Inspirado na Nova História (de Jacques Le Goff) “Prima Luce” pretende esclarecer a arquitectura antiga, tradicional e temas afins - desenho, design, património: Síntese pluritemática a incluir o quotidiano, o que foi uma Iconoteologia
21
Set 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

Se, de 2001 a 2004, o que escrevemos sobre Monserrate, guiada por alguns, é muito certo, mas sobretudo - nas minhas maiores teimosias (thanks God**) – guiada pela minha própria cabeça...

Monserrate-books

E se (o que acima se escreveu...), então consequentemente parece*** - ainda agora parece... -, que faz algum sentido continuar a acreditar nela: i. e., faz sentido calçar os sapatinhos, preparar os olhos (e por extensão os óculos e a máquina fotográfica). Sobretudo há que preparar a dita, que é a cabeça, e ir.

Mas ir fazer o quê?

RE: Ir ver! Pois - "quem quer vai, quem não quer manda"...

E por isso fomos. Foi o que ontem fizemos, e soube tão bem!

Quer pelo que vimos: o foco da nossa procura

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Mas também por poder estar, sentir e respirar, num dos sítios mais bonitos de Lisboa

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*Este post feito sobretudo de imagens é relativo ao fascínio que algumas obras podem exercer sobre quem as vê: concretamente ao perceber como Henri Matisse usou sinais religiosos antiquíssimos, cuja existência (e significados) conhecia, e os actualizou. Pondo-os ao seu gosto, e ao do seu próprio tempo, que dessa maneira estava a ajudar a definir.  Claro que, em muito diferente, nos faz lembrar o Movimento da Renovação da Arte Religiosa, e a igreja - muito marcada pela influência da arquitectura inglesa sua contemporânea -, do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.
** O que deu resultados fantásticos. Sendo que esses resultados, no que têm de mais genuíno (nosso/meu) para algumas pessoas, agora «esses mesmos» querem ser donos (como há dias escreveu o próprio Vítor Serrão) daquilo que considera ser um valor prestado à comunidade. Não se lhe referiu nestes meus termos, mas nos seus, escrevendo:

Cara Glória, o debate intelectual é sempre aberto e possível... e desejável, pois abre portas de saber. Publicar e dar testemunho de pesquisa é um dever que a todos incumbe neste campo da H. Arte . (... mas não é verdade que os saberes sobre o monumento e Knowles avançaram ? não é de se saudar isso ?)“.

Ver aqui, já que foi ele que o registou; coisa rara, e que me lembre, nunca vista?

Sendo mais elucidativos ver ainda aqui o contexto em que o fez. Lamentando nós que nunca o tenha feito no local próprio, e no tempo certo: i. e., antes de um editor ter publicado o nosso trabalho; ou de ser necessário recorrer aqui à internet, e às redes sociais, para se mostrar - e mesmo assim muito mal, já que não é o fórum mais adequado - uma série de importantes descobertas feitas em contexto de investigação científica, universitária, que o seu IHA da FLUL tem silenciado (desde 2002).  

*** E quando (eu) estiver tontinha, demente e senil, espera-se (agradecendo desde já) que haja uma, ou várias almas caridosas, quem avise! Até lá...  vamos usando a nossa cabeça - que os sapatos levam -, e vamos pensando. E,  se acharmos que faz sentido, dizemos publicamente, ou escrevemos. Depois, quem quiser contrariar, ou até mesmo perseguir – como para alguns parece ser isso o mais importante (!) – que havemos de fazer? Se é a mentalidade vigente, a «vigorar» tal como se nos apresenta.

E isto não é vontade de dizer mal de um certo funcionalismo público, muito específico. É a nossa sensação: é o que nos têm feito sentir!


19
Set 19
publicado por primaluce, às 17:00link do post | comentar

... assuntos mudados, enigmas desvendados"

 

Podia ser um novo provérbio, vindo ao encontro da necessidade de renovação que vai na Historiografia da Arte.

Não sei se em todo o Portugal?, mas enfim, em certas escolas: das Belas-Artes à Fac. de Letras, tudo isto da Universidade de Lisboa.

Porque, tal como o país, as faculdades da capital funcionam em slow motion. Embora, com "Os Donos de Tudo Isso" muito convencidos de que são moderninhos. Pelo contrário:

E na verdade, como são mesmo donos, só por lá passa quem eles querem, e como eles querem: tão antiquado quanto possível!

Porque o arreigamento, e a vontade que têm (de não mudar nada - lá está a contradição), levam a que pensem que isso é o futuro; do que acham que é só deles, esquecendo-se, propositadamente, de que é do país...

E assim prolongando a mentalidade que tinham, para aí desde 1971, já que essa é a regra!

No entanto, como registámos - há uma ou duas horas, no facebook -, estão aí bem fortes, claríssimas, ideias que têm estado pouco divulgadas (e agora descobriram).

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E por isso já lá estão, alguns dos acabados de chegar, postos na primeira fila, armados em papistas, a proclamar a mudança*.  Basta vê-los, para se constatar como tudo isto é anedótico... O que mudam de repente...

E essa mudança será o futuro? Uma tradição antiquíssima (facto que ainda escondem - , nem sequer o dominam...), mas agora, e porque dá dinheiro, faz-se novidade total?

Ficam as perguntas, dirigidas à superficialidade vigente, e aos "just arrived", porque a nossa velocidade é a de cruzeiro; a de quem faz o caminho com os seus próprios sapatos, que a cabeça escolhe/escolheu, para o conforto da passada.

E, continuando, vá-se lá saber porquê (esta questão anda connosco há décadas?**), então vamos lá atrás, aos bois e a um postal minhoto dos anos 1990, que o comprámos e escrevemos, pela graça do cenário:

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Um cenário onde pouco ou nada sabíamos dos detalhes, mas que agora não nos surpreendem:

No detalhe, um jugo de bois - como já JOAQUIM DE VASCONCELOS tinha evidenciado -, com Iconografia Medieval. Isto é, com as mesmas argolinhas de Paço de Sousa e de Coimbra; iguais às do Túmulo de Egas Moniz e às que se vêem na Sé Velha, logo à entrada***.

Minho-JugoBois-detalhe.jpg

E ainda, se repararem com muita atenção, verão que essa ICONOGRAFIA do jugo dos bois é igual à desta janela, que é francesa, como se mostra a seguir em detalhe (com as argolas rodadas), para se verem na mesma posição.

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*E se ontem escondiam e não aceitavam, hoje já se armam em mandantes da mudança!

**Damos um prémio a quem explicar a razão...

***Insiste-se, damos um prémio a quem explicar o motivo de estas imagens nos perseguirem.


12
Set 19
publicado por primaluce, às 00:30link do post | comentar

... desde meados de 1987-88, que começámos a trabalhar sobre Monserrate

 

Primeiro na Associação Amigos de Monserrate, depois na Faculdade de Letras (a partir de Out.-Nov. de 2001)

Só que aí começou uma verdadeira saga. Porque investigações feitas a sério, podem trazer resultados inesperados.

E assim foi, embora também a sério, posta fora da FLUL, impedida de aí fazer o doutoramento, e desprezada (por ser de um género menor...) na FBAUL por FABP!*

Enfim, materiais não nos faltam, desde (1) o que descobrimos, a (2) o que outros nos foram mostrando de eles próprios: como personalidade, (falta de) carácter, e as inúmeras razões para a (imensa) mediocridade de um país...

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*Alguém de cujo profissionalismo vamos sempre ter muito para relatar, incluindo as pirosadas que lhe ocorriam, para nos demover dos estudos em que estávamos absolutamente dirigidos. Prova disso o Entrecho que logo produzimos na entrada em Belas-Artes (em Maio de 2006).

 


10
Set 19
publicado por primaluce, às 20:00link do post | comentar

Como aliás este artigo nos relembrou


09
Set 19
publicado por primaluce, às 00:00link do post | comentar

... ou como foi ocupando a nossa vida, desde 1987  [que é como quem diz, já quase vai em metade! (*1)]

 

Se forem ao nosso post do dia 7, e depois sempre a recuar, há muito que se pode e se há-de encontrar, desde Monserrate quando não era mais do que imagens incompreensíveis; até que muito mudou, passando a ser compreensível, e altamente falante.

Começa-se pela fotografia que regista círculos, apostos sobre a fachada do Palácio sintrense:

Os quais, para Maria João Baptista Neto (nossa orientadora de uns estudos feitos num tempo em que devêramos ter juízo, e não ir atrás de «criadoras de balelas»...*2), esses círculos teriam sido falantes; constando daquilo que eram para si (para a dita «sra. prof.», suposta orientadora) "As Origens do Gótico".

Mas enfim, as ditas "balelas", tornaram-se em sucessivas fontes e poços, repletos de informações.

Hoje interessantes e úteis, potencialmente, para todas as áreas da Cultura (e para muitas áreas científicas). Dizemos nós...

E assim podemos continuar - muito à base de imagens - a contar esta história que está cada vez mais longa, e antiga.

Em 2001, naturalmente, e sendo a curiosidade um motor poderoso, decidimos ir ver o que tinham tido, de tão especial, os Godos (Ostrogodos e Visigodos) para isso os ter levado a criar um Estilo.

[Só que primeiro foi um Símbolo, embora não visual, como todos julgam ser o único sinónimo de sinal...].

Foi então (2001-2), que quase sem dar por isso, começámos a ler sobre TEOLOGIA, e também a escrevinhar nas margens dos papéis, e em muitas folhas de apontamentos, dos nossos estudos. Nessa altura valeu-nos a New Advent Catholic Encyclopedia, e a sua explicação do FILIOQUE (sobretudo ao alertar para o nível de abstracção que sempre esteve em causa...)

Já tínhamos feito imensos gatafunhos/garatujos ou doodles - o que lhes queiram chamar. O certo é que, alertada pela New Advent Encyclopedia olhámos para eles. Eram semelhantes aos da imagem seguinte.

Mas nesta, o 1º esquema não é nosso (ver aqui - num post muito recente que dedicámos ao assunto);  acontecendo que o Professor norte-americano que o fez - esse e vários outros esquemas -, de certeza que ignora o modo como estas imagens esquemáticas estiveram na origem das formas dos estilos de arquitectura antiga, e tradicional, europeia, de raiz religiosa.

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Porque, e isto parece-nos óbvio, caso não o ignorasse (isto é, se ele o soubesse), então para melhor expor as suas ideias, claro que teria ido buscar as referidas formas da Arquitectura; assim como as que estão em todas as outras áreas artísticas. Para depois, com esse apoio visual, explicar aos seus alunos, as (hiper) subtis diferenças teológicas que existem entre os também diferentes Credos, ou Símbolos da Fé.

Acima as imagens 2, 3, e 4 são nossas, sendo que 2 é uma adaptação de 1.

A nº 3, encontrámo-la em casa, num documento antigo, e quase em simultâneo na edição de 2000, Oxford University Press, do  dicionário de Arquitectura de James Stevens Curl.

Depois a imagem (ou o esquema) nº 4 é um «8» deitado, que a partir de muito cedo - vê-se numa patena francesa do início do século VI - passou a representar Deus, o Infinito.

Mas essa mesma representação do Infinito, como está acima no esquema nº 3, chegou - mais do que certo (e talvez ainda com o seu significado conhecido?) - ao século XX.

É que ao estar no átrio da Fundação Calouste Gulbenkian, no painel Começar, de Almada Negreiros (ver aqui), é inacreditável, nós não acreditamos!,  que Almada desconhecesse o seu significado ancestral.

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Tal como há dias escrevemos, num post a propósito de Sarah Affonso e de uma pintura sua - que podendo parecer muito menos do que é - pois na verdade é anagógica (a elevar, ou como que a puxar para cima); já que era o céu e o infinito que ambos (aqui o casal Sarah e Almada) várias vezes pretenderiam evocar...

Fizeram-no através de registos, tão específicos quanto concretos (ou significantes), que ambos deixaram nas suas obras. Fizeram-no - como muitos outros do seu tempo -, ainda, e neste caso, com o mesmo sentido que tinha sido dado às Ogivas. A designação que é sobretudo associada a uma forma (dita ogival), e não ao verbo latino "augere". Que significa elevar-se, ascender na direcção do auge.

Para isso usaram sinais que alguns designam como sendogeométricos, mas que para outros são designados abstractos. Por fim, e não tardará a acontecer (dizemos nós), para a totalidade das pessoas eles serão, supostamente, insignificantes.

Um dia serão vistos como umas «verdadeiras tralhas» que se punham nas obras, sem que com elas, pouco ou nada se estivesse a acrescentar! (*3

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No futuro, só se entenderá a referência ao FILIOQUE que é feita por Almada Negreiros, na igreja de Fátima, em Lisboa, nos vitrais que são completamente icónicos... Nunca nos Arcos Quebrados - que aliás são o mote estrutural da obra - porque a sua imensa economia visual, de tão resumida se tornou definitivamente abstracta; e portanto incompreensível 

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(*1) Antes, entre muitas outras coisas (é o que hoje se depreende) estivemos a preparar o que se iria fazer depois, anos mais tarde. I. e., a preparar o que exige multidisciplinaridade, prática de visão e compreensão da composição... 

(*2) Mas fomos. Sendo que logo que pôde, «a dita» teve o desplante de nos mostrar o engodo que criou. Pois afinal, depois de encontradas as suas tão almejadas "Origens do Gótico", nunca mais a questão lhe interessou... Até que, numa primeira fase impingiu assunto Monserrate aos mais próximos, chegando à exposição que foi inaugurada em 2017. A qual lhe teria dado muito mais se tivesse treino de visão (mas cada um é como é!). Agora, tão original, e nada premeditada, segue na minha peugada, fazendo-se passar por «conhecedora» da Arte Cristã... E se temos que nos habituar, enfim que espalhe aquilo que tinha na cabeça em 2001, e me pôs a procurar. Sim, mas começando por espalhar a lição que recebeu (em Janeiro-Fevereiro de 2002) sobre a forma de trabalhar de um arquitecto: como as ideias se tornam esquemas e ideogramas. Pois é a chave de toda esta questão

Depois, e para resumir, pergunta-se:

Porque esteve Maria João B. Neto tanto tempo calada (desde 2002)?

As guerras religiosas (que vão pelo mundo) são guerras culturais. Como aliás o percebeu, muitíssimo bem, pela minha tese! Ou a investigação faz-se, os Governos pagam-na, para, havendo resultados, os principais responsáveis ficarem todos calados?

Para, ainda no caso de Monserrate, uns anos depois, ir uma Ministra da Cultura visitar um país do Próximo Oriente, e aí pedir «apoios mecenáticos» para recuperar uma casa que - Maria João Neto sabe-o melhor do que ninguém! - é o resultado das pesquisas dos "antiquários ingleses", dos seus Grand Tours, e dos membros da Diletanti Society.

Mansão que por acaso foi construída em Portugal, por quem era então um dos homens mais ricos da Inglaterra vitoriana.

Sim senhora Professora Maria João Neto, no século XVIII, quando as mentalidades se começaram a aproximar daquilo que são hoje, nesse tempo a curiosidade era diletante; hoje é Ciência. E os países, bem, gastam milhões para se reforçarem cientificamente. Porque a Ciência é útil e necessária. E tal como hoje ninguém despreza a Psicologia, do mesmo modo o que se encontrou ao estudar Monserrate, orientada por si (e bem), deve igualmente ser muito mais útil do que os "Dez reis de mel coado" que vai receber por cursinhos de A Arte Moderna e a Arte da Igreja, na Capela do Rato.

É que, embora toda esta problemática não seja um Assunto de Estado, no entanto é da maior importância!

(*3) No futuro serão vistos como acidentes superficiais, ocorridos nas obras; ou, como verdadeiros "crimes" ! Portanto podemos dizer à maneira (minimalista) de Adolf  Loos : "...que muito se poderia ter poupado no trabalho de ornamentação!"

E se temos que nos habituar (à peugada):               "...Ainsi soit-il!

                                                          Et quand la nuit est nuageuse

                                                 Il y a toujours une lumière qui m'éclaire

                                                         Éclaire-moi jusqu'à demain

                                                         Ainsi soit-il"

 

A um assunto que vai tendo barbas, mas por aqui não se esquece!


08
Set 19
publicado por primaluce, às 15:00link do post | comentar

... QUE É COMO QUEM DIZ, ALGUÉM ANDAR NO MEU LUGAR

Não gosto!

 

E por isso já escrevemos vários posts:

Em 31 de Janeiro de 2018 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/a-proposito-de-monserrate-revisitado-405435

Em 28 de Janeiro de 2019 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/sobre-aquelas-duvidas-que-ainda-457447

Em 15 de Novembro de 2015 - https://primaluce.blogs.sapo.pt/e-sera-que-os-historiadores-de-arte-ja-293012

Devendo destacar-se a pergunta: Será que os Historiadores de Arte já calçaram «os sapatinhos de Geómetras»?

Por que esperam? Quando vão finalmente perceber que têm que largar as suas «tamanquinhas», tacanhas, e aprender Geometria? (*). 

A DISCIPLINA que foi, como escreveu Hugo de S. Victor : 

"... la source des sensations et l'origine des expressions"

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*Como acha Maria João Neto que pode perceber, por exemplo, a obra de Almada Negreiros?

Por fim, quem julga que a História da Arte Cristã está repleta de segredos que só a Maçonaria conhece - por serem esses os Geómetras -, engana-se, a si e a quem o rodeia.

A solução dos supostos «enigmas» está no Pensamento Visual, ideogramático e cujas regras vêm da Geometria.


07
Set 19
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

Sim, referimo-nos a Monserrate como era d'antes:

 

Ou seja, quando para nós representava, quase só, aquilo que se via*ESFEROGRAF.em.jpg

Deve-se dizer que o original da imagem acima é uma fotografia feita numa manhã - especialmente luminosa (em Sintra) -, 1987-88, de Glória Azevedo Coutinho.

E o que se viu nesse dia, no instante em que voltámos as costas para entrar no palácio, mentalmente, estava lá ainda o glimpse  de uma imagem muito bonita. 

Foi quando a correr se foi buscar a máquina fotográfica, que aliás estava avariada (e sobrepunha os negativos), mas, e apesar dessa dificuldade, ainda se conseguiu registar o mais importante...

E porque não estamos aqui para enganar ninguém: a imagem acima é portanto um verdadeiro "lab-transformed" desse instante.

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*Com todo o rigor, já não era só aquilo que se via, como mostra a newsletter da Associação Amigos de Monserrate, nº 2, de 1996. Só que, e comparado com o hoje - isto é, com o muito mais que depois passámos a ver na casa que Francis Cook construiu para si em Portugal -, para abreviar, pode-se dizer isso: "quando representava, quase só, aquilo que se via"


30
Ago 19
publicado por primaluce, às 11:30link do post | comentar

... é o título de um livro de Manuel Vilas (autor espanhol)

 

Estamos a lê-lo* e a fotografia abaixo tornou-se, por momentos, como um símbolo, ou mnemónica, deste livro 

Porque nos lembra trabalhos nossos - aqui na R. de S. Bento, frente à AR - num tempo em que tínhamos a sorte (ou o azar) de ser bastante mais desconhecedores (para não dizer ignorante!).

De um tempo em que se projectava não tanto a pensar nas ideias (que hoje se chamam conceitos ;) ), mas em que, «muito alegremente», um trabalho começava geralmente, com os lápis e as canetas na mão - e os papéis também à mão, quase urgentemente, levados pelo prazer do desenho -; sem se discutir/conversar nada (ou quase nada) com ninguém.

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O autor - arquitecto - era, por esses tempos (e ainda é) como que um grande caprichoso: alguém que sabia, podia e decidia. E se fosse questionado, em geral, a posteriori, então procurava encontrar alguns argumentos que fundamentassem o que já tinha avançado, talvez «a gosto»:

Ao seu gosto, ou ao gosto do cliente...

Para nós isto era o modo Arts & Crafts em que  fomos formados. E em que atrás das formas, talvez muito pouco existisse (não sabíamos o que hoje sabemos), para além de uma «certa sensibilidade», e habilidade, sobretudo inata? Com motivações que eram pouco exploradas, e pouco investigadas.

E que o tivessem sido de uma maneira assumida, deliberada e consciente.

Dir-se-ia (agora) que eram o hábito e a práxis que co-mandavam a mão. Como se o projecto fosse mais gesto, do que cosa mentalecomo os autores renascentistas defenderam (por exemplo Leonardo da Vinci terá dito isso da Pintura).

Claramente, muitos, os mais estudiosos**, poderão achar que escrever isto é injusto, e que sempre investigaram, muito, para fazer os seus projectos.

No entanto, por aqui, e honestamente, é esta a sensação que temos.

A de quem ao estudar história, fosse da Arquitectura ou a do Design (ao nível da licenciatura, nos anos 60-70...) era instruído - mas pouco -, para trás, ou anteriormente, à obra de Nikolaus Pevsner intitulada Os Pioneiros do Desenho Moderno. Obra que era quase obrigatória, e em geral todos lemos.

Insisto, verdadeiramente não tínhamos a percepção da imensa informação - a que hoje chamamos herança cultural, patrimónios intangíveis, que tinha dado forma (ou todas as formas) às obras que nos precediam, e nos rodeavam, nos ambientes em que vivíamos.

Concluindo e voltando ao título deste post (e ao livro que estou a ler):

Quando há décadas se desenhou o guarda-vento acima, então éramos muito mais impulsivos - ingénuos, supostamente inspirados e felizes -  e isso às vezes resultava! Completamente ***

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*Depois de um solavanco, e de alguma dificuldade inicial, agora apetece ler, sem parar. Um livro que é uma espécie de biografia, estranha, por vezes a lembrar um brainstorm

Um olhar para o passado, num misto de saudade valorativa, mas também, e em simultâneo, numa desconstrução impiedosa. Como se, de futuro todos fôssemos altamente prosaicos, e nunca mais capazes de compreender e justificar (com alguma ternura, poesia) o que fizemos, e o que fomos, talvez pela falta de informação (e formação) que então tínhamos ...

**Os que nunca avançavam no desenvolvimento dos seus projectos (e depois para as obras) sem longas análises e estudos demorados. Como se estes fossem semelhantes a «redes protectoras» que, garantidamente, os impediam de cair no mais fácil; ou em saltos no desconhecido que não tivessem previsto nos seus actos projectuais...

*** Lembro-me aliás de uma vez, uma cliente ter conversado comigo sobre este tema, em que ela, segundo defendia, dava muito mais valor à inspiração, do que ao estudo ou ao trabalho analítico, prévio, que a maioria dos projectos pode/deve exigir.  


26
Ago 19
publicado por primaluce, às 18:00link do post | comentar

E assim por imagens - que depois estiveram na génese de formas arquitectónicas -, este é um resumo visual do que a seguir se desenvolve:

 

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As imagens vêm deste site https://taylormarshall.com/2017/09/the-filioque-as-nicene-theology-for-arian-goths-and-the-creed-of-ulfilas.html de um Professor de Teologia que usa o desenho (como aliás sempre aconteceu desde os primórdios do Cristianismo, e como estou a explicar desde que compreendi esta questão a partir de 2002, ao estudar o Palácio de Monserrate, em Sintra) para apresentar as diferentes ideias teológicas.

Em suma, com desenhos, mas sendo as regras as da Geometria (ou o equivalente a uma Gramática como acontece nos textos escritos), estes foram usados para explicar variações, extremamente sensíveis, na redacção (e expressão) do Símbolo da Fé dos Cristãos.
Vamos então de novo a esse artigo, percorrendo-o, e buscando os esquemas explicativos e correspondentes às diferentes concepções teológicas.

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Este 1º esquema corresponde à fé de Arius (e de Úlfilas chefe dos Visigodos), e à noção que tinha de Deus.
Ao ser divulgada, prontamente foi posta em causa. Quer por autores do Oriente quer do Ocidente, tendo sido o motivo para a reunião do primeiro Concílio Ecuménico, que aconteceu em Niceia (na actual Turquia), convocado pelo imperador Constantino em 325.
Nessa altura houve uma reacção (musculada) já que o imperador pretendia que houvesse unidade, e a religião não fosse pretexto para divisões internas (num Império que entretanto se tornou extensíssimo, e com uma religião que passou a ser oficial/obtigatória).
O Concílio redige então o que é designado por Símbolo Niceno (que foi o primeiro Credo ou Símbolo da Fé, posterior ao Símbolo dos Apóstolos).

As «correcções» feitas estão expressas (esquematicamente) no 2º esquema (abaixo), que resume as novas especificações teológicas.
E se o primeiro (acima) foi considerado «mais dinâmico» este é aparentemente/visualmente «mais estático» *.

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Se nos interessasse apenas a questão da génese do Arco Ultrapassado e do Arco Quebrado ficaríamos por aqui.
Mas interessa-nos também a concepção trinitária (ideias que foram registando a evolução do conhecimento de Deus - ver a seguir o 3º esquema)**.

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Mas - e agora usamos uma expressão, quase irónica, que encontrámos em Umberto Eco – “as subtilezas dos teólogos medievais” eram especialmente exigentes... O Deus Cristão, ou melhor dizendo, a Trindade Cristã tinha especificidades!
Nesse caso, o 4º esquema traduz a «concepção nicena», mas de um modo tal que (e o arranjo visual traduz essa ideia), a evolução do Credo de Arius e de Úlfilas, para o Credo latino (que o Ocidente adoptou, definitivamente, com o Imperador Carlos Magno), não corresponde a um grande «salto conceptual»***.

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Assim, e em resumo, voltamos agora no fim à imagem inicial, por ser a que melhor sintetiza o que se foi discutindo em sucessivos Concílios , e quando, de certo modo - dizemos nós -, no fim do Concílio de Trento, na sua última sessão, se percebeu que não iriam chegar os delegados dos Países Reformados. Então a questão do Filioque ficou por fim encerrada. Mas só em linhas gerais, pois até João Paulo II abordou o assunto.

[Digamos que foi o fim das maiores querelas e discussões teológicas, embora permaneçam ressentimentos e incompreensões mútuas, que são também de origem linguística, como alguns explicam].

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Deste modo também se compreendem muito melhor os designados Revivalismos do Gótico: Por que razão os Países Reformados – diferentemente dos países da Contra-Reforma – tinham na questão do Filioque um tema essencial, de que não prescindiam. Sendo que a sua aceitação como Símbolo da Fé (e como aceitação teológica) os levou a adoptarem, de novo, e depois do Concílio de Trento, a Arquitectura Gótica.
É ainda agora designada Neogótica.
Um estilo de Arquitectura que muitos vêem como uma mera e simples questão de moda; ou como resposta a uma necessidade de renovação estilística, porque estivessem «cansados» dos estilos anteriores…! 
Não lhe tendo sido conferido o direito de uma maior divulgação, até agora (e foi nesse contexto, embora sempre a levantar questões, que ainda escrevemos o nosso trabalho dedicado a Monserrate!). Ou ainda, sem ter sido reconhecida a capacidade deste estilo para responder, e da sua melhor/óptima adequação, i. e., a "conveniência estilística" para traduzir ideias muito concretas de uma religião.
Conveniência, é a palavra a que Vitrúvio chamava Décor. A qual sempre existiu como uma adequação, e uma correspondência essencial, necessária aos objectos, mas também à Arquitectura, própria da liturgia cristã.
Por fim, e neste post bem difícil de escrever (por razões que são óbvias), queremos acrescentar:

Se no título mencionámos as divisões heréticas, que existiram (e foram inúmeras), em boa verdade conseguimos não entrar nelas. Restando-nos insistir que a respectiva tradução por imagens se fez sempre, enfaticamente, com repetições retóricas, e muito decorativas. Isto é, nunca a seco, ou só com a base esquemática das imagens... 
Se aludíssemos a essa base esquemática e essencial, do estilo Gótico, teríamos de dizer que quase só aconteceu com S. Bernardo e os cistercienses: na versão, ou fase estilística do Gótico, que é a considerada mais «iconoclasta».

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* «Mais dinâmico» e «mais estático» são qualificações que encontrei na enciclopédia da Verbo (VELBC) quando em 2002 este assunto me surgiu. Tendo ficado mais do que surpreendida, verdadeiramente atónita! Incluindo nesse nosso espanto esta adjectivação da Trindade, considerada como sendo “mais dinâmica” ou “mais estática”. Só que, mais tarde, ao encontrar a designação Pericorese então, essa «dança trinitária» já não foi uma grande surpresa…
**No entanto note-se que existe – corresponde ao chamado Credo de Atanásio – um outro esquema interessantíssimo, sobre o qual já escrevemos, e que também esteve na origem de formas arquitectónicas.
***Os povos Germânicos considerados invasores do Império Romano viram sempre em Carlos Magno (o primeiro imperador descente dos bárbaros, e fundador do Sacro-Império) um factor e símbolo de união, que não têm traído...


22
Ago 19
publicado por primaluce, às 22:30link do post | comentar

..e como a mesma nos pode «transportar»:

Talvez, se o deixarmos, ou se a emoção for imensa?

 

Recapitulando o que registámos a propósito de uma pintura de Sarah Affonso

No post escrevemos:

Pode parecer, mas Sarah Affonso não foi uma «praticante» do estilo "Naïf"...
Assim fica esta obra, que, por analogia (quase só) me faz lembrar a imensa beleza da cúpula de S. Lorenzo de Turim, por Guarino Guarini.
Em ambos os casos pela enorme habilidade - que é a ARTE - com que os dois autores fizeram entrar sinais antigos (medievais) nas suas respectivas composições (concretamente o Almada em imensas obras...); e desse modo valorizando-as.
E mais não escrevo, é um repto aos visitantes como faz o meu colega e amigo Manuel Madruga:
Ficando à espera das vossas leituras (e respostas), que podem ser diferentes e bem mais ricas, do que é a minha?

Papagaio-de-papel.jpg

Depois, no post ficou isto:

Eis a pista! Para quem gosta de segredos 
E quando a vi, imediatamente a fotografei. Pois altera, se não substancialmente pelo menos um pouco, e dá imensa vivacidade/graça ao quadro.
Será que já se entende?
Sobretudo como se faz para esconder «um segredo»? Quase magia, ao tirá-lo do ponto central da composição e colocando-o afastado, quase à margem?
Como a "chave de leitura" (para melhor se compreender e valorizar esta obra) - chave a que muitos costumam chamar código (secreto) - como ela estando numa zona a que se dá menos importância; e como ao descobri-ta, e ao seu significado antigo, então tudo converge para dar muito mais sentido ao quadro?
É a surpresa, o maravilhamento.
Ou seja, o "Émerveillement" que anda agora (no mundo das artes) a fascinar os franceses e a ser tema de debates.

novelo de linha Sarah Affonso.jpg

Entretanto alguém corresponde ao repto inicial:

"Vejo um sinal de infinito no cordel enrolado que o menino segura...É um quadro lindo, que conta uma história ou infinitos contos ou apenas um momento estrelado."

Em resumo final a nossa interpretação:

É mesmo por aí: é a obra aberta a muitas leituras, todas possíveis! As estrelas de 5 e 8 pontas já têm a ver com a iconografia cristã. A luz também (aliás com a simbologia de todas as religiões); foca aquele menino em particular, não sei se por alguma razão (?). Num texto que li há dias há imensas informações, mas consta uma, que neste contexto, é particularmente engraçada. Pois fica-se a saber que o Almada Negreiros (marido de Sarah Affonso) brincava com o irmão a lançar papagaios de papel (*). 

Assim, o novelo do fio, posto propositadamente ao nível dos pés, oblíquo e com um pauzinho, ou seja, colocado entre um «8» vertical, e um «8» deitado; ainda, enfaticamente a mostrar o entrelaçado, com uma mecha sobre a outra, e para que se lesse, sem qualquer dúvida, o símbolo do infinito.

Como se conclui, é/foi tudo feito para o observador percorrer com o olhar a composição (aprendemos com uma ex-aluna que esses movimentos se chamam sacadas visuais), e para nela procurar os motivos que a tornam bastante mais rica e interessante do que à primeira vista tende a parecer.

Claro que a emoção (**) vai entrar neste jogo, e por lhe faltarem as palavras, o leitor/observador, por momentos, vai-se sentir maravilhado (***): vai sentir-se perante o inefável; e  a querer tentar dizer, talvez (?)  o que é (quase) indizível.

infinito-2.jpginfinito-2.jpginfinito-2.jpg

(*) No texto do link ver em AS BATALHAS DE MIÚDOS NA CASTILHO:

"António Sobral de Almada Negreiros esteve preso por causa da revolta monárquica de 1919, quando José estava em Paris, mas depois foi comandante de uma divisão da PSP de Lisboa. Foi também um superatleta, praticando esgrima, hipismo e corta-mato, e toda a vida um grande cúmplice do irmão, com quem já adulto adorava brincar aos papagaios de papel. Era um sedutor, tendo à sua volta um "enxame de mulheres", como descreveria a futura cunhada. No fim da vida, casou-se com uma peruana rica e foi viver para Lima, onde morreu em 1964."

(**) Aqui a emoção será mais surpresa e graça, como supomos... Mas quando se trata da Contemplatio - feita no interior do templo e  face aos motivos que aludem ao divino  - como é descrito por Mary Carruthers (e citando nessa sua descrição o processo emotivo explicado por António Damásio); nesse caso o místico que contempla, não apenas se surpreende ou maravilha, mas pode talvez deixar-se transportar (quiçá em êxtase?)

(***) Por fim um excerto da newsletter de 23/07/2019 do Canal Académie, sobre o fascínio e o "sentir-se maravilhado"

 Éloge de l’émerveillement
“Au lieu de supposer que l'émerveillement est le propre des enfants et des ingénus, une émotion agréable et passagère dont on se défait en comprenant l'objet qui l'a provoquée ou en revenant aux choses sérieuses, je vous invite à penser qu'il n'y a rien de plus adulte ni de plus sérieux que de s’émerveiller. L’émerveillement n'est pas une simple émotion, mais une capacité de l'être. Il nous ouvre au monde, révèle heureusement notre ignorance et nous offre une forme de connaissance à la fois plus libre et plus intime. L'émerveillement nous échappe et il doit nous échapper, il nous oblige à recommencer toujours, à se retrouver sans cesse au commencement.”
[Ex
trait de De l’émerveillement, par Michael Edwards, Éditions Fayard, 294 p.]


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