Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jan 18
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

POIS! Porque não recordar, e deixar escrito, o ambiente que vivi nos primeiros meses na FL-UL, quando aí cheguei em 2001, para fazer um Mestrado que, para os profs. seus criadores era/iria ser «um total furor»!

 

Pois comigo foi o que se viu, já que - então com mais de 50 anos** -, «adorei aquela escolinha»!

O pior foi mais perto do fim, quando depois de ter aprendido bastante, comecei a pensar e - ao digerir tanta informação com outros atouts, que os tinha há 25-30 anos (assim como não tinha barreiras mentais) -, passei a ver tudo doutra maneira (e também a ensinar, coisa que o «pessoal» não gostou!):

 

"...É mesmo isso: Em 2001 assisti na FL-UL ao disparate de ver chamarem Arquitectos e Engenheiros assim: "Venham todos para este ensino que é o melhor do mundo! Venham fazer mestrados em Arte, Património e Restauro, porque o Património é essencial, multidisciplinar e sabe-se lá mais o quê? Venham ser Gestores de Património; descubram as 'Origens do Gótico'; Engenheiros expliquem-nos estas estruturas que na Idade Média se faziam... E quando eu (com mais de 25 anos de vida profissional!) começo a dar respostas e a perceber que tudo aquilo era TEOLOGIA, posta em imagens escultóricas 3D, ou em detalhes construtivos; assim como a mostrar a lógica de toda essa imagética medieval, então a Maria João B. Neto ainda está do meu lado e ajudou-me imenso. Até que o Vítor Serrão obrigou-a a pôr uma pedra sobre o assunto... E a dita prof., com medo de perder o emprego (?) calou-se. Toda a razão (Cara Amiga, o meu exemplo mostra-o) é proibido saber pensar..."

Escrito em 11.01.2018, a ver aqui

capa-monserrate 001.jpg

bilhete-beckford 001.jpg

Na imagem acima uma mandorla - moldura que foi significante e proliferou na arquitectura oitocentista (de influência inglesa, como se vê muito na cidade do Porto). Por vezes, e mais tarde, substituída pelo losango, que sendo a rectificação da mandorla era também mais fácil de executar, principalmente nos trabalhos de carpintaria de portas e janelas.

Imagem que, insisto, prolifera ainda em muitas Portas. Vejam por exemplo em moradias na Linha do Estoril, Costa do Sol, edificadas entre os anos 40-60. E «sabendo ver» é fascinante:

Coisa que os cursos de História da Arte, normalmente não ensinam (a ver). Já que apelam à memória, com os profs. a obrigarem os alunos a fornularem ideias e a exprimirem leituras que tantas vezes não se podem fazer a partir das obras (ou como eles impingem, nas suas visões tão retrógradas quanto imobilistas).

Claro que as ditas moradias dos Estoris, do Porto, da Granja..., feitas assim porque, alguns sugerem-no (?), elas obedeceriam a regras de uma «arquitectura de veraneio»!? Porém, com outro olhar, todas essas obras são fascinantes. Ajudando a compreender a força da tradição e do hábito, para aquilo que normalmente é chamado o Gosto

Um GOSTO que se deveria aprender muito mais com exemplos práticos, e menos com os excessos de «erudição filosófica» que, normalmente se ligam à Estética***

~~~~~~~~~~~~~~

*Designação de um Programa da Rádio Renascença que trata de livros, mostrando como dentro do volume de um livro tudo se aproveita: Na capa (acima) um desenho do Palácio de Monserrate (Arquibet - ano 2000?), com cor e retoques nossos. A planta de cobertura é (nossa) de 1987. Na contracapa outro desenho: informa ter sido um bilhete para o leilão da casa de William Beckford (em Inglaterra, séc. XIX).

Em 2008, quando o estudo é publicado pela Livros Horizonte (graças à visão de Rogério Mendes de Moura) já estava inscrita no doutoramento. Já havia muito mais informações, e algumas dessas novidades passaram a estar registadas na contracapa do livro. E porque as pesquisas não terminaram (deviam aliás estar a ser trabalhadas nalgum estabelecimento de Ensino Superior que se prezasse, e com equipas de investigação com objectivos sérios!) hoje é imenso o material que extravasa o nosso volume policopiado inicial. Por isso, uma das apresentações do doutoramento, feitas no Instituto Francisco de Holanda (da FBAUL), o referido Power Point começava assim:

depois-MONSERRATE.jpg

(a tentar traduzir como Monserrate, e a arquitectura victorian, pode ser geradora de imensa informação).

**Percebe-se hoje que a transição do Ens. Sup. para o modelo de Bolonha foi feito com graves prejuízos para muitos (e para toda a Ciência que é normal produzir-se nas Universidades). Percebe-se também que o nosso estudo deveria ter sido (logo) um doutoramento, ou, posteriormente equiparado...

***E esta foi a lição mais preciosa aprendida na aventura em que me meti já depois dos 50.  Eu que sempre tentei explicar, a clientes e a alunos, tudo, de modo acessível e fácil de compreender. Claro que também vieram ao de cima as aldrabices e desonestidades que não calo. Nem calarei! Quanto mais não seja pelos mais novos (da minha, e todas as famílias). Para quem não posso desejar aquilo que aconteceu:

Já que nesta (nossa) luta há de tudo, incluindo o tratamento desigual feminino-masculino (o tal eufemismo ainda se chama «de género»)...


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