Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
18
Set 20
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Para quem como nós tem andado de volta das "Origens do Gótico" ** e vê no Românico - inteirinho -, o preâmbulo do Gótico;

  

Naturalmente este assunto interessa-nos. Mas interessa, muito em especial - e há que o dizer -, numa outra perspectiva

Face às opções contemporâneas da arquitectura, em que os estilos, se é que existem, não têm (nem têm que ter, como nos parece...) nenhuma designação. Pois a taxonomia cientifica, e oitocentista - de raízes bem antigas - já não faz parte das mentalidades de hoje. Podemos dizer talvez, que não é agora uma necessidade absoluta, para o pensamento? Melhor dizendo, para a mente poder, e ser ajudada a pensar, a partir de títulos de caixa-alta.

Não precisamos de designações, perguntamos nós daqui, e isso é porque já nos estamos a habituar a grandes transversalidades, temáticas e disciplinares? Não precisamos de um grande título, que defina «a caixinha», onde - neste caso - haveríamos de colocar, classificando-a, um certo tipo de arquitectura?

Em inglês, esta ideia de permanentemente classificar, pode ser expressa por um verbo que nos diverte bastante: é o "pigeon hole"*** 

Mas agora, e para o que nos preocupa, em vez da arquitectura tentar ser expressão de ideias teológicas (como em geral aconteceu no passado); na actualidade a arquitectura tem que se preocupar, com questões de sustentabilidade e emergência climática. Numa palavra: em melhorar a Terra:

Sim, em melhorar este nosso planeta, que temos habitado "a troche y moche", como se não houvesse amanhã...

Terra em que procuramos não só protecção contra os elementos climáticos - cada vez mais extremados; mas em que a habitabilidade não é só sinónimo de segurança, e é muito pautada (talvez mais do que nunca) por padrões de conforto. Mais:

Quem não os quer, quem não exige esse conforto?

Assim, atente-se na solução para a ampliação do Centro de Interpretação do Românico, que parece ser (ou se aproxima?) da ideia de uma edificação semi-enterrada; o que é, como julgamos (apesar dos poucos dados), uma óptima ideia. 

Deste modo dando sequência a opções muito mais antigas, como são as «grutas» dos chamados trogloditas da Capadócia (Turquia). Ainda a um outro tipo de casas, visível próximo de Granada - em Guadix - as chamadas casas-cueva.  E por fim materializando o que alguns estudos contemporâneos têm proposto. Conceitos que, há décadas, vêm a fazer o seu caminho, em especial a partir dos EUA.

Razão para se perguntar, face ao novo Centro de Interpretação do Românico, ou à sua ampliação (imagem abaixo), se esta nova tendência...  estará já agora mais disseminada?

Chegará a Portugal com mais exemplos? E a ideia inicial, ou a razão (conceptual) porque surge, é já reactiva? Com o propósito de começarmos uma nova fase de acção relativa ao crescer das alterações climáticas? Ou será que aparece apenas como uma moda, e apenas como um estilo que se quer implantar? A fazer-nos lembrar o MAAT, à beira-Tejo (im)plantado?

Centro-Interp-RoMãnico.jpg

*Porque o tempo passa, depressa ou devagar, o certo é que um dia se nota, claramente, que tudo avançou. E nessa clareza pode estar a percepção, talvez lúcida (muito verosímil), daquilo que se terá passado.

**Com êxito e por isso com respostas às questões colocadas (não esquecer que uma investigação é pôr questões); questões  incrivelmente paradoxais, que é impossível não surpreenderem todos: e a nós inclusivamente, como já deixámos uma boa parte em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

*** O que usou Marianne Barrucand em Moorish Architecture in Andalusia,  quando escreveu: “One could spend hours discussing the most appropriate way to pigeon-hole this architecture in some classificatory scheme..." Ver em Moorish Architecture in Andalusia por Marianne BARRUCAND e Achim BEDNORZ. Edição Taschen, 1992.


11
Set 20
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

 

Haverá sempre detalhes minúsculos... 

2013-01-29 17.03.54.jpg

... que, como é normal, só serão notados por alguns.

E não, não é na Estação do Rossio*, onde há um detalhe semelhante, mas sim na igreja da Conceição Velha, que já o Almanach Illustrado um dia «valorizou». 

2012-07-22 11.58.11-D.jpg

Mas este "valorizou" - ou, o que um ilustrador reparou e reproduziu - significa que bem antes, houve theologos-architectores** que «queimaram as pestanas» e forçaram os olhos; significa que houve canteiros e mestres de pedraria que tudo fizeram, para que aqueles dois semi-círculos entrelaçados*** fossem legíveis. 

Hoje, dizem alguns, que aqueles círculos entrelaçados eram insignificantes...

No entanto, se fossemos pelas teorias da quantidade de informação - cuja validade é relativa - hoje também teríamos que reconhecer que os melhores monumentos estão repletos de círculos, e por vezes outras formas, que frequentemente eram, de propósito, entrelaçadas

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ver foto que agora se acrescenta (vinda do Público - com noticia sobre vandalismo infligido a um desses detalhes que pouco notamos):

Detalhe_CP-Rossio.png

**E, de entre esses theologos-architectores é forçoso destacar Juan Caramuel Lobkowitz (1606-82), que nos deu fantásticas informações sobre o estilo gótico. Chamou-lhe De el ordem Gothico. explicando como as formas se deveriam interpenetrar. Vejam em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008, p. 33, onde esta questão - no âmbito do tema Origens do Gótico - já ficou exposta.

***Elementos iconográficos de que já escrevemos inúmeras vezes... (e sem que isto nos canse). 


07
Set 20
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Se já escrevemos sobre círculos e mais círculos,

 

mas porque uma parte dos ditos são arcos (arcos de círculo), então hoje aqui ficam - segundo a classificação de John Ruskin - os Arcos Venezianos

img248.jpg

Nos quais, claramente, se lêem diferentes associações de círculos, que como dizemos, essas associações propositadas, eram falantes.

Miguel Metelo de Seixas diria que se trata de Heráldica. Nós preferimos ICONOTEOLOGIA, mas se quiserem falar de vãos - portas e janelas - nascidas em imagens que são comuns à heráldica, também será completamente correcto...

Vindo do Projecto Gutengerg, como podem encontrar no nosso post anterior

(e apesar do calor, que bom foi sair das rotinas...)


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