Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
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Jan 26
publicado por primaluce, às 19:00link do post | comentar

... OBRIGADA a todos

WORD-LAB-B.jpg

Mas porque - para haver festa nos sua a testa - há ainda muito que fazer:

Se o quotidiano deste atelier tem uma casa dentro, e ontem foi uma casa com atelier visitável, agora há que começar a repor, em slow motion

Assim, pelo meio dá para ir experimentando (o que é sempre divertido): que outras potencialidades pode ter o mesmo espaço, quer em termos imagéticos, quer para a capacidade de arrumação e funcionalidade ?

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INTERIORES-SALA-450dpis-dtº.jpg

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INTERIORES-Image0372.JPG

FELIZ 2026,

Com outros pontos de vista e novas perspectivas: mais ou menos frontais, ou de viés, ... quem sabe?, é o que desejamos para todos


24
Dez 25
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

FB-Natal-2025-.jpg

O Menino está dormindo (som) 

Imagem Visual Encyclopedia of Art, Gótico - SCALA 2010


08
Dez 25
publicado por primaluce, às 19:30link do post | comentar

 ... imagem/Ideia da Imaculada Conceição

 

"Hortus Conclusus" - expressão latina que significa literalmente "jardim fechado" 

 

" Uma das obras paradigmáticas deste tema é o retábulo Virgem no jardim fechado (Madonna im Rosenhag, c. 1473), de Stefan Lochner, onde a Virgem aparece sentada no centro de um recinto florido, cercada por uma cerca de madeira, com o Menino Jesus em seus braços. Ao redor, flores e anjos cantores completam a cena, conferindo-lhe um caráter paradisíaco e litúrgico [36]. " (*)

Image0271-gothicArt-F.jpg

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Depois de destacarmos as Auras da Virgem e do Menino, e de apresentar a imagem completa da obra de Stephan Lochner, no fim fica este olhar especial para Deus Pai, com o Espírito Santo

Image0271-e.jpg

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(*) Vindo de  Hortus conclusus – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org),

a LER (obrigatoriamente)

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E ainda este e outro artigo


26
Nov 25
publicado por primaluce, às 20:30link do post | comentar

... embora tendo uma opinião, muito respeitosamente diferente!

 

E bem que a escrevo, e tento por tudo divulgar !

Depois de um trabalho escrito (Monserrate uma Nova História - em que estas questões nos surgiram pela primeira vez).

Em especial tem sido em blogs e no facebook - na Internet - que em geral temos tentado contornar o desinteresse militante (e lesa pátria) da Universidade de Lisboa.

Aparentemente são muito poucos os que querem saber de um assunto, que além de entusiasmante e muitíssimo interessante, tem a capacidade de mostrar como a Arte, em tantos casos e exemplos, funcionou como uma língua!

Por outro lado, também nunca (eu) antes tinha visto este vídeo, em que José Hermano Saraiva tenta explicar o que podem ter sido as Quinas (*). Muito interessante, já que é o sinal de que pelo menos existe/existiu alguém, para quem esta questão não foi indiferente.

Retirámos a imagem seguinte do vídeo de Lisboa Tours, agradecendo a divulgação que estão a fazer deste tema, para vantagem - e enorme utilidade - de todos nós.

CruzPátea-LisboaTours.jpg

José Hermano Saraiva refere-se a Cruz Templária,  nós temos preferido a designação Cruz Pátea...

Embora concordando que a forma (numa evolução geométrica que se pode observar ao longo dos tempos, em diferentes exemplos) terá nascido para traduzir uma ideia essencial do Cristianismo: o FILIOQUE

E se a vemos associada a Afonso Henriques, que há 900 anos, num dia de Pentecostes se armou cavaleiro - Catedral de Zamora 1125. É no entanto forçoso reconhecer que a sua génese remonta ao Concílio de Niceia. Há 1700 anos:

O primeiro  concílio que foi considerado ecuménico, convocado por Constantino, em 325. Na sua tentativa de unir a fé dos cristãos.   

Esta questão de enorme relevância já a deixámos registada em Monserrate uma Nova História (2008),como a seguir se prova

P. 38-MeuLivroMonserrate.jpg

(ampliar)

 Já que também «vimos», nas imagens/ideogramas criados (com apoio da geometria, como a Cruz a que J.-H. Saraiva chama Templária ), alusões à considerada a verdadeira fé, proclamada em Niceia.

Isto é, o que se passou a considerar verdade essencial, o Credo Católico : primeiro designado  Símbolo de Niceia. Que foi mais tarde aperfeiçoado, ficando com a designação, que se mantém ainda agora, de Símbolo Niceno-Constantinopolitano.

Portanto, a terminar, lembra-se a ida - amanhã - do Papa Leão XIV à Turquia, a Iznik e a Niceia, assim como a Carta Encíclica, agora publicada

In unitate fidei: a Carta Apostólica de Leão XIV sobre o Concílio de Niceia 

(Vatican News https://share.google/C53XZmITz0Cu3Cemy)

  ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) E em nossa opinião não anda muito longe...


22
Nov 25
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

Hoje pegamos nos dois posts anteriores (*) deixados no Facebook, juntando o que é para nós o mais importante do conteúdo:

 

IMAGENS DE TORRES, reunidas agora aqui para se poderem comparar...

Torres-insignia-chaminés-2.jpg

Em cima são de facto duas torres - do Castelo de Santa Maria da Feira; e em baixo a insígnia do Infante D. Henrique - que é a frase "Talent de Bien Faire", escrita em caracteres alfabéticos, mas também em ideogramas e pictogramas.

Perguntando-se - para reflexão - se é mesmo necessária esta ultima distinção, entre ideogramas e pictogramasPorque podemos fazer a distinção...

Já que nas acepções actuais, muito tende a ser confundido, ou esquecido. Por vezes até, devido a uma excessiva vontade de «cientificar» (quem sabe?), são dadas interpretações novas, antes inexistentes.

Se repararem na legenda, demos como título à imagem - CHAMINÉS DE ESCUTA. Já que numa visão rápida - Gestalt, e portanto não analítica -, o que nós vemos são as Chaminés do Palácio da Vila de Sintra: as mesmas que o Arquitecto Souto Moura entendeu levar para a Casa das Histórias de Paula Rego, em Cascais.

Chamar a Torres que foram Insígnia    (a do Infante D. Henrique, como está na imagem acima)    ------»  Chaminés,  temos que admitir que é uma interpretação/opção nossa (consequència da semelhança visual que a imagem demonstra).

E aqui a escrever, lembramo-nos de George Hersey (autor de The Lost Meaning of Classical Architecture, the MIT Press, 1988) que explica como imagens - ou até sons - como «certos referentes», diferentes, nas fusões e até nas confusões que originaram (ou propositadamente foram feitas de modo muito criativo!), podem ter estado na génese, ou integradas na composição de várias obras.

Obras que hoje reconhecemos como Arte.

Acontece que a designação CHAMINÉS DE ESCUTA, não é nossa mas de Luis de Lobato Faria. Que in loco se tem fascinado com inúmeros exemplos de grafismos que encontra apostos/gravados ou escritos em Chaminés.

Geralmente em grandes chaminés, as quais, em nossa opinião, não foram feitas para serem de escuta. Mas para «simbolizarem» (casos de Monchique?, as do Palácio Almada no Rossio, e tantas outras...) a nobreza dos proprietários das Casas, onde eram construídas (**). 

sintra-226794_640.VindaDe-PIXABAY.jpg

Por fim, destaque para esta fantástica fotografia de PIXABAY (vinda  daqui)

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(*) Este post {A divisa do Infante D. Henrique era: - Primaluce: Nova História da Arquitectura}, e este outro post { "Talent de Bien Faire"... - Primaluce: Nova História da Arquitectura}

(**) Mas também não se pode descartar, obviamente, a funcionalidade, pode-se dizer principal, que em simultâneo, qualquer grande chaminé desempenha. E deseja-se que bem. Porque o facto de serem altas e largas, afuniladas na parte superior, permite apanhar uma área grande na base, e criar assim, na coluna de ar, uma enorme diferença de pressão atmosférica. O que é essencial para a saída dos fumos. E é aqui que a palavra «escuta» pode exigir alguma explicação extra? Porque ESCUTA é uma consequência, e não uma necessidade determinante no design (ou na construção) de uma chaminé. Isto é, este tipo de grandes chaminés, pela forma como o som se propaga, permitem ouvir os ruídos distantes: como normalmente não os pode ouvir quem vai à janela de uma casa de rés-do-chão...

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E acrescenta-se hoje (23.11.2025), o que está no site do SIPA (ou em monumentos.pt), confirmando que outras chaminés tinham dimensões (extra) e formas que, como dizemos seriam significantes; claro está, para os que, mais informados, conhecssem os respectivos significados: 

"Chaminés cónicas monumentais, de aparato, filiadas em modelos das de abadias medievais francesas e inglesas e com semelhanças estilísticas com as do Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa (v. PT031106310027),..."


19
Nov 25
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

HOJE COM O APOIO DE:

Uma imagem que é para nós especialmente informativa 

 

Como se diz abaixo, na legenda do livro onde a encontrámos (*), trata-se da tampa de um estojo, representando S. Jorge.

Image0297-C.jpg

Image0297-D.jpg

São Jorge, um Santo que, como é dito, nasceu no Médio Oriente, talvez na Capadócia. E que se tornou uma figura lendária, quer no Oriente, quer do Ocidente, em especial para Inglaterra.

Como é habitual, na Catholic Encyclopedia encontram-se bastante mais informações do que as que constam na maioria das hagiografias:

"Further the famous decree "De Libris recipiendis", attributed to Pope Gelasius in 495, attests that certain apocryphal Acts of St. George were already in existence, but includes him among those saints "whose names are justly reverenced among men, but whose actions are only known to God". (...)

Frase de quem parece ter sido um homem especialmente esclarecido, tendo vivido na segunda metade do séc. V.

Gelasius foi Papa de 492 a 496. E apesar de aparentemente ter «desvalorizado muitos dos feitos e actos», apócrifos, atribuidos a S. Jorge, de entre os vários/muitos santos (como acima se sublinhou) seria "reverenciado entre os homens, mas cujas acções só Deus conhece". 

Porém, este Papa Gelasius - pouco conhecido, mas com contributos relevantes na História da Igreja (assim como pela sua generosidade com os pobres e coerência de vida) - , foi considerado santo. É festejado em 21 de Novembro. 

Mas voltando a S. Jorge - "cujas acções só Deus conhece" - vêmo-lo com uma expressão naif , de criança. Embora tenha aura e empunhe uma espada: certamente para lembrar a lenda do Dragão, que a Catholic Encyclopedia também refere; apesar de colocar a sua divulgação tardia (no século XIII, admitindo que tal se deva a Voragine):  

(...)

"This episode of the dragon is in fact a very late development, which cannot be traced further back than the twelfth or thirteenth century. It is found in the Golden Legend (Historia Lombardic of James de Voragine and to this circumstance it probably owes its wide diffusion." (**)

E passando agora ao que mais nos interessa, este S. Jorge criança, com olhos de menino assustado, tem do seu lado direito, em caracteres do alfabeto grego a palavra GEOR, sendo que à sua esquerda, pois também começa com a letra gama (som G) deveria estar o resto do nome (GUIUS). 

Mas verdadeiramente o que mais nos interessa, é que GEOR, como está na imagem/legenda seguinte, é precedido de um circulo, em cujo centro se pode ver talvez um ponto; ou mais um triangulo ?

Image0297-anotado-b.jpg

Seja o que for, vindo agora da nossa «fonte especial de sinais e ideogramas» (***)  ficam algumas informações relativas ao sinal que é o círculo com um ponto no centro.

Acrescido de imensas variantes que podem interessar aos leitores, já que o círculo/sol é indissociavel da Arte Cristã

Image0295-ideograma.jpg

Image0295-ideograma-sol2.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*)  HISTÓRIA DO CRISTIANISMO, por Tim Dowley, Bertrand Editora, Lisboa 1995 

(**) Ver em CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: St. George, e também https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jorge

(***) Symbols Encyclopedia of Western Signs and Ideograms - por Carl G. Liungman, (1995), ed. HME Publishing, Stockholm, Sweden. Ver capa aqui


10
Out 25
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

HÁ QUANTO TEMPO CONHECEMOS ESTA IMAGEM ?

e de onde veio?

auras-iconografiacristã-b.jpg

(ampliar)

Ficam as perguntas, por agora sem uma resposta concreta

Mas acrescidas das certezas que temos, há muito, da importância que as Auras tiveram - como os adjectivos nas línguas -, para caracterizarem aqueles que eram representados, envoltos numa Aura ou Halo de Luz .

É verdade que uma certa falta de tempo, continua a fazer-se sentir por aqui. 

POr isso, e embora a vontade de escrever seja sempre uma constante a ter em conta, há no entanto que lembrar que os mesmo assuntos e temas também já existem abordados de outras maneiras:

Como neste caso a lembrar que a Arquitectura formulou - ou deu forma volumétrica, e até estrutural - ao que inicialmente eram apenas sinais gráficos, em torno das pessoas que eram representadas

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E de uma lembrança com pouca graça, salta a imagem de alguém que supunha ter uma «Aura indestrutível» ...


30
Set 25
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

... não era o chinfrim actual !

 

Bastante mais contido, sobretudo se formos ler o que José Mattoso tratou sobre o assunto.

Claro que não usou a designação «Poder Autárquico» - que é a de hoje -, mas nos seus estudos e análises sobre a Idade Média procurou conhecer os poderes locais do período feudal. E como estes se articularam com o poder central, que culminava numa concentração de toda a autoridade na pessoa do rei.

Desde esse tempo mais antigo, até àquilo que o país é hoje, houve muitas versões, e imensas "transições":

Porque houve HOMENS BONS, não apenas como se empregou na terminologia comum, ou na designação dada às elites locais.  

Neste caso, há exactamente 52 anos, a Câmara de Cascais quis reunir em confraternização todo o seu pessoal; tendo-o feito também com sentido de agradecimento e homenagem (*)

Image0215-b-mâe.jpg

Image0215.JPG

(ampliar para ler)

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) Apesar desta notícia vir de um diário nacional, também temos - porque os encontrámos... - outros recortes com mais detalhe, vindos de Jornais de Cascais.

Vamos procurá-los, por nos parecer um bom paradigma daquilo que o serviço aos outros, a nível local, pode e deve ser. 


14
Set 25
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

... Ou, na verdade e considerando o conteúdo, é muito mais azar?

Insignificante.jpg

A pergunta é traiçoeira - mas por uma simples razao - porque a Sorte foi poder apanhar tanta informação, cuja amplitiude desconheciamos, graças ao Jornal Público. Isto é gratuitamente.


20
Jul 25
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Ontem (19.07.2025), um escrito sobre auto-construção, e ideias possíveis para a resolução dos graves problemas de habitação que se estão a viver, levou-nos a comentar um post do Facebook 

 

Deixámos dois primeiros comentários, e no fim um outro mais completo:

" Responsabilidade criativa é uma expressão óptima. Talvez fosse isso? Era uma miúda que ainda nem tinha chegado aos 25 anos... e depois dos apoios aos clandestinos fui parar ao IADE! E só acabei o curso (arquitectura na ESBAL) no fim de 1976. Adorei esse tempo, que foi de verdadeira missão: entre assistente social e projectista; a tentar descobrir em trabalhos dos colegas mais velhos - N. Portas, Francisco Silva Dias - alguns dados (mais firmes) a que me pudesse agarrar. Como as dimensões dos lotes dos terrenos clandestinos, para poder projectar habitações que viessem a ser evolutivas, e para serem feitas em auto-construção. Quando escrevo que os tempos eram outros (claro que eram revolucionários...), e não havia a rigidez que há hoje, em tudo. Demasiada, que se torna bloqueadora do que se podia fazer bem feito... E continuaria a contar estórias. Thanks God God que a minha vida (embora seja quase só para mim!) está cheia de «pioneirismos». "

Mas para que fiquem outras informações, que não apenas as nossas, é importante cruzar com outras notícias.

Para começar as fontes bibliográficas - já que foi sempre um vício que ainda hoje mantemos - o de procurar quem eventualmente tivesse estudado a prolemática em causa. E não indo à cave verificar se ainda lá existe, este terá sido um dos docuemtos que mais nos ajudos:

Tipologias de edifícios : habitação evolutiva : princípios e critérios de projectos ›  da BIBLIOTECA do LNEC,  catálogo on line {https://share.google/7dfZqNJ2ioEVrwL5z} 

Depois, cruzando mais informações, por exemplo o que se escreveu sobre a CM de Oeiras, onde em geral trabalhámos, directamente, com o Arqtº Jorge Teixeira Viana. Alguém que na sequência do (dia) 25 de Abril - e das transformações que muito cedo começaram a acontecer (na verdade quase de imediato pois vinham de trás); Jorge Viana estava, verdadeira e humanamente preocupado, com a proliferação de bairros clandestinos surgidos no Concelho de Oeiras. Concretamente, nas zonas mais próximas de Lisboa.

E preocupado não só com os loteamentos clandestinos - que resultavam do retalhar e venda especulativa de antigas quintas, aos pequenos proprietários, imigrados do interior para a cidade grande (*); mas também, muito objectivamente, preocupado com gestão do território.

É que além de pretender uma outra, «muito melhor» ocupação do solo», Jorge Viana também estava empenhado em que os novos moradores desses bairros - de génese ilegal (por isso hoje designados AUGI **) - também tivessem casas, arruamentos, infra-estruturas de águas e esgotos, electricidade. E depois ainda os transportes, sobretudo para o centro de lisboa, as zonas verdes locais, assim como equipamentos sociais. Tudo aquilo que, dizendo em poucas palavras: dá vida aos bairros e os torna salubres e saudáveis (em todos os sentidos) para os que neles habitam.

E que não viesse a acontecer - como já existia quase ao lado - uma nova Brandoa! O que parecia poder vir a ser o caso, no local que então se designava Casal, ou Serra da Mira (***)

Do Jornal dos Arquitectos e da biografia de Jorge Viana, por Ana Vaz Milheiro {ver JA :: 235 - SER RICO :: JORGE VIANA} transcreve-se:

"Será ainda arquitecto da Câmara Municipal de Oeiras por dois períodos distintos, entre 1957 e 1960 e, depois, entre 1974 e 1977. Nesta fase revolucionária, desempenha um papel fundamental na Comissão Administrativa, como independente, criando os gabinetes de Planeamento e Recuperação de Clandestinos. Utiliza depois esta experiência no município da Moita, como chefe dos Serviços Municipais de Habitação e Chefe do Gabinete de Recuperação de Clandestinos (1977-1983), dedicando-se ao planeamento urbanístico. É a pensar nas autarquias dispersas a Sul do Tejo que, cerca de 1980, decide criar um serviço ambulatório, apetrechando uma carrinha Fiat com os meios mínimos para a execução de pequenos projectos."

E do Catálogo da exposição realizada em Oeiras, em 2012, dedicada à obra pouco conhecida de Jorge Viana (1924-2010); exposição intitulada Arquiteturas, Natureza, Máquina, Sentimento, trazemos o projecto da carrinha Fiat (referida acima). Cujo principal objectivo - humanista e prático - era levar a Arquitectura directamente às populações.  

JorgeViana-CarrinhaAtelier.jpg

(ampliar desenho)

Mas este espírito técnico e inventivo de Jorge Viana, que a exposição de Oeiras, em 2012 tão bem ilustrou, pudemos continuar a acompanhá-lo, quando no final dos 70 - e talvez ainda no início dos anos 80 do séc. XX? -, no IADE tivemos a oportunidade de trabalhar com ele na disciplina de projectos. 

Foi um prazer, lições constantes, e um enorme orgulho, que por isso mesmo também já tínhamos testemunhado.

Fica aqui mais uma vez

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) Vendas feitas, em geral, a pessoas vindas da província, que emigravam para Lisboa e que ignoravam tudo sobre a legalização desses lotes. Assim como sobre as possibilidades legais-administrativas para aí edificarem as suas casas. Sobretudo num tempo em que a arquitectura ainda não tinha, diría - um estatuto mínimo (divulgado e conhecido) - a ponto de as pessoas saberem que não se podia construir de qualquer maneira; ou como acontecia nos locais do interior de onde vinham, e de onde estavam a chegar, no meio dos anos 70, à procura de trabalho e de oportunidades de vida.    

(**) AUGI, significa Áreas Urbanas de Génese Ilegal.

(***) Assunto que nos aparece ainda relativamente fresco na memória, mas do qual não guardámos provas materiais. Aparentemente, só em alguns PDFs se poderá encontrar informação do que aconteceu há cerca de 50 anos.

A Wiki conta um pouco dos processos SAAL, mas os exemplos em que estivemos envolvidos foram casos menores, e menos visíveis. Somos quase só nós que sabemos, e podemos contar a história. 


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