Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
30
Ago 19
publicado por primaluce, às 11:30link do post | comentar

... é o título de um livro de Manuel Vilas (autor espanhol)

 

Estamos a lê-lo* e a fotografia abaixo tornou-se, por momentos, como um símbolo, ou mnemónica, deste livro 

Porque nos lembra trabalhos nossos - aqui na R. de S. Bento, frente à AR - num tempo em que tínhamos a sorte (ou o azar) de ser bastante mais desconhecedores (para não dizer ignorante!).

De um tempo em que se projectava não tanto a pensar nas ideias (que hoje se chamam conceitos ;) ), mas em que, «muito alegremente», um trabalho começava geralmente, com os lápis e as canetas na mão - e os papéis também à mão, quase urgentemente, levados pelo prazer do desenho -; sem se discutir/conversar nada (ou quase nada) com ninguém.

GuardaVento-naRua de S.Bento-2.jpg

O autor - arquitecto - era, por esses tempos (e ainda é) como que um grande caprichoso: alguém que sabia, podia e decidia. E se fosse questionado, em geral, a posteriori, então procurava encontrar alguns argumentos que fundamentassem o que já tinha avançado, talvez «a gosto»:

Ao seu gosto, ou ao gosto do cliente...

Para nós isto era o modo Arts & Crafts em que  fomos formados. E em que atrás das formas, talvez muito pouco existisse (não sabíamos o que hoje sabemos), para além de uma «certa sensibilidade», e habilidade, sobretudo inata? Com motivações que eram pouco exploradas, e pouco investigadas.

E que o tivessem sido de uma maneira assumida, deliberada e consciente.

Dir-se-ia (agora) que eram o hábito e a práxis que co-mandavam a mão. Como se o projecto fosse mais gesto, do que cosa mentalecomo os autores renascentistas defenderam (por exemplo Leonardo da Vinci terá dito isso da Pintura).

Claramente, muitos, os mais estudiosos**, poderão achar que escrever isto é injusto, e que sempre investigaram, muito, para fazer os seus projectos.

No entanto, por aqui, e honestamente, é esta a sensação que temos.

A de quem ao estudar história, fosse da Arquitectura ou a do Design (ao nível da licenciatura, nos anos 60-70...) era instruído - mas pouco -, para trás, ou anteriormente, à obra de Nikolaus Pevsner intitulada Os Pioneiros do Desenho Moderno. Obra que era quase obrigatória, e em geral todos lemos.

Insisto, verdadeiramente não tínhamos a percepção da imensa informação - a que hoje chamamos herança cultural, patrimónios intangíveis, que tinha dado forma (ou todas as formas) às obras que nos precediam, e nos rodeavam, nos ambientes em que vivíamos.

Concluindo e voltando ao título deste post (e ao livro que estou a ler):

Quando há décadas se desenhou o guarda-vento acima, então éramos muito mais impulsivos - ingénuos, supostamente inspirados e felizes -  e isso às vezes resultava! Completamente ***

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Depois de um solavanco, e de alguma dificuldade inicial, agora apetece ler, sem parar. Um livro que é uma espécie de biografia, estranha, por vezes a lembrar um brainstorm

Um olhar para o passado, num misto de saudade valorativa, mas também, e em simultâneo, numa desconstrução impiedosa. Como se, de futuro todos fôssemos altamente prosaicos, e nunca mais capazes de compreender e justificar (com alguma ternura, poesia) o que fizemos, e o que fomos, talvez pela falta de informação (e formação) que então tínhamos ...

**Os que nunca avançavam no desenvolvimento dos seus projectos (e depois para as obras) sem longas análises e estudos demorados. Como se estes fossem semelhantes a «redes protectoras» que, garantidamente, os impediam de cair no mais fácil; ou em saltos no desconhecido que não tivessem previsto nos seus actos projectuais...

*** Lembro-me aliás de uma vez, uma cliente ter conversado comigo sobre este tema, em que ela, segundo defendia, dava muito mais valor à inspiração, do que ao estudo ou ao trabalho analítico, prévio, que a maioria dos projectos pode/deve exigir.  


26
Ago 19
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

E assim por imagens - que depois estiveram na génese de formas arquitectónicas -, este é um resumo visual do que a seguir se desenvolve:

 

Post-1.jpg

As imagens vêm deste site https://taylormarshall.com/2017/09/the-filioque-as-nicene-theology-for-arian-goths-and-the-creed-of-ulfilas.html de um Professor de Teologia que usa o desenho (como aliás sempre aconteceu desde os primórdios do Cristianismo, e como estou a explicar desde que compreendi esta questão a partir de 2002, ao estudar o Palácio de Monserrate, em Sintra) para apresentar as diferentes ideias teológicas.

Em suma, com desenhos, mas sendo as regras as da Geometria (ou o equivalente a uma Gramática como acontece nos textos escritos), estes foram usados para explicar variações, extremamente sensíveis, na redacção (e expressão) do Símbolo da Fé dos Cristãos.
Vamos então de novo a esse artigo, percorrendo-o, e buscando os esquemas explicativos e correspondentes às diferentes concepções teológicas.

Post-2.jpg

Este 1º esquema corresponde à fé de Arius (e de Úlfilas chefe dos Visigodos), e à noção que tinha de Deus.
Ao ser divulgada, prontamente foi posta em causa. Quer por autores do Oriente quer do Ocidente, tendo sido o motivo para a reunião do primeiro Concílio Ecuménico, que aconteceu em Niceia (na actual Turquia), convocado pelo imperador Constantino em 325.
Nessa altura houve uma reacção (musculada) já que o imperador pretendia que houvesse unidade, e a religião não fosse pretexto para divisões internas (num Império que entretanto se tornou extensíssimo, e com uma religião que passou a ser oficial/obtigatória).
O Concílio redige então o que é designado por Símbolo Niceno (que foi o primeiro Credo ou Símbolo da Fé, posterior ao Símbolo dos Apóstolos).

As «correcções» feitas estão expressas (esquematicamente) no 2º esquema (abaixo), que resume as novas especificações teológicas.
E se o primeiro (acima) foi considerado «mais dinâmico» este é aparentemente/visualmente «mais estático» *.

Post-3.jpg

Se nos interessasse apenas a questão da génese do Arco Ultrapassado e do Arco Quebrado ficaríamos por aqui.
Mas interessa-nos também a concepção trinitária (ideias que foram registando a evolução do conhecimento de Deus - ver a seguir o 3º esquema)**.

Post-4.jpg

Mas - e agora usamos uma expressão, quase irónica, que encontrámos em Umberto Eco – “as subtilezas dos teólogos medievais” eram especialmente exigentes... O Deus Cristão, ou melhor dizendo, a Trindade Cristã tinha especificidades!
Nesse caso, o 4º esquema traduz a «concepção nicena», mas de um modo tal que (e o arranjo visual traduz essa ideia), a evolução do Credo de Arius e de Úlfilas, para o Credo latino (que o Ocidente adoptou, definitivamente, com o Imperador Carlos Magno), não corresponde a um grande «salto conceptual»***.

Post-5.jpg

Assim, e em resumo, voltamos agora no fim à imagem inicial, por ser a que melhor sintetiza o que se foi discutindo em sucessivos Concílios , e quando, de certo modo - dizemos nós -, no fim do Concílio de Trento, na sua última sessão, se percebeu que não iriam chegar os delegados dos Países Reformados. Então a questão do Filioque ficou por fim encerrada. Mas só em linhas gerais, pois até João Paulo II abordou o assunto.

[Digamos que foi o fim das maiores querelas e discussões teológicas, embora permaneçam ressentimentos e incompreensões mútuas, que são também de origem linguística, como alguns explicam].

Post-1.jpg

Deste modo também se compreendem muito melhor os designados Revivalismos do Gótico: Por que razão os Países Reformados – diferentemente dos países da Contra-Reforma – tinham na questão do Filioque um tema essencial, de que não prescindiam. Sendo que a sua aceitação como Símbolo da Fé (e como aceitação teológica) os levou a adoptarem, de novo, e depois do Concílio de Trento, a Arquitectura Gótica.
É ainda agora designada Neogótica.
Um estilo de Arquitectura que muitos vêem como uma mera e simples questão de moda; ou como resposta a uma necessidade de renovação estilística, porque estivessem «cansados» dos estilos anteriores…! 
Não lhe tendo sido conferido o direito de uma maior divulgação, até agora (e foi nesse contexto, embora sempre a levantar questões, que ainda escrevemos o nosso trabalho dedicado a Monserrate!). Ou ainda, sem ter sido reconhecida a capacidade deste estilo para responder, e da sua melhor/óptima adequação, i. e., a "conveniência estilística" para traduzir ideias muito concretas de uma religião.
Conveniência, é a palavra a que Vitrúvio chamava Décor. A qual sempre existiu como uma adequação, e uma correspondência essencial, necessária aos objectos, mas também à Arquitectura, própria da liturgia cristã.
Por fim, e neste post bem difícil de escrever (por razões que são óbvias), queremos acrescentar:

Se no título mencionámos as divisões heréticas, que existiram (e foram inúmeras), em boa verdade conseguimos não entrar nelas. Restando-nos insistir que a respectiva tradução por imagens se fez sempre, enfaticamente, com repetições retóricas, e muito decorativas. Isto é, nunca a seco, ou só com a base esquemática das imagens... 
Se aludíssemos a essa base esquemática e essencial, do estilo Gótico, teríamos de dizer que quase só aconteceu com S. Bernardo e os cistercienses: na versão, ou fase estilística do Gótico, que é a considerada mais «iconoclasta».

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* «Mais dinâmico» e «mais estático» são qualificações que encontrei na enciclopédia da Verbo (VELBC) quando em 2002 este assunto me surgiu. Tendo ficado mais do que surpreendida, verdadeiramente atónita! Incluindo nesse nosso espanto esta adjectivação da Trindade, considerada como sendo “mais dinâmica” ou “mais estática”. Só que, mais tarde, ao encontrar a designação Pericorese então, essa «dança trinitária» já não foi uma grande surpresa…
**No entanto note-se que existe – corresponde ao chamado Credo de Atanásio – um outro esquema interessantíssimo, sobre o qual já escrevemos, e que também esteve na origem de formas arquitectónicas.
***Os povos Germânicos considerados invasores do Império Romano viram sempre em Carlos Magno (o primeiro imperador descente dos bárbaros, e fundador do Sacro-Império) um factor e símbolo de união, que não têm traído...


22
Ago 19
publicado por primaluce, às 22:30link do post | comentar

..e como a mesma nos pode «transportar»:

Talvez, se o deixarmos, ou se a emoção for imensa?

 

Recapitulando o que registámos a propósito de uma pintura de Sarah Affonso

No post escrevemos:

Pode parecer, mas Sarah Affonso não foi uma «praticante» do estilo "Naïf"...
Assim fica esta obra, que, por analogia (quase só) me faz lembrar a imensa beleza da cúpula de S. Lorenzo de Turim, por Guarino Guarini.
Em ambos os casos pela enorme habilidade - que é a ARTE - com que os dois autores fizeram entrar sinais antigos (medievais) nas suas respectivas composições (concretamente o Almada em imensas obras...); e desse modo valorizando-as.
E mais não escrevo, é um repto aos visitantes como faz o meu colega e amigo Manuel Madruga:
Ficando à espera das vossas leituras (e respostas), que podem ser diferentes e bem mais ricas, do que é a minha?

Papagaio-de-papel.jpg

Depois, no post ficou isto:

Eis a pista! Para quem gosta de segredos 
E quando a vi, imediatamente a fotografei. Pois altera, se não substancialmente pelo menos um pouco, e dá imensa vivacidade/graça ao quadro.
Será que já se entende?
Sobretudo como se faz para esconder «um segredo»? Quase magia, ao tirá-lo do ponto central da composição e colocando-o afastado, quase à margem?
Como a "chave de leitura" (para melhor se compreender e valorizar esta obra) - chave a que muitos costumam chamar código (secreto) - como ela estando numa zona a que se dá menos importância; e como ao descobri-ta, e ao seu significado antigo, então tudo converge para dar muito mais sentido ao quadro?
É a surpresa, o maravilhamento.
Ou seja, o "Émerveillement" que anda agora (no mundo das artes) a fascinar os franceses e a ser tema de debates.

novelo de linha Sarah Affonso.jpg

Entretanto alguém corresponde ao repto inicial:

"Vejo um sinal de infinito no cordel enrolado que o menino segura...É um quadro lindo, que conta uma história ou infinitos contos ou apenas um momento estrelado."

Em resumo final a nossa interpretação:

É mesmo por aí: é a obra aberta a muitas leituras, todas possíveis! As estrelas de 5 e 8 pontas já têm a ver com a iconografia cristã. A luz também (aliás com a simbologia de todas as religiões); foca aquele menino em particular, não sei se por alguma razão (?). Num texto que li há dias há imensas informações, mas consta uma, que neste contexto, é particularmente engraçada. Pois fica-se a saber que o Almada Negreiros (marido de Sarah Affonso) brincava com o irmão a lançar papagaios de papel (*). 

Assim, o novelo do fio, posto propositadamente ao nível dos pés, oblíquo e com um pauzinho, ou seja, colocado entre um «8» vertical, e um «8» deitado; ainda, enfaticamente a mostrar o entrelaçado, com uma mecha sobre a outra, e para que se lesse, sem qualquer dúvida, o símbolo do infinito.

Como se conclui, é/foi tudo feito para o observador percorrer com o olhar a composição (aprendemos com uma ex-aluna que esses movimentos se chamam sacadas visuais), e para nela procurar os motivos que a tornam bastante mais rica e interessante do que à primeira vista tende a parecer.

Claro que a emoção (**) vai entrar neste jogo, e por lhe faltarem as palavras, o leitor/observador, por momentos, vai-se sentir maravilhado (***): vai sentir-se perante o inefável; e  a querer tentar dizer, talvez (?)  o que é (quase) indizível.

infinito-2.jpginfinito-2.jpginfinito-2.jpg

(*) No texto do link ver em AS BATALHAS DE MIÚDOS NA CASTILHO:

"António Sobral de Almada Negreiros esteve preso por causa da revolta monárquica de 1919, quando José estava em Paris, mas depois foi comandante de uma divisão da PSP de Lisboa. Foi também um superatleta, praticando esgrima, hipismo e corta-mato, e toda a vida um grande cúmplice do irmão, com quem já adulto adorava brincar aos papagaios de papel. Era um sedutor, tendo à sua volta um "enxame de mulheres", como descreveria a futura cunhada. No fim da vida, casou-se com uma peruana rica e foi viver para Lima, onde morreu em 1964."

(**) Aqui a emoção será mais surpresa e graça, como supomos... Mas quando se trata da Contemplatio - feita no interior do templo e  face aos motivos que aludem ao divino  - como é descrito por Mary Carruthers (e citando nessa sua descrição o processo emotivo explicado por António Damásio); nesse caso o místico que contempla, não apenas se surpreende ou maravilha, mas pode talvez deixar-se transportar (quiçá em êxtase?)

(***) Por fim um excerto da newsletter de 23/07/2019 do Canal Académie, sobre o fascínio e o "sentir-se maravilhado"

 Éloge de l’émerveillement
“Au lieu de supposer que l'émerveillement est le propre des enfants et des ingénus, une émotion agréable et passagère dont on se défait en comprenant l'objet qui l'a provoquée ou en revenant aux choses sérieuses, je vous invite à penser qu'il n'y a rien de plus adulte ni de plus sérieux que de s’émerveiller. L’émerveillement n'est pas une simple émotion, mais une capacité de l'être. Il nous ouvre au monde, révèle heureusement notre ignorance et nous offre une forme de connaissance à la fois plus libre et plus intime. L'émerveillement nous échappe et il doit nous échapper, il nous oblige à recommencer toujours, à se retrouver sans cesse au commencement.”
[Ex
trait de De l’émerveillement, par Michael Edwards, Éditions Fayard, 294 p.]


13
Ago 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Foi motivo para o nosso orientador do doutoramento nos ir dizendo (e empatando) mas cheio de razão:

 

"Glória não vai fazer uma História da Arte!" Para logo a seguir repetir e insistir - só lhe faltando mesmo a música (já que o mote e a toada tinham passado a existir): "Glória não vai fazer uma História da Arte..."

E assim dizia, e repetia, com toda a razão (e eu sem perceber!).

Mas a dita da razão - tanta que teve, e tem - agora aparece-nos por aí, às vezes, a surpreender, em obras que são extremamente bonitas:

Embora não o sejam apenas pelo seu visual/superficial - i. e., por uma sensação imediata vinda da composição e das cores (desde logo altamente amáveis). Mas que o são pela percepção, que é como quem diz, pelo trabalho de compreensão que a mente faz, mais elaborado e devagarinho, a descobrir.

  O que passa por diferentes camadas de (outras hipóteses de) leitura.

Cat.SarahAffonso1.JPG

Cat.SarahAffonso2.JPG

É ainda sobre a exposição dedicada a Sarah Affonso, em que estamos a pensar e a escrever.

É sobre alguns dos quadros - como o Papagaio que é uma estrela (e está na contracapa do catálogo, imagens acima) - onde alguns detalhes, que fazem toda a diferença, nos lembram «certos truques» (ou as verdadeiras piscadelas de olho ao leitor/espectador da obra), tão típicos de Almada Negreiros.   


11
Ago 19
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

... este é talvez um primeiro post de outros que tencionamos escrever, relacionados com a exposição que há dias pudemos ver: 

 

Estamos de acordo: "...muito pouco investigada …" {como consta em https://gulbenkian.pt/agenda/sarah-affonso-e-a-arte-popular/}.
Fomos lá, e de lá voltámos - é sempre assim..., thanks God - com a cabeça cheia!
E há tanto para rever e para perceber, para lá da nuvem que é (continua a ser!), a nossa Historiografia da Arte.
Numa "Área Científica" em que MORE IS MORE - e por isso até lhe chamam "fortuna crítica" -, o que se pratica é o oposto; na total incompreensão do que foi o ornamento.
Incompreensão que foi lançada por Adolf Loos (como se o ornamento fosse "Crime"*), e aprofundada, ao máximo, e assumidamente, por Mies van der Rohe com o seu LESS IS MORE.
E é nesta, de LESS IS MORE que todos se mantêm.
É nesta que se continua a tactear, explorando o mínimo - em leituras que são «exegeses curtíssimas» (e que mereciam bastante mais) - o que é/foi muito rico, e bem menos simples do que tem sido considerado...

~~~~~~~~~~~~~~
(*) Assunto que é devidamente tratado na entrada "Ornement" do Dictionnaire Critique D'Iconographie Occidental: mostrando-se o contributo, tão negativo, de A. Loos (em 1908) para a perca de sentido da arte.


03
Ago 19
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Porque a um post antigo (este), se acrescentaram outras (e novas ideias)

Ver aqui


01
Ago 19
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

Estive há dias bem divertida (na BAQ) a ver com atenção várias cartas de Lisboa, anteriores ao século XX.

 

O objectivo era ir descobrindo palácios e palacetes, que têm em comum o facto de na sua arquitectura se vencer um desnível considerável. Como acontece na Rua do Alecrim, na Casa que foi do Barão de Quintela (depois Conde de Farrobo, um dos mecenas do S. Carlos). Mas que também existe na casa que foi do Duque de Saldanha - na Rua de S. José, Palácio da Anunciada; hoje um novo «hotel de charme».

É que, por acaso ou não (?), observa-se também aí, numa outra escala, menor, o mesmo esquema arquitectónico existente na Rua do Alecrim*.

Só que, perguntamos, esta disposição - em dois ou mais níveis -, foi talvez porque a cidade das 7 colinas é cheia de desníveis? Tendo sido por isso bastante difícil (continuamos a questionar-nos, se terá sido assim) encontrar áreas planas, de dimensão razoável , para edificar essas mansões e casas nobres?

Pergunta-se, visto que o esquema é de tal modo semelhante – e o mesmo ou muito parecido também  se verifica em Monserrate (e até em Seteais..., em parte) – que somos levados a questionar se essa não era uma preferência deliberada, e portanto procurada nos próprios terrenos (que por isso tinham que ter declives...) antes de se começar a construir?

Não terá sido objectivamente procurado, tentar assentar a construção num desnível, para de imediato ter a loja (palavra que vem de Loggia) de acesso à casa no mesmo nível da rua? E ainda ao nível das cozinhas e de outras áreas funcionais? Para depois ter entre os dois níveis, o espaço  e sobretudo a razão de ser para lançar uma grande escadaria, que no caso da Rua do Alecrim, é monumental, muitíssimo bem trabalhada e extremamente bonita.

Por fim, e sendo mais uma das características típicas, ou comuns a alguns destes palacetes, as salas teriam então acesso de nível – claro que a uma cota mais elevada  -  aos espaços exteriores, ajardinados.

Concretamente, no caso do palacete onde o IADE esteve desde 1969, os jardins a uma cota superior à da entrada na Rua do Alecrim, correm em paralelo com a Rua António Maria Cardoso, existindo os sinais de uma Alameda, que ao fundo terminava numa cascata.

Por fim, vindo da Carta de Lisboa (nº37), feita no século XIX, pelo engenheiro Filipe Folque  (carta que se obteve no blog "Paixão por Lisboa", página - https://paixaoporlisboa.blogs.sapo.pt/tag/pal%C3%A1cio+dos+mendon%C3%A7as) a demarcação aproximada de um lote e de uma casa que conhecemos bem, a qual terá sido, antes de transformada (na 3ª ou 4ª década do século XX?), um exemplo bastante semelhante aos que acima se descreveram: sito na Rua dos Lagares (nº 14), logo abaixo da igreja, e do chamado Caracol da Graça; a nascente do Largo do Terreirinho. Tudo isto ligando à que foi conhecida como Calçada de Santo André, e é hoje chamada Rua dos Cavaleiros. 

Enfim, saudades de um tempo de crianças felizes, mas às vezes longe de Cascais, e quase «aprisionados» na Mouraria. Mas também - o que é divertido! -, memórias que se encaixaram sobre (ou estiveram na base?) de uma série de saberes profissionais adquiridos mais tarde...

Rua dos Lagares nº 14.jpg

(excerto da Carta de Lisboa, de Filipe Folque)

* Note-se porém, não sei qual deles existiu primeiro (?), embora pareça, que o da R. do Alecrim, tem tudo (como modelo) para ser copiado ou recriado, mesmo em escala menor.

Este post é também o resultado de passeios com a minha colega Ana I., já que também notou as semelhanças do Palácio da Anunciada (onde nasceu Teresa de Saldanha, fundadora das dominicanas portuguesas) com o Palácio Quintela.


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