Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Out 12
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

O Instituto de História da Arte da Fac. de Letras, a Fac. de Belas-Artes, ambas da Univ. de Lisboa; o IADE onde estamos desde 1976, ou a Escola das Artes da UCP no Porto - para onde admitimos mudar-nos para acabar o doutoramento (seguindo conselho de quem tem querido ajudar). Todas estas instituições, aquilo que tratam, essencialmente, é de CULTURA VISUAL.

Mais ou menos focadas no passado, e no presente, o que nenhuma destas instituições pode negar ou ignorar, é que a CULTURA VISUAL de hoje tem as suas raízes no passado.

Quer pelas imagens que permanentemente surgem diante dos olhos, quer pelas «imagens interiores» que as palavras, escritas e ouvidas, a memória, o tacto, o gosto, etc. (até o som e a música...), nos levam a produzir, «internamente».

O processo de criação de imagens mentais, nalguns casos é mais do que automático - involuntário. Depende de cada um de nós, se somos mais ou menos imaginativos.

É isto que significa a palavra IMAGINAÇÃO.

Acontece que as obras do passado, e mesmo nas de hoje, a Arquitectura por exemplo, é, concretamente, a materialização de muitas dessas imagens interiores. Por isso, na actualidade, alguns, ávidos de distinções, de classificações e de criação de categorias metodológicas muito específicas, chegam a chamar-lhe CULTURA MATERIAL.   

Voltemos ao título, pois queiram ou não, segundo nos parece, as referidas instituições (e muitas mais), sob pena de serem consideradas retardadas - num contexto internacional e global - essas instituições terão que mudar e evoluir?

Porque têm existido imensas mudanças, evoluções e novas perspectivas, que nos deveriam levar a querer participar desses movimentos. Para se poder ensinar mais e melhor; e também porque, como professores e criativos, não há Crise que trave a vontade de conhecer. 

Sobretudo - e é o nosso caso - quando percebemos através da extensíssima bibliografia que passou a existir, e está hoje acessível em várias bases (da Internet aos Livros e Revistas), que o que falta, para se poderem compreender os Estilos Artísticos e Arquitectónicos, é ligar tudo isso: toda essa informação que está produzida, pronta e disponível. 

Há que associar os conhecimentos mais recentes (são vários os que nem existiam quando nos formámos), ao que de melhor nos deixou por exemplo Émile Mâle. Ou os que, sem perceber totalmente o seu antecessor, lhes acrescentou o outro grande vulto da Historiografia da Arte Francesa - que foi André Grabar

E neste caso, inclusivamente existe um descendente: Oleg Grabar que agarra em muitas das informações trabalhadas e disponibilizadas pelo pai, para os contextos cristãos  (e ainda os Moçárabes da Pens. Ibérica, em especial Toledo), e os desenvolve e explica no contexto da Cultura Islâmica. Cultura que também se «materializou», ou teve os mesmos processos de construção da Cultura Visual, à semelhança do Cristianismo.

Existe aliás aqui um imenso filão - mostrámos no estudo dedicado a Monserrate - que passa por exemplo pela Igreja do Cristo de La Luz de Toledo, e que pode bifurcar-se/dividir-se por diferentes direcções.   

Mas  há outros caminhos que o «nosso Monserrate» abre (para nós sem qualquer dúvida, merecedores de investigações sérias):

Se Carlos Magno é referido, insistentemente, como sendo o primeiro Imperador de origem Germânica - ele que introduziu o Filioque na fé Católica; depois é também essencial questionar a opção pelo Gótico*, que foi feita vários séculos mais tarde pelos mesmos povos Germânicos (descendentes dos primeiros invasores), no contexto das questionamentos colocados por Lutero**:

Quando as querelas religiosas entre Católicos e Protestantes já estavam muito avançadas, com fracturas irreversíveis - a coincidir com a IIIª e última sessão do Conc. de Trento (em 1563 - fase essencial para a definição das Imagens e do que veio a ser o Barroco). Nessa data os Protestantes já não compareceram em Trento, sendo impossível não associar este afastamento à procura de imagética alternativa e julgada «conveniente»***, para uma outra religiosidade, com diferentes e novas especificidades.

~~~~~~~~~~~~  

*Referimo-nos à Arquitectura Gótica, que tem/teve na sua base um símbolo gótico que foi o Arco Quebrado. Esse símbolo gótico, a mandorla mística, terá sido desde o século V-VI (?) uma imagem interior resultante de um «Pensamento Imaginativo» que vários (muitos) autores abordam de  maneiras diferentes. Assim pergunta-se: Preferem seguir António Damásio, e o seu Livro da Consciência? Rudolph Arnheim (em várias obras); J.-P. Sartre em L'Imagination; Raymond Bayer e os Schematas da Kalocagatia grega? Ou preferem compreender o que Noam Chomsky tratou em torno da Gennerative Grammar, e muitos outros discutiram em torno de Ideias Inatas? Para ser sintética aconselho um livro, que é muito bom (mas só enquadra alguns destes temas): Sources of Architectural Form, a Critical History of Western Design Theory, de Mark Gelernter, Manchester University Press, 2000.

** O que se tem dito em História da Arte sobre o Revivalismo do Gótico (ver também M. Kemp como "A Arte das Nações, Regimes Visuais Europeus 1527-1710")  - seja Gótico Inglês ou dos Países Baixos... - é demasiado «fluído» e descontextualizado, face ao âmbito religioso e às várias querelas, que então (duraram vários séculos) ocorreram.  

***A noção de conveniência vinda de Vitrúvio. Fizemos referência a William Shaftesbury e à sua Letter concerning the Art, or Science of Design, em Monserrate: O Estranho e Requintado Orientalismo do Palacete Neogótico, Artis nº 4, IHA, FLUL, Lisboa 2005 (p. 371). Em William Shaftesbury e nas sua atitudes Neoplatónicas - incluindo o amor à natureza - estará o que depois originou o "Paisagismo inglês"?

Em http://iconoteologia.blogs.sapo.pt 

em breve haverá novidades sobre um outro neoplatónico, do séc. XII: Hugo de S. Victor.


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