Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
31
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Falamos de sínteses, de sínteses de ideias: estão num documento chamado lisboa passport

 

Quem eventualmente tenha lido o nosso perfil pode ter apreendido uma declaração de amor à Baixa Pombalina? Mais concretamente, a algo que é também legível na arquitectura portuense, que é o seu palladianismo.

Dir-se-ia que este é ainda temperado por uma boa dose de sinais que estão no georgian: i. e., a corrente estilística em que o classicismo está combinado com sinais da arquitectura cristã. Não apenas uns "arabesques" (também conhecidos por "entrelaçados") colocados aqui e ali, mas sobretudo vãos com proporções estudadas - num tempo em que o (bom) gosto se estudava e discutia - e alguns vidros coloridos com desenhos que já Félibien tinha deixado no seu Tratado. Sendo em geral esses vãos com bandeiras curvas (fan windows) com diferentes tipos de trabalhos, e pinásios, que podem ou não ser radiais a lembrar o leque da designação em inglês...

Mas, continuar a tentar sintetizar as características do georgian, que embora não sendo um estilo português (mas por aqui bastante abundante) para falar do lisboa passport pode ser um gosto imenso, apesar de não deixar de ser um gasto excessivo: por ser uma «memória e percepção» que é nossa, que a maioria não tem, e por isso muito menos valoriza. Também porque é um fundo em que esses monumentos estão, e depois porque, aliás é sabido, nunca ninguém segue um solitário (só quando forem muitos, e for visível, então a multidão imita, «macaqueia»...).

Assim, lindo, lindo - ou linda!? - é a miniaturização desenhada (ou sínteses que foram depuradíssimas) de alguns dos mais belos exemplos da arquitectura lisboeta. Monumentos que também sabemos terem sido memoriais e sínteses de grandes ideias. Sínteses que nem sempre são macros mas sim micros (porque é nos detalhes*, algumas vezes quase microscópicos, que estão alguns dos vocábulos visuais e elementos mais falantes das obras), que por isso desaparecem nestas miniaturizações de que estamos a escrever. Ficando as linhas gerais, volumes principais.

E essas miniaturizações (ou resumos), por vezes são  equiparáveis a sínteses (mas, atenção, nem sempre!).

Neste post sobre "sínteses de sínteses de ideias" quando se lê a história do inventor/criador do lisboa passport - Nuno Martins - percebe-se a sua imensa sensibilidade, o amor que pôs nos desenhos dos monumentos que miniaturizou, como se fossem vistos de longe. Percebe-se, como bem sabemos, que estes tempos de destruição de valores, e de pessoas, obrigam a uma imensa luta por tudo aquilo em que se acredita**.

Por fim, há que o dizer (como fez Pedro Falcão/Simão Aranha para o seu Cascais Menino), que este país pequenino e «miniatura muito queridinha» um dia há-de crescer. Espera-se.

Ou, como inspirado na Expo 98 e assim transformado para - turista consumir-, percebe-se também como a zona central de Lisboa «virou» uma espécie de grande feira do tipo disneylisbonland?

LX-passport.jpg

http://www.lisboapassport.pt/index.php/pt/carimbos

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*É sabido como muitos gostam de afirmar que "o diabo está nos detalhes", mas, por nós - que sempre soubemos que um edifício ou uma ideia se exprime primeiro nas suas linhas gerais, passando depois aos pormenores ou aos detalhes. E é assim o método de projectar (se houver metodologia e o seu ensino?), por nós nunca diremos que o diabo está nos detalhes. Porque a qualidade, e o que diferencia são precisamente os próprios detalhes.

**Lutar por aquilo em que se acredita: como por exemplo se alguém tivesse lutado para que carrinhas ilegalmente superlotadas de imigrantes não atravessassem a Europa para os trazer de volta às suas aldeias, como há dias sucedeu. Se essas lutas acontecessem, sem desistências, talvez não tivéssemos que lamentar acidentes graves e percas de vidas?

Porém, há sempre ganância bastante: quem queira validar o inseguro e o ilegal, a pretexto de que nunca houve nenhum desastre...


28
Mar 16
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

... há também sempre a hipótese de se fazer um Doutoramento Premium*

Porém escusa todo ou algum de ter ideias tristes porque esse felizmente (e sobretudo orgulhosamente) nunca foi o nosso caso!

 

O que desde já se esclarece: os referidos 'doutoramentos premium' são de pessoas que não «aguentavam» mais as situações em que estavam, mas que, sendo bem quistas (pelo seu servilismo?, ou mais a boa vontade e jeitos justos e oportunos que sempre dão... felizmente), lá obtêm enfim o que outros - substancialmente mais rigorosos, ou de cerviz que não dobra (como Moisés disse do seu povo) - não aceitam**.

Esses não vermiculares e indobráveis, para eles seria uma imensa afronta terem que prescindir das respectivas investigações, porque eram elas, o mais forte e o verdadeiro móbil dos seus estudos. Nunca prémios.

Ou seja, depois de feitas certas descobertas em fases anteriores de um trabalho de investigação (o que nos lembra uma frase extraordinária de Montesquieu), o grau a adquirir perde todo o valor! Porque já não é ele - o Conhecimento - que está em causa. Porque comparado com os meros formalismos mais teatrais e da simbologia visual (a que se chama encher o olho), o dito doutoramento esvaziou-se. Já não é a curiosidade, já não é o conhecimento, é poluição e blablabla visual... É, como por acaso neste momento ouvimos na TV, "...as pessoas já nem são pessoas, perderam toda a essência, tornaram-se sombras em movimento..."

E assim, sobre estas notícias surpreendentes e díspares (de disparate), para quem esteve fora, chegar é acordar para a realidade.

Mas, tais descobertas trazem-nos também a esta outra que hoje se conhece e nos faz lembrar (mais uma vez) Demócrito e a atomicidade: Sobretudo as formas que sempre «se dão», como hipótese primeira (para construir a ideia e as hipóteses de viabilidade de uma teoria) que um dia se vão continuar a tentar confirmar e verificar.

É de Jacqueline Russ este excerto que desde que o conhecemos nos pareceu justíssimo, e onde a expressão "représentation géométrique de la réalité" - que é relevante, um avanço extraodinário para ajudar a mente a pensar -, também nos transporta ao que André Grabar escreveu, referindo-se ao Filioque***:  

"Avec Leucippe, il [Demócrito] crée la notion d'atome et engendre une représentation géométrique de la réalité. Belle avancée du matérialisme antique, qui n'a pas fini de fasciner une longue postérité, désireuse d'expliquer les phénomènes naturels à partir d'autres phénomènes naturels."   

E antes de terminar, aquilo que nos moveu e são os verdadeiros prémios: primeiro do que tudo para os próprios que se esforçaram, que tiveram ideias, colocaram hipóteses, viram os problemas e desconfiaram das soluções!

Por nós - que estamos longe de atingir toda a questão - fica uma enorme curiosidade: a referida ubiquitina já tem uma forma que tenha sido vista num microscópio; ou, estamos perante uma representação conceptual-geométrica da realidade como J. Russ escreveu?

King-Solomon-Russian-icon.jpg

(clic para legenda)

~~~~~~~~~~~~~~

*E vão seis (ou são só 5?): certo é que já se esgotaram os dedos de uma mão... razão da palavra lamaçal? Ou ainda, porque 4 foram meus alunos, a desonesta está-se a ver quem é...?

**Não aceitam para ninguém.

***Não que André Grabar tenha dado este tipo de solução, conceptual, mas andou lá pertíssimo (talvez mais do que todos os outros), o que é absolutamente fascinante. Obviamente que isto não é tema para uma certa escola - de artes visuais ou de concepção geométrica (o que, hélas, cada vez mais já lá vai, e hoje é da EMPRESA!). Menos ainda para doutores premium, mesmo que muitos deles tenham sido meus alunos... Se não passa de amanhã e vai ter futuro (?), se entretanto conseguirem não ser desmascarados (?), que dêem graças por passarem a ser «doutores do euromilhões e da mula russa»; que invoquem milhares de vezes o Espírito Santo, que se lembrem da Sabedoria que o rei Salomão pediu a Deus:

Tudo isso enquanto o MEC defende a autonomia das instituições tão bem sucedidas de E.S.

E enquanto há vida há impulsos...


26
Mar 16
publicado por primaluce, às 23:30link do post | comentar

... haver um novo tempo

E há-de - haver um novo tempo.jpg


23
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar | ver comentários (2)

... o impulso que você quiser!

Se Marcel Duchamp quis ver Arte num urinol, se há quem veja Ciência invisível, também nós vemos Design onde nos apetecer.

 

Por isso, Design é..., sim, sim, uma amostrinha jacquard - pied de poule. E não digam que há problema?, ou que está nas 'triques' de onde vem o 'tricot'...?

design is... o quer você quiser.jpg

 Design é..., um impulso vindo da «profundidade interior»?


21
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... por vezes de alguma coisa mais especial.

 

Começam por ser, rotineiramente, e logo de manhã, dia de dar graças por estar vivo, pela véspera, pela inspiração, pelos trabalhos feitos, pelo Sol e pela Chuva; até pelo Granizo, ou pelo Arco-íris (que lembra Aristóteles, como mnemónica); também pelo mal e o errado que «se conseguiu» não fazer*. Idem pelas dificuldades que nos foram colocadas e deram origem a mais e melhor compreensão de um qualquer tema: a muito mais criatividade.

Diríamos que hoje, mais do que o dia de início da Primavera, o dia da Árvore - que já foi em tempos, ou até o dia do IADE, hoje, declaramos, é o dia de um Recomeço! Não queremos dizer simplesmente que é dia da pá e da vassoura, de limpeza e de lavagens, do muito que tem sido sujo por «corruptos conhecidos» e protegidos pela chamada autonomia das instituições (conferida por um MEC MOUCO)...

Hoje, dia de tantas coisas, apetece-nos lembrar a Aristocracia, a verdadeira, a que sente dentro de si, genuinamente,  e se incomoda, deveras, com a sujidade e com a corrupção: com o mal que é infligido aos mais fracos.

Também com a destruição que as ambições desmedidas, as veleidades sem um sentido útil, ou bem planeado, levam a que muitos actuem por actuar, apenas para mostrarem o poder que detêm, num puro exibicionismo, da máxima futilidade que se vira para os querem menosprezar: já que não chegam a lado nenhum, apenas criam divisão, gastam energias sem sentido...

E porque também pode e deve haver Aristocracia na Ciência vamos fazê-lo, como evocação, da maneira mais bonita que conhecemos: i. e., lembrando um tecto de Sintra e o que sobre ele já se disse.

Lamentavelmente não se disse, que o saibamos - embora venha desde os tempos dos hebreus - como também a limpeza (ou uma suposta «pureza» dos nobres) está representada nesse tecto. Assim, leiam, gozem e divirtam-se (intelectualmente) - usando todas as vossas capacidades. Não apenas as sensoriais e imediatas (de quem lê), mas usando tudo o que, como leitores frequentes destes blogs sabemos, sem ironia, que têm «acumulado».

Por um único dia sejam aristocratas verdadeiros**,  saboreando um autor e um livro que FABP nos indicou***; pensando como tudo faz sentido e tudo está ligado, se verdadeiramente formos coerentes: se formos edificadores com as atitudes que são edificantes!

SalaDosBrasões.jpg

Acrescentando uma incursão pelo que A. Haupt escreveu e desenhou

Nicho-Gótico.jpg

(clic para ampliar e para legendas)

*Thanks God que se conseguiu evitar...

**Não de brasões ou de sangue azul (que isso são coisas passadas e arcaicas) mas, como tanto se tem ouvido nestes últimos dias, de um Nico, uma nobreza verdadeira... Esqueçam a mania do secreto que alguns têm, esqueçam uma parvoíce que se andou a badalar: de haver segredos subjacentes nos desenhos preparatórios de algumas pinturas. É/foi assunto de mente infectada ... Porém lembrem-se que para fazer bem é melhor ser preparado, já que só o plano ou a preparação permite que depois aconteça a performance: será no momento exacto que surge, durante o acto de pintar, a máxima habilidade de execução (dos melhores pintores).    

***Alguém que como MJN nos abriu portas fantásticas, mas depois, parece, também se arrependeu...?

Procurem a palavra "Régalien, reatem ligações - polissémicas - que sempre existiram... 

A que agora se acrescentam outras ideias:

1. Claro que no mundo de hoje a Ciência poderia ser uma área onde houvesse uma verdadeira aristocracia, mas o que por aqui há, é "...pouco mais do que propaganda." Segundo o Público de 21.03.2016 terá dito José Mariano Gago, ideia que é bastante compreensível...

2. A grande Utopia é que a honestidade - como a Justiça - exista:

É essencial ao Design, mais do que muito blábláblá e a dita propaganda inútil


17
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Como quando no post anterior referimos quem agindo arbitrariamente, sem normas, sem Lei ou em NEP - como o próprio diz, é um destruidor da Paz.

Exactamente ao contrario do que deve praticar quem estiver à frente de uma instituição de Ensino Superior


12
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

E por este Reitor, rasca e completamente estrrragado**, andamos com uma norrrmal alerrrgia aos "rrrrr"!

 

Portanto, assim muito a custo, lembrrra-see como ele reprrrreende, ralha e enxovalha, ou em alternativa, adula e enche de louvaminhas.

Lembra-se também como é artificioso e hábil: não de belas-artes, como seria normal face ao contexto da suposta e necessária especialização; mas das malas-artes em que, qual malfazejo, o dito se «doutorou».

Habilidoso - como sucede sempre que (em público) as chefias estão a ser postas em causa, incluindo-se na crítica a destruição de valor que consegue concretizar; a desmobilização e o afastamento que consegue criar. Então, hábil, jactante e cheio de prosápia, é quando tira do bolso os maiores encómios e altos-aut'elogios. Arranca salvas de palmas, fala de prémios internacionais dos alunos, como se fossem às dezenas ou centenas, mérito e consequência directa da sua acção...

Mas já todos lhe topam as manhas, de personagem verdadeiramente inspirador de páginas de literatura realista, ou para as melhores imagens de pintura. Tão grande é a sua manhosice, mágico que é óptimo retrato do pior ilusionismo!

Aos que quer elogiar, ele empola e extrapola as mínimas qualidades, porque esses são os da sua equipa, os hiper-produtivos que nunca falham, os criadores do seu mérito...

Aos que quer destruir (e quiçá despedir***), a essoutros entrega tarefas nunca realizadas por uma só pessoa, sem equipa. A esses - a quem quer despromover e fazer com que tudo lhes corra mal - vai prometendo apoios que, diz, irão existir a rodos, e prontamente,"if and when"...

Enfim, dá-lhes todas as condições para ser a perfeita casca-de-banana, tarefas a fazer sem tempo, trabalhos que serão feitos «no joelho». Depois, exime-se, desaparece e «vapora-se», em escusas e alegações de quem nada tem a ver com o assunto... Nem sequer com os inevitáveis danos que tanto disparate origina na instituição que assim «trabalha».

Os méritos maiores - nacionais e internacionais - são seus e dos alunos (de quem imediatamente os recolhe, pondo as taças d'encher o olho na estante da sua sala). Aos visitantes convidados, professores das universidades estrangeiras (que normalmente desconhecem esta esperteza lusa) - como "rei vai nu" que é, e verdadeiro chico-esperto - a esses manda os servos receber com a indicação que o Rhetor e mestre-mor de Retórica - há-de chegar. Mas "...só se, e logo logo, quando por fim acabe d'alindar toda a aura e mais as vestes..."

Neste reino Sanctorum da actual D. Carlos-II um rol de confissões:

Falta-nos a picardia, o arrasar trocista de escarnecedor profissional; a pena d'Eça e todas as de Bordalo.

Falta sim, primeiro a Justiça, onde este caso se devia resolver. Depois porque o visado e os seus actos não merecem esta brandura...

Dia.DaRedenção.jpg

Clic para legenda "...ainda não é chegado o dia da redempção"

~~~~~~~~~~~~ 

*Não se pense que há pelo país muitos mais, pois como este deve ser raríssimo? Aqui se deixando esta nota de quem sabe se, a haver danos, de quem é a culpa: quem se deve procurar!

**Rasca sim, pois é a sua trafulhice que o faz aparecer como bem sucedido, ao contrário dos da sua geração, que por isto mesmo preferimos chamar-lhe «a geração digna», dum tempo parco em oportunidades.

Depois, como estes nossos escritos o provam, viver num país e ter empregos em que os bem sucedidos são os mais trafulhas, dá muito trabalho: por ser necessário ser indigno, viver de consciência pesada, ou em alternativa ter que os denunciar a uma justiça que se faz surda e inacessível... Mas vamos procurar a Newsletter de Março 2011 que refere um Tutor, que assim salvou o nosso Rhetor de ser mais um da "geração à rasca":

É que, se não nos falha a memória estará na Agenda Semanal do IADE nº 108 ou 109?

***O patronato que pague e arque com os danos patrimoniais causados nos recursos da empresa.

A que hoje se acrescenta esta lembrança: a necessidade urgente de rever a vida

“Eu explorei a Encíclica com várias grelhas de leitura possíveis, e uma das que fiz foi justamente a da relação com a felicidade humana. É muito interessante, a palavra ‘felicidade’ aparece uma única vez, e aparece no sentido de que a verdadeira felicidade é aquela que se consegue na moderação dos nossos desejos e necessidades, e na partilha com os outros, e sobretudo no respeito por tudo aquilo que nos rodeia.”

Na opinião de Soromenho-Marques, o documento do Papa vem “reabilitar o sentido verdadeiramente nobre da austeridade”.

E aqui não se trata de uma austeridade imposto “por políticas absurdas”, mas como uma “escolha ética, de moderação e de respeito pelos outros”.

(análise de Soromenho Marques, à Encíclica Laudato Si)

E porque em Iconoteologia faz todo o sentido, em breve: "...crença em milagres de Ourique"


10
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Estamos convictos que instituições que tenham a noção que são escrutinadas ao milímetro - como parece ser o caso da PR - vão ser exemplos, essenciais.

 

Esperamos e desejamos que os Reitores Doutores (ou apenas Doutores...) cujos doutoramentos foram obtidos de forma estranhíssima, e têm tido fulgurantes progressões nas respectivas carreiras docentes, sem nunca sequer terem frequentado uma universidade. Ou ainda, sem que se consiga vislumbrar as obras que realizaram, os livros ou novos valores que trouxeram para as áreas cientificas em que estão...

Assim, prevendo um futuro normal, em que a verdade e a transparência, também a qualidade, sejam consonantes com o que dizem de si e publicitam; prevendo que essas características sejam apanágio das instituições que não querem morrer; por tudo isto, enfim, prevendo e desejando que a normalidade finalmente aconteça, estamos à espera que o escrutínio leve os desonestos a desocuparem os cargos que ocupam, dando lugar à honestidade. 

Quanto à ÉTICA?

Se é preciso promover concursos cujo prémio são mochilas, para que a ética seja interiorizada, ficamos informados...


08
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Ou, dito de outra maneira, será que os «ético-retardatários» e «ético-baralhados» conseguem compreender a graça desta pintura de Grant Wood? Saberão o como e porquê a Ética para alguns sempre foi coisa seriíssima? Como, aliás, tão bem a espelham os retratados...

 

american-gothic-1930.jpg!HalfHD.jpg

(clic para legenda)

Esses recém-bonzinhos (agora muito éticos), que querem passar a destilar ética por todos os poros; gente inqualificável que agora querem aparecer como se não fossem lobos vestidos de cordeiro; alguma vez esses terão adquirido as necessárias informações e as competências para admirarem a composição-síntese de ideias que a obra acima constitui? Já que só percebem de passarinhos a chilrear e desenhos de viagem? Acrescidos dos gráficos de riqueza e prosperidade (Kondratieff) ao longo de séculos para sustentar a ideia - peregrina, e totalmente disparatada... - que «a quantidade de informação» na Arte vem daí? Doutores  (!?) altamente informados para quem a fé (mais a moral ou a tropologia) nunca se relacionaram com a arte, incluindo a literatura? Nem foram centenas de milhares de vezes a sua razão de ser?

Os falsos Éticos e falsíssimos Doutores, e sim verdadeiros Arrivistas, quando traduzem NORMAS DE ÉTICA do inglês e das universidades anglo-saxónicas, não se dão conta que os articulados que estão a propor correspondem exactamente ao contrário daquilo que andaram a praticar durante mais de uma década, e assim a  estragar as vidas dos outros*? Não pensam, não lhes ocorre que para dignificarem essas normas, no mínimo deveriam ser exemplo de alguém cuja acção foi absolutamente consonante com aquilo que agora quer aparecer a defender?

Ou, será que no futuro - para se vir a limpar toda a corrupção que criaram - é normal que os «legisladores» e os proponentes de novas regras de funcionamento de uma qualquer instituição sejam exactamente aqueles que as defraudaram, e fizeram tudo ao contrário do que agora, «limpinhos e lavadinhos de fresco» passaram a defender...?

E há ingénuos que acreditam na bondade/sinceridade destes «novos defensores» da Ética no Ensino Superior?

Mas alguém tenciona, ou quer ter a veleidade de..., pôr raposas velhas a guardar galinhas?

Acrescentado em 10.03.2016 de uma explicação do autor (ler em http://www.wikiart.org/en/grant-wood/american-gothic-1930)  sobre o que de facto quis representar, e como a Ética pode marcar os que a praticam:

“Grant Wood adopted the precise realism of 15th-century northern European artists, but his native Iowa provided the artist with his subject matter. American Gothic depicts a farmer and his spinster daughter posing before their house, whose gabled window and tracery, in the American gothic style, inspired the painting's title. In fact, the models were the painter's sister and their dentist. Wood was accused of creating in this work a satire on the intolerance and rigidity that the insular nature of rural life can produce; he denied the accusation. American Gothic is an image that epitomizes the Puritan ethic and virtues that he believed dignified the Midwestern character.”

Sublinhado nosso, para lembrar que a Ética, é frequentemente (e propositadamente**) confundida com simplicidade (ou até com «saloiice»). Porém, a opção arquitectónica (emblemática) de Grant Wood autor da imagem acima, e aquilo que escreveu sobre ela, apenas nos confirmam a profundidade e a coerência com que alguns povos vivem as suas tradições (incluindo crenças religiosas). Já que o Revivalismo do Gótico (mesmo que nada disto seja ensinado pelos historiadores de Arte...) esteve directamente ligado à Fé dos Povos da Reforma. Porque depois de Trento não só a Europa ficou geográfica e artisticamente marcada pela Reforma e pela Contra-Reforma Romana, como o mesmo se passou em relação às que são chamadas arquitecturas coloniais*** (havendo fronteiras claríssimas). 

Depois, como se prova, há autores informados que sabem disso e o conseguem plasmar, magistralmente, nas suas obras (que compreenderão se para isso tiverem aprendido...)

~~~~~~~~~~~~

*As dos Colegas (que foram vítimas) e as Entidades Instituidoras: de Instituições de Ensino que são verdadeiramente prejudicadas pelos seus comportamentos destruidores...? E que periodicamente é preciso voltar a vendê-las, sem que se consiga sacudir toda essa «lixarada» que trouxeram colada à pele? A corrupção não é apenas apanágio do estado...

**Nós também sabemos que os Chicos-Espertos que aqui tão frequentemente são referidos, esses querem agora passar entre todos os pingos da chuva, como se nunca tivessem visto Água, nem sequer tivessem ouvido falar de Ética! Como se numa escola de Design, os profs doutores da máxima sabedoria que só eles detêm, com 40-50 anos de idade, nunca tivessem ouvido tal palavra?

***Sem que se confundam - pelos que souberem um «poucachinho» quase nada - a arquitectura colonial da América do Norte com a da América do Sul.

Dedicado ao hiper-assíduo visitante, para quem a história da arte e o conhecimento é um estorvo na sua melhor Escola de  Design


07
Mar 16
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...o nosso post anterior acabou assim:"...este é também o país em que certas instituições são verdadeiras amostras, microcosmos/cadinho que retrata na perfeição o país."

 

Claro que a nós nos aconteceu, talvez cedo de mais?, ter aprendido a levar a vida demasiado a sério. A não ter gozado um tempo da maior leveza e de uma (grande ou será só normal?) irresponsabilidade que as gerações mais novas mostram estar a viver e a «querer curtir», ainda agora que têm 40-50 anos, prolongadamente.

Quando nos aparece um Projecto para Normas de Ética a aplicar em instituições de ensino, e vemos nelas (uma a uma nas ditas normas) uma série de banalidades, que nada trazem de novo - absolutamente nada - a não a ser o facto de se apresentarem como algo de necessário e extraordinário, que não é mais do que aquilo que sempre fizemos. Assim, face ao dito Projecto claro que a nossa surpresa é colossal, mas também são ainda outras as reacções:

Por exemplo - e atenção que estamos numa postura introspectiva, em que nem sempre se é imparcial, embora se tente sê-lo, ao máximo para poder tirar conclusões. Por exemplo, ocorre perguntarmo-nos:

Mas isto que sempre fiz, desde que me lembro de ser gente..., afinal onde é que aprendi isto?

Re: Na catequese cristã (depois dos 6-8 anos?); em casa (mas as famílias têm enormes diferenças...); nas aulas de religião e moral dos primeiros anos do liceu; nas aulas de Psicologia, Filosofia e numa disciplina chamada Organização Politica e Administrativa da Nação...?

Porém, stop já aqui!, porque estamos a escrever e elencar realidades que no passado eram «mais universais», e que hoje são vistas não apenas como particularidades só de alguns; mas também como «realidades-mal-amadas» (ou até odiadas?), integrantes do que hoje se considera ser «politicamente-hiper-incorrecto».     

Ou será que aprendi «by myself», quando a partir dos 16 anos passei a dar explicações, com o sentido de responsabilidade que essas actividades implicaram?

RE: Mas estas foram num contexto muito especifico, para os vários filhos muito seguidos de uma família cuja mãe trabalhava e precisavam de alguém mais velho que nas férias os fizessem sair da cama, ir à praia, brincar-aprendendo, mexer em barro, desenhar, pintar: fazer alguns trabalhos de casa e de férias pelo meio... O que leva a outra pergunta:

Mas, por exemplo, em actividades dos Escuteiros e Guias, não há actividades iguais ou equivalentes a estas?

Serão os Professores Doutores de hoje tão assépticos, tão normalizados e parametrizados que não tiveram infâncias normais? Não viveram realidades, reais? Não andaram em Escolas? Não conviveram com mais novos e mais velhos? Não interiorizaram relações de respeito - para cima e para baixo? Entre iguais e diferentes em que se aprende e ensina, em que se admira e se ensina a admirar, ou a seguir exemplos?

Re: Pois, na verdade não foi uma pergunta foram várias encadeadas, que levam a ter que admitir que em geral as nossas experiências de vida podem ter sido únicas: i. e., sendo todas muito diferentes do que hoje se vive?

Mas..., e nas suas formações, nas leituras e materiais teóricos que normalmente se absorvem e integram para adquirir conhecimentos e graus académicos; para investigar, nunca houve exemplos de humanidade que encontrassem, ao lado...? Lá, nessas matérias, não havia uma mini-amostra de pessoas que mereciam Ética, tratamentos normais?

Nunca houve exemplos que os tocassem ou os fizessem descer à realidade da vida? Ao "Take Care" que a cultura anglo-saxónica em interjeições e saudações, constantemente invoca? A mesma cultura que os autores do dito «Projecto» bebem por tudo e por nada, e papagueiam como autómatos, não lhes trouxe nada de novo? Não detectaram que aí a Ética é uma preocupação central, coerente e não avulsa? Até aos 40-50 anos... eticamente nada os tocou? Será preciso escrever um conjunto de normas para passarem a actuar eticamente? E depois desse conjunto de normas - em que agora, momentaneamente, parecem estar deveras empenhados; depois de estar escrito ele apaga o seu próprio passado, as incorrecções que praticaram: essas NORMAS vão torná-los inimputáveis mais às verdadeiras barbaridades que inclusivamente têm praticado (?), a pretexto de que antes não existiam NORMAS DE ÉTICA**? Não saberão que de nada serve invocar o desconhecimento da Lei?*** 

Deverá deduzir-se que a Ética do mundo contemporâneo, e a que está na mente das pessoas que a deviam ter, e sobretudo automaticamente praticar; será que esta Ética de hoje - a que agora apressadamente vêm propor - é como os cartões perfurados com que trabalhavam os primeiros computadores? Re: Se sim? Estamos elucidados...

Que vivam muito e longamente, essas vidas ricas, interessantíssimas que têm tido, e assim têm ainda mais pela frente: de gente que é igual a «cartão perfurado» incapaz de cruzar dados:

Porque não está lá o furo, porque nunca viram a norma...

~~~~~~~~~~~~~~

*Este post não é sobre o caso político do dia, sendo bastante mais generalista

**É impossível não troçar destes jogos típicos de «crianças que não sabem perder», ou de gente que tendo necessidade de dominar está sempre a mudar regras..

***E para tanta ignorância há remédios óptimos

 


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