Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
29
Mai 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Os que, diligente e empenhadamente estudaram o passado, obviamente que o compreenderam!

 

A frase acima, disse-a, escreveu-a William Morris. E isso que escreveu e passou para o nosso subtítulo, foi exactamente o que nos aconteceu. Pudemos perceber o passado como não era imaginável, nunca, que o conseguíssemos.

Ainda bem que fomos honestos, e se hoje não temos nenhum doutoramento a verdade é que ficámos «sábios». O que nos tempos que correm, sem sombra de dúvida, é bem mais útil que um qualquer doutoramento... 

Já os desonestos, os que aqui tantas vezes temos referido (os que em grande parte boicotaram os nossos estudos), esses têm «doutoramentos» com muitas aspas, comas - e tudo o mais que possa mostrar o péssimo cheiro (pivetes diria Eça) que emanam.

E têm também com eles, do seu lado (para não se sentirem sós com os seus pivetes...) a total ignorância que todos os dias temos que gramar e confirmar*: a que grassa num ensino a que cada vez mais preferimos chamar inferior. Pois se foi superior, sim, já foi:

Foi quando para o MEC era ensino secundário, e agora já não é...

 

through windows.jpg

(clic para legenda)

Verifique bem o que William Morris escreveu, repare em frases que são absolutamente verdadeiras como esta que está acima: "forms that once had a serious meaning..." ** - e que agora parecem não mais do que tiques de mãos, ou simples gestos de quem sabe desenhar (acrescentamos nós, em jeito de tradução). E, continuou o autor: "formas que foram outrora símbolos misteriosos de cultos e de crenças, que hoje estão pouco lembradas, ou até completamente esquecidas." 

Claro que estas frases nos fazem lembrar o que centenas de vezes dissemos a quem tem estado do nosso lado, lembrando que na melhor Escola de Design - como eles próprios dizem de si (tão modestos que são) - mesmo que haja pedidos lancinantes para ter dispensa sabática, para acabar um doutoramento que transforma a História da Arte. Mas, para esses o que é que interessa alguém ter descoberto o significado dos antigos sinais dos estilos e do que hoje são as Artes Decorativas? Sim, o que é que isso interessa, face à publicidade enganosa? Ou a falsos doutores em Design? O que é que isso interessa, face a lucros chorudos, e a um "épater le bourgeois" que o Ministério da Educação não estará interessado em desmontar? Que engana Estudantes e os seus Pais? Um país inteiro que julga ter a geração mais bem preparada mas não sabe diferenciar tempo de escolarização com aquisição de competências? O que é que isso interessa face a gente que tem graus académicos tão elevados, mesmo que os ditos sejam a melhor celebração da mentira e da ignorância?

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*Sem mais veleidades ou delongas, tais as evidências que nos fazem chegar...

Claro que este post é dedicado aos que tudo fizeram para tirar a História da Arte dos Programas e das Unidades Curriculares de uma Escola de Design (a melhor de Portugal, como dizem os presunçosos que a dirigem, e já agora que também todos os dias a destroem mais um pouco?). Dedicado aos que não querem aceitar as descobertas impensáveis que fizemos e que se nos apresentaram (inesperadamente) - e aqui sim como uma enorme Evidência (ou como uma surpresa e um paradoxo que aparece, e não algo que se fabricasse, deliberadamente). Dedicado aos que não querem ver a ligação, fortíssima, não apenas entre a História e as Artes Decorativas mas entre a Teologia e as Formas daquilo a que hoje se chamam ornamentos. E  designam-se assim, no pressuposto - que é só de hoje (pois nem o significado desta palavra, em geral percebem!) - de que são/ou foram, não-significantes. Leiam George Hersey, procurem-no aqui, vejam quantas vezes foi referido (e porque razão?)

** É este o ponto: ideia que é hoje difícil de aceitar, e que, inclusivamente, pode também ter sido de difícil aceitação no tempo em que William Morris viveu. Não se esqueça, e está no nosso trabalho dedicado a Monserrate, que a casa da Quinta do Relógio, em Sintra - que muitos a vêem/viram simplesmente associada a "Fermes Ornées". Essa casa integra formas do Islão. Ou, não se esqueça também que em Londres, as Law Courts projectadas por George Edmund Street - obra cuja edificação se arrastou de 1866 a 1882; não se esqueça que em torno desses edifícios surgiram questiúnculas e polémicas exactamente pela iconografia de génese religiosa que essas obras adoptaram, num tempo em que alguns já não compreendiam as motivações (positivas e negativas) para o emprego das referidas formas (de que Morris escreveu como está acima).

Claro que estas confusões estão longe de estarem esclarecidas, e uma das melhores provas é o silenciamento que o IADE nos impôs... Quando, exactamente se espera que os operadores/stakeholders saibam agir de forma responsável: que operem de «um modo» que seja útil para todos e não a esconderem os trabalhos pioneiros...

http://primaluce.blogs.sapo.pt/quando-um-dos-parceiros-neste-caso-as-252938


28
Mai 15
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

...concretamente ao IADE?

 

Assim, amanhã retoma-se William Morris, e o que escreveu sobre a imagética das Artes Decorativas.

Também sobre os tiques de quem desenha «sem pensar», deixando que a mão seja levada pelo hábito, ou pelas «formas que mais vê»...

Sobre o Pensamento visual, como está no titulo, há que acrescentar:

Alguns, mas são poucos, sabem que o Pensamento é a mente em acção. E que essa acção (para actuar/existir) tem que se apoiar nalguma coisa. Coisa ou coisas, no plural que são referentes. Sejam eles palavras ou imagens o Pensamento refere-se sempre a alguma coisa. Material ou virtual não há pensamento no vazio, porque «se estiver em vazio» a mente  não está a actuar... É por tudo isto que uma Escola de Design - o IADE - não se interessar por um tema como o nosso, silenciando-o, ou deixando-o cair, é como estar a contradizer-se: é estar a eliminar-se de um grupo, ou do conjunto de pessoas e entidades, a que pertencem aqueles que compreenderam a essência das ideias de William Morris (legíveis na bibliografia que temos vindo a destacar).

E, nos tempos que correm - esta atitude vinda de uma escola de design - e tomada ao mais alto nível - é como ir dando mais empurrões (extraordinariamente eficazes) a querer colocar o país na «chinesização» que o capitalismo selvagem parece querer estender a todo o mundo...

arnheim 001.jpg

(clic para ampliar aqui, e na imagem para legenda) 

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*Ou Visual Thinking como escreveu Rudolph Arnheim, embora nos perguntemos se nalgumas escolas de design, haja quem o tenha lido, ou se, no mínimo, ouviu falar (?) em:

http://en.wikipedia.org/wiki/Rudolf_Arnheim

https://books.google.pt/books?id=DWmtB9szhFsC&hl=pt-PT

e de quem tenha percorrido - com algum detalhe - algumas das suas ideias? Como, por exemplo: alguns conceitos foram resumidos em imagens que depois, as mesmas, ajudavam a pensar. Por fim acrescenta-se mais uma pergunta: este é um tema apenas da Psicologia e das Neurociências, ou pode/deve interessar a Escolas de Design como o IADE ainda é? Supomos nós que é..., depois de 39 anos de evoluções, que, algumas, nos deixam perplexos?


22
Mai 15
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Disse sim, sabe-se lá quem? Mas nós temo-lo dito de outras estruturas e de outras instituições!

 

E passa-se a explicar:

Temos dito, tal e qual como há dias ouvimos a um entrevistado numa qualquer rádio*, que os governantes, não pode ser, «eles» pobres coitados, não andam a fazer as desgraças que fazem, as imensas aselhices que cometem, por puro e simples prazer... Dizia esse alguém, acrescentando: eles gostariam de saber fazer bem, só que não conseguem!

Sim, é mesmo verdade, é assim. E é assim, ao contrário do que já pensámos (durante anos), que todos querem (ou seja, supúnhamos que queriam) o mal dos outros. Que é a teoria da conspiração, que o que lhes interessa - e vá-se lá saber a mando de quem (?); esses «ELES», os ditos cujos que tudo decidem e a todos prejudicam com as suas decisões asneirentas, afinal, vem-se a descobrir - que ao contrário do que sempre pareceu e de toda a sua insensibilidade social (que claramente demonstram); enfim, que tudo isso é muita arrogância e altivez para esconder a incompetência...

Que esses ELES são só "show off" de competência (completamente falsa e sem bases - claro...). São Gentinha que decidiu assim, só para empatar! Para estar a ocupar o Poder, já que competência para o dito não têm a menor...

Descobrimos - sim, «descobre-se a careca» dos falsos competentes - é essa a verdade! É tudo só, e exclusivamente, incompetência pura**!

Quando, evidentemente, o que podiam ser designados simples documentos comprovativos, passam a «evidências»; obviamente, isso só mostra que uma data de Doutores da Mula Russa, nem sequer sabem o que quer dizer o Ph que passaram a usar como «apelido». Que a Filosofia e aquilo que são as bases do Saber (ou Teoria do Conhecimento) - vive agora nas Ruas da Amargura...

Minimamente, em tempos de acordos ortográficos para ignorantes (acordo de base fonética, e - sublinhe-se  - desconhecedor/atropelador das raízes etimológicas das palavras), como é que alguém está/fica apto a saber o significado daquilo que diz?

Minimamente, nos tempos de hiper-perturbação como os que agora vivemos, nada dá mais jeito do que trocar o significado às palavras:

Nada dá mais jeito, do que a meras provas passar a chamar evidências. É como àquilo que é bonzinho, ou só apenas e meramente razoável, Eles - um bando de medíocres e tontos - andarem  todos a chamar Excelente***! 

Pobres coitados - dizemos nós - que além de já não perceberem o sentido das imagens (porque ninguém lhes ensinou e eles não descobrem nada sozinhos): é muita areia! Como diz o povo, e nem camionetas têm...  

Em suma, como se isso já não bastasse, agora esses «Eles» usam as palavras (que outrora foram referentes úteis) num degrau mais acima: o mais enfático e veemente possível! Tudo em superlativo para ninguém perceber de que é que se está  a falar.  

à pintura que fala 001.jpg

E à maneira de Camões pode-se lembrar, usar até as mesmas frases: "...Estes os seus (vícios) não querem ver pintados..., por isso à pintura que fala querem mal..."

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*Terá sido o primo/vizinho Basílio H.? Numa TV-Notícias?

**E isto passa-se a todos os níveis: NÃO É SER VELHO DO RESTELO, é sentir verdadeira repugnância; é ficar absolutamente enojado com a degradação cultural e científica a que se tem de assistir...! Que porcaria de Ensino: Inferior é o que se lhe deve chamar!

***Óbvio, não admira: no seu nível - que é baixíssimo, tudo aquilo que lhes aparece como mais elevado passa logo a ser excelente. Não lhes passando pela cabeça que haja quem tenha mais vivências, mais experiências, também tempo de vida a aprender, a assistir e a saber avaliar: e por isso, esses mais velhos, não ficam "bouche bée" com aquilo que não passa da mais simples normalidade; ou até, muitas vezes de uma mediocridade que é muito rasteirinha...?

Não tenhamos dúvidas: se a geração dos que hoje são filhos não pode usufruir daquilo que os seus pais tiveram, também é verdade que em geral não só não se esforçaram, como também nunca atingirão o nível - de competências e a capacitação intelectual, para poderem trabalhar - tal como a geração sua anterior, conseguiu atingir. Porque, e a maior culpa é do Ministério da Educação, mais tempo de escolaridade pode não significar mais habilitações, ou mais cultura geral, e mais capacitação intelectual... Dirão que alguns são Doutores? Pois que digam..., mas antes que vão ver como se fizeram, ou foram feitos - à pressão...


18
Mai 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... é impossível não lembrar Manoel de Oliveira

 

É impossível não perceber que mesmo, por vezes, que as obras dêem trabalho, que depois implica uma redução do tal gôzo, ter projectos, estar focado em trabalhos e em obras, é o melhor que pode acontecer.

Não só para quem realiza, mas sobretudo para os beneficiados dessas realizações: as cidades, os alunos, os donos e utilizadores das casas projectadas, as peças que se desenham/concebem, a pensar nos seus utentes e fruidores, etc., etc. 

Em suma, Arte e Neurociências têm muito (ainda, e ao que nos parece) para ser estudado!

http://casamarela.blogs.sapo.pt/as-obras-que-dao-gozo-7028

Obras que muitas vezes são pontos (por exemplo referências na Paisagem Urbana*) em que a memória se foca, embora nem sempre do mesmo modo:

http://primaluce.blogs.sapo.pt/pierre-nora-e-os-seus-lieux-de-241216

Quanto ao que William Morris escreveu sobre o Gótico, por enquanto há que o relembrar...

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*O que nos lembra autores como Gordon Cullen e Kevin Lynch - mais as respectivas teorias aplicadas ao design da cidade. Um Design que é de Arquitectos e Urbanistas e não dos designers dos objectos (ou pequenas obras que podemos chamar «em escala mini»).


16
Mai 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... directamente, o  tempo que nos têm feito perder.

 

Ou, dito de outro modo, a mediocridade que se instalou nalgumas instituições do Ensino Superior e que faz gala num estado, que não pretendem* abandonar. Antes pelo contrário alardear: Assim, que leiam William Morris, pois é instrutivo, mas também (e de novo, nas actuais circunstâncias**) da máxima oportunidade :

https://www.marxists.org/archive/morris/works/1889/gothic.htm

 

Segundo - links para informações que afinal não estão perdidas e que a FBAUL ainda as dá:

https://ciebafh.wordpress.com/linhas-de-investigacao/;

https://ciebafh.wordpress.com/investigadores/

http://areas.fba.ul.pt/fh/CIEBA.pdf

 

E em Terceiro: é óbvio (que nos contrariem se estamos errados?!) que é muito mais produtivo as instituições digladiarem-se em lutas internas, do que a produzirem trabalhos úteis e profícuos, sejam eles relativos ao presente ou em diálogo com o passado! Mesmo que essas lutas levem à estagnação de um país durante décadas. O que é que isso interessa face a uma boa peleja (à moda) medieval:

Os Cavaleiros não existem para guerrear? Fazerem torneios e exercícios bélicos?

Para quê estudarem o passado se podem viver como no passado: sem um qualquer motivo para se conhecerem a si mesmos?

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*A mediocridade tem agentes, vários e por isso o plural: pois dependendo do período estão mais ou menos activos... 

Enfim a mediocridade tem medíocres - os seus «agentes» que não querem evoluir

 

**Não se queixem da Robotização, ou de uma preferência pelas máquinas em vez de se dar trabalho a quem mais precisa dele para viver! 


13
Mai 15
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Releiam o essencial:

 

"Para Marta Ribeiro e para a letargia que vai em Historia da Arte na Faculdade de Letras aconselha-se a que leiam Tristram Hunt, sobre a Arquitectura Victorian. E claro, aconselha-se também a que continuem a esconder o que de muito mais importante também deixámos em Monserrate uma nova História, sobre a origem do Estilo Gótico."

Vindo de:

http://primaluce.blogs.sapo.pt/que-amoroso-235344


11
Mai 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

...e mais as suas instituições (a começar pelo ensino), então que o façam, porque há muito que fazer.

 

No caso da História da Arquitectura, muitas, muitas novas informações para compreender, como é o exemplo*.

No caso do Design, e da Industrialização, que tal ler e tentar ficar a conhecer o que pode ser visto como uma primeira industrialização? Os esforços de D. Pedro II e depois de D. João V - os quais, como é mais conhecido - se continuaram no tempo do Marquês de Pombal. Para que o país pudesse ter bens e produtos que começavam a ser bastante comuns noutros países? Como os tecidos que a Inglaterra importava da Índia e depois passou a fabricar. Procurem em Mercantilismo português, escolham os sites, porque nem sempre o primeiro é o melhor**? Mas o que é certo - a não ser que tudo se tenha reduzido a ínfimas partículas e tudo esteja atomizado? - é que o design é muito mais do que fazer desenhos para superfícies planas, para serem vistos com «luz vinda de dentro ou de fora»: pois nem tudo são écrans, telas ou tecidos...

INÉDITA.JPG

 (clic para legenda)

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*http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/viollet-le-duc-james-ackerman-e-a-80663

**http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercantilismo_portugu%C3%AAs

http://pt.slideshare.net/prof_smnccmendonca/o-mercantilismo-em-portugal-1079204

http://pt.slideshare.net/cattonia/mercantilismo-portugus-9863139?next_slideshow=1

http://armazemdoslinhos.myshopify.com/collections/frontpage

Que os ensinamentos de William Morris sejam úteis (de novo, e várias vezes). Porque saber carregar num botão é mais fácil do que saber tecer um qualquer pano! Porque conhecer a História e o passado é uma maneira de responder às necessidades dos grupos, dos países, às encomendas que os Designers podem vir a ter enquanto profissionais...

Já agora, lembre-se que os mestrados honestos permitem preparar os docentes e dar-lhes informações como muitos «doutoramentos» não fazem!

Depois, só há evolução se todos estiverem à altura das suas responsabilidades: de uma forma inteira


09
Mai 15
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

... é engraçadíssimo ver como cada geração se apropria dos mesmos conhecimentos. E será que os consegue apreender, mesmo (?), na sua essência (ou só parcialmente) os saberes e as verdades que são de sempre?

 

Parecem lugares comuns, e acabam por sê-lo se virmos o tempo transversalmente*. Mas na verdade trata-se de cada geração a formar-se e a aprender. E com isso a dizer o que outros já disseram, só que de outra maneira. A bater de outra forma numa tecla que leva pancada de todos; ou, numa tecla que é dedilhada por todas as gerações, embora de modos diferentes...

Enfim, constata-se que o triste é estarem sempre todos a lamuriar as mesmas dificuldades, em vez de olharem para trás, e de notarem que as mesmas são recorrentes; e portanto, tratarem de fazer alguma coisa para mudar as coisas.  

Isto é, darem a volta de modo criativo...

Perguntar/afirmar qual queixume, se "O FUTURO CHEGOU CEDO DEMAIS?", por exemplo, é uma das frases mais extraordinárias (ou engraçadinhas, verdadeira blague) que todas as gerações reutilizam e perguntam, como sendo muito originais. Só que, se brilham para os seus contemporâneos, talvez pouco mais façam do que enjoar os mais velhos. Ou, será que criativamente, podem conseguir surpreendê-los? É o que se pergunta:

Serão "pastiches" ou «recriações» como parecem ser as imagens seguintes**? Uma na capa de um livro, outra num pavimento em obras: mosaicos que ainda se está para saber quantos anos (ou décadas) têm? E finalmente, muito mais atrás, num pavimento romano, que, o mais tardar «pode ser» dos séculos V-VII-VIII? Ainda a terminar, há que questionar:

 É honesto não transmitir aos alunos o máximo possível, que um dia, é mais do que certo, lhes vai ser útil/necessário? E porque imagens do passado existem aos milhares, é honesto não lhes transmitir como a Geometria é a fonte de tudo o que vão precisar saber, quando quiserem criar «novos padrões»? Ou supostamente «criarem» novos designs?

É honesto deixá-los sair das escolas ignorantes e não alertados para o facto, que muitas vezes lhes irá acontecer, de que estão a citar outros, ou monumentos que provavelmente nunca visitaram mas que a fotografia lhes mostra em livros impecs ou na internet? Como ouvimos a Lúcia Rosas, sobre os estudos que fizemos em Monserrate: Concretamente o facto desse palácio ser uma colecção de citações...

Mas vamos mais longe, numa instituição de ensino superior:

É honesto esconder os trabalhos dos colegas, não os apoiar - o que se faz normalmente pela divulgação, os convites para escreverem artigos... - e poucos anos depois esse tema, esses trabalhos, essas obras são usados, cenários e palcos para se exibirem os mesmos que as andam esconder***?

Para se informarem, leiam as (extensas) notas seguintes, com o que nos parecem ser erros graves que um ensino mais ávido de lucro do que de saber tem vindo a criar. Quando cada vez mais se precisa de rigor - o que as novas tecnologias exigem (visto que por exemplo em desenho vão aos milímetros, ou às suas centésimas se se pretender) - não se pode abandonar esse mesmo rigor ou aligeirar no nível da exigência na aprendizagem. Parece-nos? Interrogativamente claro, porque a nossa geração, a que se formou a partir dos anos 50, é cada vez mais posta de lado, pela Ciência actual, contentinha com a sua superficialidade.

Aliás, estamos para ver como se irão resolver alguns dos mais importantes problemas sem Engenharia, essa sim, a verdadeira Ciência que o Design deveria querer complementar ou integrar...?

PavimentoPortalegre.jpg

Pavimento-MosaicoPortalegre.jpg

Pavimentos_Romanos4.jpg

(clic sobre as imagens)

*Como todos estes anos de ensino nos dão a ver...

**Pergunta que nos faz «parabenizar» as mentes brilhantes que acham que não se deve ensinar História ou História da Arte em Escolas de Design. Só a ignorância (assim) os ajuda a progredir; só a a ignorância permite que quem apresenta ideias e imagens com milhares de anos, perante um bando de ignorantes; só esse «truque de mágico», pode permitir a quem foi lá atrás à História buscar algo que os outros desconhecem, faça então um brilharete: uma graçola - que pode não ter graça nenhuma por ser uma péssima recriação, onde se reduziu (e nada se acrescentou) - apenas para deixar os outros "bouche bée". Enfim, falamos dos mesmos que usam a expressão tradição e modernidade, sem que percebam, o que isso verdadeiramente significa, sobretudo ao nível do cérebro: da mente, da habituação a padrões e a imagens.

O que verdadeiramente quer dizer "déjá vu".

***Daqui, para um Rodriguinho (e sem qualquer «cunha»!) queremos dizer-lhe que estamos a abrir novas vias em Conhecimentos nunca antes navegados, nos quais desejamos que um dia se passeie, como criancinha a flutuar com toda a segurança, a remar nos barquinhos do Campo Grande.

Se quer ribombar informação alheia, ajude (porque o que queremos é ensinar, e não andar a rapinar outros...); meta-se num tema que é fabuloso vindo de Dionísio, o Pseudo-Areopagita, que é como quem diz dos confins dos tempos. Perceba como materiais sucessivamente «re-visitados» - por cada nova geração - um dia se tornaram no "Inconsciente Colectivo" de C.G Jung: como e porquê, durante séculos, os vãos ou as edículas falavam (tal e qual como hoje). Assuma-se como professor (ou professores no plural, pois serve para os sujeitinhos de vários posts anteriores) de uma escola de Design. Em vez de aluno, ou plagiador dos trabalhos dos colegas mais velhos, a quem está a dar encontrões! Acha normal que as pessoas que podiam estar a ensinar matérias completamente inovadoras estejam fechadas dos alunos, a fingir que são Tutores? Feitos incapazes de ensinar, para que outros andem a exibir o que esses trabalharam?

Claro que depois de décadas de ensino (e sobretudo de aprendizagem) aconselhamos aos Rodrigos sem cunha e aos Toinos ai que Pena: «gentchi que se cuidem!» Que não se metam nunca em ondas nem mares revoltosos. Que remem sempre e só nos espelhos de água dos jardins públicos. E mesmo assim não sejam aselhas, porque os barquinhos, à mínima, se podem virar! E não se esqueçam dos coletes

É óbvio que Monserrate como o explicamos é Música para os olhos: que a imagética da Arte (durante milhares de anos) quis  traduzir Deus: Harmonia e Ritmo do Universo... Que só recentemente a Arte mudou de objectivo...


06
Mai 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... visto agora estarmos ainda em obras que «dariam gozo», mas também lucro!

 

Claramente está-se a pensar no «Toino Ai Que Pena» - ou PQPP.

Sujeitinho que está na «melhor» Escola de Design, há 1/4 do tempo a que nós lá estamos, e por causa de quem (acabado de chegar) tivemos que ouvir, várias vezes: «Você não ensina Património porque o PQPP não deixa!»

Não, não era ele que proferia este disparate, e era sim quem devia mandar nele (e organizar as estruturas e diagramas que uma qualquer escola deve ter, espelhando hierarquias, modo de funcionamento...). Também por que, no mínimo, nestes moldes, esse alguém nos estava assim a mostrar toda sua falta de autoridade.

Ou, será que queria que fossemos nós a ir ajustar contas com o dito sujeitinho? Um «quase pobre coitado», que não tinha/teve culpa de estar ali...*, ou no nosso caso, de «muito eventualmente» ensinarmos Património!?

Ai que tanta pena, sim, que os Palácios de Sintra - sejam eles quais forem - estejam ainda longíssimo de passar pelo crivo de uma Nova Historiografia da Arte, que os explique e actualize, como pudemos fazer para Monserrate - uma nova história, com o apoio cientifico da Faculdade de Letras UL.

Para que se possa começar a ver, com muito maior clareza, aquilo que têm lá dentro, ao serviço - se não for para a Cultura, e para que nos conheçamos melhor - de um turismo cultural que, todos desejam (será que deveras desejam?) seja de qualidade e pioneiro: um Turismo Cultural a poder tirar vantagem económica desse pioneirismo (científico).

De uma "Nova Historiografia da Arte" que esclareça tectos de alfarge e todos os entrelaçados que muitas destas obras patenteiam: Que explique ogivas, artesãos (por exemplo na Sé de Portalegre - artesoados) ou os telhados de tesouro. E como tudo isto se relaciona com a «arca-barca salvífica» de que Hugo de S. Victor (no século XII) escreveu.

Ou ainda, porque não, como esses espaços também se relacionam com arcas tumulares (e a sua tampa) - que pode ser a de Egas Moniz, ou a D. Fernando I, que está em Lisboa no Convento do Carmo.

Que mostre, elucide, porque há octógonos, losangos, triângulos; inúmeros entrelaçados no Palácio da Vila de Sintra, etc., etc. Por fim, como essas formas evoluíram, e portanto também estão no Palácio da Pena. Ou que chegaram à engenharia de um Pier Luigi Nervi, como já se escreveu a propósito de Monserrate: “... ainda se devem ver em Pier Luigi Nervi (1891-1979), nos seus muito interessantes trabalhos de Engenharia de Estruturas, epígonos do ‘Neogótico’...”

Um Neogótico que por sua vez não abunda em Portugal, como J.-A França lamenta, por razões religiosas que o mesmo autor não pôde compreender. Isto é, que não viu que Portugal está no Sul da Europa, «teve» (ou melhor dizendo participou de...) uma Contra-Reforma, e não uma Reforma.**

Que uma nova Historiografia da Arte mostre a todos, incluindo aos «muitos Toinos desvairados» - e fixistas - que por aí existem, que há Conhecimento e Ciência que muda, à medida que o Homem se conhece a si mesmo.

Porque se a Psicologia e as Neurociências nos «mostram» o interior do cérebro, as obras de Arte mostram-nos os esquemas (schemata ou as formas que os constituíam) para a todos falar de Deus***. 

Para que todos vissem nos tectos - ou nos espaços mais abertos, desobstruídos, mais fáceis de olhar e de contemplar, dirigindo os olhos para cima, os sinais de "um Deus que deveriam conhecer e amar". E aqui note-se que no tempo em que viveram, esses «todos» de quem estamos a escrever não tinham outra hipótese.:

O Homem medieval, ou até o Homem moderno, estava num mundo que era inseparável de Deus, de tal maneira que muitas vezes representar esse Mundo ou Deus, era exactamente o mesmo.

Alfarge 001.jpg

(clic para legenda)

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*Nem podia saber do «mundinho» em que se fora meter... Assim, para quem chegou, num primeiro momento, seria preciso remontar às origens das origens, para compreender actos de péssima gestão como é este exemplo. E por isso, até podemos dizer, vá-se lá saber de quem é a culpa? Porque, a imensa irresponsabilidade que grassa nas instituições da nossa sociedade, e no Estado, é escondida por uns, propositadamente, mas desconhecida de outros: os ingénuos (e os desinformados - crentes nas aparências que lhes são dadas a ver, e que não se esforçam por ir além de...).

Irresponsabilidade/má gestão, muitas vezes dolosa, e que dificilmente não há Troika capaz de lhe pôr fim, ou sequer detectar...      

**LÁ LONGE, no século XVI, influências que, subterrâneas, se instalam e ficam durante séculos a marcar a história. Assim, há que lembrar que a Pena é obra de um Gotha - Fernando de Saxe-Coburgo e Gotha - e de todos os seus fundamentos (e mais muitas reminiscências) no Império de Carlos Magno. Aliás, sobre isto que tal ler/ouvir Claude Nicolet e o que escreveu em La fabrique d’une nation - La France entre Rome et les Germains des origines à nos jours? Dava-vos jeito? Era o começo de um abrir das mentes (portugas, renitentes à inovação) porque a Europa em que estamos está marcada por uma romanização intensa, mas também, posteriormente, avançando até ao tempo dos nossos primeiros reis, de todas as influências que a França irradiou. Inclusive, o poder (que também deteve) sobre Roma... E só para começarem a discorrer: Constantino, Clóvis, Recaredo, Carlos Magno, Afonso Henriques, todos seguiram um mesmo modelo...

***Que era o Deus-Cristão, que, por razões completamente lógicas originou iconografia (cristã) muito semelhante à iconografia (que todos supõem vinda do Islão) dos Tectos de Alfarge. Ou, a razão pela qual o Palácio da Vila de Sintra também foi chamado o Alhambra português.

O Mundo cresceu- idem a Oikouméne - mesmo que os Toinos

(Ai Que Pena! Que Pena! Que Pena!) não saibam crescer...


04
Mai 15
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... de quem nos «aparece» como uma cambada de inconsequentes*.

 

Pois se agora querem concretizar as nossas ideias - portanto ainda actuais... - as que tivemos há uma série de anos, para isso é claro que são precisas as nossas informações; e muitas delas que as temos desde há décadas?!

Só que construir uma «biblioteca mental», ou reunir uma ampla colecção de saberes devidamente articulados, é muito mais do que andar a farejar pelos cantos, ou a passar por vinhas vindimadas... Se não sabem:

É mesmo só isso que resulta de vidas dirigidas por cabecinhas "slow motion"**:

i. e., de gente que não sabe antecipar as consequências daquilo que faz, devendo, portanto, ser vista como a própria da cambada de inconsequentes

A LER APRENDER 001.jpg

E se o que se aprende na infância sem dar por isso, em geral nos lembra Marcel Proust, agora é também mnemónica de outros conhecimentos. Concretamente de:

informações de Monserrate, de tempos que terão sido muito proustianos como já escrevemos...***

~~~~~~~~~~~~~~

*É um «parecer». Não quererão também assim, completamente avulsas, milhares de outras informações nossas que estão escritas e publicadas? As informações que não se têm esforçado por compreender  e continuam a preferir denegrir? E já agora, se o 'Toino tem Pena', há quem tenha muito mais!

O maior invejoso do pacote já pronto (PQPP - ou «O TOINO AI QUE PENA QUE TEMOS DELE»), esse mesmo, imagine-se, veio agora por interposta pessoa auto-denunciar-se, a querer Saber e Informação como se isso fosse «quinquilharia avulsa». Ou materiais que julga separáveis, e informações que agora quer «em troca de nada»! Porquê? Dar a quem (mais um...) tem feito o favor de invejar as nossas informações! Que continue, só lhe fica bem, até agradecemos!

**Também ditos cabecinhas de alho chôcho.

***E está publicado nestes termos: "Entre as datas de 1864 e 1936, terão sido muito 'Proustianos' os tempos «perdidos» em Monserrate; sempre que os Cook vinham de férias...". Ver em Monserrate uma nova história, por Glória Azevedo Coutinho, na p. 147. 


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