Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
18
Set 20
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Para quem como nós tem andado de volta das "Origens do Gótico" ** e vê no Românico - inteirinho -, o preâmbulo do Gótico;

  

Naturalmente este assunto interessa-nos. Mas interessa, muito em especial - e há que o dizer -, numa outra perspectiva

Face às opções contemporâneas da arquitectura, em que os estilos, se é que existem, não têm (nem têm que ter, como nos parece...) nenhuma designação. Pois a taxonomia cientifica, e oitocentista - de raízes bem antigas - já não faz parte das mentalidades de hoje. Podemos dizer talvez, que não é agora uma necessidade absoluta, para o pensamento? Melhor dizendo, para a mente poder, e ser ajudada a pensar, a partir de títulos de caixa-alta.

Não precisamos de designações, perguntamos nós daqui, e isso é porque já nos estamos a habituar a grandes transversalidades, temáticas e disciplinares? Não precisamos de um grande título, que defina «a caixinha», onde - neste caso - haveríamos de colocar, classificando-a, um certo tipo de arquitectura?

Em inglês, esta ideia de permanentemente classificar, pode ser expressa por um verbo que nos diverte bastante: é o "pigeon hole"*** 

Mas agora, e para o que nos preocupa, em vez da arquitectura tentar ser expressão de ideias teológicas (como em geral aconteceu no passado); na actualidade a arquitectura tem que se preocupar, com questões de sustentabilidade e emergência climática. Numa palavra: em melhorar a Terra:

Sim, em melhorar este nosso planeta, que temos habitado "a troche y moche", como se não houvesse amanhã...

Terra em que procuramos não só protecção contra os elementos climáticos - cada vez mais extremados; mas em que a habitabilidade não é só sinónimo de segurança, e é muito pautada (talvez mais do que nunca) por padrões de conforto. Mais:

Quem não os quer, quem não exige esse conforto?

Assim, atente-se na solução para a ampliação do Centro de Interpretação do Românico, que parece ser (ou se aproxima?) da ideia de uma edificação semi-enterrada; o que é, como julgamos (apesar dos poucos dados), uma óptima ideia. 

Deste modo dando sequência a opções muito mais antigas, como são as «grutas» dos chamados trogloditas da Capadócia (Turquia). Ainda a um outro tipo de casas, visível próximo de Granada - em Guadix - as chamadas casas-cueva.  E por fim materializando o que alguns estudos contemporâneos têm proposto. Conceitos que, há décadas, vêm a fazer o seu caminho, em especial a partir dos EUA.

Razão para se perguntar, face ao novo Centro de Interpretação do Românico, ou à sua ampliação (imagem abaixo), se esta nova tendência...  estará já agora mais disseminada?

Chegará a Portugal com mais exemplos? E a ideia inicial, ou a razão (conceptual) porque surge, é já reactiva? Com o propósito de começarmos uma nova fase de acção relativa ao crescer das alterações climáticas? Ou será que aparece apenas como uma moda, e apenas como um estilo que se quer implantar? A fazer-nos lembrar o MAAT, à beira-Tejo (im)plantado?

Centro-Interp-RoMãnico.jpg

*Porque o tempo passa, depressa ou devagar, o certo é que um dia se nota, claramente, que tudo avançou. E nessa clareza pode estar a percepção, talvez lúcida (muito verosímil), daquilo que se terá passado.

**Com êxito e por isso com respostas às questões colocadas (não esquecer que uma investigação é pôr questões); questões  incrivelmente paradoxais, que é impossível não surpreenderem todos: e a nós inclusivamente, como já deixámos uma boa parte em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

*** O que usou Marianne Barrucand em Moorish Architecture in Andalusia,  quando escreveu: “One could spend hours discussing the most appropriate way to pigeon-hole this architecture in some classificatory scheme..." Ver em Moorish Architecture in Andalusia por Marianne BARRUCAND e Achim BEDNORZ. Edição Taschen, 1992.


11
Set 20
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

 

Haverá sempre detalhes minúsculos... 

2013-01-29 17.03.54.jpg

... que, como é normal, só serão notados por alguns.

E não, não é na Estação do Rossio*, onde há um detalhe semelhante, mas sim na igreja da Conceição Velha, que já o Almanach Illustrado um dia «valorizou». 

2012-07-22 11.58.11-D.jpg

Mas este "valorizou" - ou, o que um ilustrador reparou e reproduziu - significa que bem antes, houve theologos-architectores** que «queimaram as pestanas» e forçaram os olhos; significa que houve canteiros e mestres de pedraria que tudo fizeram, para que aqueles dois semi-círculos entrelaçados*** fossem legíveis. 

Hoje, dizem alguns, que aqueles círculos entrelaçados eram insignificantes...

No entanto, se fossemos pelas teorias da quantidade de informação - cuja validade é relativa - hoje também teríamos que reconhecer que os melhores monumentos estão repletos de círculos, e por vezes outras formas, que frequentemente eram, de propósito, entrelaçadas

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ver foto que agora se acrescenta (vinda do Público - com noticia sobre vandalismo infligido a um desses detalhes que pouco notamos):

Detalhe_CP-Rossio.png

**E, de entre esses theologos-architectores é forçoso destacar Juan Caramuel Lobkowitz (1606-82), que nos deu fantásticas informações sobre o estilo gótico. Chamou-lhe De el ordem Gothico. explicando como as formas se deveriam interpenetrar. Vejam em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008, p. 33, onde esta questão - no âmbito do tema Origens do Gótico - já ficou exposta.

***Elementos iconográficos de que já escrevemos inúmeras vezes... (e sem que isto nos canse). 


07
Set 20
publicado por primaluce, às 11:00link do post | comentar

Se já escrevemos sobre círculos e mais círculos,

 

mas porque uma parte dos ditos são arcos (arcos de círculo), então hoje aqui ficam - segundo a classificação de John Ruskin - os Arcos Venezianos

img248.jpg

Nos quais, claramente, se lêem diferentes associações de círculos, que como dizemos, essas associações propositadas, eram falantes.

Miguel Metelo de Seixas diria que se trata de Heráldica. Nós preferimos ICONOTEOLOGIA, mas se quiserem falar de vãos - portas e janelas - nascidas em imagens que são comuns à heráldica, também será completamente correcto...

Vindo do Projecto Gutengerg, como podem encontrar no nosso post anterior

(e apesar do calor, que bom foi sair das rotinas...)


30
Ago 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Acontece/aconteceu assim muitas vezes: um post anterior, sugerir outro (que logo se escreve)

 

Nesta frase deixada por nós em 1 de Março de 2018 numa nota de rodapé está uma das enormes valias de Monserrate, para ajudar a perceber alguma coisa de Semiologia, aplicada à Arquitectura:

E se há obras ou edifícios alguns melhores para explicar Símbolo, Paradigma e Sintagma (estes 3 elementos que nos «moeram a cabeça», e deixaram sementes para o futuro) de certeza que uma dessas obras é o palacete de Monserrate! Diria até que é uma das óptimas provas da aplicabilidade/transposição de análises linguísticas e semiológicas à linguagem visual da arquitectura.

No entanto, ao ser escrito logo, também pode não ser desenvolvido muito mais; ou (aparentemente) ficar incompleto ?


28
Jul 20
publicado por primaluce, às 10:00link do post | comentar

… porque se re-escreve ou se pode dizer de outra maneira:

 

De um post antigo, e não tanto velho como acima se escreveu, retiramos o que agora se quer ligar – visualmente – ao post anterior

Porque os "Círculos e mais Círculos" de que já escrevemos (aliás, vezes sem conta), são os mesmos a que Copérnico se referiu quando escreveu ao Papa Paulo III. 

Assim aqui fica:       

"Para terminar: talvez que novas interpretações daquilo que a Arte foi pareçam obscuras - tal como Copérnico admitiu que as suas teorias fossem:

"Even though what I am now saying may be obscure, it will nevertheless become clearer in the proper place."

Talvez... os círculos que referiu - “…nevertheless I knew that others before me had been granted the freedom to imagine any circles whatever for the purpose of explaining the heavenly phenomena…” - e as analogias que esses mesmos círculos sempre permitiram a todos fazerem; talvez tudo isso não tenha tido a menor importância!?

Porém, na História da Arquitectura, eles (os citados círculos) ficaram lá e estão lá ainda, muitíssimo visíveis nas obras. "

 

Assim mais uma vez se evidencia - com algumas das imagens que publicámos, mais recentemente - que não faltam círculos na Arte. Concretamente nas obras antigas e tradicionais:

SINTRA-PAL.DA.VILA-SCALA&IPPAR.jpg

Livro-PÚBLICO.jpg

caminhosDeUmaIdeia.jpg

AURA-VirgemAPdeÉVORA-sobreposição.jpg

ONDE-está-o ORIGINAL.png

DSCN4276-PA-PORTALEGRE.JPG

Vergas-Ideogramáticas.jpg

Image0150-b.jpg

Por tudo isto, e muito mais que aqui não caberá, nunca!, não admira - achamos nós - o «remoque» de Copérnico:

"... any circles whatever for the purpose..."


22
Jul 20
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

Mas que se empregaram pelas mais diferentes razões:

 

As primeiras desconhecidas... dizem alguns*. Como estão na imagem já a seguir- Mausoléu de Santa Constança - e ainda nas imagens seguintes...

StaCostanza-detalhe.jpg

yo4.jpg

CruzPátea-Culots.jpg

Iconografia-minhota-jugo de bois-2.jpg

Que se usaram em fachadas antigas, ou nas de edifícios emblemáticos, recentes - como acontece na Biblioteca de Birmingham.  Empregues, quem sabe, "por alguma reminiscência, ou de sentido vagamente conhecido"? Como no século XVIII escreveu William Chambers,  o arquitecto que foi professor de William Beckford

fachadaBirmingham-2.jpg

Que os vemos num jugo de bois, minhoto (de que data?...)

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda num "colar honorifico" - dizemos nós. Seria condecoração, efectiva, ou apenas uma mera "legenda visual". Enfática, a sugerir o "mérito" daqueles em quem fosse colocada?

ludovico-colar.Argolas-mandorlas

Só que, depois desta imagem lembramo-nos de um monumento português, incontornável e Património da Unesco. Em que nesse caso até existe fivela...**maria-i.jpg

Ou, enfim, em galões multicolores, que, como se explica na legenda acima foram moda no século XVII, entre os nobres... Por isso aqui dizemos - e corrigimos Judith Miller a autora de The Style Sourcebook*** - que no século XVII ainda se usavam, e acreditamos, com a consciencia plena do respectivo significado antigo.

Embora mais tarde, por exemplo no Porto, na casa-atelier que foi do arquitecto José Marques da Silva, numa varanda, estejam lá os mesmos circulos entrelaçados que viu e contactou (como há provas disto) no túmulo de Egas Moniz. Assim como, também em Lisboa, na Av. da Liberdade, se vêem os mesmos círculos - como na Casa de Marques da Silva - a aparecerem num contexto e gosto art déco.  

E onde, note-se, não parece haver qualquer vontade de revivlismo; ou, nem sequer de «heraldização»!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Alguns entre os quais se destacam os Historiadores da Arte. Mais propriamente os que ignoram «os ingredientes» de que a Arte era feita. Enfim os que desconhecem que Arte significava, e ainda significa (mesmo que muitos o esqueçam) habilidade:

A habilidade mental que alguns tinham, exactamente para, com imaginação, juntar e trabalhar os referidos ingredientes - ou motivos - como lhes chamava Robert Smith. Ingredientes que, como também lemos, Miguel Metelo de Seixas «quer  agora» que sejam heráldicos.

Quase a concluir este post que é sobretudo visual:  estamos perante Círculos e mais círculos (que ninguém quer entender) - coisa de que alguns têm medo, como se o passado os atormentasse? E por isso, como há dias pudemos ler, pela Connaissance des Arts, também são vistos como Esoterismos

** Ver aqui

***Judith Miller - The Style Sourcebook, ed Mitchell Beazley. London 1998.


08
Jul 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Neste caso tratam-se de desenhos de Francisco de Holanda, de uma obra que o fascinou, e que ainda hoje nos fascina a todos.

 

Mantendo-se ainda agora incontornável como um dos marcos da história da arquitectura romana, é repetidamente fotografada e incluída, não apenas em compêndios de História, mas nos melhores álbuns. Que têm contribuído para a divulgação artística, e sobretudo - pela qualidade visual das fotografias -, para um maior reconhecimento pelo público, do valor das obras.  

J.Segurado-1.jpg

J.Segurado-2.jpg

J.Segurado-3.jpg

J.Segurado-4.jpg

.Santa Costanza.JPG

StaCostanza-detalhe.jpg

Imagens vindas de:
1. Francisco D' Ollanda, por Jorge Segurado, Edições Excelsior, Nov. de 1970. Ver p. 32 e seguintes. Ler concretamente na p. 35, o que o arquitecto J. Segurado esclarece, sobre o que consta nas legendas de Francisco de Holanda, erroneamente, julgando tratar-se de um templo (pagão) dedicado ao deus Baco. Por isso, como legenda a um desenho (planta) de Palladio, escreveu:

"O grande arquitecto Palladio também se equivocou quanto à origem deste monumento. Trata-se na verdade da Igreja de Santa Constança erguida pelo imperador Constantino (...)"

e ainda de:


2. A Alta Idade Média, Da Antiguidade Tardia ao Ano Mil, por Xavier Barral i Altet. Taschen 1998. Ver p. 37 onde se lê:

"Possível testemunho da arte dos grandes comanditários, Mausoléu de Santa Costanza, Roma (...) decoração em mosaico, cujos motivos de cepas de vinha entrelaçadas, de pássaros no meio das ramagens, flores, frutos e objectos diversos se destacam sobre um fundo branco."

Para nós, um dos grandes interesses desta obra (e da iconografia acima descrita) radica nos círculos entrelaçados da barra inferior da abóbada. Concretamente, como se fez «decoração» a partir de um esquema de ideias que então já preocupava todos. O que veio mais tarde a ser designado Filioque e que Carlos Magno obrigou a que se inserisse no Credo.

 

Como M. Justino Maciel explica para a Arte do fim da Antiguidade Tardia assiste-se então a um emprego, crescente, de formas abstractas e anicónicas.


16
Jun 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Sem sermos historiadores, sabemos que há muita(s) história(s) - que são mais estórias ou estorietas -, e que anda(m) muito mal contada(s):

 

Desde 2002-2004, e do que descobrimos a propósito do estudo do Palácio de Monserrate, em Sintra, passámos também a saber que se erguem monumentos a valores e a ideias que andam deturpados e deturpadas; propositadamente?, quem sabe...

Claro que este não é o tempo de perdermos todas as referências (como alguém que ao mudar de casa deixa de saber para onde mudou os seus pertences e valores)

Claro que a Nova Crise (do novo corona) não devia justificar uma enormidade de desmandos... Nem muito menos o derrube de valores que alguns temos como adquiridos, ao longo de vários séculos.

Mas justifica sim, todos merecemos - e isto não é um derrubar mas é um elevar! – a elevação dos valores que têm um sentido superior: i. e., superior ao das banalidades, e aos das trafulhices que, em Portugal, muitas destas, são quotidianas.

As estátuas de pedra e bronze não têm culpa, estão em pedestais porque outros reconheceram o valor, no passado, das figuras que representam.

Perigosas sim, são as pessoas que ainda agora se armam em estátuas, empoleiradas em tachos e pedestais, de onde actuam como se vivessem, para sempre, em «bases» que mais lembram redutos e castelos (porque, venha o que vier, dali não saem, dali ninguém as tira...)

Os que sem darem oportunidade(s) à verdadeira História, à sua investigação e ao seu Conhecimento pelo maior número – e isto é o que se passa nalgumas universidades em Portugal -, têm fortíssimas responsabilidades pela fraca ou nenhuma Ciência e Cultura, que na área da História não chega a todos:

Pelo contrário, vive-se como se a História, a Cultura e o Conhecimento fossem só para uns, poucos eleitos!   

Aqui, desde 2004-2005, se nos tornámos activistas, não é para derrubar estátuas de materiais inertes, mas é por causas e razões concretas. Mais: se para um arquitecto o direito à habitação é constitucional, estes - o Direito ao Conhecimento e à Cultura – também o são, ao mesmo nível, ou superior*.

Aliás se lerem na Constituição, no artigo 73º, 4., aí consta com toda a clareza a liberdade e a autonomia para a obtenção de novos dados: "A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado..."

E não consta aquilo que connosco se passou: não está na redacção da lei constitucional, nenhuma referência às preferências ideológicas dos responsáveis dos departamentos universitários:

Aos gostos dessas estátuas vivas, feitas empecilhos nos caminhos que só eles entendem; ou que só eles sabem por onde é que se pode e deve ir: «feitos sinaleiros»

Não consta na lei constitucional, que é possível haver responsáveis em centros de investigação do ensino superior, que não sejam interdisciplinares; ou que não compreendam, minimamente, as disciplinas e os saberes essenciais, que fazem ou fizeram a Arte. Em suma que rejeitem actualizações e novas visões, incluindo as que vêm de fora.

Se nós em 2002 percebemos a importância do FILIOQUE - e como esta questão mudou o mundo; e mesmo que só tenha acontecido em 2015, que Peter Frankopan se refira a esta mesma questão** (numa obra que é uma óptima actualização da História Mundial), a verdade é que não somos só nós a detectar esta problmática, e a sua imensa importância no decurso da História.

E se P. Frankopan é muito mais novo do que Jacques Le Goff, é no Historiador francês - com quem Vítor Serrão e Maria João Baptista Neto têm a obrigação de ter aprendido -, que esta questão está bem mais explicada, e mais desenvolvida***. 

E culpam-nos a nós, por termos seguido caminhos que a História sabe que existiram..., mas os nossos «profs.» não?

Caminhos que os Historiadores internacionais têm abordado, mas que os historiadores de arte portugueses (na FLUL) querem ignorar. Isto é discriminação pura:

Seja de género, seja científica, seja o seu cúmulo, ou seja o que for!?

É a prova de que há milhares de racismos, numa sociedade que se finge ser muito justa, mas onde pululam inúmeras injustiças.

E onde o ESTADO, por fim, só há-de intervir quando tem que enfrentar as situações extremas...

Portanto, elevem-se, e ajudem os outros a elevarem-se, antes de haver derrube de estátuas.

Não venham lamentar a perca dos Patrimónios Materiais,

quando os Patrimónios Imateriais que os justificam, fazem parte das vossas muito queridas e muito cultivadas ignorâncias.

(como a seguir se prova:)

Image0043.JPGP. Frankopan-p.74.jpg

P. Frankopan-p.164.jpg

JacquesLeGoff-Filioque-p.148.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Artigo 65.º(Habitação e urbanismo)

  1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.
  2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado: (...)

Direitos e deveres culturais Artigo 73.º(Educação, cultura e ciência)

  1. Todos têm direito à educação e à cultura.
  2. O Estado promove a democratização da educação e as demais condições para que a educação, realizada através da escola e de outros meios formativos, contribua para a igualdade de oportunidades, a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais, o desenvolvimento da personalidade e do espírito de tolerância, de compreensão mútua, de solidariedade e de responsabilidade, para o progresso social e para a participação democrática na vida colectiva.
  3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.
  4. A criação e a investigação científicas, bem como a inovação tecnológica, são incentivadas e apoiadas pelo Estado, por forma a assegurar a respectiva liberdade e autonomia, o reforço da competitividade e a articulação entre as instituições científicas e as empresas. Ver em:https://www.parlamento.pt/Legislacao/Documents/constpt2005.pdf

** Ver em Peter Frankopan, As Rotas da Seda, Uma Nova História do Mundo, Ed. ÍTACA, Lisboa 2018. Nas pp, 74 e 164, a questao concreta da Dupla Procedencia do Espírito Santo (que é designada como Filioque).

*** Ver em Jacques Le Goff, com Jean-Maurice de Montremy, Em Busca da Idade Média, Teorema, Lisboa 2004, p. 148. Mais, quem não ler este livro, definitivamente, não quer compreender a Idade Média. Não quer perceber a dose de «arbitrariedade» que foi instilada no século XIX por Jacob Burckhardt (1818-1897), quando escreveu A Civilização do Renascimento em Itália. A clivagem que assim introduziu no entendimento da História. 

https://www.facebook.com/ObservadorOnTime/videos/929220357242639/?v=929220357242639


14
Jun 20
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Como nos aconteceu ao estudar Monserrate, deparámo-nos com ideias arreigadas e pré-concebidas: de quem escreveu sem ter ido ver.

 

Tal e qual o que é típico de uma certa «historiografia» (manhosa) cá do sítio - que se apressa a criticar quem tem olhos - e mais ainda quando esses olhos, depois de ligados ao cérebro, pelo nervo óptico, estabelecem conexões sinápticas. Ou seja, quando ligam memórias armazenadas na mente, e as confrontam, com o que lhes é dado ver em cada instante.

Pior ainda, tirando depois conclusões daquilo que os olhos viram. O que em Portugal, especialmente na FLUL é crime

Assim, importa dizer o que já se passava na nossa Black Box, bem antes de chegarmos à FLUL:

É que nós já tínhamos estado em Brighton, e já tínhamos percebido como Monserrate, arquitectonicamente, era bastante mais «bem comportado» do que o pavilhão de Brighton: mais contido, e muitíssimo mais sóbrio.

Podendo até analisar-se (acrescentamos agora) numa perspectiva semiológica. Ou seja, à maneira dos estilos históricos (sobretudo os da Idade Média).

Pode-se observar, concretamente, o estilo decorativo que os arquitectos Knowles criaram/inventaram para a casa de Francis Cook. E  ainda como o usaram - criando uma ordem arquitectónica, talvez única? Tal como é explicado por E. H. Gombrich neste seu título, cuja capa está aqui:

Image0036-b.jpg

Mas, não nos dispersando mais, voltamos às frases de J.-A. França sobre as origens da solução arquitectónica que está em Monserrate. Frases que, ainda nos princípios deste século, iam fazendo o seu caminho, livre, e acriticamente, nas mentes adormecidas de quem sempre lhe bastou, citar, e citar, e citar; e continuar a citar...  O que é afinal - quando nada se avança? - igualzinho a copiar.

Ou a «encher de palha», como dizíamos aos alunos.

Só que agora (deve ser castigo?), lá temos nós que ir copiar - mas é por uma boa razão - o que J.-A. França escreveu:

"O orientalismo de Monserrate define-se, porém, por nítidas raízes inglesas, que podem ser procuradas no famoso pavilhão de Brighton, de Nash, construído entre 1815 e 1823 (...) A grande torre circular, fulcro da composição de Monserrate, vem possivelmente do palácio inglês, embora os quarenta anos que o distanciam do risco de Nash permitam ao palácio de Cook-Knowles um sentido cenográfico algo diferente,..." *

Ora, como está no nosso estudo - na medida do possível posto passo-a-passo (e não assim numa frase) -, a casa de Monserrate, com projecto do atelier dos arquitectos James Thomas Knowles - o pai e o filho tinham o mesmo nome -, correspondeu a um aproveitamento (original e bastante criativo) da base já existente no terreno de Sintra. Acresce que os desenhos estão aí, e provam-no, em que o fulcro da composição, ao contrário do que França escreveu, era, nitidamente, muito mais cúbico do que circular...?

Base que terá sido obra de Gérard De Visme, e na qual William Beckford - de acordo com vários testemunhos - passou algumas temporadas: Meses ou anos?, não sabemos...

O que sabemos, e no futuro - provavelmente vai-se saber sempre cada vez mais** -,  é que o Pavilhão de Brighton, por sua vez, também este não foi uma obra feita a partir de um único projecto, de John Nash (1752-1835):

Antes, cerca de 1787,  houve uma versão de Henry Holland, muito menos orientalizante, já que este arquitecto «seguia» Robert Adam e o neo-clacissismo francês . Tendo havido ainda depois, a preceder a intervenção (final) de J. Nash, uma campanha de obras da autoria de William Porden. Foi este que desenhou os Estábulos, com cunho indiano - em 1803***.

E só em 1815 é que John Nash foi então chamado para fazer um trabalho que, se tem muito de «criação e novidade», é também o da junção e o da integração de partes que estavam desligadas, mais aquilo que ele mesmo - grande criativo e inventor - lhe veio a acrescentar.

Contada esta história que está no nosso livro (nota***), também lá se registou a ideia do palacete de Sintra, que pertenceu a Francis Cook, ter sido um retrato da globalização do século XIX: contemporânea da Rainha Vitória.

E a História que alguns andam agora a querer apagar, e/ou a re-escrever, será sempre recontada. Naturalmente pelos que vivem em sociedades estabilizadas, e onde o que é básico já está garantido.

E onde por isso mesmo é permitido aos cidadãos contactarem novos conhecimentos, fontes e informações que podem compaginar, face às novas ciências. Para entenderem melhor o caminho que fizemos - enquanto Humanidade - para chegar até aqui (como há dias se lembrou). Pois é este o maior interesse da História

É portanto por tudo o que está acima, dito e redito (em trabalhos nossos - já que, sobre este assunto não nos chegaram outras, ou novas, informações), que também para nós é fascinante re-encontrar o Pavilhão Real de Brighton

~~~~~~~~~~~~~~~~

* Ver em J.-A. França, A Arte em Portugal no Século XIX, Primeiro volume, Livraria Bertrand, Lisboa 1967, p. 373. Note-se que o extracto que citamos tem várias incorrecções...

** Porque cada vez há mais estudos detalhados, resultado do muito mais que se tem podido investigar em algumas universidades.

*** E em Monserrate uma Nova História, podem ver a semelhança que lemos entre esses estábulos e a Sala da Música (existente no palacete de Sintra)


04
Jun 20
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Ainda agora continuamos no mesmo tema, por se poder observar a constância de algumas imagens...

 

Ou, em alternativa, pela maneira como foram minimamente redesenhadas, passando depois para a Arquitectura. E assim sendo, ao termos há muito percebido algumas dessas regras, da passagem de ideogramas (ou imagens emblemáticas) para a formação de vãos - portais, janelas*; deste modo, naturalmente, e perante um vão como o que está na imagem seguinte era impossível não nos fascinarmos.

Livro-PÚBLICO.jpg

Portanto a compra de mais um livro - em 2008 -, com uma "portada" fascinante.

Só que agora a palavra portada não é um erro: um aparente falar errado, por se dizer Portada em vez de Portal. Foi propositadamente que fomos buscar a palavra que em espanhol se usa para designar a capa de um livro

Mais, em Espanha, Portada - como se lê ao seguir o link - além de poder designar a capa, ou o que é o frontispício de um livro, a mesma palavra também serve para designar a frente, a fachada, e também o portal. Por tudo isto ser, ou ter sido, quase o mesmo: a mesma coisa, ou ter tido a mesma origem. Não esquecendo que as palavras, como as imagens servem para pensar, e a mesma origem significa mesmo isso - que na mente estavam/estiveram próximas.

Então,  toda esta especulação à volta de designações semelhantes, foi para chegar ao que muitas vezes podemos notar:

Ou seja, é possível, é até frequente encontrar exemplos, em que o desenho de algumas portas de igrejas (por isso apetece dizer o design de algumas portas) é bastante semelhante ao design da capa de muitos missais e até de bíblias.

Não é o caso das portas de madeira que estão acima - das quais dizemos que têm almofadas em ponta de diamante -, mas já encontrámos, tantas vezes, portas cujo design nos lembra a capa de um livro.

Sobre o fabuloso trabalho de cantaria, com os dois círculos de pedra - encimados por uma mandorla - há que reconhecer que se trata de uma variante (linda) do esquema básico de que partimos quando se estudou Monserrate. Ver abaixo. No nosso livro esta imagem está na p. 38, e dada a sua importância, de novo foi colocada na p. 263.  

mandorla-curl-3-b.jpg

Referimo-nos portanto à Mandorla, a imagem que foi o resultado da intersecção de dois círculos, e que para alguns (James Curl**) é também sinónimo, ou próxima na origem, de Mandala.

Diferimos da sua opinião (como consta no texto escrito), razão para termos colecções de imagens: quer das esquemáticas (como as que se apresentam a seguir***), quer das decorativas. Estas correspondendo «ao alindar» desses esquemas falantes, que por isso foram postos na arquitectura, com o objectivo de funcionarem como proclamações de fé.   

depoisConcílioNiceia-325.jpg

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Como já se explicou neste post, com esta imagem:

Vergas-Ideogramáticas.jpg

** James Stevens Curl é o autor do Oxford Dictionary of Architecture - Oxford University Press, 1999. Livro de onde retirámos a imagem, ver p. 406.  Também aqui .

*** Ver no post para o qual foram feitos esses 4 esquemas

Por fim, deve-se dizer que a imagem que está na origem deste post, veio de A Arte de Portugal no Mundo - Açores, por Pedro Dias. Edição do Público, Dezembro de 2008 (ver p. 53). Trata-se do Portal lateral da igreja de S. Sebastião de Ponta Delgada.   


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