Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
06
Dez 10
publicado por primaluce, às 11:16link do post | comentar

Não se trata de dispersão, continuamos a querer abordar a mandorla, como forma resultante de um esquema ou organigrama para traduzir uma certa ideia (i. e. - a chamada "dupla procedência do Espírito Santo") da Trindade Cristã.

Continuamos a querer explicar como, sucessivamente, e para além da arquitectura, a mandorla foi introduzida em diversos objectos utilitários, conferindo-lhes valor significante. É claramente uma questão de design (mesmo antes de este existir). Dir-se-ia, por exemplo, que é uma questão de «sinalização visual».

Mas, deixemos as nomenclaturas, porque se pode sempre recorrer a inúmeras designações, embora naturalmente, umas possam ser mais adequadas do que outras...   

O título que escolhemos - "Os mais altos valores" - tem a ver com o facto de todos nós, ao longo das nossas vidas podermos eleger algo, geralmente são valores, que nos dão segurança*; que nos escondem e protegem das adversidades. Dir-se-ia, que são muralhas e escudos, a origem de uma fortaleza que nos guia vida fora: nos bons e nos maus momentos. 

Temos estado a escrever, tendo apenas na memória a imagem que agora vamos inserir. No entanto, quando o leitor ler este post, não vai dar uma tradução directa às palavras que acabámos de escrever; à força, e à expressividade que tentámos colocar neste aviso prévio. Porque a imagem vai fazer o que sempre faz: vai valer por mil palavras, e vai interferir, reforçando, ou dando outros sentidos - e eventualmente até pode distraír... - daquilo que se acabou de redigir.      

Propositadamente coloca-se uma página inteira - de Shakespeare, o teatro do mundo, de François Laroque, Quimera Editores, Lisboa, 2003 - e é o personagem a usar um livro como escudo, que agora nos interessa. É uma metáfora? Um sentido figurado? Claro que é. Por isso, não podemos ter apenas em mente, a tradução directa, redutora, e minimizadora, das imagens que vemos... Essas imagens são - e portanto foram integradas nas obras - muito mais do que uma tradução directa.

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 *Para muitos essa segurança, ou valor, pode vir apenas (e também - dá jeito) do «vil metal». 


05
Dez 10
publicado por primaluce, às 11:12link do post | comentar

Palavras para quê?

 Junta-se um excerto da entrevista do ministro Mariano Gago ao DN, que é publicada hoje (5.12.2010):

 

«…O dossier do ensino superior foi-me proposto quando entrei nesse Governo, em 2005, com um objectivo – o de proceder à reforma do sistema de ensino superior em Portugal. Esse era o objectivo e esse era o projecto.

 

Está satisfeito com o que está a produzir nesse âmbito? 

Não sou eu que tenho de estar satisfeito. O País deve estar satisfeito. O ensino superior está satisfeito. Acho que as próprias instituições estão extremamente satisfeitas com a possibilidade de terem feito com bastante rapidez uma reforma que era essencial para Portugal, para conseguir melhorar a qualidade, a relevância do ensino superior dentro da sociedade e do emprego, e para alargar a base social do ensino superior, que é um desafio tremendo para o nosso país. O nosso país precisa de muitas mais pessoas com formação superior. Foi possível criar esta abertura e esta responsabilização do sistema de ensino superior a partir de uma reforma que foi, no meu entender, modelar em termos internacionais...»

 

      Não perder toda a entrevista, a ler em:    

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1727767


04
Dez 10
publicado por primaluce, às 18:19link do post | comentar

Continuamos a tentar divulgar as Primeiras Luzes, de um assunto que é vastíssimo, e com derivações não apenas na Arte e na Cultura, mas também para outras áreas científicas.

De acordo com aquilo que defendemos, a imagem seguinte corresponde a um novo «organigrama» que também traduziu o Filioque: isto é, a "Dupla procedência do Espírito Santo"*. Porém, agora já no contexto do estilo a que hoje se chama Gótico, o qual correspondeu a uma evolução do Românico - proto-gótico, como aqui se referiu há dois dias - para o «verdadeiro gótico». E na terminologia que fora usada por J.-F. Félibien, estamos agora perante aquilo a que chamou o "Gótico Moderno".

Como em geral se pode compreender, e toda a bibliografia o mostra, ao nível da construção houve depois importantes desenvolvimentos estruturais e as edificações do estilo Gótico puderam subir em altura, como até então ainda nunca tinha acontecido. Mas, na génese do estilo (ou o que levou à sua criação) – sobretudo na da sua «imagem de marca», que foi o "arco quebrado" – na origem dessa forma construtiva esteve muito mais uma questão linguística, e uma tentativa de explicitação das ideias a comunicar. Do que esteve, a priori, a vontade de criar um outro estilo; ou, até mesmo, a vontade de inventar um novo arco, que, estruturalmente, fosse muitíssimo mais resistente do que o arco de volta inteira, ou a arquitrave (greco-latina).    

O que no nosso trabalho chamámos um "arranjo e disposição orgânico-relacional, entre as pessoas da Trindade" é a mandorla, que resulta da intersecção de dois círculos. Uma Forma que, dependendo dos autores, tem recebido diferentes designações: mas uma das mais comuns é "mandorla mística".   

Abaixo foto da Rosácea da Iglesia de San Esteban de Ribas de Sil**  

 

Note-se como o desenho das aberturas, executado na grelha de pedra, agora já com a forma de “mandorlas”, é ainda pesado e muito maciço. Quer comparado com o desenho da Rosácea da igreja de Paço de Sousa (ver dia 2.12); quer ainda se comparado com a Rosácea da igreja de Tarouca (imagem seguinte), que é muito mais aberta.

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*Ver in AAVV, Romanico en Galicia y Portugal, Fundación Pedro Barrié de la Maza, Fundação Calouste Gulbenkian, 2001, p. 126.   

** O assunto é vasto e muito complexo, em Monserrate, uma nova história, ler na Introdução a nota nº 14, e depois as várias referências ao Filioque. Jacques Le Goff aborda este tema em vários dos seus trabalhos, por exemplo - Em Busca da Idade Média, Editorial Teorema, Lisboa 2004.  

mailto: bien.faire.et.laisser.dire.gac@gmail.com


02
Dez 10
publicado por primaluce, às 09:42link do post | comentar

A imagem seguinte representa o Esquema, ou Ideograma, que segundo defendemos traduziu o Filioque*. Numa versão (pois houve várias), que ficou inscrita nas obras Românicas, quando a questão do Cisma do Oriente (1054) era já cada vez mais premente: havendo a necessidade - da parte da Igreja do Ocidente - de o proclamar. O que aconteceu de uma forma que foi, crescentemente, mais clara, mais forte, e mais afirmativa. De tal modo que um dia culminou, arquitectonicamente, no Estilo a que hoje todos chamamos Gótico 

Seguindo a classificação de Jean François Félibien (que distinguiu dois Góticos**) esta imagem correspondia ao Gótico Antigo. As áreas que tracejámos tinham que ser especialmente trabalhadas – sobretudo desbastadas na pedra, como se vê no exemplo seguinte – de modo a ser legível uma ligação forte entre os Círculos. Repare-se como essa ênfase posta na «escrita» - que qualquer Estilo é - resulta também muitíssimo decorativa.  

Rosácea de Paço de Sousa

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* Desde que editámos este post já houve pedidos de esclarecimentos: ver em Monserrate, uma nova história, op. cit., pp. 27 a 45. Para se ter a noção da complexidade deste tema basta dizer, que, actualmente (nos estudos do doutoramento, em curso) este assunto encontra-se sub-dividido em várias abordagens, ocupando - apenas o cerne da questão - cerca de 40 pp. Sobre o Filioque, aconselhamos uma das melhores síntesesver na Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira, LX 1969, v. 8, cc. 837-838.   

**Embora sem imagens que a ilustrassem, esta questão já ficou explicada em Monserrate, uma nova história, op. cit., pp. 43 e 44. Sendo também referida (o Gótico Antigo e o Gótico Moderno) a propósito do aqueduto de Tomar, chamado - Pegões Altos; ver na p. 72 e na nota 168. 

bien.faire.et.laisser.dire.gac@gmail.com


01
Dez 10
publicado por primaluce, às 11:05link do post | comentar

"Santos de casa não fazem milagres" é o que nos dizem. Frase que é repetida por todos os que acham que devemos trabalhar, non stop, para adquirir um doutoramento, que os próprios professores universitários não querem aceitar... 

Não querem aceitar a evidência que já deixámos no trabalho anterior, a demonstração de uma relação directa entre Teologia e Arquitectura. 

Pois se não querem aceitar, e se preferem manter-se na ignorância, difundindo do alto das suas Cátedras o que tanto aprofundaram, ou continuam a empreender, mantenham-se nessa, que é muito interessante, e que lhes dê muitos frutos e muitos benefícios!

Pela nossa parte, há na nossa própria vida muitos mais interesses, e muitas mais áreas em que investir e gastar energias. O que se passou na Faculdade de Belas-Artes no dia 5 de Novembro, e a que temos chamado "sururu"; o que se passa no IADE, apesar de já ter sido explicado que conhecemos o Tratado de Teologia que deu origem à Arquitectura Medieval,  e que esse achado constitui um facto da maior importância ao nível da Historiografia da Arte. Depois de termos insistido que precisamos de dispensa sabática para conseguir escrever, e ordenar as mais de 500 páginas que já estão escritas; depois de insistirmos que temos dificuldades de ordem física, precisando de alternar as tarefas da escrita com exercícios físicos e de fisioterapia. Enfim, depois de todos os nossos esforços - ininterruptos, desde o dia 16 de Março de 2002 - em que nos apercebemos que foi a questão do Filioque, que decorreu principalmente, e numa primeira fase na Iberia, em torno do IIIº Concílio de Toledo, em 589, que esteve na génese do Estilo Gótico. Depois de tudo isso, e porque ("thanks God") «vemos coisas que ninguém vê», agora o nosso ritmo e metodologias, vão ser outros. 

Não estamos dispostos - como nos dizem para fazer - a saír de Portugal, e a ir a um qualquer outro lugar, de armas e bagagens, com todo o nosso circo e caravana, para aí recomeçar a apresentação de toda esta Ideia

Prescindimos de projectos que não aceitámos para estar a fazer este trabalho, havendo muitas provas disso. Não fizemos a normal Assistência Técnica a obras que projectámos, para poder escrever este doutoramento.

As entidades oficiais, os que decidem e «reinam» neste Portugal que se empobrece todos os dias, se não estão ao nível dos desafios que se autocolocaram, façam aquilo que é normal: saiam de cena, e levem consigo toda a sua lixarada medíocre!

Pela nossa parte, seria lindo conseguir ser herói, mas..., não há nem vontade, nem energia para isso!   

 

 Há mais vida para além «desta mediocridade»*: há alunos interessados, design de interiores para ensinar, há um Glossário Visual que havemos de concretizar; há som, há olhos, há mente que compreende, há Beleza que vamos gozar!   

e já agora, tudo isso - GRAÇAS A DEUS! Como, à sua maneira, cada um destes vãos o proclamou. 

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* O trabalho que entendemos ser de interesse nacional, e por isso nos dedicámos tanto, por sabermos do seu valor supra-nacional; mas, o desinteresse que nos rodeia fala mais alto, e evidencia o equívoco em que nos metemos


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