Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jun 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Ou seja - o melhor possível -, à muito actual desmaterialização do Saber*

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Não havia computadores, mas havia materiais fantásticos e ideias ainda melhores. Acho que de tudo aproveitámos, como hoje continuamos a aproveitar!

Particularmente no aspecto da organização, da criação de pastas e ficheiros, ou também da respectiva compactação como esta última imagem mostra:

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Alguns materiais e equipamentos, pelas suas características e propósitos de utilização, obedecendo a critérios de selecção de acordo com normas internacionais, obrigavam-nos a conhecer essas regras...

De tudo isso nos preparámos e precavemos, rodeando-nos de informações, que, em geral não estavam facilmente disponíveis. A não ser nos mostruários e nos catálogos das empresas distribuidoras e nas mãos dos seus vendedores**.

Noutros casos, muitas informações e materiais tinham sido estudados e classificados (homologados) por laboratórios e instituições de referência como o LNETI e o LNEC. Por isso eram consideradas mais ao nível das «engenharias», e portanto sempre tentámos tornar esses conhecimenttos acessíveis: entre um faça você mesmo, e a prática experimental, menos teórica.  

Nesse tempo nada disto aparecia nos ecrãs dos computadores (ainda não vulgarizados), e muito pouco estava sistematizado. Sobretudo no final dos anos 70, até meados dos 80..

Depois lá se foi fazendo, mas lembro-me de se seguirem, frequentemente, as regras e as normas de outros países (Inglaterra) dada a ausência de normas e de legislação nacional.

Era o caso da Segurança Contra Incêndios dentro dos Edifícios, ou do dimensionamento de máquinas e equipamentos, como por exemplo acontecia com os elevadores.

Divertido, ou importante constatação (?), hoje, quando sem ligar o computador nos deparamos com alguns desses materiais, que imediatamente evocam os casos em que se usavam, mais ou menos tipificados. Pois eles são mnemotécnicos: só de os vermos há cadeias de ideias e de conhecimentos que voltam à memória.

Será que quando despejarmos o "atelier" , «desmaterializando», i. e., deitando fora (para o lixo) e sem os ter por perto, os nossos conhecimentos também vão passar a ser muito mais virtuais?

E deixando de ocupar espaço físico, também deixam de ter direito a espaço mental, nosso?

Num -----» "longe da vista", que passa a ser "longe do coração"?

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*A primeira vez que tivemos esta sensação, foi num cursinho no IADE, quando nos apercebemos que poderíamos despejar imensos materiais (que estão nas nossas estantes), se as mesmas informações estivessem num Computador (digitalizadas e acessíveis), ao nosso alcance. Talvez com a diferença que muito daquilo que reunimos, ao mesmo tempo que se juntou, também houve operações de aprendizagem. Por outro lado, e tendo em consideração algumas explicações de Émile Mâle sobre materiais e conhecimentos (vários saberes) que de certo modo ficaram plasmados na arquitectura cristã (medieval), com base nessa sua ideia - com que concordamos e já adoptámos -, reforça-se, imenso, um conceito/noção da materialização do Saber.

**Técnicos que habitualmente davam apoio às obras e aos arquitectos que tinham preconizado (projectualmente) o emprego dos equipamentos e dos materiais que vendiam e representavam

Agora há que tentar restaurar

E gozar o Sol


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