Hoje quando se diz isto (ou seja, ao empregar a palavra "geringonça") está-se a tornar físico e mecânico, o que são programas e acordos entre ideologias...*
Certo. Sim ou não?
Há já várias décadas, talvez um século?, Émile Mâle provou (e foi aceite) que a Arquitectura Gótica foi a materialização - está plasmado nas igrejas e catedrais -, de uma grande série de ideias teológicas, e portanto também filosóficas.

A imagem acima vem de La Lettre d'information, a última, com o nº 562 (ou newsletter) de Canal Académie, que, como habitualmente, começa com um EDITO:
"Chers amis, chers auditeurs,
L’émotion qui nous a tous saisis en découvrant le terrible sinistre qui a frappé la cathédrale Notre-Dame de Paris démontre, s’il en était besoin, l’intensité des sentiments que nous portons à notre passé médiéval.
Il est vrai qu’après avoir été longtemps dévalorisé, le Moyen Âge a fait l’objet d’un travail salvateur de réévaluation dont témoigne notamment l’œuvre de notre invitée de cette semaine. Professeur émérite d’histoire du Moyen Âge à l’université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, Claude Gauvard, auteur d’un livre de référence sur Notre-Dame de Paris (1), a récemment publié un ouvrage consacré à la façon dont étaient prononcées les peines capitales en France du XIIIe au XVe siècle (2)..."
Por aqui tivemos a sorte, ao estudar Monserrate, de aprender a valorizar a Idade Média, o muito que «fabricou» e nos deixou**.
E Émile Mâle - acima chamado Champollion das Catedrais - é sem dúvida o autor que melhor explicou a correspondência entre as ideias e as formas que as traduziram, a ponto de as catedrais serem vistas como Bíblias de Pedra.
Um assunto que, inopinadamente (2001-2002, na Faculdade de Letras de Lisboa) nos passou a interessar e a entusiasmar, imenso. Ao termos percebido, tal como Champollion para a escrita hieroglífica, algumas das suas lógicas mais específicas.
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*Diferentes ideologias (para governar) dos partidos políticos que actualmente estão a suportar o governo...
**Materiais que ainda agora estão bem vivos, ou dentro de todos nós. E, se os soubermos procurar (usando metodologias inovadoras e fora da caixa), encontra-se e não é pouco!