Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
11
Fev 11
publicado por primaluce, às 10:08link do post | comentar

Claro que a expressão "abrir o dossier", é um modo de dizer; maneira de marketeer. Falaremos sobre o assunto "Arquitectura Falante", ou o Design e as Artes que falam, mas sempre longe de esgotar o tema, que é imenso. A intenção é apenas deixar pistas.

E a primeira é esta: temos referido a Geometria como a disciplina fornecedora dos vocábulos, significantes, dos estilos artísticos e arquitectónicos. É uma constatação observável, notória, e da qual não há dúvidas.

Depois, a segunda pista, para pensar: as formas da Geometria eram lidas, porque eram compreendidas, ou porque se sabiam «de memória»? Deixou de se compreender o significado das obras e dos estilos, porque os códigos que alguns sabiam, memorizados, deixaram de ser transmitidos? Ou, deixou de se entender esse significado, porque as pessoas deixaram de saber Geometria, e tornaram-se incapazes de ler: i. e., de fazer a leitura das formas?

Estamos nesta última; pois foi a Geometria que nos deu sucessivas informações. Porém, muitos abordam alguns dos temas que estamos a tratar, apenas pela perspectiva da memória. 

Enfim, seja qual a for a resposta, a verdade é que a memória é crucial. Tratemo-la bem.

 

Se não viram os últimos 15 minutos da Grande Entrevista de ontem, foram-lhe dedicados

http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/grande_entrevista/?k=1-parte-do-Grande-Entrevista-de-2011-02-10.rtp&post=14021

A primeira metade, é sobre o viver em família, e em sociedade. Em especial quando há dificuldades de memória e a sua degeneração: como nos respeitamos e tratamos mutuamente; ou, também, como alguns se tornam heróis inesperados e improváveis, a ponto de merecerem um grande respeito de todos nós.

Lembram os versos de Alexandre O' Neil: "Neste país em diminuitivo... Respeitinho é que é preciso!" Mas, este caso é o contrário. Absolutamente!

Take care...


09
Fev 11
publicado por primaluce, às 17:11link do post | comentar

"Pela importância que é impossível não reconhecer a uma investigação centrada nesta temática [a origem dos Estilos Artísticos e Arquitectónicos], temos tentado, tudo por tudo, conseguir levar a bom termo o plano de trabalho que delineámos. Incluindo no mesmo, e em linhas gerais, as principais descobertas que fomos fazendo, sobretudo a partir de 2005, data em que acabámos o mestrado. Descobertas, ou os materiais que encontrámos, porque, de facto, e muito cedo (em 2002, estando na FL-UL) «acertámos», exactamente, nas linhas de investigação em que era necessário trabalhar e porfiar, para conseguir ter resultados positivos." 

Deste texto quisemos hoje sublinhar a palavra «porfiar», pois tem sido veemente, enfática - e, provavelmente (para alguns), quase obsessiva - a nossa vontade, e o imenso trabalho que, em consequência temos tido, para aprofundar e levar mais longe o que se descobriu, ou «trouxe à luz», a propósito do Palácio de Monserrate. 

Assim o post do dia 26 de Janeiro mantém a sua actualidade, quer sobre a necessidade de termos condições para escrever a tese; quer pelas muitas palavras, que fornece, remetendo para diferentes vertentes desta imensa questão. Vertentes que podem ser analisadas, de per si, depois de ampliadas, constituindo material para muito mais investigações.

Quanto à palavra «porfiar», ou o que queremos dizer ao empregá-la, é porque se assiste, de facto, à existência de uma imensidade de materiais - que são documentos não escritos, mas visuais, isto é, as próprias obras - que provam as nossas ideias:

Primeiro, como muita informação e aprendizagem é feita, e foi feita, através da visão. Depois, como a Geometria foi durante milhares de anos, a disciplina fornecedora das regras de constituição das imagens. Devendo por isso ser tratada como a base mental com que olhamos, e, sobretudo, a base com que podemos compreender aquilo que vemos. Foi com estes dados essenciais, e bastam estes dois (mas poderíamos ir buscar um terceiro dado, ainda mais essencial, que é a natureza*), para que tudo - neste caso o Pensamento e a Conceptualização - aparecesse depois: formando-se em acréscimos sucessivos. 

Enfim, esses acréscimos são todas as elaborações mentais que fazemos, a partir dos referidos dados, que foram primordiais.

Pavilhão Real de Brighton (1824)

A fotografia acima mostra uma das obras mais destacadas de John Nash (1752-1835): i. e., a síntese que fez a partir de inúmeros dados, incluindo as pré-existências que já estavam no local (em Brighton), e que teve que aglutinar, dando-lhes um sentido com um mínimo de coerência. Mas, apesar de escrevermos isto, é verdade que para muitos a obra está longe de ser coerente! Ao contrário, os que a consideram lógica, chegam a integrá-la até num Estilo, ou, pelo menos, numa «corrente estilística», onde também estão vários exemplos de grande ecletismo. A fotografia (vinda de Patrick Conner, de Oriental Architecture in the West) demonstra a existência desse espírito que existiu. Além de Eclético - reunião de marcas identificáveis, de diferentes épocas ou proveniências - aparece muito carregado de Orientalismo. E a fotografia também prova, que cúpulas bulbosas - ou em forma de bolbo, que alguns têm escrito haver na mansão de Sintra - de facto, essa imagem não existe nos telhados, ou na cobertura, que é múltipla, correspondendo a cada elemento volumétrico, do Palácio de Monserrate.

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*Provavelmente, há milhares de anos, só depois da visão, da compreensão, e de algum domínio da natureza, se pôde «inventar» a Geometria?


08
Fev 11
publicado por primaluce, às 15:02link do post | comentar

O facto de termos levado Monserrate à Trienal de Sintra de 1998, organizada pela AAP em parceria com a CMSintra.

É que, embora não sendo um trabalho projectivo, num contexto de reflexão sobre Arquitectura e Paisagem, e as alterações que a arquitectura sempre opera no território - e nas vistas ou perspectivas globais que posteriormente temos dessa mesma paisagem (as Vedutas como lhes chamam os italianos) - nesse âmbito Monserrate não deve ser esquecido.

Pela sua qualidade, o conjunto que Monserrate constitui é exemplar. Contrariando aquilo que em geral se pensa e diz, sobre algumas intervenções feitas sobre a Paisagem. Isto é, pode haver excepções, e casos que são benefícios que se proporcionam ao território. Enfim, uma forma de cuidar a natureza, embora essa mesma natureza tenha sido (e passe a estar) alterada, em relação àquilo que era originalmente.

Ficam alguns destaques, de um artigo que é relativamente longo. 

 


07
Fev 11
publicado por primaluce, às 09:40link do post | comentar

O CV, ou Curriculum Vitae faz-se sempre com o maior dos cuidados e atenção, na medida em que regista as principais actividades e representa a experiência de vida.

Acontece, que, frequentemente, talvez porque não se valorizam as tarefas por igual, nem sempre se incluem todos os trabalhos de carácter profissional a que nos dedicamos (e dedicámos).

Por exemplo, hoje temos a noção que fizemos trabalhos que nunca constaram no nosso CV: caso de actividades equivalentes às dos «Programas SAAL», que desenvolvemos para a CMO, a partir de um Gabinete de Arquitectura (Triar), ainda antes de 1976. Trataram-se de trabalhos para bairros de génese clandestina, que actualmente são designados pela sigla AUGI (Áreas Urbanas de Génese Ilegal) – como Ribeira da Laje e Serra da Mira (agora Concelho da Amadora).

Nesses locais existem inúmeras edificações (fogos unifamiliares) que desenhámos com base num trabalho de Nuno Portas, publicado pelo LNEC, dedicado à Habitação Evolutiva. Assim, antes de termos terminado a que era então uma licenciatura, já tínhamos projectado algumas dezenas de fogos. Referências que – talvez pela forma quase natural como desenvolvemos esses trabalhos – nunca incluímos num CV.

Curiosamente, há dias encontrámos um documento (ver link desse pdf) da Associação Amigos de Monserrate, onde se faz alusão a uma apresentação que fizemos (e tínhamos esquecido) na Trienal de Sintra, organizada pela Associação dos Arquitectos Portugueses, justamente no período de transição da Associação (AAP) para a actual Ordem dos Arquitectos (OA).

Segundo dizem os Amigos de Monserrate na sua história relativa ao ano de 1998 – “…É apresentado um trabalho sobre Monserrate na Trienal de Sintra pela Arq. Glória Azevedo Coutinho.” 

De novo em 2009 voltámos a fazer mais uma das várias Apresentações que ao longo da nossa vida já dedicámos ao Palácio de Monserrate (realizadas para os Amigos). Mas, nesta última data, já os nossos conhecimentos sobre o palacete de Sintra eram outros: tínhamos provado que era muito mais uma obra com origem na arquitectura europeia – i. e., na Itália Romântica, nos palácios florentinos e venezianos – do que influenciado pelo Pavilhão Real de Brighton, como J.-A. França defendeu, e todos repetiram*.

É uma longa história, que nunca ficará completa, pois não tencionamos elencar, listar ou contar, em nenhum CV – muito menos de forma sistemática, ou com datas – as ligações que estabelecemos (alguns contributos que julgamos ter dado, tendo recebido muito mais de volta), entre a nossa vida pessoal/cultural, e o conhecimento do Palácio de Monserrate.

http://amigosdemonserrate.com/sites/amigosdemonserrate.com/files/HISTORIA_CRONOLOGICA_DOS_AMIGOS_DE_MONSERRATE2.pdf

* Em geral os seguidores de J.-A. França aprofundaram menos as suas informações, e seguiram-nas mais: i. e., nem sempre olhando para as obras com a devida atenção e espírito critico: assim repetem-se frases, e mencionam-se detalhes, que, bem vistos, nem sequer existem nas obras. Neste caso são as “cúpulas bulbosas” que o pavilhão de Sintra nunca teve. Mas, sabe-se lá se nós fizemos o mesmo, quando escrevemos sobre Monserrate há mais de 20 anos?


04
Fev 11
publicado por primaluce, às 21:35link do post | comentar

É-nos impossível não estabelecer algumas relações entre a casa da Quinta Grande, do Campo Alegre, no Porto, onde Sophia Melo Breyner cresceu, com a Casa e a Quinta de Monserrate, em Sintra. Esta última com uma ocupação muito mais antiga, e continuando ainda longe dos aglomerados populacionais - na Serra de Sintra. Em que, o receio dos incêndios, mas, sobretudo o ordenamento paisagístico do território (na Paisagem Cultural classificada e integrada na Lista do Património Mundial, da Unesco), tem permitido que a situação se mantenha, sem que se coloque a hipótese de ocupar, mais do que já está, a Serra e as suas franjas...

Para quem leu Ruben A. - na obra a que ontem nos referimos - e se vai deparando com alguns espaços da Casa Andresen (ver nos links abaixo, ou nas fotografias que têm aparecido nos jornais), é impossível não começar a associar alguns espaços dessa casa, com as descrições do livro escrito nos anos 60*, como acontece neste caso:

"No átrio do Campo Alegre, a árvore rompia brilhante e pronta. Mais uma noite de trabalho e aquele misto religioso e pagão estaria apto a receber os cânticos da noite do nascimento de Cristo. A última noite de ornamentação coincidia geralmente com o dia 22 de Dezembro; a 23 urbanizava-se o imenso átrio, e a 24 era a festa de todos os Andresens.  Na última noite de arranjo dava-se o deslumbramento..."

Mas, como é impossível não ficar deslumbrado, sendo poucos os que conhecemos que tenham lido esta obra. E, sobretudo porque não vamos copiar o I volume, resta-nos aconselhar a sua leitura. Para completá-la vejam depois mais imagens da Quinta e da Casa.

Na exposição sobre o trabalho de Darwin, lá está o Átrio, com as suas colunas metálicas, características da arquitectura da época, de influência inglesa. Visiveis, em especial, em instalações industriais, ou de grandes dimensões, como também sucede no edifício da Alfândega. Colunas que são muito comuns nos edificios antigos, ou da Beira-Rio, na Cidade do Porto.

 

As hipóteses são várias, mas a última é sempre a melhor. Vejam em:

http://fotos.sapo.pt/blogsapo/albuns/?aid=456&slideshow

http://noticias.sapo.pt/magazine/912634.html

http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1477885

http://fugaspublico.blogspot.com/2011/01/porto-darwin-da-nova-vida-casa-dos.html 

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*A primeira edição é de 1966 - Livraria Portugal


03
Fev 11
publicado por primaluce, às 10:31link do post | comentar

O Mundo à minha procura  é o titulo de uma obra em 3 volumes, de Ruben A.

Conhecemos a 2ª edição da Assírio e Alvim de 1994, que nos proporcionou óptimas leituras. Como por exemplo, as descrições e passeios (imaginários) que fizemos, desde a Rua de Cedofeita, ou, sobretudo no Campo Alegre - "Zona arejada, cheia de infância, perto do Tio João para ouvir histórias ao fim do jantar..." Enfim, pelo Porto de Ruben A.

Claro que se chama a atenção para a forma como o autor «deu a volta ao texto», pois todos procuramos conhecer o mundo, mas nunca nos ocorre que possa acontecer o contrário...  

Se o «ciclo da candeia» terminou, muitas outras candeias nos hão-de guiar, chamem-se elas Ana, Teresa, Francisco, Manuel, José ou Sofia. Aproveitemos as suas luzes, pondo de lado, por uns tempos (ou sempre?), as realidades comezinhas, escurinhas e deprimentes, que nos impõem.

É verdade que os trabalhos que são feitos com entusiasmo, com amor, e com paixão, são depois os que mais reluzem, e perduram. São os mais inspirados e os que se tornam benéficos para a comunidade, ou para o mundo. Porque se valorizou a qualidade e não apenas a dita da «contidade».

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O link de hoje leva-nos a um jardim cheio de histórias e repleto de vida. Não se fala neles, não são o mais vistoso, mas também lá estarão:

sob as pedras, ou junto ao lago do "Rapaz de Bronze", hão-de estar milhares de bichinhos-de-conta.

Pois vão lá vê-los, procurem-nos, e contem-nos, claro! Se é isso que dá gôzo...?

Mas não sem antes ler as histórias de Sophia, ou ouvir as explicações de Teresa Andresen

http://noticias.sapo.pt/info/artigo/1014288.html

http://www.scribd.com/doc/33880150/Rapaz-de-Bronze-Apresentacao-Final


02
Fev 11
publicado por primaluce, às 09:53link do post | comentar

Hoje é dia da Senhoras das Candeias, ou da Candelária. E portanto dia da padroeira da Catedral do Rio de Janeiro. Claro, também de muitas mais igrejas e capelas pelo mundo fora.

Ora, já que em Prima Luce escolhemos o tema dos primeiros raios de luz, para nos guiarem, hoje sugerimos que notem a lanterna, na mão de Cristo, de um quadro que foi pintado por William H. Hunt (1827-1910), um dos fundadores dos Pré-Rafaelitas. Obra a que, sugestivamente, chamou a Luz do Mundo. "The Light of the World" foi apresentado pela primeira vez  numa exposição, em 1854.

Falaremos desta obra, e do design da lanterna, num outro dia. Hoje pretende-se fazer saber que o povo e a tradição fizeram do dia 2 de Fevereiro um «marco»: uma espécie de dia de teste. Algo como «a amostra climática», do que pode ser o fim do Inverno, e o resto do ano...

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E porque é que sabemos disto?

Porque há um ditado popular, com muitas variantes, alusivo à candeia:

«Se a Candeia chora está o Inverno fora. Se a Candeia ri está o Inverno para vir»

http://www.eb1-recovelas.rcts.pt/proverbios.html

«Se a Senhora das Candeias rir, está o inverno para vir. Se a Senhora das Candeias chora, está o inverno fora»

http://bibliobeiriz.wordpress.com/category/proverbios/

«Se a candelária chora, está o inverno fora; se a candelária rir, está o inverno para vir»

http://www.felipex.com.br/proverbios04.htm

«Se a candeia rir, está o Inverno para vir; se a candeia chora, o Inverno está para fora»

http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=27539&template=imprimir

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Agora, para terminar o «ciclo», comparem a candeia (ou lanterna) pintada por Hunt, com o lanternim do Estabelecimento Prisional de Coimbra (post do dia 11 de Janeiro). Surpreendidos, é então muito natural que perguntem:

Há jogos entre palavras e imagens?

Há. Muitas vezes a Arte Antiga e Medieval partiu deste tipo de lógicas, surgindo repleta de associações; algumas «verdadeiras charadas»!


01
Fev 11
publicado por primaluce, às 09:43link do post | comentar

Toda a gente sabe que a experiência de fazer, e o tempo - a não ser que nos limitemos a esperar, por dias e horas especiais, para agir (?!) - toda a gente sabe que se todos os dias forem especiais, e todas as horas forem de verdade; ou, pelo menos, da nossa própria verdade (subjectiva ou não - a inteireza moral em que cada um sabe de si...), nessas condições, o tempo acrescenta-nos sabedoria e "Know how".

É a «mais-valia», expressão actualíssima dos dias que correm, a qual anda - de um modo (quase excessivo e) sintomático* - na boca de todos.

Mas para quem não se limita a «surfar» no quotidiano - e em todos os trabalhos, em todas actividades, é íntegro - esse aprofunda e vai mais longe: à raíz das questões, não se «desintegrando em partes»**. E, com o passar do tempo, vai acumulando saber e experiência. Isto é, vai-se enriquecendo com o que a maioria se limita a tratar pela rama. Até mesmo nos contextos teóricos - onde, era suposto teoria e prática serem vistas harmonizadas, dando substância ao Saber - pois mesmo aí, em geral, os práticos ganham aos pontos! Porque sabem fazer! 

Se, genericamente falando, os nossos projectos só se constróiem uma vez (embora precisemos de várias peças desenhadas, repetidas n vezes), outros há que precisam de simulações, de maquettes, de protótipos, etc.

Quando fizemos a nossa formação, durante esse período (1969-1976) o país foi atravessado por uma enorme onda de mudança e de transformação. Eram tempos de pioneiros, e de pioneirismo, em que o Design ganhou protagonismo: um realce que até então, em Portugal, fora quase inexistente.

São tempos que estão esquecidos: diríamos que estão submersos pela fama das «novas tecnologias», que, com o seu «novo riquismo», completamente bacoco, muito têm prometido, mas, claro, dão pouco em retorno. E é bacoco porquê? Perguntarão alguns: porquê desprezar algo que é tão útil, e o resultado de tantas e sucessivas invenções?

Respondemos: Porque sem ideias por detrás das obras - algo que se pode aprender lendo Plotino*** (nos primórdios dos tempos) - as «novas tecnologias» fazem NADA!

Esse novo riquismo, ou essas tecnologias em que tanto se investe, deveriam ser vistas - é a nossa opinião - agora sim, como uma mais-valia: como a caneta que escreve melhor do que todas as outras! Ou, um conjunto de procedimentos, que - integrados no software e no hardware - é capaz de receber as nossas melhores ideias. As que não deixamos de ter, e de as trabalhar, agora em novos contextos, em ambientes de trabalho optimizados.

Então as referidas tecnologias irão permitir, com muito maior facilidade, a duplicação, ou a multiplicação, dos desenhos de que precisamos. A experimentação de protótipos, o ensaio de alternativas, etc., etc., a que a industrialização não é alheia. E, acrescentamos, muitos mais etcs., porque de facto são fantásticas; porém, não nos menorizamos face às ditas... Isso é que é «ser bacoco»: dispensar a mente, só porque se tem uma máquina!

O Design de hoje, não o esqueçamos (e há outros que muito melhor do que nós sabem disto, e podiam lembrá-lo...), é herdeiro de muito experimentalismo, de muito pioneirismo, e de muito know how. Que é/foi saber prático, vindo das Artes Industriais - que escapavam ao ensino nas Escolas de Belas-Artes, como a Arquitectura, Escultura e Pintura - e se fazia de um modo não exclusivamente teórico, nas Escolas Comerciais e Industriais (como a António Arroio é exemplo).

 

Ficam destaques e reproduções de mais páginas do Catálogo do INII, de 1973.

 

 

 

São fotografias de protótipos, e de trabalhos dos pioneiros, que é impossível não respeitar, e perceber toda a sua lógica!

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* Excessivo e sintomático, porque, é óbvio, aqueles que mais falam de «mais-valia», são exactamente os redutores!

** Houve Teóricos do século XIX - entre os quais avultam as figuras de A.W.N. Pugin e J. Ruskin - que defenderam, na continuidade de autores Antigos e Modernos, que o Design fosse «honesto» e «íntegro». Categorias que nos parecem óbvias, embora hoje se usem outros nomes, menos «moralizantes».

*** Filósofo cristão (c. 205-270), que abordou o tema da transmissão da Ideia à Matéria.


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