Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
17
Set 11
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Sobre o desenho subjacente - um comentário provisório.

Sempre gostámos de História da Arte, de conhecer as obras e o que as pode ter motivado; mas, principalmente, olhar para elas um bom bocado (de tempo), percebendo as formas, as interligações visuais em cada peça, e isto menos na pintura e mais na arquitectura. Em geral supúnhamos que a pintura retratava situações reais, com realismo; já a arquitectura eram sucessivas montagens do que não estava na natureza, apenas na mente de alguns, que conseguiam materializar as suas ideias. Talvez "tant bien que mal", pois o tempo e a prática profissional foram-nos ensinando, que entre as intenções constantes num projecto, e a sua concretização, a distância podia ser quase abissal.

A mais divertida (sem consequências graves), foi um dia um carpinteiro, num espaço que iria ser o de uma Sala de Enfermagem - que tínhamos estudado ao milímetro - ter decidido que fazer as portas dos armários superiores, pelo desenho do projecto seria: "...as portas ficarem a modos qu' marrecas!"   

Hoje temos ouvido outros comentários, também claramente divertidos, embora ainda dependa do lado pelo qual os ouvimos (e os «vemos»!?)...

Mas isto da visão, e do desenho que se vê e não vê, o melhor de todos, aconteceu talvez há mais de 20 anos*, na Rua Capelo, quando, pelo nosso gosto em assistir a aulas de História da Arte, num curso que foi feito para um grupo "De Tias", ao ver no ecrã o tecto da Capela Sistina emudecemos.  

É verdade, eu emudeci, ainda hoje me lembro do "baque"! Como era possível que uma obra renascentista, da maior importância na historiografia da arte, nunca tivesse sido explicada, ou relatada, como aquilo que é: o preenchimento entre ogivas e nervuras de pedra, por frescos (admiráveis) de Miguel Ângelo. Não é que apenas sobressaiam as linhas ou as faixas de pedra, e que seja apenas isso que vemos! Mas o facto de se ter feito a combinação que ficou visível, e não é apenas estrutural**, ela mostra bem ,como os autores renascentistas estavam longe de repudiar o Estilo Gótico!

Aceitavam-no e valorizavam-no, muito mais do que era dito, em qualquer curso sobre a Arte Europeia, e a sua história...***     

Imagem vinda de: Nuno Gonçalves, Pintores Portugueses, por Pedro Flôr, Quidnovi 2010, p. 57.

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* Ou em data próxima, visto que estávamos a começar a estudar Monserrate, num trabalho profissional.

**Quem tem alguma experiência que passe por obras antigas, sabe bem que atrás ("subjacente", como no desenho) de vergas horizontais, que usam um único lintel de pedra, pode estar um arco chamado "de ressalva", em pedra ou tijolo, e cujo vão foi depois preenchido com materias leves: capazes de garantirem a continuidade dos paramentos interiores e exteriores, e respectivos revestimentos (em geral rebocos). Serve o «arco de ressalva» para aliviar o lintel, do que poderiam ser cargas excessivas, que o fracturassem. Por hoje chega de lições à borla...   

*** Note-se, não temos nada, nem contra nem a favor do Gótico; mas a santinha da ignorância cá do burgo (instalada no Ensino Superior), haja paciência! Dessa «louvaminha», que a ature, quem a adora!   


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