Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jan 11
publicado por primaluce, às 16:27link do post | comentar

Claro que pode não ser óbvio, mas o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, sobretudo a sua Arcaria no Vale de Alcântara, veio a constituir «a pedra-de-toque», i. e., um dos mais importantes conjuntos de informações (que entrou, fazendo a maior diferença) na nossa tese. Que era - desde o início foi sempre isso que quisemos fazer - sobre o Palácio de Monserrate: com o objectivo de estudar e compreender as suas diferentes campanhas de obras, desde o século XVIII ao XIX.

Aliás, ainda guardamos, quase religiosamente, os vários documentos e planos de trabalho, que tencionávamos seguir. Por eles se prova, como o tema das "Origens do Gótico" - que não era nosso, e do qual sabíamos nada - se veio intrometer, levando a que aquilo que seria uma normal tese, semelhante a todas as outras, se fosse transformando e evoluísse, como uma «bola de neve», para um assunto extraordinário e gratificante. Que, na nossa vida, nunca poderíamos imaginar algum dia vir a abordar.

Como escrevemos na Introdução do trabalho (ver op. cit., pp. 11 a 14), houve quem chegasse a querer que mudássemos de tema, para passar a tratar do Aqueduto. Agora, olhando para trás, e sobretudo para a maneira como hoje nos apercebemos que alguns definem os seus territórios, e os temas que dominam (ou que julgam dominar...) ainda bem que não o fizemos.

É que em cada capítulo do nosso trabalho, para além do muito que aprendemos, deixámos material para vários doutoramentos. Pois mostrámos, exactamente com base no Aqueduto - cujo conhecimento parecia estar absoluta e definitivamente consolidado (e até com donos...!) - que muitos mais temas podem vir a surgir.

Enfim, que muitos mais temas se podem vir a retirar de uma História da Arte, que, como várias vezes ouvimos no Instituto de História da Arte da FL-UL, este aviso e alerta contra algo de erróneo, mas que é muito comum, e tem que se evitar. Que é o facto de se fazerem trabalhos sobre obras para as quais nunca se olhou (com a necessária atenção). 

Em suma, percebe-se que esses desvalorizam (e não estão preparados, por não terem suficiente treino de «manipulação da imagem») aquilo que numa Escola de Design mais se aprende a valorizar: a capacidade de comunicação visual das Formas**.

As informações que hoje temos sobre o Aqueduto (segundo nos parece?), todas reunidas dariam, provavelmente, um livro interessante e de razoável volume. Alguém quer contribuir para isso? E pelo meio aprofundar a questão que levou à edificação de uma Capela dedicada à Virgem de Monserrat, da Catalunha, num dos últimos arcos antes do edifício da Mãe d'Água?

Parece ser um assunto imenso: os operários da Catalunha que vieram para Lisboa, devotos da Senhora de Monserrat, vieram para construir o Aqueduto? Para trabalhar na Fábrica das Sedas, ou em ambos***?

  

Em Monserrate uma nova história, alguns destes assuntos - Aqueduto, devoção à Virgem da Catalunha (imagem a seguir), história da propriedade de Sintra, orografia da serra, etc. - estão mais desenvolvidos.

 

*“The aqueduct, (...)was built in the 18th century to bring fresh water into the city. According to the Guinness Book of Records, it has the highest stone arch in the world...”

** E isto mesmo sem ler alguns textos essenciais, e sem atender - com a devida atenção - à Teoria das Ideias (e das formas...) de Platão.

*** Note-se que é com todo o gosto que lançamos temas. Assuntos que segundo pensamos não estão esclarecidos, e, principalmente, cujas respostas e informações podem ser úteis.    


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