Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Nov 17
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Neste caso, muito do que se reuniu na investigação dedicada a Monserrate foi o culminar de inúmeras leituras, também de pesquisas e de variadíssimos dados que se juntaram. Junção, ou reunião em que a memória tem um papel preponderante na interligação das partes logicamente associáveis. Quer na associação de imagens que aqui e ali, parecem estar a repetir-se*; quer ainda no ressurgir, mais do que uma vez, dos mesmos nomes.

Se hoje chamamos a um desenho a nossa «Pedra de Roseta», o que dizer por exemplo das leituras sobre William Beckford em Portugal, sobre De Visme, ou ainda sobre o Embaixador de Inglaterra, que foi Robert Walpole?

BHS-PORTUGAL 001.jpg

Ou, o que dizer do facto de termos notado – por que já antes memorizado, nessas muitas leituras... - a coincidência do seu sobrenome ser o mesmo de Horace Walpole, e de Robert Walpole (pai de Horace), de quem se diz ter sido o 1º PM inglês?

As dúvidas faziam sentido, eram precisos dados mais concretos e assim em Março de 2002 perguntou-se à Embaixada inglesa em Lisboa, que informações dispunha sobre Robert Walpole. Do embaixador vindo de Londres, que deambulou por Lisboa e arredores - Sintra, Mafra, Queluz, Belém, Benfica - com Gérard De Visme. Uma proximidade que muito desagradou a William Beckford, que por isso se queixava, porque lhe impediam uma aproximação à Corte: i. e., à Rainha e ao Príncipe D. João...

A pergunta foi feita e a resposta obtida foi esta:  

"Hon Robert Walpole. Envoy Extraordinary and Plenipotentiary 1771-1800.

  Credls., instrs. and separate instrs. all 27 Dec. 1771 in F.O. xc, 50; credls. (to new sovereign) 25 March 1777 in F.O. xc, 50.

  Arrived Lisbon shortly before 26 Jan. 1772, did not deliver credls. till 8 March 1772.

  Dispatches, etc.: B.M. Add. MSS. 23670, 24158-73 passim, 28064. 28066, 35540, 35542-3,  35609, 35612, 35618, 36811, 38310, 38395; Eg. MS 2701; H.M.C. III, 250; 250; V, 254; VIII, pt. 2 121 f.; Leeds MSS. 55.

  Secretary: William Mottier (H.M.C. VIII, pt. 2, 125)"

 B.M. - British Museum

H.M.C. - Historical Manuscripts Commission

A informação pode parecer curta (?), mas por outras fontes, incluindo por exemplo uma Carta de Mme. Du Déffand a Horace Walpole; cruzando várias notícias consegue-se «imaginar» como viveram, por aqui, no século XVIII, "os ilustres visitantes"    

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*É quando por acaso nos lembramos e questionamos (quase inconscientemente): "Onde é que já vi esta imagem? Onde é que já li ou ouvi aquele nome?, que paramos e reparamos. É nessa altura que o assunto passa do inconsciente ou do sub-consciente para o consciente.

E depois, com Ciência, percebe-se que vale a pena ir saber melhor...


27
Nov 17
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Futuro com maiúscula, porque é isso que se pretende - seja grande! .

 

Hoje a ideia de Desenho, como concepção de algo (ou o design de alguma coisa) ultrapassou a fronteira das profissões dos que, habitualmente, se ocupavam a pensar as imagens do Futuro.

Antes eram quase só os arquitectos, os desenhadores ou os designers; os engenheiros e também ainda os economistas - planeadores do território e suas actividades económicas... - quem falava da concepção e do desenho das soluções que iriam inovar, ou remodelar (para melhor), o que já existia: i. e., por exemplo as designadas «realidades pré-existentes», da gíria profissional dos arquitectos.

Realidades que, seguindo o seu método de actuação (a chamada metodologia projectual - que continua a ser, frequentemente, uma disciplina dos primeiros anos de muitos cursos), eram obrigados a conhecer, fazendo por isso vários levantamentos (das situações).

E levantamento é uma outra palavra conotada com várias das profissões acima mencionadas. Só que, para muitos, um levantamento da situação existente, limita-se a ser um desenho...

Nada mais errado, já que nem tudo se exprime, ou traduz facilmente, por desenhos e esquemas. O texto (corrido, normal, descritivo) continua a ser preciso e necessário nas referidas profissões, como nas outras.

E em muitas delas, o levantamento (do existente) - que se resume e apresenta com peças escritas e peças desenhadas - não é senão a especificação de um caso concreto.

Caso(s) concreto(s) que em geral não são excepções (embora possam sempre existir as excepções que confirmam a regra!); ou seja, os casos que por isso integram as visões gerais ou generalistas que se aprendem, por exemplo, nas disciplinas de História: história da arquitectura, história do mobiliário, história do design, história da vida privada, história das ideias, história da filosofia, etc., etc.

Ou seja, todos os etcs. que se quiserem ter, por uma óbvia necessidade metodológica. Sendo que esta se prende, felizmente, com a ampliação (e a pulverização) do Conhecimento, relativamente ao que era, por exemplo, no tempo de Marciano Capella*.

Porém, há que não o esquecer, que em cada «ramo» ou área desse Conhecimento, mais recentemente, quem os separou e os «pulverizou», pode não ter visto ou compreendido que ao separar estava a cortar continuidades lógicas, que sempre tinham existido...

MoyenÂge 002.jpg

 (contra-capa do Dictionnaire du Moyen Âge)

Esquecendo-se que há dentro de nós, vindos de há milhares ou centenas de anos - recebidos formal ou informalmente? - inúmeros dados, informações, desenhos, sons, frases, sentenças, ditados provérbios; mas também há ainda cheiros e sabores recriados, e cujas origens interessam conhecer.

Interessando sobretudo aos criativos, desenhadores do Futuro, para as pôr, ou repôr**, ao serviço das suas variadas actividades e profissões: Novas profissões que estão a nascer em cada dia que passa...  

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* Marciano Capella, no séc. V escreveu De nuptiis Mercurii et Philologiae - uma extraordinária metáfora alusiva aos Conhecimentos que então se deviam reunir (e razão para a designação do Ph.D dos dias de hoje).

**Não esquecendo que algumas «receitas» - em geral bem sucedidas -, como é a de "tradição e modernidade", ou a de "inovar com peças antigas", para se obterem soluções e ambientes com imagens (e sabores) a que se está habituado;

Acontece que estes objectivos concretos exigem bastante subtileza e muito saber. 


23
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... não é fácil mudar a História: principalmente os erros acumulados.

Por isso há que não desistir

 

Sobre Monserrate, o trabalho de investigação (que me fez «abrir os olhos») foi defendido na Faculdade de Letras, com um título resumo das principais novas ideias: ‘A Propósito do Palácio de Monserrate em Sintra – obra inglesa do século XIX – Perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica’.

E as «palavras-chave» escolhidas foram: Diagrama Medieval, Sobrevivência do Gótico, Aqueduto de Lisboa, Neogótico, Romantismo.

Mais tarde (2007), sendo preciso encontrar um título mais curto - e podendo esta escolha parecer muito simples (a aprovar por Rogério Mendes de Moura, da Livros Horizonte) – surgiu  ‘Monserrate uma Nova História’, como está publicado.

Só que ainda obrigou a um demorado brainstorm... 

Em geral, nas ditas «tempestades mentais», no fim não é muito claro de onde veio a melhor ideia, ou o porquê da preferência? Mas connosco, quando  enfim se disse “Nova História” (e se ouviu...), percebemos que a procura estava acabada. Pois com esta expressão englobava-se muito mais: ligando ao movimento Nova História surgido em França, com o intuito de não se verem apenas os grandes factos*.

Aplicado a Monserrate, pensávamos, iria mudar a maneira de contar a História da Arquitectura da Quinta de Sintra-Colares, que sempre foi, para todos, um enorme enigma**. De futuro, talvez não se ouvisse mais uma longa-lenga-lenga, que começava por um cavaleiro moçárabe, que se tinha batido..., que construíra uma capela..., e ainda o padre Gaspar Preto..., uma peregrinação a Monserrat, etc., etc.

O resumo da nossa investigação dedicada a Monserrate não está publicado, mas pode-se ler aqui: http://primaluce.blogs.sapo.pt/129187.html

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*Ver por exemplo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_dos_Annales

**Desconhecimento que levou, numa visita oficial a um país do Médio Oriente, a Sra. Ministra da Cultura (Isabel P.de Lima), a pedir apoios para o restauro de uma obra que, por maior/melhor síntese que seja - entre as arquitecturas do Ocidente e do Oriente -, é acima de tudo um retrato da Globalização e Imperialismo Inglês, no século XIX.

  

 


22
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

O que pode parecer hesitação no pronome - ser minha ou nossa? - não é senão propositado, uma preocupação com a concordância.

 

No singular porque há um sujeito que é só ele, no plural porque como explicou Umberto Eco é assim que se escreve uma tese. E claro que a postura que tive ao escrever a tese se mantém, em geral: esteja aqui ou na universidade, porque é o mesmo objectivo.

Mas então, afinal o que é a Pedra de Roseta? A Wiki diz.

Acontece que em 2001 quando Maria João Neto dizia ser essencial perceber "As Origens do Gótico para perceber Monserrate", alguém pôs-nos à frente dos olhos esta imagem:

tumuloEgasMoniz-A minha pedra da Roseta.jpg

E foi assim, que um desenho a retratar os Monumentos Sepulcrais de Egas Moniz e seus Filhos - integrante de uma publicação de Júlio de Castilho -, se veio a tornar (completado por muitas mais infos, e a imagem abaixo na qual já estávamos a pensar) na minha/nossa Pedra de Roseta.

Isto é, foi um auxiliar precioso para «a tradução» daquilo que para muitos constitui um símbolo ou um código (secreto*).

Mandorla segundo James S. Curl

Interessantíssimo ainda, é que entretanto tenhamos podido saber que James S. Curl (que foi para nós um autor e fonte de informações extraordinário) escreveu este título, em 1991: The Art and Architecture of Freemasonry. An Introductory Study, como aqui se informa.

Por fim, uma ideia (muito gira!) de A. Quadros:

Queria que houvesse um Champollion para o que considerava ter sido uma escrita ibérica.

Escrita que é impossível não associar às informações de um dos nossos posts anteriores.

Acontece que há muitos mais posts, mas sempre nesta linha: por se ter a consciência que «rabiscos e gatafunhos», como hoje lhes podemos chamar**. Foram como mapeamentos a tentar explicar e exprimir (por esquemas) o Deus Cristão. Porque a noção de Unidade e Trindade - ao mesmo tempo - não é fácil de traduzir por palavras.

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*Secreto e emocionante, na acepção que Umberto Eco reconheceu (com ironia) estar nas palavras símbolo, código e outras semelhantes. Para ele, quem ouve estas palavras, de imediato lhe acorrem, mentalmente, as mais variadas teorias (da conspiração)...

**Ou, em alternativa, por esses esquemas se assemelharem a diagramas projectuais (arquitectónicos), alguns poderão dizer "dataflow diagrams". E o que é interessantíssimo na História da Arquitectura, por exemplo depois de Leonardo da Vinci, é poder perceber-se a evolução dos mais simples Diagramas Medievais, que eram para serem vistos sem distorções, ou em Alçado, a tornarem-se em formas  muito mais complexas (e muitos mais ricas em todos os sentidos, inclusive numa tridimensionalidade que passa a ser perspéctica), imprimindo ao Maneirismo, e sobretudo depois ao Barroco,  aquilo que vem a constituir, e é ainda agora assim considerada a sua principal característica!


19
Nov 17
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... mais todos os que defendemos a ideia de que "a forma segue a função". Como ficamos (perplexos?), e o que pensamos (?), quando vemos a alteração de uso que é feita dos objectos?

Quando se põem «ao serviço de outras funções», que não aquele para que foram feitos, objectos e equipamentos, que assim se tornam redundantes...

E para «alindar» este post - que é como quem diz sem sentido decorativo (o que etimologicamente a palavra decoração confere) - inclui-se uma imagem escolhida para frontispício de um livro, por Philibert de l'Orme; ele que foi um dos principais responsáveis da transmissão de ideias essenciais relativas ao estilo françois (gótico)

frontispicio-philibrtDelorme-2.jpg


17
Nov 17
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Mais: estamos todos a confiar neles!

 

Os povos do passado que todos temos tendência para achar incultos, impreparados e desconhecedores (de toda a tecnologia), pelo contrário não o eram. Mas, claramente, as suas praias foram outras, noutros tempos:

Em que não se era websummiter de aparência ridícula, e histeria ainda mais notória”. E portanto não aparecendo com «falsas Sofias». Porque a sua Sophia era, vernácula, i. e., verdadeira!

Ou seja, eram detentores de toda uma sageza (ou sabedoria ancestral) que não desprezavam, nem podiam, por ser o principal garante da própria sobrevivência...

Como escreveu Bernardo de Chartres, sabiam ser devedores a todos humanos que os tivessem precedido, por mais longínquos que fossem.

E aqui está a prova (imagem e texto abaixo) – dando assim continuidade ao post de 16 de Nov. -, de que as técnicas milenares ainda são válidas, e necessárias, hoje.

Como aliás vem a ser explicado pelo Min. do Ambiente, e oxalá não tenha ele/ou tenham todos, acordado tarde de mais?! Pois embora a desconfiar muito, ainda estamos a confiar: há todo um país a depender do seu trabalho...

Recolher a água em cisternas não foi uma sabedoria/técnica que ficou no tempo de árabes e moçárabes, ou que inclusivamente chegou ao “çaloyo” de Sintra*.

Sabemos que depois de 1640, no litoral que dá acesso a Lisboa (do Guincho a Cascais até à capital, estão lá, e algumas vêem-se**), com o intuito que tinham de evitar que os barcos espanhóis pudessem entrar nas praias (muito NOSSAS!).

Para isso foram construídas linhas de mosqueteria, fortins e pequenas fortalezas. E estas últimas, sendo maiores e podendo ter maior número de «soldados» aquartelados, precisavam de guardar mantimentos e água. Assim foram empregues técnicas, artes e saberes ancestrais, que talvez poucos saibam datar (?).

Lembro-me de em 1978-80s,  ter visto em Pêra – no aglomerado interior, que mandava armar, para a pesca do atum, a que é hoje a badalada cidade de Armação...  Aí, numa pequena propriedade rural, e sob uma eira de aspecto muito mais rústico do que a da imagem, vi uma cisterna antiquíssima***. Prevalecia, era valorizada pelos donos, como um “atout” contra a seca. Embora não fizessem a menor ideia de quantos séculos teria?

ArquitecturaPopular-cisterna-Tunes.jpg

ArquitecturaPopular-AlgarveCisterna.jpg

 (De Arquitectura Popular em Portugal, edição do Sindicato Nacional dos Arquitectos Portugueses, Lisboa 1961, volume 2, p. 291)

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ver Physiologia do Saloio, de A. Da Cunha Sotto Mayor, Reimpressão Anastática, CM Sintra, 2005.

**Vêem-se, as cisternas por exemplo na Cidadela de Cascais; mas também se vêem os Fortes e as Fortalezas. Algumas ganharam visibilidade no séc. XIX, com as casas e os palacetes (neomedievais/neogóticos) construídos a aproveitar as estruturas pré-existentes. Não apenas pelas potencialidades desses locais e implantações, mas, já se defendeu, tirando partido de um sentido (“régalien”) que não deixavam de ter. Pois tinham sido mandados edificar, directa ou indirectamente, pelo(s) rei(s).  

***Devo ter feito fotografias P&B (?) mas na minha mente, meio-desfocado, está a «foto» de uma cisterna quase tão perfeita quanto a do Convtº S. Francisco no Chiado. Embora de dimensão muito mais reduzida, talvez 12x12, em abóbada, com 4m, ou mais, de altura...?

E ainda se quer acrescentar:

Sei que são várias as igrejas, párocos e bispos que rezam a pedir a graça da chuva. Óptimo, rezamos todos!

Mas ouvi (em 16.11. 2017) uma Profª da Univ. Nova, na SIC, a explicar que na Austrália, ou em Israel, há bem menos água do que em Portugal. Só que, explicou, há toda uma cultura de prevenção e poupança, «a montante», dizemos nós, das orações a S. Pedro. Até porque depois, durante as chuvadas, tempestades e trovoadas, passa a ser Santa Bárbara - «a santa mais requisitada» de todos os Céus!

E entre S. Pedro e Santa Bárbara, a sério... - já que ora se pede a um, ora se pede a outro, parecendo um jogo de tenis (ou um Panthéon pagão)? -. (nós aqui) achamos demasiado «sintomática» tanta idolatria: Lembrem-se do Papa Francisco, e da sua pregação, que faz (talvez?) bastante mais sentido. Sobretudo exige seriedade


16
Nov 17
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Vindas dos que habitaram e conheceram bem o país.

 

Se a constituição geológica do solo orienta e define o destino do homem no lugar, comummente o clima desse lugar determinará a sua vida, amoldando a sua existência física e psíquica e definindo a sua actividade, o seu comportamento, o seu agregado familiar, a sua habitação, o povoado e a região.

A inclemência ou a amenidade do Sol, a ausência ou a abundância de chuvas, a frequência de ven­davais ou a brandura das brisas, paralelamente com a riqueza ou pobreza do solo e seu relevo, a mon­tanha, a planície, o rio e a presença do mg, r, encaminham o homem para o seu destino. Ele observa e estuda todos os fenómenos que o rodeiam, estimulando a sua imaginação. Trabalha e constrói em acordo com todos eles, identificando-se coerentemente com a Natureza.

0 clima, caracterizando o meio, define inexoràvelmente toda a actividade humana — o trabalho,, a alimentação, a psicologia, a família, a,casa.

Embora variado o clima no País, são, no entanto, muito importante as influências climáticas Atlân­tica e Mediterrânea, dominando a última sobre a maior parte desta zona de trabalho e especialmente sobre o Algarve.”

Excerto (com sublinhados nossos) vindo de Arquitectura Popular em Portugal, edição do Sindicato Nacional dos Arquitectos Portugueses, Lisboa 1961, volume 2, p. 279.

O.Ribeiro 001.jpg

Lições que também recolhemos no livro acima, e se recomendam, a todos:

Sobretudo aos «responsáveis deste país»: tão desconhecido, tão mal-amado, tão vergonhosamente desgovernado!

E mais


14
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Sobre a técnica de Richard Feynman

 

É que ainda a propósito do assunto Origens do Gótico, que a nossa orientadora fez questão que conhecêssemos, para segundo ela "se poder compreender Monserrate"; note-se que desde então ficámos totalmente convictos, da importância do rabiscar, e do fazer esquemas, para conseguir visualizar as ideias difíceis, ou as mais complexas.

Desde essa data pudemos perceber como esquemas das ideias essenciais do Cristianismo*, se vieram a tornar, mais tarde, em ornamentos e iconografia dos estilos arquitectónicos.

O desenho de alguns arcos, terá correspondido a uma «moldura apologética», que tinha nascido de um doodle e depois se transformou em Ideograma---->mais tarde em Emblema------> e um dia em Arco (ou outro elemento arquitectónico).

Sendo que esses arcos, estiveram primeiro em relevos esculpidos, de pequenas dimensões: como por exemplo em dípticos e em túmulos. E só no fim de um processo evolutivo, se tornaram elementos de suporte (efectivos) integrantes dos edifícios.

túmulo rainha santa 002.jpg

Acima o túmulo em pedra de Isabel de Aragão, a Rainha Santa, atribuído a Mestre Pêro, c. 1330, Coimbra, Igreja de Santa Clara-a-Nova**.  Seguem-se excertos que ampliámos, a sublinhar a sua beleza, mas também para evidenciar as arcadas (molduras) em que diferentes figuras, ou cenas bíblicas, foram inseridas. Para traduzir a ideia de que se tratam de Santos, que acreditam ou acreditaram num Deus trino, como está expresso nos arcos em trifoil (ou trifoliados) abaixo.

túmulo rainha santa 006.jpg

túmulo rainha santa 004.jpg

Mais tarde foram construídos esses arcos (trifoliados - i. e., condizentes com a noção de Deus, mais aristotélica, vinda de S. Tomás de Aquino), em obras de toda a Europa:

Existem no Mosteiro da Batalha, e também em edificações e Palazzos de Veneza - como o Palácio dos Doges -, que Monserrate, em Sintra, e desde o século XIX, recria.  

 ~~~~~~~~~~~~

*Por exemplo, diferentes expressões de dogmas sobre a unicidade e a trindade do Deus cristão: concepções que evoluíram ao longo do tempo, geraram diferentes Ideogramas, e estes diferentes Arcos (em épocas diferentes)

**Informações e fotos em detalhe vindas de História Religiosa de Portugal, dir. D. Carlos Azevedo, edição Temas & Debates, Lisboa 2004, vol. I, pp. 472-473.


13
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Labo-design.jpg

Também se fazem «experiências»

 


11
Nov 17
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Ou a procurar, e a encontrar, o maior sentido possível?

Para divulgar Ciência e inovação nas Artes Visuais, com o auxilio das redes sociais*?

De quem prometeu que não se iria calar, por haver algo maior que se deve saber e espalhar, independentemente da 'mediocritas' ditada pelos profs universitários

expresso-28.10.2017 002.jpg

Com os vultos - na capa de uma Revista do Expresso -, de quem nos ajudou a perceber melhor algumas noções que Mary Carruthers (sobre a emoção na contemplatio) e Rudolph Arnheim (sobre ideias expressas com recurso a imagens) já tinham explicado. Mas sem as neurociências...

No caso de R. Arnheim, o facto de frequentemente não se ter a noção (que exige uma introspecção) da maneira, e a que nível, vamos pensando? Ou seja, o pensar o pensamento, para o qual este autor chamou a atenção...**

Por fim, sobre a existência de um Pensamento Visual, porque se faz com base nas imagens, e da «ideia mental», inata ou imediata (?), que temos das mesmas. Por isso dizemos o que pode parecer cacofonia: um pensar do pensamento.

Pensamento Visual que assim esteve na origem de Sinais, os quais, apostos nas edificações e na arquitectura***, deram sentidos específicos a essas obras. Como sucede nos designados estilos neomedievais, neoromânicos, neogóticos. Ou, nas obras cascalenses, que são chamadas - muito sui generis, e talvez inventado cá  burgo...? - "Casas de Veraneio".

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*Em resposta ao vazio que são as Universidades...

**Ver folha A4 repleta de "doodles", integrante do post anterior

***Sinais falantes ou Ideogramas, como lhes temos chamado

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