...

E que por isto mesmo - dada a sua antiguidade - se tratam de imagens que estando nós tão habituados a vê-las, também por isso, mais facilmente as aceitamos e gostamos delas: sendo portanto imagens que valorizam (não só visualmente, mas muito significativamente) as obras onde se fazem reviver***  

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*De que já se escreveu mais do que um, e não apenas este post.

** Onde está: "...acreditamos que Cristo derramou o seu sangue por todos e cada um, pelo que ninguém fica fora do seu amor universal. E, se formos à fonte suprema que é a vida íntima de Deus, encontramo-nos com uma comunidade de três Pessoas, origem e modelo perfeito de toda a vida em comum. A teologia continua a enriquecer-se graças à reflexão sobre esta grande verdade." (ver http://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.pdf, Cap. II, 85).

***Ou, que em alternativa se pode dizer assim: "as obras onde aparecem"


20
Out 20
publicado por primaluce, às 09:30link do post | comentar

Então a maioria dos estudos de História da Arte andam errados...

Se... Almada-c.jpgSe a especulação, e análise, geométrico-visual a que Almada submeteu os chamados Painéis de S. Vicente, estiver próxima do processo conceptual (ou subjacente) que originou estes mesmos painéis? - coisa em que não acreditamos* - se...?, então teríamos que concluir que toda a Historiografia da Arte que vem sendo praticada anda completamente enganada.

Só que, e mesmo sem ter ido ver de perto, aqui de longe o que nos parece, é que Almada Negreiros - em toda a sua obra e não apenas nesta - desse modo lançou um importantíssimo grito de alerta a favor da Geometria:

Sim! Para que seja valorizada, para que a vejam, já que existe. 

Por nós continuaremos a percorrer os círculos entrelaçados que tendo sido necessários para explicar e melhor dar a conhecer o Deus cristão, depois «esses círculos» acabaram por ficar. Dando assim origem, por vezes integralmente, por vezes apenas a excertos, visíveis em inúmeras obras da arte religiosa (que nos chegou).Image0025-b.jpgObras que, se bem analisadas, perscrutadas, ouvidas, compreendidas, ou até amadas, são também elas peças únicas; dignas de uma maior consideração. Que em Portugal, como se tem visto, vai - demasiada... - para os ditos Painéis.

Mas enfim, Almada sabia muito. E neste caso o bastante para ter começado o seu Estudo Exploratório por um hexágono. Que é afinal, exactamente o mesmo, que começar pelos Círculos Entrelaçados**. 

Image0025-b-450.E.jpg

Os mesmos de que, repetidamente - e aliado ao seu sentido inicial - temos escrito.

Os mesmos que estão subjacentes, "pour cause", em centenas, ou dizendo mais correcto (sem as contarmos...), em milhares de obras da que é designada Arte Ocidental.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Não acreditamos totalmente...

** Ou ainda, o mesmo que ir buscar a planta de uma igreja antiquíssima: Hagia Sophia

Note-se que as imagens são do Público do passado dia 16 de Outubro. A sua qualidade é óptima, mas apesar disso limitadora para a sobreposição que se quis fazer, ao trabalhar com uma imagem que, é nítido, tem um (leve) desvio perspéctico.


13
Out 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Porque acabei de encontrar a mesma parede lateral da Sé Velha de Coimbra - que passou a estar na nossa página do Facebook. Ver última foto lado esqdº, indo pelo link (e também no fim deste post):

https://www.instagram.com/idademediapop/

(está no Instagram, numa página dedicada à «IDADE MÉDIA POP»)

 

Claro que não nos atreveríamos a tanto, não é preciso (ou será que é mesmo ????) usar LINGUAGEM verdadeiramente POP para se conseguir desmontar as barbaridades de «um certo ensino» que ainda se faz na Faculdade de Letras de Lisboa*.

O que, thanks GOD - dizemo-lo nós, mil vezes - tivemos que aturar nessa escola.

Só que aturámos, filtrando-o! Por estarmos habituados aos cidadãos comuns, que pensam com prazer e com gosto, quando descobrindo, neste caso a História da Arte; ou ainda também, usando linguagens abertas, descomplexadas e não forçosamente enfáticas para falar do passado.

Linguagens que não precisam de excessos de erudição, mas sim da espontaneidade (e da curiosidade) que nasce ao lado do prazer de conhecer...

Não é que as palavras - a filologia - não tenha tido a maior das importâncias na tradução das ideias; ou, que não tenha estado na base de muitas imagens, quando essas palavras e as ideias que as ditas expressavam foram versadas em... (ou transpostas para...) imagens.

Sim, sem dúvida, a «qualidade» das palavras e os discursos que com elas se fazem, são/eram importantíssimas. Mas não podem, nos conjuntos (de textos) elaborados, torná-los herméticos e inacessíveis. Não podem...!

Diz o povo que "não é com vinagre que se apanham moscas". Daqui dizemos e repetimos, não é com hermetismos bacocos, ou com conceitos de dificílima compreensão; com uma erudição inatingível, que se divulga Ciência e Cultura:

Geral, básica e essencial, para nos compreendermos a nós mesmos, e também ao mundo onde estamos. E com o qual nos relacionamos...

Se hoje ouvimos falar de Inês Abreu e da sua ideia de haver uma Idade Média Pop {https://observador.pt/.../a-idade-media-pode-ser-pop-ha.../}, logo depois também viemos procurar e encontrámos excertos e textos, que poderiam não ser escritos, se a Fac. de Letras da Universidade de Lisboa tivesse valorizado os nossos estudos, e as nossas propostas.

Por exemplo, o que se segue, e as dúvidas que vão aparecendo, depois ao longo do texto (que nem chegamos a citar), consideramos ser  uma verdadeira perca de tempo**. Leia-se então:
"OS BRASÕES DOS REINOS MEDIEVAIS: Origens e evolução.
Os brasões ou escudos de armas, na tradição europeia medieval, foram desenhos especificamente criados - obedecendo às leis da heráldica - com a finalidade de identificar indivíduos, famílias, clãs, corporações, cidades, regiões e nações. O desenho de um brasão é normalmente colocado num suporte em forma de escudo que representa a arma de defesa homónima usada pelos guerreiros medievais...”

Para concluir, visto que o assunto é vastíssimo, mas sobretudo porque não concordamos com o que está acima, há que o dizer: na raiz o escudo português vem exactamente dos círculos entrelaçados que se começaram a usar para exprimir a ideia do Filioque.

E em Portugal esses círculos existem, que o saibamos, desde o século IV. Ou seja bem antes de haver heráldica (e muito menos falar-se nas «suas leis»...)

Já que foi essa intersecção dos círculos, geradora de uma imagem que numa primeira fase foi chamada 'mandorla', ou, uma amêndoa, que posteriormente evoluiu. Em "...a arma de defesa homónima usada pelos guerreiros medievais...”, como está acima, o homónima  mostra-nos/demonstra como em rempos fundacionais (ou na raiz de substantivos) algumas imagens influíram nas ideias, e vice-versa

É por isto (para nós) interessantíssimo encontrar uma imagem, muito ingénua, que segundo José Mattoso representa o rei D. Sancho I, dentro dessa mesma amêndoa.

Em suma, uma moldura que ao envolver o rei com essa forma (i. e., a forma em feitio de amêndoa), assim tentou exprimir a sua total adesão (a do rei) ao cristianismo.

sanchoI-300.jpg

E, claro, com a adesão do rei, todo o povo o seguiu... Como também aconteceu que alguns dos primeiros escudos foram em forma de amêndoa como há exemplos

escudoD.SanchoI-2-100ppp.jpg

Forma que - confirma-se, como está nos escudos seguintes - não deixou de evoluir

escudoD.SanchoI-300ppp.jpgPorque nesses tempos - mal ou bem, e independente do que agora possamos pensar - era assim.

E se quisermos classificar esses regimes (todos) da Europa, usando uma palavra pouco corrente - e nada POP (até politicamente incorrecta), hoje temos que dizer que foram TEOCRACIAS***.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Sabemos disto, passámos por lá entre 2001 e 2005, e claro que fiquei chocada com mentalidades tão fechadas e tão retrógradas. Posts sobre este assunto temos imensos, e escrevemo-los desde 2010.

**Perca de tempo e de energias, em assuntos que (para nós) estão esclarecidos desde 2004. Só que a FAC. de LETRAS achou que era bom esconder...

***Não porque nos dá jeito, mas porque com essa palavra, a mente vai atrás da ideia e percebe o que se passou. E sobre isso que aconteceu, este nosso post {https://primaluce.blogs.sapo.pt/90534.html}, ou outros, há muito que estão escritos.

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outras imagens vindas da VELBC e de José Mattoso


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