Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
22
Abr 21
publicado por primaluce, às 13:00link do post | comentar

A pergunta relaciona-se com as respostas que nos foram dadas, há dias, por um digníssimo Professor Doutor do Instituto de História da Arte da FLUL.

 

Lamentaremos sempre, no mínimo, senão a sua incompreensão da questão em causa, logo em 2002-2005; ou, pelo menos o facto de o dito PROFESSOR nada se ter esforçado, ou até ter perguntado, para ser esclarecido...

Se é que foi assim? Se é que de facto não percebeu, ... e até teve vergonha de perguntar?

Para o público em geral poder entender, e para os que nada sabem do que passa nos espaços universitários, se quiserem enquadrar esta questão, que vem desde 2002, a ler aqui sobre os desenvolvimentos mais recentes.

 

No entanto, desde 2010, quando comecei por criar este blog, (e depois vários outros) já o fiz numa perspectiva de futuro, face à necessidade de defender o muitíssimo que trabalhei. Bem como a defesa de novas ideias que, forçosamente, numa sociedade evoluída, primeiro se estudam (com seriedade) dentro das instituições universitárias e depois vão passando para o exterior, a todos os que se interessam por saber mais:

Em especial por saber da História - a disciplina capaz de ajudar a pensar, e de localizar, na vida de cada um de nós, o carácter do tempo em que vivemos. E também, certamente, para conhecer o tempo que nos antecedeu, e forçosamente deixou marcas: o qual (esse tempo) é/foi sempre uma espécie de inconsciente colectivo, actuante, sobre cada um de nós.

Claro que estamos agora a aproveitar um período, sente-se no ar, em que esta mesma sociedade - excessivamente martirizada por grandes e por pequenos poderes (que permanentemente a têm apoucado e menorizado). Sim, vivemos num tempo em que se vê, claramente, ao olhar para trás, que o grande e o pequeno ladrão - como diz o ditado - nunca perderam qualquer ocasião...

Pior: infelizmente, constata-se que há lesados de muitas espécies, e de muitas origens, nesta nossa pobre sociedade!

Mas, avançamos, aproveitando para aprofundar o que o «digníssimo professor» quiçá, não leu? Ou se leu não entendeu... (e, «sabiamente», lembrando os piores alunos, ele calou).

 

Na p. 37 do nosso livro dedicado a Monserrate* está isto (escrevemo-lo em 2004, publicado em 2008): 

"Patrick Gautier Dalche ao legendar uma imagem medieval, realça o seu geometrismo: “…Les diagrammes (…) suivent une structure géométrique rigoureuse: ce sont des concepts illustrés et nom une représentation fidèle du monde"[1]. Também Luís Urbano Afonso referindo “diagramas medievais”, que apresentou em obra recente, designa-os - “...imagem cognitiva e mnemónica” [2], porque teriam função de ilustração e apoio à compreensão, de conceitos e ideias.

Por outro lado, e quer-se realçar esta ideia porque vemos os mesmos “diagramas” em casos diferentes, eles aparecem-nos como polivalentes; ou seja, permitindo admitir que neles está algo de essencial, ou ideia fundamental. Talvez a concepção de uma Beleza Primordial, à qual tudo se podia, e devia, submeter (ou “conformar”) - os meses, as estações do ano, o quente e o frio, as diferentes horas do dia[3]; enfim, tudo o que os homens medievais não compreendiam, e era para eles de ordem metafísica. “Encaixavam” o que os transcendia, nos diagramas, e como se pode ver, “sobrepuseram-lhes” várias temáticas."

Fiz copy paste, de modo a que as notas que acompanham o texto estejam já a seguir; e porque citamos tudo, podem ser conhecidas por todos, e também compreendidas. Acontece que a terceira nota (abaixo), foi escrita com base numa imagem que fotografámos directamente no livro - dentro do Instituto Franco-Portugais, na mediathèque, quando esta era na Av. Luís Bívar (podem ver abaixo essa imagem, confirmando que corresponde à descrição da nota nº 3).  

[1] Em artigo de Patrick Gautier DALCHE Manuscripts Enluminés des Bibliothéques de France, Le Moyen Âge en Lumière, sous la direction de Jacques DALARUN, Fayard, Paris 2002, p. 36.

[2] Ver em Luís Urbano AFONSO, op. cit., p. 93.

[3] Encontrámos um diagrama formado por 3 círculos que desenham uma Mandorla, em Manuscripts Enluminés des Bibliothéques de France,Le Moyen Âge en Lumière, p. 42, proveniente de Matfre Ermengaud, Bréviaire d’amour  Lyon, BM, ms.1351, f. 38r, com o seguinte texto a legendar: “La durée du jour et de la nuit dépend des saisons et de la latitude. L’encastrement de ces trois cercles traduit le rapport entre la division des heures et la durée du jour et de la nuit aux équinoxes (cercle central) et aux solstices d’hiver (cercle inférieur) et d’été (cercle supérieur)…". Julga-se que a estes diagramas atribuíam “virtudes”, que justificavam o seu emprego em vários casos.   

P1010001-C.jpg

E sem se esconder, a seguir a imagem completa, e a respectiva legenda (de cerca de 1292, como se explica aqui):

P1010001-B.jpg

Será que a nossa frase final - "Julga-se que a estes diagramas atribuíam “virtudes”, que justificavam o seu emprego em vários casos." - não merecia ser muito mais esmiuçada? Será que, sabendo Vítor Serrão (e Maria João Neto), do trabalho de Luís Afonso, abordando também os "diagramas medievais", não teve/não tiveram a menor curiosidade em questionar mais o tema?** Se o questionassem, se o ampliassem, por virem de meros alunos de mestrado, seria sinal de «fraqueza»? 

Os Doutorados, não podem nem devem, nas Universidades portuguesas, dar valor a estudos (prospectivos/exploratórios) feitos por estudantes, sem nivel? Estão a dizer que esses são «pessoal de meia-tigela» ? 

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*Ver em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008.

**Ou, será que apenas lhes interessa cumprir os mínimos? Ciência na FLUL é continuar o que se fazia nos anos 60-70, de 1900? Basta coleccionar fãs, viver para ter muitas "vítorettes" à volta, likes de Facebook? Por nós, só há dias ouvimos falar em ‘socranetes’... Daí perguntar-se: tem que ser tudo a mesma porcaria? É isto o melhor que o país tem? E ninguém se arrepende? Sonegar estudos (nos casos em que a lei exige a sua menção), e os respectivos resultados, pioneiros, quase há duas décadas, pode manter-se indefinidamente?  São crimes softs (ou «mansinhos»)? A Justiça tem que ser o que se vê? Até parece, mesmo, que nunca foi preso ninguém por roubar uma maçã?

Enfim, foi esta prática continuada (desde 2005, no mínimo) que nos fez marcar uma data a partir da qual acabava o silêncio: tendo nós a certeza, sem qualquer dúvida, que os agora injustiçados, também não se vão calar...

O que é muito bom!

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E no dia seguinte acrescenta-se o que «anda a bailar» na nossa sociedade há décadas. Aplicável no nosso caso, e ao comportamento do Digníssimo Professor acima nomeado, é o que Clara Ferreira Alves mostrou ser uma permanente falta de transparência... OIÇAM!


15
Abr 21
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... que há-de ter continuação!

CartaAberta_VSc.jpg

Antes de passar ao próximo post e a todos os que se hão-de seguir tratando a questão do Filioque [1] queremos deixar bem explícito:

O Senhor Professor Doutor Vítor Serrão (VS), diz que é “falsíssimo” o que escrevo, defendendo-se daquilo que publicamente o temos acusado – i. e., de esconder/não divulgar – os estudos feitos a propósito de Monserrate, entre 2001 e 2005, onde está uma importante descoberta.

Diz, repete-se, que nada tem a ver com a questão, e que sempre ajudou todos os alunos: 

"O que a senhora diz a meu respeito (aproveitando um debate sério em torno a questões transcendentes que por certo não lhe interessam) é falsíssimo ... e mais não digo. Sou militante de causas: sociais, políticas, pedagógicas, culturais. Sempre apoiei os meus alunos e combati as injustiças, e contra elas dei a cara na Universidade e noutros fóruns onde trabalhei." (ver aqui).

Razão para a carta que estão a ler:

1º Embora trazendo este assunto para a Praça Pública/Facebook, foi ele que «quis ser meu amigo». Ao contrário (eu), nunca o faria, por se tratar de alguém que me prejudicou – e está a prejudicar o país – muitíssimo.

2º Reconheço que deveria ter começado a divulgar este seu comportamento tão pouco profissional de Responsável do Instituto de História da Arte (IHA) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), logo em 2006, em vez de me ter ido inscrever, para fazer um doutoramento em Ciências da Arte na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL).

3º Foi de início, quando nos finais de 2005 falei com a Professora Doutora Maria João Baptista Neto (MJN) que não me abriu as portas, pelo contrário, a que fizesse o doutoramento na FLUL, que percebi o imenso incómodo que estava criado.

4º Perseverei e trabalhei muito entre 2006 e 2012 na FBAUL, «desorientada» pelo Professor Doutor Fernando António Baptista Pereira (FABP). Apostado, exactamente, em que (eu) chegasse a nada...

Mas VS e FABP são amigos de longa data (muito antes de haver Facebook), e sobretudo como Profs da Universidade de Lisboa, ambos com vasta experiência; portanto também conhecedores em «questões administrativas» que naturalmente se põem – até para o contexto internacional – quando há ou houver investigações que levem a resultados inesperados. Ao que se chama em Ciência Paradoxo Cientifico .

5º Este nosso testemunho seria infindável se entendesse incluir aqui outros detalhes que são relevantes para toda a questão. No entanto, deve ficar ao nível a que tenho tentado manter e  levar a situação. Mais: não baixar esse mesmo nível, e não entrar em discussões inúteis. Um professor universitário, ainda por cima catedrático, tem autonomia científica. E tem também naturalmente, autoridade cientifica. Foi isso que Vítor Serrão, nesta situação, entendeu não exercer. Porquê?

Temos várias hipóteses, mas só a consciência do Professor Catedrático VS saberá melhor qual é...

6º Para ir terminando:

Entendemos que autoridade científica não pressupõe autoritarismo.

Como acima já escrevi VS entendeu não a exercer; como entendeu ser «meu amigo do Facebook». O que achei muitíssimo bem, por ser a oportunidade de, com ele e todos os seguidores, estando todos ao mesmo nível, educadamente, e exactamente irmanados pelos mesmos objectivos, se poderem colocar estas questões. Objectivos que são:

Divulgar o que conhecemos, e aquilo a que temos amor, e lamentamos que os outros, e a sociedade em geral, ainda não conheçam. Para que assim, todos ao mesmo nível, haja divulgação e debate. Livre dos constrangimentos, que os «entendimentos» mais autoritaristas não permitem dentro das escolas e academias.

Estou, certamente, bastante mais próxima de Vítor Serrão, do que muitos dos «convivas do Facebook» possam imaginar [2]. Aliás, uma rede social pode ser benéfica, e é por isso que aqui estou, incluindo (ou principalmente para) divulgar as minhas ideias.

No entanto, a minha proximidade e muito do que aprendi com VS, e ainda com outros Profs da FLUL ou da FBAUL (bem como tudo o que vinha de trás da minha formação e prática profissional como projectista), leva-me a considerar – e considero inaceitável – impróprio de quem tem a referida autoridade científica, o silenciamento do que encontrei [3].

Ou melhor dito – daquilo que se encontrou – num trabalho que também é de equipa entre orientadora (MJN) e orientanda.

Mais, estando agora VS a querer pugnar pela protecção e não vandalização dos bens patrimoniais através de uma Carta de direitos e deveres do património histórico-cultural português {Carta de direitos e deveres do património histórico-cultural português} julga-se que não deveria estar a empregar para este efeito a palavra iconoclasma.

Porque vandalismo, ou uma certa fúria contra as entidades que (sem outras alternativas legais...) nos têm posto em «prisão domiciliária» a pretexto da Pandemia, não se deve confundir com as questões iconoclastas, algumas muito bem localizadas no tempo (passado) histórico.

É que a adoptar-se este termo, é também completamente iconoclasta a posição de VS (a sua) quando esconde o que se achou inesperadamente, e à ilharga do tema principal dos estudos dedicados ao Palácio de Monserrate, em Sintra.

Estudos de que guardarei sempre, óptimas memórias, até ao dia da defesa da tese. Em 31 de Janeiro de 2005 quando se percebeu que (VS) o Presidente do Júri, e apesar de me terem sido feitos vários grandes elogios, e dada a nota máxima; VS passou à posição de negação relativamente a questões que entretanto tinham passado a ser centrais – interessantíssimas e inovadoras – no contexto do trabalho feito.

Em nossa opinião é sem dúvida mais interessante, e útil, ajudar a fazer luz sobre questões que o tempo, e sucessivos esquecimentos - a par de «metodologias desfocadas», e investigações pouco sérias - tornou obscuras: do que querer/conseguir travar, com Cartas e Declarações, as massas enfurecidas e cansadas, de estarem confinadas.

«Gente» que não se comporta como pessoas, e que, ignorantes que são, se vão vingar nos Símbolos Nacionais, ou vandalizar peças patrimoniais.

Em conclusão: as posturas desses não são muito diferentes da sua, quando desvaloriza (em seu único beneficio) trabalhos de outros; que são de enorme qualidade em qualquer outra faculdade do mundo, à excepção do IHA da FLUL.

A minha postura, que é a oposta à sua - é/será sempre (salvo raríssimas excepções) -, que não se esconda e se ensine, para que as massas, crescentemente, possam ser elucidadas!    

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[1] É a questão teológica que «formalmente» (ou violentamente, a partir de 1054) esteve na base da divisão da cristandade ocidental e oriental: conhecida em geral como Cisma do Oriente. Em Monserrate uma Nova História, trabalho de que somos autores, como se pode ver a Google Books estudou-o, e segundo indica a palavra filioque está sete vezes no nosso texto. Porque este tema teológico é imenso, consideramos - salvo melhor opinião - que o resumo que se escreveu em 2004, embora se possa sempre ampliar, continua válido.

A imagem a seguir é o excerto de um livro de Edward Norman, The Roman Catholic Church, An Illustrated History, Thames & Hudson, Londres 2007, p. 36, onde se fala na questão do Filioque (para ler abrir noutro separador)

Edward Norman, 2007, p. 36.jpg

[2] Apesar de termos metodologias de estudo totalmente diferentes: VS é o estudioso da Torre do Tombo e de todos os registos: sejam de baptismo, casamento, vendas ou aquisições. Tem todo o mérito. Só que tratando-se de Artes Visuais, parece-nos, é essencial poder/saber ler as imagens? 

Quanto a nós, o que nos fascina são as obras que foram produzidas. As suas imagens icónicas (i. e. representativas ou naturalistas), mas principalmente, e em todas as obras, as imagens anicónicas: i. e., as que são em geral chamadas abstractas. E ainda, todas as que ninguém quer estudar a pretexto de «serem geometrismos». Ora geometrismos abstractos, também os há, e não são poucos, nos desenhos das letras do alfabeto. Cuja origem, se nos déssemos todos ao trabalho de as estudar, ficávamos a saber que um dia também foi icónica (ou pictográfica, como é mais comum dizer-se). Formas que se encontram lá muito atrás, no alfabeto fenício, ou quem sabe (?), ainda antes, na escrita hieroglífica - na fase designada demótica – do Egipto.

E já agora, para haver mais clareza, se hoje o alfabeto que usamos é composto de caracteres abstractos, esse facto tem pouca importância para a leitura; porque esta é silábica/fonética (o mesmo que sonora). Enquanto a maioria das imagens ditas abstractas e geométricas - antigas caligrafias, transformadas, ampliadas e plasmadas nas obras (e ainda postas  tridimensionalmente, à escala das edificações). Essas imagens a que os historiadores, sempre (intrigados) chamaram formas -  razão para o título de um livro de H. Focillon - A Vida das Formas; essas imagens funcionaram sempre como ideogramas.

Resumindo, são (hoje) duas escritas totalmente diferentes: A alfabética é sonora (b+a=ba). A de base geométrica é ideográfica. Não se devendo esquecer que a Geometria é, provavelmente, um dos Saberes (ou ciência) mais antigos.

Voltando às (nossas) diferentes metodologias - VS só acredita no que encontra escrito, directamente (escarrapachado!). Enquanto no nosso caso, ao percebermos que se está perante ideogramas, também fomos percebendo (aos poucos, e com bastantes leituras, em áreas que hoje são cientificamente, das Histórias da Igreja e das Histórias dos Dogmas), que essas «formas ideogramáticas» eram resumos de ideias.

E aqui lembra-se que imagens que são resumos de ideias,  são em geral designadas símbolos. Mas, no nosso caso, não fazemos questão no uso do termo símbolo. Evitando-o aliás, propositadamente, para não se confundir com os Símbolos da Fé (ex. Símbolo dos Apóstolos, ou Símbolo de Niceia-Constantinopla, etc).

[3] E não colhe a ideia de que VSFABP, ou menos ainda MJN, não tenham percebido o que se encontrou... Nem estamos sequer, já agora (em 2021), perante uma visão que continue a ser exclusivamente nossa, pessoal e subjectiva. Chegámos lá primeiro, à percepção de que a História da Arte antiga é/foi, principalmente, uma Iconoteologia. O mundo roda e evolui, e a História da Arte também. Mais, se numa primeira fase, eles - VSFABP e  MJN estiveram fascinados com o que estava a vir ao de cima. Também aconteceu que eles mesmos, gradualmente, viram o imenso alcance das nossas ideias. Por isso silenciaram e mandaram calar, estrategicamente.

Portanto, frases como “não diga que...”, “não fale em...” ou o “ponha para trás..., esconda, esconda isso lá no fim...!”; ou ainda a "não vai fazer uma História da Arte...", foram-nos repetidas, demasiadas vezes.

No entanto acontece que, estrategicamente, também nós considerámos muitos factores - sobretudo o tempo:

Muito disto passou-se (começou a passar-se) há quase 20 anos.

Um tempo imenso, que nos permitiu, mais do que consolidar as principais ideias: um tempo que já nos fez escrever (não há muito tempo, sem ter nada a perder), este comentário:

"Todos estamos sempre a tempo de fazer o nosso melhor. Sou muito exigente comigo, e por vezes também com os que considero deverem ser igualmente exigentes consigo próprios"

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Acrescentando-se hoje (20.04.2021), que continuamos activos em todos os nossos blogs, e em:

BienFaire Et LaisserDire | Facebook


12
Abr 21
publicado por primaluce, às 14:30link do post | comentar

A Arte, como hoje em geral se entende, tem muito pouco a ver com o passado.

Mais, não esqueçamos que muitas obras de Arte foram/são resumos visuais...

 

A maioria dos que se interessam por Arte - e podemos até chamar-lhes Art Lovers - actualmente desconhece os objectivos que estiveram na origem de muitas das imagens e dos produtos culturais a que hoje têm um enorme amor.

A maioria desconhece que grande parte desses «produtos» - pintura, escultura, arquitectura, ourivesaria, vitrais - eram como resumos (visuais) daquilo em que se devia acreditar e praticar.

A Arte, sobretudo a Arte mais antiga, tinha um carácter informativo/pedagógico (que ainda agora se pode ler nas obras produzidas Vejam este exemplo); e logo depois de informar, as obras queriam ter, sobretudo, um sentido moral e apologético.

Por exemplo, muitos túmulos medievais, nas paredes das caixas que as arcas tumulares constituem, têm emblemas (significantes) e ainda aquilo a que agora (nós) chamamos Arcarias Apologéticas.

Hoje, nos próximos dias, e sabe-se lá durante quanto tempo mais?, vamos ouvir falar de Sócrates... 

Não daquele que prometeu a si mesmo buscar a verdade, como origem da felicidade*; mas daquele, nosso contemporâneo, que anda por aí a desatinar as mentes, e o direito, desviando todos do mais essencial.

Como estava no Diário de Notícias de ontem (ler dessa capa), a frase "A Política ama a traição" , revela toda a ignorância - para não dizer a máxima loucura! (quem diz isto não pode estar bem, menos ainda se almejava vir a ser Presidente da República?) - que habita a mente dos actuais dirigentes políticos...

É uma frase que mostra, descaradamente, não ser o bem-fazer aquilo que os preocupa (a muitos dos políticos); mas sim o vencer dos jogos (políticos) que eles próprios criam!

Claro que esta dedução a que se chega - vinda de uma frase estampada na capa de um jornal que muitos lêem - também nos conduz, pelo que temos estudado de Arte (antiga), à visão de Jacob Burckhardt: 

Alguém que tendo uma visão integrada da Cultura, também via na Política (leia-se/entenda-se na governação da Polis**), J. Burckhardt viu na Política uma verdadeira Arte. 

E na capa (de um livrinho) que se segue - pode-se ler - também são referidas a intriga, a corrupção, e a traição...

Mas lendo-o, ou apenas folheando (o pequeno livro), encontra-se logo aquilo que a História, particularmente a da produção artística, também informa:   

"The most elevated political thought and the most varied forms of human development are found united in the history of Florence, which in this sense deserves the name of the most modern state in the world. Here the whole people are busied with what in the despotic cities is the affair of a single family. That wondrous Florentine spirit, at once keenly critical and artistically creative, was incessantly transforming the social and political condition of the state, and as incessantly describing and judging the change. Florence thus became the home of political doctrines and theories, of experiments and sudden changes, but also, like Venice, the home of statistical science, and alone and above all other states in the world, the home of historical, representation in the modern sense of the phrase."***

capa-Burckhardt2.jpg

DN-11.04.2021.jpg

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*Como explica Pierre Magnard numa entrevista ao Canal Académie

"...Platon en 387 av.J.-C. rentre d’un long exil. A la mort de Socrate, il s’était en effet "rangé" à Mégare et de là, avait effectué tout un périple jusqu’en Perse, pour prendre du recul, pour s’interroger sur tout ce qu’il avait vécu. Car Socrate avait allumé en son coeur la passion de la vérité, ce en quoi Socrate avait rompu avec ses prédécesseurs préoccupés seulement de la quête du bonheur. Socrate, lui, cherchait la vérité. Il s’agit non pas de savoir comment vivre pour être heureux, mais pourquoi vivre."

** A República - Politeia, Platão. Tradução, prefácio e notas de Elísio Gála, Guimarães Editores, Lisboa 2005. Ver na p. 129, sobre a procura de uma ciência para:

"...a melhoria das relações consigo mesma e as outras cidades?" (...)

- Essa ciência é a da vigilância ou governação e encontra-se naqueles governantes a que agora mesmo demos o nome de guardiões no pleno sentido da palavra. 

- E que nome aplicas à Cidade devido a essa ciência?

-  O de ponderada e sábia de verdade.

*** The State as a Work of Art, por Jacob Burckhardt, Penguin Books, London 2010, ver na p. 74.


11
Abr 21
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... de quem, em post anterior, se aconselhou um trabalho.

Agora ficam mais algumas informações vindas dos editores:

Murray-DictOfArtb.jpg

Sendo FSA Fellow of the Royal Society of Arts, a instituição conhecida actualmente como RSA.  


09
Abr 21
publicado por primaluce, às 12:00link do post | comentar

Neste artigo que recebi (obrigada ao João R) no meio encontrei uma frase muito apropriada*:

 

"... ou seja, a não ultrapassar aquele limite entre o que é sofisticado e interessante e o que é brega e desesperadamente à procura de likes e seguidores. Estou grata a todos os meus alunos."

Óptimo resumo que vem ao encontro do que tenho pensado (recentemente) à volta do verbo "Gabar". O mesmo que nos dá aquelas pessoas a quem se reconhece um elevado "Gabarito Intelectual" **.

Mas também - supondo que é ainda a mesma origem (aqui dá jeito) - o nome que se dá aos pobres coitados que há/havendo falta de melhor, e se ninguém os elogia, passam a vida feitos Gabarolas!

E aqui, tem-se a certeza, absolutinha, que há neste instante quem diga: "Olha quem fala!"

Dizem, dirão, julgarão... porém, o nosso único objectivo - geralmente exerce-se com uma arma (e esta, a escrita, que está agora a ser a nossa***) - é legitima defesa.  Sim é em legitima defesa que andamos a gastar/perder tempo nas redes sociais. 

Desde 2010, passámos a aproveitar algumas das vantagens que têm

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*Apropriada para nos fazer reflectir, qual verdadeiro aviso.

**Aparentemente, "gabarito", não sei se tem a mesma origem?

***Embora já tenhamos usado outras armas, para caricaturar, troçar, ou mesmo o comunicar à obra detalhes a realizar

E tudo isto serve para...?

Para sublimar, serve para denunciar: e embora demasiado soft, serve ainda para não calar sobre a podridão que nos rodeia... Assim foi também em 2010 que se adoptou como lema: "bien faire et laisser dire


06
Abr 21
publicado por primaluce, às 14:00link do post | comentar

Diz o provérbio...

 

Mas também nos disse, um dia, um grande «taxonomista»:

 

"Glória, as mulheres são uma onda, mas os homens é que organizam!"*

 

Assim (como está no título), é neste contexto - o de uma sociedade dividida entre feminino e masculino, bem como de outras questões, minúsculas, muito características dos povos desenvolvidos (e do estádio em que ainda nos mantemos...) - que hoje deixamos um óptimo exemplo de bibliografia dedicada à Arte Cristã.

 

E já agora, pois é incluído no fim (ver na p. 635) o conselho dos próprios autores - Peter e Linda Murray - do que aprenderam com os seus mestres. Chegando ao ponto de também eles o quererem transmitir aos que os lêem:

Com a intenção, quem sabe, de ser um passa-palavra, uma ideia ou um testemunho, cuja transmissão não se devesse interromper?

Murray-DictOfArt.jpg

PETER & LINDA MURRAY.jpg

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* Assunto de que já escrevemos, ... e há muito tempo!  Esquecendo-se - é provável ou é propositado? - tal como continuam todos a esquecer, que já não estamos nos anos 60. Que os cérebros femininos ou masculinos já são agora igualmente bons a pensar, e a fazer Ciência. E não são um superior ao outro. Pelo menos até ver ...?

Como se esquecem que a Arte é obra/concepção humana, e não de Deus. A Arte (de que aqui se fala) não é a Natureza! Não são as espécies animais...! Embora muitas analogias ajudem a pensar (e a energizar o pensamento - tal como as imagens sempre fizeram), o darwinismo na Arte já foi... É coisa passadíssima!

Portanto..., fortemente provável - dizemos nós - terá sido de Deus e da Cultura Cristã, que veio a inspiração e também as formas, que se vêem plasmadas nos valores culturais, e patrimoniais, mais antigos  


27
Mar 21
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

É que se as há bem-vindas, e bem-aparecidas*, também há outras... Oh susto!

 

Pois! É que é mesmo ao próprio susto que metem medo

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Mas assim, senão vamos todos para o mesmo lado, e não temos todos o mesmo gosto, pelo menos tem uma vantagem:

O mundo não tomba! E o barquinho deste D. Carlos** não se vira!

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* Caso da estátua de Camões que antes se referiu

**E este D. Carlos (de tão básico ou feioso que ele é) pode fazer-nos lembrar a abstracção, as alegorias, a simbolização, e a emblematização. Em suma, os recursos artísticos que sempre se usaram para fugir às representações em que o naturalismo, não seria a melhor solução...   


24
Mar 21
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

Não só o do Pedro Falcão, mas o meu... sobretudo!

 

E hoje, vista vazia, dá para gozar.

Neste caso um pavimento - foi long, long ago - que o desenhei. 

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IMG_20210324_131707.jpg

E que apesar de todo o conjunto ter sido já muito mexido, ainda sobra qualquer coisinha:

de uns estudos nossos feitos para o atelier Gil Graça

Quando no fim - e fica agora porque finalmente (desobstruída) se pode ver! - apareceu uma super-maravilhosa estátua, que veio «completar» a Praça.

IMG_20210324_131631.jpg

Nunca percebi se o autor era/é conhecido?

Verdade é que saiu de um armazém de Mafra - provavelmente de dentro do próprio Convento? - quando se andava a tentar desenhar uma fonte, que celebrasse os Amores de Camões... 

E esse esboço da fonte está, aliás, na nossa maquette: feita de amor e carinho, ou, «à minha moda», para tentar visualizar o que no fim poderia vir a ser?

Se essa rua fosse minha...eu mandava calcetar


22
Mar 21
publicado por primaluce, às 12:30link do post | comentar

Melhor dizendo, num tempo em que até para as pessoas terem saúde e se vacinarem, é necessário desencadear acções de marketing e de propaganda, o referido estudo que fizemos de 2001 a 2005, no IHA da Fac. de Letras de Lisboa, para todos os efeitos**, continua escondido por Vítor Serrão (...)

 

Senão vejamos. Chegou-nos este estudo

VÍTOR SERRÃO.jpg

e dentro dele, sobre o que são valores patrimoniais-culturais, diz-se a certa altura:

"Além de evidentes veículos educacionais, símbolos da história, do génio artístico e dos costumes de um povo, os bens culturais nacionais são também importantes recursos do país."

Mas, já agora, e também porque não estamos aqui para esconder nada:

1. na FLUL agradecemos sempre o apoio que nos deram, quando o mesmo existiu. E tivemos motivos (imensos) para nos sentirmos mais do que realizados; concretamente, quando as nossas investigações deram resultados absolutamente inesperados e fascinantes.  

E (ainda), 2. do referido estudo relativo à Avaliação do Valor Económico e Social do Património (acima), coordenado por Catarina Valença Gonçalves, retira-se o contexto - mais amplo - da citação (ver na p. 27):

"I.1 O Sector Patrimonial em Portugal

I.1.1 Introdução

O legado histórico de Portugal, nação com quase nove séculos de existência, traduz-se hoje numa herança patrimonial diversificada, de significativo valor artístico, cultural e natural: entre manifestações materiais e intangíveis, o património cultural português é constituído por um universo heterogéneo e abrangente, que responde a uma longa evolução dos conceitos patrimoniais e se assume como força motriz da identidade e cultura nacionais e factor fundamental do desenvolvimento económico e social. A par de um longo e progressivo reconhecimento dos valores culturais da nação – do estudo à protecção e à divulgação – que, em cada época, foram valorizados de forma distinta, mas sempre cumulativa, o conjunto dos bens culturais que hoje representa o universo patrimonial do país, constitui também um elemento distintivo local ou regional e um importante factor de atractividade dos territórios. Além de evidentes veículos educacionais, símbolos da história, do génio artístico e dos costumes de um povo, os bens culturais nacionais são também importantes recursos do país. Não obstante a conotação material que a palavra “recurso” muitas vezes assume, a herança patrimonial (enquanto conjunto de bens culturais distintos na sua natureza e dispersos na sua geografia) constitui efectivamente um importante recurso nacional, em múltiplas vertentes: histórico, artístico, científico, ecológico e económico. Acresce que, do ponto de vista económico, os bens culturais são (regra geral) bens heterogéneos (únicos) e intransmissíveis (fixos), cujo valor de mercado não é concretizável e cuja natureza geográfica constitui um factor distintivo. Isto é, encontram-se dispersos de forma aleatória pelo território e fazem parte de uma herança não deslocalizável: constituem, portanto, importantes recursos endógenos , tanto de âmbito local, como nacional."

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* E tudo o que o mesmo inclui (embora descoberto por acaso)

**Ou, para os efeitos que normalmente levam a que haja ensino, e que algum dele seja superior. Ou ainda, que no âmbito do mesmo se faça investigação... Sendo que, obviamente, não é para silenciar os resultados.

Ou seja, apesar de publicado, não é por simplesmente ser mais uma capa, ou mais uma lombada numa estante, que um estudo, por melhor que seja, influi nas lógicas - no modo de agir, ou no enriquecimento cultural - de um país. O que descobrimos, graças a Vítor Serrão, infelizmente - e para maior pobreza do país -, não é para esta geração...   

 

S·T·T·L 


11
Mar 21
publicado por primaluce, às 18:30link do post | comentar

De Marcel Proust, sobre o ler, terminando com a ideia de: "...sabemos apreciar os traços de cada um deles (...) pois é um grande prazer para o espírito distinguir pinturas profundas  e amar com uma amizade sem egoísmo, sem frases, como dentro de nós mesmos." 

Ler-MarcelProust.jpg

"Dans la lecture, l’amitié est soudain ramenée à sa pureté première. Avec les livres, pas d’amabilité. Ces amis-là, si nous passons la soirée avec eux, c’est vraiment que nous en avons envie. Eux, du moins, nous ne les quittons souvent qu’à regret. Et quand nous les avons quittés, aucune de ces pensées qui gâtent l’amitié : Qu’ont-ils pensé de nous ? – N’avons-nous pas manqué de tact ? – Avons-nous plu ? – et la peur d’être oublié pour tel autre.

Toutes ces agitations de l’amitié expirent au seuil de cette amitié pure et calme qu’est la lecture. Pas de déférence non plus ; nous ne rions de ce que dit Molière que dans la mesure exacte où nous le trouvons drôle ; quand il nous ennuie nous n’avons pas peur d’avoir l’air ennuyé, et quand nous avons décidément assez d’être avec lui, nous le remettons à sa place aussi brusquement que s’il n’avait ni génie ni célébrité.
L’atmosphère de cette pure amitié est le silence, plus pur que la parole. Car nous parlons pour les autres, mais nous nous taisons pour nous-mêmes. Aussi le silence ne porte pas, comme la parole, la trace de nos défauts, de nos grimaces. Il est pur, il est vraiment une atmosphère. Entre la pensée de l’auteur et la nôtre il n’interpose pas ces éléments irréductibles, réfractaires à la pensée, de nos égoïsmes différents.
Le langage même du livre est pur (si le livre mérite ce nom), rendu transparent par la pensée de l’auteur qui en a retiré tout ce qui n’était pas elle-même jusqu’à le rendre son image fidèle, chaque phrase, au fond, ressemblant aux autres, car toutes sont dites par l’inflexion unique d’une personnalité ; de là une sorte de continuité, que les rapports de la vie et ce qu’ils mêlent à la pensée d’éléments qui lui sont étrangers excluent et qui permet très vite de suivre la ligne même de la pensée de l’auteur, les traits de sa physionomie qui se reflètent dans ce calme miroir. Nous savons nous plaire tour à tour aux traits de chacun sans avoir besoin qu’ils soient admirables, car c’est un grand plaisir pour l’esprit de distinguer ces peintures profondes et d’aimer d’une amitié sans égoïsme, sans phrases, comme en soi-même.”

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