Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
21
Fev 21
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

Será que as ideias de Gonçalo Ribeiro Teles ainda fazem sentido?

 

Ou, nos dias que passam já há quem saiba mais, e melhor? Haverá soluções... ? Estão ainda na gaveta, há anos, e estão para continuar?

Mas não era apenas GRT que defendia que não se construísse nos leitos das ribeiras. Para o caso de Cascais, Simão Aranha - com o pseudónimo de Pedro Falcão escreveu Cascais Menino* - concretamente foi ele quem defendeu a abertura da Ribeira.

Chamada das Vinhas - por passar num vale em que havia vinhas; e depois chamada Ribeira de Cascais, que desaguava na Praia da Ribeira.

E esta também chamada Praia dos Pescadores e Praia do Peixe

(o que fazia sentido)  

PRAIAdaRIBEIRA.jpg

O sonho de Simão Aranha era romântico de mais? Irrealizável?

O que é verdade, para além de todos os problemas criados pelas cheias, e das perdas nas vidas das pessoas - nos seus projectos e nos bens que «vão água abaixo»; verdade mesmo é que um mar de água, não cabe num cano, mesmo que seja um túnel, e ainda, para agravar, se é de dimensões reduzidas.

As fotografias provam-no: no sítio onde a ribeira passa debaixo do solo, se há água a mais, e se a dita não cabe, é claro que extravasa...    e não é pouco!

Scan19-B-18.11.1983.jpg

Scan13-B-18.11.1983.jpg

Scan11-B-18.11.1983.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*De onde se retirou, da p. 17 a fotografia acima. As outras fotografias são nossas, de Nov. de 1983, quando - do Mercado até à foz - era um imenso mar de água.  

Todas as fotos se podem ampliar: clicar sobre, e abrir noutro separador


18
Fev 21
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

É todo um sistema*, foi uma língua, mostrando, com clareza, o modo como esses grafismos nasceram e estiveram ao serviço do Poder

(e por acréscimo, note-se, hoje mostram aquilo a que chamamos Arte, o que frequentemente é um retrato do que foi a política no passado).

 

 

E se os referidos grafismos estiveram ao serviço do Poder, não foi apenas do poder religioso - como muitos tenderão a pensar - mas também do poder dos reis e da nobreza**.

Ou seja, ao estudar História, e mesmo que nos queiramos focar principalmente na História da Arquitectura, aquilo que sobressai é a História dos mais poderosos que foram os encomendantes das obras.

Assim, estudar História é de certo modo estudar a política do passado. Razão para, analogamente, também estarmos atentos e querermos compreender as políticas dos nossos dias.

Sobretudo porque nos dizem respeito, porque são o nosso futuro - a longo ou curto prazo; e também porque, directamente, podem ser políticas mais ou menos de continuidade, protectoras do ambiente e do património***. Ou, por exemplo, disruptivas, e totalmente inovadoras...

Num caso se forem baseadas numa realidade que se prolonga, pois já vinha de trás; noutro caso se forem passos totalmente novos em terrenos nunca pisados.

Claro que a inovação é precisa, mas, também nos mostra a História, raramente é feita ex-novo. Porque se baseia no presente, no já existente, e nas necessidades sentidas 

Em suma, aqui

ArtigoDuarteMarquesSobrePRR-10º.jpg

estamos a dizer que este artigo de Duarte Marques, do Expresso de 16.02.2021, faz todo o sentido ser lido

 

No fim é referido aquilo a que um PM demasiado habilidoso - ou "o optimista irritante" -, nos tem habituado.

Mas é no futuro, e para a História, que se vai ver "...se o governo ouviu ou fez de conta que ouviu os portugueses."

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* Chame-se-lhe Semiologia, Estruturalismo ou Linguística. É/foi um Sistema, embora incompleto. Portanto quando alguns se sentiram muito perto de »descobrir» aquilo que estava na Arte, também se percebe que tenham recuado, algo inseguros nas suas hipoteses ou propostas finais para teorias...

**Reis e Nobreza que, é importante lembrar, administravam a Justiça e exerciam o Poder em nome de Deus

***Ambiente e Património podem ser as áreas que mais nos interessam, mas a indústria, o ensino, a saúde, a natalidade, o desequilíbrio interior-litoral - ou a sua falta de complementaridade...; em resumo não faltam áreas em que os poderes (que é como quem diz a política) têm tudo para fazer, sem deixar para trás os principais interessados que são os cidadãos.   


07
Fev 21
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

Philibert De L'Orme explica como fazer arquitectura, e adverte para o perigo de se fazer um único modelo de toda a obra...

Advertência-PhilibertDeL'Orme.jpg

Assim, do excerto acima «traduz-se» o que principalmente nos interessa:

"On y voit bien la forme de ce qu’on veut faire, mais toutes les parties y sont si petites et si cachées qu’il n’est facile d’en juger, ni connaitre ce que doit être un bâtiment, et comme le tout se comportera après que l’œuvre sera faite. Laquelle communément ne ressemble en beaucoup de parties au modelle qui pour ce en a été fait..."

Ou seja, apesar de ser em francês, e antiquíssimo, o Arquitecto do Rei sabia aquilo que até hoje é importante praticar, quando se faz design, ou se quer projectar algo novo:

Todos os ensaios são poucos, é preciso desenhar, e redesenhar*, tentando, que através desses mesmos desenhos, se possa recriar, visualizar, e sobretudo antecipar, a obra que se vai construir. Que é uma nova realidade. Primeiro para o próprio arquitecto ter a certeza. Depois:

Para que - como também adverte - os Senhores não sejam enganados, nas despesas que vão fazer.

Ou mais importante ainda, o que registou com esta frase -  "...et comme le tout se comportera.". 

É que, exactamente, compete ao arquitecto prever como o todo - no funcionamento e na vida do edifício (que será habitado pelas pessoas) - se vai comportar depois da obra estar feita

A ler em:

PhilibertDeL'Orme-capa.jpg

Op. cit., Chapitre XI (p. 22).

*Ora sobre o "desenhar e redesenhar" de que acima escrevemos, importa também lembrar o que durante anos ensinámos. 

Mostrando desenhos que nunca se deitaram fora - e que agora parecem estar na moda (?), O que no futuro, mais próximo ou longínquo, se pode vir a apresentar


27
Jan 21
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Mais: pensar é uma chatice...

 

E portanto nada como dizer que "o demónio está nos detalhes".

É bem-feita, e Parabéns ao deputado que veio dizer o óbvio, e ensinar aos outros políticos que ele não é prioritário (na VACCCINA!).

Há vários anos e face aos estudos que fiz dedicados a Monserrate, e depois «a tudo o que veio a seguir», que verifico isto mesmo:

Pensar é uma chatice, deve dar imenso trabalho? (mas é aos outros..., porque a mim não; diverte-me e em geral bastante*)

Assim, não se queixem, pois têm o que querem. Que são ideias gerais (para governar um país...), e quanto mais mal-amanhadas pior. Ou melhor!

Ou seja: melhor para quem não quer pensar, mas pior para toda a sociedade.

E foi a propósito disto mesmo, que, há minutos, encontrei um desenho fantástico

Library_of_Congress,_Rosenwald_4,_Bl._5r-anõesAOS

do qual se tira a imagem que é uma frase**

Library_of_Congress,_Rosenwald_4,_Bl._5r-anóesAOS

AOS OMBROS DE GIGANTES

"A atribuição de Bernardo de Chartres foi feita por João de Salisbury. Em 1159, João escreveu em seu Metalogicon: "Bernardo de Chartres costumava nos comparar a anões empoleirados nos ombros de gigantes. Ele ressaltou que podemos ver mais e mais longe do que nossos predecessores, não porque temos visão mais aguçada ou maior altura, mas porque somos levantados e carregados sobre sua estatura gigantesca."

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*Muito mais do que jogar às cartas, ou fazer palavras cruzadas!

**Vinda daqui: Sobre os ombros de gigantes – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

 

Hierarquizar é pensar, o que é um bom exemplo de tarefa difícil 

21.01.2021.jpg

 


24
Jan 21
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Aqui começo por agradecer à Professora Sónia Talhé Azambuja - de quem fui colega entre 2001 e 2005 - e que há cerca de 20 anos me proporcionou conhecer o trabalho* de Manuel Azevedo Coutinho, que é referido no artigo do link. 

 

Dele extraímos este texto (com acertos de paginação nossos, assim como a imagem final):

"A Arquitetura Paisagista é um campo que cruza arte, ciência e técnica e que nos últimos 77 anos em Portugal tem sido fundamental para o projeto de conservação, restauro e salvaguarda dos jardins históricos do nosso país.

O primeiro relatório final de licenciatura em Arquitetura Paisagista, elaborado em 1948 por Manuel deAzevedo Coutinho (1921-1992), sob a orientação do professor Francisco Caldeira Cabral é sobre o projeto de recuperação do JBA (Coutinho, 1948). O referido estudo constitui a base de conhecimento sobre a qual se procedeu ao primeiro restauro do jardim após ter sido severamente destruído pelo ciclone de 1941 que assolou Lisboa."

JBA-MAC-Paisagismo-250ppp.png

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* Fiquei fascinada com os desenhos tão bonitos: uma maneira de riscar, desenhar e escrever que tive a sorte de conhecer bem.


16
Jan 21
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Claro que preferíamos não misturar a política com os assuntos mais específicos que nos interessam, só que, na verdade está tudo ligado.

E por isso, há uns anos tínhamos feito este post já a pensar num tal de SR. KOSTA, cuja habilidade nunca será demais salientar*.  

Por outro lado, acabei de receber uma mensagem com um link. Será campanha eleitoral...?

Adiante:

Porque no nosso caso sempre pensámos que o SR. KOSTA, sim, talvez fosse possível ele vir a governar, mas enquanto – e à semelhança dos Cônsules Romanos -, o PR não o deixasse "pôr pé em ramo verde"**.

Só que, o dito PR (este que agora está em Belém), talvez preocupado demais com as suas próprias doenças (?), parece andar distraído; e o tal SR. KOSTA - parecido demais com um seu parente conhecido como SÓKRATES (a diferença está em que o primeiro é mais selecto, almejando para si os grandes poderes e não apenas uns trocos de «novo riquinho»).

O dito KOSTA, agora deslumbrado com a Europa (ou com o mundo de quem já se imagina chefe supremo), percebeu que para salvar a Economia, um pouco só que fosse, era necessário pôr a malta a comprar à tripa-forra no Natal.

E com requintes de malvadez - ele que já sabia que iria ser preciso fechar tudo, logo depois dos gastos e das compras feitas; ele mesmo ainda prometeu que as lojas teriam que aceitar trocas até 31 de Janeiro...

Ah! 

Ou, como escreveu João Vieira Pereira ontem no Expresso - Cai um avião todos os dias, e ninguém dá por nada? Pergunta-se. Serão invisíveis as habilidades com que estamos a ser «governados»?   

Perguntas relativas a ideias mais do que gastas, mas ainda não interiorizadas:

A política da Presidência Europeia para a sustentabilidade é isto? O compromisso de equilíbrios, entre o fechar e o deixar andar (já agora com multas pesadas, e obviamente as muitas mortes***) é a elevação máxima do SR. KOSTA! A que podium ?

Ao de grande e hábil estadista? Ou ao da incompetência total (embora ainda) disfarçada de salvadora?

E o pior é que a malta não sabe ler! Nem ver, nem quer...

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*E até talvez tenha escrito outro(s), mais explícito, mas deste lembro-me

**Obrigando-o a pôr as suas qualidades e inteligência ao serviço do povo. Já que ser ministro, é ministrar/servir

***Mas estamos anestesiados, e não as sentimos, não choramos... Há que ir em frente, para que os políticos sôfregos e ambiciosos, pisando todas as vidas a que não deram valor, façam os seus caminhos


12
Jan 21
publicado por primaluce, às 20:30link do post | comentar

Segundo Alberto Manguel "Ler é a nossa função essencial," como respirar.

 

Por isso escreveu:

"Os leitores de livros, em cuja tribo entrei sem saber (julgamos sempre que estamos sozinhos em cada descoberta e que cada expe­riência, do nascimento à morte, é terrivelmente singular), desen­volvem ou concentram uma função comum a todos nós. Ler letras numa página é só um dos seus muitos disfarces. O astrónomo que lê um mapa de estrelas que já não existem; o arquitecto japonês que lê o terreno em que vai construir uma casa, com o intuito de a proteger de forças malignas; o zoólogo que lê o rasto de animais numa floresta; o jogador de cartas que lê os gestos do parceiro antes de jogar a cartada vencedora; o bailarino que lê as indicações do coreógrafo, e o público que lê os movimentos do bailarino no palco; o tecelão que lê o desenho complexo do tapete que vai entrelaçando; o organista que lê várias pautas musicais orquestradas na página; os pais quê lêem a expressão do bebé, em busca de sinais de alegria, medo ou espanto; o adivinho chinês que lê marcas anti­gas numa carapaça de tartaruga; o amante que lê às cegas o corpo do ser amado, à noite, entre os lençóis; o psiquiatra que ajuda os seus doentes a ler sonhos desconcertantes; o pescador havaiano que lê as correntes oceânicas mergulhando uma mão na água; o agricultor que lê no céu o tempo que vai fazer... todos eles partilham com os leitores de livros a arte de decifrar e traduzir sinais. Algumas dessas leituras são coloridas pela certeza de que a coisa lida foi criada para esse fim específico por outros seres humanos — anotações de música ou sinais de trânsito, por exemplo — ou pelos deuses — a carapaça de tartaruga, o céu nocturno. Outras resultam do acaso.

E, porém, em todos os casos, é o leitor que lê o sentido; é o leitor que concede ou reconhece a um objecto, lugar ou acontecimento uma possível legibilidade; é ao leitor que cabe atribuir significado a um sistema de signos e, depois, decifrá-lo. Todos nos lemos a nós mesmos e todos lemos o mundo que nos rodeia para vislumbrar o que somos e onde nos encontramos. Lemos para compreender, ou para começar a compreender. Não podemos senão ler. Ler, quase tanto como respirar, é a nossa função essencial."

LivroManguel.jpg

Legenda.jpg

E depois desta imagem que incluiu no seu livro sobre a leitura*, a nós resta-nos acrescentar que o leitor que está sentado na "Astuciosa máquina de leitura", e portanto de costas para quem agora está a ler (e agora de facto somos nós os leitores), esse leitor - se virem com atenção - tem um cinto que roda e, aparentemente, se transforma numas alças...

"Astuciosa maneira" - dizemos nós -, para se ler  (ou ser-se informado) que se trata de alguém religioso:

De um crente que assim, pelo nó e pelo design do seu cinto, nos informa que é luterano? Ou, alguém que acredita, e o proclama, no dogma do filioque?

Em resumo, no texto acima sublinhamos: "...a certeza de que a coisa lida - isto é o nó e o design do cinto (como se explica) - foi criada para esse fim específico  (**)  por outros seres humanos"

E quando as obras de Arte - incluindo a Arquitectura - estão repletas de sinais, que não são, nem foram, meros tiques gestuais dos seus autores, é porque esses sinais eram significantes e para serem lidos. Num contexto de Beleza total, que se pretendia criar: como Aloïs Riegl mostrou

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Uma História da Leitura por Alberto Manguel, Edição Tinta da China, LISBOA MMXX. A longa citação texto das pp. 29-30; e ainda a reprodução da gravura da p. 181.

**Ou seja, foi criado para ser lido: sem a menor dúvida


07
Jan 21
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Na verdade, estas regras de Concordância e Conveniência formal são visíveis e notórias em toda a Arte antiga e tradicional, do mundo ocidental. Porém, no nosso caso, continuamos a constatar que os historiadores as negam...

 

Pelo menos os historiadores portugueses: os que acham que atirando com os estudos (e as pessoas que os fazem) para debaixo do tapete, que isso lhes há-de dar razão. 

Como se nada pudesse mudar, ou o estado de negação em que vivem lhes fosse propício!

Como se nada pudesse mudar, e os respectivos finca-pés, parassem a rotação da terra, ou a evolução das mentes. Sobre este assunto ver o que temos escrito do IHA da FLUL, de Vítor Serrão, e de outros supostos responsáveis dessa instituição*...

Se Vitrúvio e quem o estudou – como M. Justino Maciel – abordam a questão da conveniência, também no ano 2000 Berry Bergdoll, em European Architecture 1750-1890, a apresenta. Começando inclusivamente, por ir buscar informações de Jacob Burckhardt, e das lições públicas que dava em Basileia - sua cidade natal -, em pleno século XIX (entre 1868-71**).

Sim, havia formas, sinais e insígnias que eram as mais adequadas para cada uma das diferentes épocas, adoptadas por reis, chefes, imperadores. Ou ainda, para expressarem as ideias em que esses chefes, reis, imperadores, acreditavam. Formas a que por isso chamamos IDEOGRAMAS.

Já que representavam, graficamente, as ideias em nome das quais esses chefes existiam, e pelas quais exerciam o seu Poder e também a Justiça (como se mostra por exemplo na última imagem deste post - a capa de um livro em que parte deste tema, já é tratado).

Ideogramas (ou marcas, algumas até pessoais), a que ontem, num post a propósito dos sinais de canteiros, chamámos SINALEFAS.  No caso, ao sinal autógrafo de Carlos Magno, como se explicou.

E é Carlos Magno o representado na nossa 1ª imagem.

Acontece que entre ele e Napoleão, podem fazer-se várias associações. Não apenas a de ambos terem sido imperadores, mas, é conhecido, que alguns dos «rituais» da entronização de N. Bonaparte - que aconteceu na Notre-Dame de Paris -, foram decalcados da coroação de Carlos Magno (Roma, Natal 800 d.C.). Acontecendo ainda que qualquer leitor pode ler sobre isto, e até ficar a saber, em detalhe, bem mais do que sabemos...

Na imagem seguinte - da autoria de Albrecht Dürer -, no traje de Carlos Magno, há caligrafias, há sinalefas ou marcas (e tudo o mais que lhes queiram chamar!). São ornamentos que eram também motivos (decorativos e consonantes com os «paramentos» em que eram integrados), como lhes chamava, e com toda a razão, Robert Smith.

CarlosMagno-cor.jpg

Em suma, eram as formas convenientes para o traje completo de um Imperador cristão.

Formas, que muitas delas também passaram à arquitectura, com base, exactamente, nas ideias que lhes estavam associadas. As mesmas que Jacob Burckhardt percebeu estarem na base dos estilos arquitectónicos***, que cada povo e cada nação tomou como seus, específicos.

Capa-Livro_Napoleão.jpg

No livro cuja capa está acima deste texto, não se cruzam informações (não predominam, são raras), como estas que defendemos: ou seja, os referidos Símbolos do Poder são notados apenas numa «segunda pele» de cada um dos protagonistas.

Isto é nos seus trajes e vestimentas, não tendo ocorrido aos respectivos autores (Paola Rapelli, edição de The J. Paul Getty Museum Los Angeles, 2004) que também a Arquitectura - como última pele (ou última camada envolvente, desenhando os cenários em que se movimentam os grandes personagens históricos) -, pudesse ter plasmado os mesmos sinais que foram/são considerados como sinais e símbolos do Poder, da Justiça ou de Deus.

E em nome de quem, esses mesmos poderes soberanos eram exercidos    

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Infelizmente os nossos posts desde 2010 estão carregados de denúncias relativas a estes comportamentos, básicos e anti-científicos da FLUL.

** Ver op. cit., p. 139.

*** Estilos que, caso a historiografia da arte e da arquitectura evoluísse, passariam a ser muito melhor compreendidos. Já que neles se destacam conjuntos de ideogramas. Os mesmos que são considerados, no livro acima - Símbolos do Poder.


06
Jan 21
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Daqui informa-se que Carlos Magno assinava assim:

sinal-carlos-magno-2.jpg

Este sinal encontrei-o num livro (na BAQ, IADE), desenhei-o, e copiei o texto que explicava:

“Charlemagne

the only part drawn by the emperor himself was the lozenge in the middle, for he was illiterate. A scribe then added the remainder”

 

Carlos Magno

a única parte desenhada pelo próprio imperador era o losango no meio, pois era analfabeto. Um escriba, em seguida, acrescentou o restante

Relendo agora essa explicação, e sabendo do valor significante do losango, independentemente de Carlos Magno saber, ou não, ler e escrever, o interessante é que afinal apenas desenhava o que verdadeiramente tinha valor ideográfico.

Porque os elementos restantes, e constituintes deste sinal que adoptou (as letras K, R, L e S) tinham valor fonético como ainda hoje assim, e em geral, se mantém.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) Post de Luis Lobato de Faria a ver aqui


08
Dez 20
publicado por primaluce, às 21:30link do post | comentar

Quem não viu que veja... Sobretudo que não perca!

 

MESMO QUE VEJA MENOS DO QUE NÓS, já que, como é sabido, nos fascinamos com pouco...

Mesmo que não perceba, como se combinaram – acrescentamos - o simbolismo antigo (de algumas imagens anteriores à Idade Média), com imagens icónicas ainda agora legíveis.

Que veja como um teatro de Tarragona, em forma de barco, está repleto de símbolos cristãos, como o chega a referir Josep Maria Jujol Junior: filho do arquitecto que fez parceria com Gaudí

Jujol-Gaudí.jpg

Que veja, mesmo que nada lhe interessem detalhes (hiper-expressivos) como o da mandorla seguinte

Jujol-Gaudí-6.jpg

Que veja recriações de imagens antigas (a que chamamos ideogramas), postas a reviver em novos contextos e novas combinações, imaginadas há cerca de 100 anos

Jujol-Gaudí-0.jpg

Que veja quem quiser rever Barcelona e um óptimo programa sobre a Arquitecura

Jujol e Gaudí: Dois Génios da Arquitetura de 06 Dez 2020 - RTP Play - RTP


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