Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
28
Fev 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Já lá vai algum tempo, e por isso, à distância e com lucidez, ainda achamos que este post é nosso.

Particularmente destacamos a passagem seguinte, em que se alertou para a relação (muito directa) entre Teologia e Arquitectura:

 

"Num tempo em que (em geral) ainda se supunha que os Estilos atravessavam a Europa de uma ponta à outra, sempre uniformes, como se não tivesse existido a Reforma e a Contra-Reforma Romana. Como se algumas variantes locais (incluindo não só o que passou em Inglaterra, mas também em diferentes regiões europeias), não tivessem sido esforços, denodados, para, exactamente exprimirem a fé de diferentes povos. Povos a que ainda hoje chamamos bárbaros - os que chegados à Europa Cristã em tempos e condições diferentes... - tudo fizeram para aderir a essa fé, para serem aceites. 

Mas, sinais que usaram para se mostrarem também eles cristãos, nalguns casos insistindo (muito) nas suas próprias especificidades."

Algo que - como vamos observando - parece tardar em reconhecer-se.

É um problema de todos, mas em especial para os Historiadores da Arte, que poderiam ter muito que fazer...

E que assim, continuam relegados, para o copiar das cópias, e das citações, sem nada acrescentarem.

Como se a sua geração - num período que é de imensa inovação - não pudesse reler a História com outra mente: rever os Ornamentos com outros olhos, os contributos das Neurociências e da Linguística


26
Fev 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

É este

Portanto ainda bem que o escrevemos, já lá vão 10 anos...

 

E podendo parecer muito tempo, claro que não o é, sobretudo, se tivermos em consideração a data a que se referem os factos:

E os ditos factos - teimosias de uma estudante, perante professores e orientadores, por estar convicta de uma ideia* - tiveram início em 2002, tendo estado mais activos até 2005.

Pode parecer que morreram depois disso, mas uma certa estrelinha nossa, e outra muito diferente vinda de uma "super-star", trouxeram-nos de volta.

Agora foi "um estado de alarme", diagnosticado por Lídia Jorge numa entrevista ao Público, lida e reinterpretada, em termos como Traumas, Desilusões e Esperança, por quem, sucessivamente, a mim (e à minha orientadora numa primeira fase) em 2002, resolveu coarctar caminhos, e matar esperanças: naquilo que se estava a entrever, e ainda hoje precisa, aliás cada vez mais precisa*, de ser devidamente investigado. No local próprio, e com as pessoas (várias) competentes e muito empenhadas para concretizarem uma tarefa que é imensa...

Porém, foi o referido super star - de quem não sou inimiga, longe disso, mas talvez adversária, e «de estimação»** -, que entendeu ver totalmente fora de si, e sendo-lhe estranhas, várias práticas que, segundo supomos (pois não lemos a entrevista à escritora) terão sido denunciadas por Lídia Jorge, por serem tão enviesadas, e, quem sabe, contrárias ao desenvolvimento que todos desejaríamos.

Mas por fim, lá nos lembrámos de Frei Tomás (como aqui se pode ler, nos vários posts publicados), e de tudo o que o enorme S. Tomás de Aquino nos tem conseguido acrescentar. A nós, pessoalmente, e principalmente, desde que percebemos a sua recuperação de Aristóteles: trazido de novo para as Ideias e para a Arte. Neste caso para a arte do tempo do Renascimento:

E desse modo retirando a primazia que tinha sido dada a Platão, desde os primeiros tempos do Cristianismo, até meados do século XII, como é dito por todos os autores. Um S. Tomás de Aquino, de que gostámos particularmente, ao ler o S. Tomás de G. Keith Chesterton (Aletheia Editores).   

E foi isto, de certeza, que levou a que um post com 10 anos fosse agora revisitado

~~~~~~~~~~~~~~

*As provas das nossas ideias (e teorias) não páram de crescer, agora que temos acesso, mesmo que limitadíssimo, às imagens e desenhos de autores que viveram há 5 séculos.

**Como poderia ser inimiga de alguém que se confessa autor de erros, quiçá de prejuízos causados a outros...? Mas que, simultaneamente, pelo seu verdadeiro affairisme artistique, tem dado - tant bien que mal - vários, ou imensos, empurrões para o desenvolvimento da história da arte em Portugal.

Num país em que, da Política à Arte, e dadas as metodologias empregues - no qual a inveja é soberana -, e em que tudo avança (se avançar?) mas é só ao empurrão.

É que, embora sendo empurrões, pelos vistos têm que ser agradecidos, e estarmos gratos por eles...


19
Fev 20
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Um artigo do Público, de 17.02.2020, que dá muito jeito reler. Portanto aqui, como se fora repositório...


18
Fev 20
publicado por primaluce, às 00:55link do post | comentar

PORTUGAL FAZ BEM !

 

SÓ QUE, POBREZINHOS (alguns dos historiadores que conhecemos!), TÊM MEDO DE INOVAR

 

Não vêem que apesar dos factos do passado não terem mudado, no entanto o olhar, e as visões que apreendemos sobre esses mesmos factos, pode mudar... Que as gerações não são todas iguais, felizmente...

Mas outros, bem pelo contrário, nas suas profissões eles fazem o seu melhor: mas esse melhor, na sociedade, cai no saco rôto do anacronismo: no dos visionários - que são muitos -, defensores do antigamente, ou de "o desenvolvimento ao contrário"

Lembram (-nos) Jacob Burchkardt que no século XIX perguntava: Como havemos de fazer para viajar (em Itália, para conhecer o país), agora que há Caminhos de Ferro, que encurtam as distâncias? *

Por fim:

LEMBRAMOS O 7º ENCONTRO #PORTUGALFAZBEM

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* Claro que é divertido! A verdadeira expressão capaz de traduzir um imenso Amor ao Passado!


14
Fev 20
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Uma obra onde antes havia uns círculos entrelaçados  - e não sei se foi em Londres, no Museu, ou aqui em casa nalgum livro, que os tínhamos descoberto?

 

 

Porém, o que é certo, é que entretanto esse padrão muito significante, no contexto da obra, e do tempo em que foi pintada, desapareceu;

Os referidos "círculos entrelaçados" evaporaram-se...

Foi porque houve um péssimo restauro? Perguntamos nós, ou porque o original foi subtraído do contacto com o público? E o que lá está em exposição é uma cópia?

Seja qual for a resposta, ambas são tristes e muito demonstrativas de uma grande falta de qualidade; e de fidelidade, àquilo que qualquer um de nós espera poder ver num museu... 

detalheTapete HansHolbein-qualAVerdadeira-3.jpg

É verdade que aqui a imagem não fica bastante ampliada, mas tal como ela, todo este assunto merece a máxima ampliação e desenvolvimento.

Sendo uma óptima prova de como a ignorância contribui para a perca do património, e contribui para um ainda maior esquecimento

Sobre este assunto, vejam se quiserem outro post e os anteriores...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

E hoje (18.02.2020) acrescenta-se:

Que não nos venham azucrinar (ou incriminar) como têm feito os supostos historiadores lisboetas. Com frases do tipo, esconda, esconda! E ponha para trás: Lá para o fundo, mesmo muito ao fundo!

É que não forjámos nada: os vídeos circulam na internet, com uma outra e versão! Se há teorias da conspiração (?), as ditas são de quem esconde, e de quem continua a querer ignorar as convenções internacionais que Portugal assinou. De quem quer que toda esta temática permaneça ignota; portanto, se alguém está a ajudar a prejudicar a NG não somos nós...


06
Fev 20
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Alguns (arquitectos) conhecem Christopher Alexander e os seus contributos, não só para as teorias da arquitectura contemporânea (desde meados do século XX), mas também para um melhor conhecimento, e domínio, do gosto.

 

E também ainda, particularmente, pelo seu fascínio por Tapetes Orientais: pois reconheceu em muitos desses tapetes, como supomos, «vocabulário» formal (que designa centros) que também existe na Arquitectura.

Já escrevemos sobre ele*, por estarmos convictos de que aquilo a que chamou A Pattern Language, é uma linguagem visual, ideográfica, que usa as formas geométricas (e outros sinais), tal como nós temos defendido que existiram (e como funcionavam).

Assim, quando um dia (talvez num futuro muito longínquo?**)  uma equipa científica - formada por gente séria e competente -, se debruçar, a sério, sobre esta «nossa temática» (que é aliás imensa); naturalmente acontecerá que as teorias de Christopher Alexander formarão um Corpus, em que (também) forçosamente, umas e outras se integrarão.

Ou vice-versa! Há que o dizer, já que é outra hipótese. Descobertas que podem vir a emparceirar (sendo postas a par), numa classificação onde haja categorias de  níveis iguais.

Ou ainda, 3ª hipótese, com uma parte abarcando a outra.

Porque o que encontrámos - e da maneira como vemos toda esta problemática - talvez seja mais amplo (e assim possa explicar e abarcar...), bastante mais do que os exemplos que Christopher Alexander descobriu e vislumbrou. Ou, dito de outro modo, aquilo que percepcionou e deduziu.

Descobertas que, tal como a nós nos aconteceu, o levaram a escolher vias de pesquisa que (ele, C. Alexander) decidiu, ou preferiu seguir. Melhor dito:

É que talvez tenhamos encontrado o que na essência é o mesmo (?), embora observado e notado em contextos, casos e situações, que são diferentes.

E é exactamente sobre o seu interesse pelos Tapetes Orientais, que se afirma algo com que estamos bastante de acordo, embora não na totalidade (mas também porque aqui se quis valorizar a sua «ideia»  relativa aos tapetes):

"As an architect he is concerned about the theory of the various centres which together make up a design. Any building is full of them, on whichever scale you look, the various interrelated levels of scale being one of the main concerns of the essay..."*** 

No entanto, já num outro aspecto (ou no que é um exemplo relevante desta temática), acima de todas as outras coisas, estamos de acordo, e com ele gostaríamos de conversar, ao vivo, se fosse possível, sobre o seguinte ponto:

O tapete a que chamou "HOLBEIN" RUG", tomou essa designação porque está inserido numa pintura de Hans Holbein (m. 1543) que pertence à National Gallery? Ou porque o tapete pertenceu ao próprio H. Holbein?

É que, como temos defendido, o tapete que aparece na obra The Ambassadors, esse desenho aconteceu (i. e., a escolha por parte do pintor), revela uma preferência e uma intenção, absolutamente significante. Dada a presença de "circulos entrelaçados", talvez para representarem o Espírito Santo (como também está no Livro de Hinos, aberto, na prateleira inferior). Portanto, supõe-se, como escolha consciente.

Todo o quadro são escolhas propositadas de H. Holbein, como se vê em outras áreas desta mesma composição: concretamente, no retrato de corpo inteiro de um dos Embaixadores; no que está à esquerda, em que, vê-se, tem o pé (muito) expressivamente colocado mesmo no centro de um dos círculos do desenho do pavimento.

Deduz-se, obviamente, que esta não foi uma construção/composição casuística, muito pelo contrário, e ainda a lembrar a Arte Medieval, em que, por mais simples que seja, cada sinal é um sentido acrescido. Mais, há que lembrar que não estamos perante uma imagem produzida por uma máquina fotográfica, que captasse um ambiente interior e os seus ocupantes.

Está-se sim, perante uma pintura. A qual, mesmo que tenha sido encenada - para o pintor mais facilmente a registar (como se sabe acontece no «processo construtivo» de alguns trabalhos de Paula Rego) - essa composição foi pensada ao nível dos menores detalhes: i. e., em que nada, mas absolutamente nada, foi deixado ao acaso!

Visto que cada sinal, cada objecto, cada elemento é como um emblema. Ao qual compete falar e trazer para a obra, as ideias que, imediatamente - por tradição ou por convenção anterior e antiga -, lhe estão (mentalmente) associadas

Image0155.JPG

(livro sobre Hans Holbein - o Novo -, em que a capa reproduz uma parte da pintura a que nos referimos)

Mas, voltando ainda a Christopher Alexander e à especificidade das suas «descobertas», o que encontrou nalgumas formas artísticas (reflectiu e depois aplicou-o nos seus trabalhos, por vezes a formar padrões, como no exemplo da imagem seguinte). Integrou sinais que são  extremamente simples, os quais usou, tentando com eles recriar um gosto novo: moderno e quase ingénuo, ao mesmo tempo. Um gosto que, aparentemente funciona bem, servindo por exemplo a ambientes domésticos, ou a ambientes de trabalho da arquitectura contemporânea. 

E se há (como alguns referem - e concordamos com esta ideia) uma beleza sensível e uma beleza intelegível, nas duas imagens, tão diferentes (que nunca pensaríamos pôr lado a lado...); na que está acima, de Hans Holbein, ela é a beleza inteligível: a da obra que para ser aceite, lida,  e gostada, precisa de mentes intelectualmente mais «preparadas» (ou muito conhecedoras).

Já na imagem seguinte, num trabalho de arquitectura, ou design ambiental, de Christopher Alexander, neste caso, como se pressente, o gosto pessoal de cada um, entra facilmente «em sintonia» com a obra; pelo seu lado empático-sensível. É quase a «beleza afectiva»: é o "eu gosto porque sim!", difícil de explicar, típico da beleza sensível. De qualquer forma, note-se, igualmente laboriosa no acto criativo.

ChristopherAlex-DesignAmbiental.pngOnde, para além das proporções da janela exterior e da janela interior, bem como do respectivo desenho de enquadramento; onde, na parede verde os três traços com uma pinta por baixo, não têm quaisquer pretensões, de tipo emblemático (antigo), ou falante.

Porque se esses grafismos falam de alguma coisa (?), sobre aquele fundo verde, é para sugerir o exterior, algo simpático, e o natural. De certeza que é para lembrar ambientes frescos, como se a natureza tivesse sido levada para dentro...

Enfim, é a criação artística que alguns julgam ser meramente intuitiva, mas que deu muito trabalho, e para qual pode haver receitas - como sempre houve - e se ensinam nas escolas. É aliás para isso que servem as ESCOLAS..., mesmo que todos queiramos, em todas as áreas, que o ensino (apesar de poder «fornecer receitas») não se torne estagnação

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Ver este post. Mas há mais: procurar com a tag Christopher Alexander

** Longínquo, porque tudo neste país (e seus «responsáveis») por regra acontece a zero à hora

*** Citação vinda de ------> aqui. Ver ainda outros exemplos

POR FIM: e ainda a propósito dos "centros" que Christoper Alexander vê/viu em tapetes orientais, no nosso caso, dizemos que nesta obra de H. Holbein existiam "círculos entrelaçados" que agora já lá não estão. Razão para se dizer que: ou um restauro foi longe de mais? Ou a National Gallery esconde os originais, e ao público mostra «fakes», como os vídeos seguintes demonstram:

O filme na versão anterior ao restauro

E agora uma apresentação/filme na versão renovada, de um restauro - quem sabe? - parece ter sido muito mal feito...


04
Fev 20
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Pois cada vez que se pega num assunto, o mesmo explode em bocadinhos, salta e espirra em todas as direcções...

E altera todas as nossas ideias (pré-) programadas*.

 

Agora, com "Os Embaixadores" de Hans Holbein, talvez por ser uma das obras mais fascinantes - e das mais (super) valiosas da história da pintura - deduzimos que provavelmente o que está exposto na NG não é o original.

Sendo que a cópia falha - e óbvio, que não é o desenho seguinte -, falha dizemos nós, na reprodução do original.

E falhou, exactamente num detalhe escondido, que quem fez a reprodução, supomos, não se apercebeu do que é que se tratava, e da intenção de Hans Holbein**.

A ver vamos, pois é ainda a questão dos círculos entrelaçados (para exprimirem o filioque): que não estão e falham no «fake»...

-gettyimages-90771299-594x594-.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* O mesmo que aconteceu no IHA da FLUL, quando por lá passámos em 2001-05: «O Programinha não funcionou»..., estragou-se!
**Enfim, como nos «restauros» de algumas obras de arquitectura: as mentes de hoje não dão valor a alguns detalhes, mínimos, que antes foram significantes. Perde-se o lado do "belo inteligível", e fica só "o sensível". Aquilo que todos vêem.

E assim, tristemente, se retira - no restauro, e na réplica (feita para expôr em museus massificados) -, uma boa parte da riqueza às obras!


02
Fev 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

E se há obra que seja um fascínio, é esta*:

Holbein-Ambassadors-NG.jpg

Vejam-na em Londres, ou de preferência aqui:

Onde se podem aproximar muito mais, para ver alguns dos seus melhores detalhes. Todos cuidados e todos preciosos. Porque cada um desses detalhes conta. I. e., faz alguma diferença (ou a maior, dizemos nós), porque acrescenta «adjectivos visuais» à história que se está a querer contar:

detalhe tapete HansHolbein.jpg

(claro que as imagens têm direitos)

detalhe tapete HansHolbein-3.jpg

Mas esta está acessível a todos:

Recomenda-se

Por fim, a razão deste post num ciclo sobre círculos entrelaçados: é por se tratar de uma prova (provada?) de que há uma Beleza Sensível e uma Beleza Inteligível.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*E talvez já tenhamos escrito sobre ela? Quanto aos círculos entrelaçados acredito que não os vejam assim..., tão directamente. Mas a partir do momento em que se pressentem, ou descobrem, voltam a estar presentes. A serem alegoria, ou mnemónica, de alguma ideia.

E mais: houve/há um tapete chamado Holbein Rug.

Será porque os Holbein tiveram tapetes desse tipo, ou desenho específico? Será porque, concretamente, lhes pertenceu? Ou porque Christopher Alexander o reconheceu (ou semelhante) neste quadro, que incluímos no post de hoje?


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