Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
31
Mai 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Durante anos – foram pelo menos duas, senão 3  décadas...? – ensinámos aos nossos alunos tudo o que pudéssemos saber sobre a Cortiça.

 

"Que pudéssemos", e que por isso estudámos* (ou nunca abandonámos)!

Pois fazia todo o sentido ser usado (sem parcimónia, abundantemente), como material natural que é muito superior, em várias das suas qualidades, aos diferentes materiais plásticos**:

Como por exemplo o Poliestireno expandido (esferovite), ou o Poliestireno extrudido. Que neste último caso existe no mercado em placas, com diferentes espessuras e densidades, e com os nomes de wallmate, roofmate e outros «mates» - em geral na cor azul claro.

No caso sendo fibroso, como a extrusão o obriga a ser, destinando-se a isolamentos térmicos, e ou acústicos, das edificações.

Ou ainda - entre outros - o Poliuretano. Um dos muitos plásticos existentes (aqui sem pesquisa ou alguma actualização para escrever este post que, sem esforço, nasce da memória de quem ainda agora podia estar a ensinar esta e outras matérias...):

O conhecido PU, usado abundante e insistentemente, mesmo sem qualquer tipo parcimónia, está hoje, abusivamente, em imensas partes e em inúmeros componentes da construção. Ou ainda, é empregue no fabrico de frigoríficos, nas aparelhagens de Avac, etc., etc., etc.

PU que, enquanto plástico tem características fantásticas que lhe permitem portar-se ora como um termoplástico, ora como sendo um termo-estável***. E esta é também (ainda agora) uma outra substância a fabricar-se, porque, «a querer» rivalizar com a Cortiça...

Mas claro, desde o meio-fim do século XIX, em que se descobriram - primeiro por acaso (a Baquelite=Fenolformaldeído) e depois se inventaram, laboratorialmente, com o apoio da química e da investigação - um grande número de plásticos. Desde então essas substâncias - chamemos-lhes nós substâncias, materiais ou produtos similares (sucedâneos) da cortiça - não pararam de aparecer, em número crescente!

Só que, é sabido, quando na «cabeça de algum professor» há preocupações (informações e conhecimentos bastantes) dirigidos às questões da poluição e da sustentabilidade do planeta, então normalmente essas informações são transmitidas aos alunos, com várias ou muitas advertências relacionadas com o seu uso. Sobretudo em cursos de engenharia, e depois nos de design.

Para que na disseminação - que é o uso final  dos materiais (e depois lixeira!), sobretudo estes que tantas vezes se empregam como descartáveis, não recicláveis e não recuperáveis, os conceitos projectuais - que são associados, em cada ideia e a cada projecto - não venham a descambar/deslizar, mais tarde ou mais cedo, em graves problemas ambientais. Problemas que na prática são agressões contra a Natureza e contra todos nós. Concretamente, sobre as chamadas cadeias alimentares que integram o sistema Ecológico.

Por fim, e não sabendo ao detalhe o que será tratado a partir de 5 de Junho no Seminário Anual da Fileira da Cortiça, desejamos que «os agrónomos» consigam fazer passar para outros grupos profissionais (concretamente para o dos designers) não apenas a ideia de que este é um material português (por excelência), mas também as enorme vantagens de multidisciplinarmente passar a ser conhecido e utilizado.

Ou seja, do ponto de vista da sustentabilidade, o que a Cortiça traz consigo, e os «sucedâneos plásticos» não oferecem...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Para além do muito que em casa se falasse, ou naturalmente se conhecessem e elogiassem, as qualidades da Cortiça...

**Aconteceu-nos ainda ontem, querer comprar uma lona de algodão, e ter que receber «uma lição» de um vendedor. Dizendo que tecidos de poliuretano são plástico (e nesta designação de plástico, para ele estava uma depreciação), mas que já o poliéster e o acrílico (que por falta de outras alternativas naturais lá tive que comprar), que estas duas ultimas substâncias não são plásticos! E assim - com todos os têxteis (e agora também os nano-materiais, produzidos laboratorialmente); com estas substâncias minúsculas e a serem «desfeitas» para serem empregues em partículas de ínfimas dimensões, queremos nós os humanos (que nos consideramos pensantes!), poder alimentarmo-nos de substâncias exclusivamente naturais e sadias? Não impregnadas de partículas plásticas? Queremos, queremos sim. Mas é muito óbvio que dificilmente o evitaremos, portanto habituem-se:

Peixinho com plástico é do melhor que há...

*** E ainda, ora líquido, ora sólido, podendo fazer-se fios que são como ráfia artificial

E no fim, aqui fica registado: "Porque da cabeça aos pés: Hoje (e sempre) ser verde é sobretudo uma questão mental, e não de tapete para os pés!".

Conceptual Design

Por fim, dada a falta de parcimónia no uso de materiais altamente poluentes, que vão sendo empregues como consumíveis, correntes; e tal como nas tampinhas das embalagens, há-de talvez acontecer um dia que tenham valor, como contra-moeda (LX 7/6/2018)

 


28
Mai 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Quem arrisca sempre alcança! Que é como quem diz: valeu a pena o trabalho que deu.

Depois, valeu a pena termos lido com atenção Kenneth Clark e o que «escavou» sobre as Origens do Gótico*.

Pois hoje sabemos, concretamente, de onde esse estilo veio, assim como as formas (ou os motivos**) mais comuns empregues nas obras deste estilo. 

Hoje sabemos porque é associado às monarquias, obviamente!

Hoje sabemos que embora com muito menos informações (em 2001-05) - comparado com o que depois aprofundámos e agora temos -, estão no nosso trabalho sobre Monserrate, informações e ideias muito concretas, que nunca antes tinham sido abordadas. E algumas dessas ideias apenas sugeridas, mas logo depois abandonadas pelos seus autores...  

Alguns falam em Góticos tardios, ou até que alguma emblemática do tempo de D. João V tem associações ao Gótico... E interrogam-se. Não admira!

bíblia Jerónimoas-p.39.bmp

(imagem acima Bíblia dos Jerónimos)

*The Gothic Revival, An Essay in the History of Taste, Kenneth CLARK, Pelican, London 1962.

**Como sempre foram designados por Robert Smith


24
Mai 18
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

... em vários posts

E em geral por aqui

 


23
Mai 18
publicado por primaluce, às 11:30link do post | comentar

... razão pela qual pedimos ajudas, mas deram-nos o contrário!


22
Mai 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... como sabemos alguns Historiadores «adoraram», verdadeiramente, esta expressão.

 

É mesmo, e por tudo e por nada lá vinham eles com as "Viagens das Formas".

Não sabiam onde as formas tinham nascido, nem como, nem porquê? E se, nem de onde vinham nem para onde foram, algum dia - ou já agora há que lhes perguntar se se terão interrogado sobre esta questão? É que o certo, é que lá vinham eles, sempre, repetindo essa expressão que veio, pensamos nós, dos autores franceses?

Terá sido de Focillon...?

Não sabemos, mas achamos divertido ver como as coisas vão «funcionando», e continuam. Só que, actualmente, a poder pôr a dita expressão num motor de busca, e é mesmo muito engraçado ver os resultados que aparecem.

Pois lá estão os títulos de alguns livros, já que por aqui, em Portugal, tudo se absorve muito (acriticamente) e assim se repete, e repete, e repete, até à náusea...

Sobretudo se vier de fora! Sem um questionamento, sem uma pergunta, sem nada! Porque a realidade é imutável (pensam eles!)..., e repetem, e repetem, e repetem...

Como se, atavicamente agarrados ao seu próprio inconsciente (muito próprio e muito individual mas que se torna colectivo), eles se dissessem: "...deram-nos assim, é a Ogiva! Porque havemos de contestar, questionar ou perguntar alguma coisa, se assim está tão benzinho?..."

focillon-o GÓTICO.jpg(índice de H. Focillon, A Arte do Ocidente)

 

Mais, completando a ideia, é sabido que aqui, em Portugal, é proibido inovar!

Sobretudo se for numa escola de design...

Sobretudo se for um arquitecto a explicar como se combinaram e compuseram imagens que depois foram ideogramas;

Sobretudo se for uma professora a leccionar há mais de 40 anos nessa mesma escola...!

 

Sabemo-lo bem, já que os nossos esforços para difundir e interessar outros por uma questão que é interessantíssima - e precisa de ser estudada com mais recursos e mais pessoas (investigadores) -, têm tido zero frutos.

E se começou nos estudos de um mestrado, continuou na Faculdade de Belas-Artes, com Fernando António Baptista Pereira a considerar que todos os seus assuntos eram sempre mais importantes do que os temas dos nossos estudos, ou do que o apoio que era suposto ele como orientador dar a uma orientanda... (porém, gabando-se que tinha dezenas de orientandos...)

Dizem-nos: "que é da Inveja..." - talvez? (é o que temos que responder)

Só que agora o Casamento Real trouxe para as redes sociais, de novo, algumas Tiaras. Sendo que há uma que a Rainha de Inglaterra tem usado em várias ocasiões, e que tem a mesma iconografia que se pode ver na Arquitectura e na Tumulária*:

Imagem de génese Iconoteológica, que foi sinal de união ao divino; ou, dito por outras palavras: a tradução em imagens (e numa época) do direito divino do poder real**.

Imagem que se transformou em padrão a partir do fim do século XI e início do século XII, tendo depois dado origem ao arco quebrado como bem explicou Juan Caramuel de Lobkowitz.

Imagem que nos foi essencial para perceber a origem da Mandorla, e como esta surgiu para traduzir o conceito cristão do Filioque.  Conceito que por exemplo a separação, ou o Cisma Luterano, não fez mais do que reforçar, na senda de uma defesa que já Carlos Magno fizera, impondo o Filioque à própria Igreja, ele que foi «mais papista que o papa»***. 

A peça que é conhecida como The Grand Duchess Vladimir Tiara  terá sido comprada pela Queen Mary em 1921. Isabel II herdou-a.Rainha Inglaterra- Andy Wharol-FS-II_334.jpg

Tem exactamente a mesma iconografia que o túmulo de Egas Moniz, a qual seguindo Owen Jones e a sua Grammar of Ornament, essa Iconografia é de origem bizantina. Será?

tombe-EgasMoniz.jpg

(desenho do túmulo de Egas Moniz, in António Feliciano de Castilho, Quadros Históricos de Portugal, Lisboa 1838)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Desde a casa de Marques da Silva no Porto, a várias antigas "mansões" da Av. da Liberdade, e recuando até ao Túmulo de Egas Moniz onde vimos a imagem pela primeira vez.

**É uma questão antropológica claríssima...

***Se Carlos Magno se impôs ao Império como Protector da Igreja (principal instituição do Império), ele próprio foi, como repetidamente é lembrado, descendente dos antigos invasores. Mas também por isso, criador de uma nova realidade, em que o eixo de Poder, na Europa, se deslocou para Norte; uma «nova geografia» que a divisão luterana veio mais tarde reforçar e dar-lhe continuidade. Enfim, depois do Concílio de Trento vê-se a Europa dividida, o que teve a maior expressão na Arte. Concretamente na arquitectura e no chamado revivalismo do Estilo Gótico.  O estilo que se fez renascer para marcar, o máximo possível, as diferenças entre os apoiantes (e os não-apoiantes) da Reforma. Com os Protestantes a reclamarem serem os verdadeiros cristãos (dada a sua postura de exigência, como fez Lutero, e por exemplo o Pe  Carreira das Neves evidenciou...). Contra os apoiantes da Contra-Reforma de Roma, a quererem evidenciar que continuavam a usar o Estilo dos primeiros Imperadores cristãos (os que levaram à oficialização do cristianismo): i. e., o estilo que é por isso chamado Paleocristão.


21
Mai 18
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Meanwhile


18
Mai 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Sim, esta frase de Rudolph Arnheim podia ser um slogan; uma maneira de atrair alunos para uma qualquer escola de Design:

"Thinking calls for images and images contain thought. Therefore the visual arts are a homeground of visual thinking..."

Como aliás o mostram as duas imagens seguintes, feitas ambas para traduzir conceitos essenciais (dogmas - como se dizia frequentemente) do Cristianismo.

No primeiro caso a imagem foi obtida (fotografia nossa há uns anos) numa obra de Jacques Dalarun

P1010070-credo e y-c.jpg

E no segundo caso, cujo esquema é equivalente ao da 1ª imagem - mas estando depurada de outras informações visuais tendo ficado apenas o Diagrama essencial -; a imagem seguinte veio de Edward Norman, do seu livro - The Roman Catholic Church, Thames and Hudson, Londres 2007, p. 36.

Como está na legenda a) serviu para esquematizar o Credo de Atanásio; e b) deriva de um manuscrito do século XIII (provavelmente o mesmo que está acima?).

CredoCristão.jpg

E se "Podia ser mas não é", como se escreveu no título; ou seja, se a frase de Rudolph Arnheim não é ainda levada a sério, como o são outras disciplinas e outras práticas, é porque a Arte está ainda muito longe de ser (bem) percebida. Não tanto a Arte Contemporânea, mas sobretudo a Arte mais antiga: que nasceu como uma escrita e ligada ao Pensamento.

Enfim, porque a Arte (e muitos dos seus estudiosos) também continua longe de perceber a enorme vantagem de se auto-conhecer, num contexto de Neuro-ciências**.

Portantto fortemente ligada à Linguística e à Semiologia

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Podia ser se à frente das escolas de design estivessem pessoas competentes e sabedoras nas áreas da Imagem, ou até, melhor dizendo, com uma verdadeira cultura visual e o que a mesma implica na mente. Isto é, de um "deep lying-point of agreement", de que S. Freud escreveu, como já registámos 

**Temos vários posts sobre o assunto. Em geral com o apoio de textos (e o que compreendemos deles...) de António Damásio.Usem essa tag e vão encontrar


17
Mai 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Dado o interesse dos leitores, renovamos a chamada de atenção.

Veja aquiaqui - neste último caso (endereço geral do blog) procurando com o motor de busca

Mas hoje há mais:

designessencial.jpg

Já que foi a partir do Design (devemos-lhe isso) que chegámos aos IDEOGRAMAS MEDIEVAIS; ou à «escrita» de que António Quadros escreveu.

 

 


14
Mai 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... há um outro mundo, lá fora, cá dentro, onde quisermos.

Mais rico, do que é o tédio de pouco ou nada fazer (lisboeta), de certeza!


12
Mai 18
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

... sugiro que oiça:

Mais, sendo essencial (nalgumas profissões) conhecer o país e a sua população, pergunto-me porque é que as escolas não fazem parcerias com a PORDATA?

Porque não há Ciclos de Conferências, onde se levem aos alunos de cursos de arquitectura e de design, informações que são de grande importância para as respectivas práticas profissionais?

Fica a sugestão e as perguntas, dirigidas ao nosso principal L(R)eitor/decisor:

Pois já que «açambarcou» poderes a que numa situação normal e honesta não teria direito, ao menos que faça bastante mais pela vida dos outros, e que os promova. mesmo! Na sua casa das artes, para não serem só licenciados (de ou) da fachada...


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