Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
02
Ago 21
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... por tudo isto continua incapaz de aceitar o facto da História da Arte e a Teoria da Arquitectura não colaborarem entre si, respondendo a questões que são essenciais às duas disciplinas (*1):

Essenciais para um esclarecimento mútuo, fazendo esforços de compreensão que cada vez mais se impõem!

Sabemos que este tema daria um livro, mas aqui fica resumido, quanto possível..., sobretudo incompleto

 

A nossa expulsão do IHA da FLUL mostra bem, aliás na perfeição, como de costas viradas uma para a outra, cada disciplina na sua capelinha - o ensino da História da Arte e o da Arquitectura, muito ciosos dos respectivos feitos -, mostram bem como este modus faciendi leva a nada. 

Para escrever este post fui buscar uma revista de Março de 2006, o JA 222, que é preciosa. Onde arquitectos da nossa geração (ou mais novos), foram deixando em entrevistas, depoimentos, reflexões e questionamentos - que alguns têm um historial de séculos - por isso a expressão abaixo, que desde já se sublinha: uma longa história de indagação

 

É exactamente do Editorial da revista que se retira a passagem a seguir, com foco no Programa (de projecto). O qual, muitos -  sejam arquitectos ou não - podem pensar estar na base, e ser a peça essencial, das metodologias de projecto; a ponto de condicionarem a imagem final (design, aparência) da obra arquitectónica:  

"Este tema possui uma longa história de indagação, desde o modernismo, onde o programa adquiriu contornos de aspiração científica, constituindo-se como base de toda uma cultura em torno da programação, conforme João Rocha explícita no seu texto (fazendo ainda a ponte desse universo para o das práticas artísticas). No final da década de 60, a partir de Berkeley, a investigação de Christopher Alexander procurou superar o pensamento modernista sustentado pela causa-efeito, desenvolvendo fórmulas matemáticas, na senda da formalização do inconsciente, passíveis de traduzir e recuperar a relação harmoniosa das culturas nativas com o meio onde viviam. Michel Toussaint propõe-nos uma releitura crítica de «Notes on The Synthesis of Form» (*2)

Mas a referida revista, como se avisou acima é toda ela à volta dos «processos de projecto», sendo para nós interessantíssimo o que Manuel Graças Dias afirma, a propósito de Organigramas (o que também se sublinha):

“ (...)

Quando fiz o curso, no princípio dos anos 70, a situação era confrangedora. A única personagem importante, para mim, na época, era Le Corbusier. Aparentemente – e talvez por haver muito menos informação do que há hoje – não havia muitas mais coisas interessantes a ter em conta.

Mas existiam Venturi e Rossi… Sim, mas Robert Venturi, Aldo Rossi e Louis Kahn só nos foram «apresentados» por Manuel Vicente nas suas aulas, em 1976!

Foi uma década complicada na Escola?

Bem, a Escola foi uma chatice! Antes do 25 de Abril, o que eu estava a fazer, no 4º ano, era um hotel para o prolongamento da Avenida da Liberdade! A única coisa que o Professor queria ver era se tínhamos colocado no sítio certo a secção de enchidos, se havia na cozinha a zona de frios e a zona dos quentes! Depois dava-nos umas aulas aborrecidíssimas com organigramas. E nós fazíamos os organigramas que ele pedia; eu fazia-os, sem o mínimo de pudor! O meu projecto para o hotel era um «organigrama decorado» — porque tinha ido a Londres e tinha visto umas coisas muito interessantes com influência da Art Deco. Isto é, era um equívoco total. Realmente acho que o «moderno», nesse momento, tinha empurrado tudo para um beco sem saída.”

E é verdade, sem pudor e sem grandes problemas - nós também fizemos e depois ensinámos - a partir desses mesmos organigramas (de que M. Graça Dias se queixa). Como é o exemplo a seguir, organigramas que usam círculos, e aos quais Mark Gelernter, que muito provavelmente também os terá feito? (pois todos os fazíamos), depreciativamente ele chama-lhes "bubble diagrams" (*3).

ORGANIGRAMAS0001.JPG

Mas, de entre as frases de M. Graça Dias, queremos acabar este post enfatizando a citação que escolhemos. Quando diz:  "... era um equívoco total (...) o «moderno», nesse momento, tinha empurrado tudo para um beco sem saída...”

Ora em nossa opinião, sem esclarecimentos da História da Arquitectura, e do que foram/são os estilos históricos e como surgiram; em grande parte esse equívoco permanece. Mais, pelo andar da carruagem, vai-se manter durante muito mais tempo... Visto que não é previsível, o nascimento de um outro Christopher Alexander, ou, por exemplo, o de um novo Robert Venturi, que explique, e insista, sobre aquilo que é a "complexidade e a contradição" na Arquitectura. 

Na verdade, os Organigramas - feitos com círculos (ou até com outras formas) - podem continuar a ser necessários e a serem razoavelmente úteis, para ajudar a esquematizar e a vizualizar com rigor científico, os requisitos do programa da obra que se pretende projectar e construir. Por outro lado, sobre aquilo a que M. Graça Dias chama "beco sem saída", não se deduz se aí o impasse era «metodológico», e relativo ao como fazer - no sentido de ter um método. Ou seja, sobre a necessidade de haver um método que, qual ferramenta e como caminho, ajudasse no rigor a ter (o qual se pretendia fosse cientifico).

Método que era portanto uma «peça» obrigatória (incluindo "checklists" ), para que no fim do trabalho não houvesse falhas: entre o que se pretendeu fazer desde o início, e o que de facto veio a ficar feito.

 

Claro que este ponto ainda remete para várias críticas, sendo uma dessas muito frequente: como é o caso dos projectos serem de tal modo a resposta, e tão «agarrados» aos programas funcionais e às actividades previstas desenvolver nos espaços, que, se estas mudarem, rapidamente muitos elementos se tornam obsoletos e redundantes, sendo necessárias adaptações (*4).  Mas, ainda sobre o "beco sem saída", este parece ser mais uma queixa contra o «moderno» - por ter esgotado modelos, e as panóplias de ideias (que pareceriam infindáveis).

Por isso, aqui entenda-se esgotado os vocábulos formais em voga, originando desse modo limites à escolha, e à adopção - ou sobretudo a haver a invenção (como aconteceu ao longo da História da Arquitectura) - de novas formas que, simultaneamente seriam também parte integrante das linguagens estilístico-artísticas dos edifícios.

A questão é complicada, ou, principalmente, é muito complexa, tornando-se difícil de expor.

 

Porque não se está a falar de pintura ou escultura, onde não se entra nem se permanece dentro dessas obras; mas de obras/edifícios que sendo habitadas, tocadas e estando em contacto com os utentes, têm que responder não apenas a programas ergonómicos e funcionais, mas também a programas de ordem visual (que são os «cenários envolventes» dentro dos edifícios. E que no exterior dão forma ao que os paisagistas de língua inglesa  vêem como "townscape".

 

Assim, chamemos-lhes por exemplo - aos vocábulos formais em voga  - "programas semiológicos". Embora com a noção que também se poderia usar a designação "programa estético". E isto que aprendi na Fac. de Letras de Lisboa (com Vítor Serrão...), é um ingrediente, essencial, que se vai buscar à História da Arte, ou mais concretamente à Filosofia, e à Estética, com que a História normalmente trabalha..

Ou seja, deveriam/deverão ser plasmados, ou "built-in", como acontecia no passado - e por isso A.W.N. Pugin escreveu "generated" e "originated by" (*5 - ver nota) - os cenários com que os utentes das edificações e dos espaços projectados, se hão-de relacionar, visual e directamente. 

 

Concluindo:

Na arquitectura contemporânea - estejamos nós a pensar na arquitectura de meados do século XX, ou já na deste século... - os organigramas (das "aulas aborrecidíssimas" de M. Graça Dias) eram funcionais, servindo principalmente para ajudar a «interarticular» zonas e espaços programáticos, necessários. 

Já os "organigramas da estrutura divina", como lhes chamámos e referimos no nosso trabalho sobre Monserrate (ver na p. 13), e que percebemos serem uma constante da arquitectura religiosa cristã - da antiguidade, medieval, renascentista, barroca ... etc. (até se perderem por esquecimento colectivo); a esses organigramas, para os  designarmos, optámos depois pela palavra Ideogramas (*6). 

Pois na verdade foram/são elementos estilísticos, ou ornamentos - a que Robert Smith usava chamar motivos. Por serem também razões, ou peças (mnemotécnicas) destinadas a carregar de sentido religioso/semiológico, as obras assim concebidas (*7).  E onde esses mesmos motivos, ora são superficiais e meramente apostos; ora surgem como elementos estruturantes, que, se forem retirados, põem em perigo a estabilidade das edificações.

Como o são - no exemplo que é hiper-eloquente - os arcos quebrados empregues na arcaria do Aqueduto das Águas Livres, no Vale de Alcântara.

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(*1) Na verdade, pergunta-se, será que a História da Arte tem questões essenciais que gostasse de ver respondidas e esclarecidas, e inclusivamente com alguma urgência? No nosso caso, dado que durante anos ensinámos projectos, sabemos bem da premência e do interesse imenso que há, para todos os que ensinam Arquitectura: concretamente, em conhecer a teoria e a história desta disciplina, ou em termos muito práticos, dominarem a metodologia de trabalho mais aconselhada; concretamente, a aconselhada por aqueles que têm experiência, aos que querem entrar nesta profissão. Acontece que aquilo de que nos apercebemos relativamente às Origens da Arquitectura Gótica, e o que iriam ser os nossos temas de doutoramento, todo esse material seria, no futuro, da maior utilidade para a História da Arquitectura, sua compreensão, e desenvolvimentos futuros.

(*2) A esta obra - Notes on The Synthesis of Form -, de Christopher Alexander, já dedicámos vários posts, alguns recentemente, como neste caso.

(*3) Ver em Mark Gelernter, Sources of Architectural Form..., Manchester University Press, Manchester and New York 2000, p. 263. No futuro, num outro post poderemos vir a escrever ainda mais sobre estes "bubble diagrams" que não vemos como sendo assim tão inúteis, ou sem sentido (como parece ser a opinião de Mark Gelernter). É que se vemos as dificuldades que o seu uso implica, por outro lado também vemos várias das vantagens, que trazem às tarefas projectuais... 

(*4) Para se perceber como alguns programas têm que ser muitissimo exaustivos (e foram-no), aqui seria necessário o leitor conhecer algumas das bases que todos os profs usam/usaram para ensinar: Funções e Exigências de Áreas da Habitação, por Nuno Portas, LNEC, Lisboa 1969, é uma dessas bases; assim como as várias «edições dos Neufert» e dos AJ Metric Handbook.  

(*5) No século XIX, A.W.N. Pugin (1812-1852) escreveu em An Apology for the Revival of Christian Architecture: “Styles are now adopted instead of generated, and ornament and design adapted to, instead of originated by, the edifices themselves.” Vejam aqui o sentido de "built-in"

(*6) Ao chamar Ideogramas seguimos a noção de poder ter havido um código, como escreveu o historiador Jorge Rodrigues, num comentário que fez ao portal do Mosteiro de S. Salvador de Paderne. Ver em Monserrate uma nova Históriaop. cit., p. 34. E sobre Organigramas também nos referimos a eles, várias vezes, sobretudo no início do nosso trabalho dedicado a Monserrate. Naturalmente por estarmos influenciados pela maneira como sempre trabalhámos. Esquemas e Organigramas fazem mais parte do trabalho do arquitecto, do que as preocupações em «fazer bonitinhos»

(*7) Para evitar confusões, geralmente não queremos usar a palavra simbólico, mas em Semiologia, uma imagem simbólica, está no grau mais elevado da «comunicação significante». Portanto, acima poderia escrever-se - "elementos destinados a carregar de sentido simbólico..."


28
Jul 21
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Sempre que algum post interessa mais a alguns (esteja no nosso facebook ou num dos blogs), então há uma «romaria».

 

E assim tem sido nos últimos dias.

Seja a Primaluce,Iconoteologia, ou a Casamarela. 

É verdade que os nomes que demos aos ditos blogs não primam pela beleza; mas - sobretudo em ICONOTEOLOGIA - o que se procurou foi divulgar um conceito que está atrás de uma palavra que, é poderosamente significante.

E, é ainda mais verdade, não ficámos embevecidos a mostrar que sabemos as diferenças entre Iconologia e Iconografia , à maneira dos «adoradores» de Panofsky; ou do que se ouviu/ouvia na FLUL, no início do século XXI. Que é como quem diz, bem mais de 50 anos depois de ter sido escrito (tal a actualidade!).

Diferentemente, aproveitámos o que se aprendeu em óptimos livros da biblioteca da UCP: concretamente sobre a percepção que muitos têm daquilo a que todos chamam ARTE: ou seja, que em geral é uma Iconoteologia.

Porém, se ontem foi assim, nas visitas que tivemos:

  1. Primaluce: Nova História da Arquitectura - 3
  2. Um dos blogs mais bonitos... - 2
  3. Quanto maior a evidência, ou a importância das novidades e valor da notícia... - 2
  4. Sim, sim - "É para o lado que eu durmo melhor!" (só que agora queixam-se) - 2
  5. Sobre a formação do olhar de uma nação, relativamente à sua Arte - 2
  6. Uma elipse não é uma oval, mesmo que muitas destas formas pareçam iguais - 1
  7. É tudo gente honestíssima - 1
  8. Retratos de "Uma Barbárie" - 1
  9. Factos inesperados (isto é, super-inesperados como nos aconteceu desde 2002) - 1
  10. Sempre que surgem informações... - 1

Acontece que a 30 dias (ou a 6 meses) os que procuram este nosso blog - e bem ao contrário do que possa parecer - não são assim tão poucos...

Estastíticas28.07.2021.jpg

Estastíticas.jpg

 

No entanto, o que esses todos são é muito discretos; embora, ou principalmente, possamos dizer que são muito contraditórios!

O que é mais uma razão para continuarmos a escrever, e desta maneira continuando a publicar as nossas ideias.

Sabendo nós que os nossos leitores habituais primam pelo silêncio; ou, se falam do que escrevemos, muitos deles mostram-se desdenhosos, como se fizessem questão em não se deixarem influenciar por aquilo que abertamente eles  apoucam. Como é o caso de Vítor Serrão, Maria João Baptista Neto «e família»... Já que, é este o sentido da palavra desdenhar.  

Mais: se esses forem aos meios de comunicação de maior audiência, o que eles dizem - e se lhes ouve (pois não somos surdos!) - é, ipsis verbis, aquilo que nós escrevemos*: seja aquilo que leram no livro, ou o que muitos vêm ler aqui aos vários posts.

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*Embora, temos que o dizer, também aconteça haver nalgumas citações que vamos encontrando do nosso trabalho, algum erro. Como está no texto seguinte, quando se diz que em Lisboa, um amigo de Gérard De Visme, era irmão de Horace Walpole. Na verdade o erro está em que Robert Walpole - enviado/embaixador do governo inglês - era primo de Horace, e não seu irmão. É esse o erro.

No restante parece-nos correcto, este excerto que encontrámos em O REAL PAÇO ACASTELADO DA PENA EM SINTRA: EDIFICAÇÃO DE CASTELOS NEOMEDIEVAIS OITOCENTISTAS. Da autoria de Joaquim Rodrigues dos Santos (na Escuela Técnica Superior de Arquitectura y Geodesia - Universidad de Alcalá de Henares:

"As relações entre Monserrate e o mundo britânico não ficariam somente pelo seu projectista, pelo seu
proprietário ou pela decisiva influência romântica recebida: segundo Glória Coutinho, existiriam prováveis
relações de proximidade entre De Visme e o escritor britânico Horace Walpole através do irmão deste
último, que estaria por aquela época a viver em Lisboa; inclusivamente tinham sido comprados nesta cidade alguns dos móveis que Walpole possuía na sua residência de Strawberry Hill, provenientes de Goa6.
"Também o novelista britânico William Thomas Beckford viveu em Monserrate entre 1774 e 1799, antes de
voltar ao Reino Unido. Walpole e Beckford foram indubitavelmente dois personagens significativos para o
desenvolvimento dos revivalismos neogóticos no Reino Unido.
Walpole, considerado o introdutor do romance gótico negro no Reino Unido com o seu poema The
Castle of Otranto[…]7, tinha comprado em 1747 a residência de Strawberry Hill em Twickenham, perto de
Londres. Dois anos depois iniciou a sua ampliação apoiando-se num comité de consultoria constituído por
projectistas como William Robinson, John Chute, Richard Bentley, James Essex e James Wyatt. Imbuído
pelo espírito romântico dos ideais cavaleirescos, o excêntrico novelista pretendia transformar a sua residência num castelo, promovendo uma disposição pitoresca do edifício que aludía aos cenários da sua obra
literária. A fantasia e extravagância dos fragmentos góticos, livremente interpretados e incluídos na sua
construção, concediam assim um ambiente de carácter goticista."

Excerto retirado de um pdf a que podem aceder indo por aqui


25
Jul 21
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Quando alguém abre um caminho...

 

Sim, quando alguém abre um caminho, depois muitos outros, muitas mais áreas territoriais passam a estar acessíveis. Visíveis, compreendidas e compreensíveis para a maioria.

E aqui neste post, poderíamos até não escrever mais, já que tudo se encaixa e está à vista nos textos abaixo (e se preciso ampliem-nos para ler, ou abram ainda este link, se quiserem perceber melhor).

 

Mas, vá lá! Ainda fica mais esta ajudinha:

De Vítor Serrão - já escrevemos o bastante sobre ele - tem sido um «personagem» da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cheio de mérito, ... até que, de tanto mérito, e mais muita auto-propaganda, para nós caiu do pedestal.

E caiu por ele, pois aliás fez tudo para isso acontecer.

De Maria João Baptista Neto - quem também teve imensos méritos - e para nós bem mais do que ele; só que, idem aspas, ela própria também decidiu saltar da peanha; mas fê-lo com tanto azar, e a pontaria foi tal, que calhou logo dentro dos"meus sapatinhos".  

Depois, e já que posta fora de jogo a autora inicial (que somos nós), então tratou-se de aproveitar e fazer a festa: i. e., «calçar» também a família...

Ou seja, "passou a ser tudo nosso!" Não meu, mas que é como quem diz deles, dos da FLUL e seus responsáveis*.

Agradecimentos-Monserrate-h.jpg

MonserrateRevisitado-TeresaNeto-f.jpg

Felizmente este é um caso, ou uma estória, em que está tudo escrito:

Quer no nosso trabalho publicado com o título Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte 2008 (donde vem a imagem superior).

Quer ainda, e como também consta escrito, no Catálogo da exposição Monserrate Revisitado (inaugurada em 2017, a que se refere o texto da segunda imagem); e aí, concretamente, sobre a nossa colaboração para a mesma...**

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* É verdade que a parte mais importante do nosso trabalho - a descoberta das Origens do Gótico (que aconteceu a propósito de Monserrate) ainda está silenciada pela FLUL. Assunto que, contrariamente, nós já deixámos no nosso livro suficientemente esclarecido e delimitado, e que afinal nos mereceu a tão honrosa expulsão da Fac. de Letras 

**Não se surpreendam, pois na verdade aqui só há verdades (apesar da ironia posta no título) 


19
Jul 21
publicado por primaluce, às 16:30link do post | comentar

Hoje produzem-se Informações Visuais  - por exemplo sinalizações, obras de design e obras de arte – naturalmente, com base e de acordo, com as lógicas e o Saber actual.

Se quiserem, dito de outro modo, esses elementos visuais são agora produzidos e trabalhados em conformidade com os ensinamentos escolares, ou a Ciência actual que acontece nas Universidades e Escolas

Ora o mesmo se passava há 500 anos, tal como antes, seja  há oitocentos anos ou até mesmo há milhares de anos.

É por isso um verdadeiro anacronismo querer entender obras antigas apenas com as lógicas de hoje:

Olhamos para elas - já se escreveu - como que estando infectados pelo PRESENTE; ou, estando imbuídos de um «presentismo» que, simplesmente, ignora o passado.

Claro que é uma atitude ignorante, porque se queremos dialogar - e neste caso de certo modo é como dialogar com um sujeito (que é o) passado – então é forçoso conhecer o outro, esse interlocutor que não se apreende facilmente.

Porém, alguns podem já ter ouvido falar em ARTES LIBERAIS.  

 

trivium-180dpi-b.jpg

 

E, analogamente, como hoje acontece, perceberem que essas Artes e as disciplinas que as constituem foram minimamente organizadas e estruturadas. Não tanto, e não tão exaustivamente, quanto se passa com as Ciências actuais (veja-se o «catálogo» das áreas cientificas da FCT), mas a verdade é que o foram...

Assim a nossa imagem é alusiva (ou mnemotécnica) desse conjunto de saberes cuja «organização» é atribuída a Martianus Capella.

Já agora, note-se que na organização de Martianus Capella é ainda curiosa ou interessantíssima a analogia que o mesmo fez entre os Conhecimentos e a própria Vida, ao referir-se às Bodas (com o sentido de união/casamento) de Filologia com Mercúrio...

Neste link ver On the Marriage of Philology and Mercury:

no que é uma alegoria muitíssimo completa e elaborada...

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E, por outras razões muito nossas, fica também este outro link

 


21
Jun 21
publicado por primaluce, às 13:30link do post | comentar

De uma História bastante completa, e, nalguns aspectos, a necessitar que se conheça - com o maior detalhe possível -, para se poderem entender algumas das opções arquitectónicas, que foram feitas pelos construtores, ou "architectores" 

 

Pergunta-se - no título - porém, e apesar de se perguntar, hoje temos certezas: vindas do que se encontrou e aprendeu quando na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa se investigou o Palácio de Monserrate.

E porque depois de Monserrate não parámos de estudar e de procurar, sucessivamente também fomos encontrando cada vez mais provas, daquilo que essa obra inglesa feita em Sintra, pelos arquitectos James Thomas Knowles, para Francis Cook, permitiu que se percebesse. 

Ora uma destas provas - que encontrámos - é o texto seguinte, escrito como se supõe, no século V ou VI, por um sírio que ficou conhecido como Pseudo Dionisio, o Areopagita*.

"As vergas indicam o poder real, a soberania, a rectidão com a qual elas [a soberania e a rectidão] levam todas as coisas à sua concretização (...) os equipamentos de geómetras e de arquitectos, o seu poder de fundar, de edificar e de concretizar e, em geral tudo o que se relaciona com a elevação espiritual e a conversão providencial das suas  subordinadas. Acontece também por vezes que os instrumentos com os quais se representam simbolizam [333C] os julgamentos de Deus em relação aos homens, uns representando as correcções disciplinares ou os castigos merecidos, os outros a ajuda divina em circunstâncias difíceis, o fim da disciplina ou o regresso à antiga felicidade, ou ainda o dom de novos benefícios, pequenos ou grandes, sensíveis ou intelectuais. Em suma uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder os sinais visíveis às realidades invisiveis." 

O excerto acima provem de Oeuvres Complètes du Pseudo-Denys L’Aréopagite. Tradução de Maurice de Gandillac, Éditions Montaigne, Paris 1943, p. 240 (aqui traduzido por nós).

 

De facto, é na História da Teologia, ou por exemplo na História dos Dogmas**, que se podem encontrar as informações que permitem compreender a maneira como os construtores (e os antigos arquitectos) organizavam as formas e o vocabulário visual.

Concretamente, um vocabulário visual que já conheciam - mas também o que permanentemente foram gerando e criando -, para traduzir as ideias do Cristianismo ***.

Como acontece no caso seguinte, nas formas que quiseram colocar, bem visíveis, nesta edificação, cuja fachada é muitissimo rica, mas, também por isso, bastante falante. 

IG._Conceição_Velha-2.jpg

AlmanaqueIlustrado-Ig.Conceição-Lisboa.jpg

Acima fotografia e desenho da igreja da Conceição Velha, na Baixa de Lisboa. Cuja combinação (e articulação) das diferentes formas escolhidas, é para nós um dos óptimos exemplos destas ideias que defendemos

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* Ler aqui, já que a wikipédia explica bastante bem, de quem se tratou, e também os escritos que lhe são atribuídos 

** Título que conhecemos em francês - Histoire des dogmes , da autoria de Bernard SESBOÜE e Joseph WOLINSKI: Histoire des dogmes. No tomo 1: Le Dieu du salut: La tradition, la règle de foi et les symboles, l'économie du salut, le développement des dogmes trinitaire et christologique. Paris, Desclée, 1994.

*** O que, por exemplo, levou Mark Gelernter a escrever um livro (que é talvez dos melhores contributos que conhecemos?) para se entender como formas supostas abstractas, se referiram a conceitos teológicos. Da contracapa desse seu livro, este excerto:

MarkGelernter-contracapa.jpg

É toda uma nova temática, sim, para quem gosta de Arquitectura, mas também para os que gostam de História 

 


19
Jun 21
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

... acha que apenas ele conhece, e só ele sabe explicar, a História da Arquitectura.

 

Por isso mesmo - inveja e mesquinharia -, mas sobretudo por se sentir no direito de expulsar e censurar aqueles com quem devia aprender.

Aqui ficam hoje, duas capas e uma contracapa, de dois dos livros que consideramos serem dos melhores para poder compreender a História desta disciplina*:

CHRISTOPHER-ALEXANDER-.jpg

capaLivro-MarkGelernter.jpg

Contra-capaLivro-MarkGelernter.jpg

E com estes a prova de que "presunção e água benta...", mais muita dopamina - em doses excessivas -, faz mal à integridade dos que deviam ser os primeiros a conhecer, e, depois, a dar o exemplo.

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* E ainda, claramente, não esquecendo o trabalho de Vitrúvio, com as respectivas notas - de Justino Maciel - bem lidas e bem assimiladas.

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Para que se saiba, numa lista dos mais famosos arquitectos americanos Christopher Alexander aparece em 28º lugar.

Em - What an Architecture Student Should Know, por Jadwiga Kurinska - esta autora refere Mark Gelernter e os conselhos que dá/deu sobre, e para, a formação dos arquitectos. Ver ainda aqui,  porque o que mais nos agrada neste autor, além da grande proximidade entre os nossos pontos de vista, é verificar que somos do mesmo ano. O que, eventualmente (?), permite que coloquemos os assuntos, e os diferentes temas necessários à formação de um arquitecto, com as mesmas bases... 

 


17
Jun 21
publicado por primaluce, às 18:30link do post | comentar

E ainda, no Ensino Superior: A História - e os que a fazem - normalmente designados historiadores.

fig18.jpg

Não é segredo nenhum, desde que Vítor Serrão quis ser nosso amigo na rede que é o facebook, desde então os seus textos e as suas opiniões, passaram a estar à nossa frente todos os dias. 

O nosso "parti pris" - ou a visão que tivemos, e que chegou a ser altamente favorável, pelo imenso gosto que tínhamos tido ao estudar na FLUL entre 2001 e 2005* - entretanto tinha mudado. E passou mesmo a ser bastante desfavorável

Mudou, à medida que estudámos muito mais, e que percebemos a forma inaceitável, com que fomos tratados. Mas sobretudo mudou, por vermos a obliquidade - ou melhor dizendo, a versão (que é uma perversão), ideológica, que conduziu àquilo a que, agora vemos claramente, como tendo sido uma expulsão 

Ora não se põe um aluno fora, obrigando-o a ir procurar outro Centro de Estudos** onde seja aceite, por meras razões ideológicas!

Porque já não estamos no Estado Novo, nem nos revanchismos de uma "certa esquerda" - seja ela qual fôr? - que decide o que é certo ou  errado, neste caso sobre "a formação do olhar de uma nação, relativamente à sua Arte."

Pelo contrário, a objectividade e a consistência - nos ensinamentos daquilo que se quer seja uma Ciência - são fundamentais. 

Não queremos escrever um post enorme, tanto mais que já hoje, fomos dar a nossa visão, em comentários deixados nas páginas de quem (apesar do que escrevo...) foi nosso professor.  Em que num caso - como por aqui nos é mostrado - ressaltam os prismas ideológicos...

E já num outro caso, ou outro dia - ver aqui, como se aumenta a chinfrineira -, e se clama por Heródoto.

Ou seja, quer-se o ensino da História, dizendo que é essencial, mas faz-se tudo ao contrário...

O que nos leva a perguntar: como é possível tanta dissonância? Tanta incoerência? Tanta falta de crítica, vinda de quem diz que a "A História tem sempre de ser crítica e analítica com base na heurística e no rigor a interpretção factual, usando a dúvida metódica com cautelas...".

Ou ainda de quem escreveu isto (com erros e tudo, e naturalmente, com muito coração a mais !): "A pr´tica dox historiador é sempre transdisciplinar, e precisa de ter, além de rigor, coração."

Pois se buscasse a razão e a lógica, ou a heurística - no seu verdadeiro sentido (onde o coração não é sentimento, ou estados de «alma caprichosa») -, teria aprendido e seguido Émile Mâle. 

O autor que na Sorbonne, um século antes (a partir de 1905/06) deu a maior força à História da Arte, quando em França, essa era ainda a única cadeira, a nível nacional; pois nem sequer existia nalguma outra universidade, em cidades da província.

A visão de Émile Mâle - que segundo nos parece, não foi a de um ateu e comunista militante (sem mais..., ou apenas a de alguém preocupado em deixar a marca das suas opções ideológicas?) - foi, ao contrário, muitíssimo criativa.  

Descrita por vários autores, como M. DANIEL RUSSO (em artigo a que podem aceder pelo link baixo); ou, por exemplo, também por Annie Regond. Autora que refere, e enaltece, as suas metodologias inovadoras.

Informando-nos (ambos) que fez buscas em textos e documentos, que até então não eram empregues: como foram textos teológicos, textos da liturgia, ou os das devoções, para poder compreender, e depois explicar, a Arquitectura Medieval.  

Assim, de M. DANIEL RUSSO aqui fica um excerto do que escreveu em 2004***: 

"A une vingtaine d'années d'intervalle, les deux citations portaient sur le moment où Emile Mâle venait d'être nommé en Sorbonne pour y faire un cours sur l'art chrétien du Moyen Âge, en 1906. Toutes deux insistaient sur la rupture fondatrice que cet enseignement instaurait alors : celle de Huissman portant sur la façon d'enseigner l'histoire de l'art, non plus d'après les principes intangibles hérités d'Hyppolite Taine (1828-1893), et assez éloignés au fond des œuvres d'art elles-mêmes ; celle de Lafont sur la date à laquelle la nomination d'Emile Mâle intervenait, dans l'histoire de la République, après la séparation de l'Église et de l'État, comme pour mieux souligner la nécessité d'une étude objective de l'art médiéval, saisi comme un objet d'histoire à part entière. En effet, par son enseignement comme par ses livres, Emile Mâle allait former le regard de la nation sur l'art religieux du Moyen Âge."

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Como se pode ver nos agradecimentos que fizemos e está em Monserrate - Uma Nova História, na p. 279.

** Centros de estudos que hoje na lei também se referem - para as Instituições de Ensino Superior (IES) - concretamente, como devem fazer o acolhimento aos estudantes.  E se são considerados no relatório seguinte (ler aqui) os estudantes do primeiro ciclo, naturalmente não faz qualquer sentido, «desacolher», passar a despedir, e pôr fora, quem já está dentro.

Mais: quem tendo dado provas de competência (bastante - como é legível nos diplomas e certificados que foram emitidos) para a realização de trabalhos de qualidade, por isso mesmo deve - muito mais do que pode... - permanecer na instituição: i. e., continuar a trabalhar, normalmente.  

*** Quando por coincidência, e sem o sabermos, estávamos nessa mesma data, em Lisboa, «puxada por uma orientadora», a trazer ao de cima várias informações, que, algumas nem sabíamos que tínhamos. Mas também outras de que me lembro, muitíssimo bem, já que aos 15-17 anos, numa redacção, num exame na Alliance Française, tinha tido que comentar um texto de Émile Mâle: "As pedras falam à nossa inteligência e à nossa sensibilidade...(etc) ".

Por fim, sublinhar que esta foi a maneira francesa, de levar o país a gostar de História, e a ter orgulho nos seus monumentos. Na Faculdade de Letras, da Universidade de Lisboa (na capital do país, no século XXI) está, e mantém-se, «a maneira de Vítor Serrão»: para formar o olhar da nação portuguesa. E só ele sabe...

    Ver em https://doi.org/10.3406/crai.2004.22817

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ 

A imagem acima, está no nosso estudo, na p. 220, é a Fig, 18, com esta legenda: "Monserrate Neogótico em 1808". Archivo Pitoresco 1808, in Regina Anacleto, Arquitectura Neomedieval Portuguesa.


14
Jun 21
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Aproveita-se para guardar aqui estas informações, ao mesmo tempo que ficam visíveis, e legíveis para os nossos leitores:

Para que se possa, facilmente, ver o modo de «trabalhar» de alguns universitários portugueses...

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Se o que este Pedro Alves fez, está aqui, e explicado por ele, com todas as letras.

Já Vítor Serrão fê-lo de forma traiçoeira, e escondendo-se, mas motivado pelas ideologias que sempre apregoa. Em suma, num comportamento que fica bem (de mais) a quem está à frente do que não deixa de ser um serviço público à comunidade... 


13
Jun 21
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Na premência de outros valores, mais actuais?

 

No futuro, a Teologia não irá certamente desenhar as igrejas com mais círculos, arcos e ideogramas abstractos ?

Continuamos a perguntar, pois o que mais se precisa é chamar a atenção para o cuidar do planeta...

E se a França vai à frente. como Clóvis fez, há mais de 1500 anos, agora - e parece ser sina - os franceses continuam na dianteira, lançando novas ideias:

SeloVerde.jpg

E por aqui  se vê desta necessidade de renovar a Criação 

Já que, na verdade, e perante esta urgência, depois também surgem logo outros que a sentem , de igual modo, e todos a quererem seguir o papa Francisco.


04
Jun 21
publicado por primaluce, às 23:00link do post | comentar

Um dia aparece...

 

Claro que é admirável alguém como José Gomes Ferreira sair das suas tamanquinhas em prol do país. Como está anunciado,  mas é verdade, nós ainda não chegámos ao livro

De qualquer modo, não temos pressa, já que sabemos, como o tempo vai sempre fazendo o seu papel. Uns e outros hão-de dar notícias.

E a este propósito lembra-se como - no ano passado já o fizemos  - ao descobrir o fake (mais do que deliberado) que existe na National Gallery.

Aqui fica a imagem (que podem ampliar noutro separador):

E mais acima, no link, obtêm outros que lhe estão associados (ver também em Iconoteologia). E assim têm muito para se entreterem, bom fim de semana!


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