Há precisamente um ano sentimo-nos na obrigação de escrever isto:
"É preciso renascer!
Porque é preciso renascer, aqui hoje quero lembrar António Quadros: porque transportou uma ideia que Amadeo Souza Cardoso procurou e trabalhou; mas também Almada Negreiros – no painel «Começar»; mas também Lima de Freitas, e tantos outros. Quando há cerca de 10 anos A. Ferro me ofereceu os dois volumes de Portugal Razão e Mistério, não poderia imaginar (nem ele, nem eu...), a volta que um dia os mesmos iriam dar à minha vida. O que descobri, exactamente em 16 de Março de 2002, é o que António Quadros, e tantos que o precederam, e muitos que hoje o seguem, ainda procuram! A sua vida teve imenso sentido – pois não deixou morrer várias ideias que sempre questionou. Pessoalmente devo-lhe isso."
Glória Azevedo Coutinho . 21.03.2010 14:04 Via PÚBLICO
Terá suscitado, depois, outros escritos (com rigor) não sabemos? Terá suscitado mudanças de atitude, pois era um pouco essa a ideia da reflexão? Idem, igualmente não sabemos. Sabemos cada vez mais, pelos inúmeros percursos diferentes que os quase completos 35 anos numa instituição - e os ditos caminhos que nos fez fazer, Thanks God, pela parte boa, de que usufruímos, mas lamentável, por tudo o que está por detrás dos nossos esforços (o ter que andar sempre a toque de caixa! como se fosse soldado...) - sabemos que não há futuro sem passado.
Para haver futuro, se não tivessemos história para trás, era urgente, já hoje e agora, correr, começar a fazer o presente. Para que amanhã, quando acordássemos, não fosse necessário começar a construi-lo*.
No nosso caso, da maneira como pensamos a vida, e sempre passou para os nossos projectos - fossem eles a recuperação de edifícios antigos, ou mesmo obras novas - sempre procurámos criar um balanço (com a medida certa...**) entre tradição e modernidade.
Conceber o futuro, planeá-lo, e fazer programas para o seu desenvolvimento em termos práticos, é algo que se faz com boas ideias - conhecidas - que são as do passado. Mas também com novas ideias, soltas de atavismos, ou de prisões sem sentido (e até mesmo de «crenças»...): Ideias que são as do presente, as que conseguimos ter e imaginar, ou, prolongar para o futuro.
A noção da necessidade de renascer não é nada recente; antes pelo contrário; é antiquíssima: é histórica, vinda dos primórdios dos tempos. Saibamos dar-lhes futuro!
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* Tivemos esta sensação em Brasília (na capital do Brasil): uma certa falta que o passado nos faz para criar referentes para o futuro.
** O que é a medida certa, em algo que parece ser tão subjectivo? Na nossa opinião, aqui, a única resposta talvez possa vir dos Historiadores de Arte. Dos que conhecem as Ideias que foram registadas nos Ornamentos, e nos Elementos de Suporte da Arquitectura (quando falavam). Ou, até, mais recentemente, em todas as suas formas: desde o interruptor da luz - uma peça de design integrada - ao maciço exterior, de uma bomba de calor, que tem que estar à vista para poder funcionar, e que o arquitecto teve que assumir como elemento integrante do projecto (AVAC), a par dos desenhos de portas e janelas. Ou, dos volumes que procurou desenhar «cumprindo regras de ouro» (para assim serem formas simpáticas, aos olhos de quem vê!). Tradição e modernidade - não fomos nós que projectámos, mas admiramos sem reservas - está, é o paradigma, para agradar aos olhos e à mente, por exemplo, na Estação do Oriente. E o que dizem as Ogivas que lá estão...? O que disseram no século XII, no século XVIII no Aqueduto das Águas Livres, ou já em Inglaterra, no século XIX, nas Estações de caminho de ferro?
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PASSADO E FUTURO é também a imagem seguinte:
vinda de um "POP UP BOOK":
The Architecture Pack, de Ron Van Der Meer e Deyan Sudjic. Alfred A. Knopf, Publisher, New York, 10/1997
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Resta acrescentar que o futuro não tem que ter Ogivas (nem o seu sentido antigo), mas que tenha, pelo menos, a inteligência (estrutural) que, imediatamente, lhes associaram!
