Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
17
Fev 19
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

Há um novo post, que qualquer Comissão de Arte Religiosa, gostaria certamente de conhecer.


14
Fev 19
publicado por primaluce, às 23:00link do post | comentar

Hoje:

Amor a um planeta mais limpo

O tema que há anos, décadas, podia e devia estar no centro das preocupações de uma certa escola de Design. Sim, a que se intitula ser a melhor de Portugal, e dos Algarves d' Áquem e d' Álem


13
Fev 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... as ideias vão-se desenvolvendo, em expressões materiais.

As mesmas que há anos foram produzidas.


publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... uma versão em família

 

Claro que esta questão do Filioque é bastante difícil, e muito complexa como em geral acontece nalguns dos temas escolhidos para os estudos pós-graduados. Por isso eles existem, e se fazem, inclusivamente, em diferentes graus como mestrados e doutoramentos.

Hoje, o nosso post é sobre um exemplo que em família, há uns anos (por isso o rapaz, meu sobrinho-neto já está enorme!) foi feito com uma pintura que fizemos e oferecemos.

E embora esteja prometida uma ampliação/acabamento (pois é ainda um díptico, mas pode ser um políptico...), o que demos, logo depois foi utilizado para fazer o «santinho» (ou a pagela) própria para lembrar o dia do baptizado do Pedro.Image0061.JPG

Abaixo os nomes do Pedro são da responsabilidade do pai (dele - e devem localizar-se entre Coimbra e Serra?), e sem apelido esta página/pagela anónima pode vir para a internet.

Image0060.JPG

Já a imagem superior (a face frontal do dito santinho) é da nossa responsabilidade e merece várias explicações. Até porque foi feita com o bico da pomba a apontar para baixo (ou seja, o que se vê aqui foi rodado):

A mandorla é ovalada, porque resulta de uma moldura prévia, existente. Dentro tem um losango, dividido na vertical, que recebeu 2 cores. Não esquecer que o losango corresponde à habitual rectificação da mandorla, sendo por isso muito comum na arte religiosa. É depois sobre uma mandorla -  esta geometricamente mais correcta, que foi desenhada a Pomba. Talvez difícil de reconhecer podendo parecer outro pássaro?*

Por fim a frase "O espírito é a luz" aparenta ser uma risca, vertical, do padrão de uma parede. E os tons híbridos que parecem ser de castanhos, no original são dourado.

Não de ouro, como à antiga, mas de tinta acrílica

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Não sei se já sei a razão (ou talvez um dia o próprio Espírito Santo me diga ao ouvido...?), mas também na capela do Cemitério Municipal de Carnaxide (Oeiras), cuja intervenção de restauro dirigimos, também aí a Pomba nos lembra - neste caso a mim e à Eng. Fiscal de Obra da CM de Oeiras -, mais um palmípede, ou uma gaivota, do que uma verdadeira Pomba... 

Mas enfim, temos a certeza que Deus nunca se importou com representações mais ingénuas ou populares. Diria até - interpretando-o, que vão para essas as suas preferências, em detrimento de algumas «complicações teologais» :

As mesmas que, por viverem de enormes subtilezas, levaram os teólogos medievais a irem buscar a Geometria, talvez só ela a Ciência capaz de conseguir traduzir essas mesmas subtilezas?

No entanto, esta ideia lembra-nos uma expressão francesa, que põe em pólos opostos a fé dos mais simples e crentes, e a dos que tiveram o azar (ou quem sabe a sorte...?) de duvidar. E a expressão é:

"avoir la foi du charbonnier"


05
Fev 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Este post é o dar atenção hoje, publicamente, a um assunto que sempre nos ocupou.

 

Porque quer a ensinar, quer a trabalhar sempre tivemos a noção da importância da postura corporal, depois dos equipamentos e finalmente das características dos espaços onde se trabalha.

Certo mesmo é que para nos concentrarmos na leitura de textos, ou a escrever e a desenhar; o mesmo se passando para as muitas horas que na actualidade é necessário estar frente a um ecrã, usando as mãos e os dedos, na manipulação do mouse ou a dactilografar num teclado.  Para estes movimentos corporais que implicam estar com a cabeça e os olhos a cerca de 40 cm de um painel - plano de trabalho (luminoso no caso dos ecrãs onde se localiza a tarefa visual a desempenhar); para este efeito todo o corpo tem que estar em posição tal que fique confortável, e ao mesmo tempo se possam fazer alguns movimentos (geralmente pequenos) e gestos, de acomodação e relaxação muscular, enquanto se vai continuando a trabalhar.

Ora dado o tempo, longo, que algumas das tarefas podem demorar, e não havendo grande possibilidade de trabalhar de outro modo (ou de haver alguma variação entre tarefas umas mais físicas e manuais, e outras mais intelectuais, alternando). E já que «a nossa civilização» parece ter encontrado no computador o modo quase único de produção, então há que procurar melhorar a postura corporal, no tempo que têm que durar as tarefas laborais.

Lembro-me aliás de algumas vezes o dizer aos alunos, chegando ao ponto de lhes lembrar que até a desenhar, por exemplo se quero desenhar curvas largas - traçadas com amplos gestos -, ou zonas minúsculas (em que o corpo vai estar em enorme tensão, para procurar o rigor e a precisão), nesses casos tenho que ter o corpo em equilíbrio, rodar a cabeça, etc. E, frequentemente, se estamos sentados, ter os pés muito bem apoiados, é essencial.

Pessoalmente, e por precisar de estar várias horas ocupada com tarefas que exigem atenção, rigor, precisão de movimentos, para tudo isto os antigos estiradores e os seus banco altos, ou as cadeiras desenhadas por Sena da Silva para a Olaio - desde que possa variar, ao logo do dia -  podem ser boas soluções. Por exemplo, ter o plano de trabalho a 105 cm de altura, e um banco alto de apoio, para por momentos (ou minutos) descansar as pernas

Ou também ainda, em alternativa, usar um banco (adaptável), em que o apoio se distribui, e se faz mais pelos joelhos do que pelos pés. Mas neste caso, talvez o plano de trabalho sobre o qual se coloca, por exemplo o computador, já terá que estar mais baixo (80 cm).

Por fim vem aquilo que não deixa de ser, talvez (?), o mais importante:

Image0058-d.jpg

O Design pode e deve investigar, como mostra o pequeno artigo da Revista Proteste da Deco, nº 137, Fev.-Mar. 2019 que lemos. Estando ao seu alcance - é aliás para isso que existe - a criação de novos modelos ergonómicos.

Isto é: novas relações de antropometria, entre os equipamentos e quem os opera (também para os livros e revistas que lemos), nos locais de trabalho. O que pode vir também a obrigar a uma redefinição dos espaços de trabalho: mais concretamente das fábricas e dos escritórios 


28
Jan 19
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

...ou:

AS «MERAS COINCIDÊNCIAS» CONTINUAM.

FELIZMENTE!

 

Chamamos-lhes «meras coincidências», como algumas vezes na FLUL (entre 2002 e 2005) os profs e os seus acólitos foram baptizando aquilo que (eu) estava a perceber serem incríveis descobertas.
Ninguém queria admitir, ou sequer acreditar, que uma arquitecta distraída (quiçá mentalmente muito desarrumada, e sempre pronta a filtrar e a contestar...?), que essa de repente estivesse a tirar o véu (desvelando) àquilo que para uns eram simples hieróglifos, meras sinalefas (talvez maçónicas)?
E se os esforços para a demoverem (à dita «arquitonta») não foram poucos. Então depois de acabados os estudos, ou silenciados - mas tudo nos conformes, para não haver um dia razões de queixa! - então ficou imposta «uma lei da rolha»*.
Outra, que nos lembra a Lei da Gravidade, por serem estas, das poucas que aqui, neste país, se cumprem...
Só que o post de hoje é para nós mais uma prova, e uma resposta para dúvidas que tantas vezes nos colocamos:
Enfim, é o registo de que não são meras coincidências. Já que, se várias vezes olhei para umas camas de ferro, por sinal bem giras e me perguntei porque teriam aquelas cabeceiras? A mesma iconografia que abunda em grades de varandas na Cidade do Porto, e em especial na zona da Rua das Flores... Porquê?

Pois agora está aqui a confirmação, e que não é coincidência. 

ex-voto-DETALHE.jpg

Se as grades, se as varandas, e sobretudo as janelas, são ainda a ideia antiga de que DEUS é LUZ (diz-se no Credo), porquê transpor a mesma ideia para as cabeceiras das camas? Seria como protecção divina? Ou porque os ferreiros não tinham nas oficinas outros modelos...** 
Em suma, hoje estou a registar uma resposta às minhas perguntas. Mas também a sorrir: lembrando-me de tantas conversas mais do que patéticas, muitas delas ocorridas logo ali na Faculdade de Letras.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*A qual aos poucos, forçosamente e como já vem a acontecer, tem que se ir «desanuviando». Deitando cá para fora materiais, que para o Instituto de História da Arte, como foi a Exposição do Monserrate Revisitado (calçando alguém os meus sapatinhos, e indo no meu encalço) são eventualmente prova mais visível de que existem e fazem algumas coisas (para além de tudo o que sempre se faz/fez pequenino, e esconde).

Como dizemos, na FLUL alguns trabalhos já são consequência dos nossos estudos. Até quando vão continuar a esconder? Quando há muito mais para aprofundar e a Ciência em Portugal poder ir mais longe...?

**Só que no exemplo acima, é mesmo este ponto - o do modelo - que torna o exemplo patente na imagem do Ex-Voto, ainda mais rico! Ou mais giro - diz a tal de arquitonta -, para usar um calão e informalidade, que tem a vantagem de tornar expressiva as ideias, ajudando a pensar.


23
Jan 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

NOW IN ENGLISH, 

and it is a good thing


16
Jan 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

A frase acima - "Fazer corresponder Sinais Visíveis a realidades Invisíveis" (a que acrescentamos Deus, visto que a «divindade»* foi muitas vezes considerada realidade invisível) - foi escrita por Dionísio, o Pseudo-Areopagita, e já a citámos várias vezes, desde que a descobrimos**.

 

Consideramo-la extraordinária, por muitas razões, mas acima de tudo pela clareza com que traduz aquilo que foi a maioria das vezes o objectivo da Arte Religiosa.

E já agora, porque não dizê-lo (?) visto que nas instituições de Ensino Superior - concretamente na Faculdade de Letras de Lisboa (e assim praticado por alguns dos seus professores considerados mais responsáveis) - apenas se aceita aquilo que está escrito, ou alguém registou. 

É portanto sem dúvida uma frase extraordinária, por explicar tintim-por-tintim, como no b-a-ba do alfabeto, a junção de imagens para traduzir ideias.

Acontece que, no fim da Antiguidade Tardia - e como muito bem M. Justino Maciel  também o registou - a Arte (Paleocristã) que era até então sobretudo naturalista, passou depois a ser «elaborada», crescentemente, a partir de sinais capazes de colaborarem na «redacção desses textos», ou, chamemos-lhes composições/discursos visuais, altamente simbólicos.

Por aqui dizemo-lo, há anos: que uma catedral ou igreja gótica, é visualmente - e pelo modo como articula uma série de sinais - a explicitação do Símbolo da Fé; o mesmo que é também conhecido como Símbolo de Niceia-Constantinopla, ou, "tout court" - o Credo. 

Mais uma vez, note-se, é uma imensa temática, imparável. Já que obriga a escrever continuadamente, porque é necessário ir buscar imensos elementos que normalmente não têm sido, ou nem são ainda agora convocados, para explicar as obras de Arte.

Sinais Visíveis.jpg

A imagem acima obtivemo-la em CONÍMBRIGA, há uns bons anos quando numa visita ao local percebemos estar declaradamente perante ICONOGRAFIA cristã (embora ninguém o diga...).

Assim e da nossa BIBLIOTECA preferida BAQ, vamos - enquanto pudermos... (depois logo se verá?) - aproveitar e trazer livros com imagens de mosaicos, concretamente com sinais como estes a seguir, que funcionavam como alusões a, ou SINAIS VISÍVEIS, tradutores de REALIDADES INVISÍVEIS

Sinais Visíveis-símbolos do infinito-p&b.jpg

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*Autores como Michel Rouche alertam para o facto de o Imperador Constantino que liberalizou o Cristianismo e mais tarde o instaurou como Religião Oficial , nunca ter usado a palavra Deus, referindo-se geralmente à Divindade

** Ver em https://primaluce.blogs.sapo.pt/como-alguns-sabem-as-nossas-prioridades-455622 ou principalmente num post mais completo que já escrevemos em 2014


03
Jan 19
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

E faz sentido lembrar uma fotografia que fiz há dias, num local onde era proibido fotografar

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Neste Menino Jesus com um Espinho no pé, naturalmente uma das surpresas que têm os que conhecem a história de Jesus Cristo, é o facto de se adiantar, de maneira alegórica, o seu futuro, e o modo como morreu:

Coroado como Rei dos Judeus, recebeu uma Coroa de Espinhos sobre a cabeça.

Ora, para além das imagens, que mental e automaticamente formamos, face à leitura dos textos, há também toda a imagética que a Igreja ao longo dos séculos foi elaborando. Como sabemos são terríveis, assustadoras, e muito dolorosas todas essas representações. Sendo em geral Imagens que todos preferíamos não ver, nunca ter visto, imaginado ou sonhado...

Mas se do ponto de vista imediato e afectivo, são tão tocantes (quanto chocantes); já do ponto de vista da catequese da Igreja, e da Justificação/Redenção que é supostamente «conquistada» na vida terrena. Durante este nosso percurso, a que muitos se mantêm (ou tentam manter) alheados, há por outro lado outros, que se preocupam em ser e estar conscientes, do lado mais espiritual das suas vidas...

É nesta perspectiva que vemos - parece-nos, e interrogamo-nos (mas definitivamente interpretamos a Imagem assim) - o Espinho no Pé de um Menino, que, agora até nos esquecemos que é Jesus, mas sem dúvida uma criança que parece estar a sofrer:

Surpreendido. Mas tendo em simultâneo uma dor inesperada, a qual terá pensado (?), como qualquer um  e sobretudo as crianças, como uma dor muito injusta. Por não a merecer...    

Há uma imensa humanidade nesta Imagem, que, por esta lógica, como a interpretamos, ganha logo em beleza. Mas..., temos por fim que acrescentar uma nota ao que não é um detalhe. Isto é, será hoje um detalhe mínimo, porque em geral não temos informação religiosa, mas não o foi no passado. Sobretudo para quem idealizava e concebia (o clero) a maioria das obras:

O Espinho é um Y. A letra que se pode ler de duas maneiras:

No alfabeto foi uma das formas de escrever Jesus; formalmente é uma bifurcação (como se pode ver nas estradas).

Seja a direito ou invertido, é o sinal gráfico que reúne o 1 e o 2. O entroncamento, ou a separação. Enfim, foi um dos sinais mais usados na arquitectura*, mas também na pintura e em geral em todas as obras de Arte Religiosa, tantas vezes (ou a maioria das vezes!?) para traduzir a ideia do Filioque**. 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Como já deixámos (desde 2004, está escrito) no nosso trabalho dedicado a Monserrate.

**Particularmente num caso que nunca registámos (por escrito) mas que é absolutamente fascinante, e fantástico, pela forma como pelo emprego do Y  associa directamente Carlos Magno à imposição que fez à Igreja Católica relativamente ao uso da partícula que é o Filioque. Referimo-nos à Carolingian gatehouse of Lorsch Abbey, e nesta obra particularmente à imagem da fachada. Ver aqui,  já que se trata de um modo de proceder (ou de desenhar a Arquitectura) que durou séculos.

Ou seja, exemplo de como um simples IDEOGRAMA, em geral se associava às janelas e às portas dando-lhes forma, ou enquadrando-as. Muitas vezes estruturando-as  (como se encontra explicado por uma frase de S. Paulo que Mary Carruthers citou).


29
Dez 18
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... assim como os temas que tratamos.

 

Não é por acaso que escrevemos em 3 blogs, por vezes muito semelhantes, mas na raiz estão assuntos diferentes:

https://primaluce.blogs.sapo.pt/ aqui começámos (em Outubro de 2010), preocupada em continuar a tarefa de professora que desde 1976 iniciei.

E que em 2002, logo no início desse ano, estando a fazer um mestrado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa me apercebi, que grande parte da História da Arte que vem a ser ensinada desde que me conheço estava a ser vista de forma errada, e enganada por sucessivos erros acumulados. Mas pior ainda, enganadora, sobretudo a partir do momento que se têm pistas que permitem vislumbrar novas vias de investigação.

Desde 2002 a 2005 muito se passou, ficou escrito um trabalho que em 2008 a Livros Horizonte considerou digno de publicação. E entretanto - do ponto de vista académico - inscrevemo-nos na fase seguinte necessária ao consolidar cientifico (e portanto público e oficial) dos conhecimentos que temos vindo a reunir e a poder observar numa perspectiva diferente da que é a actual, e a oficial...

Só que, a instituição - IADE - que deveria ser a primeira e mais interessada nos desenvolvimentos científicos que passaram a estar no centro dos nossos interesses, essa instituição traiu, tal como fora traída imediatamente antes, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a que consideramos ser a visão normal de quem ensina (a nossa). Que é a de quem entende que só a verdade* deve ser ensinada.

Mas adiante, já que este post de hoje tem por objectivo explicar, mais uma vez, onde estamos e porque estamos: i. e., porque escrevemos em 3 diferentes blogs

Assim, e porque nos aconteceu ter encontrado na Biblioteca da UCP um interessante livro dedicado à Teologia da Arte, essa obra foi-nos conduzindo a diferentes leituras que nos levaram por fim ao conhecimento da existência do Pe. Eugenio Marino e da palavra ICONOTEOLOGIA que um dia a aplicou a uma obra de Paolo Uccello. Assim surgiu o nosso blog ,  https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/  no qual temos um razoável orgulho.

Nem sempre por aquilo que lá escrevemos, mas pela certeza de ter introduzido em Portugal, e para o contexto da Arte (em geral) - antiga, tradicional e de base religiosa -, a palavra que melhor traduz a sua essência. Ou, dito de outra maneira, a razão de muitos dos themas artísticos e a respectiva iconografia - que é a mais comum - encontrar-se na História da Religião Cristã, e particularmente até na História dos Dogmas. E o itálico justifica-se por ser esse o título de um livro - utilíssimo - que nos foi aconselhado por Ana Maria Jorge do CEHR da Univ. Católica (por Bernard Sesboüé).

É verdade porém, que muito do que aqui temos escrito, nem sempre parece ser bonzinho, ou muito conforme à doutrina católica. Por estar infectado por muita raiva nossa (é esse o estrago, deixado em causa própria), de quem tem que lidar com inúmeras dificuldades.

Não as normais da vida, ou de saúde, porém, dificuldades que, há que o dizer, não são aleatórias, e têm sido geradas, propositadamente, por quem se sente prejudicado pelas ideias que, passo a passo, temos tido a sorte de estar a conseguir formar e a desenvolver. Formação e desenvolvimento que, por se tratarem de ideias, obviamente não é uma tarefa fácil. 

Aqui podíamos ficar por um irónico "temos pena!" (dos nossos inimigos e das suas invejas... claro); mas a origem desta raiva - demasiado típica num Portugal sempre exíguo, e como até Camões o fez constar no último verso dos Lusíadas - passa pela "inveja".

Ou também, e este é um fenómeno que normalmente surge associado nestas questões da inveja, «pela aparência» que muitos superficialmente vislumbram e captam, sem chegarem à essência, daquilo e daquele que invejam. Aparência que supõem, que, desviando-a para si, e em seu favor, julgam poder manter (?!). Como se a imagem que captam - no seu olhar que é oblíquo e ínvio... (ou inviesado, e não imagens que se esforçassem por ver no centro da retina que é a fóvea) - como se essa aparência que os deslumbra (?) fosse tudo! E naturalmente isto, mais do que fazer-nos sorrir, pode gerar umas boas gargalhadas. 

Isto é, invejam a imagem do vencedor; do que vai triunfando, a duras penas e muito aos poucos, esquecendo-se que estão a querer ter para si, apenas o que se vê à superfície, e não toda a profundidade que alguns êxitos têm que ter por detrás. 

Ora isto são «rabos-de-palha» que têm e se podem explorar. Os que invejam dão-nos ainda mais razões para não nos calarmos! Nem para vergonhas! Porque a existirem, essas têm os seus próprios donos, e não somos nós...

A Miguel Real este tema já deu um livro. Chamou-lhe A Morte de Portugal, o que é sem dúvida bastante claro; mas tantos, tantos outros, há muito que fizeram questão de denunciar estas falsidades aparentes, de quem destrói os outros, por não querer admitir o su valor. Num Portugal que tem sido um país pobre, isto sempre foi notório.

Assim, e até visto de fora, como se lê no prefácio de uma obra inglesa, anónima, do século XIX, intitulada Portugal; Or, The Young Travellers, nela, os ingleses anónimos que a produziram - talvez por isso mesmo (?) - não tiveram o menor pejo de troçar (como nós fazemos) daquilo que consideravam vergonhoso.

Por isso eles se referiram a esta preocupação (tão «portuga» dizemos nós) do "Parecer, mais do que Ser". Indo ao ponto de verem nessa ocupação (de mentes doentias) O Atributo que não está, mas devia estar, segundo eles, plasmado  no escudo de Portugal.

Finalmente, para quem como nós não tem medo de trabalhar - mas sim de todos aqueles que tudo fazem para dificultarem os trabalhos alheios - pois nós mesmos entendemos, que a Casa Amarela de Portalegre era merecedora de um blog. E por isso - apesar ser mais um, e já não tendo como objectivo, como fora antes o «registo» de um qualquer nome - sem mais, criámo-lo!

Ficou a chamar-se https://casamarela.blogs.sapo.pt/   **

Pessoalmente, podemos dizê-lo, mesmo que chovam críticas, ainda bem que o fizemos. Pois a especificidade da Cidade de Portalegre, ou em particular daquela que é agora uma casa (parcialmente) minha, uma e outra são plenamente merecedoras de uma escrita dedicada.

Embora, como consequência de serem demasiados «os espaços por onde estamos», ou de uma certa dispersão (mais aparente do que factual), não nos tenhamos podido concentrar a escrever, com a frequência desejável, neste que foi «o último blog que inventámos».

E porque a perfeição é inatingível, pode acontecer que os nomes dos ditos blogs não sejam propriamente os mais bonitos? No entanto, sabemos que são significantes quanto aos respectivos conteúdos. Depois, neste último «espaço inventado», foi com o maior dos prazeres,  que nele incluímos um artigo feito para um jornal on line (dos estudantes do Instituto Politécnico de Portalegre). Publicação que nos mereceu particular atenção - como é normal e gostamos de fazer -, tendo sido brindada, nessa ocasião feliz, por mais uma fantástica "trouvaille".

Enfim, prova de que o esforço compensa; descoberta que fizemos pelo facto de termos escrito o artigo, embora só algum tempo mais tarde tivéssemos tido a verdadeira noção da sua imensa importância.

De tal modo que, no artigo original apenas indicámos o local donde veio a dita informação, sem a destacarmos logo, e integralmente. Vejam na nota [9] em https://casamarela.blogs.sapo.pt/o-portalegre-cultural-sumiu-4540

Mas desde então, a dita descoberta não deixou de ser citada - sempre que nos dá jeito - sobre a concepção antiga, a qual estava associada desde tempos mais do que remotos, chamemos-lhe agora ao  "Design de Portas e Janelas".

Podem ler essa explicação detalhada aqui, e já agora fica uma pergunta. Que é dirigida aos leitores mais especialistas:

Gostaríamos de saber se têm a noção de alguma obra - outra, anterior e independente dos nossos estudos - em que esta passagem, ou algo e ideia semelhante (ver abaixo, a tradução é nossa) já conste? Seria simpático, e um enorme favor se tivéssemos resposta: para saber onde poderemos ir ler mais, e compreender melhor estas temáticas, que tanto nos fascinam

  "As vergas indicam o poder real, a soberania, a rectidão com a qual elas [a soberania e a rectidão] levam todas as coisas à sua concretização (...) os equipamentos de geómetras e de arquitectos, o seu poder de fundar, de edificar e de concretizar e, em geral tudo o que se relaciona com a elevação espiritual e a conversão providencial das suas subordinadas. Acontece também por vezes que os instrumentos com os quais se representam simbolizam [333C] os julgamentos de Deus em relação aos homens, uns representando as correcções disciplinares ou os castigos merecidos, os outros a ajuda divina em circunstâncias difíceis, o fim da disciplina ou o regresso à antiga felicidade, ou ainda o dom de novos benefícios, pequenos ou grandes, sensíveis ou intelectuais. Em suma uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder os sinais visíveis às realidades invisíveis."

E foi esta inteligência dos antigos para fazerem associações, associações entre as realidades invisíveis (Deus) e determinados sinais visíveis, que por alguma razão se tornaram significantes (linguísticos, polissémicos, e concretamente ideogramas***), que os nossos estudos nos permitiram, passo a passo ir detectando. 

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Claro que este "só a verdade" tem muito que se lhe diga, e por isso justifica toda a investigação que é feita. Mais: a que é feita e a que vier a ser feita, só se justifica, mesmo, pela necessidade de alargar em todos os campos o leque de conhecimentos. O que pode ser feito do ponto de vista individual, e fazem-se pós-graduações (mestrados e doutoramentos, outros) para cada um por si progredir face aos conhecimentos já existentes. Mas também se podem fazer estudos pós-graduados - provavelmente doutoramentos - com o objectivo muito específico de esclarecer temas e áreas cientificas em que por haver lacunas e muitas incertezas, faz todo o sentido aprofundar. O máximo possível, quer esses mesmos conhecimentos, tentando certifica-los, assim como pondo-os à prova. Quer ainda, não apenas no seu cerne (ou seja o centro de uma determinada área cientifica), mas nas suas periferias imediatas, e nas de outras áreas cientificas, ditas «de transição» para outras disciplinas. Porque, lembre-se, o Saber como agora está estruturado e dividido por diferentes disciplinas, no passado era uno.

E isto porque, claro, e metaforicamente falando, não estamos «sentados» em confortáveis cadeiras mono-disciplinares, mas sim em muito desafiantes, e riquíssimas, «estruturas multidisciplinares»! Thanks God.

** Certamente que a sua qualidade é muito inferior ao que a Cidade e a Casa merecem, mas - quem dá o que tem, a mais não é obrigado!

*** Ideogramas que hoje (nós) consideramos serem de origem geométrica; e que dito de outra maneira, é como se cada Ideograma, ou cada palavra de um sistema - que é uma língua que se baseia em formas (e não em fonemas) -, obedecesse à sua própria gramática. E as regras a que as ditas formas obedecem, esse sistema verdadeiramente ordenador, que existe há muitos séculos, e sempre ajudou a pensar, foi chamado Geometria.

A Ciência que, não o esqueçamos, foi uma das primeiras a existir


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