Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Nov 10
publicado por primaluce, às 12:33link do post | comentar

Caros Amigos

Embora alguns pensem que a nossa área de especialização é a História da Arte. Isto é, o grau (mestrado) que fomos adquirir no Instituto de História da Arte, da Faculdade Letras da Universidade de Lisboa, não é exactamente nessa área, mas sim, em Arte, Património e Restauro. Com uma componente forte de História da Arte, sim, mas, aquilo que mais nos interessa é o Património Arquitectónico, o seu restauro, e, acima de tudo a sua conservação. Aliás, o património e o restauro já estavam na nossa vida, há muito tempo. Quer por uma Pós-Graduação feita no IST, que nos levou depois aos primeiros estudos dedicados ao Palácio de Monserrate. Quer, igualmente, por vários projectos - e a direcção das respectivas obras - de espaços de farmácias, e outros espaços: privados e públicos. Ou, até mesmo de Obras Públicas. Intervenções que foram feitas, na maioria dos casos, sobre realidades pré-existentes, e, não tanto, obras de raiz.

Este post (que tem sido interrompido por sucessivas falhas de rede...), é para deixar esse tema inscrito. Já que, proximamente, tencionamos abordá-lo: a "Regeneração Urbana", como foi designado recentemente, pela Confederação Empresarial de Portugal.

A notícia pode ler-se no Destak de hoje (19.11.2010), em que o Presidente da CIP, António Saraiva, defende, e muitíssimo bem (sem a menor dúvida), um grande projecto desse tipo: o qual, em sua opinião, terá «um efeito multiplicador». E, pode-se acrescentar, terá um efeito altamente motivador. Como alguns de nós há muito sabemos, embora os governantes tenham tido tendência(s) - muito despesistas e ignorantes..., a desprezar o senso comum, e os estudos académicos - para andar a desenvolver outros projectos. Como foi, concretamente, o caso da EXPO 98, ou os Estádios para o Campeonato de Futebol - o Euro 2004 - que contribuiram para várias sequelas, e consequências verdadeiramente graves, ao nível da «desqualificação» da construção (para não entrar noutro tipo de danos). 

É um tema que profissionalmente conhecemos bem, e já abordámos no nosso trabalho dedicado ao Palácio de Sintra, como se pode ler em Monserrate, uma nova história*. Antes dos estudos na FL-UL - fora aliás na tentativa de ajudar a dar visibilidade a Monserrate, que em 1987 tínhamos contactado (quando ainda o palácio sintrense não «caía aos bocados», como depois veio a acontecer) - cerca de 1994 juntámo-nos aos Amigos de Monserrate: logo depois de saber da existência da referida associação.   

Assim deseja-se o maior êxito na prossecução dessa ideia de "Regeneração Urbana", que pode vir a ser fulcral, e de enorme importância a nível nacional, ajudando a «alavancar» muitas empresas de um país em crise. Em crise por várias razões, pois é certo que são também históricas e civilizacionais essas razões, mas, em termos práticos, porque o sector da construção civil, é há muito tempo, um dos de maior importância do país**. Em geral não precisamos de obras de «engenharias muito evoluídas e muito sofisticadas» (embora seja necessário pensar e fazer opções...), enquanto vários sectores que se relacionam com o quotidiano das pessoas, e os cenários em que têm que viver, estiverem tão descurados.

Antes de terminar fica ainda uma outra ideia, que (não se pode continuar a esconder debaixo do tapete) precisa de ser resolvida***: a Lei do Arrendamento, não foi ainda suficientemente revista e corrigida, de modo a tentar acabar, pois isso parece muito difícil, com a necessidade, «premente», de cada português ter que viver em casa própria! É um negócio fantástico, para alguns, mas um empobrecimento geral, mensal. E, quando se constrói de novo, há uma nova ocupação sobre o território, que, não faz o menor sentido. Parece-nos?!  

Todo este tecto (a fotografia é de 1987), da autoria de Domingos Meira, caiu, literalmente aos bocados, quando as madeiras, apodrecidas pela infiltração das águas pluviais cederam, e perderam capacidade de suporte. Quantas edificações, valiosas, não haverá no país, a precisarem de intervenção, antes que os estuques se percam? 

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* Vejam Monserrate, uma nova história, na p. 146 em diante, o capítulo: "Do Ecletismo do Palacete ao dos Jardins. Epígonos e um Epílogo: Monserrate um lugar especial, onde o valor do Património gera potencialidades; ver ainda a nota nº 398, na p. 195

** Certo ou errado é um outro ponto a analisar. Leiam, se tiverem acesso a esse trabalho interessantíssimo, a perspectiva (que é bem diferente da nossa) relativamente à arquitectura vitoriana, vinda de Tristram Hunt, em: Building Jerusalem, The Rise and Fall of the Victorian City. Owl Books, New York, 2005. 

*** Numa área, que não é da Arquitectura ou do Design, embora seja estrutural para o país. No dia 9 deste mês já houve algumas notícias sobre este assunto (ver em http://www.destak.pt/artigo/79883-cip-propoe-despejos-mais-faceis-e-licenciamentos-mais-simples), e hoje a questão aparece tratada com mais profundidade, na perspectiva da conservação do património. 


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