Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
11
Abr 11
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Uma das palavras mais empregues nestes posts, desde Outubro de 2010, é a palavra «Conhecimento». Ainda bem que assim foi, pois estão aí os números - i. e., "a quantidade de informação" - que provam o seu uso. Como pretendemos ensinar, e tentar que as pessoas (os nossos alunos, desde sempre) adquiram as informações necessárias para analisar os problemas que lhes são postos. Na nossa vida isso tornou-se mais do que uma preocupação: uma ocupação! 

Esta actividade (mental), que está longe de ser despiciente, aconteceu quando nos apercebemos, sobretudo a partir de 2001, que inúmeras actividades - como foi o caso da designada "indústria da construção" - e várias outras fontes de rendimento, estavam profundamente erradas: é que vivendo em círculo (vicioso), geravam trabalho e negócios, mas, completamente artificiais. Porque não estavam a produzir riqueza!

Eram sonhos e ilusões, nos quais muitos embarcavam e se empenharam, sem perceberem a sua verdadeira utilidade (ou inutilidade), versus necessidade. São até inúmeras as obras edificadas, porém, incapazes de gerarem a sua auto-sustentabilidade: como os fogos construídos e desabitados; os estádios de futebol, que consumiram milhões, de uma qualquer moeda, e que precisam de mais custos de manutenção do que aquilo que podem render.

Em 2001 já tínhamos percebido toda a importância que teria que ser dada ao Restauro, Salvaguarda e Reabilitação Urbana. E foi a partir daí, que «ao trabalhar de mais»*, nos começaram a surgir vários temas desconhecidos, e diversos assuntos, que, praticamente, da forma como os detectámos, nunca antes tinham sido abordados (ou entendidos).

Quando se tem razão antes de tempo, é-se altamente incompreendido: é-se «uma ilha» durante todo o tempo que é necessário dar, para que se tornem visíveis e notórias - ou contemporâneas de todos (que vêm bastante mais atrasados...) - as razões que primeiro fizeram mover os «vanguardistas».

Espera-se, e deseja-se, muito a sério, que as ilusões baratas e superficiais, que nos têm vendido, não se tornem absolutamente incomportáveis: pois vamos todos pagá-las!  

http://fotos.sapo.pt/henricartoon/fotos/?uid=QK8QOvTh7AmUGqEZCk2m

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* De mais porque não se esperava que nos empenhássemos tanto na resposta à pergunta que tinha sido colocada; não era suposto fazermos «diagramas», como se faz em projectos, para ir arrumando os enunciados já percorridos (e mais ou menos entendidos), de modo a ordená-los. 


09
Abr 11
publicado por primaluce, às 23:02link do post | comentar

Antes que nos falhe a memória - não a visual, mas a outra - aqui está a varanda, algures na Ilha de S. Miguel (será no lugar das Furnas?), e em que ontem estávamos a pensar. Cujas grades formam desenhos iguais aos da varanda das Escadinhas do Duque, em Lisboa. Mas, estes padrões também proliferam noutros lugares, como Porto, Aveiro, Viana do Castelo, Vale do Douro..., onde se encontram exactamente as mesmas configurações.

Porém, frequentemente trabalhadas de outra maneira: isto é, nem sempre em peças fundidas, como na foto abaixo, mas sobretudo em ferro forjado: em anéis que formam argolas e mandorlas

Pode ser que um dia, estando atentos, já todos saibamos observar (e ler, separando-os), os vocábulos que entram nestas composições.  

Pode ser, pois estamos aqui para ensinar...


08
Abr 11
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Essa frase: "...não vais ser criativa em arte, se não aprenderes com o que está à volta...", é de Denise Scott Brown, a «avó da arquitectura» - como se chama a si mesma a autora-arquitecta, lembrando uma professora que teve. Leiam a entrevista, feita quase há um ano, em 

http://ipsilon.publico.pt/artes/entrevista.aspx?id=259339

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Perceberão, depois (talvez?), aquilo a que nos referimos...

Pela nossa parte, depois de ontem termos feito inúmeras fotografias em Lisboa, em zonas antigas da cidade, ficámos numa de: "...Não há machado que corte a raiz ao pensamento!"

Porquê? Porque o pensamento por imagens, o "inconsciente colectivo" de todos nós; aquele que serviu para traduzir ideias, e de que António Damásio também fala (no seu último livro - embora não se aperceba disso...), ele está por aí: bem fora da mente, embora vindo de lá! Está registado em inúmeros desenhos e configurações, como são as plantas, alçados, detalhes e ornamentos, da arquitectura antiga. Isto é, aproximadamente até meados do século XX - estamos perante a mesma imagética de origem «iconoteológica», que vinha a perder força e sentido - pois fora criada nos confins dos tempos.

Estas são as mesmas argolas que estão em varandas dos Açores; inúmeras vezes em ornamentos diferentes, mas com a mesma base geométrica, na Sé Velha de Coimbra. Também no túmulo de Egas Moniz - em Paço de Sousa, etc, etc.... 

Por fim, há que o dizer, Lisboa bem pode ser linda, mas não se conseguem fazer fotografias sem fios eléctricos - puxadas clandestinas, ou simplesmente mal colocados, vá lá saber-se? 


06
Abr 11
publicado por primaluce, às 16:52link do post | comentar

Já o escrevemos várias vezes, e aqui está mais um exemplo. O padrão de estuques na fotografia do post anterior, foi divulgado por Owen Jones, e recolheu-o no levantamento que fez (com Joules Goury) do Alhambra. Esse trabalho - Plans, Elevations… of the Alhambra, foi publicado, se não nos falha a memória, em 1845.  Mas Owen Jones também fez, em 1856 Grammar of Ornament;  i. e. 2 anos antes dos arquitectos James Thomas Knowles terem iniciado o projecto do Palácio de Monserrate (1858).

O autor - Owen Jones, é considerado um dos primeiros Designers, e dele temos hoje imensas informações (para inúmeros posts). Ver no trabalho dedicado a Monserrate, no IIIº Capítulo, já que a sua influência também se fez sentir em obras portuenses, como é a sede da Associação Industrial, mais conhecida como Palácio da Bolsa. E nesse edifício, concretamente o chamado Salão Árabe, como explicaram Flórido de Vasconcelos, e outros autores, teve influência dos seus trabalhos. Já a realização foi de um outro estucador de apelido Meira (em Monserrate - Domingos Meira, que chegou a ser arquitecto), conhecido pelo Afifano. Era aliás dessa freguesia de Viana do Castelo que provinham muitos dos melhores estucadores, tendo trabalhado para todo o país, inclusive o Palácio de Estói no Algarve. E este é um outro assunto em que poderemos vir a dar um maior desenvolvimento.  

A imagem acima (a fig. 7, é uma policromia, mas realizada em estuque, é apenas branco, que vive do jogo de luz e sombra) vem de uma cópia, facsimile, da edição francesa - "de Bernard Quadrich, parue en 1865. - La Grammaire de L'Ornement"*.

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*Diga-se de passagem: é um livro lindo que dá gosto folhear!


02
Abr 11
publicado por primaluce, às 16:20link do post | comentar

Pois é – de facto continua a haver muito para fazer... - e, em simultâneo, queremos voltar a Monserrate. Assim hoje ficam alguns diagnósticos, feitos para fora, quase «para inglês ver», de alguns responsáveis pelo Ensino em Portugal. Mas, ficam também outros, e esses feitos para dentro (aos Amigos de Monserrate em 2010). Neste caso estamos a pensar num depoimento de José António de Mello, que em 2008 estava à frente da AAM, e assim, pessoalmente e pela parte dessa Associação, nos apoiou no lançamento do livro dedicado a Monserrate. O que decorreu no Palácio Barão de Quintela* (há quase 3 anos).

Se Marçal Grilo e António da Nóvoa referem a ausência de hábitos de estudo e de investigação, em contraponto está o interessante depoimento de José A. de Mello, que divulga, de uma forma directa, e sobretudo mais esclarecedora do que é habitual**, várias referências alusivas à vontade que teve Saragga Leal, com os seus objectivos, desde logo muito específicos, para ter adquirido a propriedade de Monserrate aos Cook. É que tinha em vista, a realização, pronta e imediata, do lucro.

Por isso, na sua perspectiva, a propriedade seria fraccionada e urbanizada, como alguns têm escrito; mas poucos conseguem dar informações, tão específicas, dessa história, que, como se lê, ficou depois a marcar a família: registando a vontade de fazer o loteamento, e a destruição - dizemos nós - de um bem que (inteiro), é sem dúvida, valiosíssimo. A ter acontecido, seria o equivalente, por exemplo, a agarrar numa peça de arte, e tirar-lhe a madeira de que era feita para alguém se aquecer fazendo uma fogueira. Seria como fundir baixelas para ter prata, ou o derreter de jóias, para ter ouro.

Como é mostrado, esse «quase-sacrilégio» foi evitado de uma maneira bem ditatorial; imposto por quem entendeu que ali havia valores que o dinheiro não paga...  

Ora, passados estes anos (60-70) talvez esta seja uma «estória edificante»? Já que o dinheiro é o dinheiro, e se há quem goste de ter os bolsos cheios (a abarrotar), outros há que sabem que nem tudo se vende ou se compra, e por vezes é preciso lembrá-lo: é que também há valores, talvez menos exuberantes, muito mais silenciosos, e também mais estáveis e seguros.

No link a seguir, do Wall Street Journal, fala-se em dois deles – a educação e o ensino. No outro fica essa «estória» que é contada, não na primeira pessoa, mas ainda repleta de vários sentimentos, que o tempo parece não ter apagado. Serão eles equívocos? Ou talvez não? O que pensamos nós dos verdadeiros valores? Onde começam e acabam? Será que vão do ouro ao húmus da terra? Ou, nem pensar, quando muito ficam na pedra, e já o estuque «lavrado» não passa de um "ersatz"?

Eis o que nos parece ser um óptimo tema para começar a debater os valores que andam em crise...

http://online.wsj.com/public/page/0_0_WP_3001.html?currentPlayingLocation=19&currentlyPlayingCollection=News&currentlyPlayingVideoId={F3AC14DE-7028-44E9-9987-0F78136F12B7}

http://amigosdemonserrate.com/sites/amigosdemonserrate.com/files/testemunho_jose_antonio_de_mello.pdf

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*Designação que é a original, pois tem a ver com quem primeiro construiu o Palácio, e não com os actuais proprietários.

**Em que as pessoas repetem informações, mas sem se esforçarem por as esclarecer, junto daqueles que ainda as podem dar em primeira mão.


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