Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
09
Dez 19
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

...da Théotokos ao Presépio*

 

Mais uma vez e com a criatividade que o caracteriza, o Papa Francisco fez publicar uma Carta Apostólica. O seu titulo é Admirável Sinal, tratando "Sobre o significado e valor do Presépio"

 

Aqui fica na versão portuguesa

 

Também no site Catholic Daily encontra-se a história (muito abreviada) de S. Francisco de Assis e os objectivos que teve ao criar o primeiro presépio*.

À Carta Apostólica do Papa Francisco estão subjacentes, quer a lembrança de uma tradição (que alguns nunca tiveram, ou perderam...), quer a vontade de recuperação do Presépio.

O mesmo que em Portugal é ainda muitíssimo habitual recriar, em todas as casas, em todos os natais:

"The letter details the story behind St. Francis’ first nativity scene. The saint asked a friend fifteen days before Christmas to help him prepare “to bring to life” the memory of Christ’s birth in Bethlehem.

“When St. Francis arrived, he found a manger full of hay, an ox and a donkey. All those present experienced a new and indescribable joy in the presence of the Christmas scene. The priest then solemnly celebrated the Eucharist over the manger, showing the bond between the Incarnation of the Son of God and the Eucharist. At Greccio there were no statues; the nativity scene was enacted and experienced by all who were present,” the letter explains.

The first biographer of St. Francis, Thomas of Celano, wrote that someone present at the Mass had a vision of the baby Jesus himself lying in the manger.

"In a particular way, from the time of its Franciscan origins, the nativity scene has invited us to ‘feel’ and ‘touch’ the poverty that God’s Son took upon himself in the Incarnation. Implicitly, it summons us to follow him along the path of humility, poverty and self-denial that leads from the manger of Bethlehem to the cross,” Pope Francis wrote."

Tal como consta no início da Carta é a catequização sobre "o mistério da encarnação do Filho de Deus", que está em causa.

Claro, não muito diferente da maioria (quase totalidade) das obras antigas que hoje vemos como obras de arte, e que no mundo laicizado em que estamos, as de maior qualidade passaram a ser vistas como integrantes de um designado património  material. Por terem sido a realização, ou a materialização, do que também se passou a considerar como património imaterial.

Ora o referido "mistério da encarnação do Filho de Deus", como já ontem evidenciámos, não deixou (ainda) de ser - desde há dois mil anos - fonte de dúvidas, de controvérsias, e de questionamentos. Para muitos outros, fonte de emoção e maravilhamento...

 

Há para todos os gostos, dependendo talvez da sensibilidade de cada um?

presépio-POPUP-2016-p1.JPG

 E estes 2000 anos de História, e de «muitas histórias», levam a perguntar: 

 Saberemos nós fundir os sinais antigos com os actuais? 

 Juntar a tradição à modernidade? 

~~~~~~~~~~~~~~

*E no fim outros sinais, porque no Cristianismo muito é signum: já que foi, ou é, sinal de Deus.

**Francesco, e também o que ficou conhecido como S. Bernardino de Sienna, usaram uma «estratégia» especial para falar das coisas divinas e de Deus. Pois preferiam o silêncio, e uma certa teatralizaçao. Por exemplo, S. Bernardino tinha uma placa com as letras IHS; as mesmas que depois Santo Inácio e os jesuítas vieram a usar como sinal da sua ordem religiosa.


30
Nov 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

... Se há, e conhecemos (?), é Isabel I de Inglaterra

 

E agora, ao que dizem, apareceu um novo retrato, tão falante como vários outros que conhecemos

 

A imagem/fotografia tem dono, só a ampliação é que é nossa

Isabel_I-300ppp-b.jpg

Isabel_I-300ppp.jpg

E na ampliação vê-se bem - nas mangas - os favos que ao abrirem, se assemelhavam a línguas de fogo, e/ou mandorlas para aludirem ao Espírito Santo.

O espirito dom, como a sabedoria, que desde Salomão todos os reis queriam ter


27
Nov 19
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

É verdade, estava tudo pronto para um post sobre os contributos de Laurent Gervereau, para as ideias que temos vindo a formar (mas houve um volte-face). 

 

Seria um novo post sobre Semiologia - considerada a Ciência geral dos signosMas que, tantas vezes por extrapolação (e excesso), a dita ciência levou a que tudo fosse considerado Signo.

E ao entrar no mundo da moda, a Semiologia  levou a que nos víssemos uns aos outros, não como se estivéssemos frente a um espelho, e a perguntar-lhe: "diz-me espelho meu...": se posso ir assim para a rua, para o trabalho, ou para a festa?  Mas mais como se ouvíssemos falar um psicólogo. Como se alguém analisasse a correspondência - que tantas vezes é legível -, entre o que se veste, e a imagem que todos querem dar de si mesmos...

Ou, ao contrário, quando descuramos vários elementos dessa mesma imagem - que inclui uma linguagem corporal, que sem dúvida existe e nem sempre se controla... E como quando isso acontece, é tão fácil passar uma imagem (ou várias imagens) bem diferente daquela que os seus protagonistas gostariam de «fazer passar».

Enfim, esta «Semiologia da Moda» é o equivalente actual de algumas imagens do passado - por exemplo das que se construiam, propositadamente, do Poder, e que hoje são vistas/designadas como imagens áulicas.

Ora se para alguns, na actualidade, a posição de um par de óculos pendurados na T-shirt, obriga a uma pose milimétrica face ao espelho, também o desenho de cordões - que ainda agora estão em trajes militares, e nos eclesiásticos (e antes nos retratos de reis e raínhas). E de tantos outros adereços, ou de tantas condecorações - a que os ingleses chamam Decorations (o que não é por acaso). Também todas essas insígnias, foram/eram como verdadeiros signos, ou sinais indicadores - muitas vezes colocados geometricamente, de alguma realidade: fosse esta intemporal e eterna, ou meramente temporal - «mais baixinha» - e cá da terra...

E para concluir, não temos dúvidas, pelo que escreve, e apesar da imagem que tantas vezes dá de si, que Laurent Gervereau já contribuiu, através dos seus estudos e análises, para uma muito melhor compreensão das imagens e do seu respectivo papel, na historiografia da arte. 

Aos historiadores, eufemisticamente ele chama "discípulos de Clio", mas não deixa de sublinhar o contributo de Marc Ferro (no Dictionnaire de la nouvelle histoire, em 1978) para uma compreensão - que é urgente atingir e obter - das imagens.

Razão para se aconselharem estes dois links, a tentar, quem sabe, se cá por esta santa terrinha (que é Portugal), alguma coisa um dia avança:

1º - https://www.decryptimages.net/pedago/decryptages-les-basiques/554-histoire-generale-du-visuel-definition

2º - https://www.persee.fr/doc/mat_0769-3206_1995_num_37_1_402735

 

Por fim este retrato de D. Maria I, a que alguns chamarão "áulico"... Image0125-a.jpg

... mas do qual Isabel Stiwell, que o publicou, diz:

Image0125-b.jpg


24
Nov 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Vindos de um «vocabulário antiquíssimo», dizemos nós (repetindo André Félibien)

 

Já escrevemos sobre este tema, mas, e porque os preconceitos continuam, há que insistir, sem desistir.

Assim, ligando vários posts anteriores, podemos referir-nos não apenas aos vidros (quase únicos) da Casa Leitão**, sobre a Baía de Cascais, mas também ao preconceito de que a História é coisa de intelectuais.

O que - pois sabemos de experiência feita -, muitos dos ditos intelectuais cá do burgo, reivindicam-no com todas as suas forças; como fazem os Historiadores de Arte.

E alguns destes, concretamente, «botam» todas as suas energias nessa reivindicação.

Ensimesmados, eles não saem dos seus casulos de "bichinhos bibliófagos" - também autofágicos - em vez de se  tornarem em verdadeiros, e positivos, bibliófilos. Coisa que lhes conviria, a eles e à Humanidade..., se quisessem ser úteis:

Que comessem tudo, tudo, mas para ir direitinho à mente. Para poderem passar a acompanhar as novidades que vão acontecendo, numa grande parte do mundo (as Universidades); nesses lugares especiais onde uma imensidão de pessoas, honestas, se dedicam à Ciência e ao Conhecimento.

E que além disso, que fossem à rua, nas nossas vilas, aldeias e cidades, repletas de valores patrimoniais (felizmente), e levassem os seus melhores olhos.

Ou os binóculos e as máquinas fotográficas, o que seria igual, altamente positivo!

Depois, e aí chegados, que levantassem a cabeça, sobretudo os olhos, para ver. É que ver - escreveu John Ruskin -, pode ser um imenso prazer!

Da fotografia seguinte, pergunta-se, será que sabem onde se localiza este envidraçado?

DSCN3727.JPG

E estas outras janelas e janelinhas, todas lindas ?...

DSCN0815.JPG

... as que - com N. Pevsner - aprendemos a chamar "vãos bífores", em vez de "agimezes"?

DSCN0837.JPG

Vãos que, alguns foram incrivelmente estudados, como mostra a sua inserção em fachadas e outros elementos; para que à sua beleza não se possa ficar indiferente!

DSCN0820.JPG

Em resumo, elementos (ou pontos) de referência, como lhes chamou Kevin Lynch, de cidades com vistas imperdíveis...

DSCN0846.JPG

...elementos de Townscapes de que também escreveu Gordon Cullen

DSCN0840.JPG

 Em suma, Historiadores de Arte, no mínimo, abram os olhos! 

*Dizemos para a Arquitectura e não para a Construção, porque são coisas diferentes. Melhor, em determinada altura, de tanto percorrer este tema, deduz-se que a Arquitectura foi uma língua. A qual, porque cheia de regras, pode-se dizer que foi altamente codificada. Embora esses «códigos» tenham evoluído...

**Ou o Chalet Leitão  como muitos preferem dizer.


18
Nov 19
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

No Expresso pergunta de um entrevistador:

"A história é um relato de memórias, habitualmente confinada a intelectuais. Com este projeto abre-se a porta à sociedade em geral para relatar a sua história?”

a ler aqui


15
Nov 19
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Na originalíssima designação geral, que é a das "Casas de Veraneio" - inventada em (e para) Cascais - aquela a que chamamos Casa Leitão, nessa rota cascaense, que é também uma lista (ver aqui), aparece como sendo o Chalet Leitão.

Ora sobre um Chalé ou Chalet,aparece quase sempre associada a ideia de telhados altos e estruturas em madeira; o que é geralmente conhecido como Carpenter's Gothic de que podem ver  aqui, muitos exemplos

Mas, do Chalet Leitão em Cascais todos nos lembramos, de imediato, das suas amplas varandas - como verdadeiras salas no exterior - que são suportadas por pilares de ferro, esbeltos e altos, tornando aquela fachada única, e inconfundível.

Na rota da CMC referida acima, o Chalet Leitão é o nº 33 e sobre dele diz-se:

"Datado de 1896 e com projeto de António Dias da Silva, o chalet Leitão implantou-se na Av. D. Carlos (inaugurada em 1899) e faz parte do notável conjunto de edifícios que definem a silhueta ocidental da Baía de Cascais. Neste destaca-se as suas varandas com excecional estrutura em ferro."

casaLeitão-cascais.jpg

Mas o que não se diz, e todos vemos*, é sobre a beleza dos envidraçados laterais, também em estrutura de ferro; assim como as guardas das varandas. Que a par das referidas colunas, todos esses elementos metálicos apostos na fachada frontal (quase) garantem o normal conforto de uma sala de estar. No entanto, e porque esta é uma conquista para o espaço exterior, sobretudo protegem das nortadas, típicas de Julho e Agosto: as ventanias que põem os barcos e os barquinhos a deslizar (ou a voar) nas águas da baía...

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*E nalguns casos vemos com paixão, pois num outro post já se publicou esta mesma fotografia


13
Nov 19
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

Há em Sintra, concretamente na casa principal do Parque de Monserrate, muitos detalhes vindos de Palácios Italianos.

 

Não apenas por influência de Ruskin e do seu The Stones of Venice, mas também por influência de tantas outras obras (que se fizeram dessa maneira, e em várias cidades...), como se pode ver nesta Casa de Florença, fotografada por Jorge Maio.

foto de Jorge Maio.jpg

(aconselha-se a ver o original, maior, já que se a fotografia é bonita, o palácio representado não lhe fica atrás)

Acontece que, sobre esta questão da influência italiana, sobre os Knowles, os arquitectos autores de Monserrate, há uma frase de Marta Ribeiro que já a citámos e como podem ler indo por aqui:

Por ser «queridinha e ternurenta»; ao ter demonstrado na sua tese que nos coube (a nós!) a primazia, quando se chamou a atenção para essa influência italiana em Monserrate.

Frase que ..., enfim,  diverte-nos (o que é que se pode fazer?), por mostrar como todos vivem - e tão bem que vivem assim! -, obnubilados q.b.

Ou dito de outro modo, trata-se de uma frase que é tão simpática quanto errónea/indutora de erros?

Ninguém ainda tinha visto? É que a "Questão das Origens do Gótico", é de facto bastante mais complexa! Mas estas semelhanças visuais...? Se o não se notar já é estranho, o não saber (foi esquecimento?) da influência italiana na Arquitectura é ainda muito mais estranho?   

Mas com isto - há que o agradecer - porque desde 14 de Fevereiro de 2014 ficámos hiper-sensibilizados! Pois claro, com tanta generosidade... Ou como diz um provérbio dos brasileiros:

"Quando a generosidade é muita o santo desconfia..." *

E por isso é que preferíamos diferente: ver naqueles com quem trabalhámos, os parceiros dos raciocínios, das reflexões, e das tentativas de leitura das obras. Mas é o que há: é o oito, ou o oitenta! Sem moderação e sem situações intermédias.

Preferíamos não ter que ser, ora pedintes de mão estendida: "ajude-me lá, por favorzinho, que até trabalho. Só que fiz uma grande descoberta que me fez resvalar: pois que este é o verbo que significa ir para a vala, ou ir para a valeta..."

Ou em alternativa, postos altaneiros, como se devêssemos olhar para baixo! Porque é assim.

A regra, destas sociedades nada democráticas são os contrastes: De um lado os poderosos, do outro os lamúrias, a quem se juntam os queixinhas com os queixosos...

É o tudo ou o nada, como por exemplo a Geografia também mostra: os contrastes entre as Megapólis – as maiores Urbes, repletas de riqueza. E depois são os lugarejos perdidos e paupérrimos, que existem dentro dessas mesmas cidades, onde pessoas (nem sequer consideradas gente) são tratadas como animais.

Será que era assim a cidade que Cosimo Medici tanto engrandeceu? Ele que, segundo Pierre Magnard (ouvir no Canal Académie), se retirou, para com Marsile Ficin criar uma nova Academia: "... Cosme avait repris une vieille maison médiévale, dans laquelle il fit ouvrir une façade à grandes baies sur un parc dessiné qui constituait un répertoire de plantes aromatiques et médicinales. Un jardin très spécial donc, initiatique et médicinal. A proximité, il donna en 1463 à Ficin, une petite maison, avec un enclos arboré pour qu’il y installe son Académie".

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* E, verdadinha (apesar do muito que gostámos de ter passado por lá), com o tempo passámos a desconfiar do que sai da FLUL, do IHA...


09
Nov 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Ainda a propósito da Querela do Filioque e suas consequências para a Arquitectura (que as detectámos por um enorme acaso*), hoje acrescenta-se algo mais: também relacionado com direitos de autor...

 

Neste assunto que é vastíssimo e nos fez ler imenso, e, felizmente, talvez mais em qualidade do que em quantidade (o que nos poupou tempo!): sobre o nosso último post  para o facebook  interessa agora referir que em Monserrate uma Nova História** usámos a palavra Filioque várias vezes:

6 X -  no documento principal,      e também

6 X - nas notas de rodapé.

Mas neste caso, acrescido ainda da menção "Dupla Procedência do Espírito Santo" - o que aconteceu uma vez - por ter o mesmíssimo significado.

Só que, já agora, e porque o referido trabalho de investigação, à partida nunca teria sido dedicado a nenhum aspecto da TEOLOGIA CRISTÃ. Mas, porque foi feito a partir da obra dos Arquitectos James Thomas Kowles - autores do projecto da principal Casa do Parque de Monserrate (os criadores de um verdadeiro «sintagma arquitectónico»); ora seguindo por este caminho de contagem de palavras - que é o da análise do registo estatístico (tal como já fez a Google para o nosso trabalho, e está na «imagem» seguinte) - podemos dizer que o nome Knowles consta:

42 X - no documento principal,       e ainda

10 X - nas notas de rodapé.

   ContagemPalavras-google.png

Ora esta imagem, vinda de Google books não é isso que traduz, com a devida exactidão.

Se por exemplo a palavra Filioque nem sequer consta, já o nome de William Chambers - um importante arquitecto, assim como o de William Kent, ambos estão em bold, e ainda com caracteres maiores.

Facto que, como se depreende, tem mais a ver com a sua importância relativa - por serem ambos mais conhecidos e reconhecidos na História da Arquitectura -, do que com o número de vezes que os mencionámos no nosso trabalho...

Enfim, não é uma questão relevante, ou sequer incomodativa; não faz mal nem bem, apenas mostra que o critério não é exactamente o que se tenderia a esperar (sendo quiçá, chamariz para promover o livro***).

Mas, de qualquer forma, e porque toda esta temática - que agora dominamos muito melhor do que acontecia em 2004, quando a tese ficou escrita - vamos continuar a explicá-la:

Não fazendo copy paste de um trabalho que, embora nosso não é ainda do domínio público já que sobre ele impendem direitos editoriais e autorais - mas ampliando a questão. Indo buscar, sobretudo novas informações, que em 2004 ainda não tínhamos. Por várias razões, estando entre elas:

1ª - Porque o assunto é vastíssimo, e de 2002 a 2004 não procurámos mais, quando se percebeu que era melhor concentrar os esforços de investigação, apenas sobre o Palácio de Monserrate. Inclusivamente, não «indo» em distracções como alguns quiseram que escrevêssemos (antes) sobre o Aqueduto das Águas Livres (no Vale de Alcântara)...

2ª - Porque algumas das melhores informações - por exemplo as de Edward Norman que corroboram as nossas ideias - ainda não existiam (ou pelo menos não estavam publicadas?) em 2004.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Já que, em 2001-02 praticamente nada sabíamos do assunto, a não ser (talvez?) uma muito vaga leitura feita em António Quadros, num volume que nos tinha sido oferecido por António Ferro (entre 1997 e 2001)

**Por Glória Azevedo Coutinho, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

***Mas também as estratégias comerciais não encerram o assunto. Pelo contrário, mostram que os editores não estão conhecedores da temática. Ora não é pelo facto de os editores, ou a sociedade em geral não conhecer, que um tema existe ou deixa de existir.

Seja na cabeça de alguns poucos (como a história das ideias e/ou a dos avanços tecnológicos permite mostrar), e posteriormente na cabeça de muitos.


06
Nov 19
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Já há dias tinha comentado algures, a designação que ficou no título. Não concordo com ela, mas podem ler, o que escrevi a propósito desta publicação no facebook, na página de Luís Lobato de Faria. Portanto:

 

Este post é uma partilha e gosto da frase final para título:

"UM MUNDO ESCONDIDO À VISTA DE TODOS"

Porque quando vejo isto (publicado há minutos) pelo seu autor original - como suponho ser Luís Lobato de Faria? - fico fascinada; mas também, verdade seja dita, simultaneamente bastante baralhada...

No entanto, uma das primeiras reacções, é achar que é uma óptima ideia: tão simples, conseguir articular os diferentes sinais, por semelhanças visuais/geométricas, organizados dentro de uma grelha.

De qualquer forma, e para os sinais que (eu) tenho encontrado, e visto subjacentes em imensas obras, incluindo na Arquitectura (do mundo Ocidental), e nalgumas das peças mais relevantes ou classificadas, patrimonialmente; de qualquer modo, insistimos não os designamos como "SÍMBOLOS APOTROPAICOS".

Mas, e em suma, porque todas as boas ideias se devem aproveitar, talvez um dia experimente colocar numa grelha - qual TABELA PERIÓDICA DOS ELEMENTOS (da química) -, os sinais que "A Questão das Origens do Gótico" (inicialmente da PROF. Maria João Baptista Neto da FLUL, e depois tornada «briefing do meu mestrado que foi dedicado a Monserrate»); sinais que, note-se, me fez passar a encontrar.
Só que, acontece, os ditos sinais, em número (quase) imparável, e porque em geral se relacionam com palavras e ideias (e aos quais temos chamado IDEOGRAMAS) são ainda, acrescendo a dificuldade, sinais muito polissémicos e assim dificílimos de organizar*.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
*Sobretudo por alguém que lhes reconhece o maior valor, e que por isso, pela persistência e por não desistir, está sozinho nessa tarefa, que é uma vontade de esclarecer e sistematizar, por se tratar de conhecimento. Tarefa que, numa sociedade que esteja normalmente evoluída e organizada, cumpre às Universidades fazer e acolher. Mas que no nosso país, e no nosso caso (talvez pelo excesso de informação obtida?), tudo correu ao contrário entendo sido «banida» da Universidade de Lisboa!
Haverá alguma conclusão possível, para ajudar a entender este comportamento vindo dos responsáveis da UL..?

Se sim, talvez esteja no excesso de trabalho das Universidades de Lisboa, e apenas possa ser no pobre do interior raiano, que se encontre, ou dê valor, àquilo que em Lisboa se despreza? Não sei (?), mas parabéns ao autor (ou autores).

Por fim dizer que a Arquitectura Gótica e as Casas do Parlamento (do post anterior) não estão esquecidas, estando sempre para voltar à baila, e ao centro das atenções. Visto que alguns dos chamados Símbolos Apotropaicos são os mesmos a que chamo IDEOGRAMAS...

E tudo isto nos lembra uma frase de António Quadros quando clamava por «um Champollion» que a todos ajudasse, como Émile Mâle fez para as Catedrais, a descobrir o que na sua opinião teria sido uma escrita ibérica.....................


02
Nov 19
publicado por primaluce, às 16:00link do post | comentar

A pergunta fica no título, pois sobre alguma modernidade na obra das Casas do Parlamento(?), a resposta final será dos leitores

Image0030.JPG

A fotografia acima, bem como a planta geral das Casas do Parlamento vêm de A History of Building Types, por Nikolaus Pevsner*

O texto a seguir existe desde 2004; é a nota nº 319 do nosso trabalho dedicado a Monserrate**:

Mas..., já agora, deve-se dizer que foi escrito sempre a ver várias fotografias, e tal como num brainstorm, a tentar registar, com toda a liberdade, aquilo que parecia poder ler-se e talvez deduzir-se dessas mesmas imagens:

"Há no esquema geral, subjacente, uma simetria. As Houses..., segundo julgamos, contêm uma “harmonia muito estudada”, que nasce interiormente, a partir de um octógono. Exteriormente foi construída uma imagem, que dá a sensação de “peso equivalente” de cada lado do edifício. Ou seja, sem uma simetria total, tenta no entanto passar uma ideia de equilíbrio. E para esse equilíbrio, o que classificaríamos como Perpendicular - devido aos elementos góticos verticalizantes que regista, seguindo um módulo que é a dimensão de cada pano de parede, onde está uma “vertical de vãos”, sempre intercalados entre contrafortes – contra-balançando com eles, há faixas horizontais. Este cruzar - como quadriculado – dos esforços verticais, com as “intenções” de horizontalidade (faixas características da arquitectura Tudor), anula e estabiliza as linhas de força, criando o que é talvez, a maior virtualidade imagética do edifício: A sensação criada, é a de um “dinamismo calmo”; imagem que também pode ter, um qualquer edifício contemporâneo, com colunas e linhas sem que os pormenores sejam góticos. Assim, embora aparentemente antiga por buscar formas medievais, esta solução contém em si a força de uma tradição bem enraizada; mas também na sua geometria clara e simples, estão expressões de modernidade."   

Claro que no fim, hoje (15 anos depois de se ter escrito e vendo) este resultado; de se ter ficado "...com a sensação de haver um dinamismo calmo”, legível no edifício. Então concluímos que terá valido a pena.

Isto é, que a reflexão, especulativa, a que nos obrigámos - nem por isso fácil (mas heureusement apoiada nalguma bibliografia***) - valeu a pena. Como aliás é típico reconhecer-se, quase sempre, das tarefas difíceis. Por, no final termos conseguido deduzir algumas ideias da geometria e suas formas (abstractas), que tinham ficado registadas na arquitectura:

Em suma, como uma combinação equilibrada, de linhas horizontais e linhas verticais, disposta paralela ao rio - numa enorme massa longitudinal -, que foi pontuada por torres de diferentes desenhos e volumetrias; como, enfim, pode conseguir identificar-se/colar-se a uma suposta imagem (a fazer-se corresponder, e assim retratando) os mais altos poderes de uma nação que, à época da sua edificação, então era um império...   

~~~~~~~~~~~~~~~~

*The A.W. Mellon Lectures in the Fine Arts . 1970, Bollingen Series XXXV . 19. Princeton University Press. Ver na p. 43.

 **Ler em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008, p. 187.

***Looking at London, Illustrated walks through a changing city, por Arthur Kutcher. Thames and Hudson, London 1978.


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