Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 10
publicado por primaluce, às 10:35link do post | comentar

Como já defendemos, no trabalho dedicado a Monserrate, os elementos iconográficos constantes no título do post de hoje, pretenderam todos transmitir a mesma ideia. Embora depois, com o passar do tempo, cada um deles, possa ter adquirido significados mais específicos.

 

Estamos pois perante linguagens que foram muitíssimo polissémicas, e onde, por isso, eram possíveis diferentes sentidos e níveis de leitura. Se Umberto Eco deu conta desta noção em A Obra Aberta, mais recentemente escreveu A Vertigem das Listas, onde, de novo, aflora o tema da diversidade, da quantidade e dos Elencos: apresentando Listas (que poderiam ser infindas) de inúmeros exemplos que surgem como uma amostra, de cada espécie diferente. Isto é, mais do que a apresentação de todas as variedades, trata-se da ênfase da sua existência (em grandes quantidades). 

Num dos capítulos refere-se à Retórica da Enumeração, e como esta estimulou uma certa «rítmica da medida»*. O tema é um pouco abstracto - não deixando de lembrar uma certa «música das palavras» (ver em 14 de Outubro) - até mais abstracto, do que alguns outros que já tratámos, e ficaram no trabalho do mestrado; ou, os que estamos a incluir no trabalho de doutoramento.

Para já não se acrescenta mais nada, destacando apenas que, só alguém detentor de uma Cultura vastíssima - com letra grande - poderia empreender um trabalho como é este (A Vertigem das Listas). Por conhecer, e dominar, com um grande à vontade, a existência de inúmeros elencos. Assim consegue percorrê-los transversalmente, para mostrar o que têm de comum, ou de especifico, e diferente.

Como sabemos, as Enciclopédias mostram bem que tudo é listável; porém, o Saber não são listas..., nem a quantidade de elementos que constam nessa lista!

O Saber, como mostrou Hugo de S. Victor em Didascalicon, tem a ver com a inserção de cada um desses elementos, no seu lugar, próprio. O Saber e o Conhecimento, são vistos, desde tempos remotos, como equiparados a Edifícios, e como uma verdadeira Arquitectura. Daí a exigência de uma grande cultura, e de uma pluralidade de saberes, como foi explicado por Vitrúvio, que são necessários à formação do arquitecto.

 

Durante anos ensinámos Tecnologia de Materiais, disciplina onde muitas vezes se chegava, exactamente, à Lista e ao Mapa de Materiais, a empregar numa determinada construção. Esses materiais são transportados para as obras em camionetas, que fazem sucessivas viagens, descarregando o seu conteúdo. Mas, como se percebe, a edificação não é relacionável com o número de viagens que a transportadora fez; ou, com a montanha dos materiais descarregados!!! Trata-se, sim, da respectiva organização, e da sua colocação no edifício, de acordo com uma série de normas e de preceitos. Aqueles que o arquitecto, com a sua formação pluridisciplinar, preconizou fossem usados: conforme aquilo que queria transmitir, e as boas regras da construção.     


* Por oposição também se refere à "Enumeração Caótica". Ver em A Vertigem das Listas, Difel, Lisboa 2009, p. 321.       


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