Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
19
Fev 20
publicado por primaluce, às 10:30link do post | comentar

Um artigo do Público, de 17.02.2020, que dá muito jeito reler. Portanto aqui, como se fora repositório...


18
Fev 20
publicado por primaluce, às 00:55link do post | comentar

PORTUGAL FAZ BEM !

 

SÓ QUE, POBREZINHOS (alguns dos historiadores que conhecemos!), TÊM MEDO DE INOVAR

 

Não vêem que apesar dos factos do passado não terem mudado, no entanto o olhar, e as visões que apreendemos sobre esses mesmos factos, pode mudar... Que as gerações não são todas iguais, felizmente...

Mas outros, bem pelo contrário, nas suas profissões eles fazem o seu melhor: mas esse melhor, na sociedade, cai no saco rôto do anacronismo: no dos visionários - que são muitos -, defensores do antigamente, ou de "o desenvolvimento ao contrário"

Lembram (-nos) Jacob Burchkardt que no século XIX perguntava: Como havemos de fazer para viajar (em Itália, para conhecer o país), agora que há Caminhos de Ferro, que encurtam as distâncias? *

Por fim:

LEMBRAMOS O 7º ENCONTRO #PORTUGALFAZBEM

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Claro que é divertido! A verdadeira expressão capaz de traduzir um imenso Amor ao Passado!


14
Fev 20
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Uma obra onde antes havia uns círculos entrelaçados  - e não sei se foi em Londres, no Museu, ou aqui em casa nalgum livro, que os tínhamos descoberto?

 

 

Porém, o que é certo, é que entretanto esse padrão muito significante, no contexto da obra, e do tempo em que foi pintada, desapareceu;

Os referidos "círculos entrelaçados" evaporaram-se...

Foi porque houve um péssimo restauro? Perguntamos nós, ou porque o original foi subtraído do contacto com o público? E o que lá está em exposição é uma cópia?

Seja qual for a resposta, ambas são tristes e muito demonstrativas de uma grande falta de qualidade; e de fidelidade, àquilo que qualquer um de nós espera poder ver num museu... 

detalheTapete HansHolbein-qualAVerdadeira-3.jpg

É verdade que aqui a imagem não fica bastante ampliada, mas tal como ela, todo este assunto merece a máxima ampliação e desenvolvimento.

Sendo uma óptima prova de como a ignorância contribui para a perca do património, e contribui para um ainda maior esquecimento

Sobre este assunto, vejam se quiserem outro post e os anteriores...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

E hoje (18.02.2020) acrescenta-se:

Que não nos venham azucrinar (ou incriminar) como têm feito os supostos historiadores lisboetas. Com frases do tipo, esconda, esconda! E ponha para trás: Lá para o fundo, mesmo muito ao fundo!

É que não forjámos nada: os vídeos circulam na internet, com uma outra e versão! Se há teorias da conspiração (?), as ditas são de quem esconde, e de quem continua a querer ignorar as convenções internacionais que Portugal assinou. De quem quer que toda esta temática permaneça ignota; portanto, se alguém está a ajudar a prejudicar a NG não somos nós...


06
Fev 20
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Alguns (arquitectos) conhecem Christopher Alexander e os seus contributos, não só para as teorias da arquitectura contemporânea (desde meados do século XX), mas também para um melhor conhecimento, e domínio, do gosto.

 

E também ainda, particularmente, pelo seu fascínio por Tapetes Orientais: pois reconheceu em muitos desses tapetes, como supomos, «vocabulário» formal (que designa centros) que também existe na Arquitectura.

Já escrevemos sobre ele*, por estarmos convictos de que aquilo a que chamou A Pattern Language, é uma linguagem visual, ideográfica, que usa as formas geométricas (e outros sinais), tal como nós temos defendido que existiram (e como funcionavam).

Assim, quando um dia (talvez num futuro muito longínquo?**)  uma equipa científica - formada por gente séria e competente -, se debruçar, a sério, sobre esta «nossa temática» (que é aliás imensa); naturalmente acontecerá que as teorias de Christopher Alexander formarão um Corpus, em que (também) forçosamente, umas e outras se integrarão.

Ou vice-versa! Há que o dizer, já que é outra hipótese. Descobertas que podem vir a emparceirar (sendo postas a par), numa classificação onde haja categorias de  níveis iguais.

Ou ainda, 3ª hipótese, com uma parte abarcando a outra.

Porque o que encontrámos - e da maneira como vemos toda esta problemática - talvez seja mais amplo (e assim possa explicar e abarcar...), bastante mais do que os exemplos que Christopher Alexander descobriu e vislumbrou. Ou, dito de outro modo, aquilo que percepcionou e deduziu.

Descobertas que, tal como a nós nos aconteceu, o levaram a escolher vias de pesquisa que (ele, C. Alexander) decidiu, ou preferiu seguir. Melhor dito:

É que talvez tenhamos encontrado o que na essência é o mesmo (?), embora observado e notado em contextos, casos e situações, que são diferentes.

E é exactamente sobre o seu interesse pelos Tapetes Orientais, que se afirma algo com que estamos bastante de acordo, embora não na totalidade (mas também porque aqui se quis valorizar a sua «ideia»  relativa aos tapetes):

"As an architect he is concerned about the theory of the various centres which together make up a design. Any building is full of them, on whichever scale you look, the various interrelated levels of scale being one of the main concerns of the essay..."*** 

No entanto, já num outro aspecto (ou no que é um exemplo relevante desta temática), acima de todas as outras coisas, estamos de acordo, e com ele gostaríamos de conversar, ao vivo, se fosse possível, sobre o seguinte ponto:

O tapete a que chamou "HOLBEIN" RUG", tomou essa designação porque está inserido numa pintura de Hans Holbein (m. 1543) que pertence à National Gallery? Ou porque o tapete pertenceu ao próprio H. Holbein?

É que, como temos defendido, o tapete que aparece na obra The Ambassadors, esse desenho aconteceu (i. e., a escolha por parte do pintor), revela uma preferência e uma intenção, absolutamente significante. Dada a presença de "circulos entrelaçados", talvez para representarem o Espírito Santo (como também está no Livro de Hinos, aberto, na prateleira inferior). Portanto, supõe-se, como escolha consciente.

Todo o quadro são escolhas propositadas de H. Holbein, como se vê em outras áreas desta mesma composição: concretamente, no retrato de corpo inteiro de um dos Embaixadores; no que está à esquerda, em que, vê-se, tem o pé (muito) expressivamente colocado mesmo no centro de um dos círculos do desenho do pavimento.

Deduz-se, obviamente, que esta não foi uma construção/composição casuística, muito pelo contrário, e ainda a lembrar a Arte Medieval, em que, por mais simples que seja, cada sinal é um sentido acrescido. Mais, há que lembrar que não estamos perante uma imagem produzida por uma máquina fotográfica, que captasse um ambiente interior e os seus ocupantes.

Está-se sim, perante uma pintura. A qual, mesmo que tenha sido encenada - para o pintor mais facilmente a registar (como se sabe acontece no «processo construtivo» de alguns trabalhos de Paula Rego) - essa composição foi pensada ao nível dos menores detalhes: i. e., em que nada, mas absolutamente nada, foi deixado ao acaso!

Visto que cada sinal, cada objecto, cada elemento é como um emblema. Ao qual compete falar e trazer para a obra, as ideias que, imediatamente - por tradição ou por convenção anterior e antiga -, lhe estão (mentalmente) associadas

Image0155.JPG

(livro sobre Hans Holbein - o Novo -, em que a capa reproduz uma parte da pintura a que nos referimos)

Mas, voltando ainda a Christopher Alexander e à especificidade das suas «descobertas», o que encontrou nalgumas formas artísticas (reflectiu e depois aplicou-o nos seus trabalhos, por vezes a formar padrões, como no exemplo da imagem seguinte). Integrou sinais que são  extremamente simples, os quais usou, tentando com eles recriar um gosto novo: moderno e quase ingénuo, ao mesmo tempo. Um gosto que, aparentemente funciona bem, servindo por exemplo a ambientes domésticos, ou a ambientes de trabalho da arquitectura contemporânea. 

E se há (como alguns referem - e concordamos com esta ideia) uma beleza sensível e uma beleza intelegível, nas duas imagens, tão diferentes (que nunca pensaríamos pôr lado a lado...); na que está acima, de Hans Holbein, ela é a beleza inteligível: a da obra que para ser aceite, lida,  e gostada, precisa de mentes intelectualmente mais «preparadas» (ou muito conhecedoras).

Já na imagem seguinte, num trabalho de arquitectura, ou design ambiental, de Christopher Alexander, neste caso, como se pressente, o gosto pessoal de cada um, entra facilmente «em sintonia» com a obra; pelo seu lado empático-sensível. É quase a «beleza afectiva»: é o "eu gosto porque sim!", difícil de explicar, típico da beleza sensível. De qualquer forma, note-se, igualmente laboriosa no acto criativo.

ChristopherAlex-DesignAmbiental.pngOnde, para além das proporções da janela exterior e da janela interior, bem como do respectivo desenho de enquadramento; onde, na parede verde os três traços com uma pinta por baixo, não têm quaisquer pretensões, de tipo emblemático (antigo), ou falante.

Porque se esses grafismos falam de alguma coisa (?), sobre aquele fundo verde, é para sugerir o exterior, algo simpático, e o natural. De certeza que é para lembrar ambientes frescos, como se a natureza tivesse sido levada para dentro...

Enfim, é a criação artística que alguns julgam ser meramente intuitiva, mas que deu muito trabalho, e para qual pode haver receitas - como sempre houve - e se ensinam nas escolas. É aliás para isso que servem as ESCOLAS..., mesmo que todos queiramos, em todas as áreas, que o ensino (apesar de poder «fornecer receitas») não se torne estagnação

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Ver este post. Mas há mais: procurar com a tag Christopher Alexander

** Longínquo, porque tudo neste país (e seus «responsáveis») por regra acontece a zero à hora

*** Citação vinda de ------> aqui. Ver ainda outros exemplos

POR FIM: e ainda a propósito dos "centros" que Christoper Alexander vê/viu em tapetes orientais, no nosso caso, dizemos que nesta obra de H. Holbein existiam "círculos entrelaçados" que agora já lá não estão. Razão para se dizer que: ou um restauro foi longe de mais? Ou a National Gallery esconde os originais, e ao público mostra «fakes», como os vídeos seguintes demonstram:

O filme na versão anterior ao restauro

E agora uma apresentação/filme na versão renovada, de um restauro - quem sabe? - parece ter sido muito mal feito...


04
Fev 20
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

Pois cada vez que se pega num assunto, o mesmo explode em bocadinhos, salta e espirra em todas as direcções...

E altera todas as nossas ideias (pré-) programadas*.

 

Agora, com "Os Embaixadores" de Hans Holbein, talvez por ser uma das obras mais fascinantes - e das mais (super) valiosas da história da pintura - deduzimos que provavelmente o que está exposto na NG não é o original.

Sendo que a cópia falha - e óbvio, que não é o desenho seguinte -, falha dizemos nós, na reprodução do original.

E falhou, exactamente num detalhe escondido, que quem fez a reprodução, supomos, não se apercebeu do que é que se tratava, e da intenção de Hans Holbein**.

A ver vamos, pois é ainda a questão dos círculos entrelaçados (para exprimirem o filioque): que não estão e falham no «fake»...

-gettyimages-90771299-594x594-.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* O mesmo que aconteceu no IHA da FLUL, quando por lá passámos em 2001-05: «O Programinha não funcionou»..., estragou-se!
**Enfim, como nos «restauros» de algumas obras de arquitectura: as mentes de hoje não dão valor a alguns detalhes, mínimos, que antes foram significantes. Perde-se o lado do "belo inteligível", e fica só "o sensível". Aquilo que todos vêem.

E assim, tristemente, se retira - no restauro, e na réplica (feita para expôr em museus massificados) -, uma boa parte da riqueza às obras!


02
Fev 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

E se há obra que seja um fascínio, é esta*:

Holbein-Ambassadors-NG.jpg

Vejam-na em Londres, ou de preferência aqui:

Onde se podem aproximar muito mais, para ver alguns dos seus melhores detalhes. Todos cuidados e todos preciosos. Porque cada um desses detalhes conta. I. e., faz alguma diferença (ou a maior, dizemos nós), porque acrescenta «adjectivos visuais» à história que se está a querer contar:

detalhe tapete HansHolbein.jpg

(claro que as imagens têm direitos)

detalhe tapete HansHolbein-3.jpg

Mas esta está acessível a todos:

Recomenda-se

Por fim, a razão deste post num ciclo sobre círculos entrelaçados: é por se tratar de uma prova (provada?) de que há uma Beleza Sensível e uma Beleza Inteligível.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*E talvez já tenhamos escrito sobre ela? Quanto aos círculos entrelaçados acredito que não os vejam assim..., tão directamente. Mas a partir do momento em que se pressentem, ou descobrem, voltam a estar presentes. A serem alegoria, ou mnemónica, de alguma ideia.

E mais: houve/há um tapete chamado Holbein Rug.

Será porque os Holbein tiveram tapetes desse tipo, ou desenho específico? Será porque, concretamente, lhes pertenceu? Ou porque Christopher Alexander o reconheceu (ou semelhante) neste quadro, que incluímos no post de hoje?


31
Jan 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

De Leonardo, há 20 anos não quisemos saber de códigos...

 

... para nada! Acrescente-se, já que estávamos a encontrar informações bem menos fantasiosas, sobretudo verosímeis, e muito mais interessantes.

Só que, acontece que duas décadas passadas, agora andamos a tentar saber dos seus Códices...

E porque procurar (tal como aprender) nunca fez mal a ninguém, seguimos uma máxima do século XII, de Hugues de Saint Victor, que era:

Apprends tout, tu verras ensuite que rien n’est supperflu”*

É por isso que «estamos nesta», agora mais do que muito surpreendidos com o que de facto se encontra:

Recolhem-se desenhos, e estes têm textos - legendas que eventualmente nos poderiam ser úteis, por esclarecerem as razões porque foram feitos (?); mas tal como sucede para os especialistas e pesquisadores da Biblioteca Ambrosiana, surgem várias dificuldades. Que não são pequenas para se conseguir chegar aos textos, e aos seus conteúdos**, como o exemplo seguinte mostra:

CODEX-ATLANTICUS-MAPA-SUL-EUROPA-legenda.png

É um excerto que se obteve de um mapa da Europa, de Leonardo, e onde se vê, bastante bem, a utilização de uma escrita «feita ao contrário»: palavras e textos que só poderiam ser lidos pelos que estivessem muito treinados, por quem usasse um espelho, ou se decidisse ver os desenhos (se isso fosse possível) por transparência...

Desesperante!

Mas o que este desenho (me) mostra - a mim que sou perseverante, e não tenciono desistir - é a maior evidência do que também tantas vezes se tenta explicar, e não é nada fácil, para se conseguir ser entendido: concretamente, o que é, e foi, uma enorme mudança de mentalidades:

Se a mente genial de Leonardo, há 500 anos, achava que um mapa do Sul da Europa deveria ser apenas para alguns eleitos, para os governantes ou superiores?, na verdade enganou-se:

O Conhecimento tornou-se um imenso bem, e nas sociedades democráticas em que vivemos, em geral, até os governantes preferem governar povos e cidadãos mais evoluídos e conhecedores, esperando que estes (quiçá?) se auto-governem, dando-lhes muito menos trabalho***. 

Enfim, vamos continuar, e sobretudo a ver, pois é o que mais nos interessa:

Ler - pela capacidade comunicacional de - as imagens que criou!.

Para depois as agregarmos, ao muito que já temos, e que, tudo somado, só pode provar como S. João Damasceno afirmou perante comportamentos iconoclastas "... Não venero a matéria, mas o criador da matéria, que por mim se fez matéria." 

O que por outras palavras, menos santas, para nós significa algo como o investir da matéria pelas ideias, como Plotino explicou

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ver Hugues de Saint-Victor, L’Art de lire, Didascalicon, Cerf, Paris, 1991, p. 31. 

**Connosco as dificuldades são acrescidas, pois não sabemos italiano (embora possamos perceber, algumas das construções geométricas...)

***Sabe-se lá. Com tantos "leaks" alguma ideia de «auto-governação» é demasiado optimista... 


30
Jan 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

Sim ou não? Mas quem não sabe o que por aí vai...? 

 

Enfim, o Programa da SIC - este episódio concretamente - tem a vantagem de nos mostrar o carácter tão genuíno, de muitos portugueses. Mentalidades que predominam, pessoas que são privadas do melhor que o país tem, à conta do «hermetismo» das instituições:

Das atitudes diletantes de quem vive ainda hoje nas universidades, à boa maneira salazarenga. A achar que o povo não precisa de Cultura, nem de Arte, nem de Conhecimento.

Que o que tem já é de mais...

Nunca tinha visto uma coisa destas!

Por nós, e a esse respeito, felizmente, estamos nos antípodas. Houve quem nos ensinasse a ter alguma generosidade. Numa palavra: a pensar como profª...


17
Jan 20
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

... me apercebi da claríssima influência (e da presença de vocábulos) do cristianismo na arquitectura do Palácio de Monserrate, desde então não desisti, por saber que uma Nova História da Arte teria, forçosamente, que vir a acontecer.

 

A partir dessa data, não fora a Editora Livros Horizonte  - que em 2008 publicou o nosso trabalho - e naturalmente estaria agora ainda mais destruída do que fui ficando.

Destruída, exactamente, graças à instituição - claro, à Faculdade de Letras de Lisboa, e aos seus responsáveis - onde apresentei as minhas investigações, e as debati.

E foram debatidas com base nas ideias que aí vim a formar, depois de pesquisar, e do briefing que esses mesmos professores, me sugeriram; ou eles propuseram que trabalhasse...

Quem mais de perto segue «esta novela», aparentemente tem sido solidário, e um pouco cúmplice. Também a esses passei a estar grata, e já não só à editora Livros Horizonte.

Agora, portanto - também entre divertida, e cada vez mais grata! - vou recebendo certos convites, e algumas outras informações, que, obviamente, corroboram as minhas ideias...

As ideias de quem sabe que "para a frente é que é o caminho". Para a luz, e para a clarificação, e não para o obscurantismo...

Como sucede neste caso (ler abaixo o convite acabado de receber) nele enquadra-se, assumidamente, a «disciplina» da Arqueologia, como fornecedora de informações. Acrescentando nós, claramente, que se tratam de informações vindas da Iconografia que, muito antes da Baixa Idade Média - cerca de mil anos antes - essas mesmas formas e imagens geométricas (que a arquelogia pôs à vista), já existiam e já eram bastante activas.

É que os imensos geometrismos, que todos julgam abstractos, foram postos nos pavimentos, a pensar no alto: nas Coisas de Deus. Geometrismos que existiram (foram inventados para) propagarem informações bíblicas, principalmente as vindas do Novo Testamento.

Como aliás acontece no tapete de mosaicos seguinte - do qual já escrevemos várias vezes -, felizmente bem preservado e mantido na chamada Casa do Infante no Porto

Casa do Infante-Porto

(Nesta imagem aproveitamos para rever os círculos entrecruzados, ou entrelaçados, da bordadura - que no século IV já existiam, e dos quais, ao longo deste ano vamos continuar a escrever. Ver também aqui)

Conferência 11022020-mn-arqueologia.JPG

Face a este convite e ao que nele se diz "... that Changed our Understanding of the Biblical Period" - e não sabendo exactamente o que é o período bíblico? (já que é extensíssimo) -, no entanto é divertido estar a observar este "mundo das ideias", a mudar e a evoluir:

Sobretudo, e sem ironia, é muito positivo que mude. Sem qualquer dúvida, ou apesar da evolução continuar a ser lentíssima...

Mas isso também não nos admira, porque o Mundo da Ciência (e agora com maiúsculas) não tem força! Por várias razões, não consegue tê-la. Neste exemplo, e face a ideias incrivelmente arreigadas, como são as vindas das Religiões, definitivamente não parece (poder) haver evolução?

E mesmo para um crente, alguém que em simultâneo queira ser rigoroso, como é normal e lógico a Ciência exigir; para um crente querer seguir o exemplo, e a posição crítica de S. Tomás de Aquino, não é uma postura fácil.

Como dizem os franceses com a expressão "la foi du charbonnier" (que traduzimos aqui por "uma fé acrítica"), como temos visto, perante esse tipo de fé - que é cega e acrítica -, dessa maneira tão difícil de seguir e de praticar, nunca a Ciência se entenderá com a

Pois não há espaço, não o vemos (e há cerca de 10-14 anos batemos a muitas portas...), para uma discussão que é também Teológica, com certeza; mas virada para a compreensão das imagens que foram colocadas nas obras de arte mais antigas. 

E portanto, muito menos ainda haverá espaço para reflexões, que são difíceis (é verdade**).  Pelo que se pergunta, se não é para isso mesmo - para as reflexões difíceis - para que servem as Universidades? Com maiúscula...

~~~~~~~~~~~~

* Por estranho que pareça IHA da FLUL é - Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

**Sim, reflexões difíceis como por exemplo as que suscita Pierre Bourdieu, que na colecção Le Sens Commun publicou (traduziu e reflectiu sobre) Architecture Gothique et Pensée Scolastique  de Erwin Panofsky.   


11
Jan 20
publicado por primaluce, às 15:30link do post | comentar

Claro que sem nos cansarmos, mas a usufruir do prazer de tratar esta temática. Portanto sem exaustão, mas a querer exaurir - e gozar, "gota a gota" - um tema que é fascinante.

 

E um tema que também precisa, mas não é já, de algumas ideias vindas de Jean-Marie Mayeur,  autor que ficou mais conhecido pela direcção de Histoire du Christianisme.

Assim, fiquemo-nos pelas imagens, para já, que o resto depois se verá:

Image0150-b.jpg

Image0150-c.jpg

As imagens acima vêm de Moorish Architecture in Andalusia, por Marianne Barrucand e Achim Bednorz, Taschen, Colónia 1992, ver na p. 116.

Na imagem de cima lêem-se, e bem, os arcos entrecruzados, do filioque, da mandorla, e depois do arco quebrado - que caracterizou o estilo gótico. 

Na imagem do texto aquilo que sabemos, e se pode ver, de inúmeros exemplos da Península Ibérica:

O que é/foi uma imaginação infindável -"the inexhaustible imagination" - capaz de ir transformando um conceito expresso em imagens (como explicou Rudolph Arnheim), num motivo altamente decorativo;

Ou, se preferirem, num motivo embelezador dos mais variados tipos de obras (onde podemos encontrar os arcos entrecruzados).


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