Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
28
Jul 19
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

No nosso estudo dedicado a Monserrate, várias vezes nos apercebemos da importância da Heráldica, e escrevemos sobre isso*.


Por nos parecer verdadeiramente necessário introduzir este tema, ou «cruzar» com ele vários elementos visuais, para se poderem entender muitas das formas (ditas abstractas - mas que afinal eram convenções e portanto eram formas legíveis, que falavam...).
Em suma, para se compreenderem as formas (ou o vocabulário formal) integrantes do que vemos como arquitectura antiga e tradicional.
Assim, e repescando (de 2001) o mote da orientadora dos estudos que dedicámos a Monserrate, quando nos disse:
Não poderá perceber Monserrate se não perceber os círculos entrecruzados que estiveram nas origens do Gótico…”. Agora, e abrindo ainda mais toda esta questão, somos nós a ter de dizer (e a corrigir) aos historiadores:
Não poderão perceber a arquitectura antiga e tradicional, se não compreenderem a interligação que existiu numa série de conhecimentos que hoje estão cada vez mais disseminados!” **

Mais: o livro que agora nos chegou às mãos de Miguel Metelo de Seixas (edição da FFMS, ver capa abaixo), e sobretudo a Visita Guiada da RTP2 ao Palácio da Vila de Sintra, têm a enorme vantagem de nos darem razão: Descrevendo e explicando algumas das Salas, consideradas as mais bonitas desse Palácio, como o resultado de um Programa. Mas não exactamente de um  Programa Estético (como aprendemos com Vítor Serrão na FLUL) e sim de um Programa Heráldico ***.

Reparem como, se estes espaços hoje nos deslumbram - e não sabemos da “tradução” (como refere Paula M. Pinheiro na Visita Guiada ao Palácio de Sintra) de muitas das ideias, ou dos conceitos que estiveram na sua génese. Se hoje todos nós, e vendo apenas superficialmente, ou «pela rama» …, nos deslumbramos: o que não seria no passado? O que não deveriam estes espaços representar, para os mais entendidos? Quando ainda não se tinham perdido os elos significantes, e as correspondências, que, sabemos, que existiram entre todos estes elementos?
[E já agora este parêntesis, sabemos porque os lemos, tendo já escrito sobre eles como aqui podem confirmar].

Porém, de este novo sobressalto (muito bom!) – que é para nós o livro e a linguagem empregue por Miguel Metelo de Seixas – falando por exemplo em sinais visuais e não em símbolos; deste seu contributo que agora recebemos (pois um livro é sempre isso), chega-nos também a certeza de que estamos num caminho completamente certo, para dever prosseguir na divulgação daquilo a que já chegámos.

Por isso, continuo a escrevê-lo, e a explicar as razões para tanto entusiasmo:
É que apesar de William Morris ter escrito que muitas das “…formas (ditas decorativas) tiveram significados sérios: vindos do culto e de crenças,…”, o ensino que posteriormente é feito, influenciado por aquilo que foi em Inglaterra a figura do Architect Amateur, no século XX, quando estudámos e nos licenciámos, já nada disto era perceptível.

E é toda esta «distorção», de um caminho que se iniciou, como supomos, com ARQUI a significar principal, e TECTURA a significar construção, que nos fascina. O como chega ao hoje:

Não apenas alterado no sentido, mas super-variado e incrivelmente enriquecido... por sucessivos esquecimentos e ainda mais incompreensões!

quinas-e-castelos.jpg

* Por exemplo, sobre o Pátio da Casa que foi de Gérard De Visme em Benfica, lá está a referência que se fez à Heráldica:

O Pátio de Entrada revestido com uma calçada tradicional portuguesa – de vidraço preto e branco - apresenta um desenho muito interessante, e original. Depois do que estudámos sobre a época medieval, passou a ter para nós enorme valor. Porque o que se julga, tratar-se aparentemente de um “arranjo floral”, é muito mais do que isso; tem elementos que foram segundo pensamos, relevantes em Heráldica, transformados em folhas (ou flores). Estas são mandorlas, brancas com círculos pretos no interior; o que é provavelmente, uma elaboração, com base nas Armas Antigas de Portugal. Dentro das mandorlas, os círculos pequenos, seriam besantes, a moeda com que Afonso Henriques “pagou” o reconhecimento do título real ao Papado. Se os jardins que Devisme mandou fazer foram precursores, este pátio é revelador do seu gosto e cultura. São aspectos de relevo na personalidade de um encomendante, mas que nos levam também a questionar quem pode ter sido o autor, deste magnífico desenho de pavimento…”. Ver pp. 177-178.

**I. e., - e descrevendo o que se passa na realidade das universidades – conhecimentos separados em designadas (eufemisticamente) por Áreas Científicas. Áreas que também são delimitadas por verdadeiras barreiras, «de arame farpado», a mando da cultura de Ciência e Investigação que a Agência A3ES estipulou, e assim - como barreiras intransponíveis -, as mantém milimetricamente, separadas. Em vez de se reconhecer que sem Geometria, Teologia, Filosofia, Neurociências, Heráldica… nem sequer vale a pena andar a investigar.
***Achamos que é precisa uma designação, e acabámos de usar esta - Programa Heráldico. Será a mais certa? Mas sem nos esquecermos que em tantas outras ocasiões temos empregue, e continuaremos a empregar, a designação ICONOTEOLOGIA. Como refere Miguel Metelo de Seixas (e neste caso estamos a pensar  no livro recém-publicado), são vários os elementos cristológicos, adoptados e presentes na Heráldica
Enfim, o Ensino Superior, os Centros de Investigação, servem para os investigadores não estarem sós (ou entregues às redes sociais...); encontrando nesses centros os parceiros que, compreendendo as investigações de uns e de outros, vão trabalhando colegialmente para resultados úteis à Ciência, e por isso também a cada país que a produz. 

Por cá, vê-se o que acontece!


26
Jul 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Hoje em dia, sou, tornei-me (super) adepta de S. Tomás

 

Mais, tenho aqui ao meu lado o São Tomás de Aquino, livro de G.K. Chesterton, do qual, só por acaso, talvez ainda não tenha escrito. E mesmo assim não tenho bem a certeza, de ainda não o ter feito?

Mas enfim, agora isso interessa menos, porque é de um outro livro que quero escrever. Já que, é nesse livro - O Significado Perdido da Arquitectura Clássica (ver a capa abaixo) que neste momento estou a pensar.

Só que, ao mesmo tempo penso também naqueles profs catedráticos (imagine-se..., e ao ponto a que eles chegaram!*1), de quem se esperava muito mais AMOR à CIÊNCIA, e à CULTURA em geral.

Isto é, penso em profs que concretizam - tal e qual como se diz no ditado popular sobre São Tomás - a disparidade que vai entre o que apregoam e aquilo que verdadeiramente praticam.

É triste, mas existe...

Por aqui, leituras, estudo e mais estudo, tem sido aquilo a que nos temos dedicado desde 2001-2002.  Por puro fascínio!

E exactamente por percebermos como no rectângulo luso, impera uma «satisfaçãozinha», «pequenininha»..., que conduz ao nada (e de certeza que a Economia não cresce!).

Melhor, uma satisfaçãozinha, que leva depois à definição de um nível, baixíssimo, para qualquer acção (futura) a empreender.

E tão baixo, tão baixo, e tão comezinho, que dá pelo nome de MEDIOCRITAS. Ou Mediocracia, onde o sufixo 'CRACIA' - como em autocracia, burocracia - significa o poder. Aqui é o dos medíocres (*2), porque o têm de facto. Sim, sempre prontinhos a serem os «sonsos bonitinhos», que têm a nobre tarefa de esconder o trabalho e o mérito alheio!

Claro que os visados sabem quem são, até vêem aqui ler, e por isso lhes dedicamos este post: é todo para eles.

Porque se hoje começássemos do princípio, com método (e note-se que esse princípio não foi como as descobertas nos foram acontecendo - o que fez também com que o nosso orientador de doutoramento nos «azucrinasse q.b.»)! 

Se agora começássemos a querer relatar aquilo que nos aconteceu desde 2002, mas o fizéssemos, principalmente, obcecados com a preocupação de ordenar cronologicamente o tempo histórico, e os acontecimentos ou as práticas (artísticas) que eram postas nas edificações. Práticas que vinham detrás e vão depois entrar na Arte Cristã – fazendo da arquitectura uma verdadeira língua (*3) plasmada nas construções. Insisto, se optássemos por essa metodologia (absolutamente radical), por exemplo, e por analogia, no fazer de um projecto, nunca ninguém chegaria a fazer qualquer obra (*4).

Hoje, aos que tudo fazem para manter a sua historiazinha pequenininha, e como a aprenderam, daqui dizemos-lhes que se abram!

Que tenham capacidade de se maravilharem, com aquilo que ainda cá não chegou, porque eles mesmos, são adeptos (e defensores) da mesquinhez, do pequenino e do minúsculo, tal e qual como a concha hermética onde decidiram viver.

Uma Nova História da Arte, como se começou a escrever a propósito de Monserrate, e como Jacques Le Goff defendeu, está ai à porta:

PERCAM O MEDO E ABRAM-NA!   

E se começarem por este trabalho de Georges Hersey, depois há outros – deste e de outros autores -, onde bebemos e nos informamos, para logo a seguir se poder acrescentar muitíssimo mais:

Por exemplo, para depois transitar para a Arquitectura Clássica, mas já cristã, do tempo de Constantino I , chamada Paleocristã e desta para os designados Estilos Históricos... como aprendemos na FLUL

Image0047-b.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~

(*1) Sim, imagine-se, e por isso nós também, pela necessidade óbvia de se denunciarem todos aqueles que pelas suas acções entendem prejudicar a referida Ciência e a Cultura (nacional). Por isso, «referida» é como quem diz - nas Universidades Públicas e com Bolsas da FCT, que é o Ministério da Ciência e do Ensino Superior – a Ciência e a Cultura do país...

(*2) Obviamente é o oposto do que se designa como MERITOCRACIA

(*3) Aliás é, etimologicamente, o que se pode deduzir da palavra arquitectura. Ou seja ARQUI (= principal) + TECTURA/TECTÓNICA (= construção): ora isto significa que algo, alguma coisa, um qualificativo qualquer (?) seria posto nas principais construções... Deduz-se então que esses adjectivos e qualificativos, funcionassem como uma língua.

(*4) Usar de uma visão rígida e absolutamente restritiva face à Ciência - e às descobertas que ainda estão (ou querem ver como tal), em estado embrionário - por se tratarem de materiais frágeis, é o mesmo que dizer: "Não vamos, não queremos evoluir! Porque somos os donos destas visões curtas."

E para quem quiser ler o São Tomas em inglês (gratuito), aqui fica a história do santo que, como G. K. Chesterton escreveu, «cristianizou» Aristóteles.

O Santo que, como defendemos, ao tirar a carga mais platónica da Arquitectura Românica e Gótica, também contribuiu para um certo naturalismo da Arquitectura Renascentista


24
Jul 19
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Feliz ou infelizmente sabemos disto há muito tempo:

 

O consumo de electricidade, para deixar alguns hiper-confortáveis, pode ajudar a matar muitos outros!

Ora como "o óptimo é inimigo do bom", e os que buscam conforto podiam ser mais comedidos: i. e., ninguém precisa de viver hiper-confortável - pois o confortável é suficiente - assim também o consumo eléctrico poderia ser mais comedido.

Melhor, se soubessem mais, "se tivessem Ciência na cabeça", concretamente termo-dinâmica e o conhecimento de que o corpo humano é uma máquina térmica; poderiam recorrer a técnicas artesanais, como artefactos de barro (não vidrado) como uma ajuda para arrefecer algumas zonas das casas.

Ou seja, poderiam recorrer ao emprego de sistemas de arrefecimento e de ventilação natural...

Por exemplo, no mínimo  que recorressem a sprays com água, em micro-difusão, ou a toalhas turcas humedecidas, etc., etc.

Dirão que estas nossas receitas são simples de mais? Ridículas, ou até ... pobres?

Pois que o digam... é por isso também que se pode dizer que alguns países mais pobres, como é o caso de Moçambique - onde não há luxos, menos ainda ares condicionados, limitando-se as pessoas a viverem intimamente condicionadas pela natureza (que não destroem), e lhes impõe as suas regras, ou o modus vivendi; são estes povos, em geral os de África, os que menos poluem, mas também os que mais sofrem com as alterações climáticas...

Leiam o artigo original, já que este nosso foi escrito a propósito de:

https://zap.aeiou.pt/ar-condicionado-reduzir-salvar-vidas-269371


23
Jul 19
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Não li o artigo mas apenas os títulos, percebendo a importância de se colocar em comum - e há acordos (internacionais) e legislação para este efeito... - aquilo que são descobertas relevantes.

Se os lerem, todos os nossos 'posts', do facebook ou nos 'blogs'*, estão interligados e prendem-se com o conhecimento e a divulgação do que fomos levados a descobrir (isto é "As Origens do Gótico"**), no trabalho desenvolvido a propósito do Palácio de Monserrate em Sintra.

É que, embora tenhamos entrado na Faculdade de Letras em 2001 para estudar um assunto aparentemente de Design, aparentemente levezinho e muito descontraído - portanto também solto, quase fútil - na verdade, não foi nada disso, o que aconteceu: o que aprendemos, e o que descobrimos!

Em suma, o que poderia parecer uma questão de moda, de 'moods', ou de humor - e até mesmo «demasiado feminino»***! - cresceu em importância (e valor), de um modo totalmente inesperado.

É que aconteceu-nos depois, desde 2002, e até agora sempre em crescendo, apercebermo-nos que a Arte, sobretudo a mais antiga, que também serviu para diferenciar ou caracterizar os diferentes grupos e povos (e ainda a sua religião). Essa produção, em que a 'Ars' ou a 'Technê' contavam, e foram postas ao serviço dos mais altos valores culturais dos referidos povos; essas produções - insistimos, e agora no plural pois foram várias -, sobretudo se vistas hoje com a correcção e a honestidade que as metodologias contemporâneas de investigação permitem ter, como se pode concluir, elas nada tinham de supérfluo, inútil ou de fútil.

Portanto insistimos (e insistiremos junto das instâncias adequadas) que a referida Arte, nada teve da suposta leveza, ou da superfluidade com que tantas vezes é, entre nós, (des)considerada...

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Que são Primaluce, Iconoteologia e Casamarela. Designações que parecendo estranhas têm razão de ser, principalmente ICONOTEOLOGIA.

**Temática que a Professora Maria João Baptista Neto considerava essencial para se conseguir compreender o vocabulário formal/arquitectónico presente nas fachadas do Palácio de Monserrate.

***Sim - escrevemos com ironia! -, «muito feminino». Neste sentido que ainda agora se usa praticar, repartindo tarefas, conforme a sua importância pelos géneros feminino e masculino. E porque uma mulher pode ser arquitecta, ter sido treinada, durante anos, para a criatividade; pode até ser hiper-multi-disciplinar, como a profissão exige, mas fazer descobertas relevantes? Não! Isso é coisa de homens, só para homens...

Escrito como reacção a um artigo do Público de 22.07.2019 

e publicado na nossa página em 23.07.2019: https://www.facebook.com/gloria.azevedocoutinho.7


09
Jul 19
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

É mesmo muito interessante que no artigo se pergunte se esta é uma questão geracional


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