Ao acabar um ano lectivo muito “sui generis”, hoje são os desenhos do trabalho de duas alunas que queremos destacar.
Ano especial, por ter sido particularmente difícil, dado o contexto de crise em que todos estamos envolvidos. Mas também porque houve muito bons alunos: i. e., pessoas óptimas a quem gostaríamos de ter dado bastante mais tempo e atenção. É o verdadeiro gosto pelo ensino, que passa pela verificação (e a constatação) de que se ensina, é verdade, pois vêem-se os progressos. E porque também nós aprendemos.
Claro que se aprendem as mais variadas informações e conhecimentos, desde os programas informáticos que os alunos dominam; alguns conhecimentos que estão a trabalhar, noutras disciplinas, e podem ser entrecruzados nos nossos trabalhos. Porém, aquilo que em geral nos enriquece (em especial nesta altura, relativo aos temas que nos interessam) é a possibilidade de perceber um pouco melhor a mente, os seus processos de assimilação do conhecimento, a respectiva expressão, e, sobretudo, a materialização das ideias*.
Depois, também a curiosidade, o gozo, a espontaneidade e a alegria dos alunos, que passam para os trabalhos que fazem. Idem para a perseverança, ou,... a preguiça.
Assiste-se igualmente à assertividade e coragem (sem razões para receios) de ter e afirmar ideias próprias. À força das soluções encontradas: algumas mais típicas de arquitectos - como ontem disse a vários alunos - pois, quase desassombradamente, rompem as barreiras existentes, e têm ideias plenas de sentido (as quais, se fossem executadas, seriam um sucesso).
Ou, claro que também acontece, e é o mais comum, vê-se aparecer as soluções que resultam da soma de várias pequenas opções: que também funcionariam - plenamente, e como ideia una - se executadas com perfeição, ao nível dos detalhes.
Os desenhos que pedi à Beatriz e à Débora para colocar aqui, têm uma característica que é rara: substituem – e em nossa opinião funcionando melhor para o objectivo em vista – alguns “renderings” feitos no computador.
Porquê? Perguntarão muitos.
Porque fazem o mesmo que certas ilustrações de carácter científico, que é comum precisar de ter em Medicina (para conhecer a Anatomia), Ciências Naturais, Botânica, etc., em substituição da fotografia:

Pois permitem valorizar, ou mostrar e dar a ver, com todo o pormenor e a máxima clareza, a forma
dos componentes constitutivos das «imagens a criar».
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* Materialização na qual a imagem (visual, claro) teve sempre um papel essencial.