Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
19
Out 10
publicado por primaluce, às 11:01link do post | comentar

Desde 8 de Outubro já aqui se escreveu muito. Assim, depois das «primeiras luzes», e por uns dias, ficam súmulas que ligam a esses textos, constituindo material de reflexão:

L. B. Alberti (1404-1472), o arquitecto considerado iniciador de uma nova postura característica do Renascimento, gostava de «ler» as inscrições deixadas nos edifícios; refere-as como exortações moralizantes. Por isso, como escreveu, desejava que as superfícies dos templos se “cobrissem de linhas e de figuras…

Seria esse material “mnemónico”?

Re: Definitivamente, não nos parece. Pois se o fosse, não o teríamos lido, nem compreendido! É que sobre o assunto – Iconografia da Arquitectura – em 2002 não tínhamos qualquer informação anterior: nem ensinada, nem memorizada…  

 

Eventualmente, poderemos sugerir bibliografia, e indicar algumas fontes de informação.

bien.faire.et.laisser.dire.gac@gmail.com


18
Out 10
publicado por primaluce, às 10:42link do post | comentar

Para se poder compreender a arquitectura antiga, é preciso procurar compreender o sentido das palavras.

Não somos nós que o dizemos, mas um autor norte-americano. Pois, como informa, algumas imagens que integram a arquitectura traduziram palavras, e estas, com frequência, traduziam e referiam-se a imagens.

Se continuássemos, de Imagens passaríamos para Ideias, e destas para Formas. Depois, continuando ainda a avançar nessa lógica, entraria a Teoria das Ideias (e das Formas) de Platão.

 

Mas..., não vamos por aí. Agora limitamo-nos ao que já deixámos nos estudos sobre o Palácio de Sintra:

 

No trabalho dedicado a Monserrate fez-se referência a um pedido de D. João V, feito à Academia da História, para que definisse uma «Insígnia» que era necessário colocar num retrato de D. José I, então Príncipe do Brasil, e que seria Rei de Portugal*.

 

Mas, esta palavra "Insígnia" também nos remete para a palavra "Ensinar", que há dias nos surpreendeu. Quando percebemos a sua origem e o que significava. Pretendia aludir à transmissão do conhecimento dos Sinais e das Insígnias.

 

Claro que também andamos enganados (pelo menos na origem), sobre o sentido de outras palavras. Por exemplo, quando usamos as palavras "Arte" e "Técnica", e sobretudo, quando falamos de "Arquitectura".

 

Neste último caso, será que temos a noção que "Arquitectura" significava a «Construção Principal»? Temos a noção que, como tal, tinha que se diferenciar das restantes construções?

Será que sabemos, que para pensar e nos exprimirmos, lidamos com referentes que têm vindo a ser alterados? Os sinais que hoje estão nas obras antigas, aquilo que fez delas Arquitectura (em vez de serem simples construções), o seu significado de génese ancestral, tal como o sentido das palavras, foi-se perdendo. Será recuperável?...   


* Ver em Monserrate, uma nova história, op. cit. p. 66.


17
Out 10
publicado por primaluce, às 10:26link do post | comentar

...aquilo que mais nos surpreendeu.

Agora, e para completar informações sobre as imagens com argolas entrelaçadas, que estão no écran, prosseguimos: tentando dar em simultâneo, um enquadramento, relativo aos avanços feitos no mestrado dedicado ao Palácio de Monserrate, e aquilo que nos permitiu compreender. 

Neste caso, referimo-nos também ao que muitos podem julgar ser um grande atrevimento.  Porém, desde há mais de 30 anos temos ensinado a desenhar de acordo com regras e convenções. Concretamente as "Normas de Desenho Técnico". Terá sido por isso, que quando nos disseram que era preciso entender "As Origens do Gótico", para entender Monserrate, que passámos a olhar para as Igrejas e Catedrais de um modo diferente? (do que até então fazíamos)...

A perceber que nem tudo era estrutura, longe disso, e que muitas imagens criadas (os excertos arquitectónicos) estavam repletos de configurações que não acabaram na Idade Média, e se continuam a ver em vários edifícios (soltos), e em inúmeros aglomerados urbanos, de datas posteriores?

É também verdade que a nossa profissão orienta o arquitecto (em formação) para a criatividade e originalidade; sobretudo para a compreensão das situações em que está envolvido. Desde cedo, a criatividade é ensinada e implementada. Não é preciso fazê-los, constantemente, mas, basta a hipótese de haver " brainstormings" úteis - e agitadores de algumas concepções, e associações de ideias - para nos apercebermos que criar e imaginar, está muito longe de ser proibido!

Ao contrário de outras profissões, que se colocam permanentemente ao nível da análise. Não propondo hipóteses alternativas, ou admitindo que os factos possam ter acontecido de outro modo. Para muitos, rigidamente, o que alguém desenhou e definiu, assim ficou, para sempre...

E apesar de todos os dias o mundo rodar, tendo havido inúmeros avanços (que são conceptuais), que permitem ver por outras perspectivas e ângulos; ou compreender como vários pressupostos têm estado errados, muitos ao conhecerem a realidade (tal como lhes é apresentada e «ensinada»), não têm relativamente a ela, qualquer dúvida ou qualquer curiosidade. Lembram os alunos que repetem de cor, as ondas sonoras - ainda a reverberarem no espaço, e nos seus ouvidos - embora estejam longe de terem compreendido a essência e o alcance, desses sons que absorveram. 

A seguir, e na tentativa de transmitir os materiais iconográficos que temos recolhido, apresentam-se mais algumas imagens tradutoras daquilo que se veio a tornar uma Ideia essencial do Cristianismo. E, à qual, sucessivamente, os bárbaros que entravam no Império Romano (sobretudo avançando sobre o lado Ocidental), se foram convertendo*. Os primeiros foram os Francos chefiados por Clóvis, e na Iberia, em 589, no IIIº Concílio de Toledo, a maioria dos Visigodos. Chefiados então por Recaredo*

Entrada lateral da Sé Velha de Coimbra

 

Detalhe, pelo qual se percebe que em cada argola, ou círculo, o seu arco passa pelo centro do que lhe está ao lado (e intersecta). 

* Ver em Monserrate, uma nova história - Introdução, e nas pp. 32 a 45. 

bien.faire.et.laisser.dire.gac@gmail.com


16
Out 10
publicado por primaluce, às 14:48link do post | comentar

Essa é uma característica dos habilidosos (artistas) da Imagem - a atenção. Criam, desta ou de uma outra forma diferente, porque detectam - e fazem uso desses materiais que observam, aprendem e descobrem. Vêem neles particularidades visuais, ou outras associações iconográficas, inesperadas, algumas, até mesmo com as palavras. Assim, muito inesperado, também, é o significado da palavra «Ensinar». Fica para depois, amanhã talvez.

 

Entretanto divirtam-se...

Vejam em

http://www.warholprints.com/cgi-bin/Warhol.Andy/gallery.cgi?category=Warhol.E.P&item=FS-II.334&type=gallery

...divirtam-se, porque há imagens provocadoras, de artistas fantásticos,

capazes de nos fazerem dar umas boas gargalhadas...

ver em

15
Out 10
publicado por primaluce, às 01:02link do post | comentar | ver comentários (1)

Palácio dos Doges, Veneza

Azulejos «Sala Árabe», Palácio da Vila, Sintra

nota: esta imagem foi rodada 180º


14
Out 10
publicado por primaluce, às 11:12link do post | comentar | ver comentários (1)

HOJE 14 DE OUTUBRO É O DIA MUNDIAL DA VISÃO.

 

Mas, afinal o que é ver? O que é a visão?

 

Aquela a que se referem os meios de comunicação, e que hoje é celebrada, é o sentido da Visão: o globo ocular, e o aproveitamento máximo de todas as suas performances.

 

Aqui, quando dizemos que as pessoas desaprenderam de ver, não se está a falar de «olhar». De abrir os olhos e deixar que a luz entre.

Das luzes reflectidas vindas dos diferentes objectos e superfícies; ou das luzes directas que vêm das fontes de luz. Estas aliás não devem ser olhadas, e devemos evitar os brilhos excessivos no plano de trabalho; devem-se estudar e dosear os contrastes, no campo visual.

E aqui incluem-se, claro, os écrãs de computador, nos quais, actualmente, se aplica a visão, por vezes durante horas seguidas. Cuidado...

 

Quando nos referimos ao progressivo desconhecimento daquilo que se vê - indo ao ponto de dizer que «as pessoas não sabem ver» - claro que a Visão está implicada. Pois é necessária uma boa acuidade visual. Mas, sobretudo, referimo-nos àquilo que está no cérebro, depois do nervo óptico. Que informações e que conhecimentos estão armazenados no cérebro, prontos a acolherem e receber as impressões que estiveram na retina, e vão passando «acima», para níveis hierárquicos superiores, onde serão depois processados? Isto é, onde serão associados ao que já está na mente: recordações, memórias visuais, ou, quem sabe, até às regras de Geometria que permitem compreender as imagens que estamos a ver? As obras de grande Beleza, a que chamamos Arte, estão repletas de regras, de diferentes origens (ou categorias), que determinaram os modos de associação, dos elementos seus componentes. Se as obras visuais são «Sintagmas», há que compreender cada um dos seus elementos constituintes (e as regras de composição).

 

Enfim, e concluindo: Compreendem-se melhor as obras que estamos preparados para ver. Isto é, o saber funciona por degraus, é preciso permanentemente alargar a base, sobre a qual vão assentar as informações que recebemos. Sejam elas visuais, auditivas, tácteis, ...  

Releia-se a frase de John Ruskin: de onde vem o prazer de ver?


13
Out 10
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar | ver comentários (1)

Comentário de Jaime Latino Ferreira vindo por e-mail:   

 

Retive-me, para já, na citação que encabeça o teu blogue, a saber: 

A Visão: A melhor coisa que um ser humano pode fazer neste mundo é ver...Ver claramente a poesia, profecia e religião de alguma coisa, tudo ao mesmo tempo.

 

( John Ruskin ) 

E apetece-me replicar-lhe:

 

A escrita: Uma das melhores coisas que um ser humano pode fazer neste mundo é escrever ... Escrever claramente a poesia, a profecia e tudo conseguir, em simultâneo, pela musicalidade nelas contidas, religar!

 

Obrigada pela Música das palavras, aqui «mora» o gosto de ensinar, tem resposta:

 

É que se fala em Cultura Visual, mas as pessoas desaprenderam a leitura das imagens, e aquilo de que tratavam. Não sabem que as imagens de hoje, ainda nascem nas de há milhares de anos: entrando pelos olhos alojam-se na mente, com e sem licença dos respectivos donos! 

[Hoje, por vezes, diz-se isto da televisão mas antes de existir, já os olhos captavam o mundo assim, e a televisão, como diz o nome, é ampliar essa mesma visão]

Muitos não sabem que as composições visuais (ditas artísticas) também devem ser lidas como «mapas», onde os mínimos detalhes contam: à semelhança dos teus textos escritos. Se rimas com as palavras, podes fazer exactamente o mesmo com as imagens: a Arte em geral, e particularmente a Arquitectura da Idade Média, era isso. Aliás, foi isso que há cento e tal anos divertiu e emocionou J. Ruskin, fazendo-o «martelar» aquelas palavras.

 

Vai a fotografia do Museu, onde eram os ateliers de Verão. A pintar e a trabalhar com barro, «aprendíamos a ver».  

Passados todos estes anos, desde 2002, passei a ver (e aqui o «ver» é compreender) que na maioria das portas e janelas desse edifício – que se diz ser “Revival” – ali, como nas obras medievais, proliferam alusões a Deus. Considerado Luz, eram escolhidos os contornos dos vãos, o seu design, e os guarnecimentos de pedra (sobretudo as vergas), também significantes. Depois, pelos envidraçados, «diafragmas» transparentes e coloridos, redigidos igualmente como verdadeiros textos, toda essa iconografia era valorizada ao ser atravessada pela luz. Os jogos geométricos e luminosos enfatizavam assim, as ideias que os edifícios e os seus donos (ou vice-versa?) pretendiam transmitir.

 

Este «blogar» é experimental, não tem sentido de posse: juntar textos e imagens, sobretudo ensinar… é o que sei fazer!


Ainda de Cascais, do exterior da Capela de S. Sebastião - um exemplo de música para os olhos


publicado por primaluce, às 10:22link do post | comentar

Não se imaginou fazer aqui este tipo de referência, mas hoje é um dia extraordinário:

A 13 de Outubro de 2010 (ou a 14 e 15) com a chegada à superfície dos 33  mineiros chilenos, não é só o tempo máximo de sobrevivência no interior da terra, um "record" que é atingido. Mas a capacidade de um grande grupo de pessoas se unirem, em torno de uma causa. Servidos pela técnica, mas sobretudo pela inteligência convergente, de várias especialidades a trabalharem para um único objectivo, é isso que se destaca*. O Chile e os seus mineiros estão felizes e eufóricos, e o mundo inteiro com eles. Esta história é um enorme ensinamento: um espelho do que pode ser o Melhor da Humanidade.


* Sublinha-se porque isto também é característico do trabalho do arquitecto: muito mais do que fazer desenhos bonitos, cheios de estilo (quando isso se consegue), talvez... 


O Jardim Botânico da Ajuda merece visitas, quer para ser visto por dentro, quer como varanda a olhar para o Sul e para o Sol. Fica a morada

da Associação de Amigos do Jardim Botânico da Ajuda

http://www.aajba.com/


12
Out 10
publicado por primaluce, às 09:15link do post | comentar | ver comentários (2)

Se em Nov.-Dez. de 2001 Maria João Neto nos disse que era preciso compreender as "Origens do Gótico", para compreender a Arquitectura do Palácio de Monserrate. Agora somo nós que dizemos, que só se compreende a Arte do mundo ocidental, de génese cristã, se percebermos que existiu uma "Iconoteologia" que tem estado «adormecida», ou, praticamente ignorada!

É impossível falar de Cultura Visual, mesmo hoje, se não conhecermos com detalhe a história – que passa pela origem – das imagens que nos rodeiam. Estão por toda a parte: nos centros históricos das cidades, nos livros, nos museus, nos edifícios antigos (e até mesmo nos novos). E essa iconografia entra «olhos dentro». Sem nos darmos conta, inconscientemente formamos ideias, e adquirimos noções (ou esboços de...), que vão ficando «armazenadas», prontas para entrar em acção.

Mas porque tudo tem uma história, houve um antes, uma evolução e um depois. Por isso parece importante trazer essas imagens ao consciente, e estudá-las. É muito?

Re: É. Porém é fascinante; sobretudo é muito útil.   

Torna-se inútil conhecer, por vezes quase milimetricamente, a «anatomia» das catedrais românicas e góticas; sem entender o sentido dessas formas, que as concretizaram. Os verdadeiros motivos, e as razões estruturais, que as ergueram e mantêm de pé.

 

Quando os estilos foram estudados e sistematizados, em especial no século XIX, depois do espírito enciclopedista, pairava uma vontade, fortíssima, de tudo «taxonomizar». E foi isso que passou à História da Arquitectura.

Mas as obras que os artistas produziram não são organismos vivos, ou o resultado de uma evolução da natureza. Embora se possam estabelecer interessantes aproximações, pontuais.

Repare-se como no Palazzo Vechio de la Signoria em Florença estão vãos, que foram a base que os arquitectos J. T. Knowles trabalharam, e se podem ver no Palácio de Monserrate em Sintra. O seu desenho, como escrevemos, nasceu de um Ideograma *.


* Ver Monserrate uma nova história, op. cit., p. 36, onde escrevemos: "...fez-se de um novo modo, quando se transpuseram as formas dos Ideogramas, primeiro em portas e tímpanos..."

 

Ver artigo no Site da Associação Amigos de Monserrate, em: http://amigosdemonserrate.com/sites/amigosdemonserrate.com/files/conferencia_vitoriana.pdf


11
Out 10
publicado por primaluce, às 09:44link do post | comentar
 

Quando se começou a pensar em avançar, criando um blog, foi preciso dar uma volta antes de tomar a decisão. O blog mais bonito que se encontrou, é um verdadeiro MUSEU. Nesse caso, faz exactamente o oposto daquilo que vimos a notar, e chamamos «desmaterialização do Saber» (pois há uma boa dose de materialização que é essencial a todas as aprendendizagens - muito baseadas no VER). O blog dedicado à antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, consegue assim reconstituir, parcialmente, um valor que se perdeu. Como podem confirmar as fotografias são excepcionais, e o fundo percebe-se que seja escuro.

Ver em:

  http://mfls.blogs.sapo.pt/

Pela nossa parte queremos contribuir para esse Museu, com uma fotografia feita na Ilha do Pico

está perspectivada e oblíqua,

mas pode ser que alguém a endireite!? Faz favor...

Havemos de voltar a outros brilhos e luzes, que não apenas os dos azulejos. Voltaremos ao Sol, e ... a William Blake


mais sobre mim
Outubro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9



25
29



arquivos
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO