Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
20
Jan 22
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

E com a Geometria passa-se o mesmo!

 

Os traços fisionómicos de uns levam-nos aos outros, mas com uma condição: desde que se seja bom observador. O que precisa de treino!

Mas enfim, pode-se ir dos pais aos filhos e vice-versa, se VER for uma das nossas actividades preferidas.

Se desenharmos, se tirarmos fotografias, treinamos quer a visão, quer sobretudo a identificação daquilo que se vê. Pode ser chamado: reconhecimento, percepção visual...

E em resumo, percebe-se o que se vê!

Claro, não temos dúvidas que os melhores Historiadores de Arte são exímios observadores. Seja para toparem os traços de família de uma qualquer pessoa que eles conheçam bem, quer para a Geometria.

No nosso estudo sobre Monserrate*, nas pp. 274 e seguintes deixámos várias imagens que, desde logo percebemos, são «parentes», incrivelmente próximas, das geometrias que originaram o estilo gótico

Assim, é para os historiadores de arte muito distraídos (e sem nenhum ginásio visual), que hoje – 18 anos depois – repetimos um desses ideogramas patente no Palácio Fronteira. Só que, hoje acrescentado de desenhos que estão na nossa mente desde essa data.

A explicar, como se fosse na banda desenhada, como umas formas originaram as outras...

IMG_20220120_124939.jpg

IMG_20220120_124939B.jpg

Mandorla-fronteira-2b.jpg

O que, para alguém que pense (agora) nesta questão, torna evidente como as ideias que tinham levado às imagens do estilo gótico continuavam merecedoras de reflexão.

Ou, no mínimo de alguma lembrança Mnemotécnica...

Enfim, os Nobres Portugueses, com o Rei, e este com o Papa, acreditavam no Dogma do Filioque. Que tinha originado, em 1054 – com sequelas durante séculos - uma gravíssima divisão no seio do Cristianismo.

E visto que só hoje (graças ao Covid) houve tempo para fazer os desenhos acima, espera-se que os exímios observadores que são os historiadores de arte da FLUL e da FBAUL, possam perceber/reconhecer a filiação da imagem que está numa parede/tímpano do Palácio Fronteira. Que vejam como é igual à imagem - mandorla, mandala - vinda de James Curl, autor do Oxford Dictionary of Architecture (2000)**

 

Mandorla-fronteira-2a.jpg

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* Monserrate – Uma Nova História, Livros horizonte, Lisboa 2008.

**Imagem que nos foi fundamental, e permitiu todo o desenvolvimento - incluindo para as questões religiosas - que o nosso trabalho veio a ter. Em Monserrate – Uma Nova História, a mesma imagem está nas pp. 38 e 263.  Imagem que é prova do poder significante que tiveram os ornamentos.

Imagens que temos em Portalegre, quatro vezes - colocada ao alto (como um 8) - num dos espaços do Palácio Amarelo. Devendo perguntar: Mas porque razão certos assuntos vem ter connosco? E assim, insistentemente?


17
Jan 22
publicado por primaluce, às 21:00link do post | comentar

Quando comecei a estudar Monserrate na FLUL, todos sabiam (MUITO) o que era (É AINDA AGORA, oficialmente...) o Revivalismo  do Gótico

 

Mas com o tempo*, nós fomos descobrindo, e nalguns casos mostrando, que antes desse dito Revivalismo, tinham existido várias sobrevivências, já essas razoavelmente marcantes:

Várias, em número mais ou menos limitado, a ponto de ser possível tipificá-las, elencá-las (e delimitá-las) para estudos de caso, integrantes de um doutoramento (que depois passámos a querer fazer...).

Só que - oh ingenuidade a nossa! - quando o assunto se tornou numa avalanche em que, todos os dias ainda agora nos caiem em cima, óptimas informações, vindas dos mais variados quadrantes e disciplinas. Informações que comprovam que a Sobrevivência do Gótico foi uma realidade.

Então, assim o assunto interessantíssimo (que ainda o é) tornou-se dificílimo. Porque de todos os lados surgem provas da existência de um conceito teológico, muito especifico, que foi associado a um (ou vários) Símbolo da Fé, que recebeu o nome de Gótico.

O qual por sua vez, quando se fala abreviadamente (e depressa), também foi logo associado a várias formas visuais, geralmente coerentes, que se vêem - mais particularmente, mas não exclusivamente - no chamado Estilo Gótico.   

Monserrate-GothicSurvival.jpg

A imagem acima é uma síntese que vem de um dos PPT feitos para as Apresentações na FBAUL em 2011 (podem ampliar abrindo noutro separador). Com ele pretendíamos chamar a atenção para a existência do Gothic Survival.

Transpondo para os nossos (muito prosaicos) passeios cascalenses - em especial os montestorilenses, e para as construções que em Cascais se chamam Arquitectura de Veraneio , verifica-se que há, na verdade, razões para os que se queriam mais próximos da monarquia, serem adeptos do Gótico.

Fosse ele, qual fosse - Gothic Survival ou Gothic Revival. Isto é, ora o dos "fortins seiscentistas e inúteis", de que escreveu J.-A. França. Ora o dos palazzos e dos castelos de cariz veneziano, colocados exactamente sobre essa base, suposta inútil. Mas que na verdade serviu/serviram para proteger a costa lisboeta dos ataques espanhóis depois de 1640.

vãos-aluminio4.jpg

vãos-aluminio8.jpg

veduta-255.jpg

No Monte Estoril, ao fundo da Rua Conde Moser, uma janela fantástica e inesperada que se abre tangencialmente à costa 

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* Não porque o tempo estivesse a passar, mas porque com ele fomos tendo condições, para tornar notórias várias situações e circunstâncias que mostravam que podia haver muito maior profundidade, nos conhecimentos gerais (e superficiais), com que em geral se tinham deduzido/moldado vários dos conceitos historiográficos que ainda agora são correntes.  E que constituem as lógicas - bastante erradas - da maneira de pensar da maioria


09
Jan 22
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Em resposta a este post do FB aqui fica, a razão, mais indirecta, para na pia baptismal ter sido chamada Glória

IGREJA-NOSSA-SENHORA-DA-GLÓRIA-RJ.jpg

E a minha identificação depois deste quadro - que alguém me deu e adoro - um dia passou a estar mais completa

DSCN0237-D.jpg

Sobretudo quando o quero fotografar, de tripé e tudo, e de bónus, à frente tenho um espelho...

DSCN0237-B.jpg

Mas vai-se vendo, que no cimo do morro da Glória, com o Aqueduto a passar em baixo, fica a Igreja de Nsª Srª da Glória, que foi devoção dos Bragança. 

Como explica Isabel Stilwell no seu livro dedicado à rainha portuguesa*

DMII-ISABEL-STILLWELL.jpg

Por fim, quanto à razão mais directa para ser Glória - que é como quem diz, de um nome que nunca gostei, mas muito devagarinho fui aprendendo a dar valor - tem a ver com o facto de ter sido moda em meados do século XIX. Já que afinal era o nome da menina que tinha sido a última rainha, o que para muitos pais terá feito sentido. Dessa outra Glória (minha avó) tenho uma fotografia muito gira, feita em Lisboa em 1938, quando veio viver para Lisboa. Vamos procurar...**

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*D. Maria II, Tudo por um Reino, Livros Horizonte, Lisboa  2016

**E, entretanto sobre o Morro da Glória fala-se de um tal Cláudio Gurgel... só que, muito curioso, na história da construção do Aqueduto de Lisboa (Águas Livres - ver o que escrevemos em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008, p. 65) surge uma destacada figura - Cláudio Gorgel do Amaral, que era Procurador da Cidade Ocidental - quase o mesmo nome... oh estranha coincidência!


01
Jan 22
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Palavras de Manuel Cargaleiro, na entrevista da RTP por Fátima Campos Ferreira, em Primeira Pessoa* 

Cargaleiro-1-300ppp.jpg

Aqui, em vídeo só uma pequena amostra, porque, o que vale a pena ver, é bem maior:

É ver toda a entrevista, que acaba com a resposta a uma pergunta feita antes.  

 

"...Em qualquer lado nós podemos ser felizes. É preciso é ... a cabecinha funcionar. Meus amigos vamos embora!" 

Cargaleiro-0-190.jpg

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*A ver onde vos apetecer, mas é boa ideia não perder. No nosso caso vimo-la em directo em 30.12.21

BOM ANO 2022

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Depois deste post - e sabendo «mais ou menos» de onde vieram as formas abstractas do Abstraccionismo de Gargaleiro (o que também me lembra o de Nadir Afonso...) - oi, oi, vontade não me falta de começar a pintar "à la Cargaleiro"! Usando a imensa panóplia de sinais do cristianismo, que andam por ai perdidos, e ninguém identifica

Era bem divertido!

 


26
Dez 21
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

... nasceu Képler

 

O homem da revolução científica do século XVII nasceu em 1571 (no dia 27 de Dez), é ele a quem os americanos, e concretamente a NASA prestam tributo.

Mas na Arquitectura e na História da Arte também lhe somos altamente devedores, embora em geral o assunto nem seja abordado (pela ignorância do costume):

Com ele e as suas demonstrações científicas/matemáticas a Elipse - como ideograma - veio substituir o Círculo (e todas as suas intersecções e os diagramas dele derivados*) que tinha sido, durante séculos, uma das melhores formas para representar Deus. 

Por aqui este é um dos nossos posts mais vistos, e onde exactamente nos preocupámos em mostrar as diferenças geométricas entre as «ovais de Serlio» e a Elipse

elipse-oval.jpeg

Cá pela terra, e longe do céu azul, talvez que a elipse mais conhecida seja a da Praça de S. Pedro?

PraçaS.Pedro.jpg

Dizemos em tom interrogativo, pois certezas, mesmo, mesmo,  mesmo... certezinhas, absolutas? não temos...

Embora saibamos que há outras: várias outras elipses

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*Também combinadas com outras figuras geométricas


21
Dez 21
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Quem quiser imprima este. E depois é cortar e montar


06
Dez 21
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar | ver comentários (1)

Por vezes vale a pena estar atento

PopeFrancis.jpg

No vídeo Francisco inicia o discurso no minuto 14:00.

Lembra a cultura clássica, e nesta o papel da Grécia na História. Assim como o Saber que de Atenas se espalhou por toda a parte. Dizendo que sem Atenas e a Grécia, a Europa e o Mundo não seriam o que são...*

Depois da viagem e visita aos imigrantes acolhidos, já de volta a Roma - e vamos estar atentos relativamente a este aspecto de que se falou - foi referida a (hipótese de) celebração dos 17 séculos, em 2025, do Iº Concílio Ecuménico que se realizou em Niceia**, em 325.

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* Aqui, ler em português.

**Tema que nos interessa, visto ter levado à redacção de um Símbolo da Fé, actualmente mais conhecido como Símbolo de Niceia-Constantinopla.


24
Nov 21
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Seria bem feito ? Fazer aqui uma exposição, nesta Galeria da BienFaire?

 

Usando algumas das montagens - que agora nos parecem bem mais giras - dos ppt e apresentações feitas na FLUL e na FBAUL. Trabalhos feitos para os júris que iriam decidir sobre as nossas vidas...

Neste caso, e à distância que agora há, lembro-me de uma tonta, meio enfurecida, ter ficado muito ofendida pelo atrevimento do meu trabalho (!).

E claro que fiquei atordoada, pois a raiva que lhe deu, era também ignorantíssima:

A dita prof. devia desconhecer que já estava feito, e nessa altura mais do que publicado, o que o slide, visualmente pretendeu resumir.

Frases, ideias e obras de Horace Walpole, a quem (ainda) se atribui a construção da primeira casa neogótica.

Hoje que sabemos mais de todo este assunto, e que houve um "Gothic Survival", que é bem mais importante - visto que perdurou - do que os "Gothic Revivals" da Europa do Norte (seguidora da Reforma, e «anti-contrareforma-romana»). Hoje, claro que toda esta ignorância, militante, e tão invejosa, só nos pode divertir.

Se quiserem ver melhor é só ampliar a imagem: sobre a Reforma e sobre «a questão do Filioque» que lhe esteve associada, podem ler - Lutero, Palavra e Fé - pelo Pe. Carreira das Neves, Editorial Presença. Lisboa 2014.

It is a plaything-house(2).jpg

A imagem acima, vista aqui, no FB, pode ser ampliada

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E já agora, também este link ---»  de um post que comentei


19
Nov 21
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

Tive que vir fazer consultas e encontrei este artigo sobre Azulejos.

 

Parece bem escrito e bastante completo, razão para o registarmos. Mas quase no fim, e para não variar, houve aqui mais um bónus...

Rua_em_Abrantes_5-pinásiosJanela.jpg

(Abrantes - foto wikipedia)

Para quem não saiba nada deste tema que continua a fascinar-nos, ver nas folhas envidraçadas das portas, o desenho formado pelos pinásios: no cimo de cada folha, está um dos muitos ideogramas (de génese medieval) de que a arquitectura e a arte em geral, está repleta.

Por fim resta acrescentar que logo nos lembrámos de Christopher Alexander e da sua obra The Nature of Order.

E sobre esta, ainda a necessidade que teve de explicar aos leitores, que não começou como filósofo. Também nós não, deve ser sina dos curiosos?


16
Nov 21
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

É que esse «estranhíssimo ângulo de 17º» foi durante anos ensinado por um certo professor, a alunos que - é mais ou menos natural (eles cada vez sabem menos!) - não estavam minimamente preparados para lhe dizer que o que estava a querer ensinar era/é uma parvoeira... 

  1. Um estranho ângulo de 17º? - 4

  2. Ter razão antes de tempo... - 1

  3. “Homem prevenido vale por dois”. E será que o provérbio vale para as mulheres...? - 1

  4. Uma elipse não é uma oval, mesmo que muitas destas formas pareçam iguais - 1

  5. Sim, sim - "É para o lado que eu durmo melhor!" (só que agora queixam-se) - 1

  6. Paisagismo em Portugal: o caso pioneiro do Jardim Botânico da Ajuda - 1

Julgo que o nosso post, na altura terá irritado o dito «bruxo».

Mas enfim, talvez tenha deixado de andar a encher as aulas com ângulos feitos de mistérios e de ridículas teorias da conspiração?


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