Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
29
Set 19
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Se Uma Cidade não é uma Árvore, também um professor (e nós não somos!) não deve ser um funil...

Ver aqui


27
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... e bem interessantes! 

 

As fotos seguintes vêm de um programa da RTP, não são especialmente legíveis mas lembram-nos «uma estórinha», vivida em Monserrate, num curso que terá sido promovido/organizado pelos Amigos de Monserrate, concretamente pela Emma Gilbert.

Assistimos a uma ou duas sessões, e aí ouvimos algo demasiado interessante, para se ficar insensível.

Explicava a Conferencista que, embora, não se soubesse a razão, muitos desenhos de jardins tinham a mesma Iconografia, que era também empregue em diferentes desenhos e detalhes da arquitectura. Estando presentes, em especial, segundo afirmava - num tom de quem ainda perscrutava as motivações para este fenómeno - em tectos de palácios.

Ouvimos isto talvez em 2004?, antes da defesa das nossas ideias na Fac. de Letras, quando - 'pour cause' - todos os nossos sentidos tinham passado a estar apuradíssimos.

Mas felizmente ainda continuam apurados, e há situações que não podem deixar de nos tocar, pois são fascinantes...

JardinsCasaAndersen-Porto.jpg

JardinsCasaAndersen-Porto-2.jpg

JardinsCasaAndersen-Porto-3.jpg

JardinsCasaAndersen-Porto-4.jpgNo Jardim Botânico do Porto, onde brincaram Sophia e Rúben A., como há dias pudemos ver há desenhos espantosos, que terão sido como verdadeiras proclamações de fé, talvez afirmação de pertença ideológica, ou nacional (?), como acontece neste caso.

Já lá estivemos, mas só uma vista área nos permitiu agora perceber o que aconteceu; a obra que é:

Do lado direito - quando do jardim se vai a entrar em casa - está a mandorla.  Imagem que foi resumo da fé, não só dos Godos, mas de todos os povos (germânicos) do Norte da Europa.

É ainda a questão do Filioque, que Clóvis e Carlos Magno foram os primeiros a «enfatizar». Está aliás em todos os Góticos, como vemos, desde Monserrate até aqui, à Casa Andersen...*

E que, teologicamente falando, a mesma temática (o Filioque) ficou notória na questão da Reforma e Contra-Reforma romana. Desenhando pela Europa fora uma linha, fronteira, que separa os povos e as regiões, que seguiram a Arquitectura Clássica - do primeiro Cristianismo; daqueles outros povos, que mais tarde, no centro Norte Europeu, estiveram na génese do Sacro-Império, fundado por Carlos Magno, o primeiro Imperador descendente dos invasores germânicos.

Dos Povos que por isso adoptaram o estilo Gótico (que é ainda agora considerado apenas um mero revivalismo - o neogótico - sem que sejam compreendidas as motivações muito mais profundas para o seu emprego...). 

Mas, avançamos. Ao centro está um diagrama que também esteve na raiz da bandeira inglesa: a Cruz em Aspa ou de Santo André, sobreposta à Cruz de S.Jorge (de braços iguais, e ortogonais). Neste caso, trata-se de uma imagem que está em muitos tectos do Palácio da Ajuda.

Por fim, e por ser limitada a nossa ciência, lamentavelmente nada sobressai - não lemos nada! - no desenho que ordena as áreas ajardinadas que estão do lado direito  

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* Sinal que também está na janela da fachada principal (por dentro e sobre a porta), da Igreja do Menino Deus, em Lisboa.

Imagem chamada Crismón, ou Piscis, que foi símbolo de Cristo e do Baptismo... Sinal que está nos vimes entrelaçados, dos presépios do norte da Europa, etc., etc., etc.

Ideia - o Filioque - que justificou todos os Góticos: Sejam os primeiros, os tardios, os tardo-medievais, os internacionais, os Gothic Survival, os Gothic Revival, os Palladian Gothic...   Em suma, os mesmos Góticos que enfurecem Vítor Serrão (do que temos provas materiais, quando inclusivamente quis que o assunto nos «assustasse»).

Só que este tema é tão interessante, e tão novidade relativamente a tudo que se sabe, que é impossível não fascinar. Não ser prova viva, de tudo o que está subjacente e desconhecido - AS GRANDES IDEIAS (em geral bem mais importantes do que os detalhes da vida deste ou daquele artista...).

**Neste caso, trata-se de uma imagem que está em muitos tectos do Palácio da Ajuda,


25
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

StreetArt-CasaDeCopérnico.jpg

Ou quando não havia «Mutismo na Arquitectura»*

Imagem que merece mais detalhe e por isso aqui está.

Também o seu a seu dono, pois não sou a autora desta fotografia fabulosa

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*Expressão do titulo de um doutoramento, de uma antiga aluna...


24
Set 19
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

... tivemos um prof «muuuuuito engraçadinho» que dizia frases, também elas, tooooodas, muito engraçadinhas.

 

E agora aplica-se uma dessas - que não era dele - e vem a propósito, absolutamente:

“O importante é que falem de mim, ainda que (não) digam bem!”

E aplica-se porquê? (pergunta quem lê)

RE: Aplica-se porque começa a ser uma honra, o facto da honestidade que está atrás do nosso trabalho, estar  a incomodar tanta gente.

E vá-se lá saber como, conseguem censurar, não publicar...

facebook-Arte, museus e património-2.jpg

No entanto, o dito trabalho sobre Monserrate - e repleto de páginas, e mais páginas, dedicadas aos arquitectos Knowles -,  foi feito na FLUL.

Isto é, devidamente acompanhado pelos profs., tendo tido aprovação final com unanimidade do júri*.

“Unless”, ... a não ser que, será que alguém está arrependido de alguma coisa? De ter dado algum passo menos seguro, ou em falso?

facebook-Arte, museus e património.jpg

Por nós é mesmo assunto "quase sem importância", mas gostávamos de saber a lógica que está por trás? Aqui, quem manda, quem obedece?

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*No dia 31 de Janeiro de 2005


21
Set 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Se, de 2001 a 2004, o que escrevemos sobre Monserrate, guiada por alguns, é muito certo, mas sobretudo - nas minhas maiores teimosias (thanks God**) – fui guiada pela minha própria cabeça...

Monserrate-books

E se (o que acima se escreveu...), então, consequentemente parece*** - ainda agora parece... -, que faz algum sentido continuar a acreditar nela:

I. e., faz sentido calçar os sapatinhos, preparar os olhos (e por extensão os óculos e a máquina fotográfica), mas sobretudo há que preparar a dita, que é a cabeça, e ir.

Mas ir fazer o quê?

RE: Ir ver! Pois - "quem quer vai, quem não quer manda"...

E por isso lá fomos. Foi o que ontem fizemos, e soube tão bem!

Quer pelo que vimos: o foco da nossa procura

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Mas também por poder estar, sentir e respirar, num dos sítios mais bonitos de Lisboa

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*Este post feito sobretudo de imagens é relativo ao fascínio que algumas obras podem exercer sobre quem as vê: concretamente ao percebermos como Henri Matisse usou sinais religiosos, antiquíssimos, cuja existência (e significados) conhecia, e os actualizou. Pondo-os ao seu gosto, e ao do seu próprio tempo, que dessa maneira estava a ajudar a definir.  Claro que, em muito diferente, nos faz lembrar o Movimento da Renovação da Arte Religiosa, e a igreja - muito marcada pela influência da arquitectura inglesa sua contemporânea -, do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.
** O que deu resultados fantásticos. Sendo que esses resultados, no que têm de mais genuíno (nosso/meu) para algumas pessoas, agora «esses mesmos» querem ser donos (como há dias escreveu o próprio Vítor Serrão) daquilo que considera ser um valor prestado à comunidade. Não se lhe referiu nestes meus termos, mas nos seus, escrevendo:

Cara Glória, o debate intelectual é sempre aberto e possível... e desejável, pois abre portas de saber. Publicar e dar testemunho de pesquisa é um dever que a todos incumbe neste campo da H. Arte . (... mas não é verdade que os saberes sobre o monumento e Knowles avançaram ? não é de se saudar isso ?)“.

Ver aqui, já que foi ele que o registou; coisa rara, e que me lembre, nunca vista?

Sendo mais elucidativos ver ainda aqui o contexto em que o fez. Lamentando nós que nunca o tenha feito no local próprio, e no tempo certo: i. e., antes de um editor ter publicado o nosso trabalho; ou de ser necessário recorrer aqui à internet, e às redes sociais, para se mostrar - e mesmo assim muito mal, já que não é o fórum mais adequado - uma série de importantes descobertas feitas em contexto de investigação científica, universitária, que o seu IHA da FLUL tem silenciado (desde 2002).  

*** E quando (eu) estiver tontinha, demente e senil, espera-se (agradecendo desde já) que haja uma, ou várias almas caridosas, quem avise! Até lá...  vamos usando a nossa cabeça - que os sapatos levam -, e vamos pensando. E,  se acharmos que faz sentido, dizemos publicamente, ou escrevemos. Depois, quem quiser contrariar, ou até mesmo perseguir – como para alguns parece ser isso o mais importante (!) – que havemos de fazer? Se é a mentalidade vigente, a «vigorar» tal como se nos apresenta.

E isto não é vontade de dizer mal de um certo funcionalismo público, muito específico. É a nossa sensação: é o que nos têm feito sentir!


19
Set 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... assuntos mudados, enigmas desvendados"

 

Podia ser um novo provérbio, vindo ao encontro da necessidade de renovação que vai na Historiografia da Arte.

Não sei se em todo o Portugal?, mas enfim, em certas escolas: das Belas-Artes à Fac. de Letras, tudo isto da Universidade de Lisboa.

Porque, tal como o país, as faculdades da capital funcionam em slow motion. Embora, com "Os Donos de Tudo Isso" muito convencidos de que são moderninhos. Pelo contrário:

E na verdade, como são mesmo donos, só por lá passa quem eles querem, e como eles querem: tão antiquado quanto possível!

Porque o arreigamento, e a vontade que têm (de não mudar nada - lá está a contradição), levam a que pensem que isso é o futuro; do que acham que é só deles, esquecendo-se, propositadamente, de que é do país...

E assim prolongando a mentalidade que tinham, para aí desde 1971, já que essa é a regra!

No entanto, como registámos - há uma ou duas horas, no facebook -, estão aí bem fortes, claríssimas, ideias que têm estado pouco divulgadas (e agora descobriram).

extractFB-19.9.2019.jpg

páginadegloriaazevedocoutinho

E por isso já lá estão, alguns dos acabados de chegar, postos na primeira fila, armados em papistas, a proclamar a mudança*.  Basta vê-los, para se constatar como tudo isto é anedótico... O que mudam de repente...

E essa mudança será o futuro? Uma tradição antiquíssima (facto que ainda escondem - , nem sequer o dominam...), mas agora, e porque dá dinheiro, faz-se novidade total?

Ficam as perguntas, dirigidas à superficialidade vigente, e aos "just arrived", porque a nossa velocidade é a de cruzeiro; a de quem faz o caminho com os seus próprios sapatos, que a cabeça escolhe/escolheu, para o conforto da passada.

E, continuando, vá-se lá saber porquê (esta questão anda connosco há décadas?**), então vamos lá atrás, aos bois e a um postal minhoto dos anos 1990, que o comprámos e escrevemos, pela graça do cenário:

Minho-JugoBois.jpg

Um cenário onde pouco ou nada sabíamos dos detalhes, mas que agora não nos surpreendem:

No detalhe, um jugo de bois - como já JOAQUIM DE VASCONCELOS tinha evidenciado -, com Iconografia Medieval. Isto é, com as mesmas argolinhas de Paço de Sousa e de Coimbra; iguais às do Túmulo de Egas Moniz e às que se vêem na Sé Velha, logo à entrada***.

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda, se repararem com muita atenção, verão que essa ICONOGRAFIA do jugo dos bois é igual à desta janela, que é francesa, como se mostra a seguir em detalhe (com as argolas rodadas), para se verem na mesma posição.

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

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*E se ontem escondiam e não aceitavam, hoje já se armam em mandantes da mudança!

**Damos um prémio a quem explicar a razão...

***Insiste-se, damos um prémio a quem explicar o motivo de estas imagens nos perseguirem.


15
Set 19
publicado por primaluce, às 14:05link do post | comentar

.... e que um dia, sabe-se lá quando?, tencionamos abordar:

 

Como são os edificios governamentais, e as Casas dos Parlamentos, que ficaram na História da Arquitectura, mas sobretudo na História da Cultura Ocidental. 

Falemos da Europa, ou do novo mundo,como é este exemplo, do Canadá.


12
Set 19
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

... desde meados de 1987-88, que começámos a trabalhar sobre Monserrate

 

Primeiro na Associação Amigos de Monserrate, depois na Faculdade de Letras (a partir de Out.-Nov. de 2001)

Só que aí começou uma verdadeira saga. Porque investigações feitas a sério, podem trazer resultados inesperados.

E assim foi, embora também a sério, posta fora da FLUL, impedida de aí fazer o doutoramento, e desprezada (por ser de um género menor...) na FBAUL por FABP!*

Enfim, materiais não nos faltam, desde (1) o que descobrimos, a (2) o que outros nos foram mostrando de eles próprios: como personalidade, (falta de) carácter, e as inúmeras razões para a (imensa) mediocridade de um país...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Alguém de cujo profissionalismo vamos sempre ter muito para relatar, incluindo as pirosadas que lhe ocorriam, para nos demover dos estudos em que estávamos absolutamente dirigidos. Prova disso o Entrecho que logo produzimos na entrada em Belas-Artes (em Maio de 2006).

 


10
Set 19
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Como aliás este artigo nos relembrou


09
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ou como foi ocupando a nossa vida, desde 1987  [que é como quem diz, já quase vai em metade! (*1)]

 

Se forem ao nosso post do dia 7, e depois sempre a recuar, há muito que se pode e se há-de encontrar, desde Monserrate quando não era mais do que imagens incompreensíveis; até que muito mudou, passando a ser compreensível, e altamente falante.

Começa-se pela fotografia que regista círculos, apostos sobre a fachada do Palácio sintrense:

Os quais, para Maria João Baptista Neto (nossa orientadora de uns estudos feitos num tempo em que devêramos ter juízo, e não ir atrás de «criadoras de balelas»...*2), esses círculos teriam sido falantes; constando daquilo que eram para si (para a dita «sra. prof.», suposta orientadora) "As Origens do Gótico".

Mas enfim, as ditas "balelas", tornaram-se em sucessivas fontes e poços, repletos de informações.

Hoje interessantes e úteis, potencialmente, para todas as áreas da Cultura (e para muitas áreas científicas). Dizemos nós...

E assim podemos continuar - muito à base de imagens - a contar esta história que está cada vez mais longa, e antiga.

Em 2001, naturalmente, e sendo a curiosidade um motor poderoso, decidimos ir ver o que tinham tido, de tão especial, os Godos (Ostrogodos e Visigodos) para isso os ter levado a criar um Estilo.

[Só que primeiro foi um Símbolo, embora não visual, como todos julgam ser o único sinónimo de sinal...].

Foi então (2001-2), que quase sem dar por isso, começámos a ler sobre TEOLOGIA, e também a escrevinhar nas margens dos papéis, e em muitas folhas de apontamentos, dos nossos estudos. Nessa altura valeu-nos a New Advent Catholic Encyclopedia, e a sua explicação do FILIOQUE (sobretudo ao alertar para o nível de abstracção que sempre esteve em causa...)

Já tínhamos feito imensos gatafunhos/garatujos ou doodles - o que lhes queiram chamar. O certo é que, alertada pela New Advent Encyclopedia olhámos para eles. Eram semelhantes aos da imagem seguinte.

Mas nesta, o 1º esquema não é nosso (ver aqui - num post muito recente que dedicámos ao assunto);  acontecendo que o Professor norte-americano que o fez - esse e vários outros esquemas -, de certeza que ignora o modo como estas imagens esquemáticas estiveram na origem das formas dos estilos de arquitectura antiga, e tradicional, europeia, de raiz religiosa.

depoisConcílioNiceia-325.jpg

Porque, e isto parece-nos óbvio, caso não o ignorasse (isto é, se ele o soubesse), então para melhor expor as suas ideias, claro que teria ido buscar as referidas formas da Arquitectura; assim como as que estão em todas as outras áreas artísticas. Para depois, com esse apoio visual, explicar aos seus alunos, as (hiper) subtis diferenças teológicas que existem entre os também diferentes Credos, ou Símbolos da Fé.

Acima as imagens 2, 3, e 4 são nossas, sendo que 2 é uma adaptação de 1.

A nº 3, encontrámo-la em casa, num documento antigo, e quase em simultâneo na edição de 2000, Oxford University Press, do  dicionário de Arquitectura de James Stevens Curl.

Depois a imagem (ou o esquema) nº 4 é um «8» deitado, que a partir de muito cedo - vê-se numa patena francesa do início do século VI - passou a representar Deus, o Infinito.

Mas essa mesma representação do Infinito, como está acima no esquema nº 3, chegou - mais do que certo (e talvez ainda com o seu significado conhecido?) - ao século XX.

É que ao estar no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, no painel Começar, de Almada Negreiros (ver aqui), é inacreditável, nós não acreditamos!,  que Almada desconhecesse o seu significado ancestral.

painel-começar.jpg

Tal como há dias escrevemos, num post a propósito de Sarah Affonso e de uma pintura sua - que podendo parecer muito menos do que é - pois na verdade é anagógica (a elevar, ou como que a puxar para cima); já que era o céu e o infinito que ambos (aqui o casal Sarah e Almada) várias vezes pretenderiam evocar...

Fizeram-no através de registos, tão específicos quanto concretos (ou significantes), que ambos deixaram nas suas obras. Fizeram-no - como muitos outros do seu tempo -, ainda, e neste caso, com o mesmo sentido que tinha sido dado às Ogivas. A designação que é sobretudo associada a uma forma (dita ogival), e não ao verbo latino "augere". Que significa elevar-se, ascender na direcção do auge.

Para isso usaram sinais que alguns designam como sendogeométricos, mas que para outros são designados abstractos. Por fim, e não tardará a acontecer (dizemos nós), para a totalidade das pessoas eles serão, supostamente, insignificantes.

Um dia serão vistos como umas «verdadeiras tralhas» que se punham nas obras, sem que com elas, pouco ou nada se estivesse a acrescentar! (*3

infinito-2.jpg

painel-começar-detalhe.jpg

No futuro, só se entenderá a referência ao FILIOQUE que é feita por Almada Negreiros, na igreja de Fátima, em Lisboa, nos vitrais que são completamente icónicos... Nunca nos Arcos Quebrados - que aliás são o mote estrutural da obra - porque a sua imensa economia visual, de tão resumida se tornou definitivamente abstracta; e portanto incompreensível 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*1) Antes, entre muitas outras coisas (é o que hoje se depreende) estivemos a preparar o que se iria fazer depois, anos mais tarde. I. e., a preparar o que exige multidisciplinaridade, prática de visão e compreensão da composição... 

(*2) Mas fomos. Sendo que logo que pôde, «a dita» teve o desplante de nos mostrar o engodo que criou. Pois afinal, depois de encontradas as suas tão almejadas "Origens do Gótico", nunca mais a questão lhe interessou... Até que, numa primeira fase impingiu assunto Monserrate aos mais próximos, chegando à exposição que foi inaugurada em 2017. A qual lhe teria dado muito mais se tivesse treino de visão (mas cada um é como é!). Agora, tão original, e nada premeditada, segue na minha peugada, fazendo-se passar por «conhecedora» da Arte Cristã... E se temos que nos habituar, enfim que espalhe aquilo que tinha na cabeça em 2001, e me pôs a procurar. Sim, mas começando por espalhar a lição que recebeu (em Janeiro-Fevereiro de 2002) sobre a forma de trabalhar de um arquitecto: como as ideias se tornam esquemas e ideogramas. Pois é a chave de toda esta questão

Depois, e para resumir, pergunta-se:

Porque esteve Maria João B. Neto tanto tempo calada (desde 2002)?

As guerras religiosas (que vão pelo mundo) são guerras culturais. Como aliás o percebeu, muitíssimo bem, pela minha tese! Ou a investigação faz-se, os Governos pagam-na, para, havendo resultados, os principais responsáveis ficarem todos calados?

Para, ainda no caso de Monserrate, uns anos depois, ir uma Ministra da Cultura visitar um país do Próximo Oriente, e aí pedir «apoios mecenáticos» para recuperar uma casa que - Maria João Neto sabe-o melhor do que ninguém! - é o resultado das pesquisas dos "antiquários ingleses", dos seus Grand Tours, e dos membros da Diletanti Society.

Mansão que por acaso foi construída em Portugal, por quem era então um dos homens mais ricos da Inglaterra vitoriana.

Sim senhora Professora Maria João Neto, no século XVIII, quando as mentalidades se começaram a aproximar daquilo que são hoje, nesse tempo a curiosidade era diletante; hoje é Ciência. E os países, bem, gastam milhões para se reforçarem cientificamente. Porque a Ciência é útil e necessária. E tal como hoje ninguém despreza a Psicologia, do mesmo modo o que se encontrou ao estudar Monserrate, orientada por si (e bem), deve igualmente ser muito mais útil do que os "Dez reis de mel coado" que vai receber por cursinhos de A Arte Moderna e a Arte da Igreja, na Capela do Rato.

É que, embora toda esta problemática não seja um Assunto de Estado, no entanto é da maior importância!

(*3) No futuro serão vistos como acidentes superficiais, ocorridos nas obras; ou, como verdadeiros "crimes" ! Portanto podemos dizer à maneira (minimalista) de Adolf  Loos : "...que muito se poderia ter poupado no trabalho de ornamentação!"

E se temos que nos habituar (à peugada):               "...Ainsi soit-il!

                                                          Et quand la nuit est nuageuse

                                                 Il y a toujours une lumière qui m'éclaire

                                                         Éclaire-moi jusqu'à demain

                                                         Ainsi soit-il"

 

A um assunto que vai tendo barbas, mas por aqui não se esquece!


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