Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
10
Mar 11
publicado por primaluce, às 16:08link do post | comentar

Há dias, quando referimos a "manipulação das imagens" como um método de investigação em História da Arte, por lapso, as imagens 3ª e 4ª eram a mesma.

Ficou assim  criada a hipótese de destacar, ainda mais do que já tencionávamos fazer, uma versão da fachada da Casa de Monserrate, que, terá tido, como podemos supor, um vão bífore. Muito semelhante ao que existe na fachada da igreja de Santo Cristo do Outeiro, que se localiza entre Bragança e Miranda do Douro: uma obra que é do início do século XVIII e está repleta de excertos arquitectónicos que não têm deixado de intrigar os estudiosos. É ainda importante notar, que o Outeiro fica mais próximo de Bragança - embora, inicialmente, a diocese tivesse sido criada com sede em Miranda do Douro.

Nesta região distante do país, pelos anos 80 do século passado (e na sequência de uma «Presidência Aberta»), foi entendido pelo IPPC, o actual IGEPAR, a grande necessidade que havia de proceder a acções de sensibilização, que alertassem  para o valor do património cultural e religioso. Um desses eventos, que teve um  carácter multi-disciplinar (sobre têxteis, mobiliário, escultura, em diferentes materiais, arquitectura, etc. existentes nalgumas igrejas da diocese), foi coordenado por nós, tendo permitido por isso, simultaneamente, uma grande proximidade a obras que, de outro modo, nunca teríamos contactado, com uma maior diponbilidade de tempo, ou, com a devida atenção...

Mas avançamos, visto que se pretende abordar a que pode ter sido uma das imagens do Palácio de Monserrate: 

Com o desenho que hoje se apresenta fica reposto um dos esboços da fachada principal dessa mansão, o que nos permite provar, que em 1988, tal como em 2002 e ainda hoje (parece...?) continuamos atentos, e capazes de diferenciar pequenos detalhes iconográficos (ou mínimos), porém de grande importância.  

Abaixo a ampliação do corpo central tendo ao meio o que designamos "vão bífore" (o qual como se pode ver, não tem mainel). No nosso livro sobre Monserrate, por várias vezes, em textos de N. Pevsner e de outros autores (alguns citámos), fizemos alusão a este tipo de vãos, que, entre nós, são pouco percebidos, sendo chamados "manuelinizantes". Embora existam por toda a Europa... - como facilmente poderemos vir a apresentar com diversas fotografias que temos. Várias dessas imagens foram recolhidas em Itália, e permitem reforçar aquilo que vimos a defender: os propósitos político-religiosos, muito específicos, de toda esta iconografia.  

Hoje sabemos (porque o deduzimos), que de uma forma diferente - i. e., sem empregar o arco quebrado - também os vãos bífores, que são vãos geminados, mas não forçosamente agimezes (ou «arabizantes») terão querido aludir ao Deus Cristão; colocando ainda, e quase sempre - foi essa a essência do Gótico - uma ênfase maior na questão e na temática, específica, da "procedência do Espírito Santo". 

Oportunamente serão aqui colocadas imagens do portal da igreja do Outeiro, da qual, também temos algumas ideias, que se retiram da Iconografia (ou da iconologia - em geral), já que esta era «falante»... 


09
Mar 11
publicado por primaluce, às 20:13link do post | comentar

Sobre Humphrey Repton haveria imenso a dizer, pois na verdade a sua fama deu brado, como seguidor de Lancelot Capability Brown - outro paisigista, e um dos «primeiros», cujo estilo introduzido c. 1750 "is colloquially known as "serpentine" gardens,..."

Mas, porque quase sem dar por isso, as informações que hoje reunimos, não são apenas as de uma certa transversalidade, mas, talvez, também, de alguma (pequena/média?) especialização na arquitectura inglesa. Pouco importa qualquer resposta..., pois interessa-nos, claro, muito mais, aquilo que nos aparece como muito fascinante. 

Neste caso são muitas figuras, como é exemplo, igualmente, a de Owen Jones - um dos primeiros Designers da história. Designer com o sentido que hoje lhe damos: i. e., não o de mero projectista, arquitecto ou engenheiro, mas alguém que dominava a ornamentação e arranjo dos ambientes interiores; e foi como tal que esteve ligado à grande exposição de 1851, que se realizou em Londres ( e na qual se destacou, pelo valor do seu imenso trabalho). É um autor de quem temos bastante informação, e as nossas próprias opiniões, que nem sempre, serão coincidentes com o que consta na bibliografia e se pode ler sobre o autor. 

Já de Humphrey Repton, sabemos bastante menos, porém não faltam na Internet, vários sites que se lhe referem, dado o gabarito profissional que chegou a atingir.

Ontem referiamo-nos ao método que adoptou - para mostrar aos clientes o antes e o depois das obras - como se pode ver nas imagens abaixo (e também no respectivo endereço electrónico, onde há mais informação). Estavam então ainda longe, muito longe, os actuais "renderings", complementares do CAD, que permitem criar perfeitas visualizações (ou ensaios prévios) da obra que se pretende vir a executar. 

Aliás, num outro site encontra-se a descrição completa (e até invejável, pois também gostaríamos de trabalhar assim) do seu método:

"...These books were often drawn from material compiled for his famous "red books". The red books were volumes created for each landscaping client, complete with carefully drawn before-and-after maps, illustrations, watercolours, and ideas for changes to the client's gardens. These volumes were then bound in red leather and presented to the client."*  


08
Mar 11
publicado por primaluce, às 11:25link do post | comentar

Temos escrito aqui, várias vezes, sobre a importância de saber ver. Não temos dúvidas que a atenção no acto de ver, sobretudo novas imagens, se prende com o treino e com o exercício de observação. Ora uma das melhores formas de aprender a ver, é reproduzir aquilo que se vê, em desenho ou em fotografia. É uma acção de registo, deliberada e atenta (pois não é inconsciente), ligada às imagens que a retina, por momentos, mais ou menos breves, fixou.

Claro que quem passou uma grande parte da sua vida a ver e a observar, pode ter registos mentais, um enorme arquivo (que se chama memória visual), desses excertos, que, pelas mais variadas razões, acabou por memorizar. Isso passa-se connosco, mas, a verdade é que essa memória que alguns nos têm atribuído, é sustentada por um enorme arquivo material (e não apenas mental como parece julgarem...). É que existem chapas, pranchas, desenhos, blocos e mais blocos, negativos e muitos slides, repletos de imagens, nos quais neste momento (e sempre que quisermos) podemos estar a trabalhar, e por isso a rever.

Enfim, é também a confirmação de uma frase e de uma ideia, que desde Setembro, por alturas da aprendizagem de um novo programa informático (Moodle) nos apercebemos estar a acontecer. Os antigos e os tradicionais processos de registo, aquilo que Émile Mâle disse ter acontecido - a passagem de todo o Conhecimento à Arquitectura (e que André Grabar contrariou, dizendo ser impossível*); esses processos de registo que no passado - ao longo de toda a história - também estiveram na base da compreensão e da memorização de ideias, com as novas realidades, cada vez mais virtuais, e cada vez mais desmaterializadas, que hoje vivemos (muito apressadamente). Esses métodos que são muito mais frágeis e menos visíveis, não conseguem dar «tanta materialidade» ao Conhecimento. E, é a nossa opinião, facilitam a sua perca: a assimilação deixa de ser continuada (e demorada), e com isso muitas informações vão ficar esquecidas: fragmentos de memórias difíceis de reconstruir.

Pode ser bom e muito arrumado ter os arquivos miniaturizados, condensados na memória da mente, ou no CPU do computador, mas a verdade é que, como se diz no provérbio: "longe da vista, longe do coração". Também é verdade que nem todos captamos o conhecimento e a realidade apenas pela visão, mas, quem está nas áreas das Artes Visuais, ao estar implicado nelas, vai sobrevalorizá-las e especializar-se nos seus métodos.

Foi talvez por isso que em em 1988 ao fazer um estudo para o IPPC relativo ao Palácio de Monserrate, entendemos percorrer as principais vistas que estavam publicadas, ou eram mais conhecidas, no sentido de analisar as diferentes configurações que a mansão tinha tido.   

Vejam no nosso livro dedicado a Monserrate, a referência que fizemos a Humphrey Repton (1752-1818), um Paisagista de renome, que introduziu - a ponto de ficar conhecida... - uma nova metodologia de trabalho**: esta contemplava a demonstração (visual) da alteração que o novo projecto, ou a proposta que levava ao seu cliente, iria concretizar.

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* Em termos gerais estamos de acordo com Émile Mâle, acontecendo, parece-nos, que André Grabar, embora seja absolutamente complementar - nas informações que dá, dos trabalhos de investigação de Émile Mâle - acontece que A. Grabar não entendeu, totalmente, qual era o Conhecimento a que o seu predecessor na Academia (Académie des inscriptions et belles-lettres) se tinha referido. 

**Em Monserrate uma nova história, op. cit., p. 134, e nota nº 351, na p. 191.


05
Mar 11
publicado por primaluce, às 19:52link do post | comentar

É mesmo verdade

"Continuamos à espera que haja alguém sensível, capaz de entender que a investigação em geral, e esta em particular, pode ser útil. Pode ser criadora de cultura, de progresso e de riqueza. Investigação que, por isso mesmo, pode precisar de tempo para ser escrita e ordenada.

Como aconteceu em 2003/2004, em que o IADE concedeu todo esse ano lectivo para podermos escrever a tese que foi depois publicada em 2008."*

Na imagem abaixo a capa de uma obra de António Quadros, onde se pode ler a sua concepção, e o que investigou, relativamente ao que considerava ser a "acção do Espírito Santo..."**, na história do nosso país. 

A ideia que temos não é a mesma que a sua (o afastamento é considerável), mas, em 2002 - quando começámos a perceber a importância de toda esta questão, e como influiu, não exclusivamente na História de Portugal, mas na de todo o Ocidente - foi deste livro, e também daquele que o precedeu, que retirámos, no ínicio, muitas e importantes informações.

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* Textos do post que escrevemos no dia 26 de Janeiro

** Esta fómula sintética - "a acção do Espírito Santo" - é nossa, e talvez (mas não podemos saber...) hoje se pudesse alterar; preferindo a ideia da Cristianização, como obra da Igreja Católica junto dos diferentes povos, e neste caso, do povo português?


03
Mar 11
publicado por primaluce, às 09:02link do post | comentar

Esta é uma promessa fácil de cumprir. Talvez não haja melhor explicação - prática e visual - do Teorema de Pitágoras, do que aquela com que, há 20 anos, a Philips presenteou*, no nosso caso, um grupo de alunos e professor, numa visita de estudo às instalações das Amoreiras.

Aí, além de um auditório, com óptimas condições acústicas (que tinham tradução prática, visível, na escolha e na forma dos materiais de revestimento), existia também um módulo que tinha sido todo ele concebido para demonstrar vários aspectos relacionados com as características da luz: como cor, temperatura de cor, restituição cromática, intensidade dos fluxos luminosos, etc., etc., de várias lâmpadas diferentes. E que assim, partindo dos mesmos parâmetros, podiam ser analisadas e comparadas com a mesma base.

Num objecto pensado como brinde (ver imagens), havia a surpresa do aproveitamento de uma embalagem já existente (a caixa de um CD vazio), mas cujo recheio era compensador: um jogo, que, simultaneamente, ao nascer da aplicação matemática do célebre teorema de Pitágoras de Samos (c.582-507 B.C.), ganhava um interesse renovado.

Todos sabemos de cor o teorema, mas, poucos o visualizamos, dando-lhe assim o seu verdadeiro sentido.

É claro que se a matemática fosse sempre ensinada desta forma - materializada e dada a ver, e portanto menos abstracta - provavelmente muitos teríamos ido mais longe, quer na compreensão da «realidade física» da matemática, quer depois no cálculo (mais abstracto).             

 

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*Na altura festejavam-se os 100 anos da empresa, e já tinha sido antes (em 1978) o centenário da lâmpada de Thomas Edison; por isso a referência da Philips a um "Século de Soluções".

Algo que o Design sempre pretendeu fazer: criar e dar soluções.  


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