Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
25
Mai 20
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Como é sabido o Gótico foi sempre «ficando», arrastando-se e dando origem a Góticos Tardios, ou ao Gótico Internacional e a outras correntes.

E o Palladian Gothic é uma destas.

 

A Historiografia tradicional não sabe explicar isto, como por exemplo em Portugal já se chamou "Manuelinizante" à Casa da Carreira, de Viana do Castelo; ou a igualmente incompreensível, igreja do Outeiro, no distrito de Bragança (conhecida também como Santuário do Santo Cristo do Outeiro)... 

A nossa tese defendida na FLUL - com o mote que nos tinha sido dado: "À Procura das Origens do Gótico" -  obviamente que, por isso mesmo, foi defendida com um enfoque muito específico e dirigido para o estilo Gótico:

"A Propósito do Palácio de Monserrate em Sintra - obra inglesa do século XIX - Perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica" *

E foi para ilustrar alguns dos exemplos (internacionalmente) conhecidos como Palladian Gothic  que se inseriram no trabalho as seguintes imagens:

Seteais-1.jpg

Já referida em post anterior: Em primeiro plano o campo de centeio (centeais) que terá estado na origem da designação do local

Seteais-2.jpg

Acima a imagem que nos fez acreditar na hipótese de ter havido, de facto um Arco Quebrado na fachada antiga

ExemploPalladian.jpg

Exemplo inglês, em que um castelinho relembra a muito provável primeira versão da casa de Gérard De Visme. A que William Beckford alugou e onde esteve em Sintra nas suas estadas mais prolongadas. Da Casa que disse ser um barbaraous gothic 

Naturalmente, o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, forçosamente teve também que ser abordado no nosso estudo. Houve até quem quisesse que nos desviássemos, para o estudar, quiçá com outros olhos?, mas sobretudo influência?

Nunca saberemos, pois não aconteceu, felizmente, e  portanto o estudo e o contributo que pudemos dar, pensamos, teve outro valor. Depois pudemos também compreender toda a importância da Iconografia antiga, associada ao Gótico, e respectivas motivações para se ter tornado num estilo marcante para os países do Norte da Europa: em geral os que aderiram plenamente à Reforma iniciada por Lutero.

Mais, pudemos perceber a imensa ligação - directa - entre Religião e Arquitectura  


18
Mai 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... que nos mudam a cabeça; ou, que também deixam uma sementeira de equívocos, e sem certezas?

 

Completando uma das muitas conversas, sempre adiadas, por falta de tempo. Sempre insuficiente quando os assuntos são enormes e as «histórias» se têm de acertar por terem estado contadas ao contrário, e  delas algumas há séculos.

Para a M Lourdes RB, a informação do livro que da Biblioteca de Sintra (Sintriana), supõe-se ter sido desviado para Odrinhas (?).

É um título enorme :  Portugal; or the Young Travellers: Being some account of Lisbon and its environs and of a Tour in the Alemtéjo, In Which The Customs and Manners of the inhabitants are faithfully detailed. Harvey and Darton, London 1830.

Tudo isto a ver em: https://primaluce.blogs.sapo.pt/85825.html

E desse livro tirámos esta imagem, que nos fez supor a existência, numa primeira fase, de arcos quebrados no Palácio de Seteais

Assunto tratado mais tarde por Jorge Baptista, num trabalho que veio a fazer

Seteais.jpg e se aconselha. Também porque tem uma «capa solar»!

A rever: https://primaluce.blogs.sapo.pt/85825.html


17
Mai 20
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

Se é que a genética tem (muito, ou tem tudo) a ver com as nossas vidas?

 

E as perguntas vêm a propósito do grupo de facebook Amigos de Cascais.

É que, parece-nos, as suas potencialidades são imensas. No entanto tem muito de fútil, discutindo-se, por demais, assuntos que cada um poderia ir esclarecer, previamente, e depois trazer para o grupo.

Num verdadeiro acto de civismo, ou de civilidade, como por exemplo acontece com os grupos de amigos em Inglaterra.

Em tempos «estudei» (superficialmente) esse assunto para 3 ou 4 casos ingleses, como os Friends of Kew Gardens, Friends of Osterly, e ainda os Friends of The Royal Pavilion de Brighton. E grupos destes, como se pode confirmar, há imensos. É só procurar ...

Image0013-b.jpgImage0012-b.jpg

Assim nos anos aprox. 90-2004, estivemos ligados aos Amigos de Monserrate*, tendo defendido, muitas vezes, dentro desta Associação, que se deveria estudar, cabalmente – ou o mais possível, como é óbvio... – a dita mansão sintrense. Da qual se contavam estórias e historietas, em geral muito fantasiadas, que, podendo ter alguma graça, não tinham toda, porque lhes faltava o essencial...

Só que, nunca poderia imaginar (eu, «a arquitonta» - e como tantas vezes estes profissionais somos vistos), que um dia ia ser, quem dava o pontapé de saída, para qualquer coisa mais séria?

E, claro, muito menos de tudo o que se lhe seguiu - e de que nem vou aqui falar, como autorias, cópias, plágios: as  descobertas, ou/e as invejas, típicas do ensino superior em Portugal “... que é o mais que a terra dá”**);

Ora se estou aqui, agora, com este post, é para sugerir leituras. Que podem começar por este livro, e, bem assim, por exemplo, toda a colecção que a CMC a partir do VI centenário da Vila de Cascais começou a publicar.

Image0011.JPG

Tive a sorte de nascer curiosa, mas ainda a de ter ouvido e assistido, desde muito cedo (1962?) a várias discussões, conversas, palestras, peças de teatro; ou até às touradas que aconteciam em Cascais.

E thanks God, algumas dessas infos ficaram

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*Não referindo nunca, nós ou outros, alguma ligação (nossa) à sua génese...  

**Tomasinho-cara-feia... foi para pesca da baleia (...) que é o mais que a Terra dá


16
Mai 20
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Acessório necessário em tempos de COVID mas que não precisa de «transpirar» tudo o que vai lá dentro (e que é brrrrrr...!)

 

Sem falsa modéstia, se há coisa de que saibamos, é de Imagens do Poder.  

Claro que nos referimos a divisas, a aspas, a cordões e a galões, e sobretudo à maneira como (por exemplo) os "bâtons rompus" foram postos na arquitectura:

Em portais, como acontece na Biblioteca de Coimbra; ou ainda aqui bem mais perto, como estão nas janelas bífores da fachada do Palácio da Vila de Sintra.

E agora a máscara? Onde entra esse brrr, sujinho,... que todos vamos usar (e depois deitar fora)?

Máscara que os políticos também vão ter que exibir (até como bom exemplo que dão ao povo), e que já não é uma invocação, longínqua, daquele que era Origem do Poder*; mas sim da Ciência.

A Ciência que, nos dias de hoje pode, e sobretudo serve**, para confirmar os novos detentores do Poder (político).  Já que, na actualidade, no momento presente, governar a Polis é tudo fazer pela promoção da Saúde

E aqui, sem querer ser designer de máscaras, nem definir o modelo, parece-nos que se pode fazer muito melhor:  DEVE-SE!

Imagens do COVID que incomodam muita gente.jpg

E se em França a AFNOR aceita (e dá muitas) sugestões, por cá, porque lhes deram ordens, ou alguém quer ter o exclusivo das máscaras, dos géis - e depois de todos os anéis (de ouro claro, pois se ficam com todos os monopólios...!) -  sabemos que as ditas máscaras são policiadas por inflexíveis, à entrada dos comboios: só entra quem usar o modelo aprovado!***

Como se estivessemos numa ditadura, ou não tivessemos ouvido tudo o que a Sra. Directora Geral de Saúde disse sobre as mesmas...

Claro que todos nos enganamos, corrigimos e melhoramos. Portanto a máscara é também um óptimo exemplo de todos as novas regulamentações que a pandemia trouxe.

Que haja tino, deseja-se, antes de andarem todos em brainstorm permanente, e a «escalar» - como diz o Sr. Kosta -, para as invencionices mais parvas e inverosímeis que lhes vão passando pelas moleirinhas...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Que vinha de Deus, e que no vestuário e nos acessórios (como mostram as obras de arte) de algum modo esteve sempre presente 

**Ciência médica, para poderem garantir saúde e sanidade, também mental, às populações. Por isso razão para, os ditos políticos, não estarem a inventar de mais, incluindo as maiores parvoeiras, com que teremos que nos deparar ao virar da esquina. Como é o caso das praias...

*** Estará tudo doido?

A ver vamos


09
Mai 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Nos primórdios do neogótico inglês houve um “British garden designer” – ou, dizem outros, que acrescentam “and prolific writer” (*1); nesse periodo houve alguém que se chamou Batty Langley, que ficou para História.

 

E porquê?

Por se ter apressado, mais do que todos os outros (*2),  a responder à necessidade dos ingleses em valorizarem (para uma fundamentação político-religiosa*3) toda a sociedade Georgian. Incluindo a Arquitectura e o Design.

Que é como quem diz, os cenários em que decorriam os episódios das vidas dos mais favorecidos

E estando apresentado este tema, resta-nos acrescentar a razão para o termos ido buscar.

Em português corrente, de hoje, Batty Langley terá sido visto como um piroso, e presumido, a ponto de ninguém (os snobs ingleses) querer ter nada a ver com ele. Muito menos, a ler ou a adquirir os seus escritos, ditos prolíficos.

Ora hoje é exactamente  este o nosso ponto:

Num tempo como é o actual (do “raios-que-o-partam” do Covid-19), em que dificilmente conseguimos ter vontade, ou sequer paciência, para estar a escrever; agora, pelo contrário, os nossos posts mais antigos (que estão por aí), mesmo que muito sorrateira, ou furtivamente, estão a ser lidos.

Como aconteceu com a obra de Batty Langley - que foi objecto de desprezo e de troça - no entanto, disfarçadamente (com ou sem as máscaras da moda de hoje), todos o liam. E todos procuravam informações nos seus trabalhos.

Abaixo os Jardins da Casa de Orleães, em Twickenham nos arredores de Londres. A zona onde Horace Walpole - foi ele próprio - um dos maiores impulsionadores do Neogótico (*4).

Não nos primórdios, porque de início ia exactamente na mesma linha de Batty Langley (como mostram muitas fotografias de Strawberry Hill), mas mais tarde.

Ele que nasceu em 1717 e morreu em 1797, Horace Walpole veio a contribuir, como se sabe, muitíssimo, para a compreensão da História do Estilo Gótico.

A mesma, para a qual temos produzido – também prolífera – mas que só sorrateiramente (e sem qualquer feedback) é lida, como nos mostram as estatísticas Sapo do último mês.

Batty Langley-300.jpg

"A garden plan by Langley for Orleans House in Twickenham" - na legenda da imagem

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*1 Ver em: https://en.wikipedia.org/wiki/Batty_Langley e ainda: https://www.battylangleys.com/

*2 Embora não se deva esquecer a carta de 1712 «Para um novo design» (como resumimos o título) de Anthony Ashley Cooper 

*3 Como hoje se percebe ter acontecido, embora a «historiografia oficial» continue a não fazer a relação entre os vários Neogóticos do Norte da Europa, com as opções religiosas da (nova) Igreja Reformada, posterior ao Concílio de Trento, e à designada Contra-Reforma Romana... 

*4 Jardins que nos lembram os da Casa Anderson no Porto


07
Mai 20
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

Na nossa profissão sempre nos preocupámos com questões deste tipo: o dimensionamento dos espaços e a suas condições de salubridade.

 

Sobretudo por termos estudado sempre em escolas/liceus bem dimensionados, com corredores largos, salas relativamente amplas, e sem dúvida com pés direitos generosos.

Mais tarde vimos usar as mesmas salas com um maior número de carteiras; mas sobretudo vimos instalações provisórias e novas escolas com dimensionamentos que, já nada tinham a ver com aqueles Liceus que foram construídos pelo Estado Novo, num tempo em que as preocupações sanitárias - ainda relacionadas com a Tuberculose -, obrigavam a dimensionamentos amplos e à máxima salubridade de todos os espaços.

Por isso foram construídos em lotes grandes, um pouco à margem das zonas de maior densidade urbana, formados por conjuntos de edificios bem orientados, com ventilação natural e a máxima insolação.

Enfim, quem diria: que «questões tão antigas», e para muitos já passadas de moda - visto que o AVAC. parecia resolver tudo...; quem diria que essas questões, e uma parametrização muito mais exigente, iriam renascer? 

Num tempo em que tudo parecia poder prescindir da «natureza natural», resolvendo-se os problemas com máquinas e soluções artificiais?

Arquitectura&Design-NovosDesafios-1.jpg

Arquitectura&Design-NovosDesafios-2.jpg

A questão que as imagens acima resumem (na perfeição) é a de uma normal sala de aulas, para 30 alunos, que, cumprindo agora o distanciamento de 2,oo m, só poder passar a ter 8 alunos e o professor. 

Não sabemos se por cá as questões estão a ser analisadas da mesma forma? Passando pelos profissionais competentes na área: em Inglaterra, no AJ NEWS*, os arquitectos colocam a questão, começando pelo ensino primário:

Coronavirus: Can primary schools adapt to a post-lockdown world?

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* Como podem ver aqui

 

 


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