Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
25
Mai 20
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Como é sabido o Gótico foi sempre «ficando», arrastando-se e dando origem a Góticos Tardios, ou ao Gótico Internacional e a outras correntes.

E o Palladian Gothic é uma destas.

 

A Historiografia tradicional não sabe explicar isto, como por exemplo em Portugal já se chamou "Manuelinizante" à Casa da Carreira, de Viana do Castelo; ou a igualmente incompreensível, igreja do Outeiro, no distrito de Bragança (conhecida também como Santuário do Santo Cristo do Outeiro)... 

A nossa tese defendida na FLUL - com o mote que nos tinha sido dado: "À Procura das Origens do Gótico" -  obviamente que, por isso mesmo, foi defendida com um enfoque muito específico e dirigido para o estilo Gótico:

"A Propósito do Palácio de Monserrate em Sintra - obra inglesa do século XIX - Perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica" *

E foi para ilustrar alguns dos exemplos (internacionalmente) conhecidos como Palladian Gothic  que se inseriram no trabalho as seguintes imagens:

Seteais-1.jpg

Já referida em post anterior: Em primeiro plano o campo de centeio (centeais) que terá estado na origem da designação do local

Seteais-2.jpg

Acima a imagem que nos fez acreditar na hipótese de ter havido, de facto um Arco Quebrado na fachada antiga

ExemploPalladian.jpg

Exemplo inglês, em que um castelinho relembra a muito provável primeira versão da casa de Gérard De Visme. A que William Beckford alugou e onde esteve em Sintra nas suas estadas mais prolongadas. Da Casa que disse ser um barbaraous gothic 

Naturalmente, o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, forçosamente teve também que ser abordado no nosso estudo. Houve até quem quisesse que nos desviássemos, para o estudar, quiçá com outros olhos?, mas sobretudo influência?

Nunca saberemos, pois não aconteceu, felizmente, e  portanto o estudo e o contributo que pudemos dar, pensamos, teve outro valor. Depois pudemos também compreender toda a importância da Iconografia antiga, associada ao Gótico, e respectivas motivações para se ter tornado num estilo marcante para os países do Norte da Europa: em geral os que aderiram plenamente à Reforma iniciada por Lutero.

Mais, pudemos perceber a imensa ligação - directa - entre Religião e Arquitectura  


18
Mai 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... que nos mudam a cabeça; ou, que também deixam uma sementeira de equívocos, e sem certezas?

 

Completando uma das muitas conversas, sempre adiadas, por falta de tempo. Sempre insuficiente quando os assuntos são enormes e as «histórias» se têm de acertar por terem estado contadas ao contrário, e  delas algumas há séculos.

Para a M Lourdes RB, a informação do livro que da Biblioteca de Sintra (Sintriana), supõe-se ter sido desviado para Odrinhas (?).

É um título enorme :  Portugal; or the Young Travellers: Being some account of Lisbon and its environs and of a Tour in the Alemtéjo, In Which The Customs and Manners of the inhabitants are faithfully detailed. Harvey and Darton, London 1830.

Tudo isto a ver em: https://primaluce.blogs.sapo.pt/85825.html

E desse livro tirámos esta imagem, que nos fez supor a existência, numa primeira fase, de arcos quebrados no Palácio de Seteais

Assunto tratado mais tarde por Jorge Baptista, num trabalho que veio a fazer

Seteais.jpg e se aconselha. Também porque tem uma «capa solar»!

A rever: https://primaluce.blogs.sapo.pt/85825.html


17
Mai 20
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

Se é que a genética tem (muito, ou tem tudo) a ver com as nossas vidas?

 

E as perguntas vêm a propósito do grupo de facebook Amigos de Cascais.

É que, parece-nos, as suas potencialidades são imensas. No entanto tem muito de fútil, discutindo-se, por demais, assuntos que cada um poderia ir esclarecer, previamente, e depois trazer para o grupo.

Num verdadeiro acto de civismo, ou de civilidade, como por exemplo acontece com os grupos de amigos em Inglaterra.

Em tempos «estudei» (superficialmente) esse assunto para 3 ou 4 casos ingleses, como os Friends of Kew Gardens, Friends of Osterly, e ainda os Friends of The Royal Pavilion de Brighton. E grupos destes, como se pode confirmar, há imensos. É só procurar ...

Image0013-b.jpgImage0012-b.jpg

Assim nos anos aprox. 90-2004, estivemos ligados aos Amigos de Monserrate*, tendo defendido, muitas vezes, dentro desta Associação, que se deveria estudar, cabalmente – ou o mais possível, como é óbvio... – a dita mansão sintrense. Da qual se contavam estórias e historietas, em geral muito fantasiadas, que, podendo ter alguma graça, não tinham toda, porque lhes faltava o essencial...

Só que, nunca poderia imaginar (eu, «a arquitonta» - e como tantas vezes estes profissionais somos vistos), que um dia ia ser, quem dava o pontapé de saída, para qualquer coisa mais séria?

E, claro, muito menos de tudo o que se lhe seguiu - e de que nem vou aqui falar, como autorias, cópias, plágios: as  descobertas, ou/e as invejas, típicas do ensino superior em Portugal “... que é o mais que a terra dá”**);

Ora se estou aqui, agora, com este post, é para sugerir leituras. Que podem começar por este livro, e, bem assim, por exemplo, toda a colecção que a CMC a partir do VI centenário da Vila de Cascais começou a publicar.

Image0011.JPG

Tive a sorte de nascer curiosa, mas ainda a de ter ouvido e assistido, desde muito cedo (1962?) a várias discussões, conversas, palestras, peças de teatro; ou até às touradas que aconteciam em Cascais.

E thanks God, algumas dessas infos ficaram

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*Não referindo nunca, nós ou outros, alguma ligação (nossa) à sua génese...  

**Tomasinho-cara-feia... foi para pesca da baleia (...) que é o mais que a Terra dá


16
Mai 20
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Acessório necessário em tempos de COVID mas que não precisa de «transpirar» tudo o que vai lá dentro (e que é brrrrrr...!)

 

Sem falsa modéstia, se há coisa de que saibamos, é de Imagens do Poder.  

Claro que nos referimos a divisas, a aspas, a cordões e a galões, e sobretudo à maneira como (por exemplo) os "bâtons rompus" foram postos na arquitectura:

Em portais, como acontece na Biblioteca de Coimbra; ou ainda aqui bem mais perto, como estão nas janelas bífores da fachada do Palácio da Vila de Sintra.

E agora a máscara? Onde entra esse brrr, sujinho,... que todos vamos usar (e depois deitar fora)?

Máscara que os políticos também vão ter que exibir (até como bom exemplo que dão ao povo), e que já não é uma invocação, longínqua, daquele que era Origem do Poder*; mas sim da Ciência.

A Ciência que, nos dias de hoje pode, e sobretudo serve**, para confirmar os novos detentores do Poder (político).  Já que, na actualidade, no momento presente, governar a Polis é tudo fazer pela promoção da Saúde

E aqui, sem querer ser designer de máscaras, nem definir o modelo, parece-nos que se pode fazer muito melhor:  DEVE-SE!

Imagens do COVID que incomodam muita gente.jpg

E se em França a AFNOR aceita (e dá muitas) sugestões, por cá, porque lhes deram ordens, ou alguém quer ter o exclusivo das máscaras, dos géis - e depois de todos os anéis (de ouro claro, pois se ficam com todos os monopólios...!) -  sabemos que as ditas máscaras são policiadas por inflexíveis, à entrada dos comboios: só entra quem usar o modelo aprovado!***

Como se estivessemos numa ditadura, ou não tivessemos ouvido tudo o que a Sra. Directora Geral de Saúde disse sobre as mesmas...

Claro que todos nos enganamos, corrigimos e melhoramos. Portanto a máscara é também um óptimo exemplo de todos as novas regulamentações que a pandemia trouxe.

Que haja tino, deseja-se, antes de andarem todos em brainstorm permanente, e a «escalar» - como diz o Sr. Kosta -, para as invencionices mais parvas e inverosímeis que lhes vão passando pelas moleirinhas...

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* Que vinha de Deus, e que no vestuário e nos acessórios (como mostram as obras de arte) de algum modo esteve sempre presente 

**Ciência médica, para poderem garantir saúde e sanidade, também mental, às populações. Por isso razão para, os ditos políticos, não estarem a inventar de mais, incluindo as maiores parvoeiras, com que teremos que nos deparar ao virar da esquina. Como é o caso das praias...

*** Estará tudo doido?

A ver vamos


09
Mai 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Nos primórdios do neogótico inglês houve um “British garden designer” – ou, dizem outros, que acrescentam “and prolific writer” (*1); nesse periodo houve alguém que se chamou Batty Langley, que ficou para História.

 

E porquê?

Por se ter apressado, mais do que todos os outros (*2),  a responder à necessidade dos ingleses em valorizarem (para uma fundamentação político-religiosa*3) toda a sociedade Georgian. Incluindo a Arquitectura e o Design.

Que é como quem diz, os cenários em que decorriam os episódios das vidas dos mais favorecidos

E estando apresentado este tema, resta-nos acrescentar a razão para o termos ido buscar.

Em português corrente, de hoje, Batty Langley terá sido visto como um piroso, e presumido, a ponto de ninguém (os snobs ingleses) querer ter nada a ver com ele. Muito menos, a ler ou a adquirir os seus escritos, ditos prolíficos.

Ora hoje é exactamente  este o nosso ponto:

Num tempo como é o actual (do “raios-que-o-partam” do Covid-19), em que dificilmente conseguimos ter vontade, ou sequer paciência, para estar a escrever; agora, pelo contrário, os nossos posts mais antigos (que estão por aí), mesmo que muito sorrateira, ou furtivamente, estão a ser lidos.

Como aconteceu com a obra de Batty Langley - que foi objecto de desprezo e de troça - no entanto, disfarçadamente (com ou sem as máscaras da moda de hoje), todos o liam. E todos procuravam informações nos seus trabalhos.

Abaixo os Jardins da Casa de Orleães, em Twickenham nos arredores de Londres. A zona onde Horace Walpole - foi ele próprio - um dos maiores impulsionadores do Neogótico (*4).

Não nos primórdios, porque de início ia exactamente na mesma linha de Batty Langley (como mostram muitas fotografias de Strawberry Hill), mas mais tarde.

Ele que nasceu em 1717 e morreu em 1797, Horace Walpole veio a contribuir, como se sabe, muitíssimo, para a compreensão da História do Estilo Gótico.

A mesma, para a qual temos produzido – também prolífera – mas que só sorrateiramente (e sem qualquer feedback) é lida, como nos mostram as estatísticas Sapo do último mês.

Batty Langley-300.jpg

"A garden plan by Langley for Orleans House in Twickenham" - na legenda da imagem

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*1 Ver em: https://en.wikipedia.org/wiki/Batty_Langley e ainda: https://www.battylangleys.com/

*2 Embora não se deva esquecer a carta de 1712 «Para um novo design» (como resumimos o título) de Anthony Ashley Cooper 

*3 Como hoje se percebe ter acontecido, embora a «historiografia oficial» continue a não fazer a relação entre os vários Neogóticos do Norte da Europa, com as opções religiosas da (nova) Igreja Reformada, posterior ao Concílio de Trento, e à designada Contra-Reforma Romana... 

*4 Jardins que nos lembram os da Casa Anderson no Porto


07
Mai 20
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

Na nossa profissão sempre nos preocupámos com questões deste tipo: o dimensionamento dos espaços e a suas condições de salubridade.

 

Sobretudo por termos estudado sempre em escolas/liceus bem dimensionados, com corredores largos, salas relativamente amplas, e sem dúvida com pés direitos generosos.

Mais tarde vimos usar as mesmas salas com um maior número de carteiras; mas sobretudo vimos instalações provisórias e novas escolas com dimensionamentos que, já nada tinham a ver com aqueles Liceus que foram construídos pelo Estado Novo, num tempo em que as preocupações sanitárias - ainda relacionadas com a Tuberculose -, obrigavam a dimensionamentos amplos e à máxima salubridade de todos os espaços.

Por isso foram construídos em lotes grandes, um pouco à margem das zonas de maior densidade urbana, formados por conjuntos de edificios bem orientados, com ventilação natural e a máxima insolação.

Enfim, quem diria: que «questões tão antigas», e para muitos já passadas de moda - visto que o AVAC. parecia resolver tudo...; quem diria que essas questões, e uma parametrização muito mais exigente, iriam renascer? 

Num tempo em que tudo parecia poder prescindir da «natureza natural», resolvendo-se os problemas com máquinas e soluções artificiais?

Arquitectura&Design-NovosDesafios-1.jpg

Arquitectura&Design-NovosDesafios-2.jpg

A questão que as imagens acima resumem (na perfeição) é a de uma normal sala de aulas, para 30 alunos, que, cumprindo agora o distanciamento de 2,oo m, só poder passar a ter 8 alunos e o professor. 

Não sabemos se por cá as questões estão a ser analisadas da mesma forma? Passando pelos profissionais competentes na área: em Inglaterra, no AJ NEWS*, os arquitectos colocam a questão, começando pelo ensino primário:

Coronavirus: Can primary schools adapt to a post-lockdown world?

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Como podem ver aqui

 

 


12
Abr 20
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Em geral o Arquitecto não é uma Árvore, menos ainda um Cipreste; mas houve  quem achasse que era*

 

"Marco Vitrúvio Polião, foi arquitecto e engenheiro romano, autor do Tratado de Arquitectura escrito no século I, antes da nossa era...", escreveu Paulo Varela Gomes na nota de apresentação da tradução, feita directamente do latim para português, por M. Justino Maciel.

E no seu Tratado, Vitrúvio - como ficou mais conhecido - explicou e definiu aquele que pode (ou aquele que deveria - como a seguir se pode ler) ser arquitecto.

Image0008-b.jpg

É uma definição longa, dá sempre jeito ir buscá-la, sobretudo pela autoridade, e também a antiguidade...

Mas, a definição de Nuno Teotónio Pereira é bastante mais curta, muito mais fácil de lembrar, e até por isso mais simpática (já que em poucas palavras fica tudo dito):

 

"O arquitecto é o especialista da generalidade " **

 

O que, vem a propósito - ou talvez não - do tal arquitecto que resolveu ver-se a si mesmo como um Cipreste...

Há uns anos, por acaso, numa conferência alguém referiu que Raul Lino, teve durante muito tempo, este «livro de cabeceira»: Walden ou a Vida Nos Bosques.

E eu já o tive nas mãos, e várias vezes em feiras do livro, esta obra de Henry David Thoreau. Mas pensei sempre que depois não ia ter tempo, nem paciência, para o ler...

Hoje, depois de ter visto o Programa Visita Guiada, e de ter ouvido a explicação do nome que Raul Lino se deu a si mesmo - e por consequência o dito nome ter chegado depois a uma das casa mais interessantes, e mais bonitas que construiu (coisa que desconhecia); hoje fiquei furiosa comigo, por ainda não ter o dito livro. 

Enfim, curiosidade!

É que queria perceber se chamou Cipreste a si próprio, antes ou depois de ter lido o livro?

Walden - Thoreau.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* A ver em: https://www.rtp.pt/play/p5656/e439639/visita-guiada

**Note-se que a ouvi em directo, talvez num programa da televisão?, por isso não há fonte para citar... 


16
Mar 20
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

É mesmo isso:

Nos dois artigos seguintes fala-se de curva epidemiológica mas não está lá curva nenhuma

 

Contexto:

Continuamos - com todo o prazer - a explicar algumas coisas que nem todos sabem. Porque as Ciências seja a Matemática ou a Geometria (e portanto o desenho) sempre foram posta as serviço da razão e da inteligência humana, ajudando a compreender e a transmitir informações.

Rudolph Arnheim por exemplo explica isto bem, e como certas imagens ou esquemas passaram depois à grande Arte...*

Quando falamos de Pensamento Visual, é também a isto que nos referimos. Aliás, esta expressão talvez lhe pertença (a ele R. Arnheim)?

E, é sabido, a religião para explicar o que chama "coisas visíveis e invisíveis" (e mesmo parecendo um bom disparate é assim o vírus...) - como se proclama no Credo - nesse caso, dizemos nós, está-se a referir ao Conhecimento do Deus Cristão.

Ora como temos escrito nos nossos posts, em apoio do que temos «descoberto» (desde 2002), tal como a Arquitectura, também a Pintura Religiosa, embora dependa dos estilos que foi tendo, e de um maior ou menor naturalismo, a pintura seguiu sem dúvida os preceitos da Igreja Cristã, como Molanus de Lovaina escreveu, e explicou, no seu Traité des Saintes Images, que foi publicado em 1594.  

 

Em suma - têmo-lo pensado, dito e escrito - já que, se as imagens falam, é preciso saber do que dizem.

Portanto, vamos a isso:

 

Neste 1º caso é explicada a generalidade daquilo que são curvas epidemiológicas

Já no 2º caso, vindo da Wikipedia, o título é mesmo esse: Curva Epidemiológica

Mas, vendo bem, desenhada não está lá curva nenhuma. Porque no gráfico os valores que importa realçar e analisar foram substituídos por colunas: que definem degraus e patamares que não são exactamente uma curva. 

Só que -  e agora pego na palavra que um dia um prof de Belas-Arte resolveu usar, como sendo um atributo nosso - os Geómetras sabem que se podem unir os pontos notórios, que neste caso são os valores de um qualquer gráfico, e com eles desenhar uma curva**.

Melhor será verem a chamada Curva de Gauss , (e por este link encontram muitos exemplos) que é um sinusóide. Um pouco diferente do nosso desenho (a seguir), feito agora para explicar, tão esquemático quanto possível, aquilo que a Sra. Ministra da Saúde, a Directora Geral da Saúde, e enfim, claro que todos nós com elas, desejamos que aconteça:

esquema explicativo.jpg

Que não seja o sinusóide (a preto), mas sim tanto quanto possível uma linha achatada, até ao ponto em que se descubra a vacina. Ou eventualmente, segundo a teoria britânica, até que todos tenham sido infectados, paulatinamente como os ingleses devem querer, esperando-se que isso aconteça, para passarmos a estar rodeados de uma barreira preventiva: constituída por todos aqueles que tenham adoecido, não gravemente, e sem sequelas; mas por terem conseguido formar, nos seus organismos os anticorpos: como se fora «vacina natural». 

É tudo isto, em resumo, a razão de ser das contenções, e do se ter mandado toda a gente para casa.

Para concluir:

Neste tempo, o que está a acontecer é um dos maiores desafios colectivos que é posto à sociedade, que somos todos nós. Diria mais, não apenas o de seguir tudo o que nos vão explicando e instruindo, mas sobretudo o saber usar o que sempre nos foram dizendo ao longo da vida: o que aprendemos nas escolas, o que é cultura geral, e onde muitos saberes se misturam, para que o melhor de todos venha ao de cima.

Sem esquecer a Sustentabilidade, ou os cuidados com o Planeta (que a nossa geração fez adoecer, definitivamente...). Planeta cuja emergência todos vinham a anunciar, apocaliticamente, mas que poucos continuam a tentar cuidar, de um modo que seja bem mais eficaz (do que apenas diletante).

Reutilizem, não todos mas alguns dos consumíveis, e usem aquele que é um dos melhores desinfectantes, se o tiverem, à janela ou nas varandas, e que se chama energia solar***, em radiação directa (... que até queima, passa a ferro...!). 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Bibliografia, temos e pode-se dar.

**E os Geómetras também sabem exactamente o contrário: Que se pode agarrar numa curva, assinalar nela os seus pontos notórios, e assim transformá-la numa linha quebrada: que é concordante com a primeira (na qual, obviamente se apoia)

***Claro que há vinagre, lixívia, limão; não deitem os produtos de um tecido que se chama TNT (de poliéster ou outro plástico) para as sanitas. Pois os mesmos, se seguirem inteiros irão parar às praias, ou entupir os esgotos de menor calibre, que são os domésticos, das nossas casas e prédios. E já agora, se os ditos plásticos, se partirem ou forem cortados, são mais microplásticos deitados para a natureza e para o Oceano.

Portanto aproveitem o máximo, inventem coisas boas, já que este tempo, positivamente, pode ser de negócio e não só de ócio!


06
Mar 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Este texto que lemos na Internet, nalgumas passagens evidencia as tarefas conceptuais, razoavelmente difíceis, dos projectistas da arquitectura. E ao que parece - neste caso do Prémio Pritzker 2020 -, isso mesmo foi afirmado pelas premiadas:

"Uma das actividades culturais mais complexas e importantes do planeta". 

Ao que o jornal Público acrescentou: "é assim que a dupla descreve a arquitectura. E o prémio que arrecadaram significa mais um passo firme para ficarem na sua história."

 

Ora acontece que andamos a escrever (quase) sobre isto, não para os dias de hoje, mas como era na Idade Media, e depois como há cerca de 500 anos, o processo conceptual - a que hoje se chama projecto - foi mudando. Claro, não tudo de uma vez, mas lentamente foi mudando.

Hoje alguns autores têm investigado a Arte da Memória, incluindo a sua história, como neste caso, que encontrámos num blog francês (por Romain Trefel) onde se pode ler:

"L’art de la mémoire est fondé sur la supériorité de la mémoire artificielle. Cicéron concède tout d’abord qu’une bonne mémoire est avant tout un avantage naturel, et que l’ars memoriae ne peut rien sans la faculté déposée en l’homme par la nature – il ne fait donc que développer les germes déjà présents. Pour autant, le don inné ne suffit jamais à mémoriser une suite de mots ou de pensées assez longue, tandis qu’il n’est aucune mémoire naturellement faible que l’art ne puisse suppléer. « Je n’ai pas le génie de Thémistocle, écrit Cicéron, pour préférer comme lui l’art de l’oubli à celui de la mémoire et je rends grâce à Simonide de Cos qui fut, dit-on, l’inventeur de la mémoire artificielle » (De Oratore)."

E o que é que isto - um texto sobre a Memória Artificial - pode ter a ver com a Arquitectura? É talvez a pergunta de alguns dos leitores...

Ora sucede que a dita memória artificial, se servia das edificações - podemos dizer da Arquitectura - para o Orador, que queria memorizar um discurso a fazer, se ir apoiando nas diferentes parte de uma edificação, e ir assim desenvolvendo, e apresentando ao público, para quem estava a discursar, as ideias e os factos que queria transmitir.

É/era todo um processo de equivalências, de analogias e de alegorias, hoje dificílimo de compreender, mas feito com base nas diferentes partes das edificações: um processo que se «punha a funcionar», como se fosse uma verdadeira máquina, em prol da memorização e portanto da qualidade do discurso a fazer.

Discurso para o qual não havia notas, ou onde as tomar. Como nós hoje temos todos os tipos de papéis, à nossa disposição, e ainda vários processos de escrita, pois são muitos os existentes*.

Assim, para organizar o referido discurso o orador começava pelo lugar - Topos - aos quais associava o que hoje é comum serem designados como tópicos. E do lugar, ou do terreno onde a edificação se montava, o orador passava para a sua base, era a  implantação, ou, mais concretamente as chamadas fundações. Como estarão a perceber as referidas fundações eram associadas, ou estabelecia-se uma nova analogia, com os fundamentos que o orador quereria apresentar, na base das suas lógicas e propostas, possivelmente de cariz político.

E destas, mentalmente, a construção (que não era material, mas totalmente feita de ideias) passava a desenvolver-se, chegando ao ponto de cada compartimento da casa vir a ser, neste  jogo de analogias, um capítulo ou um sub-capítulo, do conjunto de assuntos que o orador ia discursando e apresentando ao povo, ou ao seu público. Em geral poderia discursar no Ágora, na Grécia, ou num Forum se fosse uma cidade dos romanos.

É perfeitamente possível que muitos dos que agora estão a ler este processo mnemotécnico nunca tenham ouvido falar nele?

De qualquer forma, a autora Frances A. Yates é conhecida entre outras obras pelo seu livro (fundacional), a que deu como titulo A Arte da Memória. Tendo tido vários «continuadores», que perceberam, e depois também desenvolveram, as suas próprias ideias. Havendo actualmente, já muita matéria, mais do que suficiente para constituir uma nova área científica**).

Por exemplo, Daniel Arasse é um desses autores, conhecido, porém, no nosso caso temos preferido e lido sobretudo os trabalhos de Mary Carruthers. E por aqui, nesta parte do texto, há que explicar já, que muitas das nossas ideias se não têm sido aceites, é também porque em Portugal serão muito poucos os leitores de Mary Carruthers. Claro que não sabem o que perdem: dada a imensa qualidade, e novidade, das suas investigações...

E porque falámos de processos que eram como verdadeiras máquinas (para a memória), aqui fica a capa do seu livro, na versão francesa, a que deu como título - Machina Memorialis. Diferente do original em inglês que é: The Craft of Thought  - Meditation, Rhetoric and The Making of  Images, 400-1200. 

Mary Carruthers, Machina Memorialis

Agora, e do Avant-Propos que Mary Carruthers escreveu para edição francesa, fica o excerto seguinte, do qual nos lembrámos quando lemos a frase das autoras irlandesas, vencedoras do Pritzker 2020, na sua vontade de explicar a dificuldade que pode estar contida nos projectos e obras da Arquitectura. Sobre a Concepção que segundo Mary Carruthers na Idade Média foi a Meditatio***

« Comme je l’ai montré dans mon précédent livre, The Book of Memory, le stade initial de l'Invention rhétorique portait le nom de meditatio. Cette méditation correspond à ce que nous appelons aujourd'hui la « composition », c'est-à-dire le processus par lequel un auteur élabore une œuvre, que son support soit le langage, la peinture, la sculpture, l’architecture ou la musique. La nuit constitue le moment le plus favorable à la meditatio (comme Quintilien et bien d'autres commentateurs l’ont fait observer), car alors le monde est paisible et moindre le risque de voir l'attention détournée. Mais contrairement à l’imagerie communément en usage à 1'époque moderne, où la composition implique une vision de 1'écrivain ou du dessinateur en train de noircir du papier (voire des monceaux de papier éparpillés autour de lui dans une activité fébrile), la méditation antique était un processus purement intérieur, au cours duquel l'auteur « découvrait », sondait, sélectionnait et réarrangeait le matériau que sa mémoire cultivée avait soigneusement engrangé et, ce faisant, inventait une œuvre nouvelle. Loin de viser à la seule réitération «par cœur » de ce qui avait été préalablement lu ou pensé, cet art de la mémoire avait pour but de servir la composition, d'inciter à l’élaboration de pensées inédites.»

Portanto, e para os dias de hoje, apesar de ser chamada Memória, é o Pensamento posto ao serviço da criação cultural e da invenção.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Podendo incluir os telemóveis e os tablets, ou os computadores com as apresentações em PDFs e PPTs

**Se é que isso interessa? Pulverizar ainda mais do que já estão dispersos, alguns saberes das chamadas Ciências Sociais e das Humanidades?

*** Concordamos com várias ideias deste seu texto, achamo-las bem interessantes, embora, parece-nos, que o modus faciendi do architector medieval, possa ainda não estar completamente captado.

Mas era parecido...


28
Fev 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Já lá vai algum tempo, e por isso, à distância e com lucidez, ainda achamos que este post é nosso.

Particularmente destacamos a passagem seguinte, em que se alertou para a relação (muito directa) entre Teologia e Arquitectura:

 

"Num tempo em que (em geral) ainda se supunha que os Estilos atravessavam a Europa de uma ponta à outra, sempre uniformes, como se não tivesse existido a Reforma e a Contra-Reforma Romana. Como se algumas variantes locais (incluindo não só o que passou em Inglaterra, mas também em diferentes regiões europeias), não tivessem sido esforços, denodados, para, exactamente exprimirem a fé de diferentes povos. Povos a que ainda hoje chamamos bárbaros - os que chegados à Europa Cristã em tempos e condições diferentes... - tudo fizeram para aderir a essa fé, para serem aceites. 

Mas, sinais que usaram para se mostrarem também eles cristãos, nalguns casos insistindo (muito) nas suas próprias especificidades."

Algo que - como vamos observando - parece tardar em reconhecer-se.

É um problema de todos, mas em especial para os Historiadores da Arte, que poderiam ter muito que fazer...

E que assim, continuam relegados, para o copiar das cópias, e das citações, sem nada acrescentarem.

Como se a sua geração - num período que é de imensa inovação - não pudesse reler a História com outra mente: rever os Ornamentos com outros olhos, os contributos das Neurociências e da Linguística


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