Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
28
Jan 19
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

...ou:

AS «MERAS COINCIDÊNCIAS» CONTINUAM.

FELIZMENTE!

 

Chamamos-lhes «meras coincidências», como algumas vezes na FLUL (entre 2002 e 2005) os profs e os seus acólitos foram baptizando aquilo que (eu) estava a perceber serem incríveis descobertas.
Ninguém queria admitir, ou sequer acreditar, que uma arquitecta distraída (quiçá mentalmente muito desarrumada, e sempre pronta a filtrar e a contestar...?), que essa de repente estivesse a tirar o véu (desvelando) àquilo que para uns eram simples hieróglifos, meras sinalefas (talvez maçónicas)?
E se os esforços para a demoverem (à dita «arquitonta») não foram poucos. Então depois de acabados os estudos, ou silenciados - mas tudo nos conformes, para não haver um dia razões de queixa! - então ficou imposta «uma lei da rolha»*.
Outra, que nos lembra a Lei da Gravidade, por serem estas, das poucas que aqui, neste país, se cumprem...
Só que o post de hoje é para nós mais uma prova, e uma resposta para dúvidas que tantas vezes nos colocamos:
Enfim, é o registo de que não são meras coincidências. Já que, se várias vezes olhei para umas camas de ferro, por sinal bem giras e me perguntei porque teriam aquelas cabeceiras? A mesma iconografia que abunda em grades de varandas na Cidade do Porto, e em especial na zona da Rua das Flores... Porquê?

Pois agora está aqui a confirmação, e que não é coincidência. 

ex-voto-DETALHE.jpg

Se as grades, se as varandas, e sobretudo as janelas, são ainda a ideia antiga de que DEUS é LUZ (diz-se no Credo), porquê transpor a mesma ideia para as cabeceiras das camas? Seria como protecção divina? Ou porque os ferreiros não tinham nas oficinas outros modelos...** 
Em suma, hoje estou a registar uma resposta às minhas perguntas. Mas também a sorrir: lembrando-me de tantas conversas mais do que patéticas, muitas delas ocorridas logo ali na Faculdade de Letras.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*A qual aos poucos, forçosamente e como já vem a acontecer, tem que se ir «desanuviando». Deitando cá para fora materiais, que para o Instituto de História da Arte, como foi a Exposição do Monserrate Revisitado (calçando alguém os meus sapatinhos, e indo no meu encalço) são eventualmente prova mais visível de que existem e fazem algumas coisas (para além de tudo o que sempre se faz/fez pequenino, e esconde).

Como dizemos, na FLUL alguns trabalhos já são consequência dos nossos estudos. Até quando vão continuar a esconder? Quando há muito mais para aprofundar e a Ciência em Portugal poder ir mais longe...?

**Só que no exemplo acima, é mesmo este ponto - o do modelo - que torna o exemplo patente na imagem do Ex-Voto, ainda mais rico! Ou mais giro - diz a tal de arquitonta -, para usar um calão e informalidade, que tem a vantagem de tornar expressiva as ideias, ajudando a pensar.


23
Jan 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

NOW IN ENGLISH, 

and it is a good thing


16
Jan 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

A frase acima - "Fazer corresponder Sinais Visíveis a realidades Invisíveis" (a que acrescentamos Deus, visto que a «divindade»* foi muitas vezes considerada realidade invisível) - foi escrita por Dionísio, o Pseudo-Areopagita, e já a citámos várias vezes, desde que a descobrimos**.

 

Consideramo-la extraordinária, por muitas razões, mas acima de tudo pela clareza com que traduz aquilo que foi a maioria das vezes o objectivo da Arte Religiosa.

E já agora, porque não dizê-lo (?) visto que nas instituições de Ensino Superior - concretamente na Faculdade de Letras de Lisboa (e assim praticado por alguns dos seus professores considerados mais responsáveis) - apenas se aceita aquilo que está escrito, ou alguém registou. 

É portanto sem dúvida uma frase extraordinária, por explicar tintim-por-tintim, como no b-a-ba do alfabeto, a junção de imagens para traduzir ideias.

Acontece que, no fim da Antiguidade Tardia - e como muito bem M. Justino Maciel  também o registou - a Arte (Paleocristã) que era até então sobretudo naturalista, passou depois a ser «elaborada», crescentemente, a partir de sinais capazes de colaborarem na «redacção desses textos», ou, chamemos-lhes composições/discursos visuais, altamente simbólicos.

Por aqui dizemo-lo, há anos: que uma catedral ou igreja gótica, é visualmente - e pelo modo como articula uma série de sinais - a explicitação do Símbolo da Fé; o mesmo que é também conhecido como Símbolo de Niceia-Constantinopla, ou, "tout court" - o Credo. 

Mais uma vez, note-se, é uma imensa temática, imparável. Já que obriga a escrever continuadamente, porque é necessário ir buscar imensos elementos que normalmente não têm sido, ou nem são ainda agora convocados, para explicar as obras de Arte.

Sinais Visíveis.jpg

A imagem acima obtivemo-la em CONÍMBRIGA, há uns bons anos quando numa visita ao local percebemos estar declaradamente perante ICONOGRAFIA cristã (embora ninguém o diga...).

Assim e da nossa BIBLIOTECA preferida BAQ, vamos - enquanto pudermos... (depois logo se verá?) - aproveitar e trazer livros com imagens de mosaicos, concretamente com sinais como estes a seguir, que funcionavam como alusões a, ou SINAIS VISÍVEIS, tradutores de REALIDADES INVISÍVEIS

Sinais Visíveis-símbolos do infinito-p&b.jpg

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*Autores como Michel Rouche alertam para o facto de o Imperador Constantino que liberalizou o Cristianismo e mais tarde o instaurou como Religião Oficial , nunca ter usado a palavra Deus, referindo-se geralmente à Divindade

** Ver em https://primaluce.blogs.sapo.pt/como-alguns-sabem-as-nossas-prioridades-455622 ou principalmente num post mais completo que já escrevemos em 2014


03
Jan 19
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

E faz sentido lembrar uma fotografia que fiz há dias, num local onde era proibido fotografar

49069766_515015059004431_7214578917271666688_o.jpg

Neste Menino Jesus com um Espinho no pé, naturalmente uma das surpresas que têm os que conhecem a história de Jesus Cristo, é o facto de se adiantar, de maneira alegórica, o seu futuro, e o modo como morreu:

Coroado como Rei dos Judeus, recebeu uma Coroa de Espinhos sobre a cabeça.

Ora, para além das imagens, que mental e automaticamente formamos, face à leitura dos textos, há também toda a imagética que a Igreja ao longo dos séculos foi elaborando. Como sabemos são terríveis, assustadoras, e muito dolorosas todas essas representações. Sendo em geral Imagens que todos preferíamos não ver, nunca ter visto, imaginado ou sonhado...

Mas se do ponto de vista imediato e afectivo, são tão tocantes (quanto chocantes); já do ponto de vista da catequese da Igreja, e da Justificação/Redenção que é supostamente «conquistada» na vida terrena. Durante este nosso percurso, a que muitos se mantêm (ou tentam manter) alheados, há por outro lado outros, que se preocupam em ser e estar conscientes, do lado mais espiritual das suas vidas...

É nesta perspectiva que vemos - parece-nos, e interrogamo-nos (mas definitivamente interpretamos a Imagem assim) - o Espinho no Pé de um Menino, que, agora até nos esquecemos que é Jesus, mas sem dúvida uma criança que parece estar a sofrer:

Surpreendido. Mas tendo em simultâneo uma dor inesperada, a qual terá pensado (?), como qualquer um  e sobretudo as crianças, como uma dor muito injusta. Por não a merecer...    

Há uma imensa humanidade nesta Imagem, que, por esta lógica, como a interpretamos, ganha logo em beleza. Mas..., temos por fim que acrescentar uma nota ao que não é um detalhe. Isto é, será hoje um detalhe mínimo, porque em geral não temos informação religiosa, mas não o foi no passado. Sobretudo para quem idealizava e concebia (o clero) a maioria das obras:

O Espinho é um Y. A letra que se pode ler de duas maneiras:

No alfabeto foi uma das formas de escrever Jesus; formalmente é uma bifurcação (como se pode ver nas estradas).

Seja a direito ou invertido, é o sinal gráfico que reúne o 1 e o 2. O entroncamento, ou a separação. Enfim, foi um dos sinais mais usados na arquitectura*, mas também na pintura e em geral em todas as obras de Arte Religiosa, tantas vezes (ou a maioria das vezes!?) para traduzir a ideia do Filioque**. 

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*Como já deixámos (desde 2004, está escrito) no nosso trabalho dedicado a Monserrate.

**Particularmente num caso que nunca registámos (por escrito) mas que é absolutamente fascinante, e fantástico, pela forma como pelo emprego do Y  associa directamente Carlos Magno à imposição que fez à Igreja Católica relativamente ao uso da partícula que é o Filioque. Referimo-nos à Carolingian gatehouse of Lorsch Abbey, e nesta obra particularmente à imagem da fachada. Ver aqui,  já que se trata de um modo de proceder (ou de desenhar a Arquitectura) que durou séculos.

Ou seja, exemplo de como um simples IDEOGRAMA, em geral se associava às janelas e às portas dando-lhes forma, ou enquadrando-as. Muitas vezes estruturando-as  (como se encontra explicado por uma frase de S. Paulo que Mary Carruthers citou).


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