Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
30
Jul 11
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

É isso, está acima e por quase toda a parte. Não engana... Para os que ficam a trabalhar, desta vez, T.G., «o verão é atlântico»!

Quem não percebe a expressão, leia o melhor de Orlando Ribeiro, obra que conhecemos desde os 22, e, supomos, não nos fez mal? Pelo contrário, ensinou a compreender e a gostar do país. Em edição da Livraria Sá da Costa descubram um título que acaba em Esboço Geográfico. Principalmente descubram o seu conteúdo, passando a perceber da alternância entre verões escaldantes, e verões demasiado amenos: as consequências de haver um anticiclone «meio-perdido e desfocado», do seu sítio mais habitual?  

Talvez à frente venha a haver revelações do nosso doutoramento, e de alguém que parece estar (mas não está...) como o anticiclone. Se num é o frio que incomoda, no outro são as imagens e os seus significados evidentes, que temos descoberto, assim como a lógica que as produziu.

A mais variada iconografia que foi deixada por aí, nalguns casos produziu obras valiosas, que, reconhecidas, passaram à Lista do Património Mundial. Mas, em muitas outras obras, apesar do seu abandono, elas não se calaram e continuaram a «falar». Todas essas imagens, em núcleos urbanos e nas cidades, enriquecem os ambientes que os “sketchersteimam em captar*.

Porém, ainda mais teimosos somos nós, e  assim continuaremos (haja saúde!), a querer explicar o valor da imagética.

Não apenas a dizer que as imagens são os Ideogramas de uma Linguagem Visual – pois com esta ou outra designação alguns sabem disso: concretamente, pretende-se demonstrar o que os sinais significavam.

Com a máxima persistência, quer-se mostrar a Arte, a Técnica, e sobretudo as ciências antigas – Trivium e Quadrivium (equivalentes a «letras e a ciências»). Enfim, mostrar como o Conhecimento associado à habilidade, permitiu produzir o que hoje se consideram obras das Artes Visuais.

No que alguns designam Cultura Visual, queremos mostrar como são erróneos muitos dos «simbolismos bacocos», e as «linguagens cifradas» que lhes atribuem. Como em arquitectura e design (mesmo que seja a olhar para obras do passado): a beleza provém do simples, e não do obscuro!

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*http://www.diariografico.com/

http://symposium.urbansketchers.org/symposium-instructors-and-speakers


25
Jul 11
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Hoje com mais fotografias e detalhes da obra da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, a qual como defendemos, segue de perto obras inglesas suas contemporâneas ou pouco anteriores.

Na imagem seguinte veja-se como o preenchimento do quarteirão, foi feito exactamente de acordo com exemplos que em Inglaterra são comuns: enquanto na tradição portuguesa, na malha urbana que hoje podemos ver bem (com o Goole Earth), os logradouros interiores são um pouco as traseiras dos prédios. Ou os "backgrounds" destinados a serviços e às instalações técnicas - como as de AVAC. Neste caso esse espaço (ou esse volume vazio, porque não se trata apenas de um piso) é utilizado como distribuidor das várias circulações inerentes às actividades complementares, das que acontecem na igreja: como escolas ou creches, catequese e outros propósitos afins, e comunitários.    

 

 


20
Jul 11
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Ficam vários links que podem associar ao que escrevemos em 7 de Maio sobre este tema. Serve para lembrar a história pessoal, e um pouco da obra de Nuno Teotónio Pereira, que, embora muito mais velho marcou a nossa geração: dando permanentemente, exemplos de coerência e de grande modernidade. Concretamente, também ao nível do emprego da iconografia religiosa, a que passámos a chamar Iconoteologia.

A Igreja do Sagrado Coração de Jesus, é Monumento Nacional desde 2010, tendo sido o resultado de pesquisas de alguém que, com outros, nunca desistiu de as levar a cabo. Por isso um grupo de pessoas constituiu em 1952 o MRAR - Movimento de Renovação da Arte Religiosa.

No título que damos a este post fazemos referência à arquitectura inglesa, embora, sabemo-lo bem, muitos possam não concordar com a ideia que temos: porém, ela radica na grande semelhança visual que encontramos entre esta obra de NTP (também noutras...), e alguns exemplos ingleses. 

Vejam fotografias do edifício do National Theatre (1967-76), de Sir Denys Lasdun, obra dita «brutalista»que, para  o Príncipe Carlos foi - "a clever way of building a nuclear power station in the middle of London without anyone objecting"*. A ideia é pouco simpática, exprimindo uma crítica directa, ao que também era «um espírito do tempo»**. Mas, como todos sabemos, é difícil haver unanimidade já que nem todos têm a mesma formação, as mesmas profissões, preocupações, ou, até, a mesma sensibilidade.  

E voltando às profissões, estas são de facto a origem das práticas e das metodologias com que cada um passa a enfrentar as tarefas que aceita, ou de que é incubido para dar solução, enquanto especialista: como por exemplo, quais as fontes - história, cultura, tradição, etc., etc., etc...? - em que cada povo (ou cada artista que emana desse povo, e desse grupo cultural) «se abastece»: buscando nessas mesmas fontes os temas e a iconologia que integra nas suas obras?    

http://en.wikipedia.org/wiki/Sir_Denys_Lasdun

 http://snpcultura.org/obs_13_movimento_renovacao_arte_religiosa.html

http://aeiou.expresso.pt/nuno-teotonio-pereira-homenagem-ao-arquiteto-e-cidadao=f630441

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* A frase citada vem de Ken Allinson, Architects and Architecture of London, Architectural Press, London, 2006, p.365

**Que dá pelo nome de "Zeitgeist", e de que escreveremos num próximo post, a partir de informações de Dana Arnold: arquitecta e professora universitária inglesa


15
Jul 11
publicado por primaluce, às 17:30link do post | comentar

As pontes, e as associações possíveis, entre alguns dos temas que temos investigado, e o que foi debatido no último Câmara Clara, essas ligações são inúmeras. Claro que ficámos surpreendidos, sobretudo, pela primazia da Matemática, relativamente à Geometria (de que tanto temos falado), mas não deixou de ser um enorme prazer, ver e ouvir o referido programa: sentir a imensa actualidade dos materiais e temas, tão pioneiros, com que estamos a trabalhar!  

Para quem quiser ter uma ideia - muito incompleta (claro) - do que temos andado a estudar, e não tem parado de nos fascinar, aconselha-se, vivamente! Que vejam o programa*. 

Não quer dizer que estejamos de acordo com tudo o que é dito, sobretudo para a Arquitectura e suas linguagens (gramática, etc., ou ainda sobre a aplicabilidade das ideias expostas à obra de Frank Lloyd Wright...). Mas, vendo o programa (até ao fim) concretiza-se um dos objectivos com que fizemos este blog, e o seu nome Prima Luce.

É que sabendo da dificuldade que têm muitos dos que nos rodeiam, em entender o trabalho que estamos a fazer - para apoiarem, e nos darem as respectivas férias sabáticas: o tempo, de que qualquer investigação necessita para ser arrumada. Por esses motivos vemo-nos na obrigação de «desembrulhar» e explicar o que já está no trabalho dedicado a Monserrate: enfim, aquilo que alguns responsáveis deveriam ter feito por si...

Como se diz no Câmara Clara - e é assim que pensa (supomos?) o actual ministro da Educação e Ensino Superior - o «eduquês» super-abunda e serve para mascarar a ignorância. Há que lhes dar a volta, e tornar as matérias compreensíveis. Não pode haver ensino com «passos de magia»; demonstrações que não se compreendem...

Ao contrário do que foi dito quase no fim, a Cultura não se muda de um dia para o outro, é preciso ter tempo (e já se perdeu muito); depois a Crise retira-nos o tempo de qualidade, que é necessário ao trabalho silencioso, às leituras e aos "Eurekas" - de que falou Carlota Simões, no início do programa. Descobertas que são, primeiro individuais, e, um dia, talvez, colectivas?

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*Endereço electrónico:

http://www.rtp.pt/play/?tv=3#/?tvprog%253D26603%2526idpod%253D59431%2526fbtitle%253DRTP%20Play%20-%20C%C3%82MARA%20CLARA%2526fbimg%253Dhttp%253A%252F%252Fimg.rtp.pt%252Fmultimedia%252Fscreenshots%252Fcclara%252Fcclara_1_20110710.jpg%2526fburl%253Dhttp%253A%252F%252Fwww.rtp.pt%252Fplay%252F%253Ftvprog%253D26603%2526idpod%253D59431


13
Jul 11
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Claro que os erros involuntários são frequentes. Mas a sua manutenção, depois de se ter verificado que é um erro, isso já é mais complicado: deixa de ser involuntário e pode passar a ter propósitos fraudulentos.

Porque se mantém um erro? E que benefícios traz, a alguns ou a alguém? Visto que à partida um erro é algo que nos afasta da verdade: ou seja, da percepção da realidade. Verdade que, naturalmente, é o que mais interessa a qualquer um, e ao conjunto da sociedade. Pois só com bases verdadeiras, reais e fortes (como as fundações dos edifícios) se constrói algo positivo! «Em geral», só com a Verdade, e a partir do conhecimento da realidade, se pode pensar. Caso contrário, enredamo-nos em pensamentos sinuosos, e anda-se às voltas sem avançar.  

Daí a metodologia de projecto, ou de qualquer outro trabalho. Por exemplo, no planeamento da economia, finanças, gestão de pessoas, etc., etc., fazem-se levantamentos para conhecer a realidade que se quer alterar, ou dar-lhe novos rumos. Só os levantamentos correctos e completos, podem levar, depois, à descoberta de «esqueletos escondidos no armário»: a expressão que, recentemente, entrou no vocabulário de todos nós. 

Mas, claro, também pode haver descobertas boas nos melhores levantamentos, e investigações - i. e., no conhecimento do Estado da Questão - se, subjacente a esta, não existirem fraudes (ou raciocínios repletos de erros acumulados, a alterar a realidade), que, por alguma razão, se deixaram perpetuar.

Alguém dizer que se enganou, pelos vistos, a alguns isso incomoda... Será vergonha errar?

É que por outro lado, fazer erros é também sinal de vida, e de algum progresso. Pelo menos, da tentativa de aprender e avançar, pois, como é sabido, há disciplinas que exigem tempo, experimentação (e experiência), que pode ser intercalada com erros: já que têm metodologias práticas, e iterativas. Mas, não se pense que estamos a fazer a apologia do erro!

O que interessa é a verdade, e os erros devem ser controlados. Qualquer (bom) método, e as «boas práticas» das diferentes profissões, contemplam modos de controlar o erro. Manter o erro científico, ou outros da vida quotidiana - como por exemplo na vida profissional - deixando que se prolonguem no tempo sem serem esclarecidos; ou, sem ser reposta a verdade que os referidos erros estão a omitir, é passar a estar no campo da mentira: é  passar a estar no campo das fraudes. Serve a quem? Aos próprios que deviam dizer que se enganaram, quanto mais cedo melhor?!

Aguardamos, já que mais uma vez há lições oportunas, actualizadas e muito moralizantes (ou edificantes) vindas do Canal Académie*:

 http://www.canalacademie.com/ida7251-L-erreur-scientifique-par-Jean.html

ou a ler em:

http://www.academie-sciences.fr/academie/membre/s210611_bach.pdf

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*Com menos de um mês - conferência realizada em 21 de Junho 2011.

O ser edificante é o que mais precisamos: sobre as ruínas da sociedade de consumo (insustentável, e que por isso cai...), há que salvaguardar o que é bom, e começar a construir novos modelos. Tal e qual como os arquitectos preconizam, para aproveitar as obras de valor patrimonial.

 

 

 


09
Jul 11
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Nunca os nossos «relógios mentais» rodaram tão depressa: o que sabíamos ontem, ou há umas horas atrás, hoje e agora, pode já ser diferente.

A que havemos de nos agarrar, e com que ideias pensar, se, «hora a hora…», mais parece que tudo muda (e tudo piora)? Se somos bombardeados com notícias que estão longe de ser verdadeiras? Não são as últimas, e não passam de meras opiniões, de quem também anda a tactear? Se, com publicidade enganosa, somos levados a acreditar em realidades distorcidas? Em ficções e cenários montados, para se assemelharem a vidas reais, e de verdade?  

A vida de Maria José Nogueira Pinto parece ter uma lição: que há valores para além da espuma que as grandes ondas provocam. Que no fundo do mar, as correntes fortes não deixam de se mover, indo para onde têm que ir. Que cada um de nós, com o melhor da sua inteligência, deve tentar articular-se com o mundo, cuja percepção (ou a realidade que esse mesmo mundo transmite) é a de que, aparentemente, está a mudar ao segundo.

Mas será que está mesmo a mudar? Ou o fácil é ir na onda, simplesmente surfar, e dar a aparência de estar em movimento?

http://economico.sapo.pt/noticias/vitor-bento-a-saga-dos-ratings_122204.html

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À nossa escala - a de quem está longe de captar as principais problemáticas político-económicas que estão em causa; nas grandes correntes de fundo, em que devemos estar integrados, fazer o melhor possível é a única regra. E é também, sobretudo na complementaridade entre Arquitectura e Design, bem como no respectivo ensino, o essencial é transmitir a ideia de que os recursos são limitados. Que a Pégada Ecológica* de cada um, bem como a do seu país, não pode exceder a respectiva área. Pois caso isso aconteça, são já os recursos alheios que estamos a consumir (entrando-se em «endividamento» a alguém). Ora a Arquitectura e o Design constituem, nos tempos actuais, exactamente, as disciplinas que mais podem influir no delinear e na concepção dos modos de vida, sustentáveis, pelos quais nos devemos pautar. Enfim, muito vai precisar de mudar...

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Pegada_ecol%c3%b3gica

 


06
Jul 11
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Há uns anos (talvez 4 ou 5?) ficámos fascinados com a criação em Paris, do Museu dedicado às Artes Primitivas - conhecido como Musée des Arts Premiers, ou Musée du Quai Branly.

E se não estivéssemos a escrever, dedicados a uma causa maior, certamente já teríamos ido a Paris para visitar essa obra de Jean Nouvel. Dele conhecemos, localmente, um outro trabalho, que, vezes sem conta, referimos nas aulas. Principalmente naquelas em que abordámos a Iluminação Natural: referimo-nos à sede do Institut du Monde Arabe. Este edifício que ficou terminado em 1987, integra a invenção, que é fabulosa, e consegue melhorar o conforto ambiental, interior, através de «uma fachada que abre e fecha»*: como se se tratasse do diafragma, octogonal, de uma máquina fotográfica, comandado por células foto-eléctricas (imagem seguinte - Wikipedia). 

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«Saber mais» da obra de Jean Nouvel, não é erudição, é puro prazer! 

É conhecer o que de melhor se tem feito na arquitectura contemporânea. Claro que esta é uma opinião pessoal e o nosso gosto: quer na sua componente afectiva; quer, nas de ordem informativa, e relativas aos diferentes "temas" (de ordem intelectual) a que as obras podem fazer alusão. No tempo que vivemos - sem razão para alegrias - há que usar o melhor da Internet:         

http://www.linternaute.com/savoir/grands-chantiers/06/dossier/musee-quai-branly/video-jean-nouvel.shtml

http://fr.wikipedia.org/wiki/Nouvel

*Modo abreviado para referir algo que é complexo, mas, também, muito conseguido iconográfica e plasticamente. Ver em: http://fr.wikipedia.org/wiki/Institut_du_monde_arabe


04
Jul 11
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Como «à procura do outro» nos encontramos a nós mesmos*: como os patrimónios linguísticos - por exemplo o grego e o latim - não são apenas línguas mortas, mas os suportes com que pensamos. Como a Cultura Visual não é uma coisa só de hoje, mas de génese antiquíssima, tendo tido, muitas imagens (e vice-versa), as suas correspondentes por palavras. 

Palavras pertencentes à Cultura Europeia, vindas dos Gregos e dos Romanos.

Imagens que evoluíram e estão em obras que consideramos de valor patrimonial, mas que são também - sem que antes o soubéssemos - um repositório de materiais do inconsciente colectivo. 

 Assim vale a pena ver e rever, pelo novo e pelo que relembra, a ideia de Viagem e de Peregrinação

 http://tv2.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=27058&e_id=&c_id=8&dif=tv&country=&cache=1

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*O paradoxo científico, mas também perturbante, com que nos deparámos - em Monserrate uma nova história, ver p. 16 - ao perceber que Iconografia considerada orientalizante, é, talvez 100% europeia (se a questão se pode pôr em termos quantitativos)? Pois também está, mais límpida e sem decorativismos, em obras ditas românicas e norman, do Sul de Inglaterra e do Norte de França.


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